História Instintos Felinos - Capítulo 5


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags África, Agust_di, Bigcats, Biologia, Bottom!jimin, Caça, Caçaenlatada, Grandesfelinos, Instintosfelinos, Jikook, Jimin, Jiminambientalista, Jungkook, Jungkookbiologo, Kookiechu_, Kookmin, leão, Leões, Mençao!yoonmin, Namjin, Savanaafricana, Taeseok, Teamambientalista, Teambiologo, Teamjk, Teamjm, Teamleao, Teamleopardo, Top!jungkook, Vhope
Visualizações 102
Palavras 9.893
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sci-Fi, Seinen, Shounen, Survival, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


@Ggukiechu: Primeiramente, queria que nos desculpassem por todo esse tempo sem atualização e sem ao menos uma explicação. O que aconteceu é que o próximo capítulo de IF é no pov do Jimin e, como vocês sabem, a Stefanie é encarregada pelos POVs dele. Ela havia escrito o capítulo em janeiro, mas disse que precisava fazer algumas mudanças, contudo, aconteceram algumas coisas e ela só arrumou o capítulo agora. Sentimos muito por isso.
Obrigada a todos que não desistiram da fanfic e continuarão nos apoiando.

IF voltou, estou até emocionada. Não aguentava ver minha bebê parada. </3
Mais uma vez peço desculpas pelo atraso.

@Agust_Di: Oi, oi, povo/leõezinhos/pequenos gafanhotos. Tudo bem?
Tô dominando as notas hoje hehe
A Stéfany (bugue) postou um aviso né, e agora é minha explicação. Atenção!!
Faz muito tempo desde a última atualização, sendo eu a responsável por este capítulo. Eu atrasei (MUITO) por vários motivos que não vou citar aqui, mas foram motivos que me impediram até mesmo de escrever e criar plots (coisa que eu fazia até dormindo né), e IF sofreu as consequências. Peço desculpas ;-;

Sobre o capítulo... Este capítulo é bem YoonMin, tá? Vai revelar bastante coisa, esclarecer algumas dúvidas, criar outras kkkkkkk mesmo que você não goste do casal, é bom ler, porque conta muito sobre o passado do Jimin e a relação dele com o Suga. Adoroooo 💜

Capítulo 5 - Capítulo IV - Quarto Rugido


 

“Não importa o que aconteça, nunca esqueça o você de agora. Nós estamos fazendo apenas uma pausa, nos encontraremos novamente…”

 

 

PARK JIMIN'S POV

 

Oi, Suga…

Meu corpo inteiro estava travado. Meus lábios tremiam; eu queria poder falar mais do que estas palavras inúteis, fazer mais. Mas eu não conseguia.

Eu esperei tanto por esse momento, sonhei tanto com ele, e me martirizei por achar que eu tinha estragado tudo, e que esse momento nunca chegaria. Mas ele está aqui agora, bem na minha frente, encarando-me com seus olhos pequenos e melancólicos, como uma criança que espera um abraço quente de sua mãe depois de se machucar.

Tudo parecia caminhar em câmera lenta, meus olhos só conseguem vê-lo. É como se não houvesse ninguém no mundo além de nós dois.

Seus olhos melancólicos e cansados encaravam os meus lacrimejantes. O quão é difícil segurar-me para não desmanchar em lágrimas. O quão grande é minha felicidade em rever meu ex-namorado, meu amigo, meu companheiro. Eu quero abraçá-lo, quero sorrir com ele, e contar-lhe tudo o que aconteceu desde fui embora. Mas… algo me diz que as coisas não serão tão fáceis como eu gostaria…

É mais difícil do que parece. Faz mais de três anos desde que nos separamos, e basta um dia para que o mundo mude completamente, três anos nos transformam em novas pessoas, com olhares e sentimentos diferentes. E após tanto tempo, temo que ele não sinta mais nada por mim, senão, ódio.

Quando eu fui embora da Coreia, deixei-o sozinho e chorando. Eu o amava, e ele me amava. E eu não queria deixá-lo, jamais quis isso. Mas eu tive que ir.

Nós nos amávamos. Foi amor à primeira vista, a confiança que compartilhamos era maior do que qualquer outra. Éramos o casal perfeito, mas aprendi, da pior forma possível, que nada dura para sempre.

Suga, assim como eu, queria ser biólogo. Ele estava na mesma faculdade que eu, e estava se especializando em répteis. O amor pelos animais foi o mínimo para nos unir. Fizemos diversas promessas com o amanhã, dizíamos que iríamos para a África do Sul, e trabalharíamos juntos; fizemos tantos planos… mas tudo foi desfeito no momento em que meu primeiro amor morreu; por ele abandonei tudo.

Com o passar dos anos fui perdendo as esperanças de encontrá-lo novamente e aprendi a superar.

Os primeiros meses em que cheguei aqui foram os mais difíceis. Casei-me com meu trabalho, com esses animais que tenho que proteger a todo custo. Relacionamentos para mim apenas atrapalham, quando há sentimentos envolvido, tudo se torna irracional e perigoso a ponto de ser imprevisível. 

E eu tinha certeza que todos os meus sentimentos por Min Yoongi estavam enterrados, mas… agora que nos reencontramos, vejo o quanto eu estava errado. Mas o que eu sinto? Tudo parece nublado em minha mente, é difícil diferenciar as coisas.

Ele não mudou nada desde a última vez que o vi, a diferença… é que agora ele não está chorando…

 

FLASHBACK ON

 

Já haviam se passado cinco dias desde que Jimin recebeu a pior notícia de toda a sua vida. Todas as noites desde então, Jimin chora e tem pesadelos; imaginando de todas as formas possíveis como teria sido sua morte, o que ele estaria fazendo se pudesse ter impedido que tal fatalidade ocorresse. Contudo, Jimin sabia que não poderia ter evitado que ele morresse. A situação estava além de seu controle, e a distância era o maior muro entre eles.

Era difícil ter que lidar com sua consciência lhe atormentando a cada hora. Mas o que todos não sabiam, era que Jimin não poderia e não queria esquecer o que aconteceu. Todos lhe falavam para esquecer a morte dele, que deveria lhe ser um motivo para seguir em frente, mas Jimin queria ir por outro caminho. Mesmo que alguns, principalmente sua mãe, tentassem lhe impedir.

Quando Jimin soube da notícia, após ter chorado suas lágrimas de dor, medo, e raiva. Sim, Jimin sentia raiva; seu peito ardia em raiva e ódio, sentia raiva de si mesmo por não ter conseguido impedir o que houve, por não estar ao seu lado para ajudá-lo a suportar a dor, para protegê-lo do perigo — porque ele esteve ao seu lado quando corria perigo de vida e foi protegido —, e Jimin queria, mais do que tudo, desde aquele momento, vingar-se das pessoas que lhe tiraram seu primeiro amor e objetivo de vida.

Talvez fosse exagero para aqueles que assistiam de fora, talvez Jimin devesse desistir e continuar seguindo seu caminho, mas estava claro que seu caminho já não era o mesmo. Assim como Jimin já não era o mesmo de antes.

Então ele tomou uma decisão: se tornaria ambientalista e iria para a África do Sul; abandonaria toda a sua vida na Coreia.

Seus amigos lhe apoiaram, mas, como era de esperar, tiveram aqueles que não concordaram com sua decisão. E uma dessas pessoas fora seu namorado, Min Yoongi.

Jimin o conheceu num evento organizado por uma das melhores faculdades da cidade.

Em um passeio qualquer no shopping, JImin encontrou um pequeno grupo de pessoas entregando alguns panfletos. Interessado, Jimin fora ver do que se tratava o anúncio, e quando pegou o panfleto se surpreendeu quando percebeu tratar-se de uma evento que ocorreria no sábado, às 18:00pm; seria um evento grande, iria ter apresentações, doações, palestras, e reuniões que resumiam-se à proteção e luta contra as caças ilegais na África do Sul. Jimin logo reservou um pequeno lugar em sua agenda para aquele evento, não o perderia por nada. E sentia-se feliz e orgulhoso por estar participando de um movimento tão importante. Jimin sentia que participando daquele evento, poderia fazer muito pelos animais; como sempre quis.

