História Inspired - Segunda Temporada. - Capítulo 5


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Categorias Naruto
Personagens Deidara, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Itachi Uchiha, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sasori, Sasuke Uchiha
Tags Fugamina, Gaaita, Itadei, Narusasu, Sasodei, Sasunaru
Visualizações 331
Palavras 5.544
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Não consigo estar mais feliz com a fanfic! Sério! To imensamente feliz e grata a vocês por todo apoio e carinho ♥
Me empenhei horrores pra escrever, e olhe, pra quem quer saber, to melhor. Obrigada pelos desejos pra que eu me recuperasse. :3 Aos pouquinhos, vou conseguindo.

Vocês são incríveis ♥


Temos várias coisas acontecendo no cap então n vou enrolar!!! Aproveitem:

Capítulo 5 - Quanto ao escuro.


 

 

Inspired. • 2 •
       • SasuNaru. •

- Isso, Sasuke. Você está indo muito bem. Agora tente dobrar a perna, sim? - O garoto ouvia atentamente a voz do Dr. Elliot, e assentia, apesar de ainda estar realmente apreensivo. - Vamos. Você consegue.

Um grande esforço lhe era exigido, afinal, para que aquele tratamento finalmente continuasse devidamente e evoluísse para a "terceira etapa" de fato.

Depois de mais uma bateria de exames que levaram horas para serem feitos, o jovem estava mais do que pronto para começar as suas sessões de fisioterapia. Nos Estados Unidos mesmo, para não inibir os avanços já conseguidos, e num outro cômodo que era como seu quarto no hospital, mas com a diferença de ter uma espécie de plataforma acolchoada, como um tatame cinza,  e rodeada de almofadas e objetos que pareciam brinquedos infantis, mas que eram usados para incentivar os pacientes a se mover ao máximo possível.

Na sala também havia um espelho, barras próximas às paredes, e Sasuke notou um andador deixado num canto - o que ele adoraria poder usar, já que parecia bem melhor do que se movimentar usando a cadeira de rodas, mas ele sabia que demoraria um pouco mais para alcançar aquele estágio.

Por enquanto, era só o comecinho, e tudo que ele podia fazer era seguir as instruções do médico que parecia ter toda a paciência do mundo enquanto o esperava apoiar as mãos sobre a espuma debaixo de seu corpo e tentar se mexer como estava sendo pedido.

- Arg... E-eu... - Infelizmente, Sasuke estava começando a achar que tinha sido muito mais otimista do que devia, depois de um tempo. Talvez pela vontade de conseguir, mas a dificuldade enfrentada o deixava cada vez mais nervoso, no fim. - Eu não...

- Só mais um pouco, Sasuke. Você está quase conseguindo. - A teoria parecia fácil, mas, na prática, mover o pé e dobrar o joelho doía, era irritantemente trabalhoso e cansava bastante.

-Eu... Eu não consigo... - E frustrava, claro, pois costumava ser uma tarefa simples e até involuntária para a maioria das pessoas, então Sasuke não havia se acostumado exatamente com sua incapacidade de responder a um dos comandos mais simples do cérebro. - Desculpe, mas eu não consigo.

O moreno chegou a desistir, por uns minutos, suspirando e deixando seu corpo cair sobre o local fofo, exausto de inúmeras tentativas.

- Consegue, sim! - Mas felizmente Elliot estava mais do que acostumado com aquele tipo de comportamento, e não se dava por vencido tão facilmente. - Vamos lá, garoto. Tenta de novo, e dessa vez se concentre melhor no que está fazendo. - Era o seu trabalho impulsionar os pacientes, e o médico via em Sasuke uma chance clara de se recuperar quase em cem por cento, então desistir de tudo não era algo a ser realmente cogitado.

- Eu estou concentrado! - Pouco importava o quão difícil ia ser.

- Não está. Eu posso ver no seu rosto que agora você está pensando em como tudo podia ser mais fácil, garoto. Podia mesmo, mas não aconteceu, então foca no que te mandei fazer. - O americano havia dito antes que ele não pegaria leve, nem por aquela ser só a primeira sessão, e mantinha a palavra. - Você estava indo bem, e eu sei que pode ser melhor. Apoie as mãos de novo, e tente usar mais a panturrilha, e não a coxa. - Ou era isso, ou todo o dinheiro, tempo e esforço gasto seria jogado no lixo. - Pronto?

