História INSTANT SHOCK - BakuDeku - Capítulo 11


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou
Tags Bakudeku, Bakugo, Bkdk, Deku, Universo Alternativo
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Palavras 10.543
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Magia, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Laranja!


// Katsuki //

 

- Aqui, aqui, ouçam essa - Izu disse, gargalhando alto antes de começar a ler: 

 

" Com a chegada do tradicional Dia dos Namorados, data para expressar seu amor, fazer declarações e mimos para seu amado, trouxemos a listinha dos Pro Heros mais desejados do momento! 

 

Esqueça a história do cupido que ator flechas, quem vai roubar o seu coração atira balas! Como é de se esperar Silver Rain, aos quarenta e poucos anos, domina a lista das heroínas queridinhas do momento - o tempo todo! 

 

Nossa heroína platinada preferida nunca perde seu trono de mulher mais desejada e apaixonante do mundo, recebendo declarações em redes sociais todos os anos e sempre deixando a frente das agências onde é chamada lotadas de fãs! Como é de se esperar, um partidão desses não fica livre muito tempo: Silver Rain é casada há mais de vinte anos, desde a época da Restauração dos Heróis com um bonitão misterioso. O casal faz questão de manter o relacionamento mais fechado, mas há quem diga que são um casalzāo .

 

Em segundo lugar, sem surpreender ninguém, Kadenceé, A Ladra, nós faz arrancar suspiros apaixonados sempre que temos um deslumbre da linda. Kadenceé é uma das 50 heroínas mais populares do mundo, agindo principalmente no Distrito de Harley Hood, na Segunda Capital. Com seu cabelão escuro e seus olhos castanhos essa Ladra vai roubar seu coração! E é melhor aproveitar, pessoal, pois a linda está solteira! 

 

Em terceiro lugar, mas não menos importante, trazemos a queridinha do momento: Persia. 

 

Descendente de um mito antiguissimo a nossa nova mamãe arrasa até os corações de pedra por aí. Boatos aqui e ali, Persia assumiu um relacionamento público com HellCatch há dois anos - uma pena para os admiradores da nossa Gorgona." 

 

Eu estava urrando de tanto rir pela cara feia que Bremon estava fazendo, resmungando que ele era o único admirador valido da esposa.

 

- Uhhh, nós temos uma lista dos rapazes também - Izu murmurou e se inclinou um pouco mais pra olhar a lista do celular. - Aqui, tem umas fotinhos também. Vamos ver, vamos ver...

 

" E se for para falar do arrasar nosso corações, não podia faltar esses lindões, né? 

 

Os heróis dessa lista vão salvar seu coração do esquecimento e deixa-lo quentinho, quentinho. 

 

E pra te deixar "sem chão" quem está no primeiro lugar dessa lista é Ground Zero! 

 

O lindo já vem nos causando explosões de amor há alguns anos, e quase sempre está firme e forte em primeiro lugar. Além de arrasar todo mundo com seus olhos vermelhos e seu corpão (ai, ai!), ele sempre está surpreendendo com alguma ação digna de um suspiro, como quando salvou um menininho de se suicidar, alguns meses atrás. 

 

Infelizmente, para a tristeza de todos nós, nosso Explosion-Boy está comprometido há alguns meses, deixando seu relacionamento tão restrito quanto seu nome cívil. Da uma dica, vai, Zero! 

 

E se seu coração está partido de tristeza porque alguns estão comprometidos, outros estão livres e arrasando corações! 

 

Mystic está aqui para te levar nas nuvens - e não é só voando! Nosso anjinho favorito já deixou bem claro que está solterissimo e livre para todos os lados - meninos e meninas, hora de dar um voltinha no paraíso!" 

 

- Okay, okay, já está bom dessa coisa - eu disse com um resmungou e Izu parou de ler para rir mais. - Vamos voltar, você tem que trabalhar, Doutor.

 

- Uma pena vocês - Sailow disse e afagou o barrigão. - Eu vou aproveitar esse dia lindo e vou tomar um sol para ver se minha filha escapa de nascer da cor de vocês e fica mais rosinha como eu.

 

- Aha, você sonha - eu retruquei e a ajudei a levantar. - Ela vai ser branquela como o pai. Você vai ver. Nada de cor de pêssego aqui.

 

- Huh, vocês são um porre - Bremon disse e segurou a porta da lanchonete onde nós estamos para sairmos. - Sabe, eu queria ter a pele como a do Dalton. 

 

- A cor da pele dele é um escandalo de tão bonita - Sailow concordou junto comigo. - Parece cobre! 

 

- Ele vai ficar metido se souber disso - Izu disse com uma expressão engraçada. - Vocês vão aparecer lá em casa mais tarde, não vão? 

 

- É hoje seu jantar com sua chefa, não é?

 

- Yep - eu respondi quando ele começou a balançar a cabeça ansioso. - Tem algum convidado especial que Eji anda fazendo surpresa até para ele. Izu não dorme direito há dois dias.

 

- Conhecendo você eu sei que ele nem está brincando - Sailow murmurou para Izuku e ele suspirou.

 

- Eu so quero chegar logo no hospital para dar paz a minha cabeça! 

 

Bremon gargalhou e abriu a porta do carro para Sailow, entrando logo em seguida. Kacchan se despediu dos dois com um abraço rápido e um cumprimento de mão com Bremon. Eu soltei beijinhos no ar para nossa grávida preferida e entrei no carro junto com Kacchan. 

 

- É melhor você dirigir rapidinho - eu disse sério. - Amor, eu vou matar a Eji por fazer surpresa esse tempo todo. Como é que eu vou fazer um maldito jantar sem nem conhecer o homem? 

 

- Calma, gatinho - eu murmurei. - Achei que já tínhamos combinado de fazer aquela coisa com pimenta que você gosta.

 

- Tacos? 

 

- Eeeeeh - concordei enquanto seguia pela avenida principal. - Sei lá, nós podemos só fazer... Eu não sei... O que você acha de fazermos massa? Massa é fácil de comer. 

 

- Você é esperto - ele disse de uma forma engraçada, os olhos desfocados, lendo algum e-mail no celular. - É por isso que eu amo você.

 

- Interesseiro desgraçado - resmunguei e ele riu.

 

- Que rude - ele fingiu de preocupado e colocou a mão no peito, fingindo estar chocado. O anel de formatura no dedo dele reluziu e eu não pude evitar de sorrir. - O que foi?

 

- Gosto do seu anel de formatura - respondi dando de ombros. - É o único que você usa. 

 

- É o único que eu tenho - ele disse e ergueu uma sobrancelha, me fazendo erguer as duas em surpresa. 

 

- Isso é um ultimato, Izuku Midoriya? 

 

- Cala a boca - ele riu.

 

- Baby - eu chamei pouco depois. Izu ergueu os olhos e se virou para mim.

 

- Hum? 

 

- Onde você quer comemorar nosso aniversário de namoro? 

 

- Quantos meses estamos fazendo? - ele perguntou e eu contei nós dedos depressa. - Cinco? 

 

- Yep. O tempo está voando, não é? Parece que foi ontem que você me obrigou a tirar a roupa na sua sala - eu disse e ele estreitou os olhos para mim: 

 

- Ou que você me disse que eu não faço seu tipo, otário - ele retrucou e me mostrou a língua - Agora está aí querendo me levar para viajar. Eu disse que a minha vingança viria, Bakugo.

 

- Você... Se você me chamar pelo sobrenome de novo eu juro que faço você se aborrecer. 

 

- Com o que? Meu apelido de escola? 

 

- Você não gostava de "Deku", gostava? Você me disse que fizeram você chorar com esse nome.

 

- Claro que não - ele se defendeu. - Era ofensivo. Mas quando você fala é bonitinho. Você faz um biquinho assim. 

 

Ele tentou me imitar e eu gargalhei, virando-me para empurra-lo para longe. 

 

- Você é um idiota, Deku - eu pirracei e ele revirou os olhos. 

 

Alguns segundos se passaram em silêncio enquanto ele continuava fazendo sabe-se lá o que no telefone e eu dirigia, aproveitando a música baixinha do carro. 

 

- Kacchan? - ele chamou de repente.

 

- Mn? 

 

- Por que nós ainda não casamos? - ele perguntou com simplicidade e eu pisquei muito surpreso, virando para encara-lo: 

 

- Como é? 

