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História Intense - Jikook - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa leitura 💜
#IntenseComingSoon

Capítulo 2 - 01. You Have My Number


— Nós temos uma proposta para te fazer.

Entrego minha bolsa para meu irmão e contenho um suspiro, passando os olhos ao redor e encarando o moreno a minha frente com os braços cruzados.

— Jung Hoseok, uh? Pois bem, o que deseja?

— Nós estamos em busca de dançarinos como você, que dançam com alma, com paixão. Acreditamos que você é a escolha perfeita para o que desejamos. — ele sorri e eu descruzo os braços, levando a destra para meus fios e os jogando para trás.

Sendo franco, eu já imaginava os motivos que levaram aquele homem até mim, não seria a primeira vez que isso me acontecia.

— Uau! Então quer dizer que a equipe do fantástico Jeon Jungkook, tem interesse em mim? — pisco os olhinhos e eles deixam um grande sorriso escapar, assentindo em seguida — Céus, eu me sinto honrado demais! — coloco a mão sobre o peito.

— Nós que ficamos! — o moreno exclama — Será uma honra te ter conosco! — ele estende o seu cartão e eu o pego, colocando no bolso sem nem ao menos olhar — Será uma grande parceria, você tem chances de levar o seu talento para o mundo todo, uma chance única de crescer profissionalmente! Você aceita? Podemos contar com você nessa jornada? — ele pergunta com os olhos brilhantes e eu sorrio, um sorriso sacana.

— Não. — sorrio mais uma vez, observando seus olhares chocados enquanto eu entro na kombi do meu irmão.

— Quem era? — Jin pergunta.

— Ninguém importante. — respondo e arrumo meu cinto. — Vamos? Estou exausto!

Ele liga o som, deixando a suave melodia de The Smiths ecoar pelo carro enquanto arranca o mesmo das ruas de Hongdae, deixando o público que me assiste toda noite para trás, e os charlatões também.

Eu não aguentava mais esses caça talentos fingidos, perdi a conta de quantas vezes recebi propostas como essas. Promessas vazias assim como as pessoas que as fazem.

E Jeon Jungkook?

Até parece que a mais nova sensação do pop vai circular pelas ruas de Hongdae em busca de dançarinos. Se isso fosse verdade, ele teria criado audições e feito um milhão de divulgações.

Eu não caio mais em furadas como essas, já aprendi a minha lição. Nunca mais vou permitir que alguém me compre com meia dúzia de palavras.

Assim que cheguei em casa, fui recebido por uma pequena bola de pelos, se enroscando nas minhas pernas e um miado alto. Larguei a bolsa no chão e me inclinei para pegar a pequena bolinha de pelos negros que se esfregava de forma manhosa em mim.

— Ei, Skellington*! — cheiro o a cabeça do gatinho e o deito em um dos meus braços, levando a mão vaga para a barriga gordinha. — Sentiu falta do papai, meu amor?

— Essa sua voz fininha de fantoche me assusta. — Jin passa por mim e coça as orelhas do gatinho em meus braços. — Vou tomar um banho. Você quer editar o vídeo ainda hoje?

— Sim, amanhã tenho algumas entrevistas de emprego e ainda vamos visitar a mamãe. — murmuro e coloco Jack no chão, observando o mesmo caminhar preguiçosamente até o sofá e se deitar todo espalhado no estofado.

Peguei a mochila que havia jogado no chão, tranquei a porta da sala e apaguei as luzes, seguindo para o meu quarto. Necessitava com urgência de um banho, eu sentia a minha pele suada da performance, o que é estranho, já que eu costumo apresentar mais de uma dança e não fico tão suado como fiquei hoje.

Dançar para aquele garoto, foi diferente de todas as minhas outras performances. A forma como ele me olhava era diferente de tudo que eu estava acostumado, eu sentia o desejo presente ali, suas mãos tremiam enquanto segurava os apoios da cadeira, e eu sabia que ele ansiava para tocar em mim, e sim, eu também desejei sentir seu toque como nunca desejei outro alguém.

Era surreal.

Todas as sensações presente naqueles quase cinco minutos foram enlouquecedoras, eu não saberia explicar, e mesmo que soubesse, a única coisa que eu gostaria de entender é por que.

Dancei praticamente a minha vida toda e por que, justo com esse garoto, eu fico tão... mexido?

Eu devo estar muito carente, essa deve ser a explicação mais plausível no momento. Preciso transar.

Retiro as peças de roupas que usei na apresentação e as jogo no cesto de roupa, ligando o chuveiro e ajustando a temperatura num morno mais puxado para o quente, o jeito que eu mais amava, pois relaxava todos os meus músculos e não queimava a minha pele.

— Chim... — ouço batidas na porta — Estou preparando um pouco de lámen! Você quer?

— Quero sim!

— Não demore ou vai esfriar! Te espero na cozinha para darmos início a edição.

Termino de enxaguar os meus cabelos e passo o sabonete por todo meu corpo, sentindo o cheirinho gostoso de erva doce que emanava da barra de sabão.

Finalizo meu banho e pego meu roupão, vestindo o mesmo e retirando o excesso de água do meu cabelo com o auxílio de uma outra toalha.

