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História Into The Dead - Capítulo 73


Escrita por:


Notas do Autor


Adivinha quem voltou?! Eu mesma, a menina da fic zumbi! Antes de tudo, espero que todos vocês estejam bem com todo esse caos instaurado pelo novo Coronavírus no mundo! Espero que estejam em casa, se alimentando, e, principalmente, lavando as mãos. Não entrem em desespero, cuidem do psicológico e aproveitem o tempo para ler aquele livro ou fic que sempre quiseram, ver a série que está na sua lista há tempos, ou até para olhar internamente fazendo algumas reflexões sobre a vida.
Em relação a Into The Dead, eu queria ter palavras suficientes para agradecer cada pessoa que chegou até esse capítulo, que viveu essa experiência comigo e aceitou cada uma das minhas loucuras em forma de escrita! Durante esses anos da fanfic… muita coisa mudou na minha vida, mas, nem que fosse no fundinho do auditório, ITD e vocês estavam me esperando.
Escritores e escritoras dedicam um tempo de suas vidas para ofertar a vocês uma estória, então, deem mais valor em cada um desses profissionais! Obrigada por tudo! Obrigada por cada comentário positivo, cada crítica, cada indicação, cada favorito! Vocês, leitores e leitoras, mudam vidas!
Agora sem mais delongas, cá estou eu com o último capítulo de Into The Dead! Preparem muitos lenços, uma garrafa de água para desidratação e um comidinha para aproveitarem os últimos parágrafos dessa estória LONGA.
* ATENÇÃO *
No entanto, antes que entrem em desespero por acharem que deserdarei vocês… não se enganem! Já estou de volta com mais uma nova estória tão intensa quanto ITD. Ela se chama Over The Dusk e daqui alguns minutos vai se encontrar no meu perfil. Deem uma chance a esse Universo Sobrenatural como deram ao meu Universo Apocalíptico.
Boa leitura, e vamos lá! Comentem bastante, favoritem e chorem!

Capítulo 73 - Epílogo


Fanfic / Fanfiction Into The Dead - Capítulo 73 - Epílogo

NARRADOR PDV


Entrada de Lésvos

Quinze anos depois – Outubro de 2040

16h05min


 

*Music On* (American Idiot – Green Day)

Os motores dos dois veículos, movidos a Etanol, urravam por causa da intensidade da aceleração, cujos motoristas estavam completamente entregues a sensação gratificante da adrenalina correndo por suas veias. As seis rodas giravam rapidamente indicando a velocidade alta e as paisagens passavam por eles parecendo simples borrões verdes.

A grandiosa Mãe-Natureza ao redor da estrada, aberta para facilitar a locomoção entre as comunidades, parecia não intimidar nem um pouco os três jovens imprudentes.

Um sorriso presunçoso se mostrava presente nos lábios de Alexander Cabello-Jauregui, que pilotava com maestria a motocicleta branca. O homem de cachos negros aos ventos, óculos Ray-Ban de grau, barba rala no rosto de 22 anos, e músculos definidos através da regata preta, possuía as mãos fortes segurando o guidom e girava o manete de aceleração, mantendo-os firmes através do trepidar do caminho irregular.

Segurando sua cintura por apenas um braço, a mulher negra de 26 anos dava gritinhos por causa da emoção extasiante e erguia a mão livre para o alto, apreciando o ar chocando contra o seu corpo. Layla Makori continha os cachos em estilo Black Power, rosto extremamente jovial, a pele bonita entrando em contraste com o Sol e um sorriso branco sedutor.

Em um jipe Wrangler conversível vermelho, tentando a todo custo ultrapassar os malditos idiotas que venciam aquela aposta, se encontrava Taylor Brooke Ogletree segurando o volante em mãos. O homem loiro de 23 anos apresentava um cavanhaque no rosto quadrado, os olhos azuis penetrantes no horizonte e os músculos apertados pela camisa verde.

Os dois motoristas jovens se mantinham focados na estrada de terra e, às vezes, ousavam trocar rápidos olhares e sorrisos delinquentes certificando-se das posições na corrida.

Eles passavam pela natureza que se mostrava cada vez mais potente, com árvores maiores e o mato extremamente alto, que criavam um emaranhado convidativamente perigoso de ervas daninhas. O oxigênio presente na atmosfera dava claros sinais de estar mais limpo, mais puro, graças a ausência de poluição.

