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História Intempérie - Capítulo 10


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Notas do Autor


Eae...

Pse, demorou um pouco — muito — mais que o previsto, mas aqui está:

Capítulo 10 - Peso de Um Segredo


Fanfic / Fanfiction Intempérie - Capítulo 10 - Peso de Um Segredo


Assim que Jungkook alcançou Taehyung — que andava sem pressa — após a sua conversa com com Jimin, segurou-o pelos ombros como era um péssimo hábito seu, o virando com muita energia.

— Kim Taehyung, você é um bruxo! — Jungkook exclamou, animado com todos os feitos recentes do amigo e as artimanhas que havia conseguido realizar. Não imaginava de forma alguma que ia achar um jeito de fazer com que ele o Jimin fossem dupla em um trabalho importante como aquele. Taehyung, por si, já não estava tão feliz com a situação.

Sim, Jungkook! Caramba estamos no quinto ano em Hogwarts! — O Kim respondeu em tom sarcástico e fingindo a incredulidade. Claro, o fez somente para brincar com o comentário do Jeon, que embora normalmente se irritasse com o tipo de humor do Kim, somente riu alto naquela ocasião.

— Para de ser idiota, como você fez isso? — Jungkook o empurrou com o ombro, sem usar força, somente pelo impacto. Ficou atento a explicação que queria tanto ouvir, de como tudo havia terminado daquela maneira tão inusitada.

— Na verdade, na noite de Domingo, eu fui falar com o Hagrid… — Ouviu-se um claro sinal de espanto vindo de Jungkook, Taehyung, no entanto, não se surpreendeu.

O quê?! Kim Taehyung, o incrível monitor da Grifinória, aluno modelo, saiu do seu dormitório depois do toque de recolher? — O Jeon debochou da mais nova descoberta, deixando bem clara sua incredulidade e o quanto achava um absurdo. Taehyung sorriu sem mostrar seus dentes, mas não pelo comentário, e sim ao imaginar qual seria a reação de Jungkook ao descobrir quem mais saía tão tarde da noite…

— Na próxima vez que você vier com "Taehyung, eu preciso de um favor", eu vou fingir que não ouvi. — Taehyung se virou, continuando seu caminho pelo castelo enorme, ignorando o amigo que não desgrudava mais de si.





       No domingo anterior; noite.





— Hagrid… está aí? — Taehyung chamou baixo por entre o silêncio da noite, formado pelo sono de todos no castelo… Quase todos. Ele hesitava levemente enquanto dava duas batidas ritmadas na porta um tanto mal acabada. Sentiu-se ansioso ao esperar, realmente, que o professor estivesse lá, dentro da cabana. O vento gelado soprava em seus braços cobertos somente pelo manto negro da Grifinória, lhe fazendo arrepiar os cabelos do pescoço.

Alguns momentos depois, Taehyung estava pronto para bater na porta mais uma vez, mas acabou sendo interrompido pelo meio-gigante abrindo a porta, que surpreendentemente não fez barulho algum, devagar com uma lanterna em mãos. Taehyung sorriu minimamente, aliviado que tudo havia corrido como o esperado até o dado momento.

— Boa noite, professor… — cumprimentou com sua voz polida. Hagrid estranhou o monitor alí uma hora daquelas, passado do toque de recolher dos estudantes, mas não o mandou embora. Não era tão preocupado com as normas da escola quanto o resto dos professores e já tinha em mente que uma saída rápida de noite não afetaria a vida de ninguém.

— Taehyung…? — Rúbeo estreitou seus olhos, olhando bem para o rosto do estudante que embora reconhecesse de cara, pareceu-lhe improvável que estivesse diante de si. O mais velho deu um passo para o lado antes de falar. — Entre, vamos... rápido. Está frio… 

Taehyung adentrou a cabana com um leve receio, abaixando levemente a cabeça em respeito ao professor de quem o lar estava explorando. Assim que dentro do local ele manteve a boa postura, olhando sutilmente e com curiosidade à sua volta, era uma bagunça. Uma bagunça completa. Hagrid certamente tinha coisas demais, o mesmo se sentou somente após tirar algumas coisas de cima de uma cadeira.

