História (Interativa) Boku no Hero Academia - Lotus Eye - Capítulo 2


Escrita por: e TheuzZzMa

Visualizações 154
Palavras 5.064
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bom, eu não sei o que falar mesmo, só vim dar uma relembrada nos avisos da história que pode conter conteúdo mais pesado e etc, então não recomendados a leitura da fanfic caso não possua um bom psicológico para lhes poupar de qualquer experiência ruim.

Enfim, boa leitura.

Capítulo 2 - Teaser 001;; Rest in Peace


Teaser 001 — Rest in Peace


O ar puro, naquela bela e tranquila tarde de quinta-feira — fim do mês de dezembro — um tranquilo e silencioso vento soprava as folhas das inúmeras árvores que traziam um odor verde àquela pacata cidade. No local que não aparentava estar movimentado, com transeuntes vivendo suas tranquilas vidas, em um prédio que chamava atenção por conta de sua altura e atmosfera de poder que carregava. Interrompendo a tranquilidade de um dos treinamentos matinais que ocorria em um andar mais próximo aos céus, dois indivíduos — um fardado e outro com roupas mais formais, aparentando ser um político — dirigiam-se até um homem de aparência jovial, não parecendo ter muito mais do que 20 anos se cabelos escuros como a noite assim como seus olhos e não tão alto para sua idade. Este rapaz, que estava trajando um tipo de kimono e tinha na mão uma adaga que estava coberta do sangue de seu adversário que possuía um pequeno corte em sua bochecha. Curvando-se para cumprimentar o adversário, o que possuía a arma virava-se em direção aos dois homens recém-chegados à sala com um semblante, aparentemente, inofensivo. 


– Senhor, perdão a nossa intromissão, mas uma dama desconhecida roubou um dos livros da biblioteca central e imobilizou 4 dos nossos homens que tentaram a impedir — informava o fardado. 


– Uma dama? — estranhava o de kimono, cuja nomenclatura em seu peito dizia "Yin-Quong", informando o nome deste — Nenhuma ideia de quem possa ser? — questionava ainda em tom manso, girando a adaga entre os dedos. 


– Não sabemos de onde ela é, mas acreditamos que ela não seja daqui de Peace, por conta do sotaque semelhante ao do norte que pudemos perceber — seguia o de roupas mais formais com uma postura bastante respeitosa a Yin, que colocava uma de suas mãos no queixo parecendo pensativo. 


– Cuidem dela, e façam-na falar de onde veio — ordenava Quong, ao mesmo tempo que uma pequena borboleta pousava em seu dedo indicador, ficando a olhá-la vidradamente — Ele está em uma árvore há 4 quilômetros norte da biblioteca central, parada. Alertem a todos sobre a intrusa — continuava, indo em direção a uma cadeira que estava ao fundo do local e aconchegando-se nesta, enquanto a pequena borboleta voava para longe. 


– Sim, senhor!


[...]


– Credo… Esse pessoal daqui é muito certinho. E qual é de todas essas árvores na cidade? Parece uma floresta — monologava uma garota, disposta sobre o galho de uma árvore enquanto olhava o perímetro da cidade, vendo uma pequena borboleta azul passar diante de seus olhos. O pequeno inseto em questão, voava então, na direção da garota que ainda parecia jovem, tendo acabado de sair de sua adolescência, a qual esticava o dedo com um pequeno sorriso em seu rosto e deixava o animal pousar, ficando a admirá-lo durante cerca de 2 minutos — O que faz aqui amiguinha? Se perdeu do… 


– Achamos! — uma voz gritava vindo de baixo da árvore, fazendo com que a garota misteriosa assustasse-se e em um reflexo espantasse a borboleta e saltasse da árvore com um tipo de manuscrito em mãos. Seu pouso não era muito confortável, fazendo com que esta perdesse o equilíbrio, mas o recuperasse a tempo de conseguir começar a correr o mais rápido possível para longe de um pequeno aglomerado de gente que parecia esperá-la. 