 

- Bom, nós estamos morando juntos - ele disse e esticou um dos dedos para contar. - Dividimos nossas roupas. Os carros. Até às escovas de dente as vezes. E nós temos até um bebezinho, a Cake. 

 

- Hmm - eu murmurei ainda sem acreditar que ele estava mesmo fazendo uma lista sobre aquilo.

 

- Nós fazemos sexo sem preservativo - ele disse muito sério e eu realmente precisei morder a boca para não rir. - Isso é uma questão importante.

 

- Verdade, é importante - eu disse ainda segurando o riso. Ele estava tão concentrado que nem notou.

 

- E você já conhece minha mãe. E ela definitivamente gosta de você. Você comentou sobre o meu anel de formatura, então é provável que você esteja prestando atenção ao fato de que nós! Não! Usamos! Aliança! 

 

Arregalei os olhos porque as falas dele começaram a ficar um pouco mais agitadas e ele bateu na própria perna, exasperado.

 

- Você está me pedindo em casamento, é isso? - perguntei realmente rindo.

 

Izu me olhou de cara fechada:

 

- Não. Mas eu vou. Não ouse pedir na minha frente! - ele apontou o dedo na minha direção. Logo depois nós chegamos ao hospital e ele pegou a própria mochila e se virou para mim. - Compre massa para o jantar, por favor. E descongele aqueles legumes. 

 

- Sim, chefe.

 

A boca dele tremeu com um sorriso.

 

- Amo você - ele disse baixinho e se aproximou para deixar um beijo.

 

- Nós sabemos que eu amo mais ainda - murmurei contra a boca dele. - Venho te buscar? 

 

- Ah, sim. Umas oito?

 

- Hm, oito e meia. Eu saio da agência as seis. 

 

- Uh, é verdade. Tudo bem. Tome cuidado! Não esqueça de...

 

- Ligar. E beber água. E não deixar o Bremon morrer. E não quebrar o braço, talvez? 

 

- Ah, essa é importante. Precisamos do seus bracinhos em perfeito estado, não é?

 

- Obrigado, Doutor - resmunguei e ele riu de novo, correndo para roubar um beijo antes de se virar e ir para o hospital. 

 

.

 

// Izuku // 

 

- Landon Katriné - Eji apresentou o homem de cabelos prateados e olhos cor-de-rosa. - Este é meu menino, Izuku Midoriya. 

 

O homem apertou minha mão e eu juro, eu estava tendo um ataque cardíaco. 

 

Aquele era simplesmente um dos mais incríveis e talentosos médicos de todos os tempos. Eu já ouvira falar dele tantas vezes que o nome já era como o de um familiar para mim. Mas era impossível gravar a cara que ele tinha porque ele nunca era o mesmo por muito tempo: Landon tinha uma das individualidades mais incríveis que eu já ouvira falar - Manipulação. Até onde eu sabia, e onde havia lido, ele podia alterar qualquer coisa no físico de uma pessoa de forma permanente e quantas vezes desejasse. 

 

Era uma sorte que ele fosse alguém tão bom. 

 

Pelas categorias de individualidades e mutanologia o poder dele estava na classe A, sendo realmente perigoso e potente. 

 

Mas o homem era um completo doce. 

 

- Muito prazer em conhece-lo, Izuku! - ele disse animado. - Eu ouvi falar muito de você. Tão jovem e tão inteligente, é realmente uma sorte de Resencall ter você aqui. 

 

Senti meu rosto esquentar até parecer que eu iria morrer, o que definitivamente fez Eji e Landon darem risada. 

 

- O senhor já...

 

- Ah, não, por favor! - ele disse rindo. - Eu não sou muito mais velho que você, então por favor, sem "senhor" por aqui. Pode me chamar pelo primeiro nome. 

 

- Ai, Santo Zale, isso é tão constrangedor - eu ri comigo mesmo. - Na verdade, você é um ano mais novo que eu. 

 

- O que?! 

 

- Eu tenho vinte e seis - eu disse com um sorriso amarelo e Eji gargalhou. 

 

- Eu te disse que ele é cheio de surpresas, Landon - Eji disse e afagou meu cabelo. - Bem, eu vou deixar vocês a vontade. Izu, você pode levar o Landon para conhecer sua Ala inteira, e a Ala-B.

 

- Certo... 

 

- E, como você já deve imaginar, o Landon vai passar um tempo aqui - Eji disse com uma piscada de olho para mim. 

 

- Como é? - perguntei surpreso, erguendo as sobrancelhas e me virando para encara-los.

 

- Estou estudando diferentes condições genéticas e mutantes de regiões distintas - ele explicou. - Então enviei alguns pedidos para diferentes hospitais pelo país para que me aceitassem durante algum tempo, para a tese.

 

- Você vai ficar aqui?! 

 

- Vou - ele concordou. - E, segundo a Eji, você é o meu chefe.

 

Meu Santo Zale. Eu estava tendo um infarto, com certeza. 

 

.

 

-... E aqui é a nossa Ala Especializada em Traumas por Individualidades - eu disse baixinho, apontando para as portas de vidro. - Foi aqui que eu comecei trabalhando, alguns anos atrás. Eu me formei com essa especialização. 

 

- Incrível - ele murmurou em resposta. - Você fica responsável por tudo isso?

 

- Aham. Esse prédio todo - eu expliquei. - Atravessando aquela ponte que eu te mostrei, no andar de baixo, você entra na Ala B, onde outra pessoa é responsável. Lá são casos mais simples, unidades de terapia intensivas para casos normais, enfermarias... Mas nada com individualidades. Somente emergencial, mas, quando é constatado uso ou acidente de individualidade, eles mandam para cá. 

 

- Então você fica com o trabalho mais estressante, eu imagino - ele disse com a voz surpresa, seguindo-me pela Ala dos traumas. 

 

- Ah, sim. Mas, acho que é apenas uma questão de como lidar com isso tudo. Eu adoro passar cada minuto do meu dia aqui dentro - eu admiti rindo. - Eji tem que me obrigar a ir embora, na maior parte das vezes. 

 

Landon riu enquanto nós continuávamos nosso caminho. Ele olhava com curiosidade os biombos enfeitados com estrelas, flores, brinquedos e outros tantos enfeites. 

 

- Aqui é onde as crianças ficam - eu expliquei. - Nós temos, hoje, vinte e duas. Algumas em recuperação, outras para receber alta. E um Caso Permanente. 

 

- Caso permanente? - ele repetiu curioso. 

 

- São casos onde não há cura. A condição não se altera - eu disse com certa tristeza. - O único caso entre crianças que temos aqui é o da Tana Black. 

 

- Tana - ele repetiu e concordou. - Eu posso vê-la? 

 

Pisquei desconsertado, mas não surpreso. Tana era um caso que despertava curiosidade em todos, principalmente por ser um caso muito raro. 

 

- Claro - respondi e fiz sinal para que ele me seguisse. Nós seguimos até o final da Ala, parando por vezes para que alguma das crianças viesse me dar um abraço ou olhasse encantada para o cabelo prateado e liso de Landon. No final da Ala havia algumas portas, e em uma delas estava uma plaquinha enfeitada com flores e desenhos de cavalos: Tana Black.

 

- Há quanto tempo a Tana está aqui? 

 

- Quatro anos - eu disse. - Ela tem onze anos agora. 

 

Nós batemos na porta; esperamos pouco mais de alguns segundos e Tana a abriu, acompanhada de uma enfermeira.

 

- Tio Izu! - ela disse e me abraçou, um pouco menos animada que de costume. - Eu vou refazer os curativos. 

 

- Ah - exclamei e notei um olhar triste no rosto de Landon. - Está sentindo muita dor hoje, princesinha? 

 

Ela afirmou com a cabeça e eu torci a boca. Tana continuou abraçada em mim, o que me fez entender que ela queria que eu a carregasse, e assim eu fiz. Ela deitou a cabeça no meu ombro, deixando o cabelo cair na frente do rosto. A enfermeira que estava ali era Clorine, uma moça um pouco mais velha que eu, de pele dourada e cabelos castanhos. 

 

- Clorine, esse aqui é o Landon. Ele é um dos médicos novos da nossa equipe - eu os apresentei. - Tana, você quer dizer "Oi" ao Landon?

 

- Oi, Landon - ela murmurou com sua vozinha triste. 

 

Ele se aproximou dela enquanto eu me sentava na poltrona rosa de seu quartinho e afagava o cabelo escuro dela. Landon se agachou perto de nós, a cabeça ficando na mesma altura do rosto de Tana. 