— Pode sentar, diga-me… O que houve? — Taehyung sentou-se em uma cadeira milagrosamente vazia somente com o pedido do professor, inspirou fundo, lembrando-se do que queria falar e dos pontos que havia revisado em sua mente até a derradeira oportunidade.

— Sinto muito por vir depois do horário adequado, professor. Ainda mais em um fim de semana. — desculpou-se, não sendo acostumado, já que não deveria. As falas poderiam facilmente soar ensaiadas, já que de fato foram, porém a polidez era característica essencial no discurso de Taehyung.

— Estou, na verdade, um pouco preocupado com a relação da nossa turma de Trato das Criaturas Mágicas. — Taehyung se preocupou um tanto se sua voz soava convincente, afinal era claro para si que mentia. Por fim suas preocupações se esvaíram com a reação genuína de pânico que recebeu. Pensou se a qualidade das aulas e turmas era algo que engatilhava Hagrid numa espiral, um ponto fraco.

— O quê?! Por quê? — Exclamou em uma curiosidade nervosa.

— Sabe, esse jogo da sexta estressou muitas pessoas, por ser tão adiado e tudo mais. — Incitou. — Nós temos os capitães das duas equipes na nossa turma, o Jungkook tende a ficar um pouco… chato… quando ele ganha, o senhor me entende?

— Você acha que ele e Min Yoongi têm problemas? — Hagrid perguntou, pensativo sobre o novo assunto para si.

— Na verdade eles dois têm uma boa relação, se respeitam, sabe? O real problema está nos demais, a nossa turma sempre fica dividida nas aulas, Sonserina de um lado e Grifinória do outro. — Taehyung forçou impecavelmente uma expressão desapontada, tombando um pouco a cabeça para o lado, quase como o psicólogo que tenta estimular uma realização pessoal em seu paciente.

— É mesmo… O que você acha que dá pra fazer? — Taehyung sorriu minimamente com mais uma pequena vitória, juntando ambas as mãos.

— Quiçá algum projeto que talvez tivesse que unir ambas as casas, seria uma boa ideia… confesso que… minha maior preocupação é com o Jungkook, professor... — suspirou. — ele e Jimin tiveram uma… discussão, na sexta-feira depois do jogo. Vêm brigando desde que se conhecem, na verdade, mas depois de sexta, eu acho que vai piorar, compreende? — Taehyung fechou devagar seus olhos com um pesar convincente e franziu de leve as sobrancelhas. 

— Minha nossa… não se preocupe! Vou tratar de fazer com que Jungkook e Jimin fiquem juntos no que eu decidir. Devemos ajudar a resolver esses conflitos. — O Kim sorriu contente, tendo atingido seu objetivo com menos resistência do que imaginava que teria, ele assentiu satisfeito. — É um bom garoto, o Jimin. Vai fazer bem ao Jeon. 

Embora Taehyung soubesse bem que Park Jimin nenhum santo era, e na verdade apostava em jogos, adentrava a sessão reservada da biblioteca sem permissão e havia beijado o Jungkook para cumprir sua tal aposta, realmente conseguia concordar que o mesmo faria uma boa influência em Jungkook, eles sendo tão diferentes. Pensou que já até mesmo fazia, se lembrando de ter visto Jungkook lendo algo de tema diferente de quadribol pela primeira vez em anos.

O monitor deixou a cabana não muito tempo depois, olhando com cuidado o lado de fora e realmente não querendo ser descoberto por qualquer autoridade escolar. Fez questão de se abaixar um tanto ao dar a volta para ir na direção castelo, movimentando-se de forma um pouco desajeitada. Mesmo no fundo esperando tal coisa, ele precisou cobrir a boca para conter o susto que lhe acometeu com a visão de uma silhueta indo até o castelo, da mesma forma que ele.