– Sigam-na e peguem-na para o nosso líder! Ele quer ela viva! — ordenava o homem fardado que parecia ser um tipo de general do exército, enquanto ao seu comando, vários cidadãos começavam a correr atrás da garota que tentava fugir o mais rápido possível. 


– Parece que a paz de Peace foi abalada — dizia a garota para si mesma, enquanto seguis correndo em linha reta, atropelando algumas pessoas que juntavam-se a multidão que a perseguia. Felizmente, a garota era veloz e sagaz, pulando em cima de uma pequena tenda de uma feirinha que passava e usando-a para impulsionar-se para cima do telhado de uma casa. Para sua sorte a estratégia dava certo, assim, a jovem seguindo a correr pulando pelos telhados de algumas casas e construções menores enquanto visualizava a multidão a perseguindo no asfalto. Ela ria do perigo, parecendo estar se divertindo, mas, por precaução, escondia o manuscrito que havia roubado dentro da calça velha e desbotada que estava usando. 


– Pare aí, garota! — ordenava a voz de uma mulher que aparecia diante dos olhos da fugitiva, possuinte de duas enormes asas de envergadura muito maior do que a própria criminosa que freava no mesmo momento que era barrada e tentava, bruscamente, mudar de direção, mas, assim que virava para trás via mais dois homens enquanto estava cercada pelos outros dois lados pela multidão que cercava aquela pequena casa. 


– Você não tem para onde fugir — zombava um homem em tom de deboche, enquanto aproximava-se da procurada em passos firmes, sendo visível um pequeno brilho no olho esquerdo deste, indicando uma possível individualidade. A medida que este aproximava-se, a garota relaxava seu corpo, parecendo reconhecer que não havia uma saída naquele momento — Boa garota. 


– E agora? Vão me prender? Achei que eram da paz — comentava a jovem adulta parecendo despreocupada, enquanto levava vagarosamente a mão até sua nuca em um gesto de aparência inofensiva. Seu cabelo estava preso por um coque, onde sua mão que estava na nuca, aos poucos, subia para tentar pegar o objeto que estava usando para prender o cabelo. Movia a mão com cuidado para não chamar atenção e assim que alcançava o pequeno palito de metal que sempre carregava consigo, ficava com a mão parada, disfarçando com uma ajeitada no cabelo enquanto olhava o homem que havia parado em sua frente. 


– Quieta — ordenava o de olho brilhante, como se houvesse uma faísca. A jovem garota intrusa, permanecia parada encarando-o com um sorriso irônico, enquanto o homem diante desta levava a mão direita até o rosto da mulher do rosto jovial que havia causado confusão — Você tem um rosto bonito — elogiava, possuindo um olhar sedento enquanto observava de cima abaixo o rosto de sua refém — Que tal antes de lhe entregar nos divertirmos um pouco?


– Claro — ria a garota, finalmente retirando o pequeno objeto de metal que utilizava para prender o cabelo e fincando no olho do homem que estava em sua frente, que, por reflexo, afastava-se com um grito de dor. Antes que mais alguém pudesse ter alguma reação, a jovem adulta forasteira jogava uma bomba de fumaça no chão que espalhava-se em menos de segundos, acarretando em sua saída do campo de visão de todos. 


Eram poucos segundos para pensar em uma maneira de escapar. O suficiente para um grito ser ouvido ao extremo norte daquele telhado, local onde dois dos que cercavam a estrutura naquela parte superior caíam do telhado, em seguida com a figura da garota estrangeira daquela região saltando para a uma espécie de beco extenso. Os rostos sem reações das pessoas que tentavam capturá-la não duravam muito tempo até que fosse ordenado que a perseguissem novamente. Não identificada ainda, a fugitiva seguia seu passo apressado em sua corrida pelo beco que faltava de uma saída em sua visão, parecendo ainda possuir alguns bons metros de adentro. Seu cabelo agora estava completamente solto, sendo aparente o descuidado que havia com seus fios que eram tão finos e delicados que, mesmo visivelmente sujos e oleosos, não indicava sinais de estar emaranhado. O rosto pálido da jovem moça continha uma expressão mista, como se tentasse manter a calma, mas ao mesmo tempo estivesse com medo de ser capturada. A corrida não se cessava, mas algo estranho era notado. A perseguição parecia haver parado em certo ponto, onde quem pareciam apenas optar por observá-la de longe de maneira curiosa. Inocente não compreendia e continuava, até perceber uma cerca arame farpado com um buraco que conseguia passar perfeitamente ao arrastar-se no chão de modo ligeiro. 


