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História Insurgente - Capítulo 9


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Notas do Autor


VOLTEIOOOO UHUUU não vou falar muito aqui, só gostaria de agradecer à @BubbleDeer que me ajudou muito nesse capítulo e também serviu de inspiração para esse e os próximos. Te amo, meu anjo <3

Boa leitura e nos vemos nas notas finais!

Capítulo 9 - IX - Surrender


Tao havia acabado de sair daquele local depois da conversa que haviam tido. Luhan nunca havia se sentido tão mal em toda a sua vida. Seu corpo encontrava-se trêmulo pela falta de energia e comida, seus lábios secos e sua garganta queimava, clamando por água. Aquilo era torturante demais, pior do que a própria morte. Luhan indagava-se mentalmente se seu pai seria tão cruel a ponto de deixá-lo definhar naquele lugar sem alimento e nem água. 

 

Agora sozinho, Luhan tentou de alguma forma livrar-se daquelas amarras em seus pulsos, não obtendo sucesso. Para piorar a situação, o chinês deu-se conta de que seus tornozelos estavam também amarrados, o que tornaria uma fuga hipotética praticamente impossível. 

Naquela situação tão angustiante e desesperadora, Luhan fechou os olhos por breves segundos enquanto recordava-se daquele responsável pelas batidas desenfreadas de seu coração, a mesma pessoa que detinha total e completa posse de seus pensamentos. O que estaria Sehun fazendo àquela hora da madrugada? Dormindo provavelmente ou talvez andando pelos jardins do palácio durante a guarda noturna? O sentimento predominante no peito de Luhan era de que nunca mais o veria novamente e aquilo o angustiava de tantas formas que era difícil explicar com palavras.

 

Diante de tudo aquilo, Luhan questionava-se se havia alguma possibilidade de um final feliz para si e para Sehun. Sua mente insistia em voltar no tempo, imaginando que se talvez houvesse sido mais cuidadoso as coisas poderiam ter tomado um rumo diferente. O chinês nunca foi o tipo de pessoa a se arrepender pelo o que faz, mas naquele exato momento, tudo o que queria era uma oportunidade de consertar as coisas, de se salvar e salvar Sehun de toda aquela bagunça. 

 

Mergulhado naquele turbilhão de pensamentos, Luhan só abriu novamente seus olhos ao ouvir passos se aproximando de onde estava. Imaginou que seria provavelmente Tao, vindo para vigiá-lo novamente, mas seu semblante tomou uma feição surpresa e confusa ao ouvir uma voz familiar ressoando por detrás da grande porta de ferro que o mantinha preso naquele local. 

 

“Luhan? Príncipe Han?” 

 

Luhan não respondeu. Acabou engolindo em seco enquanto ouvia um tilintar de chaves do outro lado da porta enferrujada, seguida de um homem alto e fardado adentrando aquele calabouço sob seu olhar surpreso.

 

“Sr. Oh?” Foi tudo o que conseguiu proferir naquele momento. O choque que havia levado ao sequer imaginar que o pai de Sehun também estava envolvido naquele plano era grande demais. “O q-que o senhor está f-fazendo aqui? N-não me diga que...” 

 

“Veja o que fizeram com você...” Contrariando as suspeitas de Luhan, a voz do mais velho ressoou de forma preocupada enquanto se aproximava. “Céus, eu jamais pensei que o rei seria capaz de algo tão cruel!”

 

Luhan não sabia ao certo o que pensar, mas uma grande onda de alívio tomava conta de seu ser ao se dar conta de que Seunghoo na verdade, não estava envolto em todo aquele plano maquiavélico, entretanto, ao passo que sentia-se aliviado, um certo desespero e medo se apossavam de si ao imaginar que o pai de Sehun estaria arriscando a própria vida para tirá-lo daquela armadilha. 

 

“Sr. Oh, não deveria estar aqui, se eles o virem pode ser que lhe acusem de traição junto a mim.” Tentou explicar com a voz falha e fraca, reflexo do quão debilitado estava. “Por favor, apenas vá embora, não quero causar problemas a mais ninguém.” 