 

- Seu cabelo é bonito - Tana murmurou com certa curiosidade e ergueu um pouco o rosto para olhar melhor.

 

- Você gosta da cor? - ele perguntou com um sorriso simpático. - É a sua preferida?

 

Ela negou com a cabeça.

 

- Verde é minha cor preferida - Tana disse e eu ri. - Como os olhos do tio Izu. 

 

- Claro que sim! - Landon disse e de repente seu cabelo brilhou levemente, a cor se desfazendo até estar tão verde quanto o meu cabelo. Tana arregalou os olhos e se ergueu no meu colo, sentando-se reta e atenta. - Melhor assim? 

 

- Como você faz isso?! 

 

- É o meu poder especial - Landon sussurrou como se fosse contar um segredo. Logo ao nosso lado, Clorine nos encarava maravilhada. Eu nunca havia visto algo tão... Mágico. - Você também tem um? 

 

Tana concordou com a cabeça. 

 

Ela estendeu uma de suas mãozinhas, enfaixadas pelos curativos, e as pontas de seus dedos começaram a brilhar. Quando ela tocou o rosto de Landon sua mão simplesmente o atravessou e ele a olhou com espanto.

 

- Eu posso fazer isso com o corpo todo - ela explicou. 

 

- Incrível - ele disse.

 

Tana sorriu e voltou a deitar a cabeça no meu ombro, encarando o jardim lá fora. 

 

- Vamos refazer os seus curativos, princesinha? - eu perguntei baixinho, um tempo depois. - Assim você pode descer e brincar um pouco lá fora.

 

Tana concordou e Clorine fez menção se vir até ela, mas eu sorri e balancei a cabeça:

 

- Tudo bem, querida, pode deixar que eu cuido dela. Por favor, dê uma olhada se Dalton precisa de algo lá em baixo - eu pedi ela concordou e se despediu logo em seguida. Levantei-me com Tana e a sentei na maca no canto do quarto. 

 

O pequeno quarto cor de rosa era, também, metade de um consultório. Havia maquinas para monitorar o sono, coração e respiração dela quando preciso. Um armário cheio de remédios, curativos e tudo mais que ela podia precisar. Tana se sentou na maca e estendeu uma das pernas para mim, para que eu pudesse trocar as bandanas e gazes do curativo. 

 

- O caso da Tana - eu expliquei para Landon que nos assistia, atrás de mim. - É muito, muito raro. Ela sofreu um acidente há quatro anos e, a individualidade que causou o acidente, era algo como um controle de tempo. Ele explodiu um tanque cheio de Cloro Liquido e a Tana estava muito perto do local. Aqui são queimaduras de terceiro grau, adquiridas pelo contato direto do cloro com a pele dela. 

 

Landon se aproximou um pouco para examina-las. Os ferimentos eram exatamente a mesma coisa de quatro anos atrás. A pele não apodrecia e nem melhorava, estava parada no tempo exatamente da forma como fora concedida. Mesmo enquanto Tana crescia aquele ferimento se mantinha o mesmo. Sem melhora, sem piora. Eu já havia feito e refeito aqueles curativos tantas vezes, mesmo depois de me tornar chefe da Ala 1-A, que já os havia gravado. Sabia o tamanho, forma e cor de cada um deles. Em cada parte do corpo dela. 

 

- E não há nada que mude isso? - Landon questionou, examinando o ferimento. 

 

- Nós já tentamos de tudo - eu expliquei. - Transplantes de pele falharam porque o corpo simplesmente não aceita. Ele não consegue trabalhar para restituir o tecido, e nem para reconhecer a nova pele. É como se nós colocássemos um pedaço de papel acima do ferimento: cai. O mesmo acontece com pontos, remédios, tudo. 

 

- O corpo não consegue trabalhar para cura-la - ele repetiu e eu concordei. - Provavelmente em consequência da individualidade. 

 

- Sim. - eu suspirei. - Tudo que foi exposto ao cloro naquele dia e a individualidade dele permanece exatamente a mesma coisa. Congelado no tempo, sem nenhuma mudança. 

 

- Mas e se a mudança viesse de fora? - Landon perguntou e eu uni as sobrancelhas sem entender. 

 

- Perdão, eu não entendi...?

 

- Eu posso manipular qualquer coisa viva - Landon disse enquanto se abaixava para examinar mais atenciosamente o machucado na perna dela. - Mudar sua forma. Cor. Textura. Construção. 

 

Meus olhos se arregalaram e Tana prendeu a respiração. 

 

- Claro, eu não faria nada sem sua expressa permissão - ele disse imediatamente. - Muito menos sem que Tana permitisse. Mas, eu tenho absoluta convicção de que posso cura-la, Izuku.

 

Durante exatamente dez segundos eu encarei a perna de Tana e seu pezinho apoiado no meu joelho. Ela estava estática, os olhos arregalados, os ombros tensos. 

 

- Tana - eu a chamei. - Nós podemos fazer isso se você quiser. Se doer, você pode parar. Não vai te causar nenhum dano, princesinha. O Dr. Landon pode... Mudar seus machucados. Faze-los sarar. Você quer tentar? 

 

.

 

- Della, querida, você pode acompanhar a Senhora Black até o quarto da Tana? - pedi com um sorriso. - Elas precisaram ficar aqui até amanhã, mas depois podem ir para casa.

 

Sentado a minha frente, Landon ergueu os olhos para mim e sorriu, seus olhos cor-de-rosa brilhando.

 

Nós levamos uma hora e meia com Tana Black. Eu assisti, incrivelmente entusiasmado, enquanto Landon manipulava e refazia cada tecido, músculo e célula da pele de Tana para curar as feridas causadas por seu acidente. Fora, verdadeiramente, uma das experiencias mais incríveis que eu tive até então. 

 

- Acho que agora nós merecemos um descanso, não é? - Landon comentou enquanto eu terminava de enviar um e-mail para Eji. - Que horas devemos estar na sua casa? 

 

- Nove - eu respondi. - Falando nisso, eu preciso saber se o jantar já está comestível. 

 

Puxei o celular do bolso e pus direto na tela de discagem, ligando para Kacchan. 

 

Após o oitavo toque, escutei a voz dele.

 

"Oi, aqui é o Bakugo. Provavelmente estou ocupado agora, deixe sua mensagem depois do bipe. Tchau!" 

 

Pisquei confuso. Eu nunca havia chegado ao ponto de cair da caixa postal dele.

 

- O que foi? - Landon perguntou quando viu minha expressão.

 

- Não sei, na verdade - eu disse estranhando. - Já vai dar oito e meia... 

 

Me estiquei para a janela a fim de ver o estacionamento lá fora. Não havia nem sinal do meu carro ou de qualquer um dos carros de Kacchan. Voltei a tentar ligar para ele e obtive a mesma resposta: deixe sua mensagem. 

 

- Que inferno - resmunguei e disquei o número de Bremon. 

 

- Aconteceu alguma coisa, Izuku? 

 

Enquanto eu tentava ligar para Bremon, que também não atendia, o telefone da minha sala tocou, me fazendo xingar baixinho.

 

- Ala 1-A, Izu...

 

- Izuku, por favor, corra até a Emergência - a voz urgente de Dalton pediu. - É o Zero. 

 

Meus olhos se arregalaram e imediatamente eu deixei o celular e telefone em cima da mesa e me virei para sair pela sala, registrando vagamente o chamado de Landon que vinha atrás de mim.

 

- Izuku! O que foi que aconteceu?!

 

- T-tem um problema - eu disse ansioso, meu coração batendo na garganta, impedindo-me de falar corretamente. - Emergencia. Pro-Hero. 

 

- Um Pro Hero?! 

 

Ignorei a existência dos elevadores e atravessei depressa os corredores, alcançando uma das escadas e descendo tão rápido que, se eu tropeçasse, quem precisaria de uma emergência seria eu. Meu coração parecia estar pesando uma tonelada no meu peito e cada pulsação reverberava como um soco contra minhas costelas. Eu estava sem ar quando chegamos nas portas da emergência e eu encontrei Dalton na recepção. Ele falava ao telefone e estava agitado.

 

- Tudo bem, tudo bem. Não, ele está aqui, comigo. Eu... Vou resolver com ele - ele disse e desligou. 

 

- Cadê ele? O que foi que aconteceu?