Estendo a toalha no box para secar e volto para meu quarto, pegando uma cueca na cômoda e vestindo, permanecendo apenas com ela e o roupão.

Pego meu celular esquecido na cama e saio do quarto, caminhando em direção a cozinha, onde encontro Jin devorando o ramen disposto em sua tigela e configurando a câmera no notebook, deixando tudo pronto para editarmos o vídeo.

— Sua parte está na panela. — ele diz com a bochechas cheias de macarrão — Fiz com costelinha, do jeito que você gosta.

Já que só a minha parte estava na panela, resolvi que iria comer ali mesmo para não sujar outra tigela. Peguei os chopsticks na gaveta do armário e puxei uma cadeira, posicionando—a ao lado do meu irmão.

— Podemos ir editando enquanto você come, assim não demoramos tanto e você descansa mais, afinal, você tem que acordar cedo.

— Por mim está ótimo.

Ele transfere o vídeo para o computador e abre o programa de edição. Enquanto eu comia, ele ia cortando e ajustando algumas coisas no vídeo, vez ou outra perguntando o que eu gostaria de manter e retirar.

Com tudo pronto, ele salva, abre o YouTube e move o arquivo, dando início ao processo de envio.

Meu plano inicial de gravar vídeos e mandar para o youtube, não era para obter fama nem ser encontrado por alguma empresa de entretenimento, mas sim, conseguir alguma renda que pudesse ajudar tanto eu quanto Jin nas despesas de casa. Eu não gostava de deixar tudo nas costas do meu irmão, ele já tinha responsabilidade demais.

No entanto, as coisas não eram tão fáceis como os youtubers pareciam demonstrar, era trabalhoso editar um vídeo e postar, o lucro ao menos servia para compensar as horas perdidas gravando e editando.

— Prontinho! — Jin anuncia — Vamos ver quanto conseguimos nos últimos vídeos ...

Ele consulta a estatísticas e suspiramos em conjunto quando vemos a quantia obtida nos últimos seis vídeos. Havíamos conseguido cinquenta dólares, que dava um total de 59.117,50 won*. Não era muita coisa, mas já ajudava, ainda mais nas condições em que nos encontrávamos.

— Melhor que nada, não é mesmo? — Jin comenta com um sorriso fraco — Bom... Já está tarde, vá se deitar, você precisa estar bem disposto para amanhã.

— Eu vou organizar as coisas aqui e já subo. — digo recolhendo a louça suja mas ele me impede.

— Não senhor, você vai escovar os seus dentinhos e deitar, pode deixar que eu arrumo tudo aqui. Vá descansar.

— Tudo bem, então! — deixo a louça sobre a mesa e me aproximo para lhe dar um abraço. — Boa noite, Jin.

— Boa noite neném. — ele me dá um beijo na testa e bagunça os meus cabelos.

Pego Jack que estava deitado todo esparramado no sofá, e sigo para meu quarto. Deixei a bolinha de pelos sobre a cama e ele ficou sentadinho, me observando separar a roupa para as entrevistas que eu teria no dia seguinte. Separei uma blusa social branca e uma calça, também, social, um cinto e um par de sapatos que deixaria para engraxar no dia seguinte.

Separei todos os documentos necessários e deixei tudo arrumado numa bolsa. Com tudo organizado, eu escovei meus dentes e me preparei para dormir, pedindo a todos os deuses que me ouvissem e me ajudassem no dia de amanhã.

[...]

— Agradecemos pelo seu interesse na vaga, senhor Park, mas infelizmente, procuramos pessoas com experiência com fluxo de caixa e, além disso, é necessário que tenha, pelo menos, a formação do ensino médio completa...

— Eu aprendo rápido! E sou excelente com pessoas, tenho certeza que a senhora não vai arrepender de me contratar. — argumento e observo ela inspirar profundamente.

— Eu sinto muito senhor Park, mas esses são os requisitos, infelizmente não posso abrir exceções.

— Tudo bem, senhora Bae, eu entendo perfeitamente. — curvo os lábios em um sorriso sem emoção.

Pego meus documentos espalhados sobre a mesa e os guardo na minha bolsa, me levantando da cadeira e fazendo uma breve reverência em agradecimento.

— Muito obrigado!

Quinta entrevista.

Era a minha quinta entrevista do dia e também, o meu quinto fracasso.

Eu já estava perdendo as esperanças de conseguir um emprego integral ou ao menos um de meio período, era sempre o mesmo motivo:

Necessita de experiência ou ensino médio completo.

Eu não conseguia adquirir a experiência por que ninguém me dava a oportunidade e para concluir os estudos, eu precisava de dinheiro, o que eu também não tinha devido aos altos gastos que eu e Jin tínhamos com o hospital em que nossa mãe estava internada.

Desde que mamãe descobriu, a um ano e meio atrás, o câncer no pulmão, as coisas apertaram para nós.

Nunca esbanjamos tantos luxos, sempre tivemos uma condição financeira bem simples, mas isso nunca foi um problema, vivíamos até que muito bem, com amor e união presente no nosso dia a dia, juntos para o que der e vier.

