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História Inspectora del Atraco - Capítulo 26


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Notas do Autor


já dizia guimarães rosa:

"qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura."

Capítulo 26 - Vinte e seis


 

POV RAQUEL

Raquel chegava ao Hanói com um estranho frio na barriga. Não o classificaria incômodo, mas não diria que era completamente positivo uma vez que carregava algumas expectativas as quais não conseguira reprimir. Sentia-se animada com o progresso das investigações, com as notícias prometidas por Sérgio, mas, acima de tudo, sentia-se puramente feliz. A verdade é que Raquel não se lembrava da última vez que desfrutou da felicidade plena porque sempre havia algo que a fizesse retroceder mesmo que involuntariamente, mas, naquele momento, ela era capaz de jurar que era como se fogos de artifícios estourassem no seu estômago – mas de uma maneira boa.

Ela caminhou até o seu lugar de costume sentou-se no canto, onde poderia observar o que se passava lá fora. Antonio apareceu rapidamente, servindo-a com sua bebida de sempre e ela sorriu em agradecimento e de leveza ao constatar que criara uma rotina imperceptível. Era curioso como pequenos detalhes construíam um hábito tão confortável, mas que se escondia sob a confusão que era seu dia. Ela tomou um gole do seu café que pareceu descer preenchendo cada espaço frio na sua barriga com seu vapor e não que ela precisasse naquele momento, mas era revigorante.

Passou a observar, inocentemente, o movimento da rua através da janela. Aquele dia fazia frio em Madri e a pessoas pareciam andar mais lentamente, lutando contra o vento gélido que soprava cortante. Ela, então, notou um casal empacotado em camadas de roupas grossas do outro lado da rua, aguardando o sinal para atravessarem, estavam quase grudados. O fluxo de carros no local fazia com que a visão de Raquel sobre os dois fossem como flashes recortados, mas enquanto sua visão pôde se ajustar no que faziam, percebeu que estavam unidos daquela forma porque dividiam fones de ouvidos e, a julgar pelo empenho que tinham para manter-se reunidos, o que cantarolava naquele aparelho era realmente digno.

Algo naquela cena a fez sentir uma onda de ternura. Ela achava que poucas coisas eram tão íntimas quanto dividir o mesmo gosto musical. Era extremamente ligada ao canto, aos instrumentos e até mesmo à dança. Achava que compartilhar seus fones ou músicas seria o auge da sua entrega e, nesse instante, lembrou-se de Sérgio. Na realidade, ele passeava muito pela sua cabeça. Agora, em específico, ela se lembrava da primeira vez que foram juntos para a Casa da Moeda, quando ela encontrou Van Morrison em sua lista de reprodução. Raquel não queria exagerar, acreditava que parte da sua entrega começara ali.

Ela já havia perdido o casal de vista quando se envolveu nos próprios pensamentos. Rodeava a borda da xícara de café com o indicador como se desenhasse um círculo, quando foi interrompida por Antonio outra vez.

- Aqui, esse envelope é para senhora – ele a entregou uma embalagem vermelha.

- De quem? – ela arqueou as sobrancelhas, pegando-o.

- Não sei, estava na caixa do correio – Antonio a olhou. – Quer outro? – apontou para o café dela com queixo.

- Na verdade, uma cerveja – pediu sem pensar muito.

Antonio arregalou os olhos – ela acreditava que pela mudança brusca no paladar – e saiu para atendê-la em assentimento.

Ela olhou para o envelope em mãos e se apressou para abri-los. Retirou o conteúdo rapidamente e encontrou cinco cartões postais. As coisas não haviam começado a fazer sentido ainda. Ela foleou lentamente e antes que chegasse ao final das fotografias, foi interrompida por aquele cheiro. Raquel sorriu e levantou o olhar porque sabia ele estaria ali. Não soube dizer quando passou a identificá-lo pelo cheiro, mas parou de se questionar quando viu Sérgio se apoiar na mesa.

- Como vai o dia? – ele perguntou, sorrindo abertamente e abaixou para beijá-la.

