História Interlude - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~YWF

Postado
Categorias B.A.P
Personagens Bang Yongguk, Himchan, Personagens Originais, Zelo
Tags Banghim, Bap, Himchan, Yongguk, Ywf Project
Visualizações 62
Palavras 3.324
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Então, tô nervouser mas tamo aqui firme e forte.
Eu consegui terminar essa fic em uma semana certinho depois de sacrificar um trabalho de faculdade, pois é. Não façam isso crianças, não sigam meu exemplo IHOSHOIHISOHIOSHIOSHIHIS
Ficou muito maior do que eu planejei no início, mas a vida tem dessas q
Um muito obrigado a @LiHak que teve a paciência de Jó pra tirar minhas dúvidas em relação ao projeto ❤
E um muito obrigado mais especial a Victoria, um doce de pessoa, que betou essa fic e a @Radagast_ por essa capa linda.
No mais, espero que gostem e boa leitura! ❤

Capítulo 1 - Capítulo Único


— E aqui se faz promovido o Major Bang, que apresentou os devidos méritos e sobe sua patente, sendo, a partir deste momento, Tenente-Coronel Bang. – anunciou o homem de autoridade máxima no local. Os soldados estavam enfileirados em linha reta e com uma postura rígida esperando a sua vez. — Tenente-Coronel Bang – ele continuou seu discurso, agora prendendo um pequeno broche de prata no ombro do rapaz à sua frente. — Espero que continue trabalhando duro, contribuindo para o crescimento do nosso batalhão.

— Sim, senhor! – ele respondeu batendo continência a seu superior.

— Parabéns, filho. Estou orgulhoso de você – o mais velho disse ao apertar a mão do outro.

O coronel Choi Do-Hyun considerava-o como o filho que nunca teve e, mesmo que as más línguas inventassem boatos de que esse fosse o motivo por trás de sua ascensão, Bang Yongguk nunca deixou de batalhar pelo o que queria. Sua vida militar começara depois de tentativas frustradas no mundo da música. O sonho de ser um grande produtor precisou ser deixado de lado quando as responsabilidades da vida adulta bateram à sua porta. Com sua mãe idosa e seus irmãos mais velhos sem nenhuma perspectiva de vida, resolveu assumir as rédeas da família.   

E agora, ao olhar para o passado, sentia que não havia arrependimentos. Mesmo com a rotina rígida e toda a disciplina, conseguiu encontrar, de certa forma, a paz que precisava consigo mesmo. As pessoas sempre diziam que ele tinha um ar assustador e altivo, mas no fundo sempre fora uma pessoa simples, humilde e tímida. Os seus subordinados nem podiam imaginar que, enquanto ele ditava as ordens, por dentro tremia feito vara verde. Não era covarde, longe disso, mas glossofobia era seu tendão de Aquiles.

Sabia que para qualquer coisa na vida era necessário esforço próprio, mas sua promoção havia chegado como um presente de Natal. Atrasado, mas muito bem-vindo. Faltavam alguns dias para o ano novo e começá-lo numa função nova indicava novos desafios, mas, ao mesmo tempo, novas realizações. Os bons ventos sopraram a seu favor.

Ao término da cerimônia, voltou ao seu alojamento recebendo alguns cumprimentos e palavras encorajadoras no caminho. Não pôde deixar de notar alguns olhares de desprezo, porém nada daquilo abalava a confiança que tinha em si mesmo e em seu trabalho. Afinal, “os ataques da inveja são os únicos em que o agressor, se pudesse, preferia fazer o papel da vítima”. Sabia que a maioria não entendia como um cara calado e quieto como ele conseguira subir tão rápido. Porém, esse era o “segredo” de Yongguk, focar em si mesmo e no seu trabalho. Não precisava bajular um ou outro superior para que fosse notado ou se aproximar do maior número possível de soldados para conquistar popularidade.

Acabou deixando esses pensamentos de lado, pois no momento havia coisas mais importantes em sua mente. Tinha recebido uma ligação que há muito tempo estava esperando e, por isso mesmo, precisava ir à sua cidade natal. Ainda não tinha arrumado a mala para sua viagem; por conta da sua posição, dispunha de um quarto somente para si, o que era bom, já que privacidade era uma palavra rara dentro do exército.  