No entanto, quando eu completei 15 anos e "assumi" a minha homossexualidade para os meus pais, as coisas ficaram complicadas em casa. Minha mãe me abraçou e chorou, dizendo que não iria deixar de me amar por isso e que estava feliz por mim e por eu ter confiado nela para me abrir. Por outro lado, meu pai, que sempre se mostrou calmo, se tornou um completo desconhecido, gritando em plenos pulmões que não tinha criado filho para virar um "viadinho de merda" e dizendo que tudo era culpa da minha mãe.

Naquele dia eu descobri ofensas que eu nem imaginei existir, eu me senti a pior pessoa do mundo, meus pais estavam brigando por minha causa, e o mais doloroso disso tudo, foi o fato de que tais ofensas partiram do ser humano que dizia tanto me amar.

A última coisa que eu lembro daquele dia, foi ele erguendo a mão para me bater e minha mãe tomando a frente, lhe impedindo e o expulsando da nossa casa.

E ele ao menos relutou. Juntou as roupas e se foi no mesmo dia. Abracei a minha mãe e pedi perdão, eu não queria ter acabado com o casamento deles, eu era o culpado e eu sentia tanto...

Comecei a implorar o perdão por ter causado toda a confusão, por não ser o filho que ela gostaria, perdão por ser quem sou.

Ela apenas enxugou as minhas lágrimas, segurou meu rosto nas suas pequenas e calejadas mãos e disse:

— Filho, eu te amo independente das suas escolhas, não precisa pedir perdão por ser quem você é, eu tenho orgulho de você e quero que você também se orgulhe. Amor é amor, ele não tem gênero e você não escolhe a quem amar. — ela plantou um beijo na minha testa e acariciou minhas bochechas.— Amar não é errado, meu anjo, erradas são as pessoas que julgam esses sentimento tão puro.

Desde então eu tenho guardado essas palavras em meu coração. O processo de auto aceitação foi demorado, ainda mais vivendo em uma sociedade tão preconceituosa como a minha, mas hoje eu tenho orgulho de quem sou e não tenho medo de defender os meus ideais.

Lutarei de cabeça erguida, mentes fechadas não podem me impedir de ser quem eu sou. Quem eu amo ou deixo de amar só diz respeito a mim e a mais ninguém.

Abri o bloco de notas em meu celular, e notei que não tinha mais nenhuma entrevista agendada para hoje e que talvez demorasse a aparecer outra, afinal, já tinha ido em quase todos os estabelecimentos que ofereciam vagas. Pelo visto, eu teria que continuar fazendo uns extras como barman aos finais de semana na boate, e torcer para que o lucro no youtube aumentasse, pois eu odiava trabalhar na Secret Place. Era repugnante os olhares que eu recebia e as coisas que eu era obrigado a escutar, mas as contas não paravam de chegar e eu, infelizmente, não podia me dar o luxo de ficar parado.

Suspirei uma última vez e ajeitei a bolsa em meu ombro. Passei em uma barraquinha de hotteok*, comprando uma panqueca recheada de carne de porco e seguindo para a academia de dança, eu precisava relaxar e o melhor método, pelo menos pra mim, era deixar toda a minha frustração esvair na criação de uma coreografia.

Jackson Wang era um dos meus poucos amigos, se não, o único. Conheci ele na época que meu pai saiu de casa e as dívidas começaram a acumular. Eu faltava constantemente na escola para ajudar minha mãe e meu irmão e ele foi o único que se preocupou com meu sumiço. Ele trazia os conteúdos que eu perdia e me auxiliava, o que no fim não trouxe muitos resultados, já que eu não consegui passar de ano, no entanto, ganhei um grande amigo.

Ele sempre soube do meu amor pela dança, e quando minha mãe foi internada ele me convidou a ingressar na academia que ele costumava treinar, e aceitar a proposta foi a melhor coisa que eu pude fazer, pois com isso, eu conseguia aliviar grande parte do peso que eu carregava nas minhas costas diariamente.

— Bom dia! — exclamo ao chegar na sala.

— Jimin! — Jackson grita e sai correndo em minha direção, me fazendo cambalear quando seu corpo se choca contra o meu em um abraço forte.

As vezes ele esquecia a nossa diferença de força e massa corporal.

— E aí, como foi? Conseguiu o emprego? — ele pergunta com os olhos brilhando em expectativa.

Deixo um suspiro escapar e lhe encaro com um sorriso mínimo nos lábios. Eu nem precisava dizer nada, ele me conhecia bem o suficiente para saber que quando eu suspirava e sorria logo em seguida, é por que as coisas não estavam boas. Ele leva a mão para meu ombro e aperta fracamente, me passando apoio da sua maneira.

— Vai ficar tudo bem, sim? Vamos acreditar que, simplesmente, não era pra ser. Vai aparecer algo pra você.

— Eu espero...

Caminho para os vestiários com ele ao meu encalço, dizendo o quão insana tinha sido a apresentação de ontem, que em todos esses anos dançando, ele nunca tinha visto uma performance como aquela.