Havia se agachado, mas mesmo de longe e em meio ao breu, não demorou tanto para reconhecer aquele perfil do bruxo que tanto apreciava. Taehyung sorriu surpreso e intrigado com a descoberta que havia feito, se aproximando sorrateiramente da outra presença naquela noite em Hogwarts.

Kim Namjoon…! Taehyung o chamou em um alto sussurro enquanto abraçou o mais velho pela cintura. Este outro que teve uma reação consideravelmente similar a um ataque cardíaco, virou-sua cabeça rapidamente, principalmente para ter certeza de que não alucinava, mas ao dar de cara com o sorriso retangular que lhe contagiava, entendeu que era real, mesmo que a visão parecesse-lhe de outro mundo.

— Quem diria? — O quintanista sorriu de lado, querendo rir conforme o outro regulava a respiração descompassada pelo susto recente que causou um surto de batidas em seu coração, mas que também se derretia com o tom suave do garoto do qual ele sentia saudades, mesmo que o tivesse visto há pouco.

— Nossa… — O Kim atordoado tinha o peito que subia e descia rápido, sua mão um pouco trêmula e apressada foi de encontro com as do mais novo, entrelaçadas no abraço dado somente com o propósito de lhe desestabilizar. — Kim Taehyung, você é mesmo de tirar o fôlego, não é?...

Taehyung riu mais uma vez, embriagado pela euforia que sentia quando o monitor-chefe surgia em seus olhos. Deu a volta pelo corpo do mais velho, ficando bem ao seu lado e o mesmo segurou sua mão e entrelaçou seus dedos. Um momento bastou e eles seguiram em direção ao castelo pouco iluminado.

— Mas o que o exemplar monitor-chefe faz fora do castelo a noite? Hm recitando poemas à luz do luar, por um acaso? — O mais baixo perguntou, seu tom de brincadeira mas estando imensamente curioso. Namjoon sorriu.

— Eu poderia te perguntar a mesma coisa… — Retrucou enquanto estreitava os olhos, propositalmente parecendo suspeito do comportamento alheio, mas o Kim mais novo sempre parecia saber como lhe contornar.

— Bom, já que não perguntou, por favor me responda. — Foi o que disse, podendo soar rude, mas o sorriso caloroso em contraste com a noite gelada bastou para convencer o sextanista de lhe dar o que queria.

— Eu tenho um lugar… — pausou brevemente, mudando seu olhar para o garoto. — que eu gosto de ir sempre que não consigo dormir… mas não recito poesias. 

A resposta de Taehyung foi apenas um aceno positivo, sem muito pra dizer. Instalou-se o silêncio, porém não por muito tempo.

— Você quer ir lá, comigo, um dia? — O mais alto perguntou, tendo conhecimento da curiosidade do Kim mais novo, que era educado demais para perguntar sobre o tal lugar que parecia algo tão pessoal e precioso.

Quero sim… — Apertou a mão que juntava-se a sua, ambas apenas se separaram quando chegou-se o ponto em que teriam que seguir caminhos diferentes.

Eles se entreolharam num aspecto de rendição que era claro a ainda translúcido como a pálida luz da lua. Taehyung não queria soltá-lo mas precisava. Lhe deixava abismado como mal havia saído da vista de Namjoon e já sentia sua falta, bem ali, enquanto o olhava nos olhos. Ele queria muito mais momentos como aquele, com a quietude do castelo e sua imensidão somente para eles.

Ele fechou seus olhos, dando o primeiro passo para a direção contrária da que iria o monitor-chefe, mas acabou sendo impedido pela mão do próprio. O braço do sextanista envolveu a cintura de Taehyung e o abraçou com ternura e gentileza. O mais baixo o olhou confuso, mas com o coração acelerado e feliz como ele mesmo mal entendia. Cada pequena despedida parecia imensa e os poucos segundos importavam mais do que se pode imaginar.