Ao notar Lésvos se aproximando, Taylor pisou ainda mais com seu tênis no pedal de aceleração e forçou o motor recém-restaurado do jipe vermelho. O veículo sujo por lama avançou para frente e lentamente se equiparou à velocidade que a motocicleta branca se encontrava.

Alex e Layla semicerraram os olhos, com as expressões competitivas.

O filho das ex-Rainhas girou mais o manete direito e acelerou a motocicleta, fazendo com que ela ganhasse alguns centímetros à frente.

O filho da enfermeira, e do falecido motorista, pisou ainda no pedal direito gerando mais movimento do motor do jipe, recuperando os centímetros outra vez.

Alex e Taylor viraram os rostos e se entreolhavam, sérios, xingando baixinho para que seus respectivos veículos dessem tudo de si naqueles últimos metros que os separavam da entrada de Lésvos.

Em cima do muro da comunidade, os guardas giraram os corpos ao escutarem os barulhos altos da corrida vindo em alta velocidade. Ashley Benson, presente ali, apenas colocou as mãos na cabeça e fez um sinal de desaprovação com a cabeça ao reconhecer os jovens encrenqueiros.

E, já perigosamente perto da entrada, Alexander conseguiu arrancar mais velocidade por parte de sua motocicleta e a mesma avançou meros centímetros à frente. Assim, o casal de namorados passou em primeiro lugar através da marca feita na penúltima árvore e geraram um grito de ódio dos lábios de Taylor, que chocava o volante por ter perdido mais uma.

O Cabello-Jauregui freou imediatamente a motocicleta, com os pneus derrapando no asfalto próximo do portão principal, e soltou uma gargalhada alta compartilhando aquela vitória com sua namorada.

Os portões foram abertos e os dois veículos se locomoveram para o interior da comunidade, se direcionando para a área esquerda onde todas as motos e carros ficavam estacionados em uma espécie de galpão.

– Perdedor! De novo! – Layla apontou para o homem loiro assim que pulou da motocicleta branca.

– Não vale, a tia Dinah arrumou o seu motor semana passada! – o Taylor resmungou mostrando o semblante irritado enquanto saía do jipe e caminhava para a parte traseira no veículo vermelho.

Boo-hoo! – Alexander zombou, retirando a chave e também saltando da moto. – O seu motor foi restaurado mês passado! Apenas aprenda a perder, cara! Aceite que terá de ajudar o nosso tio Chris!

– Não vejo problema nisso! De qualquer forma, eu sei desossar melhor que vocês dois juntos! – o mal perdedor falou ao mesmo tempo em que abria o porta-mala de seu carro. – Agora larguem de chatice e venham me ajudar a retirar esse alce daqui!

Alex e Layla ergueram as sobrancelhas em um movimento zombeteiro, rindo em silêncio do amigo, e caminharam até o jipe para ajudá-lo.

Os três jovens eram conhecidos por serem inseparáveis.

Eles praticamente cresceram juntos depois que grupos de busca foram até o CDC, há quinze anos, e trouxeram de volta os sobreviventes que ficaram lá – junto, claro, aos diversos equipamentos e maquinários de Demetria e Louis.

Lauren, Camila, Dinah, Normani e Allyson chegaram inteiras em Lésvos antes que a virada do ano de 2025 acontecesse.

Depois disso... foi tudo uma loucura.

Obviamente o grupo das Rainhas encontrou delinquentes que não aprovaram a ideia de existir uma cura e, até, pessoas violentas que tentaram roubá-la. Elas assistiram coisas absurdas, como, por exemplo, ladrões infiltrados nas comunidades, chacinas e sacrifícios em diversos pontos do estado ou até pequenos agrupamentos de maltrapilhos que chegaram a sequestrar habitantes de Lésvos almejando as fórmulas para a produção da vacina.

Entretanto, as Rainhas conscientes e experientes souberam lidar racionalmente com as situações e conseguiram, através de batalhas, recuperar algumas vítimas e proteger as aliadas.

Infelizmente, naqueles quinze anos, muitas pessoas morreram para manter a cura em boas mãos.

Era esse o preço para a reconstrução da civilização.

A cada erro que cometiam, Lauren e Camila aprendiam as lições para que nada daquilo ocorresse outras vezes. Elas passaram noites e mais noites sem dormir, com as cabeças latejando e lágrimas escorrendo pelos rostos cansados, em tentativas árduas de desenvolverem táticas para protegerem tudo o que conquistaram.

Mas elas obtiveram sucesso.

Com auxílio de sua família e de outras pessoas voluntárias, as comunidades que visavam a humanidade conseguiram prosperar.

