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História Instinto - Capítulo 32


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Notas do Autor


Desculpa, gente, eu me mudei de casa e demorou um pouco pra fazer a mudança e colocar as coisas no lugar. Ainda não ta 100%, mas consegui um momento pra escrever.

Desculpa...

Capítulo 32 - Chá de bebê?


Severus não mentiu, apenas não contou toda a verdade.

Ligando para a esposa, Lucius comemorava, requisitando, urgentemente que Narcisa viesse ao hospital.

Coçando o antebraço, o garoto das poções observava as diversas janelas da sala vidrada, questionando acerca da dor (caso pulasse).

Estaria inconsciente quando chegasse ao chão?

Quais seriam as chances de flutuar?

Talvez, o misterioso dragão que James tanto mencionava... Sorrindo amarelo para o velho amigo mediante o nome chamado, pelo jeito, a prima do Regulus também estava grávida, por isto, o loiro tinha certeza que seria sensacional um chá de bebê duplo.

Oh, claro! Aqueles bebês tinham tudo para ser bons amigos.

 E... Por que não? Certamente, nasceriam pra "honrar" o legado da Sonserina.  

Segurando fortemente os braços da cadeira, queria tanto levantar e sair correndo. Naquela altura, nem sabia se conseguiria ir tão longe, contudo seria muito bom tentar.

Em pânico, tornava-se difícil respirar.

Jurava que ao redor do pescoço tinha um nó de forca apertando... Apertando... Infelizmente, ele não teve sorte com uma morte rápida e, agora, lentamente, sufocava. Eternamente, por aqueles infinitos minutos, só sufocava.

- Mas... – Pausou, umedecendo os lábios, buscando uma desculpa. – O bebê está ótimo, mas o médico pediu para conversar comigo. Suponho que sejam os parabéns também... Por... – “Outro Black...” Não. Ele não queria mentir. Lucius não merecia. Em contrapartida, era tão complicado... – Pelo novo membro que chegará em breve...

- Estranho. – Ponderando, uma ruga de preocupação marcava a testa do Malfoy. Meneando a cabeça em negativo, – Raramente, os médicos solicitam o retorno logo após os exames. – Tocando o aparelho sobre a mesa, pedia. – Ana, traga os exames do Severus Snape para a minha sala.

- Não... Eu tenho certeza que...

- Ninguém com este nome foi atendido hoje, senhor. – Respondia a feminina voz, prontamente.

Estranhando a história, o mais velho não demorou a perceber o erro, corrigindo:

- Desculpe, eu quis dizer Black. Severus Black.

- Não. – O garoto murmurou. Fitando os olhos intrigados, confessou entredentes. – Eu dei entrada neste hospital como Harry. – Baixando o olhar, - Este será o nome do meu filho.

- Harry Black?

- Harry (alguma coisa) Potter. – Afundando ainda mais naquele cachecol e nos inúmeros casacos, não queria encarar o julgamento dos olhos cinza. – James... – Deu alguns segundos para que o amigo boquiaberto processasse a informação e recordasse de algo estúpido feito pelo maroto. - Ainda está decidindo.

- SEVERUS! – O fino grito animado abria a porta de mansinho.

Percebendo a tensão pairando no local, era estranho como ambos se entreolhavam sem palavras. Percebendo o insatisfeito entortar de boca do marido, batendo a ponta da caneta contra a mesa, Narcisa tinha certeza ABSOLUTA que algo estava bem errado.

Dando alguns passos, o silêncio reinava mais poderoso que numa caverna vazia.

Permanecendo em pé atrás da cadeira do marido, observava o amigo e, sim, este estava certamente num período avançado de gestação.

Todavia, Regulus era um beta e...  

O importante não seria festejar pelo novo Black não importando a origem?

Desde o natal, os boatos corriam entre os jantares da alta corte. Ainda assim, jamais imaginou que o Sirius não fosse esperar pela concretização do casamento. Contudo, aquele primogênito nunca tinha se deixado levar por regras e tradições. Era do Sirius que falavam. Em vez de estrela, deveriam ter lhe dado nome de cometa.

Fazendo carinho nos largos ombros do loiro, ele deveria entender a importância em manter a linhagem pura. Não poderia julgar o pobre rapaz cabisbaixo quase afundando na cadeira, visivelmente abatido pela origem real daquela criança.

Será que a família Malfoy não teria este tipo de arranjo e, por isto, ele aparentava tão chocado?

Doce, a jovem mãe interpunha:

- Coração, o importante é que venha com saúde. – Sorrindo para o amigo, assegurava. – Não se culpe, Severus. Eu tenho certeza que o Regulus já ama esta criança. Apesar de tudo, ele é um Black. O Sirius só...

- Não, querida. – Finalmente recuperando a fala, Lucius tentava explicar o que nem compreendia. - O pai é aquele garoto quatro olhos que andava com o Sirius e outros infratores: - Enojado, o nome parecia cera de ouvido amargando a língua. - James Potter.  