Cansada, olhava para trás e via as pessoas em cima dos prédios e casas que a perseguiam paradas sorrindo, como se rissem da cara da garota do norte. Antes que pudesse raciocinar uma sombra cobria-a. Olhando na direção desta, ofegante, via um homem em pé com um cutelo apoiado em seu ombro, este que possuía um sorriso enorme de vitória, enquanto a garota estava ofegante e, desesperada, tentava correr, mas tinha seu braço agarrado por força pelo estranho cidadão daquela facção. Olhos sanguinários. Uma sede de sangue visível. Sem pena e nem dó, o homem levantava a forasteira pelo braço direito com violência, fazendo com que ela soltasse um grunhido de dor ao ouvir algo estalar em seu ombro. Ambos encaravam-se, com um diferente contraste. O grandalhão parecia alguém bem cuidado e que tinha tudo em mãos. A jovem capturada estava em vestindo trapos e era suja. O olhar dele era sádico. O dela de pavor. A mão direita dele segurava um braço com firmeza, o braço que era o direito dela. 


– Você deu algum trabalho, não é garotinha? — provocava o homem enquanto lambia os próprios dentes sedento — Não vai falar nada? Achei que gostasse de falar suas asneiras de garota rebelde por aí — sem resposta por parte da refém, o homem tirava o cabelo que estava cobrindo o rosto da jovem da frente dos olhos desta e encarava-a bem. 


– Ei, gigante, chega de brincadeiras, temos que levá-la ao Yin — advertia um homem que estava mais ao fundo daquela área que estava sendo observada, este que estava fardado e possuía um olhar sério e impaciente. 


– Certo, certo — concordava o maior, que parecia ter dois metros de altura, ainda a segurar a garota intrusa pelo braço. Tentando salvar-se, esta cuspia no rosto daquele que a segurava e chutava-o, conseguindo soltar-se, mas caía sentada no chão por um desequilíbrio. O erro era fatal — Já me cansei de você — rosnava o homem, parecendo mais impaciente do que nunca, desviando de uma tentativa falha de chute da estrangeira e pisando em ambos os braços desta, enquanto sentava-se sobre seu abdômen, deixando-a impossibilitada de usar qualquer membro para atacá-lo — Ei, eu posso arrancar os braços delas? — questionava o de 2 metros referindo-se ao fardado. 


– Rápido — concordava. 


– Certo, então… — a garota apenas ouvia sem saber como reagir a brutalidade que tentava acreditar que não iria acontecer. O do cutelo, pegava o braço esquerdo da garota e levantava-o alto, enquanto inclinava-se para olhar bem no rosto da menor que parecia ter acabado de atingir a fase adulta. Sorria ao ver o desespero no olhar dela e logo ria, enquanto o cutelo era segurado em sua outra mão — Algo a dizer? Talvez ainda dê tempo para um pedido de desculpas — brincava, mas, para sua surpresa, a garota indefesa também sorria.


– Vá para o inferno — respondia a aclamada jovem, parecendo não arrepender-se naquele momento de seu retruco ácido. 


