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História Inspiration - Kim JongHyun - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Planos


Dia 06 / 01 / 2020, Segunda-Feira

 

Quase três horas da tarde de um dia frio e conturbado de inverno. O telefonema do delegado não demorou a chegar, e em pouquíssimo tempo eu deveria estar na delegacia para prestar testemunho.

Tirei o pijama preto e longo que estava usando desde as dez horas da manhã para tomar um banho quente, lavar o cabelo e vestir algo bem agasalhado, afinal, estava sendo um inverno rigoroso com temperaturas quase abaixo de zero. Com toda certeza, entrar debaixo do chuveiro estava nas “ top cinco melhores partes do dia “, e ultimamente esses dias não tem tido nenhuma parte positiva ao seu decorrer, entretanto, eu não poderia demorar muito ali relaxando, tentando esquecer dos problemas e principalmente do fato de que provavelmente estaria correndo risco de vida.

O relógio marcou três e meia, e eu já estava quase pronta para sair de casa. O ar gelado da pequena casa em que eu estava bateu contra o meu corpo causando um pequeno choque térmico assim que abri a porta do banheiro, provocando até mesmo alguns arrepios pelo meu corpo. Passos não muito lentos me levaram até meu quarto para que eu pudesse vestir algo finalmente, então eu vesti um conjunto de moletom cinza com luvas, cachecóis e gorros, além de meia-calça e meias comuns para não correr o risco de passar frio ( mesmo sabendo que eu não estava vestindo lá grande coisa por saber que não ficaria nenhum segundo na rua ).

De repente, as batidas na porta do cômodo ecoaram pelo ambiente, com a voz grave de Dak-Ho logo em seguida.

- Hyo, podemos conversar? – Ele falava num tom calmo.

- Depende do assunto. – Respondi da mesma forma que ele conversava comigo.

- Já fazem praticamente dois dias desde que tudo aconteceu.

- E o que há de novo nisso?

- Nós precisamos tomar medidas, querida...

- Você realmente se importa comigo? - indaguei ja um pouco impaciente. Não é como se eu quisesse falar disso com ele.

- É claro que sim, Hyo-Un.

- Então seja direto, por favor. O que você tem em mente?

- Primeiro eu quero que você saiba que eu estou fazendo isso por você em primeiro lugar, mas também, em nome da sua mãe e do seu irmão mais velho. - ele começou, um pouco receoso eu diria.

- Uh...

- Hyo-Un, você sabe que nós temos dinheiro o bastante a algum tempo para fazermos muitas coisas, não sabe?

- Claro, sua família é rica desde que você nasceu, todos tem nomes importantes na mídia, enfim...

- Aceite um segurança vinte e quatro horas com você, por favor. - concluiu.

- O que? - perguntei incrédula.

- Ele não vai ficar em todos os lugares, literalmente...

- Onde você acha que ele vai ficar então?

- Escute, Hyo-Un... Você se acostuma com o tempo, fora que não será para sempre e ele estará lá para te proteger! Nós estamos falando da sua vida. - ele disse tentando argumentar e manter a calma de antes ao mesmo tempo.

- Dak-Ho, eu agradeço a oferta, mas é só eu simplesmente ficar em casa por um tempo, não é? É a mesma coisa que ter um segurança. - respondi, totalmente contra a ideia de ter alguém me vigiando.

- Não queremos que você fique confinada dentro de casa, e você sabe o motivo.

- Eu vou ficar bem, tá legal?

- Eu vou pedir mais uma vez, tudo bem?

- Dak-Ho. – Eu o interrompi enquanto colocava poucos pertences dentro de uma pequena bolsa.

- Imagine o quão desesperada sua mãe estaria se soubesse disso tudo... Ela seria a primeira a apoiar essa decisão, ou quem sabe a própria Chung-Hee sugerisse.

- Dak-Ho! Esqueça a minha mãe, ok?

- Eu me casei com ela, Hyo-Un, como eu poderia fazer algo assim? E pior, eu cuidei de você sozinho por anos depois que ela foi internada! Sozinho! - reforçou, e aquela paciência ja não mais presente em seu tom - É essa a resposta que eu recebo após mostrar a minha preocupação? Você mora sozinha aqui, não paga conta nenhuma ainda, faz a faculdade dos seus sonhos, e quando eu tento te levar para uma boa escolha você age assim?