 

Seus pedidos entretanto, foram ignorados pelo mais velho que sem hesitação alguma sacou um pequeno canivete de seu bolso traseiro e cortou as cordas que amarravam tanto os tornozelos, quanto os pulsos do chinês. Um pequeno suspiro de alívio escapou dos lábios ressecados do mais novo, que sem demora acariciou a região que antes era castigada com um aperto forte e doloroso. 

 

“Consegue andar?” Indagou Seunghoo. 

 

Luhan apenas assentiu fracamente com a cabeça, mas no instante em que tentou se colocar de pé, suas pernas falharam e sua visão ficou turva. Aquele ambiente já escuro, pareceu adentrar em uma completa e infinita escuridão, ao passo que o chinês perdia totalmente a sua consciência. 

 

[...] 

 

Vendo o corpo desfalecido de Luhan deitado sob a superfície macia da cama de seu quarto, Seunghoo mantinha-se pensativo e preocupado. Por sorte, havia conseguido chegar até ali sem que ninguém o tivesse visto carregando o chinês inconsciente em seus braços. Mas mesmo assim, não poderiam ficar ali por muito tempo, tudo estava realmente muito perigoso e se o sr Oh não fosse cuidadoso, poderia acabar piorando a situação. 

 

Embora não fosse próximo de Luhan e nem aprovasse muito a ideia do relacionamento que seu filho mantinha com o dito cujo, Seunghoo jamais permitiria que tamanha atrocidade viesse a ser cometida para com um jovem de uma forma tão injusta. Era desumano e cruel demais e caso compactuasse com esse tipo de atitude, Seunghoo estaria deixando de lado todos os seus valores éticos e morais. Aquele era um lado que sua falecida esposa sempre admirou demais em si, tão justo e correto que muitas das vezes se colocava em risco para ajudar os outros, o que muito provavelmente era o caso. 

 

Seunghoo não sabia o que fazer, então ordenou para um dos soldados da guarda que chamasse Sehun para seu quarto o mais depressa possível e que trouxesse alimento e água junto. Poucos minutos depois, um Sehun cansado e com olheiras abaixo dos olhos adentrava o cômodo carregando uma cesta com comida e um jarro de água.

 

“Pai, o que está acontecendo? Um dos soldados me disse que...” Sehun não conseguiu pronunciar mais nenhuma palavra assim que seus olhos pousaram sob a figura de Luhan, que ainda encontrava-se em um profundo estado de inconsciência em cima da cama. O coreano pareceu levar alguns segundos até que entendesse o que estava realmente acontecendo e assim que o fez, deixou a cesta e a jarra em um canto no chão de qualquer jeito e aproximou-se rapidamente de seu melhor amigo com um coração apertado e medo estampado em seu semblante. 

 

“Eu o encontrei no calabouço do palácio, estava amarrado e o deixaram lá sem comida e nem água.” Seunghoo explicou enquanto pegava um pouco de água na jarra, molhando um tecido de algodão sutilmente. 

 

O mais novo sequer conseguiu indagar alguma coisa. Agachou-se no chão, de forma que ficasse mais próximo de Luhan e passou sua destra pelo rosto pálido e opaco. A respiração do chinês estava fraca, seu corpo febril e seus pulsos machucados e inchados. Era uma visão que apertava o coração do coreano da pior forma possível, aquilo era demais, o rei havia passado de todos os limites. 

 

“C-como você ficou sabendo onde ele estava?” Indagou finalmente, levantando-se enquanto Seunghoo colocava o pano molhado e dobrado na testa de Luhan. 

 

“Eu já desconfiava que o rei e Jingyu estavam tramando alguma coisa. Antes eu pensava ser apenas um plano contra o rei Xiaoming, mas hoje durante a madrugada, o rei me ordenou que mandasse dois dos meus soldados mais leais para guardarem o calabouço até amanhã de manhã.” Contou, ajeitando o pano na testa do mais novo antes de voltar sua atenção para Sehun. “Ele também deixou muito claro que ninguém deveria adentrar o calabouço, nem mesmo eu. Fiquei desconfiado, mas não disse nada, pretendia apenas acatar suas ordens, mas algo não parecia certo ao meu ver e juntando com o desaparecimento do príncipe, foi como se tudo tivesse se encaixado.”