Externamente às questões políticas, algumas mudanças ocorreram na Terra naqueles quinze anos:

As usinas nucleares abandonadas sempre foram um problema desde os primeiros anos de epidemia, que, por algum tempo, conseguiram permanecer em Modos de Segurança. Porém, depois de vinte anos de Apocalipse, alguns prédios não suportaram a pressão exercida pela natureza e desabaram, liberando as águas que resfriavam os tanques de energia radioativa. Dessa forma, diversas áreas dos Estados Unidos da América necessitaram de isolamento pelos sobreviventes próximos, os quais, durante cinco anos, buscaram maneiras de conter a disseminação da radiação e evitar uma contaminação maior.

Na região de Lésvos, aconteceram as quedas de dois satélites. As estruturas metálicas sem monitoramento despencaram do céu parecendo estrelas cadentes bizarras, com luzes fortes. E a grande questão não foram os estrondosos impactos na terra, gerando crateras, mas, sim, os incêndios descontrolados que necessitaram de interferência humana para que as chamas não chegassem até as comunidades protegidas por muros.

E quando o problema não ocorria pelo fogo, ele chegava através da água. Algumas barragens se trincaram e desmoronaram ao longo dos países, liberando toneladas de litros cúbicos que obviamente desceram até as regiões mais baixas, causando alagamentos, mas também gerando novos pântanos, lagos e lagoas.

Outras regiões, ironicamente, se tornaram deserto. Exemplo disso era visto em Las Vegas, que durante os últimos dez anos mostrou indícios de deposição de areia.

Os animais se fortaleciam e formavam novos habitats, reconquistando de volta os seus territórios tomados pelos homens. Espécies que antes aparentavam estar em quase extinção tiveram mais uma chance de recomeçar e, gradualmente, refaziam suas populações.

E, tratando das relações interpessoais, a Terra também havia modificado um pouco:

Na América do Norte existiam um total de 74 comunidades oficiais ao longo de sua extensão territorial. Algumas eram grandes abrangendo quilômetros, outras pequenas, mas quase todas eram protegidas por muros e continham seus próprios sistemas de governo que perduraram esses anos mostrando eficiência.

Na América Central: 34 comunidades.

Na América do Sul: 62 comunidades.

Na Europa: 121 comunidades:

Na Ásia: 136 comunidades.

Na África: 104 comunidades.

Na Oceania: 22 comunidades.

O país dos Estados Unidos da América continham cerca de 45 agrupamentos de sobreviventes. No estado de Nebraska, por ser uma região plana e presenteada por terra fértil, possuía sete grandes comunidades – contando com Lésvos e Low-Valley. As cinco outras eram distribuídas por áreas diferentes, abrigavam juntas um total de quase 2.000 pessoas e se chamavam: Metropolis, Bravos, Red City, Castlehock e Blackhill.

O grande missão de Camila, Lauren e seu grupo foi conversar e convidar essas cinco comunidades para formarem uma grande aliança, de maneira em que se juntassem para reerguer as paredes da sociedade. Não foi nada fácil e isso requereu diversos escambos, várias pessoas para estudarem os cotidianos desses sobreviventes e outras inúmeras táticas de análise.

Mas depois de anos de incessável trabalho, as Rainhas conquistaram a confiança de vários líderes das comunidades. E, mesmo dormindo sempre com um olho aberto, elas também aceitaram as ajudas e desenvolveram acordos envolvendo laços de companheirismo até com comunidades de estados vizinhos.

Obviamente eles nunca deixaram de encontrar maltrapilhos e traidores, mas o sucesso desses filhos da mãe dependiam de quem estava nas rédeas da situação.

Portanto, Lauren e Camila nunca tiveram grandes problemas com isso.

Até porque não aprenderam a se defender de uma forma fácil.

Aos poucos, e através de um sistema justo de triagem, os sobreviventes ao redor foram vacinados e imunizados perante a transformação.

Mas não pense que isso terminou com os zumbis.

Os mortos-vivos nunca teriam um fim.

Por quê?

Bem… cerca de mais de 7 bilhões de pessoas foram transformadas em mortos-vivos!

Ou assassinadas pelos próprios humanos…

Então… o Apocalipse não acabaria antes de algumas centenas de anos. E, muito menos, os problemas com os sobreviventes restantes.

Assim, cientes da vida deles e de que ela seria de tal maneira até os últimos suspiros quando velhinhos, Alex, Layla e Taylor carregaram o alce de quase 100kgs através das ruas de Lésvos enquanto cumprimentavam os indivíduos que passavam por si.