Chegou o sábado. Jimin se arrumou e, às seis horas da noite, se dirigiu ao centro de eventos em que aconteceria o evento. Infelizmente, seu melhor amigo, Kim SeokJin, não estava na cidade, e, ao invés de chamar seus outros amigos, preferiu ir sozinho. Já era tarde, e, coincidentemente, alguns já tinham compromisso e outros não estavam na cidade. Mas Jimin não importou-se em ir sozinho, porque mesmo não tendo rostos conhecidos para acompanhá-lo, ele sentia-se em casa, sentia que seu lugar era com aquelas pessoas, que compartilhavam do mesmo interesse que ele.

Quando chegou no centro em que aconteceria o evento, logo deparou-se com um pequeno movimento na entrada. Jimin fora recebido com simpatia de todos os presentes. Não fora difícil enturmar-se. Todos pareciam amigos uns dos outros, mesmo que alguns sendo desconhecidos para outros. Naquele lugar, o desejo de proteção pelos animais unia a todos, não havia lugar para diferenças ou discórdias.

Uma das salas do prédio estava reservada para que as pessoas interessadas nos animais selvagens pudesse entrar e conhecer mais a respeito desses animais incríveis. As espécies eram divididas por tendas, em cada tenda havia informações suficientes sobre seu respectivo animal, além de fotos, vídeos, desenhos, estátuas de gesso e bens materiais, como: camisetas, chaveiros, bonecos, pelúcia; todos com fundos destinados à doação para zoológicos da África do Sul, com patrocínio de marcas pequenas e grandes.

A decoração estava incrível, Jimin ficava cada vez mais fascinado à medida que os minutos passavam. Até comprou alguns chaveiros para colocar em sua mochila.

Jimin passou por cada tenda, e a cada passo, aprendia mais e se apaixonava mais por cada animal. Não havia alguém tão apaixonado e animado naquele lugar quanto ele. Jimin tentava controlar-se para não sair correndo pelo espaço como uma criança. E também economizar dinheiro, é claro, ele não havia levado tanto dinheiro e poderia se empolgar demais.

Quase completando seu “tour” pelo lugar, Jimin viu a mais bela tenda de todas: a tenda dos leões. Neste momento, não pôde segurar-se e correu até a tenda. As estátuas de leões que decoravam a tenda estava mais linda do que ele esperou. Era, com certeza, as estátuas mais belas e chamativas de todas. Uma das estátuas estava sobre uma rocha; o leão, com o peito estufado e toda sua exuberância, olhava para frente, haviam algumas cicatrizes no rosto do leão, sendo uma característica bonita da espécie; símbolo de luta e força. Os detalhes na juba eram ainda mais incríveis, haviam tons mesclados entre o preto e o marrom escuro, os riscos davam a impressão de movimento e reflexos de luz nos pelos. Jimin tirou tantas fotos, parecia até um turista num museu. Comprou uma camisa do Rei Leão com a foto do Simba, seu personagem favorito, bem como seu filme favorito desde que era uma criança.

Depois de ficar minutos na tenda dos leões, ele partiu para a próxima tenda: a tenda dos crocodilos. Até aquele momento, Jimin nunca saberia que ir àquela tenda iria mudar sua vida de alguma forma, mas ele nunca teria desviado seu caminho até ela, teria ido quantas vezes fosse preciso, apenas para repetir aquele momento único em sua vida.

Jimin estava ridiculamente fofo: usava orelhas de leopardos, o rosto estava desenhado com um focinho e bigodinhos de leão, vestindo a camisa do Rei Leão que comprou, com sacolas ocupando suas mãos, e um leão de pelúcia quase pulando de sua mochila, que já não havia espaço para tantas coisas, e ainda, um macaquinho pendurado em seu pescoço — Jimin sempre quis ter um macaquinho. Estava tão fantasiado quanto as crianças que passeavam pelo lugar, acompanhadas de seus pais. Mas ele não se importava, aquele era seu momento e iria aproveitar, mesmo que tivesse que passar um pouco de vergonha e ser fotografado pelos fotógrafos do evento, junto com crianças.

Na tenda dos crocodilos, havia um rapaz fazendo uma apresentação oral para os presentes e interessados na espécie. Quando a atual apresentação acabou, as pessoas se retiraram e Jimin aproximou-se da tenda, o rapaz de cabelos platinados estava de costas para si, agachado, e parecia mexer em uma caixa de papelão. Então Jimin o chamou:

— Com licença, sunbae…

— Pois não? — O rapaz então virou-se para Jimin. E o que aconteceu foi mais do que surreal; apenas com um trocar de olhares.

Jimin não poderia, mesmo se tentasse, explicar aquele momento. Acontecera tão rápido, mas que na mente de ambos havia sido em câmera lenta e com música romântica tocando ao fundo. Seu coração animado agitou-se ainda mais quando olhou nos olhos do rapaz a sua frente, tendo praticamente a mesma altura, a pele extremamente pálida, que mais parecia neve, cabelos platinados, e olhar melancólico. Era inexplicável a beleza que vira naquele rosto, naquele olhar triste e cansado. Somente seu coração poderia respondê-lo, mas ele batia tão forte em seu peito que o assustava.

Fazia tempo que não sentia essas sensações, e senti-las novamente, depois de tanto tempo, o assustava. Ele sabia o que era, sabia que aquele estranho havia despertado mais do que seu interesse, e Jimin sentia medo e curiosidade sobre seus novos sentimentos com relação àquele estranho, mas que parecia ser seu amigo há tempos.

Jimin era um garoto sonhador; acreditava no amor à primeira vista, e como um garoto romântico, gostaria de experimentar dessa experiência, que somente é vista nos filmes clichês de romance, cujo os protagonistas ficam juntos e vivem felizes para sempre. A verdade era que, mesmo sabendo do quanto era impossível algo assim acontecer consigo e o quanto era ridículo sonhar com um amor à primeira vista, ele gostaria muito de poder ter essa experiência para contar a alguém como parte de sua história de vida, e, quem sabe, contar ao lado do seu amor.

Mesmo não sendo, literalmente, seu primeiro amor, Jimin poderia considerá-lo como sendo, já que era com um homem. Mas ele sabia melhor do que ninguém, que eram sentimentos diferentes, e seu primeiro amor de verdade sempre estaria em seu coração, e nada tomaria seu lugar; nem mesmo a morte.

O rapaz também compartilhara dos mesmos sentimentos naquele instante. Estava assustado com a figura cômica do garoto que aparecera de repente, mas encantado com a inocência e o brilho que tinha seus olhos pequenos e encantadores. A aura infantil, mas extremamente sexy, que aquele estranho emanava lhe tragou com força. Yoongi sentia que seus sentidos estavam esvaindo-se aos poucos, a cada segundo que passava encarando aqueles olhos sorridentes. Se estivesse em seu estado normal, pensaria ainda estar com sono e por isso estar imaginando coisas, mas, na verdade, ele só estava apaixonado por um estranho. Mas nunca admitiria isso.

Yoongi tinha o ego muito grande para admitir que fora vítima de contos de fadas clichês, aos quais passou todos os anos da sua vida julgando serem apenas histórias criadas por sonhadores, feitas para idiotas que gostam de se iludir e que acabam por crer e, no fim, se decepcionar, porque nada daquilo acontecia com alguém de verdade. Paixão: um sentimento intenso e passageiro, à primeira vista? Talvez. Desejo carnal? Também. Mas não amor. O amor desenvolve-se com o tempo, com o conhecer profundo de outrem, e então manifesta-se; seja através das provações, cujo aquele que ama permanece ao lado para ajudar, das lutas, suportando os problemas, na alegria, confiando plenamente, e tudo o que tenha relação com o amor. Ver alguém pela primeira vez e afirmar piamente que está amando-a, é loucura! E Min Yoongi, com toda sua fama de pedra, nunca admitiria estar apaixonado. Mas talvez… ele só não tenha tido o prazer de experimentar o amor imperfeito que alguém imperfeito, assim como ele, poderia lhe dar.

Só o destino sabia que aqueles dois compartilhariam, juntos, desse clichê que é o amor à primeira vista.

Ambos ficaram se encarando por alguns minutos, minutos suficientes para mais pessoas aparecerem na tenda e chamar por Yoongi. Ambos tentaram disfarçar o momento estranho que compartilharam, mas eles queriam mesmo era sentir aquele sentimento outra vez.