Sasuke tinha plena consciência sobre este fato. Logo, o que lhe restou foi posicionar o seu corpo novamente como devia, e jogar todo peso para o fim de sua perna, tentando esquecer-se das próprias inseguranças tanto quanto tentava esquecer-se de continuar usando sua força na coxa direita.

Na primeira tentativa depois disso, ele falhou miseravelmente.

Na segunda, os pinos fizeram seu quadril doer, mas seu pé se moveu um pouco.

Na terceira, o reflexo de continuar puxando os músculos da coxa falou mais alto...

Já na décima tentativa, ele estava prestes a chorar e xingar Elliot de todos os nomes que podia se lembrar, mas não descansou enquanto não terminou o trajeto que consistia em guiar sua perna até que seu joelho estivesse dobrado até bater em seu próprio peito.

É claro que doía. E o moreno estava sentindo as gotas de suor molharem sua franja, àquela altura, mas ele conseguiu.

Horas depois de ter começado, ele conseguiu. Conseguiu mesmo!

- Prontinho. Pode descansar, agora. Foi muito bem. - E o brilho cheio de orgulho que transpareceu em seus olhos negros fez até mesmo seu médico sorrir um pouco.

- Obrigado... - O que fez Sasuke querer poder pular de felicidade, mas, de novo, ele tinha que ir com muito mais calma. Tudo o que pôde fazer foi ofegar, tentando a todo custo recuperar o fôlego enquanto sentia suas costas doloridas após seu corpo bater contra a plataforma, que não parecia mais tão confortável quanto no começo da sessão de fisioterapia. - Droga, eu preciso mesmo descansar...

- Ha-ha! - Ele constatou, e a risada um pouco boba do médico o teria irritado mais, se a vontade de acalmar a própria respiração não fosse bem mais importante. - Não se preocupe, já vou te levar de volta para o seu quarto. Em dois dias, voltamos pra cá, e você já deve estar pronto para o dobro de tentativas se for necessário. Disse que estava disposto a fazer tudo, lembra?

- Eu sei o que eu disse... - Convenientemente, o Dr. Elliot o lembrou de um dos "acordos" que fizeram, o que ajudou, também. - E eu estou disposto. Só... foi difícil. - Afinal, todo apoio seria necessário, e toda força teria que ser usada.

- É pra ser mesmo. O acidente quase esmagou os seus ossos completamente, o que seria impossível de resolver, e você sabe que tem sorte de poder tentar, mas não é por isso que as coisas vão dar sempre certo. Ou você achou que viria pra cá, e sairia andando em cinco minutos? - Elliot podia falar duramente, mas ele ainda tinha razão.

Não era como se ele fosse rude. Era só ridiculamente honesto, e Sasuke ia se acostumar, afinal ele admitia que namorava um garoto tão teimoso e verdadeiro quanto - o que, no fundo, era muito bom.

- Eu sei... - E Ok, talvez ele realmente tivesse achado, mesmo que só um pouquinho, que não seria tão complicado, mas ele não ia admitir.

- Que bom. Vamos? Deixe eu te levantar. - O jeito "elétrico" do médico o deixava tímido às vezes.  - Se demorarmos, os efeitos do remédio passarão logo e você vai estar com dor e vomitando nesta sala.

- Nem me lembre disso... - E maldita aquela risada dele não era mesmo agradável. Sasuke estava certo disso!

[...]

De volta para o quarto de hospital, Sasuke estava mesmo tão cansado que só conseguiu ficar acordado até terminar de tomar um banho rápido - ainda com a ajuda de Naruto, que sempre estava por perto -, engolir com dificuldade mais alguns remédios necessários, e voltar a vestir a camisola do hospital, que substituía os shorts brancos e a blusa fina e de mangas que eram usados durante a fisioterapia.

Depois disso, ele dormiu em minutos, mal prestando atenção em qualquer coisa ao redor. Nem mesmo no próprio namorado, que ficou com a tarefa de zelar por seu sono enquanto telefonava para Fugaku, que estava começando a preocupar todo mundo com seu comportamento que exibia seu nervosismo e a dor por ter dois filhos internados num hospital.

Fora tudo isso, o Uzumaki estava preocupado também com o namorado, é claro. Ele ainda não havia mencionado Itachi, por medo, e não sabia como começar aquele tipo de conversa enquanto Sasuke passava quase o tempo todo tentando esconder a própria dor e tentando controlar os enjôos que o atingiam de hora em hora, mesmo que fosse impossível contê-los.