A comunidade em si não havia mudado muito. Novos quartos e locais para pessoas novatas foram necessários; outros departamentos abriram ofertando mais empregos; áreas para plantio, lazer e diversas atividades foram implantadas; houve até a inauguração de um pequeno curso para que os mais velhos pudessem ensinar jovens aprendizes.

E, por fim, principalmente, a criação de espaços para treinamento.

Eram ofertados para todos os quase 500 habitantes de Lésvos táticas de defesa pessoal, aulas de manejo de armas, ensinos de sobrevivência em situações extremas, dentre outras.

Os três amigos chegaram até a praça principal, de frente a grande Biblioteca. As árvores começavam a perder suas folhas e isso gerava um acúmulo bonito no chão, colorindo o ambiente. Alex e Layla ajudaram Taylor a arrastar o corpo morto do alce até perto de um coreto construído há poucos anos por Will, onde o carpinteiro e Christopher Jauregui se encontravam naquele momento analisando a planta de mais uma construção que queriam desenvolver em Lésvos.

– Agora… se vire com isso! – Alex zombou ao soltar as duas patas dianteiras do animal. – Eu e minha gata vamos tomar um banho, porque já estamos atrasados!

Taylor fez um muxoxo nasal e colocou as mãos na cintura enquanto observava Alex dar as mãos para Layla, entrelaçarem os dedos, e caminharem tranquilamente pelas calçadas da praça em direção da Biblioteca Principal.

O filho da ex-Rainhas ainda aprendia, no pequeno curso profissionalizante, a arte de ser arquiteto. Quase que semanalmente Cara Delevingne comparecia a Lésvos para dar aulas grátis para os alunos que se mostravam adeptos àquela profissão, junto, também, com outros adultos formados na área.

Alex escolhera aquele caminho porque sonhava, desde criança, na expansão da comunidade conquistada por suas mães.

Layla Makori já havia se “formado” em mecânica, graças a longas aulas de Dinah e o apoio indiscutível de sua outra mãe Normani. A jovem afrodescendente mostrava muita aptidão para a área e já comandava o departamento que, antes, pertencia a sua mãe loira.

E o Taylor, que caminhava em direção de seu tio Christopher, cursava Estratégias de Combate e aprendia diretamente do Jauregui como saber administrar os recursos, a criar soluções matemáticas para determinados problemas e vários outros pontos que o tornaram o homem ideal para assumir a liderança do exército de Lésvos daqui alguns anos.

Christopher, como sempre, continha a barba cobrindo todo o seu queixo e o cabelo levemente ondulado penteado para trás. A única diferença era que possuía uma expressão mais velha e os poucos fios brancos já visíveis denunciavam a idade de 40 anos que adentrara. Will Bracey se encontrava no mesmo estado, exceto por ter cabelos loiros escuros.

O Jauregui, que lia alguns papéis em mãos, apenas ergueu o olhar das folhas quando percebeu a presença de Taylor ao seu lado.

– Perdeu de novo? – ele zombou, analisando o alce deitado alguns metros atrás.

– Cale a boca… – o homem loiro bufou, contrariado.

– Calma, cara… você ainda vai pegar o jeito daquele jipe. – Will Bracey colocou uma mão no ombro do enteado, de quase 23 anos, e tentou sorrir de maneira compreensiva para acalmá-lo. – Depois nós dois podemos sair e treinar mais um pouco, o que acha?

– Sério?! – o Taylor perguntou, com os olhos azuis brilhando. – Ia ser incrível, Will!

– A qualquer hora! – o carpinteiro contente lhe deu alguns tapinhas nas costas. – Vou deixar você continuar a lendo essas plantas… e vou ir tomar um banho antes de que minha esposa me mate! – Will primeiramente falou para Christopher e, posteriormente, se virou para o Taylor. – E você… leve logo esse alce para a cozinha e vá se arrumar, senão seremos dois ferrados perante a força de Allyson Brooke!

Chris e Taylor deram uma risadinha e concordaram em conjunto. Os dois observaram o carpinteiro pegar sua maleta de ferramentas e se distanciar através da grama aparada da Biblioteca principal, onde algumas crianças corriam e brincavam tranquilamente.

– Onde estão os outros dois?! – o homem mais velho perguntou enquanto guardava o papel no bolso detrás da sua caça. – Vamos, me ajude a levantar esse alce!

– Ah… o que você acha? – o loiro disse erguendo uma sobrancelha.