Claro, eu deveria saber que ele usaria o dinheiro para afirmar sua posição. No entanto, é verdade que eu não precisava me preocupar com essas coisas, ainda.

- Dak-Ho, eu...

- Kim Hyo-Un. - me interrompeu, mais controlado - Eu irei com você até a delegacia hoje para resolvermos isso de uma vez por todas. Eu não vou ficar por mais essa semana aqui, você sabe que eu preciso trabalhar, então me diga como um pai fica tranquilo sabendo que a filha mora sozinha numa casa com um assassino que com certeza está atrás dela?

- Se é assim, por que você não me leva junto? E além de tudo, você não é o meu pai.

- Essa é a parte difícil de ter filhos ou enteados... Você dá amor e eles te retribuem com ódio. - dramatizou.

- Isso não responde a minha pergunta.

- Se você fosse junto, continuaria sozinha, Hyo. Pode por favor colaborar? Assim que você terminar por aqui vá direto para o carro, estarei te esperando.

E lá se vai mais uma parte de toda a minha paciência. Tentarei ao máximo não descontar a minha raiva nele, e agradecer pelo o que ele está fazendo, mesmo que vá contra a minha vontade. O pior que pode acontecer ainda não aconteceu.

Assim que chegamos na delegacia, o homem identificado como Lee Jinki pelo crachá nos direcionou para onde deveríamos ir, e então, um homem chamado Choi MinHo começou com as sequências intermináveis de perguntas sobre a noite em que tudo aconteceu. Enquanto eu me concentrava em ser mais específica possível em cada resposta, meu padrasto antes de eu entrar na sala me alertou que estaria resolvendo a questão do segurança, e eu tenho certeza que para conseguir o que quer, pagará o quanto for preciso.

- Senhorita, a vítima que você viu ontem era recém chegada na mídia como coreógrafa e compositora. A família pediu que não revelássemos nome ou local de trabalho, tudo bem? - o homem explicou.

- Claro, sem problemas - concordei tentando parecer o mais tranquila possível, mas com a sensação de que eu  estava despreparada para o que viria a seguir.

- Muito bem. O que você viu exatamente?

Engoli em seco, me concentrando em acessar as memórias daquela noite.

- Ele parecia estar acertando o corpo dela com uma faca. Não estava muito claro, ele tinha a levado para um beco. - comecei.

- Como você conseguiu encontrar ambos?

- Eu estava subindo a rua de casa e ouvi o grito num tom alto, realmente parecia perto de mim. Foi só eu andar um pouco mais que acabei os encontrando. Ele... - senti minha voz falhar, o nó ja se formava em minha garganta, mas segui com o depoimento - Ele socava e chutava o corpo dela repetidas vezes, e quando me notou ali, deu alguns passos na minha direção e mostrou a faca, mas não fez nada. – Mesmo m trêmula, eu continuava firme no que falava. As memórias tão frescas do ocorrido assustavam mais do que o normal.

- Como assim nada? Ele não tentou te agarrar ou correr atrás de você? - desconfiou.

- Não. - respondi, pela primeira vez estranhando esse fato - Ele apenas gesticulou com a mão para que eu fosse embora dali, e então eu corri.

- Alguma característica em especial? - ele alternava seu olhar entre mim e as pasta onde anotava os detalhes da minha descrição.

- Nada. Eu não vi seu rosto, não ouvi sua voz... - senti minha expressão murchar ainda mais.

Aquilo foi aterrorizante, mas parece que não serviu nem mesmo para dar alguma informação que ajudasse na investigação.

- Tudo bem, você está indo muito bem, pode ficar calma. – Ele comentou imediatamente ao ter visto que eu estava ali encolhida e prestes a chorar.

- E-Eu posso continuar. - afirmei sem muita força, mas determinada.

- Tem certeza? Se você sentir qualquer coisa, é só falar. Pode me interromper.

- Ele usava roupas pretas, máscara, boné e luvas. 

- Alguma ideia da altura dele?

- Talvez uns um e oitenta.

- Mais algum detalhe para adicionar? Qualquer coisa... Um cheiro ou som muito presente no local...

- Assim que o choro dela parou, assim como os gritos, ficou um completo silêncio. Dobong-Dong é sempre silencioso a noite.