 

Sehun estava em choque. Seu coração batia dolorosamente contra o seu peito ao passo que fechava as suas mãos em punho e apertava o seu maxilar. O Oh mais novo sentia um misto de tristeza, desespero e ódio. Estava com tanta raiva do rei e de Huang Jingyu que poderia matá-los naquele mesmo instante por cometerem tamanha atrocidade contra Luhan.

 

“Antes de adentrar o calabouço, vi o filho de Jingyu saindo de lá. Ele também está envolvido em toda essa sujeira muito provavelmente.” Suspirou pesarosamente, negando com a cabeça como se reprovasse aquela atitude horrível.

 

“Tao? Tao está envolvido nisso?” Indagou Sehun, lembrando-se da conversa que tivera com o rapaz aquela noite mais cedo. “Eu vou matá-lo! Vou matar todos eles, e-eu...”

 

“Sehun! Acalme-se!” A voz autoritária de Seunghoo soou no quarto, fazendo com que o mais novo parasse de falar. “Essa situação é perigosa demais, meu filho. Não podemos nos descuidar e simplesmente resolver matar o rei, isso só nos colocaria na mesma situação a qual Luhan se encontra.” Disse com o tom de voz mais brando.

 

Ao ouvir a menção do nome do príncipe, Sehun voltou seu olhar para o mesmo, sentindo que seu pai estava realmente certo. Embora a fúria tivesse tomado o seu corpo e quisesse mais do que tudo se vingar daqueles que machucaram seu melhor amigo de forma tão brutal, não poderia deixar-se levar pelos seus sentimentos. Teria que pensar com calma e prudência antes de fazer qualquer coisa.

 

Por coincidência, no mesmo instante os olhos do chinês se abriram quase que de forma imperceptível, fazendo com que o coração de Sehun acelerasse. Rapidamente o coreano pegou a cesta com água e alimento, aproximando-se de seu melhor amigo.

 

“Lu? Beba um pouco de água, vai te ajudar a se recuperar.” Disse com o tom de voz doce, enchendo uma cumbuca com água e erguendo delicadamente o pescoço de Luhan para que não se engasgasse ao beber o líquido. Levou o recipiente até os lábios ressecados do mais novo e o auxiliou até que bebesse toda a água.

 

Naquele momento foi que Sehun se deu conta do quão intenso era o seu sentimento por Luhan. Se pudesse, trocaria de lugar com o chinês naquele mesmo instante, sentiria todas as suas dores, choraria as suas lágrimas e enfrentaria os seus temores, tudo para vê-lo bem. Podia sentir um bolo se formando em sua garganta, o sentimento de culpa lhe consumia. Não havia sido capaz de protegê-lo, de zelar por sua segurança. Sehun se sentia completamente impotente.

 

“Cuide de Luhan, Sehun. Eu preciso sair e deixar dois guardas vigiando o calabouço para que não haja suspeitas.” Ordenou Seunghoo enquanto rumava em direção à saída de seu quarto. “Não faça nada sem que eu saiba e haja com prudência e discernimento.” Ditou antes de finalmente deixar os dois sozinhos naquele cômodo.

 

[...]

 

Com a ajuda de Sehun, Luhan havia se alimentado e bebido quase a jarra inteira de água. Yang também apareceu para ajudar a cuidar do chinês a pedido de Seunghoo e após ter matado sua fome e sede, o ex-príncipe mais uma vez se entregou ao cansaço, dormindo profundamente diante do olhar atento de Sehun, que zelava por seu sono.

No entanto, seu tempo de descanso não foi muito grande. Alguns minutos após ter adormecido, a respiração de Luhan tornou-se ofegante enquanto suas pálpebras pareciam inquietas. Antes que Sehun pudesse sequer tomar alguma providência, os olhos amendoados do chinês se abriram e em um salto, Luhan sentou-se à cama, sentindo o seu coração tão acelerado que levou sua mão até o peito, como se tentasse acalmar a si mesmo daquela forma.