Comentamos também sobre o garoto misterioso e a sua equipe fajuta. Rimos quando comentei a respeito de ser uma proposta da equipe de Jeon Jungkook, tanto eu quanto ele sabíamos que era furada, um cantor tão famoso assim não perderia suas noites em ruas barulhentas e tumultuadas, onde qualquer um poderia, facilmente, reconhecê-lo, apenas para encontrar um dançarino amador.

Substituo as roupas sociais por uma blusa de tecido leve e uma calça de moletom, trocando o par de sapatos sociais por meu par surrado de all star. Guardo todas as minhas outras roupas na mochila e retorno para a sala, dando inicio aos meus alongamentos antes que o professor pudesse chegar. Quinze minutos mais tarde ele aparece, a costumeira mochila amarelo Limão atravessada em seu peito e as pisadas arrastadas que denunciavam a sua chegada.

— Bom dia, seus preguiçosos! — Sungdeuk sorri e deposita a mochila sobre a mesa.

Son Sungdeuk era como um pai pra mim. Quando eu entrei para a equipe que ele coordenava, eu era só um garoto perdido, ele me ensinou grande parte do que sei, me deu motivos para continuar e me fez ver que eu podia canalizar todos os meus sentimentos na dança, sejam eles felizes ou não.

Ele sempre dava um jeitinho de me colocar para participar de eventos de dança que pudessem me dar uma rendinha extra e quase sempre, era ele quem arrumava clientes para Jin e uns serviços temporários para mim. Graças a ele, eu conseguia acreditar que ainda existiam pessoas boas no mundo, que nem tudo estava perdido.

— Quem é que vai começar a me fazer chorar de desgosto logo cedo? — pergunta conectando a caixa de som no notebook.

Observo Yeri se levantar timidamente e dou um sorriso como forma de encorajamento pra ela, pois sei o quão tímida é, e se dispor a abrir os ensaios é um grande passo. No entanto, antes que ela possa chegar perto de Sungdeuk, Hyunsoo aparece ao lado do mesmo, sorrindo de maneira debochada em sua direção e tirando a pouca coragem que havia nela.

Jung Hyunsoo, é o que eu costumo chamar de desgosto coletivo.

Ele costuma ser um pessoa detestável o tempo todo, sempre colocando os outros pra baixo e depois bancando a vítima, como se o afetado houvesse sido ele. Todavia, o seu desgosto por mim parecia ultrapassar os limites da terra, ele sempre tentava me diminuir, falhando em todas as suas diversas tentativas, afinal, eu não permitia que suas atitudes me afetassem.

Ele dá início a sua performance com Sorry, do Justin Bieber e quando encerra, Sung elogia e mostra os pontos que ele precisava mudar, ganhando um olhar irritado de Jung por ser criticado. Sou chamado para apresentar, mas permito que Yeri vá em meu lugar e ela, graciosamente, dança Swan Song, da Dua Lipa.

Eu havia escolhido Dirty Diana, do Michael Jackson. Me posicionei no centro da sala e Sung deu play na música. Os primeiros toques explodiram na caixa de som e eu movimento meu corpo lentamente, sentindo a música percorrer cada pedacinho da minha pele. A dança, para mim, não se resume apenas em movimentos corporais, mas da alma. Eu ouço a mensagem, deixo-a fluir por todo o meu corpo e mente, sinto o sentimento depositado em cada letra e então explodo em demonstrações do que tudo isso reflete em mim.

Eu não nasci para dançar, é a dança quem nasce de mim.

De repente, meu celular que estava no chão começa a tocar, e rapidamente eu paro o que estava fazendo, reconhecendo o toque que eu havia colocado apenas para aquele número.

Corro em direção ao aparelho que estava ao lado de Jackson e atendo a ligação, já sentindo meu coração apertar e as mãos tremerem.

— A-alô? — digo, o tom saindo mais trêmulo do que eu gostaria.

— Senhor Park — reconheço a voz da enfermeira Kwan e não gosto como o tom dela soa. — Precisamos que venha até o hospital com urgência, a sua mãe...

Nem esperei ela terminar, apenas corro em direção ao vestiário e pego minha mochila, correndo para a saída e sendo impedido por Jackson, que segurou meu pulso.

— Sua mãe, não é? Entra no carro, eu te levo.

[...]

Eu andava de um lado para o outro, sentia que a qualquer momento poderia abrir uma cratera no chão do hospital. Jackson permanecia ao meu lado, quieto, pois sabia que nada iria conseguir me deixar calmo.

Os médicos ainda não haviam se aproximado para falar sobre a necessidade de ter a minha presença ali com urgência, tudo que eu sabia era que o quadro dela havia se agravado. Ouço passos se aproximando de nós e instantes depois, meu corpo é tomado em um abraço forte, que eu sabia bem a quem pertencia.

— O que aconteceu? Onde ela está? — Jin perguntou ofegante. — Jackson me mandou mensagem e eu vim correndo..

— Eu não sei, eles não informaram nada, a enfermeira Kwan só disse que o quadro dela piorou. — sinto um bolo se formar em minha garganta e sei que estou prestes a chorar.

— Eu vou pegar um chá, vocês precisam se acalmar — Jackson comenta e Jin assente, agradecendo enquanto o loiro levanta e segue para a cantina, em busca do chá.