O loiro estava sendo mesmo muito forte. Por cogitar adiar a entrada na faculdade, por passar horas sem dormir, ganhando olheiras enormes, roupas amassadas e cabelos completamente desgrenhados, por engolir o próprio orgulho e continuar falando com Minato, apesar da mágoa ainda o atingir...

Por tudo. Ele estava vivendo mais por Sasuke do que por si mesmo naquelas semanas. Ignorando as próprias dores, e não porque ele ia ficar "se fazendo de idiota" como talvez seus antigos amigos poderiam pensar, mas porque ele amava tanto aquele garoto que nada mais tinha importância. Parecia absurdo e impossível pra ele sequer pensar na ideia de não estar ali o tempo todo.

E, por hora, seu maior desejo era voltar pra casa, sim, mas com seu namorado estando bem. Se o universo assim permitisse, que ele voltasse, com Sasuke bem e andando, deixando todas aquelas coisas ruins no passado.

♠♠♠♠♠


Fugaku já estava começando a odiar o espaço daquele quarto de hotel, e como podia se sentir claustrofóbico nele - apesar do cômodo ser relativamente grande e bem ventilado.

Estava passando mais tempo naquele lugar do que gostaria, e mais tempo com Minato do que sua mente tentava fazer parecer ser aceitável naquela situação. O fato era que aquele homem o estava deixando fraco, de algum modo; Era o que tinha certeza de que estava acontecendo. Que aquele par de olhos azuis e o perfume já tão estranhamente familiar estava tirando dele, aos poucos, a força antes usada para que as quedas e as dores não o afetassem demais.

O Uchiha havia chorado por quase uma hora inteira naquele dia.

E ele se sentiu um tanto culpado por isso, depois que seu momento de fraqueza passou. Porque em outra ocasião, acreditava ele, teria engolido aquela sensação horrível e teria se concentrado apenas em ajudar o seu filho mais velho e depois em talvez descobrir como e por que alguém fez algo tão ruim para o seu menino.

Não teria se sentido tão incapaz, e tão cansado de ficar sentado naquelas cadeiras que antes pareciam macias, mas já estavam terrivelmente desconfortáveis depois de tanto tempo no hospital.

O que ele realmente detestava, mas não conseguia lutar contra, pois quando percebia, já estava dentro do abraço do loiro, apoiando a cabeça em seu ombro e bebendo suas palavras de apoio como se elas fossem tudo que precisava no mundo.

Como estava fazendo outra vez.

- O meu filho... Eu não posso perder o meu filho... - Enquanto murmurava um pouco, desesperado para externar um pouco da dor antes que esta sugasse de dentro dele toda sua força.

- Isso não vai acontecer, querido... Ele vai acordar, e vai voltar pra casa. - Felizmente, era como se Minato soubesse exatamente como confortá-lo. Talvez por ser pai, também, mas nenhum deles pensou muito nisso. Fugaku só queria que aquela merda toda acabasse, e só queria o seu menininho de volta, enquanto Minato só queria fazê-lo sentir bem.

O jeito carinhoso do loiro se referir ao moreno foi praticamente sem querer, mas também não importou muito. E não foi ruim.

Fez Fugaku "amolecer" por um segundo e desistir da ideia de dirigir de volta para o hospital apesar de sua cabeça estar latejando e seu corpo estar implorando por um analgésico.

- Eu sei que ele fez um monte de besteiras antes, mas ele ainda é o meu filho... - O moreno procurou apoio nos olhos de oceano de Minato, se detestando um pouquinho mais por "derreter" de novo, e o loiro pôde ver pelas orbes negras o quão desesperado ele realmente estava.

- Olhe pra mim. - E quando Fugaku fechou os olhos, apertando-os fortemente enquanto as lágrimas ainda teimavam em cair, o outro fez questão de pedi-lhe para abrir de novo, mesmo que doesse encarar um sofrimento tão transparente. - Você não vai perder ele. Entendeu? - Minato nem tinha certeza do que estava falando, é claro, mas ele precisava tentar ajudar.