Ela fechou os olhos e sentiu seus lábios encostarem. Estranhamente, o curto espaço de tempo que passaram distante naquela manhã foi o suficiente para seu beijo fizesse falta. Quando ele se afastou, ela desejou mais. Sentia uma leveza – quase tontura – visitá-la sempre que notava que ele a dedicava aquele sorriso. Seu estômago, há pouco aquecido pelo café, tornou a esfriar. Ela, então, levantou-se parcialmente para buscar o que queria: tocou o rosto de Sérgio com uma mão e aprofundou o beijo em poucos segundos, quando sentiu sua língua se encontrando com a dele, sentou-se novamente. Estava sempre querendo mais dele, mas a plateia nesses momentos não era uma ideia a qual agradava.

- Bom, suponho que muito bem – ele disse ao se sentar também.

- Pode melhorar – ela disse e pausou, olhando para os cartões que estavam nas suas mãos. – Creio que o dia de visitar essas praias está cada vez mais perto.

- Como? – ele sorriu mesmo sem entender.

- Sérgio, acho que em poucas horas ou minutos teremos a localização exata do lugar onde os assaltantes preparam tudo antes de entrar na Casa da Moeda – iniciou com uma excitação nítida, havia esperado ansiosamente para contar. – Eu estive pensando logo quando você saiu do carro mais cedo – ele franziu a testa e ela continuou. – Nós somos policiais e tivemos de treinar durante a academia, com eles não pode ser diferente. Precisaram aprender a atirar com armas grandes e pequenas, armar e desarmar bombas, noções básicas de luta corporal e até mesmo da medicina. Quando Arturo Roman foi atingido, os assaltantes sabiam de todo o protocolo, apenas esperaram para que colocássemos em prática – estava tão eufórica que mal podia respirar. – Sérgio, tudo o que sabem pode estar nesse lugar, o Professor os ensinou exatamente lá – arregalou os olhos, observando a reação dele. – Eu só preciso de mais algumas informações, preciso saber ligá-las. Talvez o que você tem sobre Andres pode ajudar e... – Ela pausou, de repente. – Ai, desculpa! – tocou as mãos de Sérgio.

Ele sorriu, meio sem graça.

- Por quê? – perguntou.

- Estou tão agitada com tudo isso que acabo falando sem parar – ela abaixou as sobrancelhas, alternando o olhar entre ele e os cartões postais. – Você é meu único apoio e tem sido tão essencial nessa história que a ansiedade de contar todos os detalhes e dar um fim nesse assalto me deixa insensível, às vezes – sorriu, tímida.

- Raquel, cedo ou tarde, tudo isso acabará – ele intensificou o toque de suas mãos entrelaçadas. – E então, você e eu nos encontraremos na praia. Mas você tem de escolher um lugar – ele indicou e sorriu.

Ela realmente apreciava a naturalidade que tinha para tornar as coisas tão simples.

- Está bem – ela se animou, decidida. – Mas não me deu tempo. Vejamos – pegou os cartões e começou a folear. – O que acha de escolhermos juntos? – convidou-o, sorridente.

- Parece ótimo – ele concluiu.

- Escolha um – ela os espalhou nas próprias mãos e ofereceu a ele, divertida.

- Que responsabilidade! – Sérgio brincou. – Vejamos – tateou todos eles e escolheu um, pegando-o para si. – Palawan – mostrou.

- Palawan – ela sorriu. – Deixe-me ver – pediu, tomando dele. – Que maravilha! Onde fica isso? – perguntou, envergonhada.

- Palawan, sim – ele ajeitou os óculos, como se preparasse para uma longa e complexa explicação e ela gargalhou. – É uma ilha nas Filipinas. Fica a sudoeste do arquipélago, um pouco ao norte de Bornéu. População de 849 mil habitantes, mais ou menos, e a capital é Porto Princesa... – ele dizia tão animado e orgulhoso de si que ela se emocionou.

Ontem mesmo Raquel dizia ao policial que ele não precisava exagerar quanto ao que estavam tendo – seja como chamassem aquele relacionamento – e hoje, exatamente naquele momento, tinha os olhos cheios d’água por simplesmente ouvi-lo falar entusiasmado. É que vê-lo planejando algo para os dois significava tanto; ele não estava simplesmente dizendo que queria estar por perto, estava ajustando a própria vida para que isso acontecesse.  Raquel, seguramente podia dizer que jamais vivera algo parecido, nem mesmo em seus melhores anos com Alberto sentiu-se tão facilmente querida. Ela ainda não sabia dizer exatamente o que sentia por Sérgio, mas começava a entender que se apaixonar era muito mais simples do que imaginava e acreditava que, se era sobre amor, começava mais ou menos por aí.