– Eu dei uma chance — afastando-se do rosto da arteira, sem hesitar, o homem balançava seu cutelo e acertava a lâmina, que estava perfeitamente afiada, no fim do braço direito da garota, próxima ao ombro de mesmo lado, fazendo com que em um corte perfeito, o braço fosse decepado na hora com a combinação de sua força bruta e perfeição da lâmina. A garota gritava, como nunca havia gritado antes, pois a dor era insuportável. Ter um membro do próprio corpo arrancado a sangue frio era demais para qualquer tipo de pessoa. Mesmo assim, a jovem continuava sem revidar, tentando manter o olhar feroz de coragem que sempre fora lhe ensinado a ter — E então? — interpelava o homem em soar sarcástico enquanto balançava o braço arrancado da vítima na frente dos olhos desta, tendo um imenso sorriso de vitória em seu rosto, o qual chegava a dar novo por conta do sadismo exposto e nem um pouco disfarçado que ali existia. A forasteira não conseguia falar, mas, querendo debochar ainda da cara do grandalhão, dava uma pequena risada como se aquela dor que estava sentindo não fosse nada, vendo, aos poucos, a cara do gigante se remoer de ódio, enquanto segurava, agora, o outro braço da garota pronto para arrancá-lo assim como fizera com o direito. 


Era possível ouvir a multidão que cercava aquela área de obras vibrando para que arrancassem o braço daquela jovem, que não parecia ter forças para se mexer mais. Sua visão estava ficando turva por conta da quantidade excessiva de sangue perdido, então apenas aceitava que talvez seu fim fosse ali naquele momento, tendo seus membros superiores arrancados de si em tamanha brutalidade com o cutelo que o homem segurava. Sentia-se como um animal em um açougue, mas não podia fazer nada. O homem vibrava, querendo ouvir mais alto o público gritar para que aquilo fosse feito. A garota olhava em volta com os olhos fracos e apenas suspirava, preparada para seu fim, mas ao mesmo tempo parecia decepcionada ao ter falhado em seu objetivo. Tudo aquilo havia sido feito à toa, havia saído de sua facção para ter sua liberdade, deixando pessoas que deveriam gostar dela. Pelo menos, os momentos sem regras, vivendo por si só valeram a pena, ela pensava. Uma contagem começava por parte do público, enquanto aos poucos a intrusa daquela facção perdia a consciência, vendo apenas borrões, que, sem entender, aos poucos, pareciam cair, enquanto um silêncio tomava conta do local repentinamente. Estava morrendo. E aquele doce silêncio do fim da vida, vinha sem tardar junto ao fechar de seus olhos, que antes viam uma silhueta nova para si, mas que já era tarde para tentar reconhecer o indivíduo. 


[...]


Com a luz batendo em suas pálpebras, sentia um ar gélido batendo em sua pele, enquanto aos poucos recobrava a consciência. O cheiro do local onde estava, não lhe era muito agradável, mas, de qualquer forma, estranhava a luz fraca que batia em seu rosto, vendo apenas uma lâmpada com os fios expostos e com provável mau contato por estar dando algumas piscadas vez ou outra. Ainda estava confusa, pois não sabia se estava viva ou não, mas com o passar do tempo que recobrava seus sentidos percebia que não havia morrido naquele momento e muito menos sabia como havia ido parar naquele local desconhecido. Ouvia duas. Não. Três vozes distintas conversando. Duas pareciam ser masculinas, uma delas sendo de alguém mais velho. A terceira voz era feminina e doce, de certa forma meio suave e engraçada ao mesmo tempo por ser meio estridente. Não conseguia ver de primeira o rosto das pessoas que estava falando, pois a primeira coisa que conseguia perceber era que estava deitada em um lugar, aparentemente, duro, como se fosse uma mesa de trabalho. Percebia também, sem demoras, que a dor em seu braço direito havia parado um pouco, e quando ia checar não via-o, óbvio, pois ele havia sido arrancado, mas não aparentava mais estar dilacerado, já que estava enfaixado por ataduras cirúrgicas. Era estranho. O local não parecia nem um pouco um hospital e sim um tipo de oficina por conta do cheiro forte de óleo. 


