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História Interativa Inuyasha - Capítulo 25


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Notas do Autor


Esse capítulo saiu maior do que eu imaginava, por isso não consegui postar ontem 😅 mas aqui está!
Boa leitura!

Capítulo 25 - Primeira Barreira.


Fanfic / Fanfiction Interativa Inuyasha - Capítulo 25 - Primeira Barreira.

 

"Caminhando por horizontes distantes

Você nunca andará sozinho

Você estará em casa onde seu coração está

A um milhão de milhas de casa"

— Scorpions

 

 

 

Shiori não iria viajar a pé, foi isso que ele disse ao sair da estalagem naquela tarde, mas não imaginavam que iria retornar com uma carroceria completa e três cavalos de boa linhagem apenas para o percurso entre as duas províncias.

 

– São cavalos de raça? -Examinou Junpei, surpreso, vendo Shiori amarra-los no veículo que os levaria rapidamente a Tanba.

 

Kinako já estava melhor, analisando os equinos junto ao dono e se enroscando em suas pernas de vez em quando, como forma de carinho.

 

– São os mais altos cavalos japoneses, raça Kiso, de Honshu. -Afirmou, com ar de superioridade.

 

Cho ficou deslumbrada com os animais, se lembrando de Ah-Un, o cavalo youkai de sua família. Erguendo a mão, acariciou o torso e traçou até a crina do cavalo com gentileza, de repente, foi suspendida e colocada em cima dele por Shiori, o olhando surpresa.

 

– Sabe andar? -Questionou, segurando as rédeas. Cho assentiu, e o mesmo lhe sorriu fraco: – Então, pode ir nesse.

 

Junpei suspendeu uma sobrancelha, estranhando, enquanto o alto samurai fazia sua retirada de volta à estalagem, para pegar o resto das bagagens.

 

Cho também parecia confusa, quando Makoto e Nori fizeram sua entrada no estábulo, deixando o clima mais leve.

 

– Mana, mana, eu posso andar? -Repetia Nori, trocando de pés, animado com os cavalos.

 

Makoto não lhe negou tampouco autorizou, ainda estava bastante desconfiada, sentando-se atrás na carroceria, junto aos outros que logo mais chegaram para se acomodar na mesma.

 

 

– Por quê estamos indo diretamente para a capital? -Perguntou Hagi em meio a viagem. 

 

–Em vilas e cidades pequenas, pessoas de fora sempre chamam atenção, se o inimigo for esperto irá mirar nos grandes centros urbanos. 

 

– Talvez Yona não se importe com isso? A primeira vez que confrontou nossos aliados foi em uma pequena vila… -Argumentou. 

– Pequena Vila esta cheia de oficiais do exército, pessoas de fora. Acredite, ele sabe o que faz. -Admitir isso pareceu lhe causar dor física, mas prosseguiu com a linha de pensamento: – E isso também se refere a nós, é claro; Perseguindo esses criminosos, certamente chamamos sua atenção, não me surpreenderia sermos seus alvos, também.

 

– Shiori-kun é tão inteligente! -Elogiou Cho, surpresa, já na carroça junto aos outros, devido à cobertura que a mesma provinha, abrigando-os do ardente sol veranil.

 

O moreno assentiu, agradecendo o elogio, mas aquilo não era nem metade do que sabia fazer… Estratégias de cerco e emboscada, assim como de fuga, eram suas especialidades como samurai. 

Mesmo com tal ostensiva bagagem, ainda assim, achava que havia tirado a sorte grande ao encontrar não um, mas dois rastreadores e especialistas em combate youkai, aquilo facilitava e muito seu trabalho, e o dava uma vantagem sobre o inimigo.

 

A viagem prosseguiu com mais alguns comentários, pausas para comida, e visões de Vilas devastadas… A praga e a doença haviam chegado ao Oeste. 

Cho ofereceu sua reza mais sincera, segurando-se para não chorar enquanto via os corpos alinhados e cobertos por tatami, e Junpei lhe acompanhou.

 

 

Chegaram à capital de Tanba já no final da noite e rapidamente se instalaram em uma estalagem local, adormecendo com facilidade devido ao cansaço que lhes pesava às pálpebras.