- Potter? – Assustou-se. Percebendo como isto deixava o garoto de cabelos negros bem pior, buscava a explicação por si. – Pelo menos... – Gaguejava. – Imagino que o Sirius não... Aceitou? E o James tentou ajudar? – Parecendo plausível. – Bom, pelo menos, ele é de uma boa família. Sangue puro, não? Tenho certeza que o Regulus vai amá-lo. O James não é um apanhador como o Regulus? – A ausência de som constrangia. Atrapalhando-se com as palavras, perdida, – Te-Tenho... Quer dizer, o talento vai permanecer na família e ninguém imaginará...

- Não. – Repousando as duas mãos sobre a barriga, Severus confessava a única certeza. - Esta criança não será um Black. – Baixando o olhar para o bebê, o nervosismo não o permitia pensar, apesar disso, mais do que nunca, precisava. Suspirando triste, forçou um pequeno riso, sem nenhum humor. As confusas sensações lhe marejavam os glóbulos oculares, incertas acerca dos últimos dias. Na fuga, nas palavras de James e...

- Afinal, como isto foi ocorrer? – Indignado, Lucius não escondia o nojo. - E logo com o babaca do Potter?

- E quanto ao casamento, Severus? – Desesperando-se, a preocupação franzia o cenho da garota. Realmente, não queria julgar o amigo, todavia... – E quanto ao Regulus? Você irá só desistir depois de tudo?

- Não. Eu... Eu só estou esperando a criança nascer e...

- E por que não tiramos? Se a criança é o problema...

- Lucius! – Narcisa interveio sobressaltada. Refletindo, poderia ser a solução. – Pode ser. Você está com quantos meses, Severus?

- Eu... – Severus confessou e duas lágrimas involuntárias escapavam pelas extremidades de cada olho. Apesar dos milhares de casacos, a sala se tornava tão gelada. Os pequenos alfinetes de gelo lhe penetrava a pele, machucando, machucando. O rosto de Regulus era embasado pelo sorriso de James. As duras palavras do senhor Black fragmentando entre os calorosos conselhos da senhora Potter, mas... Deveria fazer o certo, embora já não soubesse bem o que isto seria. Enxugando a indesejada fraqueza com o dorso da mão, admitia numa atrapalhada tristeza. – Confesso que... – Piscando algumas vezes por não ter a resposta, fitou os amigos. - Eu não sei que dia é hoje.

- 06 de fevereiro.

- Malditos! – Estapeando a mesa, as coisas começavam a fazer sentido para o Malfoy. Por isto o amigo chorava, hesitava, aparentava tão nervoso... – Eles estão te mantendo em cárcere, certo?

- Como assim?

- Ele não pode usar o próprio nome para dar entrada no hospital, Narcisa, e nem sabe que dia é hoje. - As sobrancelhas unidas em piedade, quase compartilhavam daquele choro pela proporção do ódio o dominando. - Eu imagino o quanto você está sofrendo, Severus.

- Não! – Levantando ambas as mãos, o moreno pedia calma. A cabeça doía mediante a gradativa montanha de desentendimento. Apesar de assustado, as recordações dos últimos dias lhe proporcionavam peculiar calma. Deste modo, aspirando a remanescente fragrância daqueles casacos, conseguia sentir o aconchegante abraço o encorajando a enfrentar qualquer empecilho. – É que James... - Fitando o casal, o tímido riso em nostalgia brincava em seus lábios. - Ele sempre está ao meu lado e não me deixa perceber o tempo passar.

- Isto significa que ele vigia o porão? – Estreitando os olhos, Narcisa estava pronta para recolhê-lo pelo punho. - Temos que libertá-lo, Lucius, você despista e...

- Não, por favor! – Insistindo em permanecer sentado, o choro lhe embasava a voz numa felicidade salgada. – Eu estou vivendo na casa Potter desde o natal, mas eles são adoráveis e nem se importa se esta criança é um “erro”. – Os dedos formigavam. Levando a mão na barriga, sentia a mesma eletricidade de quando James brincava. Talvez, fosse tolice, contudo apostaria que a infelicidade se extinguiria ao segurá-lo. Não importaria a escola, os Blacks... E esta... Esta era a mínima alegria que poderia deixar com o Potter. Deste modo, pesarosamente satisfeito, explicava. – E o James quer muito este bebê.

- Severus... – A gestante compartilhava daquele carinho. Relembrando dos malfeitos cometidos pelos marotos, o puro sentimento, de repente, amargava. Prosseguindo sem compreender, pontuava. – Como você vai deixar uma criança com o Potter?

- Sim, Severus. – Indignado, Lucius pouco entendia. - Por que um cara tão babaca como o James iria querer um bebê? E, se for o caso, por que ele não só adota alguma criança tão medíocre quanto ele?  - Sem resposta, divagava. – Um aborto convencional pode ser arriscado... Talvez, uma maldição mataria a criança e o seu corpo só expeliria naturalmente.