Namjoon segurou com leveza o rosto rosado com sua mão livre e deixou um selar longo e demorado no meio da testa de Taehyung, repetindo o mesmo gesto na bochecha do garoto. Ele deslizou seu braço para longe do corpo magro, dando um mísero passo para trás. Sorriu com os olhos antes que seus lábios se curvassem naturalmente. Foi-se.





    …





Era, então, terça-feira, e o combinado de se encontrar no salão de prática estava sendo bem cumprido pelos quatro alunos envolvidos. 

Jimin e Taehyung, juntos, acabaram por perceber que entre Jungkook e Yoongi haviam, na verdade, diversas similaridades. Ambos jogadores de quadribol, ambos capitães. Ambos, naquele momento, com os rostos entediados apoiados sobre a palma da mão, desejando que toda ansiedade pelo fim do projeto pudesse ser posta em concluído de forma bem feita. Ambos com preguiça demais para agir sobre o desejo, eles apenas ouviram os dois restantes. 

— Por último, Hagrid aconselhou deixar o ninho, que já está dentro da caixa, sempre úmido. Somente expor o ovo à luz se estiver chovendo e… cantar músicas melancólicas? — Taehyung terminou sua fala com as sobrancelhas franzidas, encarando suas anotações passadas feitas na aula e baseadas em livros. Todos pareceram tão confusos quanto ele próprio.

— Pelo amor de Deus, será que existe ser mais depressivo do que esse?! — Exclamou Jungkook, frustrado. Aceitaria qualquer outro bicho que não fosse preto e só gostasse de chuva enquanto chorava durante toda a vida.

— Quem sabe eu roube esse título se passar mais um segundo ouvindo sobre Agoureiros… — Yoongi constatou com a voz arrastada pelo tédio, deixando que seu rosto descansasse nas páginas do livro aberto diante de si. 

Vocês são muito ignorantes… — Jimin resmungou, fechando o seu próprio livro junto com sua expressão descontente. Segurou a pequena caixa em suas mãos, mas sem retirá-la da mesa. Lhe irritava como estavam lá somente pela conveniência de lhe irritar ao invés de aprender, que era algo que não estavam dispostos a fazer.

— JIMIN! — De repente, o mesmo assustou-se com o grito súbito de sua dupla estridente, que ergueu-se na mesa num impulso. Jungkook bateu as palmas com força na madeira e inclinando-se na direção do loiro, que segurou mais firme a caixa que continha o ovo frágil.

— AH! Que foi, Jungkook?! — esbravejou irritado, sem muita paciência para o que quer que fosse aquilo e do que se tratava.

— Agora que vem a parte mais importante! — Os demais o olharam, procurando entender para onde estava indo, já que durante a última hora, o garoto nada tinha feito além de ouvir presunçosamente. Jungkook olhou fundo nos olhos de Jimin, sério. — Precisamos escolher o nome do ovo...

— Você não tá falando sério… — Desacreditado, Jimin levou sua palma até a testa e fechando seus olhos em busca da sanidade e juventude que lhe era tirada a cada momento. Continuava procurando desesperadamente pela vontade de continuar.

— Quero "Trovão"! — Jungkook anunciou com um sorriso, sendo orgulhoso de sua escolha.

— Quero "Zeus"! —Taehyung, que surpreendentemente, prosseguiu com aquilo.

— Quero "Fênix da DeepWeb"! — Yoongi também, em seu tom debochado.

— Parem com isso! — Inspirou fundo, conseguindo um pouco de silêncio. — Já que eu vou fazer a maior parte do trabalho, eu vou escolher o nome. — Terminou, e ninguém ousou lhe negar aquilo.

Trovão… — Jeon sussurrou, torcendo para sua escolha.