No entanto, nenhum dos dois iria perguntar ao outro sobre o que acabara de acontecer.

— Posso ajudá-lo? — Yoongi perguntou a Jimin, que mantinha-se quieto e ainda o encarando.

— Sim! Eu… gostaria de assistir a apresentação sobre os crocodilos africanos — Jimin respondeu com a voz um pouco baixa.

— Claro, mas terá que esperar um pouco. Quando mais pessoas se aproximarem, começo a apresentação.

— Por que não faz agora? Estou muito animado, não posso esperar! — Jimin quase saltitou, fazendo Yoongi rir de imediato.

— Se eu fizer agora, terei que fazer depois, e assim vou trabalhar mais, e eu estou muito cansado. Estou aqui desde às seis da manhã, preciso descansar também.

Yoongi suspirou e sentou-se em uma cadeira, para relaxar um pouco, mesmo que sendo um pouco difícil com Jimin em sua frente lhe olhando como uma criança olha para seu sorvete. Mas talvez Yoongi pudesse gostar de ser lambido por aquela língua rosada e molhada, e ainda ser beijado por aqueles lábios carnudos e extremamente sexys e convidativos. No curto período em que Yoongi passou olhando para Jimin, pôde perceber cada detalhe em seu rosto, principalmente nos lábios.

— Mas esse é o seu trabalho, não é? — Jimin perguntou um pouco triste. — Eu queria muito saber como eles se reproduzem…

— Nesse caso… eu posso fazer muito mais do que apenas falar. — Yoongi sorriu com malícia para o moreno. Jimin sentiu seu corpo ficar quente de repente, apenas imaginando mil sentidos para aquela frase, a maioria impróprios.

— O que mais poderia fazer, então? 

— Eu poderia te mostrar, através de uma dinâmica, como ocorre a reprodução, isso se… você não tiver medo de um pouco de dor — disse o platinado, ainda sorrindo para Jimin. Seus olhos desceram lenta e provocantemente pelo corpo forte do outro, reparando no máximo que conseguiu.

— O que é a dor diante do prazer de… poder ter novas experiências? — fez uma pergunta retórica.

— Então suponho que seja uma experiência nova para você. — Jimin sentiu suas bochechas queimarem como se houvesse comido pimenta. Nunca provocações tão bobas tiveram tanto efeito em si.

— E- eu acho melhor eu ir embora. — Jimin já se virava para sair, mas fora impedido por Yoongi que segurou seu pulso. Jimin virou-se imediatamente.

— Agora que ficou interessante? Não seja estraga prazeres… Eu me chamo Min Yoongi, e você, gatinho?

— Park Jimin. E não sou um gatinho. — Inflou as bochechas, como se estivesse ofendido.

— Então o que você é, gatinho

— Sou um híbrido de leopardo com leão — disse como se a informação dada fosse muito interessante.

Ambos ficaram em um silêncio constrangedor. Jimin ficou esperando uma resposta audaciosa do outro, mas ele não o respondia, apenas resolveu tomar um americano, que estava numa bancada próxima. E mesmo achando que falou algo totalmente desnecessário — o que de fato fora —, Jimin não queria ir embora; queria ficar e conversar mais com o platinado.

— Pode me falar um pouco sobre os crocodilos? — Jimin insistiu.

— Okay, já que insiste tanto, eu vou te fazer uma apresentação particular — Jimin animou-se logo. —, mas preciso de algo em troca?

— O quê? Se estiver ao meu alcance, lhe darei. — Yoongi riu diante da ingenuidade do moreno. Ele foi pago para estar ali, naquela tenda, e fazer apresentações sobre crocodilos. Fora que ele adorava ter que fazer isso, crocodilos são sua paixão. Mas percebeu, assim que pôs os olhos no moreno, que poderia se aproveitar um pouco de sua ingenuidade. E em sua cabeça era uma ótima ideia, porque ambos sairiam ganhando.

— Muito bem, então. — O platinado fingiu pensar um pouco, franzindo o cenho para dar mais suspense, o que funcionou. Jimin pedia em pensamentos para que Yoongi não lhe pedisse algo caro ou difícil de conseguir. — Eu quero seu número de celular, gatinho.

— Me- meu número? Para quê?

— Ainda pergunta? — Revirou os olhos. — É isso ou não faço a apresentação.

— Tudo bem. Eu dou. — O platinado sorriu pela vitória digna que teve. Logo o estendeu seu celular e Jimin rapidamente salvou seu número no mesmo. Sorriu ao digitar o nome para seu contato: “Gatinho”. Quando terminou, entregou o celular.

— Hum… Você sabia, quando uma presa entra na área de perigo do crocodilo, ela não pode mais sair? Ela está fadada à posse do predador. Apenas um deslize do crocodilo pode ser sua salvação, o que é praticamente impossível. Crocodilos são mestres em se camuflar, eles se aproximam de sua vítima sem, ao menos, provocar movimento suficiente para ser visto pelas presas. Em um rastro de dois metros, elas já estão sujeitas à morte. As presas não percebem o perigo em que estão se metendo, até o momento em que estão agonizando e morrendo entre os dentes do predador. Elas invadiram seu território, não vai sair barato, certo? Depois de ter a presa entre suas mandíbulas, ela é levada para a água e MORTA!

Yoongi gritou a última palavra, acabando por assustar Jimin, que ouvia à história com total atenção. Yoongi riu da expressão irritada do outro, que mais parecia um gatinho assustado.

— Vira uma bela refeição — concluiu simplista.

— Uau! — Jimin exclamou. — Isso é incrível!

Mesmo estando tão óbvio, Jimin não fora capaz de notar o duplo sentido no que o platinado falara. Usando os crocodilos como uma camuflagem, para dizer o que ele realmente pretendia. Mas Jimin não poderia ter percebido, porque estava muito impressionado com a explicação.

 

[…]

 

Poucas semanas depois, Jimin descobriu que Min Yoongi fazia faculdade de Ciências Biológicas e estava no quinto ano, o último. E pretendia se especializar em répteis.

Desde seu primeiro encontro com o platinado no evento, eles continuaram fazendo contato um com o outro, e até marcaram de se encontrarem para sair. As coisas entre ambos estavam caminhando rápido demais. Tudo parecia intenso demais, exigente demais, quente demais, bonito demais. Não tinham o que perder, e apostaram no que sentiam um pelo outro.

Seus encontros noturnos passaram de apenas conversas sobre animais, para preliminares em seus apartamentos, e o ápice; noites intensas de amor. Estavam finalmente namorando. O amor somente crescia em seus corações jovens.

A surpresa veio quando o Min se formou na faculdade. Ele teria que escolher um caminho para seguir; teria que escolher uma faculdade para fazer seu mestrado. A faculdade em que se formou tinha estrutura para que fosse aceito e fizesse seu mestrado; contudo, haviam outras faculdades com melhores condições. As portas eram muitas, mas ele só poderia passar por uma.

Mas não fora tão difícil escolher que faculdade para fazer o mestrado. Yoongi não tinha uma faculdade em específico ao qual queria ir, e também tinha Jimin, seu namorado. A faculdade em que se formara era a mais próxima de sua casa, e assim a distância não seria um problema para o casal.

Ao contrário do que o Min esperou, Jimin não exigiu ou sequer pediu para que ele ficasse na mesma faculdade consigo. Jimin queria o melhor para seu namorado, e disse-lhe para escolher a faculdade que desejasse, ele ficaria feliz e poderiam continuar sendo namorados, mesmo com a distância. A confiança entre eles era inabalável. Mas o loiro não queria deixá-lo, e não via um motivo bom o suficiente para tal. A faculdade em que se formou era boa o bastante para competir com outras, sua ótima estrutura iria lhe oferecer do melhor. Então por que ir para longe? O Min não pensou muito. Resolveu que ficaria na faculdade em que se formara, e ao lado de seu namorado.

Jimin sentiu-se tão feliz pela decisão do Min. Eles poderiam continuar juntos.