 

Ao amanhecer, dividindo-se em grupos, miraram em pessoas de aparente alto ranking na cidade. Shiori e Cho foram ao encontro de samurais, Junpei e Aiko das pessoas mais endinheiradas, residentes das melhores casas, e Makoto e Hagi de mercadores prósperos.

 

Não havia autoridades circulando como em Kyoto ou Edo, e podiam andar mais tranquilos com suas armas.

 

– Como é ser uma onna-bugeisha? -Questionou Junpei, puxando assunto com Aiko: odiava o silêncio.

 

A morena deu de ombros, parecendo não muito confortável… Andava de uma forma estranha na visão do mesmo, de maneira enrijecida e distante.

 

– Ei, você tá bem? Tá com dor de barriga? -Perguntou Junpei, se aproximando e tocando-lhe o ombro, era bem mais alto que a mulher samurai.

Aiko contraiu-se, se afastando de forma brusca, revelando para o exterminador youkai que seu desconforto era relacionado ao mesmo.

 

Junpei emburrou-se, por não saber o motivo, e voltou a caminhar em silêncio, mas com cinco minutos já estava em seu limite, parando quando já próximos a uma mansão.

– ...Certo, não vamos fazer isso. -Falou, chamando a atenção de Aiko, cujos olhos azuis celestes o encararam com um misto de raiva e timidez. 

– ...O quê?

– Isso. Começar com o pé esquerdo. Olha, eu -Tocou em seu próprio peito, por cima das vestes arroxeadas. – entendo que seja meio desconfortável andar com completos estranhos, mas não precisa ser… Temos um objetivo em comum, e isso é mais afinidade do que você conseguiria… -Pensou por um momento. – bem, com qualquer pessoa nessa cidade!

 

Aiko bufou, cruzando os braços e erguendo o queixo, numa pose estóica.

– Afinidade? Você não sabe nada sobre mim, seu cabeludo. -Antes que Junpei abrisse a boca para dizer "Então, me diga" ou semelhantes, Aiko continuou: – E nem vai. Deixando claro agora, eu não tenho interesse em homens, para amizade ou qualquer coisa. É assim que vêm sendo e é assim que será. E agora, vamos logo com isso. 

 

Terminou sua frase adentrando a casa, deixando o moreno bufando para trás.

 

 

– Mamãe! 

 

Nori observava enquanto uma criança pedia colo para sua mãe e a mesma lhe balançava, brincando. Estava de frente a loja onde sua "irmã" estrara junto a Hagi, pedindo informações sobre o "homem mau". 

 

Em sua breve melancolia, avistou Cho, e ergueu os pequenos bracinhos para acenar, a mesma lhe sorriu e acenou de volta.

 

– Essa criança é mesmo irmão daquela caolha? -Shiori perguntou, franzindo o cenho para ver melhor o garotinho distante. 

– Não a chame assim… E não, Nori-kun é uma criança órfã que encontramos há alguns meses, estava sendo cuidada por amigos, mas se afeiçoou demais a Makoto. -Cho soltou uma risadinha, lembrando-se da cena. – Ele correu até nós quando íamos partir, e ela não viu opção se não leva-lo conosco.

 

Shiori parecia concentrado no caminho a frente, mas na verdade refletia também sobre o assunto; Não importava se a criança e a mulher eram dois grudes, trazer uma criança para o campo de batalha soava irresponsável.

 

– Não é perigoso? -Comentou, após caminharem mais um pouco ao lado das lojas abertas da capital, por onde já saia o cheiro de almoço e sakê fresco.

 

Cho sorriu para o sol, sentindo-o menos quente que no dia anterior, esperando que o Outono fosse misericordioso com os japoneses, que tanto haviam perdido nos últimos tempos…

 

– Sendo sincera, eu também acho… -Cho cochichou a última parte. – Mas a Makoto-chan é responsável com Nori! Se as coisas ficarem feias, deixaremos ele com alguém!

 

– É, e se vocês nunca retornarem? -A seriedade nos olhos avermelhados do samurai assustaram Cho, que perdeu as palavras em meio a sua contestação mórbida.

 

Se nunca retornarmos… Pensou a ruiva, agora dando atenção aquela preocupação; Nunca havia pensado na morte antes de entrar nessa jornada, mas, agora, sentia-a cada vez mais perto… E esperava que fosse só uma impressão.