Besourinho. — O Park o olhou com um largo sorriso, e, mesmo que de um jeito travesso, aquilo atingiu algo além dentro de Jungkook. O nome estúpido, na visão do Jeon, dito na voz risonha e ainda delicada lhe abalou de alguma forma, trazendo-lhe arrepios. De uma vez lhe veio a urgência e o anseio por sorrir de volta. Era a primeira vez que Jimin sorria para si. 

Jungkook suavizou sua expressão de uma vez, com a imagem do sorriso aberto estampada em sua mente. Ele se sentou novamente na cadeira, pondo uma de suas mãos na tampa da pequena caixa que pertencia a eles.

— Besourinho será. — Disse calmamente, aceitando. De um lado da mesa, Taehyung erguia as sobrancelhas pela desistência repentina do amigo em "Trovão" e sua reação pacífica quanto ao nome: Besourinho. Do outro lado, Yoongi, que havia já ouvido o bastante, enterrou novamente seu rosto no livro.

— Acabou de ficar mais depressivo. — Ele disse com a voz abafada pelas páginas.




    …





Cerca de uma hora havia se passado desde o registro do nome de Besourinho, durante esse meio tempo Taehyung acabou cedendo e deixou que Yoongi nomeasse o ovo do qual cuidavam, de Fênix da DeepWeb. Taehyung simplesmente imaginou que se o ovo tivesse um nome que o Min gostasse, quem sabe se importasse um pouco mais com o projeto.

Todos os livros eram guardados da parte dos estudantes da Grifinória, preparando-se para partir. Haviam já decidido que os ovos ficariam com os Sonserinos durante aquela semana, por Jimin se voluntariar e o restante concordar sobre o Park ser o mais capaz dentre todos eles. 

— Bom, até depois Besourinho… — Jungkook olhou de canto, dando uma atenção para a pequena caixa com a letra B desenhada na tampa, para fins puramente práticos.

Com um sorriso amarelo, o moreno estava prestes a sair, voltar para o dormitório e preparar-se para a próxima aula. O que lhe impediu de continuar foi, na verdade, um puxão que sentiu na manga das suas vestes pretas. Seu olhar confuso e curioso acabou por levá-lo até uma pequena mão que o segurava firme, de baixo até em cima, seus olhos encontraram finalmente o rosto de Jimin, que o olhava de volta.

— Espera um pouco. Eu tenho uma coisa pra te dar… — O Sonserino disse sem muita enrolação, mas com as suas falas soando obviamente ensaiadas. Jungkook procurou indícios do que seria aquilo na expressão alheia, mas não encontrou nada. Era verdade que Jimin havia pensado naquilo durante a maior parte do dia, e que já tinha um roteiro para cada possibilidade.

— O que é? — Indagou por fim. Jimin comprimiu seus lábios ao soar da questão e hesitou responder.

— Ahm… Precisa ser a sós. — Olhou brevemente para ambos os colegas restantes antes de segurar o braço do Jeon e puxá-lo para longe da mesa.

Não o soltou até que deixassem o salão e tivesse certeza de que estavam sozinhos, ainda um tanto afastados naquele corredor. O moreno estranhou toda a situação, principalmente o fato de Jimin ter lhe tocado por vontade própria, era bastante inusitado.

— Jimin? O que foi? O que era? — Jungkook, sem nenhuma preocupação em esconder sua pressa ou curiosidade.

— Ah. Você deixou uns papéis marcando o livro que você me devolveu… — O Park voltou com suas falas ensaiadas, pegando os ditos papéis que eram a razão de tudo aquilo.

Jungkook de uma vez recordou-se de ter pego alguns papéis soltos em cima de sua escrivaninha para marcar o progresso no livro, já que estava sem marca-páginas. Assentiu com a cabeça e pegou a pilha de folhas, franzindo o cenho e tentando reconhecer os papéis, logo percebeu que a maioria era sobre suas estratégias de quadribol. Virou as folhas. 