Pegou a mochila dentro do guarda-roupa modesto e começou a separar as peças que queria. Separou também alguns acessórios que gostava de usar, além de reforçar as roupas de frio, já que o inverno havia chegado com força naquele fim de ano. Fazia tudo calmamente e em silêncio quando a porta do quarto se abriu num rompante e um furacão passou por ela.

— E então, Tenente-Coronel Bang? Onde vai passar sua folga? – ouviu a voz de Junhong atrás de si. É claro que privacidade era um termo que ele não conhecia.

— Por que está tão curioso? Você sempre recusa os meus convites pra sair. – respondeu sem parar o que fazia. Junhong era um dos seus únicos amigos ali. O garoto de vinte e dois anos chegara ao campo forçado pelo pai, numa tentativa colocá-lo na linha. Mas Junhong era o típico jovem-adulto em crise pela recém saída da adolescência: preguiçoso e temeroso demais para encarar a vida adulta. E, pelo o que conhecia dele, provavelmente estava fugindo de alguma coisa que o mandaram fazer.

— Ué, já que agora os bares de Cheorwon são simples demais pra você, vai procurar novos ares, não é? – mostrou deboche.

— Eu continuo sendo um soldado como outro qualquer, ainda preciso cumprir ordens. – respondeu ao colocar algumas camisas perfeitamente dobradas dentro da mochila.

— E a parte que agora você continua dando ordens, nem menciona, não é? – Junhong usou um tom acusador. — Aish, eu estou com inveja. – ele se jogou na cama de Yongguk, deitando-se sem cerimônias. —  Eu só tenho essa listra idiota no meu ombro enquanto você ostenta suas três estrelas.

— Caso você tivesse se esforçado um pouco mais já teria chegado em subtenente, mas a preguiça é maior que sua força de vontade. – Yongguk disse para provocá-lo.

— Subtenente, tsc. Pra ser seu subordinado? Prefiro continuar soldado e limpar o estábulo todo dia de manhã. – Juhong respondeu. — Mas então, você não me contou pra onde vai.

— Vou para Incheon. Tenho um assunto importante para ser resolvido. – conferiu os bolsos da mochila checando se havia pego tudo o que ia precisar.

— Assunto?

— É, assunto. Agora pare de ser enxerido. – disse e puxou o carregador do seu celular que estava debaixo da perna do mais novo, saindo do quarto.

— Ei, Yongguk-hyung! Volta aqui!

— Tchau Junhong, te vejo ano que vem! – gritou em despedida a Junhong.

O assunto a resolver em Incheon tinha nome e sobrenome: Kim Himchan. Seu melhor amigo de infância que acabou virando um relacionamento mal resolvido na adolescência. A imaturidade de ambos foi responsável por fazer com que o namoro não fosse à frente; e, mesmo depois de tanto tempo, Yongguk não o tinha esquecido. O sentimento que nutria por ele ainda era o mesmo daquela época, a diferença é que, agora, tinha a plena certeza do que queria.

Estava indo a Incheon com as expectativas em alta, mas o pessimismo sussurrava palavras desencorajadoras em seu ouvido a todo momento. Afinal, tantos anos haviam se passado, e enquanto ele estava se apresentando no exército, Himchan embarcava rumo a Royal College of Music, em Londres, para estudar e se aperfeiçoar no que mais amava na vida: música. Desde criança já demonstrava seu talento nato e atualmente havia tornado-se um renomado instrumentista e exímio maestro.

A lembrança que Yongguk guardava com mais carinho era de quando passavam a tarde no quintal de sua casa, com Himchan tocando no violão as músicas que mais gostavam na época. E no final sempre trocavam beijos escondidos com o medo latente que a mãe ou os irmãos de Yongguk aparecessem de repente.  

Provavelmente estaria com cara de idiota ao andar pelo quartel com um sorriso enorme no rosto, mas sempre acabava assim ao pensar nele. E, junto à euforia, o nervosismo o atingiu em cheio ao se dar conta de que agora eram ambos homens adultos e Himchan um profissional sério e renomado. Será que na vida dele ainda haveria lugar para uma antiga paixão adolescente?

Antes que pusesse os pés no mundo exterior, que era basicamente qualquer pedaço de terra fora dos limites do quartel, foi à sala do seu comandante para cumprimentá-lo e deixar-lhe as felicitações de final de ano. Bateu levemente na porta e foi convidado a entrar.

— Com licença, senhor!