O relacionamento do casal só melhorou. Um ano depois, passaram a compartilhar o mesmo apartamento; Yoongi praticamente morava no apartamento do moreno, e fora ainda melhor recebido para morar consigo. Yoongi sempre fora responsável, mesmo que muito preguiçoso às vezes, e sempre mantinha seu espaço limpo, além de que ajudava Jimin com tudo. Quem os visitasse poderia dizer que eram casados, e um casal muito feliz. O que era mais do que verdade, Jimin era feliz e Yoongi também.

Eles eram um casal perfeito.

Alguns anos se passaram. Já no terceiro ano da faculdade, Jimin recebeu a notícia que devastou sua vida: Ele foi assassinado. Jimin não conseguiu entender de imediato, Pensara que estavam brincando consigo, que lhe pregaram uma peça, apenas para brincar com seus sentimentos e se divertirem. Mas ninguém faria isso, e o contato era mais do que confiável. Jimin pediu por fotos, e quando as viu chorou como nunca em toda a sua vida, e crendo piamente, jamais choraria assim novamente. Chorou até sua cabeça doer, até seus olhos ficarem extremamente vermelhos e inchados, até estar totalmente frágil e vazio, até suas lágrimas acabarem. E a cada lágrima derramada, ele sentia que um pedaço de si escorria e pingava no chão frio do seu apartamento.

Ele não poderia esperar mais, e tomou a decisão de ir para a África do Sul.

Cinco dias se passaram desde que Jimin recebeu a pior notícia da sua vida, e a dor da perda ainda estava viva em seu peito. Os cinco dias foram usados para preparar tudo para a viagem.

E uma das tarefas mais difíceis fora ter que contar sua decisão ao seu namorado. Ele era o único que não sabia da decisão de Jimin, e este exigiu que ninguém contasse; queria ser ele a contar-lhe, no momento certo. Ele iria embora, e seu amor iria ficar. Jimin queria que ele fosse consigo, mas não poderia, e não iria, pedir tanto a ele. Suga — apelido dado a Yoongi por Jimin; por seu sorriso doce e pele branquinha, além de ser contrastante com sua personalidade franca e… um tanto rude — tinha o direito de seguir sua vida como planejou, não era sua culpa, e ele não teria que ir com Jimin. Suga já havia feito muito por Jimin, e abandonar sua vida para ir para a África era pedir muito. Suga estava com projetos em andamento e futuros trabalhos, tinha responsabilidades, ir para a África e tornar-se ambientalista não fazia parte de seus planos e não seria incluso.

Era uma noite fria; a chuva molhava tudo lá fora. As gotas que batiam contra os vidros da janela eram a melodia mais deprimente e melancólica. Yoongi estava preocupado porque seu namorado ainda não havia chegado e nem respondido as suas mensagens ou atendido suas ligações. Ligou para SeokJin, mas ele também não sabia onde Jimin estava. Ligou para seus amigos, mas nenhum sabia de seu paradeiro. Ele sentia-se impotente e decepcionado consigo mesmo. Nem Yoongi poderia sarar a ferida no coração de seu namorado. E nada doía mais do que ter essa certeza.

Yoongi sabia o que havia acontecido com Jimin, obviamente. Ele sabia de tudo sobre seu passado, e o admirava como ninguém. Mas não podia fazer nada para tentar remediar as coisas; estava longe de seu alcance. O coração despedaçado de seu namorado não tinha data para reparos, e o loiro já não sabia mais o que fazer para tentar amenizar o sofrimento do seu amor.

Era tão doloroso para si ver seu namorado chorando e olhando as fotos dele. Sempre que o assunto era debatido, Jimin se culpava por sua morte e Yoongi jamais admitiria isso. Sempre tentava convencê-lo de que a culpa não era sua, e que já era tarde demais para tentar alguma coisa. Ele estava na África do Sul e Jimin não poderia estar consigo o tempo todo, mas sempre mantinha contato, todos os dias recebia notícia. Nas férias, Jimin o visitava, mas desde que começou a fazer faculdade, não teve mais tempo para isso. E não tê-lo visto uma última vez… só o machucava mais.

 Suga preparou o jantar — que normalmente era feito pelo casal, que fazia mágica quando juntos na cozinha — para o agrado do namorado. Esperou que ele chegasse. Jimin chegou duas horas depois, mas Suga o esperou para jantarem juntos.

A porta do apartamento fora aberta lentamente; o Park estava encharcado pela chuva, mas ainda trazia consigo um guarda-chuva lilás. Deixou o objeto ao lado da porta e tirou os sapatos molhados junto das meias. Jimin julgava que Suga estivesse dormindo e não queria lhe acordar, porque sabia o quanto o outro também passou noites em claro por causa de seu trabalho com os projetos e por sua própria causa.

 Adentrou no cômodo caminhando nas pontinhas dos pés. E percebeu estar errado quando entrou na sala e viu seu namorado bebendo café enquanto escrevia algo no seu precioso bloco de notas amarelo. Suga costumava escrever letras de música em seu bloco de notas especial, era um hobby. Escrever seus sentimentos e pensamentos o acalmava, era uma forma de desabafar, e na adolescência, quando sozinho e sem amigos, seu bloco de notas fora seu melhor amigo. Também era incrível de ver como seus sentimentos eram melodiosos e bonitos quando escritos e relidos; ele com certeza seria um compositor incrível e muito famoso.

Jimin parou no lugar e encarou seu namorado por um tempo. Ele só sentia-se ainda mais culpado por ter que deixá-lo; mas era preciso. Às vezes se chamava de monstro por fazer tantas pessoas sofrerem, mas Jimin só estava ferido demais para perceber o quanto era uma boa pessoa, e o quanto deixava seus amigos felizes apenas por existir. Talvez o tempo faça-o perceber isso.

Uma lágrima ousou cair, mas Jimin enxugou seus olhos antes que tal ato fosse consumado.

— Pensei que estivesse dormindo — disse, Jimin. Suga olhou para o moreno com rapidez, assustou-se, mas relaxou logo, porque seu namorado voltou seguro para casa. Suga levantou-se e correu até o namorado, o abraçando com força. Jimin retribuiu o gesto com todo o amor que tinha no momento.

— Fiquei tão preocupado com você! Você sai e nem fala nada, ao menos responde as minhas mensagens, fico pensando em mil coisas terríveis que poderiam ter acontecido com você! — Suga dizia com rapidez, atropelando-se nas próprias palavras.

— Me desculpe, Suga… Não queria preocupá-lo.

— Onde você esteve? — Tirou o casaco molhado do corpo do moreno e correu para colocá-lo dentro da máquina de lavar na área do apartamento. — Venha, vamos trocar essa roupa molhada, ou poderá ficar resfriado — chamou Jimin enquanto já seguia na frente. O moreno foi com cuidado para não escorregar. Ambos foram para o quarto do casal. Suga pegou um cesto para que Jimin despejasse suas roupas dentro. — Vou te preparar um banho quente, espere um pouco. E tire essas roupas molhadas, coloque-as dentro do cesto.

Suga foi quase correndo para o banheiro preparar a banheira e a água quentinha para seu namorado relaxar. Jimin apenas se aproximou da janela e ficou olhando o movimento pequeno do lado de fora. Depois de alguns minutos, Suga voltou.

— Seu banho está pronto. O quê? Ainda não tirou as roupas? — perguntou mesmo que estivesse vendo Jimin ainda vestido. Suspirou com cansaço e chamou pelo namorado. Jimin aproximou-se lentamente e Suga selou seus lábios gélidos. — Quer que eu as tire? — Jimin assentiu. — Enquanto isso, pode me contar onde estava. Por que não me atendeu? 

— Eu estava no museu, assistindo a exposição dos animais selvagens — Suga parou de desabotoar a camisa do outro quando ouviu seu motivo. Mas logo voltou a tirá-la; não iria julgar ou brigar com Jimin por isso, não era momento para isso. — Só saí quando fecharam, e estava chovendo… Uma ajumma muito simpática me emprestou um guarda-chuva, mas eu já estava todo molhado, não adiantou muita coisa…

— Isso não justifica o porquê de não ter me atendido. — Jimin tirou o celular encharcado do bolso da calça e entregou ao loiro. Suga riu baixinho, acabando por fazer o moreno rir também. Ouvir a risada do moreno aqueceu seu coração. Ele raramente ria ou sorria desde o incidente.

— Ele caiu em uma poça.