Seu rosto rapidamente ficou vermelho com a leitura da parte de trás da última folha de todas, com aquela lista que havia feito no sábado. Torcia do fundo de seu coração para que Jimin não tivesse percebido tanto a lista quanto o rubor repentino no rosto do Jeon.

Infelizmente para Jungkook, Jimin escondeu um sorriso pequeno quando os olhos do moreno arregalaram-se a visão do que Jimin sabia ser a lista, por ser o verso da última folha de todas. Ele esperava somente Jungkook terminar de passar entre as folhas para deixá-lo ir, acabou surpreso quando Jungkook prendeu a respiração e toda aquela cor em sua face se esvaiu de uma vez, lhe deixando pálido como um fantasma.

— Jimin… você leu? — Ele perguntou baixo sem olhar para o Park, encarando o papel. Jimin não entendeu, tentou identificar qual era o tal papel que não devia ter lido, acabou logo identificando a carta de Aslan, o irmão de Jungkook. Ficou sem palavras, o seu rosto sendo aquele ruborizando. — JIMIN! 

Jungkook deu alguns passos na direção do loiro, o olhando agora nos olhos, com aquele semblante preocupado. Jimin abriu a boca mas som nenhum saiu, ele desviou seu olhar, de cabeça baixa assentiu. Viu de relance as mãos de Jungkook apertando o papel fino em suas mãos bem maiores que as suas próprias, o Park fechou os olhos com força, encolhendo-se em reflexo. Pareceu que mesmo após tantas horas imaginando como que reagiria o Jeon e se preparando para lidar com ele, o moreno ainda lhe surpreendia cada dia mais.

Ouviu-se um suspiro em tom de claro desespero. O sonserino abriu lentamente seus olhos com o som do papel sendo dobrado lhe chegando aos ouvidos. Jungkook guardou todas as folhas em sua bolsa com certa pressa, voltando com aquele olhar intenso para si, o tal olhar que somente ele conseguia reproduzir, que tinha um efeito peculiar no Sonserino. Os olhos amendoados eram honestos, compreensivos e certos ao mesmo tempo, Jimin tanto queria encará-los de frente como não tinha essa coragem dentro de si.

— Jimin, me promete que não vai contar pra ninguém. — Naquele dia seu nome parecia nunca deixar os lábios do Jeon, como um feitiço que lhe colocava sob. Entretanto, naquela vez em especial ele não entendia nada, o que queria dizer? Não contar sobre Jungkook ter um irmão? 

— C-Contar? — Jimin ainda não pôde encará-lo de volta, ficava mudando seu foco como sua maior defesa, que infelizmente não foi possível continuar mantendo. Foi o seu fim quando as mãos grandes fizeram sumir ambas as suas, as envolvendo em um aperto urgente e caloroso. Ficou mais uma vez sem voz.

— ME PROMETE! — Jungkook gritou em falta de uma resposta imediata do outro garoto.

— P-PROMETO! PROMETO! — Gritou de volta, sem nem pensar ou sequer compreender toda ansiedade do moreno, mas não conseguiu negar nada a aquele olhar. Lhe apavorou a possibilidade de que não negaria nem a promessa de entregar os céus e o mar se lhe fosse pedido daquela forma, Jimin engoliu em seco. Somente teve suas mãos — que pareciam menores que nunca — soltas alguns momentos depois. Jungkook assentiu, comprimindo seus lábios e virou-se de costas para o loiro enquanto murmurava um "obrigado".

Jimin, atordoado, pôde ver o Jeon caminhar para longe de si e pensou em lhe alcançar. Acontece que, quando mexeu com a hesitação seus pés, acabou desistindo do enorme esforço que lhe tomava, fazendo parecer com que tivesse chegado em uma barreira, uma enorme muralha em diante de seu rosto. Sentiu como se aquele limite que existia antes entre os dois, e estava sendo desconstruído ao poucos naquelas semanas, estivesse inteiro novamente. A diferença é que, dessa vez, Jimin podia enxergar de verdade o que residia por trás daquele muro, ele via sem poder alcançar. 