O Uchiha já parecia estar no limite, e prestes a desabar completamente por causa da morte de sua esposa e da condição de seu filho mais novo. Outro problema era tudo o que ele não precisava, e ter que aguentar isso sem ajuda nenhuma, de novo, parecia impossível para ele e até para Minato, que quando o olhava enxergava um homem forte e perfeitamente capaz de "se virar" sem grandes dificuldades. 

- E-eu... Posso deitar? E você me acorda se alguém telefonar do hospital? - Seus músculos pesavam como se ele estivesse carregando toneladas.

- Claro que sim. Não se preocupe. - Por isso, não hesitou tanto em deitar, massageando a própria têmpora ao sentir a cabeça doer mais ainda do que antes. - Eu vou comprar um remédio, e é só. Ok? Pode dormir, e depois, só depois, nós voltamos. Você fica com o seu filho, e eu vou conversar com o meu... E depois a gente vai junto falar com o tal namorado do Itachi. Combinado? - Por mais que quisesse negar antes, ele se sentia grato por ter algum apoio naquele momento.

Minato conversava com ele, era paciente, entendia a maioria dos seus problemas e não se afastava muito antes de deixar alguns beijos sobre o rosto e os lábios de Fugaku.

Mais do que grato, o moreno sentia que era muito sortudo por isso.

Então, naquela tarde ele dormiu um pouco. Deixando sua culpa para quando acordasse, horas depois, porque naquele momento ele simplesmente não conseguia mais aguentar tanto peso em seu peito.

E o seu namorado, o loiro, ficou com ele enquanto ensaiava dentro da própria mente o que devia dizer ou deixar de dizer para Naruto, mas sem sair do lado do Uchiha nem por um segundo além do que era realmente necessário.

Minato ainda não havia dito, afinal, mas a cada vez que olhava nos olhos de Fugaku, ele tinha mais vontade de dizer que amava aquele homem. Pela admiração, pelo carinho, pelo desejo, pela paixão quase insana que tomava conta quando os dois estavam nus, mas, principalmente, por como ele nem conseguia por em palavras o quão feliz ele conseguia se sentir ao imaginar passar dias, meses, anos e décadas ao lado daquele moreno.

O que era louco - Era, sim. Um pouco. - , mas era real e era bom, mesmo que tudo ruim estivesse acontecendo naqueles últimos tempos.

[...] 

Menos de duas horas depois, como combinado, eles estavam a caminho do hospital.

O loiro ainda insistiu para que Fugaku descansasse mais ou comesse algo antes de sair, mas sabia que estava pedindo demais do homem, àquela altura.

O Uchiha estava inquieto e nervoso a ponto de imitar a mania do filho, a de roer a unha do polegar até quase machucar a carne, e não pararia pra nada além de um copo enorme de café, mas depois que estivesse certo de que seus filhos estavam "bem" - na medida do que era possível. 

Os médicos, afinal, estavam temerosos por Itachi. Enquanto Sasuke enfrentava a primeira sessão de fisioterapia e voltava para o quarto se sentindo esperançoso, apesar de estar cansado, a emergência corria para tentar salvar seu irmão mais velho, que teve mesmo muita, muita sorte por não morrer em uma questão de minutos enquanto aguardava o socorro com Deidara.

Mais um pouquinho, e Sasori teria o atingido fatalmente.

O ruivo não fez um corte profundo, mas isso não significava que o Uchiha não estava correndo perigo, depois de tudo, e ainda mais depois de sangrar, e muito, por conta de todas as outras lesões sofridas.

Ele recebeu pontos no corte abaixo à sobrancelha, foi medicado para não reagir mais depois que os paramédicos identificaram a gravidade do ferimento em seu pescoço, e apesar da concussão em sua cabeça possivelmente levá-lo à uma confusão mental quando acordasse, essa era a menor das preocupações, afinal, todos passaram a questionar o que fariam caso o jovem não acordasse em mais algumas horas.

Porque, de todo modo, depois de se certificarem que o corte próximo à garganta não o levaria à morte, esperavam que ele despertasse depois de um tempo, mas isso não aconteceu como previam. E, na verdade, quanto mais o tempo avançava, mais nervosos os enfermeiros e médicos ficavam, pois a falta de resposta de Itachi podia significar algo mais grave do que imaginavam.

Mas eram médicos, afinal. Muito experientes e que tentavam manter-se sob controle mesmo nas situações mais difíceis.

Quem mais sofria com isso, na verdade, ainda era o pai do menino.