 

Após entrevistar alguns poucos oficiais ao longo do dia, a dupla suspirou cansada, prontos para desistir pelo dia, sem nenhuma informação útil de fato. Foi quando um homem idoso, em seus 70, começou a encara-los em demasia.

 

Percebendo o movimento estranho, o samurai Mizuno se aproximou com cautela, aos poucos, sem perceber, seguia o homem, com Cho vindo atrás, com a cabeça ainda pesada com pensamentos ruins.

 

Chegando em uma casa humilde, Shiori segurou a barra da espada e a adentrou pedindo licença, o homem de cabelos grisalhos estava de costas, em posição de seiza, orando para um pilar onde ficavam as cinzas de alguém.

Sua falecida esposa, imagino, Pensou Shiori.

 

– Yona… -O homem começou. – É "tudo". E "tudo" é Yona.

 

Os jovens se entreolharam com estranheza, numa pergunta silenciosa "Esse homem é louco?".

 

– Você reconhece a face deste homem que se proclama Yona? -Shiori ergueu seu papiro desenhado, se aproximando.

 

– Não preciso olhar, eu lembro bem! Yona apareceu com promessas por Tanba num dia e no outro desapareceu com todas elas… -O senhor balançou a cabeça, penoso. 

– Sabe para onde ele foi? Onde possa estar? Se tem algum ponto ou--

 

O homem se virou, seu rosto tinha traços de lágrimas e sinais da idade.

– Ah… É. Tem um lugar. Ou pelo menos, é o que falam… Falavam. -Disse, dando ênfase no fato em que os rumores acabaram… ou as pessoas que os espalhavam. – Um castelo.

 

 

...

 

À noite, Cho passou a informação a todos os outros, sentados em seus futons, antes do jantar.

 

– "Humano fabricado"? -Repetiu Aiko. – Tem certeza que esse velho não era… -Fez o movimento de um parafuso próximo a orelha.

 

– Podemos confirmar isso depois. -Shiori traçava seu plano num papel sobre a mesa, sem dar muita atenção aos outros. – Temos uma localização, devemos ao menos checar. 

 

– Isso! -Assentiu Cho. – Ah, e ele falou de um outro homem, que foi visto junto a Yona diversas vezes… 

– Um aliado? -Junpei.

– Um youkai? -Makoto.

 

– Disseram que ambos se pareciam, como irmãos gêmeos. De qualquer forma, vamos nos atentar a esta informação também. 

 

Discutido e anotado as novas informações, todos foram jantar, comemorando com Ozi-Zushi, o sushi de Osaka, com arroz e frutos do mar prensados.

 

– Mana, isso tem gosto bom! -Comentou Nori, sem conseguir ficar parado para comer, devido sua animação.

 

Apesar da aparência não parecer apetitosa, com peixes e arroz espalhados por cima de alga, o gosto e a combinação umami era deliciosa.

 

– Se ela o adotou por quê ele não a chama de mãe? -Perguntou Shiori para Cho, em meio a refeição.

Cho engoliu seu chá nervosamente.

– Ele tentou… -Cochichou para que Makoto não escutasse da outra mesa. – Mas a Makoto não pareceu gostar… Ela tem… -Procurou as palavras. – problemas não resolvidos com suas antigas figuras paternas, sabe?

– Sei… -Shiori bebeu de seu sakê "comemorativo". – Então… "mana"?

 

Cho sorriu docemente, lembrando-se:

– Ela ama a própria irmã, se ver vai entender, a Kiyoko é um amor! 

– Entendi… Mãe para ela soa como algo ruim, enquanto irmã lhe soa como a síntese do amor. 

– É! Algo assim...

 

Junpei, já zangado por ter sido deixado de lado na divisão anterior pelos dois, resolveu se intrometer:

 

– Vocês estão muito próximos, hein? -Comentou, agarrando ambos por cima dos ombros e puxando. – Por quê não vamos beber juntos? Tem um bar aqui do lado… 

 

Shiori concordou, e convidou Cho ele mesmo, a fazendo enrusbecer. Aiko pegou a deixa e tentou convidar uma das garotas do grupo: Hagi, a menos assustadora (em sua opinião).

 

– Não posso. -Deu uma desculpa, desviando o olhar. – Prometi brincar de Onigokko com Nori…

Pegue o Ogro

– Isso! -Comemorou o youkai cervo, abraçando o braço da mais alta.