 

- Izu, espere um pouco - ele pediu e segurou meu ombro, me parando no lugar. 

 

Meu coração estava urrando comigo. Não me deixava escutar. Eu só podia encarar as portas que levavam para o atendimento emergencial, onde eu deveria estar. 

 

- Izu - Dal disse com sua voz séria, chamando minha atenção. - Eu não posso te deixar entrar se você não se controlar. Você sabe disso. 

 

Concordei com a cabeça. Minhas mãos estavam tremendo tanto. Eu estava sentindo frio.

 

- Você vai atravessar aquela porta comigo e vai se comportar como um adulto, como sempre - ele disse e eu concordei de novo. Qualquer coisa. Eu só precisava... - Eu estou aqui com você.

 

- Tudo bem.

 

- Ele vai ficar bem. É a Eji que está atendendo - Dal disse, mas aquilo só me deixou mais preocupado. Eji não atendia quase nunca, reservando-se somente para emergências problemáticas. - Ele vai ficar bem.

 

- Izuku? 

 

Eu me virei para a voz de Landon. Seu cabelo agora era castanho, os olhos azuis. Sóbrio. Calmo. 

 

- Venha com a gente, Landon - Dalton chamou e fez sinal para ele nos seguir. Nós três entramos pelas portas que eu detestava. 

 

Nunca fui muito fã dos atendimentos de emergência. Tudo era feito com muita pressa. Sem o toque de cuidado e carinho que eu tanto gostava. Já para Dalton era o contrário. Ele era sempre um bloco de gelo quando o assunto eram as emoções ali dentro, mesmo que sempre mantivesse sua voz quente como um abraço quando falasse. Ele afagou meu ombro enquanto nós nos aproximávamos de um corredor e eu vi o uniforme vermelho-escuro, a pele clara e os cabelos escuros.

 

- Izuku! - Bremon exclamou e eu me aproximei com os olhos arregalados, evitando falar qualquer coisa para não romper em lágrimas como eu queria. - Izu, me desculpe...

 

- O que foi?

 

- Zero está lá dentro - ele disse com um suspiro. Havia um corte feio no braço dele e ele também tinha um olho roxo. A boca partida. - E-ele v...

 

- Vai ficar bem. Eu já sei - murmurei sério e me virei. - Alguém pode me dizer que porra aconteceu?

 

Dalton suspirou e apertou a ponte do nariz. 

 

- Zero apanhou feio - ele disse. - Tem uma fratura exposta e um pulmão perfurado. 

 

- O que?! Como foi que isso aconteceu? - perguntei tentando manter a voz baixa, sentindo-a quebrar em algum lugar pelo caminho. 

 

- Espere ai, quem é Zero? - Landon questionou sem entender. - Vocês estão falando daquele menino, Ground Zero? O Pro Hero?! 

 

- Sim! - Bremon disse com um soluço. - Ele é meu parceiro. Na agencia. Ele...

 

- O que foi que aconteceu? 

 

Eu pisquei sem reação. Landon estava vestindo luvas e eu não podia entrar naquela maldita sala para atender. Não era médico de emergência. 

 

- Izuku, se você me permitir... - ele disse e eu engoli em seco e concordei sem pensar duas vezes. 

 

- Izu, eu vou levar o cara lá dentro - Dalton disse e o chamou, entrando por uma das portas. 

 

Encostei na parede e fechei os olhos. 

 

- Izu, eu sinto muito por isso - Bremon murmurou coma voz chorosa e eu o encarei.

 

- Não precisa se desculpar. Não foi sua cul...

 

- Não foi minha culpa, mas eu estava lá, eu podia ter impedido! - ele disse frustrado. - Eu sei como o Zero luta, sei todos os pontos fortes e fracos dele, eu não podia...

 

- Não pense assim - eu disse, notando como ele parecia desesperado. - Por mais que eu odeie isso, é uma parte do trabalho de vocês. Tudo tem um risco a se correr.

 

Bremon suspirou.

 

- Você pode ligar para a Sally? Ela deve estar preocupada essa hora...

 

- Claro - sussurrei em resposta e puxei o celular para ele. - Quer falar com ela?

 

- Ah, sim, sim. Obrigado, Izu - ele disse e estendeu um braço para mim, dando-me um meio abraço desajeitado.

 

Depois da ligação de Bremon não demorou muito para Sailow chegar. Nós avistamos primeiro seu cabelo vermelho e enorme e em seguida a barriga grande, coberta por um vestido azul-marinho.

 

Ela abraçou Bremon apertado e olhou o rosto dele com atenção, reclamando por ele ainda não ter ido para nenhum consultório fazer um curativo. Assim que ela me viu, sua expressão suavizou e ela se sentou do meu lado:

 

- Ei, como é que você está? - ela perguntou e eu respirei fundo, desabando em lágrimas imediatamente.

 

Sailow me abraçou e deitou minha cabeça em seu ombro, afagando meu cabelo.

 

- Tudo bem, Izu - ela sussurrou, devagar, enxugando minhas lágrimas enquanto eu chorava. - Nós estamos aqui com você. Vamos passar por isso juntos, okay?

 

// Katsuki //

 

- Por nada - o homem com cabelos cinzentos e olhos lilases disse. Eu nunca havia visto aquele cara ali. E pela cor do crachá dele, um tom bonito de vermelho-escuro, ele era médico. Os enfermeiros normalmente tinham crachás prateados e Izu tinha um dourado, igual ao de Eji. - Você está se sentindo bem?

 

Pensei por um momento na pergunta dele. Eu me sentia enjoado. E cansado. Como se tivesse corrido até o limite da cidade e voltado, duas vezes.

 

- Parece que fiz uma maratona bem longa de exercício - eu disse e ele concordou. - Quanto tempo eu fiquei apagado dessa vez?

 

- Doze horas - ele respondeu e eu concordei com a cabeça, suspirando e passando a mão pelo rosto. Izuku ia me matar. - Qual sua última lembrança?

 

- Mmn, de quando aquele cara que eu estava perseguindo me arremessou numa torre de sinal elétrico.

 

- Foi uma pancada feia - ele disse com uma expressão que beirava a preocupação. - Você tinha uma fratura exposta em uma das pernas quando chegou aqui. E o pulmão esquerdo perfurado.

 

- Tinha? - questionei confuso e puxei o cobertor branco para ver minha perna. Estava completamente normal, sem mesmo nenhuma cicatriz. Estreitei os olhos para ele e a expressão ali era quase divertida, como se ele soubesse que eu acharia estranho. - O que foi que aconteceu comigo? Onde é que eu estou?

 

- No Hospital Central de Resencall - ele respondeu imediatamente. 

 

- E se eu estou no hospital e tive todos esses ferimentos, por que eu não estou em coma agora mesmo? - questionei enquanto fazia menção de me levantar e ele se ergueu, ansioso, balançando as mãos:

 

- Não, não, não, por favor, não levante agora! Você precisa descansar! - ele pediu e, estranhamente, seu cabelo começou a brilhar e (eu tive certeza de que estava ficando louco) de repente o cabelo do homem estava tão azul quanto o céu.

 

- AH MEU SANTO ZALE! - berrei assustado e me arrastei para trás na cama, levantando com um pulo e sentindo uma dor aguda na perna que me fez xingar. - Caralho! Eu tô ficando louco, não é poss...

 

- Landon? - alguém chamou preocupado enquanto abria a porta exatamente na hora em que eu fiz duas explosões. - Kacchan!

 

- O- que... Amor?! - parei no meio do que eu estava fazendo e voltei a me inclinar na cama, vendo o rostinho de Izuku aparecer no meio da fumaça. - Que diabo?!

 

- O que você... Por que você está explodindo as coisas assim... Kacchan você acabou de acordar! - Izu veio correndo na minha direção, cruzando o pequeno quarto e chegando perto de mim. Ele me encarou, os olhos cinzentos se enchendo de lágrimas imediatamente. - Olha pra você!

 

- Amor... - murmurei derretendo com o toque dele, me dando conta de que eu estava sentindo frio somente quando as mãos quentes dele afagaram meu rosto e um dos meus braços. - O que foi...?

 

- Deite na cama de novo, Kacchan - ele pediu e me ajudou a mancar até a cama novamente. Eu o encarei curioso, tentando evitar de olhar para o homem com os cabelos azuis no canto do quarto. - Você não pode ficar em pé agora, sua perna ainda está frágil.

 

- Eu não estou frágil - grunhi entredentes e ele riu. - Quem é esse cara?