— Isso eu perdoo. Mas você não avisou a ninguém aonde ia, nem mesmo o Jin hyung sabia onde você estava! — Suga exaltou-se um pouco, mas quando viu a expressão deprimida do outro, acalmou-se imediatamente. Mesmo que tal atitude infantil de seu namorado o irritasse, ele não queria ter que brigar consigo, isso iria piorar as coisas, e Suga só queria poder cuidar de Jimin. Terminou de tirar sua camisa e a jogou no cesto, logo tirando a calça e a boxer do namorado, que tiveram o mesmo destino da camisa.

— Eu queria ficar sozinho. Sei que agi mal, eu não deveria ter te preocupado tanto, você não merece nada disso.

— Você também não merece, ChimChim. E eu te amo demais para não perdoá-lo. — Ambos sorriram.

— Eu também te amo, Suga.

— Eu sei disso. Venha tomar seu banho, a água está quentinha. — Suga acompanhou Jimin até o banheiro e esperou que o moreno entrasse na banheira. — Vou esquentar o jantar. Você vai ficar bem sozinho?

— Ficaria melhor se você estivesse aqui… — Jimin sorriu sugestivamente para o loiro.

— Ficaria, sim. Mas você está de castigo por ter agido como uma criança. — O moreno, sentindo-se injustiçado, pegou o patinho de borracha que tinha na banheira e atirou na direção do mais velho que, por sorte, conseguiu desviar.

— Só por isso, não vai ter sobremesa para você! — Suga gritou do corredor. Jimin riu e relaxou na banheira, a água estava uma delícia e já sentia seus músculos relaxarem um pouco. Contudo ainda não havia acabado, ele precisava falar com Suga, e precisava ser agora, ou não teria coragem depois.

Quando terminou o banho, Jimin saiu do banheiro e encontrou uma muda de roupas quentinhas sobre a cama, que Suga havia lhe preparado. Ele era um namorado incrível, sempre tão preocupado consigo. Jimin tinha sorte em tê-lo como namorado. Vestiu-se rapidamente e seguiu para a cozinha, encontrando o loiro pondo os pratos sobre a mesa.

— Pode sentar, já vou servir. — Jimin obedeceu e sentou-se, esperando ansiosamente pela comida. — Conversaremos depois da janta, você precisa comer com calma.

— Você é tão bom para mim, hyung. Eu gostaria de poder ser melhor para você…

— Não comece, Jimin, por favor. Você é tudo o que eu preciso, e me faz feliz sendo como é, não preciso que mude. — Aquelas palavras lhe tocaram profundamente, sempre era assim, as sensações ainda eram vividas. Jimin recebeu um beijo casto na testa do namorado e logo foi servido com o jantar.

Suga não estava com fome, então contentou-se em assistir Jimin comer de sua comida; que ele tanto adorava e elogiava. Naquela noite também não faltaram elogios, Jimin fez questão de elogiar sua comida, deixando o Min com o ego super inflado e feliz por ter pelo menos um pouco do que tinha antes de tudo desmoronar.

Quando Jimin terminou, Suga recolheu os pratos e os deixou na pia, ele irá lavá-los no dia seguinte, já estava tarde e ele precisava conversar com Jimin. Permaneceram na cozinha, sentados à mesa.

— Quando você for sair, tem que me avisar antes, Jimin — Suga começou. — Não me deixe preocupado dessa forma. Eu tenho adiado essa conversa faz dias, porque eu sei o quanto é difícil para você suportar tudo isso, mas não quero que as coisas sejam assim entre nós. Somos namorados há anos, se quer sair, saia comigo, se quer chorar, chorarei contigo, e estarei aqui para te fazer sorrir, meu amor. Eu te amo muito, e te ver tão abatido me deixa péssimo. — Quando Suga parou de falar, percebeu que seu namorado estava chorando novamente. Tomou as mãozinhas pequenas sobre a mesa e apertou-as entre as suas, para transmitir conforto e um pouco de calor.

— Você foi uma das melhores coisas que já me aconteceu, hyung. Eu te amo muito. Nada disso é sua culpa.

— Também não é sua culpa, ChimChim.

— Eu sei…, mas ainda assim é difícil não pensar que eu poderia ter evitado de alguma forma.

— Você não poderia ter feito nada. Estava além de você. E foi tão de repente…

— Não, não foi! Ele estava doente! Precisava de mim e eu não pude protegê-lo. Desde criança tenho esse desejo, e tudo foi tirado de mim. Eu queria protegê-lo, queria poder estar lá para ajudá-lo. Era meu maior desejo. E é por isso tomei minha decisão.

— Que decisão? — Suga franziu o cenho, confuso. Jimin o olhou.

— Eu vou para a África do Sul e serei ambientalista. — Suga largou as mãos do namorado. Estava assustado, incrédulo. Sabia quando seu namorado estava mentindo, e nunca vira tanta convicção em uma frase dita por ele desde o incidente. — Está decidido. Abandonarei minha vida aqui e partirei depois de amanhã.

— Depois de amanhã? Ambientalista?… África do Sul? — Suga repetia tentando processar a informação que recebera. Não conseguia e não queria acreditar no que acabara de ouvir. Era loucura! — Está falando sério?

— Estou. Eu irei me tornar ambientalista, e não vou voltar atrás, hyung.

— Por quê? Quando decidiu isso?

— Decidi no mesmo dia que soube que ele havia sido morto. Eu não posso e não quero ficar mais aqui, preciso ir para a África… — Suga evitava olhar em seus olhos e Jimin estava sofrendo ainda mais por isso, mas não esperava que fosse diferente. — Você entende isso?

— Não! — gritou. — É claro que não entendo! Como pode decidir algo assim? E sua vida aqui, Jimin? E nossos planos? E seu sonho de ser biólogo? Nada disso importa mais?

— Importam, mas eu não posso esperar mais…

— Esperar? Esperar o quê?

— Desde criança eu sonho em proteger os animais, eu os amo, e por eles quis ser biólogo. Mas agora eu vejo que ser biólogo não vai impedir que mais caçadores cometam injustiças, apenas por diversão e dinheiro! Eu quero me tornar ambientalista para protegê-los, quero lutar por suas vidas. Eles precisam de mim.

— Eu também preciso de você.

— Hyung, não dificulte as coisas, por favor. Eu quero muito que você me perdoe por isso. Quero ir para a África sabendo que ainda poderemos nos encontrar, e que ficará tudo bem quando esse momento chegar. Nós combinamos de ir para lá, lembra?

— Nós combinamos, mas depois que seu mestrado estivesse completo e juntos. Você ainda está na faculdade, Jimin. Não pode abandonar tudo assim. Eu sei que isso é doloroso para você, sei que está triste, perdido, e com raiva também. Mas não tome decisões precipitadas, você pode se arrepender.

— Eu não vou me arrepender.

— Tem certeza? Você vai deixar muitas coisas para trás, não só seu sonho de ser biólogo. Vai me abandonar também!

— Eu não quero te deixar. Não pense que não o amo. Mas eu não posso deixar que nada me impeça de ir embora. Hyung, olha nos meus olhos, por favor — Jimin pediu já com a voz falha. Suga enfim o olhou e Jimin gostaria de jamais ter visto aquele olhar; era uma tempestade de tristeza, dor, raiva, decepção. — Eu estou ferido, hyung, tem sido difícil para eu olhar em seus olhos nesses últimos dias sabendo o que faria com você, eu não quero te magoar…

— Por que não me contou nada? Por que, Jimin?

— Eu não podia, eu sabia que você…

— Eu o quê? — o cortou. — Iria tentar te impedir? É isso o que achou? — O menor confirmou com a cabeça. — Está certo.

— Eu também queria aproveitar meus últimos dias aqui com você, Suga. Eu sabia que você iria tentar me impedir a todo custo, e que eu poderia acabar desistindo de ir… por você. — O agora loiro encarou os orbes escuros do outro. — Eu não podia deixar que nada entrasse no meu caminho. Me perdoe por não contar antes.

— Como fez tudo isso por minhas costas sem que eu pudesse notar? Teve ajuda de alguém?

— Sim… O Jin hyung vai comigo, alguns amigos também. Eles cuidaram de tudo por mim. 

— Então até o hyung sabia e não me contou nada?

— Eu pedi para não contar, o fiz prometer. Não fique com raiva dele.