Jin faz com que eu sente em uma das cadeira e ele faz o mesmo, se sentando do meu lado e fazendo um cafuné em meus cabelos para me acalmar mais. Jackson retorna com dois chás, que pelo cheiro reconheci ser de erva-cidreira, e entrega um para mim e outro para meu irmão.

Agradeço com um sorriso miúdo e sorvo um pouco do líquido, tomando cuidado para não me queimar. Vejo o médico sair da sala que minha mãe se encontrava e trocar algumas palavras com a enfermeira antes de se aproximar das cadeira onde estávamos.

— Como ela está!?

— O que nossa mãe tem, Dr.!?

— A Sra. Park teve duas paradas respiratórias.

— Mas ela está bem agora? — Jin pergunta.

Dr. Lee retira os óculos e esfrega os olhos com os dedos da mão direita, enquanto a esquerda segura a prancheta que continha os dados médicos da nossa mãe.

— Queiram me acompanhar, por favor.

Me despeço de Jackson rapidamente, agradecendo por ter ficado aqui conosco e pedindo para o mesmo avisar o que aconteceu a Sungdeuk, eu sabia que ele ficaria preocupado.

Adentramos na sala que pertencia ao Dr. Lee e ele indicou as cadeiras em frente a sua mesa para que pudéssemos sentar. O fizemos e ele se acomodou na sua, puxando uma pasta de documentos e deslizando sobre a mesa em nossa direção.

— Isso são as estatísticas referentes ao tratamento da mãe de vocês, como podem notar, nos últimos seis meses, a doença vem progredindo e não regredindo como o esperado com os tratamentos, além disso, vem surgindo outras complicações.

— Quais complicações?

— Eu temo que ela possa estar com início de um derrame pleural, em outras palavras, com água no pulmão — ele mostra as pequenas manchas no raio x.

— Podemos fazer algo para evitar isso? — Jin pergunta e segura minha mão, me acalmando e buscando apoio para si.

Aperto seus dedos como quem diz "estou aqui" e ele respira fundo, me dando um sorriso fraco em resposta.

— Sim, podemos, no entanto... —

— Teremos mais gastos. — concluo e o Dr. assente.

— O tratamento precisará mudar já que o atual não tá surtindo efeito, e, de fato, isso fará com que tenham mais gastos... — ele suspira — Eu sinto muito, rapazes.

Como eu havia dito, depois que eu me assumi, as coisas ficaram complicadas. Meu pai saiu de casa e deixou todas as responsabilidades e suas dívidas nas costas da minha mãe.

Tanto eu quanto Jin, tivemos que dar uma pausa nos nossos estudos para ajudar em casa, mamãe dizia que tudo ia ficar bem, que a gente daria um jeito, mas todas as noites, pela fresta da porta do quarto, eu a via chorando.

Era um padrão. Ela chegava exausta do turno puxado do restaurante, preparava nossa janta, perguntava como havia sido o nosso dia e enquanto íamos contando, ela ia lavando a louça, sempre com um sorriso mínimo nos lábios. No fim, ela beijava as nossas testas e nos desejava uma boa noite de sono, dizendo que iria se deitar assim que terminasse de organizar a cozinha.

Mas a verdade, era que ela apenas esperava que estivéssemos dormindo para acender o terceiro ou quarto cigarro do dia.

Ela sabia que não gostávamos que ela ficasse fumando, era um vício que ela carregava a muitos anos e que só se agravou mais depois de tudo que nos aconteceu. Um ano e meio atrás, descobrimos que ela tinha câncer de pulmão, algo que já estava com ela a quase 4 anos, matando-a lenta e silenciosamente.

— Tudo bem, Dr, a gente meio que...esperava por isso... — é Jin quem diz — Só não sabia que seria tão rápido!

— De toda forma, já tem previsão de quanto vai custar? — pergunto temeroso.

— Irei verificar, provavelmente na semana que vem eu já tenha uma resposta.

[...]

A volta para nossa casa não poderia ser mais silenciosa. Tanto eu quanto Jin estávamos pensativos sobre o que iremos fazer daqui pra frente, as despesas iriam aumentar e eu temia que não fossemos capaz de lidar com isso.

— Vai dar tudo certo. — Jin murmura — Sempre deu, não é mesmo? — anuo em resposta e ele estaciona a kombi, desligando o motor e respirando fundo. — De qualquer modo, ainda resta o meu rostinho bonito, posso seduzir uns coroas ricos. — ele comenta, os olhos fixos no volante.

Ouço sua divagação e não posso conter o riso que me escapa, mesmo em meio as crises, Jin conseguia manter o humor em alta, ele costuma dizer que manter o humor impede que pensamentos ruins nos domine e nos dá forças para enfrentar as adversidades.

— Vem, vamos entrar, vou esquentar o restante do Bulgogi para jantarmos.

Ajudei a retirar as marmitas que sobraram da kombi e entramos em casa. Deixamos tudo na cozinha e cada um seguiu para seu quarto, antes de jantarmos, iríamos tomar um banho para tirar o cheiro de éter hospitalar do corpo.