 

“Luhan?” A voz de Sehun ressoou calma e preocupada enquanto o coreano sentava-se à beira da cama onde o chinês estava também sentado. Os olhos arregalados e o semblante confuso demonstravam o quão abalado o mais novo estava.

 

“S-sehun? O que…?” Sua mente parecia nublada enquanto Luhan tentava recordar-se do que havia acontecido e como havia parado ali. Seu cenho se contorcia em uma expressão de confusão, como se tentasse assimilar tudo o que estava acontecendo. 

 

“Está tudo bem agora, você tem que descansar, Lu.” O tom de voz amável de Sehun fez com que Luhan o olhasse, piscando mecanicamente. Em seguida, o coreano levou sua destra até o rosto delicado do outro, acariciando a região gentilmente. “Eu não vou mais deixar que te façam mal.” 

 

“Sehun…” Luhan sussurrou, olhando o mais velho de forma que tentasse assimilar as coisas em sua cabeça, mas logo o desespero passou a tomar conta de si quando se deu conta de onde estava e da situação a qual se encontrava. “Sehun, você precisa sair desse lugar, você tem que sair daqui agora!”

 

O Oh recolheu sua mão do rosto delicado do chinês, olhando-o de forma um pouco confusa. Podia entender o desespero de Luhan considerando a situação em que se encontrava, mas sentia que havia algo a mais. As mãos do mais novo tremiam e sua respiração parecia ofegante enquanto se levantava, quase caindo durante o processo por ainda estar debilitado, fazendo com que Sehun rapidamente o acolhesse em seus braços. 

 

“Ninguém sabe que você está aqui, não deixaremos que…”

 

Sehun não teve a chance de completar sua frase, pois no instante seguinte um grande estrondo vindo do lado de fora do palácio foi ouvido, o que fez com que ambos os rapazes se sobressaltassem pelo barulho que cortava o silêncio daquela madrugada, algo extremamente incomum. 

Assustado e confuso pelo acontecido, Sehun rumou até a janela do quarto de seu pai onde pôde ver uma movimentação estranha entre os soldados da guarda noturna. Até mesmo parecia que…

 

“O palácio está sendo invadido.” Sehun sussurrou para si mesmo enquanto observava de longe uma fumaça negra vinda dos grandes portões do palácio. Aquele estrondo havia sido causado provavelmente pela derrubada da entrada principal. Seu semblante demonstrava um misto de preocupação e surpresa. Seu coração se acelerava pela adrenalina aos poucos. “Luhan, você precisa se esconder! Estão invadindo o palácio, eu tenho que encontrar meu pai e Yang, preciso…”

 

“Sehun,” Luhan o chamou e só então o mais velho percebeu que ao contrário de si, o chinês não parecia nada surpreso com a informação de que o palácio estava sendo invadido. “Obrigado por ter me dado a oportunidade de poder amar e conhecer o amor verdadeiramente. Obrigado por ficar ao meu lado até o fim.” 

 

O Oh escutava as palavras de Luhan sem reação. Seu melhor amigo parecia entoar aquelas palavras de forma melancólica demais, assimilando-se a uma despedida, como se nunca mais fossem se ver novamente.

 

“Luhan, por que está dizendo essas coisas?” Indagou Sehun, sentindo-se extremamente preocupado.

 

O chinês por sua vez, apenas sorriu. Era um sorriso doce porque Luhan estava feliz por estar com Sehun, mesmo que aquele momento não fosse exatamente o melhor de suas vidas. Aproximando-se do mais alto, o de cabelos claros nada disse e apenas tomou os lábios de seu melhor amigo para um beijo apaixonado. Suas mãos foram de encontro aos ombros largos de Sehun, este que retribuia aquele ósculo esquecendo-se por breves segundos de que encaravam uma possível guerra do lado de fora daquele palácio. 

 

Aquele momento onde os dois pareciam mergulhar em seu próprio mundinho entretanto, chegou ao fim quando batidas fortes foram ouvidas atrás da porta do quarto. Sehun se sobressaltou, mas Luhan não estava com medo. Ele havia aceitado seu destino. Contanto que seu amor e melhor amigo sobrevivesse, Luhan não se importaria. 