Christopher, que se agachava para agarrar as patas dianteiras do animal, parou no meio do movimento e mordeu os lábios para segurar uma risada.

– De novo?!

– O Alex e a Layla parecem dois coelhos, chega a ser cansativo!

– Parece que alguém está com ciúmes!

– Eu?! Com ciúmes de eles transarem?! – o jovem loiro se sentiu ofendido e então abriu os braços, exibindo seu corpo forte pelos incansáveis trabalhos que já fizera pela comunidade. – Olha esses músculos! Eu sou o maior pegador de Lésvos e você sabe disso, tio! Ninguém resiste a esses olhos azuis e…

Esse é o meu garoto! – Christopher gargalhou e ofereceu a mão para que batessem um High Five.

Taylor imediatamente chocou as mãos e os dois homens brincalhões então começaram a rir enquanto exibiam seus bíceps e abdômens, se implicando de forma saudável.

Sentada em um banco próximo, Lucy Vives tinha óculos de graus no rosto envelhecido e um bom livro de História na mão esquerda. Ao seu lado, compartilhando a mesma sombra fresca da árvore, estava a psicóloga Hailee Steinfeld também com rugas de expressão e visualizando uma revista antiga de vestidos.

A rabugenta analisou, por cima do par de óculos, os dois homens exibindo seus músculos de maneira ridiculamente idiota e apenas revirou os olhos, bufando.

Era por essas e outras que eu matava essa raça nos velhos tempos… – Lucy resmungou com uma careta, enquanto apoiava o livro no colo para passar a página com a sua única mão.

Hailee não suportou o humor ácido da amiga e tombou a cabeça para trás, dando uma gargalhada gostosa por causa das caras de desgosto que Taylor e Christopher fizeram ao escutarem aquilo, interrompendo a brincadeira que compartilhavam.

Eles apenas lançaram um olhar de soslaio para Lucy Vives, a qual os respondeu com o seu implicante e irônico sorriso característico.

*

Lésvos – Biblioteca

Quarto de Allyson e Will

16h15min


 

Observando aquela interação da varanda, de um dos cômodos da Biblioteca, Allyson apenas ria e fazia um sinal negativo inconscientemente com a cabeça por sempre ter achado engraçada a interação de Christopher e Lucy.

A enfermeira de 47 anos analisou mais um pouco a movimentação de Lésvos, que estava maior naquele dia importante. As pessoas andavam para lá e para cá, algumas já prontas e se dirigindo para as tendas montadas no estádio de futebol americano, outras correndo para se arrumarem em seus determinados quartos nos prédios laranjas.

Allyson virou-se e caminhou de volta para o interior de seu quarto, escutando ao fundo o barulho do chuveiro indicando que Will tomava banho. Já usando um vestido e os cabelos loiros caindo em cachos longos no meio das costas, a mulher saiu do cômodo e fechou a porta atrás de si, dando privacidade para o carpinteiro.

Ela caminhou através do corredor e parou em frente a porta do quarto de Dinah Jane e Normani Kordei, já batendo na madeira marrom.

Entre!

Assim que escutou o grito da morena bonita, Allyson abriu a porta e ergueu as sobrancelhas pela surpresa em vê-la segurando um babyliss em mãos enquanto terminava de fazer os últimos cachos nos cabelos negros e longos Demi Lovato, sentada em sua cadeira de rodas diante de um grande espelho com inúmeros produtos de beleza.

A cientista abriu um lindo sorriso vermelho pelo batom, em conjunto com a maquiagem em sua face mais velha de 54 anos e um terninho feminino de tom rosa salmon.

Fiu, fiu! Se eu falasse monólogos de vagina certamente você não escaparia, gata! – a enfermeira implicou, caminhando até perto das duas.

Demi colocou a mão no rosto e deu uma risada, não acreditando que ouvia aquilo.

– Allyson, você gosta demais de pinto para falar monólogos da vagina! – Normani lançou um olhar de descaso para a amiga.

A morena de 42 anos usava um vestido cor azul e tinha os cachos curtos perto das orelhas.

Um ranger de maçaneta ecoou e a grávida com uma enorme barriga saiu do banheiro, com a mão esquerda sobre a protuberância em seu ventre e a direita estendida para um rapazinho de nove anos de idade. Ariana Grande, 43 anos, continha olheiras abaixo dos olhos cansados, mas que agora eram sequer vistas mediante ao poder de uma boa maquiagem e a beleza de um vestido grande cor amarelo.