Fugaku atravessou o hospital numa velocidade quase surreal para chegar até onde o seu filho mais velho estava. Com as mãos em punho, ele pensava se não devia ter questionado Deidara sobre o que realmente tinha acontecido no quarto, há horas atrás, apesar de não ter feito isso por achar que o jovem também estava ferido de alguma forma – pois o loiro estava sujo de sangue e parecia estar agonizando de dor quando foi encontrado, mesmo quando ainda apoiava a cabeça de Itachi em seu colo e pressionava a blusa contra a pele do moreno.

Talvez, pensou, teria mais respostas sobre porque alguém tentaria ferir o seu filho daquele modo.

Afinal, não entrava em sua cabeça como alguém poderia ter sido tão violento.

É claro, afinal, ele não conhecia nem mesmo Sasori ou nada sobre o que o ruivo, Deidara e Itachi passaram nos últimos tempos – não que isso sequer justificasse algo, pois não justificava.

 

Para ele, independente do que tivesse acontecido, ninguém nunca teria o maldito direito de tirar dele o seu filho... E no meio disso tudo, com a dor o atingindo como se desse marteladas em todos os seus ossos próximo ao peito, ele desejou encontrar quem quer que fosse que tivesse feito isso a Itachi. Mesmo sabendo que nada de bom sairia daquilo.

Obviamente, era só o sofrimento falando muito mais alto.

Ele jamais machucaria alguém.

Era só que... Olhar para o seu menininho ali, tão frágil, tão pálido, tão ferido... Parecia difícil demais de aguentar, e o homem não tinha ideia do que fazer com isso. Era peso demais para carregar, e ainda depois de tudo que ele sofreu!

Fugaku apenas não saberia o que fazer se perdesse o seu filho...

[...]

E enquanto isso, Minato não sabia o que dizer ao seu.

Ele queria muito estar melhor preparado, mas quando menos percebeu, Naruto deixou o quarto de Sasuke e fechou a porta atrás de si, caminhando alguns passos até estar de frente à figura igualmente loira e de olhos bem azuis.

- Precisamos conversar, certo? – E o primeiro a falar foi o pai.

-Agora? – Recebendo do filho um olhar duro e uma sobrancelha arqueada, mas que fazia parte da tensão do momento, como um todo.

-É. Se não, quando? – Afinal, não havia um momento que não estivesse bagunçado em suas vidas desde que os Uchiha “se meteram”. Talvez por entender isso o mais novo riu um pouco quando ouviu aquela pergunta. – Naruto, olha...

- Não, pai. – Mas ele logo ficou sério. – Eu sei o que vai dizer, mas não sei se posso desculpá-lo. Ao menos, não agora. É a sua vida e o seu relacionamento com o pai do Sasuke, e eu entendi isso, mas... Você tem ideia de como a minha mãe estava sofrendo? E como foi difícil pra mim deixá-la para ficar aqui, apesar de que... Bem, eu não tinha escolha. – E Minato deixou o filho falar e desabafar um pouco, principalmente por achar que o menino não merecia ouvir gritos, palavrões ou coisas ditas de qualquer jeito. – Eu teria ficado com o Sasuke, fosse como fosse... Só... Eu acho injusto, ta legal?

Aquilo certamente seria muito difícil.

Por isso o mais velho se sentou numa das cadeiras do corredor de espera na frente do quarto, e cobriu o rosto com as mãos, suspirando pesado. Ele tentou colocar a mente no lugar e tentou formular uma frase minimamente coerente antes que tudo saísse muito errado, mas como exatamente diria para o seu filho que Kushina, a mulher que ele achava que era tão perfeita havia traído sua confiança e a família que havia sido construída e mantida sob tanto respeito e amor por tanto tempo?!

- Também acho a situação toda injusta, por isso quero conversar. – Teria que começar bem devagar. E foi o que fez, erguendo a cabeça aos poucos e indicando o lugar vazio ao lado para que Naruto se sentasse.

O menino demorou um pouco até se dirigir até a cadeira.

