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História Intensidade - Betty e Jughead - Capítulo 60


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Capítulo 60 - Capítulo 60


POV ELIZABETH 

Quando o barulho ensurdecedor do meu fuzil para, o silêncio se faz apenas por um segundo, consigo ouvir os sussuros dos soldados atrás de mim " Caramba ela é foda " outro alguém fala " E gostosa " e então Archie rosna pra alguém " Cala a boca ".
Mas é uma voz alta e irritadissima, como nunca ouvi antes que sobressai

-- MAS QUE PORRA BETTY -- FP ta furioso, e eu? Nem ligo. Vejo Archie suspirar.
Ignoro um FP furioso, ignoro os soldados de Archie babando, ignoro Archie suspirando. Concentro apenas em mim e no que vim fazer aqui. Recarrego meu fuzil enquanto FP e Archie parecem discutir. Não me importo de ouvir o que falam.
Penduro meu fuzil no corpo, saco duas armas, deixando uma em cada mão, já engatilhadas, apontadas pra baixo e saio andando em passos firmes e determinados em direção a casa.
Ouso uma voz atrás de mim.

-- Aquilo foi foda, devia ganhar o Oscar -- Archie diz Orgulhoso.

-- Nem comecei -- Ele sorri, gostou do que eu disse, continuo. -- Não preciso que me faça companhia Archie, Dividir e conquistar, lembra?

-- FP ta surtando, mandou eu ficar com você e não deixar você fazer mais besteira -- Reviro os olhos -- Além de que o combinado era ninguém ficar sozinho, pra segurança e tal -- Na mesma hora que Archie fala, levanto a mão esquerda e dou um tiro no peito de um capanga de Hiram que vinha para nos atacar, na mesma hora viro pra trás e dou outro tiro, também no peito, e outro capanga vai no chão.
Archie fica de boca aberta, ele sabia que sou boa, mas nunca me viu em ação de verdade.

-- Como pode ver, consigo cuidar de mim mesma -- Digo pra ele.

-- Acho que quero ficar com você pela minha segurança, Betty -- Ele fala e olho pra ele, esperando algum humor, mas ele ta falando sério.
Percebemos que agora as coisas vão ficar complicadas, a dispersão na casa a alguns metros a nossa frente é grande, pelo jeito o casarão já foi avisado do ataque, olho pro lado e vejo ao longe, FP e os soldados de Archie se separarem e atacar. Eu e Archie começamos a correr, muitos capangas vem em nossa direção. Avançamos e começamos a brigar, são bastante homens só pra mim e Archie, mas estamos dando conta, damos tiros, punhaladas, socos. Olho pro lado e vejo um grandalhão careca enforcando Archie, miro minha arma nas costas dele e disparo, ele cai no chão na mesma hora, ótimo, foi direto no coração. Archie começa a tossir, enquanto avança em cima de outros.

Finalmente conseguimos sair da praia e entramos na casa, olho pra trás e vejo o rastro de corpos jogados, isso só me da mais gás pra continuar.
Nós escondemos dentro de um corredor, conseguimos ouvir a agitação dentro da casa, sei que tem muitos homens do Hiram se preparando para nos atacar.
Carregamos as armas.

-- Dividir e conquistar então -- Archie fala pra mim. Faço que sim com a cabeça. Agarro o braço dele com força e lhe lanço um olhar penetrante.

-- Eu sei, ele será seu, cuidei de tudo, lembra? -- Faço que sim com a cabeça, e Archie se prepara pra seguir o lado esquerdo do corredor.

-- Fica bem, eu te amo -- Digo pra Archie com firmesa, e ele sorri abertamente pra mim. Acho que nunca disse que o amava assim, com tanta espontaneidade.

-- Eu também te amo linda --

-- Não vai desejar que eu fique bem? -- Pergunto fingindo indignação. Se tem uma coisa que também aprendi com Archie, foi um pouquinho de humor negro. Ele da uma gargalhada, e me lança um olhar obvio.

-- Sei que você não precisa -- Ele suspira e diz -- Se eu não sair vivo daqui, diga pra Veronica que eu a amo mais que tudo, e que ela precisa seguir em frente, encontrar outra pessoa e ser feliz, mas ele precisa ser mais feio que eu -- A princípio eu ia repreendelo por estar cogitando que poderia morrer, mas acabo rindo com a última parte.