Voltou a observá-lo empenhado em explicar cada detalhe do destino escolhido. Estava há alguns minutos nessa missão e parecia determinado a finalizá-la. No momento, falava algo como a localização dos melhores pontos turísticos e, quando ele decidiu detalhar a cada metro quadrado das “praias brancas”, ela mordeu a língua para não rir. A verdade era que a forma como falava era muito mais interessante que o próprio assunto. Ele erguia as sobrancelhas para os tópicos mais chamativos e o tom da sua voz era mais grave. Raquel não deixou de reparar na segurança que ele assumia quando dominava um assunto.

- Você fica muito sexy quando está explicando algo, sabia? – ela arriscou.

- Perdão? – Sérgio tossiu.

- Estava reparando enquanto dizia – ela mordeu o lábio outra vez. Não queria rir. – Só quis dizer. – falou inocentemente.

- Não está prestando atenção no que eu digo – ele a olhou preocupado. – Não gosta das Filipinas?

- Sim, claro que gosto – ela respondeu sinceramente e fez uma breve pausa, analisando-o. – Importa-se se eu for até o banheiro? – perguntou repentinamente.

- Claro – ele sorriu, nervoso.

Raquel se levantou e caminhou em direção ao banheiro sem ter muita certeza do que fazia. Ela só queria recompensá-lo.

POV SÉRGIO

Sérgio observava a fotografia de uma praia de Palawan enquanto aguardava Raquel, se esquecera de dizer a ela que conhecia uma casa perfeita para o momento. Era feita de madeira rústica, tinha seus arredores abertos de forma com que estivessem sempre em contato com o mar e era grande o suficiente para que Paula brincasse e Mariví tivesse seu próprio espaço.

Ele estava realmente entusiasmado com a ideia, mas ansiava pelo momento em que contaria à Raquel o que descobrira nas investigações sobre o medicamento de Andres. A inspetora não estava errada em se animar para ver os resultados, afinal eram eles que os levariam até Palawan. “Um passo de cada vez”, ele pensou e, logo em seguida, viu Raquel se acomodar à sua frente. Ela tinha uma expressão curiosa.

- Tudo bem? – ele perguntou.

- Ótima – respondeu quase travessa e ele decidiu ignorar a sensação que lhe ocorria quando a ouvia falar daquela forma.

- Que bom – ele pigarreou. – Estive pensando e me lembrei de uma informação muito válida: há uma casa em...

- Sérgio – ela o interrompeu. – Não tenho um presente tão maravilhoso como o dos cartões, mas...

- Raquel, eu não... – ele tentou.

- ... vou improvisar uma surpresa – disse.

Ele juntou as sobrancelhas, formando uma ruga na testa. Do que ela estava falando?

- Pegue – ela pediu, olhando fixamente para ele, sem sorrir.

- Raquel, realmente não estou entendendo – ele disse, enfim.

- Debaixo da mesa – falou simplesmente. – Apenas estenda a mão.

Ele hesitou. Não compreendia absolutamente nada e desconfiava dessa mudança de comportamento repentina de Raquel. Observou que ela o olhava insistente e não restou opções a não ser obedecê-la. Ele levou o braço por baixo da mesa, assim como ela indicou e parou quando tocou a mão dela. Sorriu nervoso porque ela não tirava os olhos dos dele e, sinceramente, ele conhecia essa expressão. Ela entregou a ele algo amontoado e antes que tirasse o braço de onde estava para saber do que se tratava, foi repreendido:

- Não levante – ela disse severamente. – Descubra aí embaixo – sorriu finalmente.

Ele pensou em protestar, mas sabia que de nada adiantaria. Massageou o objeto com uma mão e sentiu um algum tecido fino. Ele levou seu outro braço para auxilia-lo na análise e, quando tateou com as duas mãos, concluindo o que segurava, congelou. Seu queixo caiu automaticamente.