De primeira, aquilo parecia ser o que o Park queria, se afastar… mas agora, embora com ainda discussões ainda presentes, a sensação era diferente. Costumavam brigar por tudo, estressava muito o sonserino, lhe incomodava até mesmo ouvir a voz do Jeon. As discussões que agora tinham, deixavam Jimin em conflito, ele sempre descobria coisas novas sobre o Jeon embora o irritasse um tanto, acabavam em bons termos. Parecia algo completamente novo e diferente, quando viu Jungkook se afastando, não quis se arriscar a perder aquilo.

— Jungkook! — Ele chamou, mas com sua voz fraca não conseguiu resposta, o moreno estava muito longe, e o loiro parecia ter desaprendido a falar. Era claro que não o ouvia. Jimin inspirou bem fundo, ainda ponderando suas ações, mas sem dar ouvidos a si mesmo. Só o suficiente para que sua voz alcançasse o moreno.

— JUNGKOOK! — Chamou ainda mais alto, o Moreno virou-se finalmente. Encarou Jimin com curiosidade e levemente aliviado, embora não notasse. Estava esperando o motivo do chamado. O loiro engoliu em seco, dando uma corrida rápida até o outro garoto, foi parando devagar a alguns passos de distância. 

— Ahm… quando a gente vai se ver de novo? — Perguntou de vez. Os olhos do Jeon se iluminaram naquele instante, com a resposta que ele sequer imaginava que estava ansiando para ouvir.

— Ah! Hm… Pode ser na sexta? Amanhã e quinta eu tenho treino. — Jungkook respondeu, um sorriso tentando escapar entre suas palavras, mas se conteve. Deu mais um passo na direção do Park, querendo se aproximar um pouco mais.

— Pode sim! — Jimin respondeu, mesmo sabendo que sextas e sábados eram os dias de treino de Yoongi. Pensaria naquilo depois, era provável que o Min não se importasse. Naquele instante, pensou se talvez seu tom havia soado muito animado, suas bochechas se colorindo na ideia de ter parecido emocionado demais.

Por um momento, instalou-se o silêncio entre os estudantes. Em meio a quietude entre eles, os quintanistas puderam ouvir seus próprios corações acelerados, e ambos se perguntaram o porquê daquilo. Eles não estavam mais discutindo, não estavam gritando, nem correndo. Pareceu que mesmo conversas bobas como aquelas podia criar uma tempestade dentro dos garotos.

Jimin, que se percebia entrando numa espiral onde tudo que ele via era o rosto do outro, quis terminar com aquilo, com seu coração histérico. Foi o primeiro a falar. 

— Então… eu vou voltar pra lá… — Uma sensação estranha, enquanto ele se virava, seu corpo parecia querer o contrário, como quem está pisando na areia que está sendo levada pelo mar. — Tchau Jungkook! 

— Tchau Jimin! Até sexta… — O moreno despediu, segurando seu braço no mesmo ponto que o Park havia pego para lhe guiar. Enquanto isso, o Sonserino entrelaçava as próprias mãos, que mais cedo sumiam debaixo das de Jungkook.

Quando Jimin enfim retornou ao salão, pensou se seus olhos se enganavam quando por um momento jurou ter visto Yoongi e Taehyung sorrindo. Os dois alunos pareceram mal conversar durante as horas passadas, mas foi preciso somente que Jimin e Jungkook deixassem o cômodo por alguns momentos para que eles começassem a interagir como amigos? Claro que o loiro achou estranho.

O Park desconfiado, se sentou ao lado de Yoongi. Estreitou os olhos que procuravam o motivo da graça no rosto do Min, mas ele já estava se fazendo de desentendido. Olhou para Taehyung, que vestia uma expressão condescendente.