— Ah, Bang-ssi! É sempre bom vê-lo! – saudou o coronel.

— Igualmente, senhor!

— Está animado para a chegada do novo ano? Você vai ficar no quartel?

— Não, senhor. Vou retornar a minha cidade natal. Estou devendo uma visita.

— Achei que seus pais estivessem aqui em Cheorwon.

— Ah, sim, eles estão. Eu... Eu vou ver outra pessoa. – Yongguk respondeu envergonhado.

— Pela forma que ficou sem jeito, creio que seja alguém especial. – o mais velho afirmou em um tom fraternal.

— Sim, senhor. – Yongguk abaixou a cabeça tentando conter o sorriso.

— Ah, o amor dos jovens. – Do-Hyun disse sorrindo. — Eu me senti assim quando conheci minha esposa. Mas tome cuidado com as mulheres, meu filho. Elas têm o poder de destruir o coração de um homem. – Yongguk não soube muito o que responder e apenas sorriu sem jeito.

— Eu tomarei cuidado, senhor.

— Não vou prender você aqui, conversaremos melhor na segunda-feira, certo, Tenente-coronel?

— Com toda certeza, senhor! – respondeu animado. Ao despedir-se do seu superior e sair da sala, pegou-se pensando qual seria a reação dele se descobrisse que a pessoa especial não era uma mulher. Será que ele o trataria da mesma forma que fazia agora?






 

O Sol ainda não havia desaparecido por completo no céu quando Yongguk desembarcou no terminal de Incheon. As duas horas de viagem haviam lhe proporcionado um belo descanso e, agora, caminhava tranquilamente pelas ruas cheias da cidade que ostentava aquele ar preguiçoso de um início de noite de inverno. Havia nevado durante quase o dia inteiro e a camada branca dominava todos os lugares. O casaco pesado, além das luvas e o cachecol que cobria metade do rosto, conseguiam lhe proteger do vento gelado.

Esse era um dos seus momentos favoritos de sua folga fora dos muros do quartel, quando andava despreocupado acompanhando o horizonte ir perdendo suas cores e escurecendo aos poucos. Gostava de acompanhar o ritmo agitado da cidade com pessoas apressadas a caminho de casa e os grupos de estudantes barulhentos. Sentia falta de ser só mais em meio à multidão, passando despercebido como se fosse invisível.

E, mesmo sendo a última semana de dezembro e do ano, não havia nada fora do comum nas ruas (a não ser, é claro, pela decoração Natalina ainda presente na vitrine de algumas lojas), nada que indicasse que 2017 estava no fim. As pessoas viviam sua vida normalmente. O ano novo era apenas mais uma data qualquer no fim das contas. Sentiu o celular vibrar no bolso do seu casaco e, ao pegá-lo, viu que havia recebido uma nova mensagem.

“Terminei o ensaio! (ノД`)
Só preciso pegar algumas coisas antes de sair.
Tem um restaurante ótimo no Songdo Park, podemos jantar lá, o que acha?”

 

“Por mim, tudo bem!
Você é o meu guia hoje, não me lembro de muitos lugares em Incheon”

 

“Bang Yongguk, você devia se envergonhar!
Como não sabe andar na própria cidade onde nasceu?”

 

“¯\_(ツ)_/¯”

 

“Ok, vou considerar isso como um ‘Sou desleixado demais para me importar’”

 

“Hey! (ಠ_ಠ)”

 

“Nos vemos daqui a pouco! (♥ω♥ ) ~♪”

 

A troca de mensagens havia sido simples e rápida, mas fora o suficiente para fazer o coração de Yongguk disparar. Sentia-se bobo por estar daquela forma, mas seu sentimento era sincero. Ao se dar conta que dentro de poucos minutos veria Himchan novamente, começara a se sentir ansioso. O café sempre fora seu amigo nessas horas, então não pensou duas vezes ao ver o letreiro branco e verde que surgiu à sua frente.

O lugar estava relativamente cheio, as pessoas provavelmente fugiam do frio assim como si próprio. Tirou as luvas e percebeu que suas mãos tremiam, mas sabia que não era apenas por conta do frio. Entrou na fila esperando sua vez de fazer o pedido quando sentiu o celular vibrar no bolso do seu casaco com uma nova mensagem. “Vou me atrasar cinco minutos!” era o que dizia. Yongguk suspirou aliviado, pois havia ganho tempo suficiente para acalmar os nervos.