- A verdade é que... – Mas quando o fez, esperou por um pedido de desculpas embolado e uma justificativa tosca para o fato de Minato ter se envolvido com uma pessoa enquanto ainda estava casado, não aquilo. – Fugaku se sentiu incomodado com a história toda, e com minha decisão de esconder a verdade, por isso eu estou te contando. Sinto muito se eu devia ter feito antes, mas só o que me abriu os olhos foi perceber que eu estou mesmo apaixonado por ele, e não posso ignorar isso assim como não posso mais ignorar o que realmente aconteceu. Você merece saber, afinal. E ela não fez menção de contar... Então, bem, o que aconteceu foi que eu menti, mas sobre Kushina. – Quase dois minutos em silencio... – Ela me disse que havia saído com outro homem, e que queria divórcio. Ela me traiu, e eu deixei que fizesse parecer que eu a traí. - ... Até que Minato finalmente disse o que estava “entalado” nele há um bom tempo.

Era verdade que ele queria ter tido essa conversa junto de sua ex-mulher, mas ela nem mesmo atendia os telefonemas, e não parecia dar a mínima para o quanto ele estava tentando consertar tudo, então, o que devia fazer? Nada, é claro, além de deixar a verdade o mais exposta e clara possível para Naruto.

Mesmo o Uzumaki levando tempo para absorver aquele monte de informações jogadas em seu colo como uma bomba-relógio em contagem regressiva.

- Como é que é? – Pai e filho não esperavam, certamente.

O jovem, menos, por isso levou tempo até que ele tivesse uma reação. E quando teve, Naruto só conseguiu encarar o rosto do mais velho e procurar desesperadamente por qualquer sinal que indicasse que seu pai estava mentindo, mas não havia nenhum. E o menino sabia que não poderia desconfiar tanto, afinal, por que com sua mãe seria verdade e com Minato, não? Sua mãe era incapaz de trair? Bem, ele quis achar que sim, e quase gritou que seu pai mentia, mas essa era uma questão de confiança quebrada, e antes daquele problema todo começar, Naruto também achava que seu pai era perfeitamente incapaz de fazer algo como aquilo.

Então, não foi tão complexo assim para o mais novo.

Ele assimilou tudo, e desviou o olhar para as próprias mãos, encarando seus dedos e tentando ajeitar os pensamentos em sua mente ainda um pouco confusa demais para deixá-lo falar muita coisa.

- Eu sinto muito. Não sei, eu só... Pensei que não queria que você a odiasse. E eu não quero!, mas, como disse, isso tudo envolve mais pessoas do que eu gostaria. Tem a ver com você, comigo, com seu namorado e com o Fugaku, também. Ele bagunçou tudo pra mim, e eu não consigo sair dessa. – Foi o homem ao seu lado quem se pronunciou, antes. Balançando a cabeça como se ele mesmo não acreditasse no quão envolvido com o Uchiha mais velho havia ficado.

- É o que eles fazem... – Algo que seu filho entendeu, claro, pois sabia muito bem o que era estar apaixonado por alguém daquela família!

Estranhamente, os dois concordavam nisso.

- É. Então, é isso. Estou te contando. Para que não fique estranho com Fugaku, ou sei lá. Ele não tinha ideia, e eu não tinha ideia de como tudo ficaria até perceber que não queria me afastar dele. Era pra ser um “segredo” meu e de sua mãe, mas acho que não sou tão altruísta assim, também, a ponto de querer que você me odeie. – Mas isso não deixou o clima mais leve ou a conversa mais fácil.

Naruto tinha acabado de descobrir que todas as vezes que sua mãe chorou em seu ombro, perguntando como e onde Minato estava, era porque provavelmente ela se sentia culpada pelo erro, e não porque havia sido abandonada ou enganada pelo marido. E ele, como bom filho, apoiou a mulher e tomou suas dores para ele, mesmo sem ter ideia que o pai de seu namorado tinha a ver com Minato, de alguma forma, e eles acabariam se encontrando numa enorme confusão e um mal entendido.

Ele não podia deixar de se sentir mal por ter julgado o pai tão rapidamente. Não era sua culpa, mas ainda sim a noite do baile foi um horrível borrão para ele e até Sasuke, que nem tinha a ver com a história, acabou ouvindo mais do que devia por conta do seu nervosismo.

E depois de saber a verdade Naruto só queria conseguir se desculpar com o namorado, e com Fugaku, também, é claro, apesar do Uchiha mais velho estar acompanhando Itachi, mas, principalmente, o loiro sabia que não conseguiria conter para si a enorme vontade de pedir desculpas para seu pai.