 

- Esse é o Dr. Landon - Izu disse com um sorriso calmo. - Ele é responsável por você não estar em coma agora. 

 

- Landon - eu repeti e uni as sobrancelhas. - Você não estava no Monte D'Arlo um tempo atrás? Eu me consultei com você.

 

- É, foi ele que curou aquele talho no seu peito - Izu disse, todo cheio de orgulho. Eu ergui as sobrancelhas meio incomodado com aquele tom na voz dele. - Ele fez sua perna voltar ao normal em duas horinhas. E seu pulmão e...

 

- Incrível - resmunguei. - Quando é que eu tenho alta? 

 

- No final da tarde - Izu disse e afagou minha mão. - Bem, eu saio no final da tarde. Você tem alta ao meio d...

 

- É óbvio que eu vou te esperar - eu retruquei imediatamente e entrelacei nossa mão. - Nós podemos tomar café? 

 

Izu se virou para Landon.

 

- Ele já pode comer normalmente...?

 

- Ah, pode sim! Mas não deixe ele se esforçar muito, Izuku. Como eu te expliquei...

 

- Sim, tem um tempo de recuperação. Tudo bem, eu vou cuidar dele - Izu respondeu e sorriu de novo. Landon murmurou que iria nos deixar a sós e se despediu, saindo pela porta.

 

Eu me virei, de cara amarrada para Izuku. 

 

- Eu não gosto dele - retruquei em voz baixa, quase um murmuro.

 

- Por que não?!

 

Eu pisquei de novo. Ele parecia quase ofendido por eu não gostar do homem.

 

- Qual é o problema em eu não gostar dele?

 

- Ele não te fez nada! Na verdade, fez. Ele salvou sua vida, caramba. Você estava colapsando quando ele entrou na sala de cir...

 

- Não estou nem aí - resmunguei. - Eu não gosto de um monte de gente, por que você está defendendo logo ele? 

 

- Por que não tem motivo pra você agir assim!

 

Resmunguei comigo mesmo enquanto tentava me levantar da cama de novo. Logo fui impedido pelas mãos de Izu que pressionou uma das palmas contra meu peito e a outra em meu braço.

 

- Você não pode andar, idiota - ele reclamou. - Vou buscar uma cadeira de rodas para você.

 

- Eu não quero uma cadeira de rodas, maldição, minha perna está no lugar! 

 

Izuku suspirou.

 

- Por que você fica tão cabeça dura quando está hospitalizado? 

 

Senti meu rosto esquentar com o olhar que ele me deu enquanto saía pelo quarto. Maldito fosse aquele médico estúpido e o conserto de merda na droga da minha perna. 

 

Izuku voltou instantes depois com uma cadeira de rodas preta e simples. Ele a posicionou perto da cama onde eu estava e parou ao meu lado para me ajudar a sentar ali. Eu sabia que ele estava zangado, e até tentaria falar qualquer coisa, se eu não estivesse também.

 

- O que você quer comer? - ele murmurou enquanto empurrava a cadeira.

 

- Nada.

 

A cadeira parou no meio do corredor.

 

- Você literalmente necessita comer algo. Se você não escolher agora, eu faço você tomar aquele mingau que você odeia.

 

- Você não pode me forçar, daddy - resmunguei e ele riu, irritado.

 

- Kac-... Zero, eu estou falando sério!

 

Suspirei, cansado. Eu quase me esqueci que havia outras pessoas por ali e que eu era "Ground Zero" e não "Kacchan" ou "Kat". Bela merda. 

 

- Okay, eu posso comer no meu quarto? Não estou mais a fim de sair. 

 

Sem responder nada ele virou a cadeira e a levou de volta para o quarto. Assim que nós entramos eu puxei para fora a máscara no meu rosto e já estava tentando levantar quando ele se ajoelhou na minha frente e apoiou as mãos no meu colo.

 

- Você está reclamão hoje - ele disse com um tom de voz calmo e meio sorridente que me fez estreitar os olhos. - Eu preciso tirar esse mau humor de você.

 

- E-eu não estou mau humorado - murmurei enquanto desviava o olhar. - Só cansado.

 

- Você fala como se eu não te conhecesse, hm? 

 

Estalei a língua com impaciência e me inclinei para frente, para juntar a testa com a dele. Fechei os olhos quando senti uma das mãos de Izuku em meu cabelo. Ele afagou o lugar até que, como sempre, eu comecei a me sentir sonolento. 

 

- Você quer falar sobre isso? 

 

- Não. Eu... Está tudo bem, eu acho - resmunguei. - E... Eu acho que meu problema está pior.

 

- Que problema?!

 

- De ver as cores. Eu... Antes de você entrar no quarto o cabelo daquele cara era prateado e de repente ficou azul... 

 

- Oh - ele riu baixinho. - Aquele é o poder dele, amor. 

 

- Hum? Mudar a cor do cabelo? 

 

- Ah, também. Ele pode manipular a forma de qualquer coisa. Foi assim que ele deixou a sua perna normal.

 

- O que? - grasnei chocado, minha voz subindo duas oitavas enquanto Izuku começava a rir. Me inclinei para a frente a fim de ver minha perna e havia apenas uma cicatriz fina e rosada que ia da coxa esquerda até pouco abaixo do joelho. - Oh.

 

- No seu peito também tem uma - ele murmurou e tocou meu peito por cima do roupão do hospital. - É da cirurgia pro pulmão. Eles fizeram as pressas.

 

- Uh.. Eu... Sinto muito sobre isso e... O susto - eu disse em voz baixa, desviando o olhar para as mãos dele. - Aquele cara era... Difícil.

 

- Era um bestial, não é? O Bremon me disse - ele comentou no mesmo tom baixo e eu concordei, me sentindo estranhamente envergonhado por parecer vulnerável para ele.

 

- É, ele era. Esses caras são o meu ponto fraco, eu acho...

 

- São o da maioria dos heróis - ele retrucou imediatamente. - A pele deles é muito grossa, os dentes são muito grandes... Eles tem um instinto mais animal do que humano, então, são difíceis de lidar.

 

- Uma bela criação da natureza, caramba - retruquei e ele discordou:

 

- Não foram naturais, foi algo como um acidente, uma mutação...M-mas você não precisa ficar tão triste com isso! Todo mundo tem algum ponto fraco.

 

Eu ergui uma sobrancelha enquanto ele se abaixou para me ajudar a levantar e voltar a sentar na cama.

 

- O que você quer comer agora?

 

- Você?

 

Gargalhei quando o rosto dele ficou cor-de-rosa e depois vermelho; ele balançou a cabeça e fechou a cadeira de rodas. Ele se aproximou de mim e me olhou com cara feia:

 

- Amor, não fique brincando com essas coisas no meu trab...Ah, meu Santo Zale - ele suspirou quando eu segurei na cintura dele e o puxei para perto de mim. Ele estava começando a reclamar mas se interrompeu quando eu o abracei e deitei a cabeça em seu ombro. - Hmm.

 

- O que?

 

- Você passa de ciumento para super carinhoso, é isso mesmo?

 

Revirei os olhos.

 

- Não fique ai se achando por causa disso. Você não tem que trabalhar?

 

- Tenho, sim. Eu só estou tentando cuidar do meu namorado... Inclusive, você tem uma fisioterapia marcada para depois do seu café da manhã.

 

- Tenho?! 

 

- É, você tem. O processo de cura e readaptação graças ao Landon é muito, muito mais fácil - ele disse, cheio de orgulho de novo e eu mordi a parte de dentro da boca para não gritar. - Seu fisioterapeuta é o Nathan, ele vai vir até aqui.

 

Eu suspirei. Aquele dia seria longo demais.

 

// Narração //

 

Hermes esticou um dos braços para ajudar Izuku a passar com a cadeira de rodas. Sentado nela, entediado e sentindo-se mais zangado do que recuperado, Katsuki bufou enquanto entravam para o elevador.

 

A fisioterapia fora leve e não doeu tanto assim, apesar de seu joelho ter dado trabalho por causa do pulo repentino quando ele acordou. Teria mais algumas sessões e um afastamento temporário da agência, de novo. 

 

Dessa vez entretanto, nenhum jornal ou mídia recebeu notificação. Volleman sabia o quando Katsuki odiava aquele tipo de atenção da mídia e, por ser tão jovem, o quanto aquilo o afetava. 