 

“Vai ficar tudo bem, nada vai acontecer com você, nem com Yang e seu pai.” Luhan disse com uma certeza que deixava Sehun confuso. Mas ao sentir o carinho gostoso que a mão macia do chinês fazia em sua face, o Oh decidiu não questioná-lo, até porque sequer teve tempo de fazê-lo. 

Em seguida, a porta do dormitório de Oh Seunghoo foi arrombada e só então os dois rapazes se separaram, alarmados com a entrada de três soldados reais que empunhavam espadas. Os três homens olhavam ameaçadoramente para Sehun e Luhan, mas não os atacaram, até porque ambos estavam sem qualquer tipo de arma para se defender.

 

“Peguem o príncipe! Isso é tudo culpa dele!” A voz de um quarto homem pôde ser ouvida e Sehun não se surpreendeu nada ao ver Huang Jingyu entrar em cena, com sua feição raivosa e superior. 

 

Os soldados avançaram em direção à Luhan e o Oh tentou impedir, mas fora impedido ao ter a lâmina da espada de um dos homens ameaçando-o covardemente. 

 

“Não se intrometa, se tentar qualquer estupidez, vocês dois morrerão.” Huang cuspiu as palavras ameaçadoramente.

 

O coreano pôde apenas observar enquanto seu melhor amigo era levado para longe de si sem qualquer relutância. Luhan não lutava contra aqueles homens, não resistia e nem mesmo parecia irritado ou transtornado com a situação. 

 

E aquilo assustou Sehun mais do que qualquer coisa, porque era como se Luhan houvesse se rendido.

 

[...]

 

A primeira coisa que o Oh fez assim que os soldados se afastaram com Luhan, foi sair daquele quarto e conseguir uma espada. Sua cabeça borbulhava em confusão, não sabia mais quem era seu inimigo, porque se os soldados de seu reino estavam contra Luhan, Sehun definitivamente não lutaria para defendê-los.

O coreano precisava encontrar Yang e seu pai para garantir que estavam bem, mas seu chinês era sua prioridade naquele momento. Luhan estava correndo sérios riscos e o Oh jamais se perdoaria caso o perdesse, então cautelosamente rumou para a mesma direção onde os soldados haviam levado seu melhor amigo anteriormente, ou seja, para a sala do trono. 

 

A adrenalina começava a tomar seu corpo por completo enquanto Sehun se aproximava. O coreano não se surpreendeu ao ver dois homens fazendo a guarda do local, mas ao ter uma espada em mãos não foi difícil os atacar de surpresa, utilizando de suas habilidades de luta para nocauteá-los. Os dois soldados ficaram inconscientes no chão e o rapaz só agradecia mentalmente pelo fato de que o batalhão inimigo ainda não havia invadido o interior do palácio, sendo que a luta entre os soldados acontecia do lado de fora. 

 

Respirando profundamente, Sehun apertou a espada em suas mãos. O tilintar das espadas parecia ficar cada vez mais próximo e o Oh não queria nem pensar no quão difícil seria ter que lutar contra soldados de seu reino e de um reino distinto simultaneamente. As chances de sobreviver eram nulas, mas ele não se importava. Havia crescido como um soldado, sabia da honra de morrer no campo de guerra e se fosse para que lhe tirassem a vida, que o fizessem enquanto Sehun estivesse lutando para proteger o que tinha de mais importante em sua vida: Luhan.

 

Com esse pensamento em mente, o coreano abriu as portas da sala real, entrando com tamanha rapidez que os soldados que faziam a guarda do interior da sala não foram capazes de contê-lo. Sehun lutou contra cerca de 7 guardas, empunhava a espada com coragem e fúria, lutava a cada segundo pensando em Luhan, recordando-se do sorriso doce que o mais novo havia lhe direcionado instantes antes. Sehun faria de tudo para vê-lo novamente, Sehun lutaria até a exaustão, enfrentaria todos os soldados do mundo, tudo por Luhan, seu Luhan

 

Entretanto, durante o combate o coreano acabou se ferindo. A espada de um dos soldados o acertou, fazendo com que derrubasse sua própria no chão, caindo em seguida. Apenas dois guardas haviam restado, todos os outros cinco haviam sido vencidos por Sehun com maestria, mas o cansaço havia deixado seus reflexos mais lentos, até porque ele sozinho contra tantos homens estava longe de ser uma luta justa. 