- Eu não odeio você. Eu nunca poderia. – Ele se aproximou rapidamente e puxou o mais velho para um abraço. – Ah, eu sinto muito, pai... Me desculpe... – E suspirou um pouco mais aliviado quando o contato foi retribuído. – Desculpe... – Teve vontade de chorar, sim, mas conteve as lágrimas antes que elas deixassem seus belos olhos azuis.

Sobre sua mãe, ele pensaria melhor depois, e talvez pudesse tentar contato com a mulher, mas naquele momento ele só quis que Minato ficasse por perto.

- Tudo bem, filho... Não preciso desculpar nada. Só quero que fiquemos bem, sim? – Assim como o seu pai o queria por perto, também. Afinal, ainda eram, os dois, uma família. – Tenho a impressão de que teremos de enfrentar muitas coisas juntos daqui pra frente. O que pode ter a ver com certos... Morenos, cheios de problemas... – E apesar da dor, eles sorriram um pouco, e riram baixinho porque aquilo era mesmo verdade. – Gostaria que você tivesse me avisado do problema que era se apaixonar por um Uchiha...

Não sobre ser mesmo algo ruim, mas que estavam “presos” aos sentimentos por Sasuke Fugaku, de algum modo. Era só uma brincadeira, no fundo, fazendo referência a como eles estariam prontos para apoiarem aquelas duas pessoas.

-Eu também não sabia! – E certamente as coisas seriam menos complicadas depois de terem se entendido. Afinal, Naruto não ficaria evitando Fugaku ou respondendo Minato com frases monossilábicas.

Depois daquela conversa, o mais novo estava livre, aliás, para voltar para o quarto onde Sasuke estava, pra continuar assistindo o sono do namorado, certificando-se de que nada estava errado e o moreno não estava precisando de algo. Sua preocupação não desapareceu, é claro, e ele estava acostumado a passar horas a fio na poltrona no canto do cômodo de paredes claras.

Enquanto isso, Minato podia voltar para perto de Fugaku, para abraçar o homem e dizer a ele que as coisas ficariam bem, como também já era quase, quase um costume. – E, bem, ele esperava mesmo que tudo ficasse bem entre todos eles.

♠♠♠♠♠

O desafio de lidar sozinho com o que acontecia continuou sendo apenas de Deidara.

Ele foi levado ao hospital e lhe fizeram algumas perguntas, mas antes do pai de Itachi e o pai de Naruto tentarem conversar com ele, o jovem dirigiu sem rumo por um bom tempo depois do que aconteceu, e depois de encontrar na mala do namorado alguns remédios que, segundo Naruto, possivelmente serviam para ajudar o moreno no tratamento que ele estava começando antes de viajar – o que o deixava sentir culpado por não ter percebido a melhora de Itachi.

E ele se sentia, além disso, completamente anestesiado. Não pelo calmante ou a bebida que tomou, mas por tudo que aconteceu, e por como parecia que ele estava preso em um circulo vicioso. Ao fechar os olhos, podia repetir em sua mente a imagem de seu ex-namorado sangrando em seus braços, assim como conseguia ver, de novo e de novo, o momento em que esteve numa situação igual àquela, há tempos atrás; Sem ninguém, no escuro, lamentando a própria existência e se sentindo deplorável pela falta de companhia.

Seu namorado tinha acabado de atacar uma pessoa, seu ex estava internado em estado grave, ele tinha vergonha de conversar com as pessoas que conhecia no hospital e ninguém na república do intercâmbio parecia nem perto de ter sua confiança a ponto de fazê-lo sentir confortável para desabafar.  

Ao se dar conta do quão desastrosa sua vida parecia, ele deixou o choro incontrolável quase o sufocar.

Parou o carro num acostamento, ciente de que nem mesmo devia estar dirigindo naquelas condições, desligou os faróis e socou o volante algumas vezes enquanto as lágrimas apenas não paravam de cair. E sentiu aquela dor lancinante atingi-lo quase como se o cortasse – o que era uma maldita ironia – enquanto parte de si tentava se esforçar para não desistir de lutar, e uma parte estava se perdendo na escuridão, de alguma forma.

Não tinha pra quem ligar. Ou a quem chamar naquele momento.

Lhe parecia estúpido telefonar para Fugaku e dizer “oi, eu preciso da sua ajuda, apesar de ser um tanto responsável pelo incidente com o seu filho”, porque era como ele via a situação, e, fora isso, ele não tinha muito a fazer. Seus amigos de casa eram próximos enquanto ele saia, bebia, passava a noite em boates e esse tipo de coisa, mas eles se provaram bastantes falsos e perfeitamente capazes de se afastar quando o loiro mais precisou.