- Lucius! – Repreendeu Narcisa, percebendo o quanto o amigo petrificava espantado perante a sugestão.  Franzindo o cenho, o marido só poderia estar louco por não perceber como Severus estava decidido em não deixar nada acontecer com aquela pessoinha. Por mais que não verbalizasse, cada pequeno gesto evidenciava o quanto ele queria o bebê. Cada suspiro, cada lágrima, refletia o quanto ele queria segurá-lo. Compadecida, – Isto mataria o Severus.

- Mas ele deve se tornar um Black, Narcisa.

- Eu vou. – Balançando a cabeça em positivo, o bruxo nunca teve dúvida. Ratificando o destino para si, – Eu vou me tornar um Black assim que esta criança nascer.

- A família Black não sabe, verdade? – Decepcionado, Lucius desistia de tentar ajudar. Todavia... Franzindo o cenho, aquela traição o indignava. – Você deveria ter...

- O Sirius sim e me odeia muito por isto. – Cabisbaixo, Severus sabia o quanto era injusto, mas... Desamparado, argumentava. - Como eu poderia contar para mais alguém?  Tem ideia sobre o que eles podem fazer comigo? Ou com...

- Eu... – Percebendo os papéis se materializarem sobre sua mesa, o loiro só balançou a cabeça num sinal de negação. Vencido, conferindo os resultados dos exames, admitia. – Eu desisto de tentar compreender, Severus.

- Sendo sincero, eu também. – Dando de ombros, o futuro Black fazia um discreto carinho onde provavelmente estaria a cabeça daquele pequeno e tão calmo miúdo. Em nostalgia, outra lágrima solitária lhe trilhava o rosto enquanto ele divagava. – O James vai ensiná-lo a voar. Ele será um garoto incrível. Por isto, enquanto estiver comigo, não vou deixar que nada o machuque.

- Não é segredo que o jovem Potter será um grande bruxo.

- Pode ser segredo se o Severus não estiver bem. – Lucius interrompeu, novamente preocupado. Fitando o garoto desentendido, continuou. – Sua saúde... Você está com uma anemia muito forte.

- Bobagem. – Desconversou em brincadeira, mas ninguém riu.

- É sério, Severus. Onde está fazendo acompanhamento? A gravidez masculina já é complicada por si. Se continuar neste descaso, você pode não resistir ao parto.

- Ok.

Sem conseguir acreditar naquela seca, curta e descontente resposta, Lucius ergueu as sobrancelhas, insatisfeito. Redigindo o receituário, se o Potter, realmente, se importava com aqueles dois, eles precisavam conversar. Naquele momento, não perder o amigo era mais importante que qualquer orgulho, diferença ou capricho.

Dando alguns passos afrente da mesa do marido, mantendo as mãos pra trás, a curiosa jovem sugeria casualmente:

- Então, você gosta do Potter?

- Estamos falando de um imbecil, Narcisa.

- Bom... – Sorrindo culpado, o garoto das poções deu de ombros, admitindo levemente angustiado. - Eu não gostava.

- No passado.

- De um modo estranho, ele está diferente... Ele é doce, mesmo insuportável, os dentes dele são fofos e até as manias irritantes são afáveis. Ele me escuta, abraça... – Revirando os olhos ainda marejados, o vago riso em esperança. – Ás vezes, até acredito que tudo terminará bem...

- Você está apaixonado.

- Queria um remédio para curar isto também.

- Muita beterraba e sanduíche de fígado. – Complementava Lucius. Embora irritado, não negava certa felicidade pelo rabugento garoto está seguro. – Depois enviarei as recomendações quanto ao tratamento mais efetivo, e, ainda não consigo acreditar que um idiota que nem consegue amarrar os sapatos pode te fazer feliz.

- Desculpa por decepcioná-lo.

- Não, Severus. Apesar de surreal, estou torcendo que isto termine bem.

- Eu também, Severus. – Complementava a loira. - Tenho certeza que o jovem Potter será um grande bruxo, pois herdará isto de você.

- Obrigado aos dois. – Agradeceu, rindo sem jeito enquanto levantava sentindo-se um idiota por ter ficado nervoso perto dos amigos. Existiam pessoas que ele poderia confiar, talvez... Até pudesse conversar com o Regulus e...

- Ah, - Narcisa o chamava antes que ele pudesse sair. – Ele vai se chamar Harry?

- Acredito que sim. O James está decidindo.

- Harry Potter. – Repetia para si. – O Draco irá lembrar.

- Narcisa, o filho do Potter... – Lucius ainda tentou argumentar, mas a garota permaneceu firme.

- Eu tenho certeza que o filho do Severus será um bom amigo para o nosso filho. Por isto, estou ansiosa.

 


Notas Finais


Aí o Harry vai e prefere o Weasley


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