— Parece que todos resolveram me trair. Eu mereço por ser tão idiota. — Suga levantou-se da cadeira e caminhou para a sala de estar, estava irritado, muito irritado. Jimin o seguiu.

— Suga…

— Você diz que não quer me magoar, mas está fazendo isso comigo agora. Combinou tudo por minhas costas, não me disse nada. Meu namorado, quem tanto amo e quero proteger, decidiu ir sozinho para a África do Sul, e abandonar tudo o que formou aqui. Eu, simplesmente, não posso aceitar isso.

— Então venha comigo! — Jimin pediu em meio ao desespero. Ele nunca faria isso, mesmo que quisesse ter Suga para sempre ao seu lado, pois sabia que era um pedido egoísta.

— Não posso, Jimin. Eu tenho que concluir meu mestrado, tenho planos e trabalhos. Tenho uma vida aqui, na Coreia. Eu não posso abandonar tudo por um pedido seu.

— Então sabe como eu me sinto. — Suga o olhou incrédulo. — Não posso abandonar meus planos por um pedido seu.

— Não fale como se eu fosse o vilão. Porque eu não sou. Estou tentando te impedir de fazer uma besteira! Ambientalistas correm perigo todos os dias. Mesmo sendo um trabalho digno, não há ganho. Mesmo os caçadores matam ambientalistas, apenas para continuar caçando. Você estará correndo perigo, Jimin. Eu não suportaria receber a notícia de que você foi morto…

— Todos vamos morrer um dia. — O menor forçou uma risada, mas estava com medo também. Nada do que o loiro disse era mentira. Ambientalistas correm riscos reais, e não são valorizados em seu trabalho, e ganham pouco. Mas Jimin não se importava, e não deixaria que esses problemas afetassem sua decisão. — E, para mim, não teria maneira mais digna de morrer.

— Ouça o que está dizendo! Não fale assim. — Suga aproximou-se de Jimin e segurou seu rosto com ambas as mãos, que pelo medo e nervosismo, estavam trêmulas e gélidas. — Fique aqui comigo, Jimin. Fique ao meu lado. Nós seremos ainda mais felizes, depois que seu mestrado acabar vamos para a África, e estaremos livres de tudo isso. — O loiro desesperado selou os lábios do namorado, que desmanchou-se em lágrimas durante o selinho. — Fique comigo, meu amor. Eu cuidarei de você, nas férias podemos ir para Botswana, como me pediu — sussurrou contra os lábios do outro.

— Suga, por favor…

— Só me escute, gatinho — Jimin olhou nos olhos de seu namorado, sem poder conter as lágrimas que escorriam. — Eu não quero te perder. Ter te conhecido naquele dia, foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Eu era vazio sem você, Jimin. Nunca havia me apaixonado antes, e quando te vi pela primeira vez, mesmo que estando muito vergonhoso fantasiado como uma criança — Ambos riram — eu não pude evitar me apaixonar, foi amor à primeira vista. E você é mais do que precioso para mim. Você me fez ser grato à vida, com você passei a acreditar no amor, e contigo quero ficar até o fim. Mas, para isso, você tem que desistir dessa ideia maluca.

— Eu te amo tanto, Suga. Você é o melhor namorado do mundo todo, sempre cuidou de mim, me ajudou quando estava passando por situações difíceis, me fez sorrir quando estava triste, e até quando nós brigávamos, você não me deixava. Sempre deu o primeiro passo, e nunca me abandonou, mesmo quando eu merecia. Eu sou tão grato por ter sido seu namorado e ter sido tão amado. — Jimin parou um pouco, os soluços o impediam de falar normalmente e ele não queria continuar com aquilo, estava doendo mais do que imaginou que doeria e sabia que em Yoongi tinha o mesmo peso. Segurou os mãos do loiro e trouxe para próximo de seu peito. — Obrigado por tudo o que fez por mim. Mas eu não posso desistir. E peço perdão por ter que te deixar… 

— Vai dar fim a tudo o que construímos juntos? — Suga afastou-se, mantendo-se firme.

— Sim. É preciso. Mas eu espero que você possa me perdoar por isso. Talvez um dia nos encontremos…

— Não, Jimin. Eu não posso fazer isso. Você tomou sua decisão. Aceite as consequências dela — Suga disse por fim. Caminhou rapidamente em direção à porta, pegou seu casaco no cabide detrás da porta. Quando ia vesti-lo, Jimin o abraçou por trás. Aquele abraçou feriu a ambos.

— Não vai embora, Suga. Está chovendo muito, fica aqui, por favor. 

— Eu preciso sair desse lugar, não sei o que farei se continuar aqui dentro. — Jimin assentiu e o soltou.

— Leve um guarda-chuva, para se proteger da chuva — Jimin pediu.

Suga terminou de vestir o casaco e pegou um guarda-chuva preto — apenas para não preocupar tanto o menor, ele sabia que iria deixá-lo ainda pior se não levasse guarda-chuva e agisse imprudentemente — que estava em um cesto ao lado da porta.

Suga olhou para Jimin antes de ir embora, pôde ver seu amor chorando e engoliu em seco. Suga odiava, mais do que qualquer outro, ver Jimin chorar. Sempre fazia de tudo para impedir algo ruim lhe acontecesse. Mas ele não poderia evitar nada naquele momento. Também chorava, e estava tão machucado como nunca.

Jimin correu até a janela da sala, que estava molhada pelas gotas grossas da chuva que não parava. Jimin fitou as ruas, esperando Suga passar por elas. E enquanto olhava as gotas brotando na janela, sentiu as lágrimas descerem pelo seu coração. Suga caminhou rapidamente, lutando contra aquele frio incômodo e vento forte. Mesmo o guarda-chuva não lhe protegia. Suga caminhou sem rumo, ele só queria ficar o mais longe possível do apartamento que dividia com seu namorado — ele já não sabia se podia chamá-lo dessa forma. Depois de longos minutos a chuva parou. Na poça à sua frente, apareceu um reflexo. Yoongi se viu nele, parecia mais miserável naquele dia do que em qualquer outro. Pensou assim também.

Estava tudo acabado, então? Ambos perguntavam a mesma coisa a si mesmos.

 

[…]

 

Suga não havia dormido em casa, passou a noite na casa de seu colega de trabalho. Não conseguiu dormir à noite, mesmo que se obrigasse e se recusasse a ficar uma noite sem dormir. Seu colega teve de aguentá-lo a noite toda, o que não fora incômodo; beberam um pouco, conversaram bastante sobre várias coisas, e ainda recebeu conselhos. E seguiria um deles.

Jimin, pelo contrário, conseguiu dormir, mesmo que não quisesse. Ele tentou ficar acordado, esperando pela volta de Yoongi. Ficou deitado no sofá olhando para as gotas molhando a janela por horas. Mas acabou pegando no sono depois de tanto chorar.

De manhã, bem cedo, Suga resolveu voltar para o apartamento.

Entrou devagar, imaginando que Jimin estivesse dormindo. Deixou o casaco no lugar onde o pegou e o guarda-chuva no cesto. Tirou os sapatos ainda molhados pela noite anterior e os deixou no canto. Quando entrou na sala, viu o corpo pequeno de Jimin encolhido e descoberto sobre o sofá. Aproximou-se do menor.

— Tão descuidado — comentou baixinho, vendo que Jimin não importou-se em ir para a cama ou se cobrir.

Suga o pegou nos braços, e o levou para o quarto do casal. Carregá-lo daquela forma trazia lembranças ao loiro; lembranças que ele nunca esqueceria. Deitou o corpo adormecido sobre a cama e o cobriu. Era perceptível os olhinhos inchados e vermelhinhos, afinal ele chorou até adormecer.

Suga aproveitou que Jimin ainda dormia para tomar banho. E mesmo depois disso, Jimin não havia acordado. E imaginando que ele acordaria com fome, foi preparar algo para o pequeno comer. E enquanto preparava as panquecas, Jimin apareceu na cozinha. O cheiro delicioso da fritura o despertou e imaginando ser Suga quem cozinhava, saltou da cama para confirmar. Ele estava feliz por vê-lo ali, e bem. E ficou mais feliz ainda quando percebeu que Suga havia lhe carregado para o quarto.