Ajeitou a alça da mochila no ombro, fechou os olhos e contou mentalmente até vinte, respirando fundo. Abriu os olhos e percebeu que a fila tinha andado um pouco. Distraído, passou a observar as pessoas ao redor e, antes de olhar tudo, viu um rosto conhecido que estava na fila para receber o pedido; suas pernas travaram. Ele tinha algumas pastas entre os braços e esperava sua vez logo após duas garotas.

E ao ver Himchan ali, a apenas alguns metros de si, Yongguk sentiu como se o tempo não houvesse passado para nenhum dos dois. Momentaneamente voltou a ser como o garoto de anos atrás, que havia fugido da sala de aula para matar o tempo no telhado da escola. Ainda podia sentir as mãos macias dele percorrerem seus cabelos ao deitar a cabeça em seu colo. Ainda ouvia a voz dele ressoar em seus ouvidos com as conversas bobas e as tímidas juras de amor. E, ainda que tudo tivesse mudado, ainda eram os mesmos. Não sabia explicar se havia borboletas voando ou sapos pulando em seu estômago pelo tanto que se remexia inquieto. Talvez fosse essa a sensação de estar apaixonado, afinal.

Ele mexia no celular e provavelmente tinha visto algo engraçado, pois, quando riu, virou a cabeça para o lado e manteve o olhar na sua direção. Yongguk sabia que ele tinha lhe visto, e, mesmo ao longe, seu sorriso era brilhante. Sentiu suas mãos começarem a suar de nervosismo, mas não podia simplesmente dar meia volta e sair dali. Sua cabeça já começava a trabalhar em diversos planos infalíveis para tirá-lo daquela situação, mas o seu corpo não parecia disposto a cooperar.

Sabia que era patético o jeito como agia, mas metade dos seus neurônios havia morrido de forma súbita e seu cérebro já não conseguia processar nenhum raciocínio lógico naquele momento. Então acabou seguindo o caminho, parando atrás do balcão na fila com a intenção de fingir que não o conhecia. Ao terminar o pedido, Yongguk mudou de fila, parando atrás de Himchan para esperar que sua bebida também ficasse pronta. Himchan virou-se para Yongguk que ainda não conseguia esboçar nenhuma reação. Os olhos dele brilhavam ao lhe encarar, e, após alguns segundos, Yongguk abriu a boca algumas vezes, mas não disse nenhuma palavra.

— Há quanto tempo, Yongguk-ssi. – Himchan disse ainda sorrindo. Estava se controlando ao máximo para não rir da cara de assustado dele.

 — Hm... É. Muito tempo. – Yongguk balbuciou afobado.

 — Você está se sentindo bem? Está suando!

— Eu estou bem, não se preocupe.

Himchan apenas riu de leve, achando fofa a forma como o mais velho havia corado e estava visivelmente nervoso.

— Vou te esperar em frente à loja, tudo bem? – perguntou ao pegar o copo da sua bebida na mão do atendente. Yongguk apenas meneou um sim com a cabeça.

Não demorou muito até que ele saísse com um copo grande nas mãos e o ar ainda aéreo. O encontro ali havia sido um acaso — ou talvez nem tanto, já que os dois eram amantes de cafeína e a noite fria pedia por uma bebida quente. Caminharam lado a lado em silêncio por um breve momento. Havia tantas coisas a dizer um ao outro, mas simplesmente não sabiam como fazê-lo.

Himchan foi o primeiro a falar. Contou sobre a vida na Inglaterra e de como foi difícil chegar onde estava. Yongguk acabou se soltando e também contou sua história e os anos no campo de treinamento. Uma conversa simples de dois amigos que se reencontraram após o interlúdio que a vida colocou no caminho deles.  Não havia mágoas ou ressentimentos pelos acontecimentos do passado, os dois sabiam que o tempo havia ensinado muitas coisas.  

— Como você soube que eu estaria em Incheon? – Himchan o perguntou quebrando o silêncio.

— Sua irmã me contou. – Yongguk respondeu sincero. Há algum tempo a irmã mais velha de Himchan havia virado uma espécie de confidente e ela sempre fora a única da família a saber da história dos dois. — Ela me ligou avisando que você viria passar as festas de fim de ano na casa dos seus pais.