- Socorro... – Quando mais quis alguém... Ele, de novo, esteve só.

E Deidara nem mesmo soube pra quem estava pedindo ajuda! Talvez para si mesmo, que precisava encontrar forças no próprio interior para não deixar-se sucumbir àquilo tudo, mas ninguém o ouviu. De alguma forma, era como se ele estivesse se afogando, sozinho, sentindo seus pulmões se encherem de água enquanto ninguém estava por perto para estender a mão.

E ele estava tão cansado de lutar para voltar à superfície...

Chegou a se perguntar se merecia tudo que estava acontecendo. Se o universo, ou o carma, ou qualquer coisa que fosse o estava castigando por algo, mas não tinha importância se fosse, pois ele não sabia como sair de tudo aquilo. Suas intenções eram boas, e ele tentava ser sempre correto, sempre leal, e mesmo assim as coisas continuavam dando errado!

Então, o que mais sobrava? Ele não sabia!

Sentia-se completamente arruinado, sujo, engolido pelo medo e a dor que o acompanhavam como fiéis alarmes de que, apesar de tudo, e apesar de tentar de tudo, ele sempre voltaria à estaca zero, no fim.

 O que estava começando a parecer uma brincadeira de mau gosto do destino.

[...]

Na manhã seguinte àquela, antes de voltar para o hospital, Deidara resolveu passar na casa que dividia com os outros três alunos que eram parte de sua classe de intercâmbio.

Ele ainda não se sentia nem um pouco recuperado, mas depois de descer do carro e cogitar a ideia de se atirar de uma ponte qualquer daquelas avenidas movimentadas, Deidara achou que era hora de voltar e colocar sua mente no lugar. Ele ainda queria ver se Sasuke e Itachi estavam bem, mesmo achando que não merecia nem mesmo essa informação, àquela altura, por isso não pretendia demorar.

Encontrou tudo em seu quarto exatamente como estava antes de deixá-lo, com os lençóis dobrados debaixo de um ursinho de pelúcia que Sasori havia lhe dado.

Memórias voltaram quando ele viu aquilo, mas o loiro tratou de sacudir a cabeça e se concentrar em abrir os armários só para pegar algumas roupas suas, tentando não demorar, para que ninguém da república viesse perguntar sobre seu sumiço e o do ruivo que estava sempre com ele.

Deidara achou que tinha se saído bem até virar para a porta e perceber um dos alunos parado ali.

- Você voltou! – Ele tinha o cabelo curtinho, olhos meigos e uma clara descendência coreana. – Os professores já estavam preocupados! Cadê o Saso? – Falava depressa, mas fora isso era fácil de lidar e também era simpático; Não que o loiro tivesse tempo para conversas naquele dia.

- Ele... Ah... Teve alguns problemas, mas deve voltar logo... – Na verdade, Deidara nem mesmo sabia o que tinha acontecido com o ruivo desde que a polícia e a emergência chegaram ao quarto de hotel. – Eu preciso sair de novo, ta bem? Desculpe. Explico melhor depois, mas não precisam se preocupar. – E também não sabia se queria descobrir tão cedo...

O que importava era que não estava interessado em ficar “batendo papo” sobre estudos justo quando sua mente estava um verdadeiro caos.

E teria saído, se o seu colega, Min Doo, não tivesse chamado sua atenção outra vez.

-Espera! – Tirando o celular do bolso e desbloqueando com alguns cliques na tela. – Eu queria te perguntar sobre essa mulher. Você a conhece? Porque ela esteve procurando por você. Queria saber se você estudava comigo, e tudo, e achei estranho. Aqui, olha. – E mostrando a Deidara a foto da ultima pessoa que ele esperava rever... O deixou imóvel por longos segundos. Sem fala, sem ar.  – Hei! Tudo bem?

 


Notas Finais


Começamos bem e terminamos... COMO Q TERMINAMOS?
VCS JA SABEM QUEM É? ~Essa ta facil, ein!

PS: Vcs curtem caps desse tamanho ou ta muito grande???? to com essa duvida!
Me digam por favor se não gostarem do formato? Amo vocês e até mais ♥


PS²: Eu to caindo de sono, desculpem se to embolada kkkkkk


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