História Interrompida - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bissexualidade, Ficção, Imortalidade, Sangue
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Palavras 1.377
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, LGBT, Luta, Mistério, Sci-Fi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi leitores :D
Estou muito animada com a história!
Espero que vocês gostem e se envolvam na vida da Arabella!

Capítulo 1 - O colapso


Fanfic / Fanfiction Interrompida - Capítulo 1 - O colapso

Norte da Alemanha, 3 de novembro de 1874

Desde criança, fui ensinada a não me acomodar. Insistir, lutar, resistir. Fui criança esperta, cheia de brincadeiras, cheia de energia. Mas ao longo do meu crescimento como mulher, o ensinado era reprimir estes, agora, instintos. Me abaixei, me calei, cedi. Mas meu coração queimava de rebeldia por dentro do corpete do vestido. Às vezes, na minha adolescência, eu saia escondida pelos cantos das casas, entrava em matas e lá me soltava às estripulias de criança, subindo em árvores, treinando o equilíbrio, a força, a destreza. Estes momentos mantinham o fogo do meu peito vivo, ardente e clamando por brechas em minhas articulações que permitissem sua saída. Liberdade. 

Meu aniversário de 21 anos. Acordei cedo, como de costume, e fui até a cozinha, onde meus pais se encontravam sentados em suas cadeiras costumeiras. 
- Feliz dia de Arabella! - disseram ambos, em uníssono. Me deram os carinhos, me abraçaram, elogiaram meu vestido azul formal, bordado com linhas e pedras prateadas. Meu cabelo também prata estava meio preso e meio solto, e em meus olhos eu havia passado o lápis corante azul, combinando com sua cor natural, que demonstrava minha dedicação em parecer apresentável.

Neste meu dia, eu seria apresentada a Friedrich Wilhelm, meu noivo. Friedrich é um jovem nobre, de 24 anos, que busca por uma esposa para lhe dar herdeiros. Minha família espera que eu seja tal sortuda mulher, casada com um dos mais cobiçados jovens senhores da região. Mas não sou uma esposa. Não só isso. Aquele fogo sempre aceso no meu peito não me permite que eu me contente com essa posição imposta às mulheres. 

Minhas irmãs, em seus vestidos rosa claro estavam em frente à porta, ao lado de meus pais, já na espera pelos Wilhelm. Me coloquei em minha posição de espera silenciosa, e me perdi em pensamentos até que me perdi no tempo que havia se passado, e a família entrava pela porta. 

Meu pai, como portador da voz da casa, apresenta todos em tom de voz animado. 
- É uma honra sua presença, família Wilhelm, em nossa casa. Me apresento Georg Zoege von Manteuffel, minha esposa Anna Alexandra, e minha filhas Arabella Loreena Celestrial, em seu dia de 21 anos, Verona Karenina e Nyara Beatrice. - Enquanto meu pai nos apresentava, mamãe, eu, Nona e Nya nos curvávamos educadamente em frente aos hóspedes. 
- A honra é toda nossa. Me apresento Friedrich Emmanuel de Wilhelm, meu pai Albert Emico e minha mãe Ema Amélie. Me sinto feliz em dizer parabéns ao seu dia, Arabella, você está deslumbrante. 

E assim seguiu-se o dia, em floreios e elogios, promessas educadas e planos sem fim. Gostei de Friedrich, mas o peso da responsabilidade e das palavras proferidas e herdeiros prometidos pelos meus pais era grande demais para mim.
- Seu pai me disse que você é elegante em artes de luta e fuga. - Me disse ele, enquanto as famílias conversavam e eu olhava pela janela. 
- Oh - sorri delicadamente. - Sim, devo admitir. Venho treinando há anos, alguns momentos em segredo para escapar dos olhares de reprovação.
- Pode me mostrar?

E fomos. Andamos por meio às casas erguidas, por entre arbustos coloridos e dentes-de-leão nas calçadas. Em um momento, Friedrich pegou um deles e soprou em minha direção, com um sorriso aberto, estonteante. Seus cabelos pretos encaracolados permitiam que alguns poucos cachinhos caíssem por sobre sua testa, sua pele brilhava em minúsculas gotas de suor pela caminhada, refletindo a luz baixa do entardecer em seu rosto. Olhei para cima para encarar seus olhos completamente pretos que me encaravam de volta. Foi um momento bonito. 
- Li sobre você, insaciavelmente naquelas cartas escritas pelos seus familiares - disse ele 
- É? - Fiquei curiosa. 
- Contos e relatos sobre minha futura esposa. - falou Friedrich, os olhos fixos no horizonte. - Uma mulher graciosa, que se equilibra em árvores e luta com o corpo e com palavras. 