 

O Oh caiu de joelhos, sua respiração estava ofegante, seu coração estava acelerado, sua visão turva e ele sequer sentia a dor do ferimento na região de sua barriga por estar com a adrenalina ainda tomando conta de seu corpo. Ao piscar algumas vezes, Sehun olhou para a sua frente, só então podendo enxergar a imagem de Luhan sendo segurado por Zitao enquanto chorava e tentava desesperadamente soltar-se. Tudo parecia estar em câmera lenta naquele momento e foi então que o coreano olhou em direção ao trono, vendo ali sentado o rei Lu e ao seu lado em pé, estava Huang Jingyu, que mantinha um sorriso satisfeito nos lábios, como se fosse um espectador assíduo de todo aquele horror. 

 

O rei Lu direcionou seu olhar para o Huang mais novo, dando-lhe a ordem de soltar Luhan. 

O chinês então correu em direção à Sehun e o abraçou, ainda chorando. Sehun queria ter forças para retribuir aquele abraço, mas não conseguiu. Estava cansado e o ferimento o debilitava. Talvez aquele fosse o seu fim e as chances de conseguirem escapar eram praticamente inexistentes, mas o soldado morreria tentando. Ele daria tudo de si para poder viver com Luhan, ele lutaria até o fim e não desistiria nem por um segundo. 

 

“Uma cena comovente, não acham?” O rei Lu quebrou o silêncio, dizendo aquelas palavras com deboche, logo se levantando. “Você me causou uma grande perda de homens em plena guerra contra outro reino, Wu Shixun.” O mais velho disse, logo se levantando de seu trono enquanto caminhava lentamente em direção aos dois. “Eu normalmente não daria essa chance a mais ninguém, mas devido às suas habilidades empunhando uma espada, deixarei que sobreviva se aceitar lutar ao meu lado.”

 

Sehun nada disse e apenas colocou-se de pé com dificuldade, sendo ajudado por Luhan, que havia parado de chorar, mas o olhava com preocupação.

O silêncio do coreano juntamente de seu olhar repleto de desprezo foi o suficiente para que o rei entendesse que jamais o teria ao seu lado, sua honra valia muito mais do que o medo de morrer e Sehun em hipótese alguma faria algo como aquilo.

 

“É uma pena que não queira, até porque tudo isso é culpa dele.” O Lu mais velho disse, apontando para seu filho. “Mas não há problema, você terá bastante tempo para mudar de ideia depois que eu dar à Luhan sua sentença.” 

 

O rei então pegou sua espada, aproximando-se ainda mais dos dois. Sehun se desesperou ao sentir um dos guardas o afastando de Luhan a força. O chinês caiu de joelhos no chão, desolado e de cabeça baixa. Seu pai estava bem a sua frente, no que pareceram horas, Sehun assistiu enquanto o rei levantava sua espada, pronto para direcioná-la à Luhan. O Oh observava tudo enquanto o coração em seu peito tomava um ritmo mais e mais acelerado. Aquele era seu Luhan, seu melhor amigo, seu amor. E Sehun estava prestes a perdê-lo.

 

Luhan só queria que aquele pesadelo acabasse, ele estava cansado de lutar. Sehun sobreviveria contanto que ele não relutasse, se ele apenas aceitasse seu destino, então tudo acabaria e ficaria bem. Sehun sofreria no começo mas superaria consequentemente. Tudo o que o chinês pensava era que tudo ficaria bem e que aquilo era o certo. 

 

Fechando os olhos com força, o Lu mais novo esperou sentir a espada vindo de encontro a si, entretanto para a sua surpresa, aquilo não aconteceu. Ao invés disso, o que sentiu foi seu corpo sendo bruscamente empurrado enquanto em seu lugar, Sehun tomava o golpe de espada. 

 

Vendo o corpo desfalecido do coreano caindo no chão, Luhan sentiu o ar faltar em seus pulmões. A dor que sentia em seu coração chegava a dilacerar seu peito da pior forma possível. Aquilo era demais para aguentar, Luhan havia tentado aceitar seu destino mas aquilo havia passado de todos os limites.