– Vocês poderiam não falar bobagens com meu filho por perto?! Obrigada! – a baixinha resmungou, apontando para o rosto avermelhado do menino.

Michael – em homenagem ao avô –, ou apenas Mike, era um rapazinho que possuía cabelos negros e olhos castanhos, sendo, praticamente, uma cópia idêntica de seu pai Christopher Jauregui.

– Desculpa! – Normani fez uma careta, por ter se esquecido disso.

– E eu posso saber o que a senhora está fazendo de pé?! – Allyson colocou as mãos na cintura, lançando um olhar repreensivo para a grávida. – Trata-se de sentar! Já disse que sua gravidez é de risco, mulher! Você não é mais nova, não! Sabe que a senhora pode ter várias complicações por causa de sua idade!

– Antes de tudo, Senhora está no céu! – Ariana protestou, revirando os olhos, e teve ajuda de Mike para se sentar em uma poltrona perto de onde Normani terminava de arrumar Demetria. – E segundo, eu sei que minha gravidez é de risco! Mas vá reclamar com o I.D.I.O.T.A do Christopher que não sabe manter o P.I.N.T.O dentro das calças! – ela reclamou, soletrando as palavras para que o garoto não entendesse.

Demi e Allyson riram através do espelho e Normani apenas ergueu uma sobrancelha.

– Ele pode até manter o amiguinho dentro das calças, mas você também tem que aprender a fechar as pernas! Ou... volte para o lado colorido da vida onde não temos essa preocupação! – a cabeleireira zombou, dando de ombros tranquilamente.

As risadas de Allyson e Demi aumentaram ao assistirem Ariana colocar a mão no peito, se sentindo ofendida.

– O que é amiguinho dentro das calças? Meu pai tem um amigo dentro da calça?! – Mike perguntou curioso olhando para cima, em direção de outras as adultas. – E por que minha mãe tem que fechar as pernas?!

O riso das três mulheres adultas morreram no mesmo instante e elas se encararam desesperadas, sem saber o quê falariam para a criança.

Parabéns! – Ariana bateu palmas enquanto mordia os lábios para não rir. – Agora quero ver quem vai explicar isso! Vai… podem começar!

Allyson, Normani e Demi apenas ofertaram sorrisos sem graça e abaixaram os olhares para o rapazinho de roupinhas pretas que ainda esperava uma resposta.

**

Não muito longe dali, mais especificamente no andar inferior da Biblioteca, Lauren Jauregui e Dinah Jane se encontravam na cozinha e terminavam de passar as últimas ordens para as cozinheiras de Lésvos responsáveis por toda a comida que seria servida na ocasião especial – claro, de maneira consciente para que não houvesse desperdícios ou gastos exagerados.

Assim que profissionais de aventais saíram da Biblioteca, as duas mulheres de 42 e 41 anos se jogaram no sofá da grande sala e deixaram que os ares cansados se esvaíssem dos pulmões. A dona de íris verdes estava dentro de um vestido cor azul anil enquanto que a loira de cachos longos usava um terninho feminino cor preta.

– Eu prefiro mil vezes ter de lidar com exércitos do que com eventos como esse… – Dinah falou, passando as mãos pelos olhos em uma tentativa cuidadosa de não retirar a maquiagem feita pela esposa. – Nem sei como eu suportei o meu próprio casamento há dez anos!

– Experimente ter bodas de Porcelana... por estar casada há vinte! – Lauren zombou, com a cabeça apoiada no sofá.

– Não fale isso que me lembrarei de que estamos velhas! – a mecânica bufou e fez uma careta.

– Ei! Podemos ter entrado na casa dos 40 anos, mas ainda conseguimos fazer tudo que quisermos! – a ex-Rainha de Lésvos se defendeu. – Posso ainda lidar muito bem com no mínimo uma dúzia de zumbis sozinha!

– Se conseguir ouvir andarilhos, não é, amiga?! Você já está meio surda!

Lauren, ofendida, fechou a expressão e agarrou a primeira almofada que avistou, a jogando logo em seguida na mecânica implicante.

Dinah Jane, dando altas gargalhadas, conseguiu se levantar e desviar por pouco do objeto antes de acertar seu rosto.

– Cale a boca e vamos procurar sua esposa! – Lauren rosnou, ficando de pé também, e ajeitando vestido no corpo. – Você sabe onde estão o Alex e a Layla?

– Eu vi o Taylor ajudando o seu irmão a levar o alce para a cozinha… Então eles já estão aqui em Lésvos.