 

Por isso, enquanto Izuku cruzava o corredor empurrando a cadeira de rodas onde Katsuki estava, Hermes vinha junto com os dois. A surpresa de Katsuki já estava pronta. 

 

- Pegue a chave no bolso da mochila, por favor, Kat.

 

O rapaz pegou a chave e se inclinou um pouco para a frente, para destrancar a porta. Enquanto fazia isso, perdeu o olhar que Izuku e Hermes trocaram atrás de si.

 

- Surpresa! - as vozes animadas gritaram assim que as luzes se ligaram. Katsuki pulou na cadeira com o susto e, como sempre, sua primeira reação foi criar explosões com as mãos, deixando todo mundo sufocado com a fumaça.

 

- Caralho, eu disse que ele ia fazer isso! - a voz de Bremon gritou de algum lugar.

 

- Eu vou matar você, idiota - Dalton resmungou.

 

Enquanto a fumaça se dissipava, Katsuki se inclinou na cadeira para ver melhor: 

 

A sala de estar estava repleta de balões vermelhos e pretos e uma faixa branca onde estava escrito "Bem-vindo de volta Kat!". Todo mundo que Katsuki conhecia estava ali: Bremon e Sailow, Eji, o marido dela, Kygo, Silver Rain e o marido, Kiyro, Dalton, o chefe da agência, Volleman, a esposa de Hermes e a mãe de Izuku. 

 

- Surpresa - Izuku cantarolou e ele se virou para encara-lo com um sorriso alegre. 

 

- Você fez isso?! 

 

- Ah, é... Eu tive a ideia, mas quem organizou a festa foi a Sailow. Vamos terminar de entrar e... Você quer que eu pegue as muletas pra você?

 

- Oh, sim, obrigado - ele respondeu e abriu os braços para abraçar Sailow quando ela veio em sua direção.

 

Ele afagou a pele cor de pêssego, que aos seus olhos era cinzenta, com um toque suave de rosa. Sailow começou a contar empolgada sobre como se divertiu obrigando o chefe deles a encher aquelas bolas todas e como Bremon não a deixava fazer absolutamente nada só porque sua barriga estava enorme. 

 

Volleman parecia ter a mesma reação com ela, o que Izuku achava quase hilário. Sailow era uma das pessoas mais resistentes naquela sala, talvez perdendo somente para Bremon em sua transformação. 

 

A festa para a surpresa de boas vindas de Katsuki foi particularmente divertida para o jovem herói até às oito e meia, quando a campainha tocou. Naquele momento ele estava conversando com o chefe, Volleman, sobre poder voltar para a agência antes de terminar a fisioterapia (ganhando um firme "Não até seu joelho estar totalmente no lugar"). Enquanto Katsuki abraçava Izuku e traçava um caminho de beijos entre os ombros e pescoço do moreno, paz era tudo que ele podia sentir. Estava cercado com os melhores amigos que já teve. Tinha um namorado que amava. O emprego dos sonho, mesmo que fosse complicado. 

 

Katsuki estava se perguntando o que podia ser melhor em sua vida quando ouviram o som da campainha. Cake, que já estava enorme, chegando a ficar na altura dos joelhos de Izuku, correu para a frente da porta e latiu empolgada.

 

- Você chamou mais alguém? - Katsuki perguntou confuso, afastando um pouco o corpo para olhar Izuku. 

 

O moreno lhe deu um sorriso frouxo: 

 

- Talvez? 

 

- Izu, não me diga que...

 

- Amor, eu prometi que dariamos as boas vindas a ele! - ele disse com um olhar culpado enquanto via a expressão zangada de Katsuki. - Nós tínhamos um jantar marcado para ontem, lembra?

 

Katsuki trincou os dentes e fechou os olhos durante alguns segundos. Ele e Izuku estavam sozinhos na cozinha naquele momento.

 

- Kat...

 

- Eu estou muito puto - Katsuki grunhiu e correu uma das mãos pelo cabelo. - Eu não gosto do cara e agora ele vem para a nossa casa! 

 

- Ele é meu colega de trabalho! E eu prometi que iria fazer um...

 

- Eu realmente não me importo - Katsuki respondeu e Izuku ergueu as sobrancelhas. Katsuki nunca falava daquela forma com ele, mas parando para pensar, Izuku nunca o tinha visto tão zangado. - Eu vou para a varanda e você fica aí com seu amiguinho idiota.

 

- Kacchan! 

 

- Urgh - o loiro resmungou e saiu mancando com suas muletas em direção a varanda dos fundos. 

 

Izuku suspirou e foi até a sala para dar as boas vindas ao Dr. Landon; Ele simplesmente não entendia aquela implicância de Katsuki com Landon. Katsuki não era ciumento daquela forma nem mesmo com Dalton, por que ele estava tão zangado? 

 

- Izu, olha aqui! - Dalton chamou animado; ele estava junto com Landon, que trazia consigo uma travessa imensa de alguma coisa que tinha um cheiro gostoso. - É doce de laranja! 

 

- Aha - Izuku riu. Ele e Dalton costumavam comer doce de laranja quando eram mais novos, sempre depois do colégio. - Há quanto tempo nós não comemos isso? 

 

- Desde o ensino médio, caramba...

 

- É o meu doce favorito! - Landon disse com um sorriso. O cabelo dele estava maior que no dia anterior, chegando aos ombros com cachos nas pontas. A cor era o tom mais escuro de roxo, deixando a cor aparecer apenas na luz direta. E os olhos eram o mesmo tom de azul escuro que tiveram pela manhã. 

 

- Gostei da cor do cabelo - Izuku disse com uma risada. - Está estiloso.

 

- Ah, obrigado. Vi alguém na TV usando essa cor e pensei "por que não?" - ele comentou enquanto deixava a travessa com doce na mesa do jantar. - Onde está seu marido? 

 

- Ahn? Oh, o Kacchan - Izuku riu de novo. - Ele é meu namorado, na verdade. E ele está lá no fundo, na varanda.

 

- Ele não está participando da festa? 

 

- Hm... - Izuku hesitou. Como ele poderia explicar ao Dr. Landon que Katsuki o detestava sem nenhum motivo plausível? - Ele está estressado. Provavelmente por causa da dor.

 

- Oh! Eu entendo. Posso ir até lá falar com ele? 

 

Izuku fechou os olhos, respirou fundo. Estava fodido.

 

- Ah, por que...

 

- Dr. Landon - a voz rouca de Katsuki disse atrás de Izuku, fazendo o rapaz arrepiar e se virar. Ele conhecia aquele tom na voz de Katsuki. Ele não estava feliz. - Um prazer ter você aqui.

 

Katsuki estava de pé, perfeitamente equilibrado nas muletas pretas. Ele estava exatamente igual a como esteve durante todo o tempo, mas havia algo diferente em sua expressão. Era como se os olhos estivessem pegando fogo. 

 

Landon pareceu não perceber nada daquilo, nem mesmo a veia que pulsava na testa de Katsuki. Izuku jurava que suas pernas estavam virando mingau porque aquela imagem de Katsuki era extrema e estranhamente excitante.

 

- Você está melhor, eu espero - Landon disse e Katsuki concordou, dando um sorriso forçado. 

 

- Perfeito! Sinto como se eu pudesse explodir alguma coisa agora mesmo - ele disse com um tom de estranha ameaça, que passou despercebido para Landon. 

 

O médico gargalhou e deu duas palmadinhas no ombro de Katsuki: 

 

- Você é engraçado, rapaz. Izuku, será que nós podemos pedir um momento com a Eji? 

 

Katsuki piscou os olhos quase sem acreditar. Izuku mordeu a boca e murmurou qualquer coisa, apontando para onde Eji estava e esperando Landon ir para lá primeiro.

 

- Eu sou engraçado? - Katsuki repetiu com a voz baixa, quase um sibilar, as mãos tremendo de raiva enquanto seguravam as muletas. 

 

- Kacchan... O Landon n...

 

- Não venha defender ele na minha frente - ele rosnou zangado.

 

- Amor! Eu não estou def...

 

Katsuki segurou os lábios de Izuku, prendendo-os entre seu dedo indicador e o polegar.

 

- Kacchan! 

 

Katsuki estava prestes a abrir a boca para reclamar sobre qualquer coisa quando escutaram Sailow logo atrás de si, rindo de se acabar de alguma coisa. Katsuki se virou para encara-la e arregalou os olhos com um ofego seco: 

 

A pele de Sailow.