Continuava deitada por mais alguns minutos, até que criava forças para levantar-se. Via três rostos desconhecidos. Na verdade dois. Um era uma garota de cabelos azuis bem longos e uma estatura baixa até demais, parecendo ser uma criança, o que enganava já que seu corpo parecia bem desenvolvido. O outro que não reconhecia era alguém mais velho de cabelos loiros e traços nada orientais, indicando ser um possível europeu. Quanto ao terceiro, que era um jovem que aparentava ter a mesma idade que a garota que havia perdido um de seus braços, era alguém que esta reconhecia ter visto antes de seu desmaio. Não pensava duas vezes até associá-lo com alguém que queria capturá-la e pegava a primeira coisa afiada que via perto de si, partindo para cima do possível inimigo sem pensar duas vezes, mas era segurada pelos dois outros que estavam naquela sala. 


– Ei ei! Se acalme, moça — suplicava a garota, parecendo preocupada — A ferida ainda pode abrir e… 


– Quem são vocês?! O que querem de mim?! — questionava a garota mais agressiva, sem perder tempo. 


– Só queríamos ajudar, não queremos nada em troca — continuava a mais baixa, enquanto tentava segurar a ex-refém da Peace, que parava, finalmente de se debater. 


– Digam quem são — ordenava, arrogantemente, parecendo acalmar-se um pouco. 


– Permita-me. Eu sou Dishi — dizia de maneira formal o homem mais velho, em torno de seus 40, ao mesmo tempo parecendo sério demais para a ocasião por conta de seu semblante fechado e infeliz — Esses dois são Mei-Lan e o Lok. 


– Yo — cumprimentava Lok com um sorriso no rosto, enquanto a garota, Mei-Lan, apenas acenava com um sorriso meio de canto. 


– Mei-Lan e eu cuidamos do seu braço que, por pouco, não causou a sua morte e o Lok foi quem lhe trouxe para cá — explicava Dishi, tentando manter uma postura de alguém responsável, mas que não parecia convencer completamente a garota, que até aquele momento ainda não havia se apresentado. 


– Ele? — indagava, parecendo meio debochada enquanto olhava para o rosto de Lok, que, mesmo com uma encarada feroz, não alterava sua expressão calma, ainda sentado sobre um dos balcões daquele aparente armazém, que mais cheirava como uma oficina — Tinham várias pessoas lá e me dizem que ele me trouxe aqui sozinho? 


– Quer que eu te mostre como? — interpelava Lok, parecendo estar se divertindo diante daquela situação, levantando-se calmamente e aproximando-se da garota, com um semblante pacífico e despreocupado em seu rosto. 


– Não em mim — afastava-se a sem nome, agilmente. 


– Mei, venha aqui — chamava Lok, ainda mantendo um sorriso em seu rosto, enquanto Mei, por sua vez, ao ser chamada, parecia ficar preocupada. 


– Droga, cadê o Yusei nessas horas? — resmungava Mei-Lan, enquanto olhava para o chão parecendo nervosa. 


– Não vai demorar. Apenas pense em uma luz com mau contato — Lok sugeria. 


– Eh? Como isso iria… — antes que Mei pudesse finalizar sua fala, Lok apertava com calma dois pontos do pescoço da menor e, consequentemente, fazia-a apagar sem avisos.


– Viu? — perguntava Lok, parecendo um pouco risonho com a situação. A não identificada, olhando aquilo, não conseguia achar palavras para se expressar, apenas afirmando com a cabeça, enquanto sua feição parecia a de alguém impressionada. 


– Incrível… Isso é sua individualidade? — inquiria curiosamente. 


– Não. Eu não tenho esse negócio aí que vocês chamam de individualidade, eu só faço o que qualquer humano normal pode fazer — Lok explicava, de modo que o soar de sua voz parecia bastante tranquilizante para todos que estavam naquela sala. Aproveitando aquilo, este mesmo jovem, despertava Mei-Lan com rapidez com mais um do que muitos chamavam de "truque". 


– Você me apagou enquanto eu estava falando? — questionava Mei, parecendo indignada, ao despertar como se nada houvesse acontecido. 


– Não! Claro que não. Você bateu a cabeça — brincava Lok, enquanto mostrava a língua sorridente — Uma pena que acordou antes que o Yusei pudesse vir te despertar, não é? — com a pequena provocação de Lok, Mei parecia ficar um pouco agitada e olhava-o com raiva. 