- Certo, senhorita. Você foi muito bem hoje. – Ele sorriu de forma gentil e um tanto acolhedora, parando de fazer várias anotações e fechando o caderno. -  Por hoje é só, mas caso precisemos, vamos chamá-la.

- Tudo bem. - assenti, ja me sentindo mais calma.

- Aceita uma água antes de ir? - perguntou atencioso, como se ja tivesse feito isso muitas vezes antes.

- Senhor, eu não acho que eu vá conseguir sair daqui agora. - me lembrei da conversa de mais cedo com meu padrasto.

- Por qual motivo?

- Fale com o meu padrasto, ele irá explicar melhor do que eu.

- Certo, como preferir.

Eu finalmente estava fora daquela sala mórbida e escura, mas infelizmente tudo isso só tinha começado. Meu padrasto estava sorrindo em meio a dois policiais; o tal Lee, que nos recebeu assim que chegamos, e o mesmo loiro de sexta-feira, que dessa vez apareceu com um olho roxo.

- Kim Hyo-Un! Aí está ela... – Dak-Ho parecia verdadeiramente alegre.

- Eu tenho ótimas notícias para você. Expliquei toda a situação dentro de casa para estes oficiais e chegamos a um acordo. - anunciou orgulhoso.

- Está oferecendo o dobro do preço pedido outra vez para o rapaz ficar comigo vinte e quatro horas? - retruquei, me segurando para não revirar os olhos.

- Pare de brincar com coisa séria, Hyo-Un...

- O que é então?

- Por hora, este homem ao meu lado ficará apenas no período da noite, que seria o mais propício para o assassino agir, mas dependendo do desencadear das coisas, ou ele ficará o dia todo também, ou haverá outro homem. – Ele apontou para o rapaz loiro. Aquele rapaz...

- Dak-Ho, isso não é demais?

- Se me permite, senhorita Kim... – Choi MinHo se pronunciou, chamando a atenção de todos nós. – Até conseguirmos alguma pista do assassino, será como ele falou mesmo.

- O que isso quer dizer? Vocês tem alguma ideia de quem seja?

- Não exatamente, mas o jeito como a vítima foi morta, e o histórico dela nos dizem muito. Infelizmente não posso falar mais, embora eu saiba que é torturante para vocês como família.

Tudo bem, então talvez eles saibam de quem se trata. Talvez realmente seja um caso mais sério do que eu imaginava, e talvez eu realmente precise de um ou dois homens da polícia vigiando a minha casa.

Os olhares de todos a minha volta pareciam mais tensos, menos o de Dak-Ho, que estava mais para confuso.

- Então, como isso vai funcionar? – Eu perguntei, sentindo meu corpo cada vez mais tenso.

- Kim JongHyun te acompanhará onde quer que você precise ir. Você não vai mais pegar ônibus ou taxis, andará apenas no carro dele. O Kim tem permissão para te impedir de fazer qualquer coisa que ele julgue perigoso ou arriscado, mas somente se você assinar o contrato. Além disso, você terá um toque de recolher, ou seja, oito horas da noite você precisa estar dentro de casa em segurança.

- Se vocês já sabem quem é, por que não colocam logo de uma vez um serviço vinte e quatro horas?

- Precisamos ter certeza antes, por isso estamos esperando a autópsia sair. Está demorando um pouco, recebemos muitos corpos em pouco tempo, e tudo indica que são do mesmo assassino.

Ok, talvez essa quase confirmação de que estamos lidando com um assassino em série tenha me atingido com mais força do que eu imaginei.

- S-Sem pressa, imagine...

- Você está bem? Parece pálida. – O loiro comentou, franzindo o cenho. De fato eu não me sentia muito bem depois de ouvir certas coisas. – Você precisa sentar um pouco, Senhorita Kim.

- Querida, está tudo bem?

 Dak-Ho falava um pouco assustado. Minha visão estava começando a ficar confusa, assim como minha audição, e em poucos segundos meu corpo amoleceu totalmente e caiu no chão gelado da delegacia. Foram poucas horas desacordada, e infelizmente retomei minha consciência ouvindo logo de cara as vozes dos mesmos homens que estavam comigo antes, falando do mesmo assunto de sempre.

Não tão mal quanto antes, pude olhar ao meu redor e ver aqueles biombos brancos a minha volta, assim como parte dos corpos de alguns dos policiais pelas brechas que as cortinas tinham. Balbuciei o nome de Dak-Ho com a voz num tom não muito alto, e o mesmo não demorou a me ouvir e chamar um médico rapidamente.