-- Não vou disser isso -- Digo me referindo a parte de um homem mais feio que ele. E ele sabe.

-- Claro que vai, e de preferência, que beije mal -- Reviro os olhos.

-- Quando ela estiver beijando ele, será uma mulher muito infeliz -- Digo com humor e ele me olha como se dissese " Como Você é burra " por que diz.

-- Ninguém é feliz o tempo todo Betty -- Meu Deus, Archie Andrews é o melhor. Apenas sorrio e faço que sim, revirando os olhos, quando me preparo pra seguir o lado direito do corredor, Archie segura meu braço.

-- Mais uma coisa, se eu morrer, além de disser tudo aquilo pra Veronica, você também precisa disser pra uma certa morena, tatuada, marrenta, linda, que aquele beijo que demos em frente ao lago, foi muito bom, o segundo melhor beijo da minha vida -- Arregalo os olhos, surpresa, por que ele falou bem sério, vejo em seu olhar. Sorrio, sei que o primeiro lugar é de Veronica, e isso não me incomoda nem um pouquinho.

-- Vou me certificar que ela saiba disso -- Digo, dou uma piscadinha de lado pra ele e então seguimos cada um para seu lado do corredor.

Me sinto determinada e confiante. Meu sangue ferve nas veias, sinto meus pulmões cheios de ar. Sei que não vou morrer hoje, hoje não é meu dia, hoje é o dia de outra pessoa.
Sigo o corredor escuro, e a cada passo, homens vem pra cima de mim, e eu apenas os mato, só sigo andando e acertando no coração, não acerto nenhum na cabeça, esse privilégio, apenas um terá hoje.
Canalizo toda a dor, tristeza, saudade, magoa, raiva, que senti por dois anos, todos esses sentimentos ruins que tomaram meu coração, vejo, que só me fizeram mais forte, e toda essa força, está transcendendo meu corpo nesse momento, transbordando de dentro pra fora, na minha arma.
Não considero estar matando essas pessoas e pissando em seus corpos quando prossigo, sem sentir culpa, como se eu fosse uma pessoa fria. Me considero uma sobrevivente, forte e invencível.
Hoje, quem da as cartas só eu.
Sigo o corredor matando qualquer alma viva que encontro, mas sem antes olhar bem dentro dos olhos de cada um. Eu vim aqui atrás de duas pessoas, preciso me certificar que essas pessoas que estou matando por matar, não sejam nenhum dos dois.
Meu plano é prosseguir até achar quem eu procuro, e até lá, mato quem entrar em meu caminho.
A cada porta que encontro nos corredores, eu empurro com um chute e entro, faço o que preciso fazer, saio do comodo e prossigo.
Quando viro em um corredor sem saída, meu rosto se ilumana, há dois guardas vigiando uma porta. Hiram Lodge só pode estar lá dentro. Aperto meu passo, e sentindo uma fúria avassaladora, disparo tiros em cima dos guardas, que tentam revidar, mas não da tempo, atirei pra matar e é isso que acontece, eles caem mortos no chão. Bufo irritada, por que tenho que puxar seus corpos da frente da porta.
Quando me preparo pra derrubar a porta, uma lembrança toma minha mente.

Eu sentada, no hospital, segurando o corpo sem vida do meu bebê, me sentindo fraca e impotente, essa lembrança faz a raiva borbulhar em mim e nunca me senti tão forte e determinada antes.
Ajeito meu fuzil no corpo, guardo uma arma no cós da calça e aperto a outra firme com as duas mãos, apontando pra frente, e dou um belo chute na porta, deixando uma marca do meu coturno nela.