Fiz um carinho atrás das orelhinhas de Jack, que estava deitado confortavelmente no cesto de roupas sujas do banheiro. Nem demorei tanto no banho, estava tão faminto e cansado, que tudo que eu desejava era me alimentar e cair na cama.

Vesti uma cueca e uma bermuda e segui para a cozinha, esquentando a comida tanto pra mim, quanto pra Jin e no fim de tudo, estávamos tão exaustos, que optamos por comer na sala, enquanto assistimos algum programa de variedades apenas para passar o tempo.

— Vou deitar, estou acabado, sinto dor nos meus 260 ossos. — Jin reclama enquanto estica os braços e eu franzo o cenho.

— Mas só temos 206 ossos...

— Estou sentindo muita dor para ser em apenas 206 ossos. — ele rebate e leva a tigela para a pia. — Boa noite pirralho. — deixa um beijo na minha testa e bagunça meus fios como ele sempre faz.

— Boa noite, velhote.

Fico mais alguns minutos na sala, trocando os canais em busca de algo legal para assistir. Quando noto que não tem nada de bom, desligo e me dirijo ao meu quarto, uma boa noite de sono é tudo que eu preciso para me recompor do dia de hoje.

Na manhã seguinte, desperto com os miados estridentes de Jack, enquanto o mesmo bate com a pequena cabeça em minhas costas, algo como: "quero sair desse quarto, humano. Abra a porta "

— Só mais cinco minutos, Skellington, por favor!

Não ouço mais miados, e acredito que ele tenha acatado o pedido. Sorrio internamente e relaxo para voltar a dormir, sentindo meu corpo ficar leve e minha mente entrar no mundo dos sonhos...

— Porra, Jack! — exclamo e me sento.

O safadinho havia colocado as garrinhas afiadas contra a pele da minha panturrilha, me fazendo despertar por completo.

Olho para a ferinha sobre a cama, e sorrio quando vejo que ele lambia a patinha distraidamente, como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo.

Abro as janelas do quarto e vou até o guarda roupa, separando uma roupas simples, não pretendia sair hoje, iria organizar a casa e depois procurar alguns serviços online.

Tomo um banho gelado para ajudar a espantar o sono e por que também estava bem quente. Finalizo o banho, seco meu corpo e visto as roupas que havia separado.

Volto para o quarto e arrumo a cama e pego a bolinha de pelos da cama, seguindo para a cozinha.

— Bom dia, achei que já tinha saído. — digo para Jin, enquanto pego a latinha de ração no armário — Vem filho, vem tomar café! — balanço a latinha de ração e vejo Jack vir todo serelepe em minha direção.

— Eu já estou indo, vou entrar mais tarde hoje. — ele responde preparando mais dos seus inúmeros sucos Detox.

Franzo o cenho quando vejo ele ingerindo a bebida verde e fazendo uma expressão deleitosa, como se fosse a coisa mais gostosa do mundo. Sacudo os ombros como se estivesse espantando algo e vou até a torradeira.

Preparo minhas torradas e encho uma xícara de café, indo para sala e me acomodando no sofá ao lado do Jin.

— Coloca no canal dos famosos, quero ver as boas de hoje! — Jin pede e eu mudo os canais até chegar no que ele quer. — Quem sabe não tem alguma bomba fresquinha da SM.

"E hoje se encerram as audições na Moonchild. O produtor e diretor da Moonchild Entertainment, Kim Namjoon, anunciou de última hora, uma audição em busca de um dançarino para o novo álbum do idol, Jeon Jungkook.

Buscamos alguém que expresse todo esse sentir com a dança. Porque a música é uma representação da alma, e a dança é uma extensão de tudo isso, onde o nosso interior alcança o mundo inferior com os movimentos do corpo! — Diz o Kim.

O escolhido irá participar da turnê mundial da mais nova sensação coreana, e poderá até mesmo, se tornar uma grande estrela no mundo da dança.

Quem tiver interesse, compareça ainda hoje na Moonchild, a audição encerra ao meio-dia. Não perca essa oportunidade"

— Uau! Por que você não participar, Chim? — Jin fala comigo, mas eu ao menos respondo.

Então era verdade.

A equipe de Jeon Jungkook realmente me chamou para trabalhar com eles. Era de verdade, não era mais uma furada, eu não estava sendo enganado novamente.

— Jimin? — Jin estala os dedos em frente ao meu rosto e eu pisco atordoado — Estava no mundo da lua, amigão? Te chamei duas vezes.

— Jin... Lembra daqueles caras em Hongdae?

— Não, mas o que tem eles?

— Era a equipe de Jeon Jungkook. Eles me queriam como dançarino.

— E por que infernos você não aceitou? — ele exclama.

— Eu achei que era mais uma proposta daquelas. Eu achei que eles iriam tentar algo comigo, ou tirar dinheiro de nós novamente, eu não acreditei. Tive medo! — digo com sinceridade e Jin suspira, segurando em minhas mãos e olhando nos meus olhos.