– Ora, seu… — sem hesitar, a garota de baixa estatura, apesar de seus 19 anos, começava a dar alguns fracos socos em Lok, que apenas ria por estar achando graça do modo como havia conseguido envergonhar sua aparente colega. 


– Está ficando barulhento aqui — Dishi comentava, junto a um suspiro, enquanto mantinha seus braços cruzados, olhando com um pequeno sorriso para os dois jovens que discutiam toscamente — Venha, irei lhe apresentar o refúgio. Deveria ficar conosco por um tempo — sugeria o homem, tomando a frente em direção a saída daquele armazém. 


Hesitando um pouco, enquanto olhava para os dois idiotas que ainda brigavam, a ainda sem nome, resgatada pelo grupo, seguia Dishi para fora daquele local, ainda um pouco acuada e receosa sobre a ideia de confiar naqueles, que, para si, eram desconhecidos. Ambos seguiam sozinhos por alguns corredores daquele lugar, que, logo era observado ser uma espécie de bunker por ficar no subsolo, já que o teto do local possuía um pouco de terra em algumas regiões, tais como alguns vazamentos de água bem pequenos, indicando a precariedade daquela morada. Via em sua caminhada silenciosa com Dishi, que mais algumas pessoas pareciam morar naquele local, mas ficava calada durante algum tempo, mas, parecia curiosa com algo que não queria sair de sua boca por receio de acabar ofendendo. Contudo, aquele recuo era percebido por Dishi, que calmamente caminhava alguns passos à frente da desconhecida com passos largos e seu sujo jaleco que estava coberto de sangue, que, a garota suspeitava ser da cirurgia que havia sido feita no lugar onde seu braço direito costumava ficar. 


– Pergunte o que deseja. Sei que está hesitando — falava Dishi, assustando um pouco a garota que não esperava aquele início de diálogo. 


– Bom… Você disse refúgio. Então… Vocês são aquele tipo de gente que dizem roubar coisas das facções? — interrogava, parecendo um pouco receosa quanto a suas palavras, porém não parecia arrependida de nada. 


– Qual é seu nome? — questionava Dishi com um suspiro. 


– Dong Chyou — respondia a garota, um pouco distante. 


– Queriam capturá-la por quê? — seguia o velho perguntando. 


– Eu… — hesitava Chyou, estranhando um pouco as perguntas, entretanto, sabendo que não havia mais nada a perder por ali — Eu fugi da minha facção e rodei o país procurando algumas informações sobre o meu irmão desaparecido, até que achei um tipo de manuscrito na Peace e o roubei — contava a garota, enquanto ambos seguiam a caminhada a passos curtos e calmos. 


– Assim como você roubamos coisas, mas é para nossa sobrevivência. Nenhum de nós é bem-vindo em alguma facção por termos sido abandonados ou apenas fugimos, assim como você — explicava Dishi, por cima do conto de Chyou, a fim de tentar achar alguma ligação para que esta entendesse a situação em que estavam. 


– E conseguem sobreviver assim? Ninguém nunca os achou? — interpelava Chyou, parecendo um pouco curiosa. 


– Acho que deu pra perceber que é um subterrâneo. Até hoje não fomos descobertos e trabalhamos juntos como uma família para sobreviver. Alguns se oferecem para buscar recursos do lado de fora e outros cuidam da construção de materiais para nos facilitarem como a Mei — prosseguia Dishi, com o diálogo, de maneira mais suave, mas, de certa forma, sendo clara a sua seriedade ao falar. 


– E pretendem que eu fique por aqui? — questionava Chyou. 


– Não é nosso propósito, pois só queríamos ajudar um de nós, mas, se quiser ficar por aqui por conta de seu braço tome o tempo que precisar. Apenas não nos traia — Dishi falava, parecendo um pouco mais acolhedor com Chyou, que mantinha um semblante meio acuado por aquilo ser tudo novo para ela. 


– Meu braço vai fazer falta… — lamentava-se a garota, olhando mais uma vez para as faixas que cobriam a parte que restava de seu ombro direito. 