E não sei se foi neste momento, mas a estática estava no ar. Aquele arrepio que percorre a espinha e canaliza as emoções para o estômago, levando meus medos, meus pesos e planos para um fundinho do peito. O fogo ardia diferente. 

Friedrich passou a mão em meu rosto e depositou um curto e leve beijo em meus lábios. Permiti. Mas foi isso. Chegamos na mata e começamos a nos esgueirar, subir, escalar. Nos equilibramos nos galhos e um no outro por tempos, com risadas altas, despretensiosas e soltas pelo ar livre no corredor natural. Me diverti muito naquele entardecer com meu noivo, carreguei algumas confidências sussurradas e conheci um pouco de quem ele era. Gostei. Gostei.

E até ali, cores. Amarelo, laranja, rosa, roxo, dourado, azul, prateado, preto. Cores que pintaram meu dia, meu peito. Mas, no caminhar de volta, beirando o casarão de minha família, tudo parecia cinza de fora. 

Não haviam vozes, conversas soltas, risadas. Cinza. Os sorrisos morreram de nossos rostos ao pisar nos degraus e ver, através da fresta da porta entreaberta, o vestido rosa claro. Mas havia outra cor nele. Vermelho, vermelho escuro. 

E daí a nova cor foi essa: vermelho. Nossa família ali, esparramada no chão, molhados em sangue fresco, os olhos ainda abertos e a expressão de espanto eternizada em seus rostos. Meu pai, tão forte, protetor, sábio, o conselheiro dos meus dias tristes, quem me dava boa noite, me ensinou as artes da luta e fuga e me deixou ser quem sou. Adeus, Georg, homem dos meus 21 anos e 21 dias de Arabella. Minha mãe, carinhosa, gentil, bondosa, que me ensinou a delicadeza e o equilíbrio na vida, em corpo e mente. Adeus, Anna. Adeus, Nona, que cresceu comigo, pegou minha mão com o apelo que apenas uma criança buscaria em outra criança. Adeus, Nya, a menina que vi crescer, que ensinei a acender e manter aceso o fogo de seu peito, para que nunca seus planos se abaixassem para que outros passassem. 

Mas agora, todos cessaram. As vozes, as cores, os cheiros, os toques. Permaneci ali por um tempo, os olhos embaçados. Friedrich também dizia adeus à Albert e Ema. 

Pelos cantos de meus olhos, vermelhos como o resto da cena, vi um vulto. Me levantei de imediato, mas mãos fortes e rápidas me seguraram pelos pulsos e cabelos.
- Ed, achei a menina. - a moça que me segurava disse. Seus cabelos eram marrons, presos em uma trança lateral longa. Usava um corpete preso e calças marrons. 

Quando me virei, vi com quem ela falava. Um homem alto, também de cabelos marrons, bonito, com semblante calmo e cansado. Ele andou em minha direção com passos lentos, cuidadosos, firmes. Não me lembro de ver o que aconteceu a Friedrich. Só me lembro dos olhos de Ed, acinzentados, olhando para mim. 

-

Quando acordei, estava amarrada em uma estaca de madeira no chão. Uma mecha do meu cabelo cobria meu rosto, e vi que a madeixa estava colorida com sangue, assim como meu vestido. Olhei ao redor, e me vi no centro de um círculo. Algum tipo de ritual? 
- Olá, doce Arabella. - disse uma voz rouca, saindo da boca de Ed. - Sinto muitíssimo pela perda e pela dor que tive que causá-la. Eu e minha irmã Noelle não nos sentimos bem em causar tamanha dor a você. 

Eu estava paralisada. Olhando o círculo delineado por um pó branco sobre a grama. Estávamos em um campo aberto. Tentei pensar em estratégias para escapar, mas eu estava tão presa. 
- Arabella Loreena Celestrial von Manteuffel, em seu dia de 21 anos. - disse Noelle, em voz alta, segurando um livro enorme, de capa de couro e tiras de tecido. - Arabella, que sede a súplicas e carrega o sangue portador das maldições, que segure a maldição de Noelle e Eduárd de là Voarche, que carregue o peso da não-morte e conceda-nos a ir, em paz, em direção à obscuridão eterna. 

Ela deu algumas voltas, com uma corrente cheia de pingentes ensanguentados na mão. Havia um espaço para mais um pingente que não estava lá. Quando Noelle passou, em um das voltas, na minha frente, vi que carregava mais um objeto em suas mãos. 

Uma faca brilhante que continha, em seu cabo, um pingente prateado completamente limpo.


Notas Finais


E aí, galera, o que acharam?
Ao longo dos capítulos, teremos mais momentos de flashback para a vida da Arabella, mas essa primeira viagem foi importante para começarmos a construir a personagem.
OBRIGADAAAAAAAAAAAA


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