Avanço pra dentro do comodo escuro, quando entro, sinto a presença de alguém, vindo pra cima de mim com tudo, minha arma cai no chão e a perco de vista no meio da escuridão, e sinto o baque do meu corpo sendo jogado, rapidamente me levanto e parto pra cima, e começamos a lutar, o lugar ta escuro, então não enchergamos nada, quem quer que seja essa pessoa, que estou socando, sabe lutar, por que em nenhum momento enconteo chance de pegar outra arma na minha cintura, a pessoa está determinada e eu também.
Estamos quebrando tudo a nossa volta, a pessoa me agarra por trás e cola nossos corpos, sinto uma respiração ofegante no meu ouvido, meu coração da um pulo, ignoro. A pessoa começa a apertar o braço no meu pescoço, e antes que eu fique sem ar ou perca os sentindos, uso o golpe especial que FP me ensinou, me inclino pra frente e jogo o cara grandão que está me apertando pra frente, ele voa pelo ar e bate com tudo no chão, a escuridão não me deixa ver nada. Só sei que ele se levantou, quando o sinto se jogar em cima de mim e me empurrar com tudo, bato forte na parede... Apenas um fecho de luz que vem do corredor, que entra pela porta entre aberta, ilumina um pequeno pedaço do chão, vejo os pés da pessoa vindo pra cima de novo, quando bato na parede, espalmo minhas duas mãos na parede atrás de mim, pego impulso e me lanço pra frente, com a perna levantada, e dou um chute na cara, a pessoa cambalea pra trás, e quando começo a me mover com rapides pra me jogar em cima dele, ele volta correndo e ma lança na parede outra vez, agarra meu pescoço com a mão direita e aperta, me inclinando pra cima, fazendo meus pés se balançarem no ar, começo a sufocar, levo as mãos ao meu pescoço, tentando tirar a mão forte que me aperta, mas não consigo.
Não consigo ver seu rosto, e sei que ele não vê o meu, mas consegue ouvir minha respiração ficar ofegante, prestar a ir embora. Então por puro reflexo, dou meu golpe fatal, reuno toda a força que ainda resta em meu corpo e dou um chute pra frente, acerto suas partes íntimas, na mesma hora a mão forte me solta, caio no chão tossindo, enquanto ouso o cara a minha frente gemendo de dor, jogado no chão como eu.
Sem esperar, me jogo com tudo em cima dele, mesmo com dor, ele tenta se defender, rolamos atracados no chão, e então a pequena luz do corredor que entra no cômodo, ilumina nossos rostos, na mesma hora paralissamos, nosso olhar se encontra, e sinto o ar indo embora dos meus pulmões, meu coração bate rápido, meus olhos se iluminam e enchem de lágrimas, Jughead.
Ele olha pra mim confuso, mas vejo seu olhar brilhando e se enchendo de lágrimas assim como os meus.
Ele se levanta com tudo, me fazendo levantar também e tomado de tensão, me encara confuso e surpresso, então ele fala, baixinho, com a voz cortada.

-- Quem é você? Por que se parece tanto com ela? -- E quando ouso sua voz, uma lágrima escorre dos meus olhos, meu peito sobe e desce rápido, enquanto tento controlar a emoção avassaladora, eu sonhei tanto em ouvir sua voz de novo. Tento abrir a boca pra falar que sou eu, sou eu de verdade, mas não consigo, me sinto paralissada.
Ele se aproxima cautelosamente, o sinto exitar um pouco, parece perdido e confuso, a cada passo que ele da até mim, eu vou perdendo mais o ar. Ele chega perto, nossos rostos a apenas alguns centímetros de distância, o pequeno fecho de luz nos ilumina, seus olhos brilham e eu fico mais ofegante, ele me olha dentro dos olhos e com toda a delicadeza do mundo, porem firme, ele encosta seus dedos no meu rosto, suspiro quando sinto seu toque, é exatamente como eu me lembrava, ele faz um carinho no meu rosto, como se quisesse o sentir, sentir meus traços, quanto mais ele me acaricia em meio ao silêncio, por que nenhum de nós consegue falar, o sinto ofegar como eu, seu olhar confuso e perdido se transforma em felicidade e surpresa. Seus dedos percorrem meu rosto até chegar em meus lábios, ele toca meus lábios com as pontas do dedo e seu corpo se aproxima involuntariamente um pouco mais de mim. Ele ofega mais e vejo uma lágrima saindo de seus olhos e rolando por sua bochecha, uma expressão de felicidade sem medida toma o rosto dele. Seus dedos se mechem, percorrendo meus lábios, e então fecho meus olhos involuntariamente, pelo prazer de sentir seu toque, e sinto as lágrimas que tentava segurar, rolarem entre meus cílios.

-- Abra os olhos pra mim -- Sua voz sai fraca, embargada. Ele leva a mãos dos meus lábios pro meu pescoço, a enfiando entre minha nuca e meu cabelo. Abro os olhos, mordo o lábio, me sentindo ansiosa. Ele me olha bem fundo, nosso olhar se comunica. Como senti falta dele olhando assim pra mim, cheio de amor. Mas seus olhos ainda tem um pequeno resquício de incerteza, acho que não está conseguindo acreditar que sou mesmo eu.