As duas então começaram a caminhar em direção das escadas que levavam até o segundo andar da Biblioteca.

– Que mãe desnaturada, nem sabe o paradeiro da filha! – Lauren provocou, subindo os degraus.

– Você também nem sabe o paradeiro do seu, tenha dó! – Dinah empurrou de leve a amiga, quase a fazendo tropeçar enquanto ria. – Além de que eles já são adultos! Não adianta mais tentarmos falar o que eles podem ou não fazer!

A ex-Rainha torceu os lábios, tristonha, ao se lembrar de como os anos haviam passado extremamente rápido. Parecia ser o capítulo passado de sua vida quando seu filho ainda corria de mãos dadas com ela pela comunidade, com apenas oito anos.

– Está escutando isso?! – Dinah disse ao chegarem ao topo da escada e escutarem os sons das risadas. – Elas falam alto demais!

– Camila está ajudando a Sofia! Aliás, as duas estão quase me deixando louca! – Lauren chiou, revirando os olhos.

– A Normani arrumou a Claire bem mais cedo a deixou quietinha para que desse surtos ao lado da Cara, a única que aparentemente teve paciência em aturá-la! Logo a Allyson estará indo para lá também!

As duas amigas pararam em frente a porta da morena maquiadora e mecânica colocou a mão na maçaneta, prestes a girá-la.

*Music On* (Fluorescent Adolescent – Arctic Monkeys)

– Quer saber… vamos checar primeiro as crianças, depois vamos para as tagarelas! – Lauren ofertou a ideia, tranquila.

Dinah deu de ombros, por estarem com tempo sobrando, e então começaram a andar novamente pelo corredor longo, virando a interseção e se aproximando do quarto individual de Alexander em frente ao quarto de Layla.

A mulher de íris verdes colocou a mão na maçaneta e a girou, já abrindo a porta do quarto contendo risadinhas em seu interior.

E então seus dois pares de olhos se arregalaram e os queixos caíram.

QUE MERDA É ESSA?!

O berro enraivecido de Dinah fizera com que Alexander e Layla se assustassem e encarassem a porta, avistando suas duas mães iradas. O homem branco de cachos desgrenhados se encontrava por cima da jovem negra, no meio de suas pernas, ambos totalmente nus e encaixadosliteralmente.

O casal começou a gritar em pânico e, Layla, em um ato de desespero, empurrou Alexander para fora da cama ao mesmo tempo em que puxava os lençóis da cama para cobrir sua nudez.

O baralho oco do corpo caindo ao chão ecoou pelo quarto.

Ai meu Deus... – Layla arfou, escondendo a cabeça por debaixo do tecido branco para fugir dos olhares de uma mecânica irada.

Mesmo com a dor na nuca, Alex rapidamente se levantou com as mãos cobrindo suas partes baixas e com seu peitoral à vista.

– Mãe… tia Dinah… nós podemos explicar! – o homem engoliu seco, com as íris claras arregaladas. – Podemos conversar como adultos que somos, certo?!

Lauren permanecia com a mão na maçaneta e o queixo caído enquanto que Dinah franzia a sobrancelha com uma expressão assassina, imaginando trezentos jeitos diferentes de cortar Alexander em pedacinhos.

Ou não…

**

Lésvos – Biblioteca

Quarto de Normani e Dinah

16h39min

Com uma carranca enorme e apenas uma calça jeans vestida às pressas, Alexander tentava se enfiar o máximo possível no estofado macio da poltrona imaginando que, assim, poderia sumir e parar em outra dimensão. Ao seu lado, sentada em um banquinho, estava Layla com um short e uma camiseta, cobrindo o rosto quente com as mãos.

Também no cômodo Lauren, Dinah e Normani gritavam umas com as outras, acusando os jovens de serem sem noção por estarem fazendo coisas indevidas uma hora daquelas.

Mas, no fundo, eram apenas mães assustadas e ciumentas por terem pego os filhos transando.

Graças ao bom Pai, eu nunca vi o Taylor fazendo isso… – Allyson, que estava mais ao fundo, comentou baixinho com Demetria na cadeira de rodas ao seu lado. – E a Claire só me fez passar por isso uma vez! Como eu amo meus filhos comportados!

A cientista apenas levantou uma sobrancelha descrente, por saber da fama que filho mais novo da amiga tinha pela comunidade…

Mas decidiu ficar calada.

O estrondo da porta sendo aberta fez com que as três mulheres parassem de brigar e encarassem a figura enfurecida de Camila Cabello, que possuía os cabelos presos em um coque no topo da cabeça, maquiagem bem-feita no rosto de 41 anos e um vestido cor sangue.