— Jungkook, já foi direto, não precisa esperar por ele… — O avisou.

O monitor apenas assentiu, levantando-se com suas coisas já guardadas, deixou o salão com uma aceno de despedida, correspondido pelos outros dois.

— Deixamos marcado o próximo encontro para sexta-feira. Okay? — Jimin notificou, deixando aquilo como irrefutável e já estabelecido. Yoongi imediatamente o encarou em confusão, como o Park havia previsto.

— Ué! Eu tenho treino nesse dia, não posso ir sexta. — O Min reclamou, que era praticamente a única coisa que fazia naquele dia. Jimin apenas lhe sorriu sem mostrar os dentes.

— Então não venha. — Yoongi sentiu o peso das palavras bem marcadas. Por um instante passou-se um clipe dos acontecimentos das últimas horas, todo o tempo em que ficaram com aqueles malditos ovos. Ficou claro para ele se devia ou não se importar em faltar o seu precioso treino de quadribol para comparecer ao trabalho.

— Okay! — sorriu assentindo, sem qualquer peso na consciência.




    …




Já um pouco mais tarde, Jimin que não tinha mais aulas e ainda com a memória fresca, buscava na biblioteca um exemplar em estado decente de Quadribol Através dos Séculos. Embora gostasse imensuravelmente da enorme biblioteca do castelo, era óbvio para si que haviam sistemas muito melhores, de organização e distribuição dos livros pelas estantes, do que simples ordem alfabética. 

Os livros de temas completamente diferentes um ao lado do outro simplesmente pelas iniciais e até mesmo livros mal colocados, com pedaços para fora das estantes. Coisas que doíam nele mesmo. Toda vez que via um livro pensando em se jogar da estante ele o empurrava de volta para encaixar-se com os outros. Ficou pela letra Q durante uns bons quinze minutos antes de finalmente encontrar o tal livro. 

Tamanha foi sua pressa em retirar o livro da estante que acabou sendo um tanto ríspido enquanto manuseava a obra. Acabando por derrubar um daqueles livros suicidas que ele ainda não havia empurrado para dentro. 

Abaixou-se e alcançou a vítima de sua falta de paciência, o livro tinha aparência bastante nova, mas também lhe acumulava poeira, como que rejeitado pelos bruxos dalí. Embora sua intenção fosse levantar-se novamente, guardar o livro e então sair com o seu desejado. Foi o título do livro que o manteve preso junto ao chão em que descansava o exemplar.

Em letras grandes dizia: Quando os Trouxas Vão Para a Universidade.

Assumiu um semblante espantado, de entendimento. Em sua mente houve uma epifania, entendendo finalmente o tal segredo que gerou o grande pânico em Jungkook, que o fez reagir de tal forma quando percebeu que a carta de seu irmão estava entre os papéis que devolveu. Duas opções surgiram na mente do garoto Sonserino. Ou Aslan era, na verdade, um Trouxa, ou era um Bruxo Abortado

De repente, Jimin passou a sentir a imensidão daquele peso que residia em suas mãos por ter lido aquela específica carta, qual ele não devia ter nem chegado a ver. Por vários momentos desejou não tê-la lido. Ele quis que na carta não houvesse nada demais, que a palavra Universidade nunca chegasse ao seus olhos ou ouvidos, assim como as preces de Jungkook, seu toque urgente e seu olhar exasperado.


Notas Finais


Bom, não tem muito que explicar pra vocês, as razões principais pra demora foram: toda a bagunça que se tornou a minha vida e a de todos vocês também, imagino.

Alguns probleminhas pessoais
Outros projetos pessoais que eu tava trabalhando também...

Se você continua lendo, bom, obrigada pela compreensão. Não pretendo desistir de Intempérie e vou tentar demorar menos na revisão dos capítulos (que é o que toma mais tempo).

Beijinhos, fiquem bem e, se puderem, continuem com o distanciamento social 💜


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