— Eu queria fazer uma surpresa, mas vocês dois acabaram sendo mais rápidos que eu. E a Sunhee não consegue ficar quieta, nossa. Aquela fofoqueira! – Himchan exclamou, fazendo os dois rirem.

O silêncio voltou a cair entre os dois, mas não era incômodo, e sim confortável. Não precisavam falar para serem entendidos, apenas a presença dos dois ali, um ao lado do outro, era o suficiente para que se fizessem entender. Continuaram a andar mais um pouco até chegarem em frente ao parque onde tinha uma pracinha com alguns bancos. Não havia muito movimento, e as poucas pessoas que passavam por ali estavam mais interessadas na paisagem do lugar, que agora brilhava ainda mais por conta da decoração com luzes coloridas. Os dois sentaram juntos em um dos bancos, observando a movimentação fraca.

— Seu cabelo está muito mais curto do que eu me lembro… – Himchan disse ao passar a mão pelos fios curtos dele.

— No começo eu detestei ter que cortar, mas agora eu acabei me acostumando. Eu acho.

— O tempo tem disso, não é? Faz com que nos acostumemos com algo sem nem perceber... – Yongguk sabia o que aquela frase queria dizer e não pode deixar de se sentir culpado.

— Himchan, eu...

— Ei, não precisa dizer nada. Nós dois éramos imaturos demais na época, a culpa não foi só sua. – o cortou. — Mas eu nunca vou esquecer como doeu quando você parou de falar comigo do nada.

— Achei que assim você ia me esquecer mais rápido. – Yongguk disse simplista.

— Como se fosse fácil esquecer de você… – e, antes que Yongguk pudesse formular qualquer resposta, os lábios de Himchan se uniram aos seus. O contato não durou muito tempo e acabou sendo um tanto desajeitado, o que fez Himchan rir e Yongguk ficar envergonhado.

— Há quanto tempo você não beija alguém? – Yongguk não respondeu, apenas virou o rosto para o outro lado, fazendo Himchan rir.  — Ninguém…?

— Não.

— Ai, que bonitinho. – Himchan disse apertando as bochechas dele, provocando-o. — Eu saí com umas pessoas, mas ninguém interessante. E estava bêbado na maioria das vezes, então nem conta.

— Ei, não quero saber das suas aventuras românticas na Inglaterra! – Yongguk exclamou irritado.

— Não precisa ficar com ciúmes, ninguém foi tão especial quanto você. – Himchan retrucou, roubando um selinho do mais velho e o deixando envergonhado mais uma vez naquela noite.

— Você não está com fome? Achei que íamos jantar.

— Sim, eu estou com fome e muito obrigado por cortar o clima. – Himchan falou levantando-se de repente e se afastando de Yongguk.

— Onde você está indo?

— Para o restaurante, oras. – Himchan respondeu e continuou andando.

— Himchan, espera! – Yongguk o chamou. Himchan parou de andar e virou para trás esperando que ele se aproximasse. — Eu preciso te dar uma coisa.

O mais novo nada disse, apenas ficou observando enquanto Yongguk procurava algo nos bolsos do casaco. Quando ele finalmente encontrou, estendeu a mão para que Himchan pegasse. Era uma caixinha de veludo azul marinho e, ao abri-la, Himchan pôde ver duas alianças prateadas, idênticas. Não conseguiu dizer nada e apenas encarou Yongguk com os olhos marejados.

— Da última vez, nós não fizemos do jeito certo, por isso agora quero começar direito. Sei que eu devia esperar mais, mas nós já perdemos tempo o suficiente. Kim Himchan, você quer namorar comigo? – Yongguk falou tudo em um fôlego só, tinha medo de parar para respirar e perder a coragem.

— Achei que você nunca fosse pedir, seu idiota. É claro que eu quero. – Himchan puxou Yongguk para um beijo, sem se importar se estavam em público ou não. Ao se separarem, não podiam conter o sorriso no rosto. Trocaram as alianças ali mesmo, no meio das luzes do parque. E junto ao novo ano que estava para vir, aquele era o marco de um novo começo na vida dos dois.

 

''As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente - claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.''

Interlúdio, de Cecilia Meireles


Notas Finais


Todos os locais aqui citados são reais.
Hierarquia e todos os detalhes militares foram baseados na do nosso exército brasileiro porque não achei informações concretas sobre o exército coreano.
A quem chegou até aqui um beijo no core e até a próxima~


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