 

Aiko desistiu, indo sozinha para festejar pela capital de Tanba, ao retornar mais tarde, feliz da vida, lançou um grito que acordou toda a casa:

 

Shiori, Junpei e Cho estavam deitados no mesmo futon, extremamente próximos.

 

Ao acordarem e serem questionados, Junpei respondeu com uma voz embriagada:

– Agora somos um casal… -Abraçando Cho, que ficou sem palavras.

 

Antes que Hagi começasse a surtar ou Makoto encontrasse suas lâminas, Nori chamou da porta.

 

– Um homenzinho! -Anunciou. 

 

E ao chegarem próximo ao jardim, avistaram um pequeno kodama:

 

"Saudações… Vocês precisam vir a Norte"

 

 

 

[...]

 

 

Akira retornava pela quinta vez de sua ronda pelo riacho, à procura de algum traço de Ryuusei ou Kiyoko.

O efeito calmante que o barulho da água antes lhe trazia não surtia efeito algum, agora.

A insônia tirava-lhe o resto de calma que restava em seu pequeno e esquentado ser, e a culpa lhe consumia mais que o cansaço em si. Mesmo com a falta de descanso, suas feridas felizmente cicatrizavam bem.

 

Kin se ergueu do fundo da caverna quando o viu chegar, interrogando com uma voz de espanto:

– Achou algo?

 

Negou com a cabeça, apertando os punhos com frustração, e antes que começassem alguma conversa desesperançosa entre os dois, Hiromi adentrou o lugar, com as mangas molhadas e um olhar de quem havia visto um fantasma – espanto que não era comum, já que o mesmo estava muito bem habituado a vê-los desde sempre.

 

– Kamadeva os encontrou…! -Anunciou, sem sequer acreditar em suas palavras.

 

Kin gritou, acordando os lobos que descansavam ao seu redor, os quais rosnaram e choraram juntos para a mesma. Akira deixou seus ombros relaxarem pela primeira vez em dias, suspirando em alívio.

 

– E aí, Nakimushi? -Chamou o atual líder do Clã Yorou, Kouga, caminhando na direção dos três. – Essa animação é alguma notícia sobre seu irmão, imagino?

 

Se Hiromi antes estava feliz pelos amigos estarem vivos, agora o sentimento havia se esvaído, dando lugar a preocupação pelo seu amado irmão caçula, o pequeno Inushiro.

 

– Boa, pai… -Disse Akira, com ironia, tentando não soar tão petulante quanto geralmente o era, uma vez que tinha tremendo respeito pelo pai.

 

– Sem tempo para lamentos, vamos logo! -Kin os puxou consigo, deixando Kouga sozinho na companhia de seus lobos, quais reclamaram, num som que parecia um bocejo.

 

– Hum?.... E isso lá é hora para estarem dormindo?! Fizeram bem em acordar vocês! Vagabundos… -Reclamou o lobo temperamental, quase chutando os animais para fora dali, para que ajudassem os outros da matilha, maioria feridos.

 

 

Chegando próximo ao riacho, Kamadeva surgiu como se fizesse parte do cenário, encostado às raízes das árvores, e numa voz infantil e fantasmagórica, o espírito falou:

 

"Informações à Nordeste: O evento conhecido pelo inimigo como dia do eclipse se aproxima em três dias. A localização informada é: próximo à Casa da Lótus Rosa: Na Ilha da Dama Cantante. "

 

– É isso aí! -Comemorou Kin, dando saltos maiores que os de um humano normal.

 

– Quem mais sabe disso, Kamadeva? -Questionou Hiromi, segurando a barra do quimono e se abaixando próximo a altura do espírito.

 

"No momento, apenas os aliados ao Norte, e os amigos mais a Nordeste... E vocês."

 

– Amigos a Nordeste? -Kin inclinou a sobrancelha.

 

"Tatsumoto e Karui-san"

 

Ela se referia aos sobrenomes de Ryuusei e Kiyoko, respectivamente; Foi a vez de Akira comemorar, para o espanto dos outros dois:

– ISSO!

 

Após o estranhamento, Hiromi prosseguiu:

– Kamadeva, pode mandar essa mensagem para o outro grupo? O de Cho e da irmã de Kiyoko, acho que estão a Oeste…

 

O pequeno espírito assentiu.