— Bom dia, Suga…

O loiro que acabara de virar a panqueca no ar virou-se ao ouvir a voz doce e sonolenta do outro.

— Bom dia — respondeu com um sorriso fraco. — Vá escovar os dentes, já sirvo o café.

Jimin assentiu. Mas antes de sair e foi até seu namorado e o abraçou por trás. Assustando o mais velho.

— Obrigado por ter voltado bem — disse e se retirou da cozinha rapidamente.

Enquanto Jimin escovava os dentes sorriu bobo, acabando por melar seu moletom com a espuma da pasta de dentes. Ele estava feliz por seu hyung ter voltado bem, e mais importante, ter voltado para si. Quando Min Yoongi fica muito irritado, ele acaba por fazer bobagens. E Jimin temeu que ele bebesse; Yoongi fica louco quando mistura bebida com raiva, e, às vezes, até se mete em brigas em bares. Jimin odiava quando Suga voltava para o apartamento bêbado e muito ferido. Mas adorava cuidar dele como se fosse seu hyung.

Quando terminou correu para a cozinha. O café da manhã já estava enfeitando a mesa. Sentou-se em seu lugarzinho e esperou que seu hyung fizesse o mesmo. Era uma regrinha básica entre eles. O mais novo só comia se o mais velho comesse, assim ambos comeriam juntos. Era bobo, mas significativo. Suga então sentou-se e pegou uma torrada. Jimin sorriu com melancolia e começou a comer.

— Onde você dormiu, hyung? — perguntou Jimin.

— Na casa de um colega.

— Entendo. As panquecas estão deliciosas, como sempre! — Suga agradeceu e Jimin sentiu-se um pouco triste. — Pensei que não voltaria.

— Por isso chorou a noite toda?

— Fiquei com medo de algo ruim te acontecer… e que não voltasse para mim.

— Você vai embora de qualquer maneira. Faz diferença?

— Faz! — exaltou-se. — Você ter voltado para casa significa que está bem! E que… podemos ficar bem outra vez.

— Acha que podemos ficar bem outra vez? Mesmo depois de tudo? — Jimin ponderou.

— Eu quero que fiquemos bem. Não me peça para desistir, porque eu não vou. Só quero passar esse tempo pequeno com você. Te amar e ser amado. E quando nos encontrarmos, quero saber que posso agir normalmente.

— Eu não vou te pedir para desistir. Mas também não posso ir com você. Definitivamente… nosso “Para Sempre” chegou ao fim. — Aquelas palavras machucaram Jimin mais do que o loiro poderia imaginar. Uma lágrima escorreu pela bochecha já não tão saliente quanto no passado.

— Então é aqui que nos separamos? 

— Ainda não. — Jimin ergueu a cabeça e o encarou confuso. — Eu voltei porque quero o mesmo que você, Jimin. Quero passar nossos últimos momentos com você, juntos. Eu não sei se nos encontraremos de novo, não sei o que pode acontecer…, mas eu quero ter certeza de que estaremos bem quando esse dia chegar.

— Então…

— Vinte e quatro horas, é só o que eu te peço.

— Se eu pudesse, te daria mais. — Ambos sorriram. O clima pareceu mudar naquele instante.

Suga levantou-se e estendeu sua mão para o menor, que pôs a sua por cima da dele. Jimin levantou-se também.

— Eu quero te amar e ser amado por você hoje. Durante essas vinte e quatro horas, eu só quero ficar com você. — sussurrou o mais velho.

— Eu quero o mesmo, Suga.

Jimin selou seus lábios nos do maior. Ambos foram para o quarto do casal. Suga tirou as peças de roupa do menor com lentidão e delicadeza. Talvez aquela fosse sua última chance de fazer amor com Jimin, então aproveitaria cada segundo dela, sendo literalmente, a última.

Naquele dia, o último dia para ambos; eles se amaram como se não houvesse amanhã. Se amaram como se suas felicidades dependessem disso, e dependiam. Cada gesto era feito com o extremo de paixão e carinho. Cada tocar de lábios, cada respiração ofegante, cada roçar de corpos, e as palavras românticas proferidas durante o ato por ambos, eram mais do que especiais. Aquelas 24 horas pareceram durar para sempre. Mas, não só o casal, como nós descobrimos que o para sempre tem fim.

 

[…]

 

Já passava do meio dia. Jimin tinha que partir. Jin fora buscá-lo em seu apartamento. Seus amigos, que também os acompanhariam para a África, estavam dentro da van.

— Espero nos encontrarmos outra vez, Yoongi. — Jin disse ao outro, que tentava esconder as lágrimas. Jimin ainda não havia ido, mas ele já sentia saudades. — Você é um ótimo amigo, obrigado por tudo.

— Meu Deus, até parece que vão morrer assim que forem embora. — Jin e Jimin riram do comportamento insensível do loiro. Mas Yoongi era assim, exatamente assim. — Um dia nos encontraremos. Jimin, esteja solteiro quando este dia chegar.

— Eu vou. — Jimin riu. Jin percebeu o olhar sugestivo que o menor mandava para ele e se retirou, entrando na van.

— Obrigado pelas vinte e quatro horas que tivemos, foram inesquecíveis. — Suga sorriu sugestivamente, fazendo Jimin corar.

— Foi a melhor… noite que tivemos — disse baixinho, fazendo Suga gargalhar. — Eu te amo, Suga. E estarei te esperando na África, solteiro.

— Um dia nos encontraremos, Gatinho. E quando esse dia chegar, seremos como antes. Promete? — O loiro estendeu o mindinho e Jimin enlaçou o seu pequenino no do maior.

— Eu prometo, Suga. 

— Promessa de dedinho jamais pode ser quebrada.

Jimin pulou nos braços do outro, quase o derrubando pelo impulso. Já chorava outra vez, e Suga também não pode segurar as lágrimas. Infelizmente não os acompanhariam até o aeroporto, pois tinha trabalho, e preferia assim. Mais algum tempo e ele sequestraria Jimin, apenas para não deixá-lo ir.

— Eu te amo, ChimChim.

— Eu também te amo, Suga. — Beijaram-se demoradamente. Era seu último beijo.

Não importa o que aconteça, nunca esqueça o você de agora. Nós estamos fazendo apenas uma pausa, nos encontraremos novamente. — Jimin sorriu e assentiu. O mais velho deixou-lhe um beijinho casto na testa.

— Tchau, hyung. Eu te amo! — Jimin gritou enquanto se afastava, indo até a van.

— Eu também te amo!

Antes de entrar na van, Jimin olhou uma última vez para Yoongi e viu na face do agora ex namorado a tristeza e solidão, sendo acompanhadas de lágrimas insistentes. Segurou-se para não chorar, sabia que pioraria as coisas. Vê-lo daquela forma acabou consigo. Depois de tudo, ele se separariam, afinal.

Talvez fosse o destino.

 

FLASHBACK OFF

 

— Oi, ChimChim — Suga disse com a voz falha. Ouvi-lo pronunciar, depois de tanto tempo, o apelido que ele criou para mim, me enche de felicidade.

— Espera! — alguém gritou, me despertando do meu transe. Engoli em seco, um pouco envergonhado por estar olhando-o como um bobo apaixonado. — Hyung, você conhece o Jimin hyung? — TaeTae perguntava.

— Sim, conheço — Suga respondeu, parecia ponderar.

— Há quanto tempo, Suga — Jin hyung o cumprimentou. Suga apenas sorriu, sem desviar seu olhar do meu.

— Como se conhecem? Quando se conheceram? — Taehyung perguntou outra vez.

Suga? Por que o chamou assim? — JungKook perguntou.

— Eu lhe dei esse apelido quando éramos namorados — eu respondi. Os biólogos presentes ficaram atônitos no mesmo instante, mais do que já estavam.

Oh, my God! Suga já amou alguém? Isso é novo — Seo exclamou sorrindo.

— Eu não sou uma pedra, se não percebeu — Suga respondeu com irritação e não pude conter o riso.

— Eram mesmo namorados? Sério? Por que nunca me contou, hyung? Explique-se! — Taehyung balançava Suga pelos ombros freneticamente. Por um instante desviei meu olhar para o Jeon e ele me encarava irritado, me deixando um pouco confuso.