-- Esses olhos, eu nunca esqueceria esses olhos, os olhos mais lindos que já vi, esses olhos verdes pertecem a uma única pessoa -- Sua voz ganha confiança e vejo que a pequena dúvida que tinha em seus olhos, vão embora, seu olhar transborda certeza e ele começa a chorar, lágrimas sem controle saem de seus olhos e dos meus também, a emoção toma conta de nós, ficamos nos olhando nos olhos, falando com o olhar, para o outro, tudo que nossos lábios não consegue, enquanto as lágrimas escorrem feito cachoeiras de nós.
Ele sussura " Betty " e me sinto perder o fôlego, como eu senti falta dele falando meu nome, como senti falta de ver meu nome saindo dos seus lábios com tanta devoção.

-- Sou eu -- Tudo que consigo disser em meio a emoção, seus olhos brilham e seus lábios abrem um sorriso quando ele finalmente ouve minha voz, então ele me abraça, me abraça muito forte enquanto sussura tomado de emoção " É você, é você ".
Sussuro de volta, enquanto passo meus braços por sua cintura e o aperto.
" sou eu " então soluçõs saem das nossas bocas, enquanto sorrimos e choramos abraçados.
Quando sinto seus braços me envolvendo com tanta firmesa, como se ele tivesse medo que eu suma. Sinto os caquinhos do meu coração, que estavam sendo remendados antes, quando soube que ele estava vivo, dando a última volta na linha e em seguida o nó.
Nos afastamos com reluta do abraço e ele envolve meu rosto com as duas mãos, faço o mesmo com ele, e sorrimos, sorrimos o maior sorriso de todos, enquanto nos olhamos.

E antes que possamos falar qualquer coisa, meu radio chama.
" Linda ta ai? Betty ta ouvindo? Betty... " Archie fala, me solto de Jughead que me olha surpreso e aperto o botão, falando.

-- To aqui Archie -- Digo olhando pra Jughead, que sorri surpreso ao ouvir o nome de Archie.

-- Porra, linda que susto, você ta bem? -- Archie fala no rádio, Jughead arregala os olhos ouvindo as palavras de Archie, como se perguntasse, Linda?

-- To bem e você? -- Pergunto a ele, Jughead estende o braço e abre um pouco mais a porta, fazendo o comodo se iluminar mais, e então me analisa de cima a baixo, o sinto confuso com minha aparência, roupas e as armas.

-- To bem, to com ele, vem me encontrar, FP ta procurando Jughead -- Archie diz tudo de uma vez, ele está sorrindo e eu sorrio de volta, sei de quem ele se refere, meu rosto se ilimuna e Jughead me olha surpreso e perdido.

-- Ele ta comigo Archie, Jughead ta comigo-- Digo sorrindo e sentindo a emoção tomar conta de mim, Jughead sorri abertamente também, enquanto me olha.

-- O QUE? PORRA, É SERIO? -- Archie grita eufórico, estendo a mão pra Jughead e aperto o botão.

-- É sério, porra -- Jughead diz divertido e eu sorrio.

-- CARALHO, PORRA, PORRA -- Archie grita animado e então ouvimos muitos tiros pelo rádio.

-- Archie, Archie -- Grito

-- To aqui Porra -- Ele fala. Suspiro aliviada. Mas então algo me ocorre, Hiram, ele tem que ficar vivo, quem vai matar ele sou eu.

-- Archie, ele ta vivo né? -- Digo nervosa, Jughead arregala os olhos, confuso.

-- Ta, ele é todo seu, fica tranquila, vem logo -- Suspiro aliviada.

-- Aonde você ta? -- Pergunto, enquanto procuro minha arma no chão. Jughead vai pra porta, olha pro corredor, e arregala os olhos, vendo os dois homens mortos no chão

-- To na sala principal, perto das escadas, mas não vem pelos corredores, ta cheio de homens, se verem Jughead vão ir pra cima com tudo, vem pela praia, pula a janela. Tem alguns homens na praia, mas sei que da conta -- Archie diz e Jughead me olha muito confuso e perdido, eu não sou a mesma Betty da qual ele se lembrava e ta vendo isso, bom nem ele é, está mais forte, ainda mais bonito, penso.