 

"Precisam de mais alguma ajuda?"

 

– Um ponto de encontro. -Akira sorriu com malícia. – Diga que iremos encontra-los a caminho da Ilha!

 

 

(…)

 

 

Norte, 3 dias e 5 horas antes do Eclipse Total

 

 

O clima na pequena cabana estava tenso após a entrada do homem e o comentário audível da garota.

 

A humana mais nova, Kiku, empurrou o homem de vestes nobres para conseguir adentrar a casa, mas a feição do mesmo continuou congelada na jovem à sua frente.

 

– Kiku… Quem é essa? -Perguntou, tinha um rosto mais velho e cansado.

 

Kiku olhou de um para outro, também estava surpresa, para dizer o mínimo, pelo fato de que Ran pronunciara o nome do irmão sem nem ter sido previamente apresentada.

 

– Ran Kogane. -Saiu como um sussurro, pois nem Ran tinha certeza se ainda era, de fato, uma Kogane, mas o homem ouviu.

 

Rapidamente, ergueu com a mão direita um bastão curto de madeira, um shaku*, na direção de Ran, e com a esquerda cercou a porta, impedindo que as duas mulheres avançassem.

 

– Quem te mandou até aqui? -Foi a primeira frase dita a mesma, que esperava uma reação muito diferente…

 

O coração de Ran acelerou, ficando subitamente nervosa com aquela situação: Era seu pai ali, não tinha dúvidas! Os cabelos, os olhos, o sonho… Exatamente tudo apontava para isso!

 

– Minha avó…? -Soltou Ran, sem pensar, agora percebendo o que a "velha" havia feito ali, trazendo-a até o encontro de seu pai biológico… Exatamente o quê ela está tramando? Pensou a hanyou.

 

– Irmão, ela chegou ferida..! -Se intrometeu Kiku, agarrando o braço do mais velho, que apenas a ignorou.

 

– Ela foi enviada para nos ferir, Kiku! -Iyo também se afobou, agarrando a irmã.

 

Ran estava petrificada, surpresa demais para se defender em uma situação como aquela, e antes mesmo que seus olhos abandonassem os dourados do seu provável progenitor, já estava do lado de fora, de volta ao jardim cercado onde conversara com sua avó.

 

As forças abandonaram seu corpo e despencou de joelhos na grama, em seguida se recompondo um pouco, sentando-se de maneira mais confortável, agarrada as pernas.

 

Devia ter perguntado sobre os meus sonhos para ela, Pensou Ran, a respeito de sua avó, Devia ter insistido no motivo de ter me deixado exatamente aqui.

 

Ainda conseguia ouvir as conversas de dentro da casa, algo sobre "exorcizá-la", algo sobre "fugirem novamente", e algo sobre flores…

 

Ouviu passos se aproximando e tornou a ficar ansiosa, notando que era apenas Kiku, lhe sorrindo penosa e fechando a porta atrás de si, onde a discussão continuava, com os dois outros membros, de forma fervorosa.

 

– Meu irmão acha que você veio nos matar, é verdade, Ran? -Lhe questionou como quem pergunta do tempo. 

A rosada balançou a cabeça, fazendo suas orelhas baterem contra a mesma devido a força. A morena suspirou aliviada, sentando-se ao seu lado, convencida. 

– Imaginei. Você apareceu toda acabada, -Riu, mas sozinha. – parecia que havia sido expulsa de lá, não enviada. 

 

Ran não se segurou, e com essa frase começou a chorar, sustentando o rosto nas próprias mãos enquanto gemia como se sentisse dor.

 

"Eles não me querem…" Foi o que Kiku conseguiu ouvir em meio aos seus gemidos indistinguíveis. 

Passou a acariciar as costas da hanyou enquanto a mesma desabava, Ran sentiu que ela seria uma aliada, mas no momento não queria confiar em mais ninguém…

 

Foi então que se lembrou: Seus amigos precisavam de ajuda. Nanako, Sora, Daichi, Hotaru, Maki… o rosto de cada um passou em sua mente, deixando-a menos escurecida.

 

Levantando-se de súbito e assustando a mais velha, Ran fungou uma última vez, antes de começar a marchar para longe dali, ainda no quimono usado de Iyo, que, por sinal, resolveu aparecer segundos depois de sua partida, perguntando sobre a mesma, ao que a irmã mais nova respondeu que havia partido e em seguida comentou:

 

–… Ran não é nome de flor..? -Pensando alto.