 

Ele podia ver a cor da pele de Sailow.

 

- O que foi?! - ela e Izuku perguntaram ao mesmo tempo. 

 

- N-nada - Katsuki respondeu imediatamente e se virou para Izuku. - Nós podemos conversar? 

 

- Am...

 

- Izu? Você pode trazer o Kat aqui? - a voz de Eji chamou e o rapaz revirou os olhos, saindo pela cozinha batendo as muletas no chão. 

 

Sailow ergueu as sobrancelhas, mas, já estava tão acostumada com Katsuki tendo reações que ninguém entendia que nem mesmo questionou. Izuku saiu logo atrás do loiro, indo para a sala e dando de cara com Eji e sua mãe prendendo um chapéu de festa no cabelo bagunçado de Katsuki.

 

- Você está muito sério hoje - Eji disse. Katsuki estava com uma careta que quase se desfazia em um sorriso bobo. - Vamos melhorar essa cara. Todo mundo aqui está feliz por você estar bem. 

 

- Eu não estou sério - ele resmungou enquanto se sentava entre as duas. - Só estou cansado. 

 

- Izuku, por que você não trás o doce que eu fiz? O Bakugo parece estar precisando de alguma coisa doce - Landon comentou e voltou a tentar pegar a patinha de Cake. 

 

O loiro ergueu as sobrancelhas, indignado, enquanto Sailow gargalhava. 

 

- Ei, Kat, prova um pouco. Está muito bom mesmo - ela disse. - Landon é incrível até na cozinha!

 

- O Dr. arrasa - Bremon concordou e Dalton balançou a cabeça. - Você quer, irmão?

 

- Não. Eu sou alérgico a laranja - Katsuki mentiu. Pony, a esposa de Hermes, uniu as sobrancelhas confusa. Ele não estava comendo laranja outro dia na casa deles? 

 

- Você é?! - Landon perguntou horrorizado. - Que azar! E a chocolate?

 

- Oh, eu sou alérgico a chocolate - Bremon comentou com tristeza.

 

- Odeio chocolate - Katsuki respondeu entredentes. 

 

Izuku suspirou. Katsuki estava mesmo fazendo birra? Com o Dr. Landon? 

 

No final das contas os rapazes decidiram que morangos servidos por Izuku iriam alegrar Katsuki. Deu certo, mas ele não queria admitir. Vez ou outra ele ainda se virava para encarar Sailow e a cor de sua pele que tinha um tom muito estranho, diferente de tudo que ele já vira. Era o tom mais suave que ele conhecia, mais ainda que a própria pele ou a de Izuku. O rosa se misturava perfeitamente com o laranja, formando a famosa "cor de pêssego" que ele sempre escutava Izuku e Bremon chamarem. 

 

Ele se perguntava também se a filha do casal de amigos nasceria com a cor de pele tão bonita quanto a da mãe.

 

Katsuki queria tanto arrastar Izuku até o quarto e contar a ele que estava vendo aquela cor; cada segundo que ele precisava esperar e dividir a atenção do namorado com os amigos e convidados era uma tortura e ele somente se sentiu satisfeito as onze e vinte, quando Dalton estava se despedindo com a mãe de Izuku. Ele a levaria para a casa da irmã, onde ela sempre ficava quando vinha ver Izuku, mesmo que ele e Katsuki insistissem que ela poderia, perfeitamente, ocupar um dos quartos do apartamento. 

 

- Boa noite, meninos - ela murmurou, deixando um beijo no cabelo de Izuku e um abraço em Katsuki. - Kat, você quer companhia para amanhã de tarde? 

 

- Mnn, a Sailow vai me levar para a fisioterapia e depois eu vou acompanha-la para um dos médicos... Mas acho que a tarde já estou livre, se a senhora quiser vir...

 

- Tudo bem, eu ligo antes de qualquer forma. Vamos, Dal?

 

- Claro, tia. Tchau, gente - ele se despediu e parou para abraçar Katsuki e Izuku. - Se cuidem! E você, pare de tentar me matar do coração, herói de merda!

 

Katsuki riu e mostrou o dedo do meio para Dalton.

 

- Obrigado, enfermeiro de merda. Mande lembranças pro seu carro. Estou com saudade dele. 

 

- Humpf - Dalton resmungou e se despediu, fechando a porta logo em seguida.

 

Em pé, apoiado nas muletas, Katsuki se virou para olhar Izuku. 

 

- Nós temos que conversar - Izuku disse sério e apontou para o quarto deles. - Vamos? 

 

- Você vai me deixar dormir na sala, eh? 

 

- Cale a boca e ande com essa perna podre para lá - ele disse com um tom brincalhão, o que deixou Katsuki aliviado. 

 

As broncas de Izuku eram as piores para se levar. Ele preferia mil vezes ter o trabalho de lutar contra um bestial do que encarar Izuku zangado.

 

Katsuki se sentou na cama e suspirou, relaxando finalmente. Izuku se sentou do lado dele e cruzou as pernas perto do próprio peito, abraçando-as. Aquela era uma ação difícil de ocorrer, mas ele sempre a fazia quando estava magoado.

 

- Baby, eu...

 

- Eu não quero ouvir desculpas, se é isso que você vai dizer - ele o interrompeu e Katsuki suspirou. - Eu não estou zangado. Só não entendo.

 

- Não entende o que? 

 

- O por quê de você ter agido daquela forma! Você foi rude com o Landon na frente de todo mundo! E comigo! 

 

- Você está defe...

 

- E daí? Você não pode tratar as pessoas mal sem nenhum motivo e esperar que eu fique calado. Isso é ridículo! - Izuku rebateu, mantendo a voz calma e cheia de decepção. - Por que? 

 

Katsuki grunhiu, irritado. Ele odiava aquelas coisas. Mas, ainda mais do que precisar falar sobre sentimentos complexos e chatos, ele odiava ouvir aquele tom na voz de Izuku. Aquele olhar nos olhos escuros. 

 

- Eu detesto como você olha para ele. Ou como fala dele. Eu só ouvi por algumas vezes e nem consigo suportar - ele resmungou. - Você baba naquele cara.

 

- Você está, definitivamente, exagerando - Izuku disse e balançou a cabeça. Katsuki torceu a boca, mas antes que pudesse responder Izuku começou a falar de novo. - Por que você está tão ciumento? Não faz sentido! 

 

- Por que não? - Katsuki resmungou e Izuku bufou: 

 

- Você é um herói! Um dos melhores! É incrível, bonito, rico, inteligente. De que inferno você poderia estar inseguro? 

 

- Ele é um médico. Um dos melhores - Katsuki retrucou. - Você está todo "Landon é incrível" sempre que alguém fala dele.

 

- E daí?! 

 

- E daí que você nunca fala assim de mim! - Katsuki finalmente disse como se estivesse cuspindo e Izuku arregalou os olhos. 

 

// Izuku //

 

Eu me aproximei alguns centímetros e coloquei minha mão sobre a testa de Katsuki. 

 

Ele não estava quente. 

 

- Você está se sentindo bem? - perguntei realmente preocupado.

 

- Ahn? 

 

- Você só pode estar delirando ou passando mal, amor, é sério! 

 

- Você es... Você está falando sério? 

 

- Eu pareço estar brincando? Você é quem não pode estar falando sério - eu disse com a voz mais suave ao notar a expressão confusa dele.

 

- Baby, eu... E-u estou falando sério- Kacchan disse de repente e esticou uma das mãos para mim. - Você não... Hesita? 

 

- Hesitar? Com o que? Com... Com você?! 

 

- É! Quer dizer, eu sou... Você é mais velho. 

 

- Obrigado por me lembrar disso - retruquei. Kacchan balançou a cabeça: 

 

- Quando nós nos conhecemos todo mundo disse que eu iria ser idiota porque sou muito novo. Você lembra disso.

 

- Sim, mas eu conheço você. "Todo mundo", não. Eu ainda não entendi o que você...

 

Kacchan abriu e fechou a boca. Duas vezes. Como se ele estivesse tentando engolir algo muito difícil de dizer ou tentando jogar para fora. Eu esperei durante um tempo e em seguida ele bufou, irritado.

 

- Você não vai... Sabe, terminar comigo? 

 

- Você é burro? 

 

- Izu! 

 

- O que é?! Você está falando bobagem! Eu quero ficar com você, Kacchan! 