-- Ok, estamos indo -- Digo, guardo o rádio e recarrego a arma bem rápido, que havia pegado do chão a alguns segundos, depois avisto meu fuzil, pego também e arrumo a alça dele no ombro. Jughead olha pra mim parecendo hipnotizado, não sabe se encara minha agilidade com as armas, minhas roupas, ou meu cabelo, ainda bem que as tatuagens estão cobertas, se não seria mais uma coisa pra ele dividir o olhar, ele desvia o olhar de mim e olha pros caras mortos na porta e então me olha de novo, parecendo ligar os pontos.

-- Você matou eles? -- Pergunta incrédulo, parece não acreditar no óbvio.

-- Sim -- Digo firme e dando de ombros, ele abre a boca pra falar, mas não consegue.

-- Essas janelas dao pra praia? -- Pergunto, tentando fugir do olhar questionador dele. Ele faz que sim, puxo as cortinas e o clarão entra, na verdade, as janelas são um pedaço de vidro que não abre. Agindo naturalmente, me afasto, tiro o fuzil que está pendurado em meu corpo, aponto ele reto pra janela, coloco toda a minha força e o forço três vezes contra o vidro grosso, ele se quebra nos dando a passagem que tanto precisamos.

-- Vamos -- Digo pra Jughead enquanto ele me olha chocado. Nos aproximamos do buraco no vidro.

-- É muito alto Betty, não quero que se machuque -- Ele diz confuso e preocupado. Realmente é alto, estamos no segundo andar

-- Não vou me machucar -- Digo pra ele, pego o fuzil e jogo la embaixo, ele cai na areia fofa.

-- Vou na frente, qualquer coisa te seguro -- Penso em disser que não preciso, mas me calo, ele vai na frente e pula, cai rolando na areia, vou logo em seguida, e faço exatamente como nos treinos, e caio agachada, praticamente em pé, Jughead me olha ainda mais surpreso, de olhos arregalados

-- BETTY CUIDADO -- Ele grita enquanto vem pra cima de mim, tentando cobrir meu corpo, enquanto olha pra cima, no instinto tiro a arma da cintura e aponto pra cima, atrás de mim. No segundo andar, da onde pulamos, tem um homem prestes a disparar contra a gente, puxo o gatinho duas vezes, os dois tiro os acerta, e o cara cai pra trás, provavelmente morto. Me levanto rápido, pego meu fuzil e passo no corpo, Jughead se levanta, se sentindo confuso e perdido com tudo que está pressenciando, jogo uma arma pra ele, ele pega no ar, estendo as mãos nas costas e pego a outra arma no cós da calça, quando ele ve o que tenho nas mãos, seu rosto se ilumina.

-- É a que eu te dei? -- Pergunta, vendo a arma dourada brilhar

-- Sim -- Digo com um meio sorriso.

...
Caminhamos em silêncio pela areia da praia, dando voltas na casa, até chegar a entrada, há uma tensão sobre nós, não sabemos como agir ou como falar, primeiro que eu nunca o vi tão gostoso antes, segundo que ele me olha como se tivesse pensando a mesma coisa, teceiro, pensamos por dois anos que o outro eatava morto, entre outros mil pensamentos confusos que eu e ele estamos sentindo, fora a euforia do momento. Há alguns homens na entrada da casa, como Archie havia falado, entramos num mini corredor que leva a uma janela da casa, o espaço é mínimo, então ficamos colados um no outro, nossa respiração se mistura, nossos olhos se encontram, ele me encara com desejo, eu sinto. Mas me obrigo a voltar a realidade, com cuidado, tiro o fuzil do corpo, o destravo.

-- O que ta fazendo? -- Ele pergunta com os lábios quase encostados no meu, sinto uma hálito gostoso, junto de uma voz sexy entrar pelo meu nariz e ouvidos, Meu Deus.