E se entreolharam, em um silêncio que respondia.

 

 

 

 

 

(...)

 

 

Nordeste, Dois dias e 15 horas antes do Eclipse Total

 

 

Kiyoko Karui

 

– Um dragão? -Questionou a doce Yumiko com surpresa, enquanto lavávamos os pratos do jantar. 

 

– Sim! -Sorri orgulhosa, lembrando-me de meu filhote, já com muitas saudades. – Seu nome é Midorin!

 

– Ora… Viu só? -Se inclinou para cochichar em meu ouvido. – Dragão. É o destino. -Deixando minhas orelhas incrivelmente quentes. 

 

Yumiko sorriu, virou-se para olhar com doçura seu marido, Ryuuichi, que alimentava a filha de ambos, Ryuuka, com laranjas mikan para a sobremesa. A mesma abria a boca, o imitando, e quando se deliciava com a fruta, sorria e repetia "oishiii!".

Gostoso/ delicioso

 

– Sabe como o chamam na vila? -Comentou Yumiko. – Papai dragão! 

 

Tentei prender o riso, mas ao ver a expressão enraivecida de Ryuuichi, o soltei de propósito.

 

– Ele é um papai babão, mesmo. -Comentei em seguida, alto o suficiente para que ouvisse, mas Ryuuichi pareceu mais orgulhoso que incomodado.

 

Ouvi Ryuusei adentrar a casa, vinha da mercearia, onde havia ido comprar – com o dinheiro do irmão, infelizmente – nossas rações para a viagem.

 

– Ei, idiota! -Alertou Ryuuichi, da mesa de pernas curtas, assustando-o. – Tire os chinelos ao entrar, a Yumiko não limpou essa casa com todo o cuidado para você badernar com sua educação da selva. 

 

Imbecil… 

Ryuusei se atrapalhou, como era o esperado, e em seu nervosismo acabou tropeçando e deixando cair um pacote com grãos de arroz por toda a sala/ cozinha. 

 

Fiquei apreensiva com a possível reação do mais velho, mas, novamente, não foi como esperada. Ele chegou a reclamar, mas não gritou ou tornou a ofender Ryuusei (como se fizesse alguma diferença agora) e o ajudou a limpar, pedindo desculpas à esposa pela bagunça.

 

– Conseguiu se comunicar novamente com seus amigos? -Questionou o moreno. 

Me virei, enxugando as mãos, também estava esperando pelo retorno dos outros… Esperava que Kamadeva tivesse conseguido comunicar que estávamos vivos…

 

– S-Sim… -Assentiu Ryuu, por algum motivo estava tremendamente nervoso… Olhando em minha direção, continuou: – Eles estão bem. 

 

Suspirei, aliviada, sentindo as mãos de Yumiko segurarem os meus ombros com gentileza.

 

– E… Eles também receberam a localização e data do dia do eclipse… Isso é, o dia em que fabricarão a jóia perfeita… Iremos encontrá-los no caminho.

 

Sentamos ao redor da mesa para discutir o real significado daquilo e, então, nos despedir.

Ryuuichi, pelo que Ryuusei havia me contado, era um caçador habilidoso, mas seus deveres como pai e marido, e a proteção de Yumiko e Ryuuka ficavam em primeiro lugar. Em segundo a proteção da vila, a qual dependia do mesmo para afastar bandidos e criminosos em geral.

 

– Vocês realmente irão viajar à noite? Não é perigoso? -Argumentou Yumiko, enquanto balançava Ryuka para dormir. 

– A data está prevista para daqui há dois dias. -Explicou Ryuusei. – Da distância em que estamos, vamos demorar mais ou menos isso…

 

Abri um sorriso tímido e educadamente completei:

– Além disso, não podemos mais abusar da hospitalidade de vocês.

Isso pareceu ofender Yumiko, quem protestou:

– Ora não seja tola… A família do Ryuichi é sempre bem vinda!

 

Enrubesci apenas com a ideia de que se referia a mim como a esposa de Ryuusei – e esperava que fosse isso, já que para o mesmo eu não passava de uma irmã!