 

“Sehun!” Gritou, engatinhando em direção ao mais velho rapidamente. O coreano mantinha os olhos semi abertos e uma expressão de dor tomava conta de seu semblante. “Seu idiota, por que fez isso?” Luhan sussurrou, sequer tendo forças para falar normalmente. 

 

“Eu fiz uma promessa à você, majestade.” O coreano falou com o tom de voz baixo, sorrindo fracamente em seguida. “E eu lutarei para cumprí-la até o final.”

 

As palavras do mais velho fizeram o coração de Luhan se contorcer ainda mais em dor, enquanto sua mente lutava contra o choque de perceber o quão covarde havia sido. Como pôde se deixar entregar tão fácil quando Sehun havia dado tudo de si até o último momento pelos dois? Como pôde ser tão fraco? 

 

Luhan acariciou uma última vez a face pálida de Sehun, querendo gravar o rosto do homem que amava em seu coração e se possível, em sua alma. E enquanto observava o rosto do coreano agora inconsciente, foi quando o chinês percebeu ao lado dos dois a espada que antes Sehun empunhava. 

 

Antes que o rei Lu pudesse colocar um fim a sua vida como planejava, Luhan colocou-se de pé com a espada em suas mãos e gritou em fúria enquanto avançava em direção ao seu pai, pegando-o de surpresa em um golpe certeiro. Não houve tempo de ninguém reagir diante da ofensiva do chinês e por mais que ele odiasse fazer aquilo, era a única forma de salvar a si mesmo e a Sehun. Ele tinha que lutar pelos dois assim como o Oh havia feito. Luhan jamais deixaria o sacrifício daquele a quem amava ser em vão.

 

O rei caiu ao chão, soltando sua espada que fez um som metálico ao atingir a superfície plana. Luhan estava ofegante e no instante em que viu Jingyu e Tao correndo em sua direção, a porta da sala do trono foi invadida e naquele momento vários soldados do reino inimigo adentraram o local, guerreando contra pai e filho e contra os outros dois soldados que haviam restado. 

 

Luhan largou sua espada, não se importando com mais nada além de Sehun caído no chão próximo de si. O cenário era terrível, aquela violência toda o deixava nauseado e atordoado. Era como se estivesse vivendo em um pesadelo e tudo o que queria era acordar.

 

“Sehun… Sehun por favor, abre os olhos, fica comigo.” Suplicou, posicionando a cabeça do coreano em seu colo enquanto tentava não chorar novamente. 

 

Foi naquele momento em que o chinês sentiu uma mão em seu ombro, o que o fez virar-se para ver quem era.

 

“Princesa…” Luhan sussurrou enquanto abraçava o corpo de Sehun. “Eu o perdi, eu realmente o perdi.” O chinês falou entre soluços.

 

A princesa Shuang trajava uma armadura real e em sua destra segurava uma espada, que logo foi guardada na bainha. Ela olhava aquela situação com um peso enorme no coração e sequer sabia o que dizer para consolar Luhan.

 

“Me desculpe, Han. Eu tentei vir o mais rápido que pude quando recebi sua mensagem, me perdoe.” A mulher disse, sentindo-se extremamente mal por não ter conseguido chegar a tempo de evitar aquela tragédia.

 

Mas Luhan sequer prestou a atenção em suas palavras. 

A única coisa que lhe importava estava agora em seus braços, inconsciente, perdendo cada vez mais o calor que dava vida ao seu corpo.

 


Notas Finais


ih rapaz
Primeiramente eu quero me desculpar por demorar tanto para atualizar essa fanfic e também avisá-los de que o próximo capítulo já está pronto e será postado daqui exatamente >uma semana< (ou talvez até antes, dependendo do meu progresso na escrita). Insurgente está chegando ao final e eu agradeço muito a todo mundo favoritou, leu e comentou! Eu me sinto extremamente feliz em saber que há pessoas apreciando essa fanfic que nasceu de um plot da Lari (aliás, obrigada Lari!).
Até o próximo o capítulo e espero que não estejam me odiando agora jeiahdniahdai


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