-- Liberando passagem -- Digo, mas não espero resposta, aponto meu fuzil pra fora, dou um pequeno passo pro lado, acerto a postura, franzo os olhos e solto o dedo no gatilho, começo a disparar um tiro atrás do outro, movendo o fuzil lentamente. Mato todos. Movo a cabeça e olho pra Jughead, ele me olha com uma intensidade que nunca vi Antes. Fico nervosa, muito nervosa. Desvio o olhar e saio do pequeno corredor, apontando o fuzil enquanto olho por todo redor, não vejo ninguém. Jughead vem atrás de mim, e subimos um pequeno lance de escadas, e quando chegamos a entrada da casa, tem muitos homens jogados no chão, todos que acabei de matar. Ouso Jughead sussurar
" Puta Merda " Não falo nada, apenas continuo o caminho. Quando viro a esquerda, vejo Archie, ele vem até mim de braços cruzados, vem falando.

-- Ouvi daqui o estrago do seu fuzil, FP ta furioso com a gente -- Antes que eu consiga responder, Jughead aparece atrás de mim, Archie paralisa, ele sorri abertamente e vejo seus olhos se encherem de lágrimas, Jughead ta paralisado também, seus olhos também cheios de lágrimas e um sorriso ainda maior no rosto. Eles se encaram por um momento, e então se aproximam e se abraçam muito forte, consigo os ouvir chorar e choro junto.

-- Você ta vivo mesmo -- Diz Archie chorando.

-- Eu to -- Diz Jughead

Ouso no fundo alguém se aproximando e falando algo como " Archie você achou ela? Não que eu esteja preocupado, ela não precisa, só quero brigar com... " FP não termina, enquanto ele me olha furioso, ve Jughead a minha frente. FP começa a chorar, Meu Deus, nunca o vi chorando assim.

-- Filho? -- Ele diz em meio ao choro e Jughead corre até ele e o abraça também.

Depois que eles se separam e trocam algumas palavras, Archie diz.

-- Dominamos o lugar, a maioria morreu, os outros estão amarrados lá dentro da casa, e o Hiram ta junto -- Archie diz me olhando firme, sinto minha pulsação acelerar, FP me encara cauteloso, Jughead me encara com a mesma intensidade de raiva que eu estou. Meu rosto se fecha e toda a escuridão dentro de mim, aparece e toma conta do meu corpo, dou um passo a frente, querendo entrar na sala, estou furiosa.

-- Ele é todo seu linda, mas tenha calma -- Archie diz baixinho pra mim, me olhando com suavidade, enquanto toca meus braços. Faço que sim com a cabeça e me desvencilho de Archie, Jughead parece confuso, mas muito furioso, assim como eu. FP entra na minha frente, me proibindo de passar.

-- Não Betty, já disse que não -- Ele fala firme e lança um olhar de furia pra Archie.

-- Você não vai me impedir FP -- Digo firme e autoritária, meu coração bate acelerado, junto da dor descomunal que esse cara me fez sentir, me sinto pronta, como nunca, pra fazer isso.

-- O que ta acontecendo? -- Jughead pergunta, sua voz ta trêmula.

-- Ela quer matar ele -- FP diz olhando pra Jughead. Jughead serra os punhos.

-- Eu vou matar -- Digo em seguida, o corrigindo.

-- O que? Não -- Jughead fala incrédulo, me olhando com intensidade, desvio os olhos, não quero decifrar seu olhar. Me desvencilho de FP, dou alguns passos e entro na sala, paralisso
Ouso os três vindo atrás de mim.

-- Não ousem impedir ela, NÃO OUSEM -- Archie diz.

-- Não, eu disse não, porra Archie -- FP grita.

-- Você não pode deixar ela fazer isso Archie -- Jughead indaga, também furioso.

-- Você mais do que ninguém sabe o quanto ela precisa disso FP, então não atrapalha, vocês dois, se não mando minha equipe prender vocês -- Archie diz e é a última coisa que consigo ouvir.