 

Terminamos a conversa e fomos terminar de empacotar as coisas, Ryuuka estava dando trabalho para dormir, então Yumiko se despediu mais cedo e foi para o quarto com a mesma. Ryuuichi se ofereceu para afiar minhas flechas enquanto isso, sua forma de se sentir útil, imagino.

 

Enquanto terminava de ajeitar minhas coisas, notei a dor em meu ombro aumentar com o esforço; Massagiei-o, imaginando se meus ferimentos seriam um problema… 

Ouviu Ryuusei me chamar da porta, numa voz super baixa, me ergui, indo em sua direção, deixando a casa e Ryuuichi a afiar as lâminas.

 

Um momento de silêncio se passou, no escuro não conseguia ver o que a sua expressão dizia, e estava muito nervosa para perguntar…

– E-eu… -Pigarreou duas vezes, talvez tão nervoso quanto. – Eu quero que fiques… Aqui. 

 

Suspirei, vendo que tinha chegado a mesma conclusão que eu.

– A viagem vai ser sem pausas -Continuou, soando tímido e preocupado. – e seus ferimentos podem abrir com o esforço…

 

– Olha só quem fala! -Bati levemente em seu tórax, onde estavam as bandagens, Ryuu se encolheu com a dor. – Olha, eu sei que não sou resistente como o resto de vocês. -Admiti, mas o que queria dizer era "Eu sou mais fraca que um caldo de arroz". – Mas não vou deixar que viaje só.

 

Toquei seu braço, sorrindo-lhe, sem perceber. Ryuusei suspirou:

– Você quer mesmo ver a sua irmã, não é? -E deu o maior sorriso que já havia visto dar. – Eu entendo isso, depois de encontrar o meu, acho que consigo te entender um pouco mais…

 

Então me diga seus sentimentos, é o que eu queria dizer, mas já havia decidido, esperaria que Ryuusei os descobrisse melhor… 

 

Saímos juntos logo em seguida, devagar, porém juntos...

 

 

 

 

 

Costa de Dewa, Nordeste, 12 horas antes do Eclipse Total

 

 

Maki sentiu de longe o cheiro dos companheiros do Time 2 chegando, e avisou aos outros, que se prepararam para sua chegada.

 

Kin e Akira vinham sempre a frente, apressados, mas dessa vez acompanhavam os outros três do time, vindo no mesmo passo. 

 

Kiyoko vinha um pouco atrás, andando com a ajuda de seu dragão, o qual já estava maior do que a última vez que o viram.

 

– Kiyoko! -Nanako foi a primeira a "recebe-los", dando apenas atenção a sacerdotisa.

 

Estavam acampando próximo a costa, de frente a tal Ilha, mas distantes da Casa da Lótus Rosa. 

No meio do acampamento, o inimigo ainda estava amarrado: Yoritomo, com seu rosto emburrado e cabelos sujos.

 

– É ele? -Hiromi questionou após os cumprimentos.

 

Hotaru assentiu.

– Tentamos fazê-lo falar mais detalhes sobre esse dia do eclipse, mas aparentemente não sabe muito…

 

– Teremos de entrar para descobrir! -Daichi ergueu sua lança, animado. 

 

– E depois que entrarmos? Como saímos? -Questionou Kin, as mãos na cintura, procurando Ran com os olhos, sem sucesso.

 

– Essa é que são elas… -Comentou Hiromi. 

 

– Já resolvemos isso. -Maki retirou de dentro da bolsa dos Kidos uma esfera roxa. – A esfera crepúsculo.

 

Yoritomo, que observava tudo, engasgou na hora:

– Como conseguiu isso?! 

 

– Roubei. -Respondeu Maki, sem qualquer vergonha. – Eles -O Clã da Lótus Rosa. – tem vários de qualquer forma.

 

Kin sorriu, em seguida levantou seu braço, bradando sua faca afiada para o céu crepuscular, gritando:

 

– VAMOS ACABAR COM ESSES DESGRAÇADOS! EI, EI!*

 

Querem glória?!

 

Ryuusei retirou sua lâmina, para a surpresa de todos, e a ergueu da mesma forma que Kin, em direção ao oceano.

Hiromi e Sora se entreolharam, sorrindo e dando de ombros, erguendo suas armas igualmente, e assim fizeram os outros, dez armas levantadas aos céus, com seus aços brilhando para uma nova esperança.