- Você está bem? - perguntou num tom preocupado.

- Melhor do que nunca. - ironizei.

- Não foi uma resposta séria, não é?

- Claro que não.

- O médico que nos ajudou quando você chegou aqui no hospital já está vindo, tenha paciência, tudo bem?

- Não estou preocupada com isso, pode ficar tranquilo.

- Quer uma água?

Dessa vez eu acabei aceitando, já que ele parecia realmente preocupado comigo naquele momento. Não me levem a mal, mas desde que conheceu minha mãe, nunca ligou muito para os filhos dela, vulgo eu e Kibum.

O policial loiro que a essa altura eu não lembrava seu nome, apareceu junto com o chefe geral Choi e o delegado Lee, mas sem o doutor junto. Os três não estavam nem um pouco calmos justamente por trabalharem  em casos muito específicos e complicados, e estarem ali comigo, “ perdendo “ um pouco de tempo.

Me arrisquei a perguntar o que estava acontecendo ou então, o que tinha acontecido enquanto eu estava apagada numa cama de hospital tomando soro.

- Bom, senhorita... Se preferir, podemos conversar outra hora na delegacia. - o Lee se pronunciou.

- Sobre o que exatamente?

- Kim JongHyun, é claro.

E então eu me lembrei da conversa que me trouxe ao hospital. O assassino.

- Vocês sabem quem ele é, não sabem?

- Como assim? É claro que sabemos, ele trabalha conosco a anos.

- Eu não me refiro a ele.

O Choi me encarou sério, abaixando seu rosto e coçando seus olhos, mostrando como ele não queria que eu tivesse chegado a essa conclusão apenas por sua expressão facial, que o entregou completamente.

- Não sabemos o nome dele, como ele é ou qualquer coisa do tipo. Não estamos lidando com qualquer um, não conseguimos nem achar uma única digital, fio de cabelo, pegadas... É um homem perigoso, Senhorita Kim. Nós realmente queremos que você esteja viva e em segurança para testemunhar contra ele quando o pegarmos.

- P-Por isso toda essa insistência? – Aquele frio na barriga sempre apertava mais forte quando eu me lembrava da noite em que eu vi tudo aquilo. Talvez se eu tivesse sido mais rápida, eles pudessem ter conseguido algo melhor.

- Não se sinta culpada por ter demorado a aceitar essa proposta, eu sei que te assusta e que você realmente não esperava por um Serial Killer que, possivelmente, está atrás de você.

- Senhor Choi...

- Sim?

- Onde está o contrato?

- Seu padrasto já assinou, afinal, você é de menor, mas mesmo assim devemos ter a sua assinatura como garantia.

- Se estiver com ele por perto, traga, vou assinar de uma vez. - finalmente cedi, movida pelo medo.

- Sinto muito por tudo isso estar acontecendo, Hyo-Un. - tentou me confortar, embora seja estranho não ser chamada de Senhorita Kim pelo oficial.

- Eu prefiro pensar que vai ficar tudo bem, e fingir que nada aconteceu as vezes.

- Bom, eu vou voltar a delegacia logo, então a partir da sua saída daqui do hospital você terá de se acostumar com, a princípio, apenas o JongHyun por perto.

- C-Certo. - e aquela ideia voltou a parecer totalmente estranha novamente.

- Se por acaso ele te deixar desconfortável, reporte para mim. Vou deixar meu contato salvo no seu celular, se quiser.

- Claro, por favor... Eu só não sei onde ele está. - pela primeira vez no dia, dei falta do aparelho.

- Provavelmente com Dak-Ho. Sabe onde ele está?

- Foi buscar um copo d’água para mim.

- Ah, tudo bem, podemos esperar.

E durante a pequena espera pelo meu padrasto, olhei algumas vezes para JongHyun me perguntando se eu acabaria me tornando amiga dele ao longo dos dias. Sabe, eu não queria que esses dias durassem, logicamente, mas eu pelo menos deveria fazê-los renderem.

O loiro, que estava atrás de MinHo, saiu por alguns segundos. Assim que voltou, tinha uma pasta preta em mãos e Dak-Ho atrás de si. Honestamente, JongHyun não parecia estar de bom humor. Claro que ninguém numa situação como essa ficaria dando pulos de alegria, mas era diferente.