Estou encarando o homem ajoelhado a minha frente, com as mãos amarradas pra trás, dois soldados de Archie apontam as armas pra ele. Ele está de cabeça baixa.
Sinto meu coração pulsar a mil, e exatamente como a 2 anos atrás, a dor de perder meu filho me consome, outra lembrança me vem a mente.
" Estou jogada no chão, baleada, sozinha, com medo e com frio, não sentindo meu bebe chutar " começo sentir a emoção tomar conta de mim, eu vivi por esse momento e ele finalmente chegou.
Me lembro da dor de ter perdido meu filho,o amor da minha vida e meu pai. Dele ter tirado de mim minha família, me lembro das noites intermináveis que eu chorava sozinha de tanta dor, me lembro de dessistir um dia e tentar tirar minha vida, me lembro dos gritos de Jughead, gritando meu nome enquanto achava que eu tinha morrido, me lembro de ouvir tiros e achar que ele estava morto, me lembro do meu bebe morto, nos meus braços, me lembro do pequeno caixão que eu chorei dessesperadamente em cima.
Me lembro do meu coração despedaçado, de me sentir sombria e vazia, me lembro de não sentir nada, e sentir tudo de ruim ao mesmo tempo.
Seco minhas lágrimas com força, ele não vai me ver chorar, ninguém vai, o enorme salão está silencioso, o lugar é enorme, todos me encaram, mas ninguém diz nada. Eu esperei tanto por esse momento e ele finalmente chegou. Me aproximo alguns passos e grito com toda a fúria, raiva e ódio dentro de mim.

-- OLHA PRA MIM -- Grito tão alto e com tanta firmesa que Hiram olha pra mim, ele me analiza por um segundo e então me reconhece, ele arregala os olhos, parece surpreso e furioso, seus rosto está todo machucado, tenho certeza que Archie é o responsável por isso.
Quando seu olhar encontra o meu, meus olhos lhe mostram todo o ódio que to sentindo, meu corpo fica tenso, cerro a boca tentando controlar minhas emoções. Tiro o fuzil me envolvendo e jogo no chão, depois pego minha arma das costas, a arma dourada que Jughead me deu. Tiro as balas que ainda tem, e coloco um cartucho cheio, vou precisar de muitas. Fico com a arma na mão direita, mas não aponto pra ele, ainda não. Ouso Archie, Jughead e FP discutindo, mas estou em outro mundo, não consigo entender o que eles falam e também não ligo. E tentando controlar meu ódio, olho pra Hiram de novo.

-- Lembra de mim? -- Pergunto, minha voz sai como uma navalha.

-- Claro, a doce e meiga Elizabeth, vejo que não é mais assim -- Ele diz sarcástico.

-- Não, eu não sou, sou muito melhor agora-- Dessa vez minha voz sai surpreendente calma, na verdade, me sinto calma, não tem por que eu ficar nervosa, ou algo assim. Esse momento merece toda a minha lucidez. Minha voz saiu calma, confiante, porém cruel.
Hiram desvia o olhar de mim e olha por cima do meu ombro.

-- Sua namoradinha veio te resgatar Jughead, que fofo -- Hiram fala rindo e uma careta de dor se forma em seu rosto, está com a cara toda arrebentada.

-- CALA A SUA BOCA -- Jughead grita e de relance o vejo tentando se soltar, Archie precisou colocar seus homens pra segurar ele. Não sei se é pra evitar ele de me impedir, ou dele mesmo matar Hiram.

-- NÃO FALA O NOME DELE -- Grito histérica, olhando pra Hiram. Todos me encaram. Respiro fundo e acalmo a voz. Não vou me prolongar, esse cara não merece viver nem mais um segundo. Me aproximo bem dele, me inclino pra frente e olho dentro dos olhos dele, ficando cara a cara com ele.

-- Você. É. Um. Merda -- Digo pausadamente e então cuspo na sua cara, ele se contorce de raiva e eu lhe dou um sorriso enorme de deboche. Fico ereta, e dou alguns passos pra trás.

-- Sabe Hiram Lodgh, eu tenho um presentinho pra você, um bem especial na verdade -- Sorrio pra ele de deboche mais uma vez, meus olhos brilham -- Eu vou te matar, e depois jogar seu corpo no mar pros tubarões comer, isso não é uma metafora, vai ser bem real -- Suspiro tentando me controlar. Agora eu paro de sorrir, minha voz fica afiada mais uma vez, a calma se foi, minha voz sai mortal

-- Você vai pagar por todas as pessoas que tirou de mim, você vai pagar por toda dor e sofrimento que me fez passar -- Suspiro contendo minhas lágrimas, quando lembro do meu filho morto. Continuo, com a voz embargada porem firme, pelo choro que seguro. Falo alto cheia de raiva e dor.

-- Você tirou de mim algo insubstituível, e agora eu vou tirar a sua vida -- Então uma lágrima escorre, não sei se é pela dor de perder meu filho, se é pela raiva ou pela sensação esplêndida de vingança, talvez seja tudo junto. Aponto minha arma pra ele, firme e determinada, outra lagrima escorre, e não contenho mais a minha raiva, deixo ela vir com tudo e me dorminar.