 

As bochechas de Kacchan ficaram vermelhas e eu sorri. Se eu estava zangado com ele, definitivamente havia passado.

 

- Baby... Você...

 

- Sim?

 

- Eu ainda sou seu herói favorito? 

 

- Definitivamente. Qualquer outra pessoa é só... Legal perto de você. Por que você está tão preocupado?

 

Kacchan se arrastou na cama até estar perto de mim. Sem mais nem menos ele me puxou para o peito dele e me abraçou apertado.

 

- Eu nunca tive nada tão bom quanto você a vida toda - ele disse com a voz soando mais rouca que de costume. - Eu não consigo pensar sobre... Perder você.

 

- Você não vai...

 

- Izu? 

 

- Hm? 

 

- Você quer casar comigo? Você sabe, casar de verdade. Com uma festa e tudo mais. E alianças. Como Bremon e Sailow. 

 

- Você quer casar comigo, é? 

 

- Eu quero. Muito.

 

- E aquela história de eu não fazer o seu tipo...?

 

- Deku, eu juro, eu vou te matar! 

 

Gargalhei alto e me levantei para beija-lo, sendo impedido antes pela mão dele.

 

- Tem mais uma coisa.

 

- O que? 

 

- Eu vi a cor da pele da Sailow....

 

- ...Pêssego?

 

- E o doce estranho que Landon trouxe.

 

- Laranja! Você viu laranja! 

 

- Pêssego é laranja? 

 

- A cor da pele da Sailow é como... Um tom de laranja rosado. Lembra do que eu te falei que algumas cores tem mais de uma em si? 

 

- Que loucura! 

 

Kacchan fez um biquinho engraçado por um tempo e depois suspirou.

 

- O que foi? 

 

- Eu só estou me perguntando quando é que eu vou ver a sua cor. Eu quero tanto...

 

- Bem, se você viu todas essas até agora... Acho que verde é a única que falta, não é?

 

- Está desacelerando - ele comentou como se estivesse se dando conta de algo terrível. - Eu passei meses sem ver nenhuma nova cor. Depois, mais meses. Quando isso começou era quase... De semana em semana.

 

- É normal que coisas assim desacelerem, aconteçam devagar - eu expliquei para ele. - Isso é gerado por um trauma, Kacchan. Traumas não se resolvem da noite para o dia. 

 

- Tá, mas eu já descobri porquê isso aconteceu. Por que inferno essa merda não sumiu de uma vez? 

 

Eu suspirei. Sabia que Kacchan ainda sofria com aquelas coisas todas. Não havia como não sofrer.

 

- Sabe, Kacchan... Você passou toda a sua vida assim - eu sussurrei, afagando o rosto dele enquanto me sentava próximo a ele e deixava que ele me abraçasse. Kacchan deitou a cabeça no meu ombro e eu o embalei num abraço, deixando-a mais calmo. - Tudo isso vai mudar com o tempo.

 

Ele balançou a cabeça e continuou quieto ali. Passamos algum tempo sentados na cama daquele jeito: eu no colo dele e ele com a cabeça descansada no meu ombro. Cake não demorou muito para entrar no quarto e checar se estava tudo bem, vindo até nós e deixando "lambeijos" nos pés de Kacchan e depois saindo para a sala. 

 

- Acho que eu preciso dormir um pouco - ele murmurou e se jogou para trás, me fazendo cair por cima dele e gritar com o susto. - Ui, você é muito barulhento! 

 

- Você não costuma reclamar disso - eu fiz piada e ele riu também. 

 

- Não, não reclamo. Inclusive, nós poderíamos fazer um pouco de barulho agora, não é?

 

Eu ri enquanto me sentava no colo dele, já sentindo como ele estava duro. Ah, a juventude. 

 

- Pode desistir disso. Você estava todo quebrado ontem, sem chance de eu fazer qualquer coisa com você - murmurei e ele revirou os olhos, reclamando. 

 

- Qual é, baby! Eu estou bem! 

 

- Não, você está melhorando. Não pode fazer esforço físico ainda, Kacchan.

 

- Ei, eu ouvi dizer que você consegue fazer coisa maravilhosas com esses quadris, hein? - ele tentou com uma expressão esperançosa que me fez gargalhar. - Babeeeeeee.

 

- Nem pensar! Eu que não vou começar a fazer nada com você assim, e se você passar mal? Você tem quase o dobro do meu tamanho, carregar você seria quase impossível!! 

 

Kacchan arregalou os olhos e segurou em meu quadril, fazendo cosquinhas.

 

- Às vezes o fato de você ser médico me irrita - ele disse e suspirou.

 

- Enfermeiro, será que você nunca vai aprender? 

 

- Baby, você tem tantos diplomas que já pode ser considerado médico. Eji que me disse. Se você fosse fazer a faculdade só iria ficar uns dois semestres? 

 

- Eji tem que parar de falar essas loucuras para você. A propósito, essa coisa aqui embaixo está incomodando - eu disse e apontei para o colo dele.

 

- Sua bunda enorme está em cima dele, como é que ele vai voltar ao normal? Saía daí - ele disse com uma risada gostosa e tentou me tirar de cima do próprio colo, mas eu o impedi segurando suas mãos e as entrelaçando. 

 

- Você não pode me tirar daqui. Se vire, vamos lá, hehehe - eu ri de novo e Kacchan revirou os olhos puxando-me para a frente até que eu caisse sobre o peito dele e ele pudesse morder minha bochecha. - Ui! 

 

- Ei - ele chamou de repente. 

 

- Hein? 

 

- Sinto muito por mais cedo. De verdade. Acho que eu fui meio idiota. 

 

Eu sorri comigo mesmo e deixei um beijinho na ponta do nariz dele. Kacchan sorriu um pouquinho.

 

- Eu só te desculpo com uma condição.

 

- Pedir desculpas ao Landon também?

 

- Uh, não era isso que eu ia dizer, mas você pode fazer isso também. Eu... Na verdade, eu só te desculpo se você disser que vai casar comigo. Tipo, de verdade. 

 

- É claro que eu vou! 

 

- Mas eu quero casar cedo. Eu já tenho quase trinta anos! 

 

- Ainda faltam quatro anos para os trinta, senhor dramático. Além do mais, nós podemos casar amanhã se você quiser. 

 

Eu ri envergonhado. De vez em quando eu me esquecia que Kacchan tinha somente vinte e dois anos e era maluco. 

 

- Não amanhã. Eu quero uma festa bonita para poder dizer "Ei, otários, eu casei! Não fiquei para titio, hahaha!"

 

Kacchan gargalhou e concordou.

 

- Vamos planejar uma festa linda. E enorme! 

 

- Enorme não! Eu quero um festa linda e média. Somente com nossos amigos. E família.

 

Kacchan fez um biquinho e eu o beijei.

 

- Tudo bem, mas eu vou planejar a festa. Você vai fazer a lista dos convidados.

 

- Acho que eu estou em desvantagem?! 

 

- Você está casando comigo, merdinha. Não é desvantagem nenhuma.

 

Gargalhei alto o suficiente para que Cake entrasse pelo quarto correndo e latindo, achando que nós estávamos brincando. Ela pulou até a cama e pulou animada enquanto nós dávamos risada.

 

- Ei, princesa! Calma aí, calma! Adivinhe só, bebê? Seus papais vão casar! 

 

Cake latiu animada e continuou pulando até Kacchan estender a mão para fazer carinho nela. 

 

Naquela noite nós três dormimos atravessados na cama, abraçados um no outro. Quando eu acordei durante a madrugada, só para ter certeza de que Kacchan estava se sentindo bem e não tinha febre, sorri comigo mesmo ao ver a minha pequena e linda família. 

 

E eu prometi a mim mesmo que, algum dia, ela aumentaria um pouco mais. 


Notas Finais


Entaaaaaaaoooooooooo, vamos as fofocas?

Não vou dar spoiler, mas a partir do próximo capítulo nós entramos na terceira parte da história, onde "coisas" vão acontecer.
Ate onde vocês ja viram Izuku e Katsuki vivem num mundo onde tudo pode acontecer! Nós temos aí, pela história, variws pequenas pistas do rumo que eles vão tomar. Espero mesmo que vocês gostem tanto quanto eu!!

Super gostaria de saber a opinião de vocês sobre a história. Falta algo? Gostariam de ver algum personagem? Tem algum tema que vocês curtem e acham que seria legal trazer na história?

Deixem um comentário pq a opinião de vocês é MT importante <3


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