- Senhor, sua filha assinará o contrato agora, tudo bem? - Senhor Choi anunciou.

- Sem problemas, não precisavam nem ter se preocupado em me falar isso.

- Que bom. Isso significa que Hyo irá para casa assim que sair daqui, então JongHyun acompanhará vocês dois.

- Tem uma coisa que eu ainda não entendi. – Falei, fazendo com que todos ali olhassem para mim, inclusive JongHyun.

- O que?

- Ele ficará comigo durante o dia ou noite?

- Noite, apenas. Se alguma coisa começar a acontecer durante o dia, enviaremos outro homem, e no pior caso, mudaremos você de local. - explicou.

- Vocês também podem fazer isso?

- Bom, está no contrato, mas logicamente também precisaríamos da sua assinatura num outro tipo de documento. – Lee JinKi falou de repente após algum tempo em silêncio enquanto ajeitava a longa gravata que usava.

- E onde ele vai ficar durante a noite toda?

- Em uma pequena van, com janelas apenas nos bancos da frente, já que todo o interior dela estará lotado de monitores, etc.

- Isso significa que...

- Assinando o contrato, serão instaladas câmeras em todos os cômodos da sua casa, exceto quarto e banheiro. Nesses dois em específico, as câmeras ficarão do lado de fora da casa em cima das janelas.

- Ah... tudo bem então. - concordei, incomodada porém conformada com a ideia de ter cada passo meu registrado em vídeos.

- Eu sei que isso tudo é extremamente absurdo, Senhorita Kim. – MinHo falava. – Essas exigências foram propostas por nós mesmos, acho que você entende o motivo.

- E as chances de acontecer qualquer coisa comigo sob a luz do dia são mínimas, certo? - quis confirmar, talvez para buscar algum tipo de conforto na luz do sol, ja que ao que tudo indica, as noites seriam extremamente tensas.

- Bom, se nos basearmos no modo como esse homem agiu até agora, sim.

- Certo. – Eu respirei fundo, estendendo a mão para JongHyun como sinal para que ele me entregasse o contrato, e assim ele fez. Logo meu nome já estava escrito na pequena linha ao final da folha branca A4, completamente lotada de textos paragrafados.

- Lembrando que, Senhorita Kim, você deve se limitar e sair apenas por motivos importantes se realmente precisar, e para isso, deverá acionar o JongHyun.

- Claro, eu entendo.

Seria difícil, porém necessário. Tanto para mim quanto JongHyun e o restante da equipe que estava trabalhando no caso.

- Pode nos dar mais detalhes da sua rotina? - O choi prosseguiu.

- Bom, além da faculdade pela manhã eu faço aula de dança.

- Claro. De primeiro momento, você terá que estar acompanhada também. Kim Hyo-Un, lembre-se sempre que você é a única testemunha viva desde que isso tudo começou.

- Mas espera... - algo não encaixava totalmente.

- Sim?

- Você disse que o Kim ficaria no turno da noite. Como ele vai passar todo esse tempo sem dormir praticamente nada? - perguntei, afinal, ele é forte mas ainda é um ser humano.

- Bom, sobre isso... - pela entonação de Choi, na correria eles devem ter esquecido desse detalhe.

- Haverá outro homem. – Jinki se pronunciou, aproximando seu corpo da cama onde eu estava recostada. – Ele obviamente não será capaz de fazer tudo isso sozinho, e seria até desumano da nossa parte.

- Jinki, eu tenho uma ideia então.  – MinHo, que parecia um pouco contente com o que estava prestes a dizer, falou calmo. – Ponha a Jessica na van com o JongHyun. Enquanto ele dorme, ela fica de olho. Caso algo aconteça, ela o acorda e os dois descem armados e com colete a prova de balas. Será até melhor para a senhorita Kim ter uma mulher como  a Jessi a vigiando.

- Certo, por mim tudo bem. A Jessica não vai se importar de sair das férias dela no Marrocos. Não se for para ajudar no caso desse cara.

- Quem é essa mulher? – Eu perguntei, com a maior confusão possível dentro da minha cabeça.

- A HyunJu Ho é uma das nossas melhores agentes, mas infelizmente nem sempre está disponível, afinal, ela também atua no SNI em casos especiais. – O Lee explicava.