-- Diga suas últimas palavras -- Falo pra ele com tanto ódio, que todo o sarcasmo dele se vai e ele me olha apavorado, o silêncio se faz absoluto, Jughead e FP já não tentam se soltar, sei que me olham apreensivos, como todo mundo.
E então ele abre a boca pra falar, começa
" Eu... " Foi tudo que ele conseguiu disser, por que eu o interrompi na mesma hora.

-- Você não merece ter suas últimas palavras -- Digo firme enquanto destravo a arma apontada pra ele, e sinto a paz me invadir, no momento que meu dedo aperta o gatinho e não o solta mais. O som dos tiros é tão alto, e o longo salão faz eco,
Meus olhos se concentram nos olhos de Hiram enquanto eu puxo o gatilho um atrás do outro sem parar, colocando toda mimha dor pra fora, meus olhos escorrem lágrimas sem parar, e começo a dar tiros freneticamente, é como se eu tivesse entrado em outra dimensão, atiro na sua barriga, subindo pro peito e chego na cabeça, onde as minhas últimas balas o acertam. Minhas balas acabam, mas eu continuo puxando o gatilho freneticamente, desejando balas infinitas.

-- AAAAAAAAH -- Dou um grito, e me jogo no chão, caio de joelhos e começo a chorar de soluçar. Ouso no fundo Jughead gritar.
" Me solta, ME SOLTA PORRA " e então ele está na minha frente, ajoelhado, ele me abraça apertado, minhas mãos agarram sua camisa com força e aproximo meu rosto do seu peito, ele fica molhado com minhas lágrimas, estou em soluços. Apesar das lágrimas e da dor de ter perdido meu filho, eu me sinto bem, eu realmente me sinto bem, ele finalmente morreu e tenho Jughead comigo.

Ele faz um carinho nos meus cabelos curtos e preto, enquanto eu choro, agora em silêncio. Ele sussura pra mim " Ta tudo bem meu amor, ta tudo bem " E meu coração infla, se enche de amor, de esperança, de felicidade, quando o ouso me chamando de amor e dizendo que vai ficar tudo bem.
E pela primeira ve,z sinto que sim, tudo pode ficar bem.
Levanto meu rosto e olho pra ele, estamos tão perto, ele me olha com amor, com saudade, eu sinto, eu lembro dele me olhando assim, eu jamais esqueci. Sei que estou o olhando da mesma forma, por que o meu coração ta transbordando de tanto amor e saudade.
Sua mão alcança meu rosto, ele seca minhas últimas lágrimas. Se estivessemos em outro lugar, sozinhos, eu me jogaria em seus braços e o beijaria, o beijaria como nunca, o beijaria pra sempre.

Nosso transe passa, quando ouvimos uma voz grave disser " Senhor, olha o que achamos lá em cima, escondidos " e então uma voz doce, suave e chorosa fala em seguida " Jughead? " e um choro de bebê baixinho ecoa pelo salão.
Jughead enrigese comigo em seus braços, ele me olha com pesar, eu acho, ele se levanta e me leva junto, olho por cima do seu ombro e vejo uma menina, loira, magra, bonita, com um bebê no colo, o encaro confusa, a menina se aproxima, ele ainda ta de costas pra ela. Ela fala.

-- Jughead o que ta acontecendo? Fiquei com tanto medo -- 
Ela diz e começa a chorar, em seguida o bebê levanta a cabecinha de seu ombro e diz " Papa " apontando pra Jughead.
Meus olhos se arregalam, sinto meu peito ofegar, me afasto de seus braços com tudo, o olhando Profundamente. O menininho começa a chorar. Jughead se vira e o pega no colo, ele afunda a cabecinha em seu pescoço e para de chorar na hora, enquanto Jughead faz um carinho em seus cabelos. A menina bonita pega na mão dele e o abraça.
E sinto meu coração despedaçar mais uma vez, virar migalhas.
E vendo os 3 juntos, abraçados. Diante de mim, tentando ao máximo conter as lágrimas e engulindo em seco, me pergunto.
Afinal, de quantas maneiras um coração pode ser destroçado e continuar batendo? 


Notas Finais


Uau? Me contem tudo que acharam desse capítulo amores.


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