— Você vai subir agora, vai trocar de roupa e eu vou te levar naquela empresa. Você vai dançar e mostrar que você é a melhor escolha. — ele aperta minha mão — É a sua chance, Chim, é a sua oportunidade de mudar de vida.

— Tudo bem, eu...eu vou, mas irei por que sei que isso pode nos ajudar, se eu realmente passar, eu posso pagar todo o tratamento da mamãe e ....

— Shh, não pense nisso agora, não pense em nada. Só vá e dance, faça por você. — ele se levanta e me puxa para que eu fique de pé também — Vá se vestir, vou te levar lá.

[...]

Após me desejar boa sorte inúmeras vezes, Jin vai trabalhar. Respiro fundo e encaro a grande estrutura da Moonchild. Era um prédio realmente bonito e esbanjava luxo.

Jogo os cabelos para trás e caminho até a portaria. Informo que estou aqui para participar da audição, e depois de auxiliar todo o caminho, eu sou liberado para adentrar.

Sigo as instruções do porteiro e depois de uma dez minutos, eu consigo chegar na sala onde os participantes deveriam esperar, no entanto a mesma já se encontrava vazia.

Pego meu celular e percebo que já era meio-dia e quinze. As audições iam até que horas mesmo?

Ouço vozes vindo do lado de fora da salinha e sigo na direção do som, notando que o mesmo levava para uma sala semelhante a que eu costumo ensaiar.

Um pequeno grupo discutia em uma mesa repleta de papéis, havia um total de quatro pessoas. Uma garota loira e três homens, sendo um desses o que reconheci como o que havia me feito a proposta. Jung alguma coisa. Solto um pigarro um pouco alto e consigo os olhares de todos sobre mim.

— O que deseja? — um moreno pergunta, sua expressão não era nem um pouco amigável.

— Eu vim para a audição. — respondo e o moreno ri.

— Está um pouco atrasado, querido. — ele sorri — A audição terminou há 15 minutos atrás.

— Você ao menos tem uma inscrição? — Um loiro de óculos pergunta e eu nego.

— Atrasado e sem inscrição, definitivamente não irei permitir que você se apresente, já demonstrou que não tem o mínimo de compromisso. — o moreno volta a dizer e eu sinto meu sangue esquentar.

— Eu sinto muito, mas... —

— Sem "mas", pode ir embora.

— Desde quando você manda em algo, SeHo? — o rapaz que me fez a proposta pergunta com os braços cruzados.

— Eu estou coordenando isso aqui, e se eu digo que ele não vai dançar, é por que ele não vai.

— Mas EU quero que ele dance. — ouço uma outra voz e olho ao redor da sala, encontrando um cara alto, metade de seu rosto está tampado por uma máscara cirúrgica. Seus olhos eram extremamente familiares para mim.

Analiso seu rosto com calma e então percebo que ele era o garoto pra quem eu havia dançado, o garoto que me trouxe sensações esquisitas. O misterioso cara de Hongdae.

— E são apenas quinze minutos de atraso, SeHo, não é nada grave. — o loiro que estava ao lado do moreno de máscara se pronúncia e eu reconheço ele também da noite em Hongdae.

— Mas...Ele não tem nem inscrição! Veio do nada! Como podemos permitir algo assim? E nossos princípios? Onde ficam? — o que descobri se chamar SeHo reclama, e vejo o moreno de máscara revirar os olhos e retirar a mesma, revelando algo que me faz ficar boquiaberto.

Sinto um arrepio passar por minha espinha quando vejo que a pessoa que eu havia provocado a performance toda, era simplesmente, Jeon Jungkook.

— Pelo amor, pare de fazer tanto caso! — o loiro de óculos reclama e revira os olhos — Os donos da porra toda já disseram que o ruivinho ali vai se apresentar, então fica quietinho aí, fica.

— Só não vejo necessidade disso, apenas iremos ver mais uma pessoa rebolar como qualquer outra, vimos isso ontem e hoje, qual a novidade? Até a minha avó dança como essas pessoas.

— Chega, SeHo, céus! — a garota loira exclama — Tudo isso por que ele não tem a droga de uma inscrição!

— A inscrição é o problema? — o loiro ao lado de Jeon Jungkook pergunta — Não seja por isso! — Ele pega um papel e caneta e me encara — Qual o seu nome?

— Park Jimin — ele escreve o meu nome no papel e joga na direção do moreno mal humorado — Toma a merda da inscrição.

Vejo Jeon Jungkook se aproximar da mesa e se sentar ao lado do moreno, e quando todos estão em seus lugares, iniciam uma discussão sem fim. Aproveito o momento para pegar o pen drive em minha mochila, me aproximando da loira que está sentada em uma das extremidades, olhando para o notebook, sem se deixar importar com os cinco rapazes que não param de debater sobre aceitar que eu me apresente ou não.

— Make It Hot, Major Lazer e Anitta, por favor. Está na primeira pasta. — Ela olha para mim e pisca atônita com minha atitude, pegando o pequeno objeto de minhas mãos e sorrindo em seguida.

Abandono a mochila em um canto e ando de volta para o centro da sala, alongando meu corpo enquanto a loira procura pela música.