- SNI?

- Serviço Nacional de Informação, mas... Também tem os órgãos precendentes, o SFICI, ou Serviço Federal de Informações e Contra-Informações.

- Você realmente pode nos falar tudo isso? – Dak-Ho perguntou baixinho.

- Se eu não pudesse, não faria. Simples assim.

- Então... Eu posso ir estudar e...

- No momento, sim. – MinHo interrompeu; ele já parecia estar perdendo a cabeça ali dentro.

- Ah... - constrangida por causar essa confusão.

- Tem alguma coisa que você ainda não entendeu?

- Acho que está tudo esclarecido. - confirmei, mas mesmo que não estivesse eu não perguntaria, não agora.

- Ótimo. O contrato já foi assinado, você já está bem e nós podemos ir.

- Ah, outra coisa; - JinKi chamou nossa atenção. – Enquanto Jessica não chegar serão só vocês dois. – Com o indicador, ele  apontou para mim e em seguida o Kim. – E Senhor Kim Dak-Ho?

- Sim?

- Você como artista deve estar muito mais tenso que Hyo, eu imagino, afinal... Você é basicamente um alvo.  O tempo todo falamos sobre ela, mas e quanto a você? Gostaria de nos acompanhar até a delegacia para conversarmos sobre isso?

- Claro, por favor. – Ele respondeu tenso, esfregando suas mãos em suas roupas.

- Dak-Ho. – Eu o chamei. – O que você pretende fazer?

- Bom, eu já iria sair logo de onde você está morando, mas agora será muito mais rápido. Quem sabe amanhã.

- Não esqueça suas coisas então.

Após esse pequeno diálogo, Jinki saiu andando com Dak-Ho daquele hospital.

Finalmente, o médico entrou passando pelas cortinas junto do meu irmão, que também trabalhava no mesmo local, mas sendo meu parente estava proibido de cuidar de mim para evitar possíveis abalos emocionais.

- Como você está, senhorita? – O senhor simpático perguntou com um pequeno sorriso, segurando alguns papéis que eu imaginei serem exames em suas mãos. – Esse rapaz aqui ficou preocupado com você. – Assim que apontou para meu irmão Kibum, o mesmo veio na minha direção sorrindo.

- Realmente, eu estava assustado.

- Sinceramente, eu não sei como você trabalha aqui, Bum! – O provoquei na tentativa de aliviar um pouco o clima tenso que estava no ambiente.

- Nosso padrasto me ligou falando como se você estivesse morta na frente dele com cinco tiros. Tinha como não me assustar?

- Bom, essa não é a maior notícia.

- Qual é, então?

- Aquele é Kim JongHyun, o homem que irá me proteger, e, juntamente com uma mulher chamada Jessica, irá vigiar minha casa.

Ambos fizeram um pequeno aceno, trocando breves sorrisos. Meu irmão não parecia muito confortável com a situação, não sei exatamente por qual motivo. O olhar que ele tinha era um pouco vago, o que honestamente me deixou um pouco preocupada.

O médico ao nosso lado falava sem parar, fazendo algumas brincadeiras inofensivas enquanto ria. Todos que restaram ali comigo tentaram seguir a onda do senhorzinho para não piorarem a tensão que se estabelecia no ar.

- Bom, enfim, senhorita. – Ele retirou a fina sonda que estava me dando soro a algumas horas do meu braço. – Você desidratou muito desde que chegou aqui, teve um desmaio comum pois sua pressão caiu. Nada anormal, muito menos na sua idade.

- O que tem a ver?

- Jovens como você geralmente tem uma péssima alimentação, horários de sono desregulados, não mantém uma rotina com nenhum desses fatos citados... – Ele riu. – Ah, se vocês soubessem como isso faz mal... Estressa o organismo, entende? Causa fraqueza, mudanças repentinas de humor, etc. Você pelo menos dança, isso te ajuda. Mas existem pessoas que não fazem absolutamente nada e acham que estão bem por terem um metabolismo acelerado e conseguirem emagrecer sem esforços, mas não funciona assim, nunca será assim. Minha filha, quando tinha quinze anos, tinha um peso perfeito, mas já tinha varizes, colesterol alto e palpitações no peito.

- Deve ter sido difícil para uma garota como ela passar por isso.