 

OU!

 

Sim!

 

 

– Que grande porcaria… -Comentou Maki, ao que seu refém concordou com uma cuspida no chão.

No entanto, Hotaru a puxou, um leve sorriso no rosto, e ergueu seu braço para que juntasse aos outros, Maki apenas continuou parada pela própria surpresa… 

 

 

Parecia quase como se pertencesse ali;

Aquelas pessoas.

 

 

 

 

(…)

 

7 horas antes do Eclipse Total

 

Correndo em seu quimono emprestado, Ran seguia próxima a costa marítima, guiando-se pelo cheiro salgado do oceano, estava próxima da cidade de Kubota, há algumas horas da Casa da Lótus Rosa, mas seus pés feridos a atrasaram em quase 2 dias.

 

Parando ao chegar em um barranco, visualizou a superfície cristalina e esverdeada do oceano, dando uma pausa antes de ter de dar a volta para prosseguir por um caminho menos tortuoso.

 

Ao inalar o perfume oceânico, sentiu o cheiro de mais alguém próximo a mesma, um cheiro amadeirado, de teixo, e se virou já pronta para sacar sua arma, Kitakaze;

Era um jovem de cabelos claros, cujos olhos encaravam o oceano com melancolia, talvez cansaço. 

 

Ran o achou terrivelmente estranho, parado ali tão próximo do barranco, sem nem percebe-la, dando as costas ao mesmo, já estava pronta para prosseguir por mais algumas poucas horas, até ouvir cantarolar uma música. 

 

– Essa música…! -Pronunciou, virando-se para o adolescente. 

 

A Kogane nunca esquecia de uma música uma vez que a ouvisse, e estava certa que aquela música era a mesma que ouvira 2 anos atrás…

 

"Dentro do paraíso 

blablabla"

 

O garoto pareceu finalmente nota-la, e foi uma surpresa para ambos quando avançou para cima da mesma, segurando seus ombros, os olhos arregalados.

 

– Você conhece a Ilha da Dama Cantante?! -Sua voz era estranhamente feminina.

 

Assentindo assustada, Ran afirmou conhecer.

– Eu já estive nela. Mas, nii-chan, você não vai querer ir ali dentro, tá cheio de youkais ruins. -Tagarelou a rosada.

 

– Essa garota… -Ele ignorou, tateando seu quimono de tecido nobre e retirando uma folha, com o desenho de uma garota loira de olhos grandes e tristes. – Você a viu?

 

–... É a Kanade? -Ran perguntou após analisar o desenho mal feito.

 

– Kanade? Não, -O mesmo olhou a foto, confuso. – seu nome é Tomiko!

 

Ran deu de ombros, fazendo menção de se virar para prosseguir o seu caminho, mas o jovem a parou novamente.

 

– De qualquer forma, pode me levar até a Ilha? Quero ver com meus próprios olhos se é ou não a Tomiko…

 

– Eu já falei… -Ran parou no meio da frase, notando que o garoto lembrava, em suas feições e genética, a Kanade que conhecera, e se fosse o caso, talvez soubesse como salva-la. – Nii-chan, qual seu nome? 

 

 

Seu rosto ficou sério de repente, e adotando uma postura ereta, anunciou:

 

– Me chamo Ichigo, e procuro há 15 anos pela minha irmã desaparecida.

 

 

 


Notas Finais


*Um shaku é um bastão ou cetro com cerca de 35 cm de comprimento, segurado verticalmente na mão direita, e fazia parte do traje formal de um nobre, assim como por sacerdotes xintoístas durante as funções, sendo apenas um complemento da vestimenta tradicional.

(Nas margens do rio Ipiranga, Kin Akiyama gritou:)

*"EI EI!!" - Grito de guerra geralmente vindo de um daimyo/senhor da guerra para seus guerreiros "Você quer a glória?!" (Ei significa glória)
E os guerreiros respondem "Ou!" "Sim!"


Nori, Inushiro e Ryuuka 🤝 Serem as coisas mais fofas que a história apresentou.

Quem aí pegou o que o velho quis dizer? ;)
Me digam quais são seus shipps novos do Time 3 também 🤭

No próximo capítulo teremos MUITA luta! Estejam preparados!
E o Ichigo indo no cidade alerta procurar pela irmã desaparecida q


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