Quando as primeiras notas saem pelas caixas de som, me posiciono e noto que todos voltam sua atenção para mim, perplexos, inclusive Jungkook, que se endireita sobre a cadeira para me assistir, parecendo ansioso em saber o que farei. Mas hoje, não é nele em quem me focarei, e sim em SeHo, o qual agora tem meu olhar completamente fixo em si.

É uma dança que ele quer?

É mais do que isso que vou lhe dar. Depois dessa, o metido a besta vai mudar seus conceitos sobre nós, dançarinos. E mesmo que eu não passe nessa audição, não sairei de cabeça baixa. Sei que os neguei uma vez, e os ter aqui, me analisando para uma escolha, faz com que eu queira dar o melhor de mim cem vezes mais. É pela minha família que estou aqui, e é nisso que penso quando começo a movimentar meu corpo.

Sinto meu sangue fluir juntamente as notas sensuais e a adrenalina percorrer meu corpo, me dando energia suficiente para dançar.

Apesar de executar cada passo com maestria e me lembrar de cada regra ensinada por Sungdeuk pra me portar com excepcionalidade, sinto-me leve como uma pluma, pois tudo o que faço é deixar que a dança me tome por completo, sentindo-me livre e dando a ela total liberdade para usar meu corpo da forma que quiser.

Não tiro meu foco de SeHo, que me encara de braços cruzados e cara emburrada, e o fato de saber que ele se sente desafiado, mas ao mesmo tempo não consegue tirar os olhos de mim, me fazem sorrir sacana e eu me solto mais ainda.

Abuso das provocações e do meu deboche para confrontá-lo, por que a partir do momento que ele me julgou como um dançarino amador e relaxado, isso já se tornou, para mim, uma prova de honra, de mostra-lo que seu cargo ou nível aqui pouco importa e não me intimida. Se é ele quem da as palavras finais ou não, isso não me importa, vim para mostrar do que sou capaz, e tenho certeza que posso fazê-lo lamber meus pés facilmente com um simples "rebolado". E no fim, ele engolirá suas palavras a seco, sem um pingo de água pra ajudar com a digestão.

Sou confiante no que faço, sou Park Jimin.

"Te gusta mi sensulidad" — eu não poderia ter optado por música melhor.

Praticamente deslizo enquanto tenho meus olhos atentos em suas expressões, um mínimo sorriso em meus lábios e eu giro em um ângulo de 180º, tendo meu corpo parcialmente de costas para ele, pois minha cabeça ainda está um pouco virada, com o olhar focado no moreno, fuzilando seus olhos de peixe morto com os meus cheios de convicção.

E então, me posiciono de lado, preparo-me para mostrá-lo o que é rebolar, levantando a camiseta e acariciando as laterais do meu abdômen e delineando meu bumbum com as mãos, enquanto movo os mesmos em "ondas" sensuais, deixando todo meu tronco a vista e tremendo meu bumbum rapidamente, com tamanha sensualidade, tendo ele de olhos arregalados quando me movimento em uma finalização maravilhosa.

Deito sobre o chão e me deixo deslizar sobre o mesmo como uma serpente, quando me levanto e giro em um andeor perfeito, seguido por uma mortal para frente e caindo sentado com uma das pernas esticadas, com completo deboche.

Observo então que todos me olham estáticos. Na sala, só se pode ouvir a minha respiração ainda ofegante pela dança. Passo meus olhos por cada um ali presente, gravando suas expressões em minha mente.

Fixo meu olhar em SeHo, que se mantem com a mesma expressão irritada e as narinas infladas. Passos os dedos nos meus fios de cabelo, os jogando para trás e caminhando até a mesa.

Paro em frente ao moreno e inclino a cabeça para o lado.

— SeHo, certo? Pois bem. Tenho certeza de que sua avó não dança como eu danço. — deixo uma risada de escárnio escapar.

Pego a caneta sobre a mesa e brinco com a mesma entre os dedos, encarando seus olhos com o mesmo sorriso provocador nos lábios.

— Pode ser que eu não seja escolhido, mas tudo bem, eu sei o que fiz aqui, sei que "rebolei", muito bem! — retiro a tampa da mesma e seguro seu braço sobre a mesa, escrevendo meu número em sua pele clara — Caso mude de idéia, já tem meu número! — pisco e seguro em sua mão, abrindo a mesma e depositando a caneta ali. Em seguida, fecho seus dedos sobre o objeto e dou dois tapinhas leves em seu punho.

Faço uma reverência em agradecimento, dou uma última olhada para todos uma última vez, fixando meu olhar por alguns segundos nos de Jeon, e, com um sorriso, pego minha mochila e deixo a sala. 


Notas Finais


Música que o Jimin performou:
https://youtu.be/qX3O8qxncl4


Jack Skellington = personagem do Estranho Mundo de Jack

59.117,50 won = R$ 203,18

Hotteok= é uma panqueca rechada

Vocês gostaram? Esperamos que sim!

Preparem os corações que o próximo capítulo promete!

Não se esqueçam de votar e dêem amor a arabel_la que está comigo nessa aventura que é intense.

Não se esqueçam da TAG #IntenseComingSoon

Nos vemos logo! ♡☆☆☆☆


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