– Assim que estiver recuperada podemos tentar fazer um tipo de prótese para substituir o seu braço — comentava Dishi, enquanto ambos passavam por um grupo de crianças, no qual estava sendo supervisionado por um garoto de cabelos negros e poucos detalhes em amarelo em algumas de suas mechas, todo sujo e com aparentes ataduras que cobriam uma de suas mãos.


– Já fizeram isso antes? — indagava Chyou, parecendo ainda com o pé atrás pela proposta. 


– Não, mas iremos testar com o Yusei que perdeu sua mão faz um tempo. A propósito ali está ele — olhando para o garoto que cuidava das crianças, Dishi apresentava-o de forma meio esdrúxula, dando um pequeno aceno de longe. Chyou, por sua vez trocava um rápido olhar com o recém-apresentado Yusei, que a encarava sem nenhuma expressão aparente antes que mudasse sua atenção para uma criança que havia mordido sua mão enfaixada, o que fazia-o soltar um grito de dor bem agudo, acarretando na risada de todas as crianças — Vamos — dizia Dishi, voltando a acelerar o passo para seguir com a apresentação do local para Chyou, que o seguia com um pequeno sorriso no rosto que quase transformava-se em uma risada por conta do ocorrido com Yusei. 


Continuando ambos em sua caminhada tranquila, com todos os cantos daquele aparente bunker que chamavam de refúgio, a última parada a visitação era uma área mais próxima ao exterior, mas que também mantinha a comunidade escondida por estar abaixo da terra. Esta era o quarto de uma garota que, mesmo aparentando mais nova, ainda parecia ser a mais velha das crianças, acompanhada de Lok, o jovem que anteriormente havia sido atacado por Chyou. Com a chegada da dupla de visitação, a mais nova e Lok olhavam para ambos com feições calorosas, a ainda desconhecida para Chyou parecendo um tanto curiosa enquanto olhava para a nova pessoa daquele local que acompanhava Dishi. 


– Que que manda, chefia? — perguntava Lok, parecendo curioso sobre a visita da dupla. 


– Vim apresentar a Haruka para a Chyou — dizia o velho homem, já apresentando ambas de uma vez que rapidamente se cumprimentavam a distância — E queria saber se posso deixar a Chyou com vocês. Tenho que resolver algumas coisas com a Mei. 


– Claro, se ela não for me atacar de novo — comentava Lok, olhando fixamente para Chyou com um sorriso simpático, o que fazia a garota franzir o cenho um tanto duvidosa sobre o indivíduo. 


– Certo, então boa sorte por aí. Não durmam muito tarde — dizia Dishi, em um tom mais paternal, como se realmente estivesse preocupado com aquela coisa boba, antes de retirar-se e deixar o trio a sós. 


– Ei, Lok, eu ainda não entendi porque arrancaram o braço dela se em Peace tudo é pressuposto a ser pacífico — observava Haruka, a mais nova naquele trio, olhando para Chyou um pouco duvidosa sobre a verdade por trás do ocorrido, o que deixava a própria Chyou, que percebia o olhar da menor, um pouco desconfortável. 


– E é tudo pacífico por lá — respondia Lok sem hesitar, parecendo bastante calmo quanto ao assunto enquanto cruzava seus braços ao apoiar as costas na parede. Com a resposta de Lok, Chyou ria como se este, tivesse falado algum tipo de besteira. 


– Como explica então os moradores gritando pra arrancarem meu outro braço ou o cara que quase me… 


– Eu não disse que ser pacífico é algo bom — interrompendo o refutar de Chyou, Lok começava a falar por cima, parecendo bastante seguro de si. 


– Então como explica isso? — Haruka questionava, parecendo estar ao lado de Chyou naquela conversa. 