— Tae, me solta — Taehyung afastou-se. — Jimin, podemos conversar? A sós? — Suga perguntou-me. Segurou meu pulso com carinho, fazendo-me ficar um pouco nervoso pelo toque repentino.

— Claro… vamos para a minha instalação. — Ele assentiu, mas, antes de irmos, JungKook nos interrompeu.

— Comovente, mas será que poderia continuar com o que estava contando? — disse o biólogo em tom carregado de ironia.

— Desculpem-me… Eu converso com vocês depois.

— Não, termine o que começou — insistiu, quase batendo o pé.

— JungKook, deixe eles irem — A Seo tocou no ombro do biólogo, que suspirou e se retirou do lugar.

Levei Suga para a instalação que divido com o Jin hyung, como estava vazia, poderíamos conversar à vontade. Assim que entrei na instalação, Suga agarrou-me, apertando-me como se quisesse proteger-me de algum animal selvagem; ou como se quisesse impedir que eu fosse embora outra vez. Meu coração saltou de alegria em poder abraçá-lo mais uma vez, depois de tanto tempo.

Depois de algum tempo nos abraçando, Suga afastou-se e pude perceber seus olhos molhados pelas lágrimas que queriam descer. Eu não estava diferente.

— Você não faz ideia do quanto senti sua falta — ele disse.

— Também senti sua falta. — Segurei seu rosto entre minhas mãos e sorri para ele. — Você não mudou nada, Suga… — comentei por diversão.

— Você, pelo contrário, não para de ficar cada vez mais bonito. Nem parece meu ChimChim bochechudo de antes.

— Eu ainda sou seu ChimChim. Um pouco mais… adulto, mas ainda sou o mesmo. — Sorri fraco. — Eu mudei um pouco, sim, viver aqui mexeu muito comigo, me tornei mais forte. Foi preciso.

— Depois que você foi embora, tive que me tornar mais forte. Foi uma grande dor. Prometemos ficar juntos para sempre, afinal.

— O sempre tem fim — disse com pesar.

— Eu sei, entendi isso da pior forma possível.

— Me perdoe, hyung — pedi com lágrimas nos olhos.

— Eu já te perdoei há muito tempo. Não se preocupe. — Suga aproximou-se de mim e acariciou meu rosto, me causando arrepios. Há tanto tempo não sinto um toque seu! E senti-lo me tocar depois de tanto tempo me faz sentir estranho. Então apenas me afasto, o surpreendendo.

— Eu não sabia que estava aqui. — Suga mudou de assunto rapidamente. — Faz dois anos que estou aqui e nunca te vi ou ouvi falar de você, pensei que você estava em outro lugar da África.

— Eu também não sabia que estava aqui. E… o que faz aqui?

— Eu sou biólogo, esqueceu? — Ri negando com a cabeça. Ambos ficamos nos encarando por longos segundos, parecia que estávamos tentando ler nos olhos um do outro.

— Eu estou feliz que esteja bem. E vivo — disse Suga. — Finalmente nos encontramos. Eu já havia perdido as esperanças de nos encontrarmos novamente. Faz tanto tempo. — Percebi que ele ficou um pouco incomodado com o que disse, mas preferi ignorar.

— Eu também. E agora que estamos aqui… eu não sei o que fazer, como agir — Ri de mim mesmo.

Tudo era muito confuso. Eu queria fazer, dizer tantas coisas a ele. Porém, algo parecia me incomodar e eu não fazia ideia do que era. Esse incômodo me mantinha quieto e perdido. Meus sentimentos estavam uma bagunça.

— Tem certeza? — questionou. — Não tem nada que queira fazer?

Eu entendi exatamente o que ele quis dizer com aquilo, e fiquei até um pouco surpreso com sua ousadia. Suga não costumava se comportar dessa forma tão ousada; era mais tímido. Mesmo que às vezes ele conseguisse ser bem ousado e o surpreender.

— Está solteiro? — Sorri ao lembrar da promessa que fizemos antes de eu partir.

— Sim. Eu disse que iria estar quando você voltasse. — Yoongi riu.

— Então…

— Não precisamos fazer isso agora — o interrompi.

— Por quê não?

— Faz muito tempo. E… tudo isso é tão repentino. Não sei nem o que pensar. — Caminhei até a mesa e me encostei. Suga me acompanhou e parou em minha frente.

— Então não me ama mais?

Por algum motivo que não entendo, eu não sabia o que responder. Eu ainda o amo? Essa pergunta ficou se repetindo em minha mente, me deixando cada vez mais confuso. Olhei em seus olhos e senti um pouco de culpa, ele estava ansioso. E, com certeza, esperava um “sim” de minha parte. No entanto, era essa a resposta verdadeira?

Eu sinto algo por ele, eu sei… Mas o que exatamente é esse sentimento?

Já faz anos, e quase não me relacionei com outro homem depois que fui embora da Coreia. Dediquei todo o meu amor e atenção ao meu trabalho. Não sei se restou um pouco do que eu sentia por ele no passado.

— Faz muito tempo, Suga. Eu estou confuso, e sei que também está. Posso ver isso em seus olhos. — Outra vez o sentimento de culpa me incomoda. Eu sinto sua falta, é óbvio, estou muito feliz em reencontrá-lo, mas também estou confuso… E com certeza estar confuso é normal, afinal faz três anos desde que nos vimos pela última vez. — Temos tanto para falar um ao outro, tanto para esclarecer.

— Podemos fazer isso agora, Jimin. Por que recua? Se não sente mais nada por mim, fale agora. Já esperamos tanto um pelo outro.

— Eu estou sentindo muitas coisas agora. Eu quero fazer muitas coisas agora. Eu só não sei o que, exatamente. E não sei se é certo pularmos logo para relações íntimas.

— Nós nos amamos, não é? Qual o problema nisso? — Não soube o que dizer. — Você se apaixonou por outra pessoa?

— Não! Não é nada disso! — respondi rapidamente. Suga pareceu relaxar e acariciou meu rosto, o polegar passando lentamente por meu lábio inferior, ao que tinha os movimentos acompanhados pelos orbes que eu encarava e sentia tanta falta de admirar.

— Você quer isso. Não tem porquê ficar se segurando.

— Você sabe que agir por impulso pode nos causar problema. Eu acho… acho que muita coisa mudou. — Suspirei e me afastei do mais velho. — Acabamos de nos encontrar, temos muito tempo pela frente.

— Tudo bem.

O silêncio se instaurou entre nós por um tempo, até que Suga o quebrou:

— Ei, Gatinho. — Sorri com o apelido dado a mim desde o primeiro dia que nos encontramos. Ah, como senti falta de ser chamado assim! — Eu sou seu colega de base agora, teremos tempo suficiente para esclarecer as coisas. Então não irei insistir.

Me senti um pouco aliviado por ele ter me entendido.

— Obrigado, hyung. — Suga aproximou-se e abraçou-me com força. Retribui de imediato.

Talvez eu tenha medo de ainda amá-lo, ou de não sentir mais nada por ele e machucar seus sentimentos. Ele não merece. Isso não pode se repetir.

 Eu prometi esquecer o amor; ele não é bem-vindo. Prometi não me relacionar profundamente com alguém, mas eu não contava com Min Yoongi aparecendo na minha vida outra vez. Com ele aqui, tudo pode acontecer. Queria que tudo fosse mais fácil, mas, infelizmente, não é e nunca foi assim.

Mesmo me sentindo mal em fazer isso com ele, creio que é o melhor a se fazer, por enquanto. Precisamos ter calma e paciência com nós mesmos. Faz bastante tempo, precisamos entender o que sentimos um pelo outro, para que não haja enganos e mais lágrimas.

Mas por que eu sinto que um de nós irá se decepcionar no final dessa descoberta?

 


Notas Finais


@Agust_Di: Gente, eu lembro que me emocionei muito escrevendo esse capítulo ;_; e a Stéfany num gostou nem um pouco porque ela não gosta de YoonMin KAKAKAKA a pobi
Mas eu goxxtei. Espero que tenham gostado tbm, pq eu fiquei mto insegura com o capítulo todo ;-;-; ♥
@Ggukiechu: Próxima semana tem capítulo do JK e vocês vão conhecer um pouco mais sobre ele e sobre personagens novos.
Obrigada por lerem e nos acompanharem. 💜


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