- Está me entregando a sua calci...

- Estou – ela não deixou que ele finalizasse.

- Por quê? – ele engoliu a seco.

- Já disse: é uma recompensa – disse quase despretensiosamente. – Você pode esclarecer o restante das suas dúvidas na toalete feminina – ela falou enquanto recolhia os cartões. – Primeiro você vai, depois eu vou.

Ele estava perplexo, estava absolutamente perplexo. Temia abrir a boca e sair um miado porque sentia que sequer havia ar para completar seu mecanismo de fala. Raquel queria colocá-lo louco, era isso.

- Raquel... – ele iniciou, sem saber o que diria. – Estamos no meio do dia. Somos conhecidos aqui no bar e o principal é que realmente preciso te contar o que descobri sobre o medicamento de Andrés – disse convicto de que a convenceria.

- Sérgio – ela repetiu. – É a primeira vez que vou sem paraquedas e mergulho na piscina. Não me diga que... – pausou quase cerimonialmente. – Não tem água – sorriu. – Além do mais, não estou impedindo que me conte, você pode fazer isso, mas lá dentro – concluiu audaciosa.

Ele parou para pensar na quantidade de sentidos daquela metáfora. Raquel não estava falando apenas daquele momento, era, de fato, sua entrega. Estava excitado, mas, sobretudo, feliz.

- Tem, sim – respondeu e não conseguiu segurar o sorriso nervoso. – Tem água, sim.

- Então, vá e espere por mim – ela devolveu o sorriso e, em seguida, o olhou maliciosamente.

Sérgio se levantou automaticamente e tentou se concentrar em não tropeçar nas próprias pernas enquanto caminhava até a toalete. Sua respiração estava pesada quando abriu a porta, olhou-se no espelho e pediu a si mesmo para que não desmaiasse. Pensou sobre o tempo que estavam juntos e notou que Raquel nunca havia falado ou agido daquela forma tão repentinamente. Ele realmente queria se preocupar com os sinais estranhos desse comportamento e, principalmente, tinha necessidade de contá-la o que precisava sobre Andrés; foi tão difícil para que desse esse passo e não queria banaliza-lo, mas a verdade é que sentia seu membro tão duro que mal conseguia pensar. Ela a tinha de tantas formas e, ainda sim, ele descobria, no exato momento, que poderia se surpreender.

Ele retirou a calcinha de Raquel do bolso e a abriu de forma com que pudesse enxerga-la completamente. Levou o tecido preto até o rosto e suspirou. Tinha o cheiro dela. O gosto dela.

- Deus – ele disse baixinho.

- Eu prefiro Raquel – Sérgio a ouviu dizer em suas costas assim que a porta se fechou.

Ele a sentiu aproximar e tremeu quando notou que as mãos dela percorria seu peitoral, mantendo-se ainda atrás dele. Ela subiu até a altura pescoço e depositou uma mordida rápida em sua orelha, o que foi o suficiente para causar-lhe um arrepio por todo o corpo.

- Raquel... – ele disse ainda trêmulo, tentando virar para que ficassem frente a frente.

- Diz – ela o interrompeu, mantendo-o de costas.

Ela desceu o seu blazer calmamente e o empurrou lentamente, colocando-o contra a parede. Era uma tortura, realmente. Os toques eram intensos o suficiente para fazê-lo ansiar por ela, mas eram leves demais para suprir o desejo que sentia. Ele se conteve da vontade de agarrá-la ali porque a experiencia de estar em uma posição que nunca esteve o interessou e, além disso, o alívio chegaria de uma maneira ou outra em breve.

Ele a observou estourar todos os botões da sua camisa em poucos segundo, levando-a até o fim de seus braços, próximo às mãos. Pensou que seria o momento ideal para dedicar sua atenção a tirar algumas peças dela para que ficassem de igual para igual e, quando mencionou sair da posição em que estava, ouviu o som de um objeto conhecido que logo entrou em contato com a pele dos seus pulsos, impedindo-o de movimentar seus braços; ela o algemara.

- Raquel – ele repetiu, engolindo a seco. – O que está fazendo? 


Notas Finais


juro que tive que dividir os capítulos porque estava extenso demais :/


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