– Os moradores da Peace são ensinados a nunca cometerem crimes ou atos de violência durante suas vidas todas. Muitos têm medo do governo e por isso resolvem seguir essas leis que fazem tudo ser pacífico. Mas, quando as coisas saem do controle e alguém desobedece as leis, todos são permitidos a matar sem dó nem piedade e o pacifismo se quebra nesses momentos, pois suas vidas são muito monótonas e calmas, então a maioria dos moradores tem uma sede por ação que é saciada nesses momentos em que podem usar violência para combater violência, sabendo que não serão punidos, já que estão apenas tentando capturar o primeiro a infringir as regras — Lok explicava, com seu semblante imutável. 


– E como isso funciona? Como o sistema continua intacto com essas leis? — questionava Haruka, parecendo ainda um pouco confusa com a história. 


– "Não ouça o mal. Não fale o mal. Não veja o mal" — recitava Lok, ainda com um soar calmo e paciente — Todos têm que fingir não verem esses atos bárbaros quando ocorrem, se verem, são punidos e mandados para um lugar especial, onde tem seus olhos, boca e ouvidos costurados. 


– Como sabe disso, Sherlock? — interpelava Chyou, parecendo um pouco debochada e não confiando muito no que Lok contava-lhe. 


– Eu já fui preso. Chegaram a costurar minha boca, mas eu usei a agulha que estavam usando em mim para escapar — explicava Lok, parecendo inalterável quanto ao assunto, enquanto ia para próximo de Chyou e ficava frente-a-frente com ela, abaixando curvando-se um pouco para as cicatrizes em sua boca pudessem ser vistas pela garota — Vê? — sem demoras, Lok era respondido com um gesto afirmativo com a cabeça que Chyou fazia, logo, este afastava-se para mostrar a cicatriz também a Haruka, que por sua vez, parecia um pouco surpresa. 


– Então… São só 5 de vocês por aqui com aquelas crianças? — Chyou indagava, estranhando a pouca movimentação do local. 


– Muitos de nós passam noites procurando recursos na terra de ninguém, ou até mesmo em outras facções, mas alguns estão só dormindo agora, já que está tarde — respondia Lok, ao terminar de mostrar sua cicatriz a Haruka. 


– E eu vou… Dormir aonde? — perguntava Chyou, um pouco receosa, já que ainda não sentia-se a vontade naquele lugar desconhecido. 


– Você pode dormir comigo! Tem espaço aqui e meu irmão fica com o Lok — Haruka oferecia, com uma animação meio desajeitada, com seus desarrumados cabelos que cobriam um pouco seus olhos naquele instante. 


– Ou pode dormir comigo! — dizia Lok no mesmo tom animado de Haruka, tentando imitá-la como uma brincadeira boba e ao mesmo tempo típica de sua parte. 


– Eu… Vou falar com o Dishi — parecendo ainda um pouco suspeitosa com a dupla, Chyou comentava, com seu olhar não tão confiante. 


– Certo. Eu vou para o meu quarto — Lok informava, indo até Haruka e bagunçando um pouco o cabelo dela, para piorar mais a situação — Boa noite, Haru. 


– Boa noite — respondia Haruka animada, enquanto deitava-se tranquilamente em sua cama. Lok e Chyou, por sua vez, iam até a saída e seguiam alguns minutos juntos no corredor sem conversarem até que Lok parava em frente a uma porta, que, provavelmente, era a de seu quarto. 


– O convite para dividir o quarto comigo ainda está de pé. Quem sabe mais uns caras tentem arrancar seu braço por aí enquanto dorme e eu possa apagar eles? — brincava Lok, abrindo devagar a porta de seu quarto com calma e delicadeza, enquanto olhava com um pequeno sorriso para Chyou, que revirava os olhos, no fundo, achando graça da brincadeira do garoto. 


– Boa noite, Lok — desejava Chyou, fazendo com que Lok entendesse o recado e desse um breve aceno com a mão, antes de finalmente entrar em seu quarto e deixar Chyou sozinha ao lado de fora. 


– Boa noite. 


Notas Finais


Apenas pra avisar, houveram algumas alterações na lista de personagens. Só isso mesmo.

O próximo teaser é do Matheus galerinha, é isso aí, vou jogar lol agora, adeus.


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