- De fato, foi. Mas depois que a ficha caiu, ela começou a fazer mudanças aos poucos.

- Gostaria de conseguir comer algumas coisas sem sentir vontade de vomitar.

- Acredite mais em si mesma, tudo bem?

Ele passava o algodão cheio de álcool onde a agulha tinha furado, colocando um pequeno band-aid por cima. Durante todo o processo eu encarei rapidamente JongHyun e Kibum, que se entreolhavam algumas vezes com suas faces sérias.

Ainda era estranho pensar que aquele rapaz loiro estaria constantemente ao meu lado, por mais tempo do que a minha próprias família.

- Está liberada para ir, a não ser que se sinta muito fraca ainda.

- Não, está tudo bem, eu posso ir para casa.

- Faça um repouso quando chegar, tudo bem? Prometo que te ligo assim que eu me liberar. – Kibum me deu um pequeno beijo na testa, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

- E vê se toma um banho pra tirar esse cheiro de hospital, imunda.

- Tsc, olha quem fala...

- São situações diferentes, ok?

- A falta de higiene não muda.

Ambos rimos, como nos velhos tempos. Ele se despediu mais uma vez antes de ir, fazendo o mesmo com todos ali presentes.

Por fim, MinHo acabou indo embora também, restando apenas eu e JongHyun ali dentro, já que o médico um pouco idoso, se retirou também. Eu não sabia se deveria puxar algum assunto, ou se a coisa certa a fazer era ficar em silêncio o tempo inteiro e apenas agradecer.

- As suas coisas estão todas nessa sacola. – Ele falou de repente, estendendo sua mão para me mostrar sobre o que falava.

- Tudo bem, obrigada, Kim. - falei, sem muita certeza de como chamá-lo.

Eu deveria ser mais formal? Ou ele quem devesse fazer isso? Bom, eu não sabia o que fazer em relação a nada, apenas tentei me levantar.

Eu claramente fiquei deitada na mesma posição, sem mexer um único músculo por horas, então minhas pernas estavam dormentes e trêmulas, mas é claro que eu não iria pedir ajuda ao loiro logo de cara. Era nítida a vontade de morrer que o consumia, e querendo ou não eu o entendia perfeitamente.

Me endireitei e joguei minhas pernas para fora da maca, levantando meus braços e rosto para me espreguiçar. Algumas partes de mim até estalavam de tanto tempo parada, e a sensação de finalmente poder me mexer era ótima, mas, num gesto falho eu acabei por me desequilibrar assim que pisei no chão gelado coberto por azulejos azuis, mas sem cair.

- Ei, Senhorita Kim! Está bem? – Ele se aproximou imediatamente.

- S-Sim! Imagine, não foi nada...

- Tem certeza que quer ir embora agora? Você pode esperar um pouco até conseguir se estabelecer novamente.

- Preciso ir para casa, eu consigo fazer isso. – Dei um pequeno sorriso para ele, um tanto surpresa com sua reação depois de um “ incidente “ extremamente insignificante ter acontecido.

- Tente andar devagar agora, antes de sair por aí.

- Bom, onde quer que eu esteja, você vai estar lá para me proteger de qualquer coisa, não é? – Brinquei um pouco com ele, pegando a sacola que foi largada sobre o colchão num ato súbito dele.

- Isso não deixa de ser verdade, pelo menos por um tempo.

- De verdade, você parece estar morrendo por dentro.

Tomei sim tal liberdade de falar daquele jeito com ele, afinal, eu não deveria tratá-lo mal por não gostar da situação em que me encontro.

- É tão nítido assim?

- Bastante.

- Não vai ser fácil passar essa noite acordado, mas é o meu trabalho, e valerá a pena.

- Obrigada por lembrar que estamos falando da minha vida.

- As coisas vão melhorar, pode ficar tranquila. - respondeu calmo.

- Escuta... Como foi quando eu desmaiei?

- MinHo e seu padrasto te trouxeram, eu vim com o JinKi depois, já que precisava arrumas umas coisas.

- Eles ainda não instalaram as câmeras, certo?

- Não, mas isso acontecerá o mais rápido possível.

- Ah, eu não posso reclamar. Vocês estão dando tudo de si.

- Obrigado por reconhecer isso.

- Não foi nada.

E pela primeira vez no dia, ele sorriu.

Um belo sorriso.



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