Ai, merda… agora ferrou. – Layla abaixou a cabeça novamente ao ver a sogra.

Mamãe… – Alexander imediatamente ficou de pé ao avistar a mulher irritada caminhando em sua direção, com uma expressão séria. – Eu sei que você já sabe o que está acontecendo… – ele disse, com um tom meio medroso. – Mas… mas… foi apenas sexo! Nada demais! Todo mundo aqui faz! A minha mãe e tia Dinah que entraram no quarto sem bater e causaram esse alvoroço!

Camila parou e encarou tanto Lauren quanto Dinah, com ambas as mãos na cintura.

– Vocês me fizeram deixar Sofia e Claire simplesmente para tratar de dois adultos transando?!

– Só isso?! – Dinah ralhou, irritada. – O seu filho estava depravando a minha princesinha!

Isso gerou algumas risadinhas por parte de Allyson e Demetria no fundo, mas que logo foram cessadas através dos olhares gélidos lançados pela mecânica.

Amor… se acalme… é nada demais! – Normani colocou a mão no ombro da esposa extremamente ciumenta, buscando acalmá-la.

– Não foi você quem acabara de dizer para mim “Além de que eles já são adultos! Não adianta mais tentarmos falar o que eles podem ou não fazer!” – Lauren zombou, segurando fortemente para não rir e ser assassinada por isso.

– Cala a sua boca!

– E olha… eles namoram há dois anos e meio! – Camila defendeu o filho que continha o rosto vermelho pela timidez. – É meio que esperado que isso acontecesse, não?!

– O quê?! – Dinah arfou. – A minha filha disse que esperaria o casamento para...

Mãe, pare com isso! – Layla se colocou de pé e interrompeu a fala da mecânica irada. – Sério, pare! Eu sou uma adulta! Eu tenho vinte e seis anos! Eu não sou mais virgem desde os vinte e três, quando dormi com o Alex antes mesmo de começarmos a namorar! – ela olhou para o namorado branquelo que novamente quis entrar na poltrona e sumir. – Sim, eu decidi que faria isso apenas quando mais velha, mas também foi minha escolha perder antes do casamento! É o meu corpo, são as minhas regras! E eu quis fazer isso com o Alex porque me sentia segura, me sentia bem com ele! Então, por favor, não quero mais nenhuma de vocês gritando sobre a nossa vida sexual, okay? Vocês me criaram para ser uma mulher decidida, consciente das consequências dos meus atos e dona de mim! Logo, estou fazendo exatamente isso!

Normani, atrás da sua esposa, continha os olhos brilhantes e um sorriso orgulhoso nos lábios. As outras mulheres, que observavam a cena, também compartilhavam a mesma sensação, com seus rostos demonstrando o quão felizes estavam com os resultados que obtinham: adultos saudáveis, inteligentes e, acima de tudo, cientes de suas responsabilidades no mundo.

– Mas… – Dinah abriu a boca, mas foi interrompida novamente.

– E qual é, garotas?! – Layla lançou olhares para todas as mulheres adultas do quarto. – Vocês aqui começaram as aventuras bem cedo e sem ao menos terem casado! A tia Demi já me contou histórias bem interessantes sobre todas!

A cientista, distraída roubando um pedaço de doce dentro de uma vasilha de vidro em cima cômoda, parou no mesmo segundo em que ouviu seu nome sendo citado.

Ela girou o rosto e avistou todas as amigas a encarando com ódio.

O quê?! – Demi sussurrou.

As mulheres reviraram os olhos e deixaram que a cadeirante desfrutasse da comida.

– E vocês, Lauren e Camila, não podem falar muita coisa, não é mesmo?! – Normani ladeou a cabeça e ergueu as duas sobrancelhas, usando da chantagem para acabar com a situação.

As duas ex-Rainhas arregalaram os olhos, com os rostos imediatamente ganhando tons de timidez.

– Vocês lembram?! Eu presenciei coisas bem assustadoras entre vocês e

Cala a boca! – o casal falou ao mesmo tempo, tossindo em desespero.

– Do que estão falando?! – Dinah franziu o cenho, confusa.

Nada! – elas outra vez pronunciaram simultaneamente.

Lauren e Camila, exasperadas, começaram então a empurrar as pessoas em direção da porta do quarto de Normani e Dinah, praticamente as chutando às pressas para o corredor – incluindo as próprias donas do cômodo.

Vamos… vamos… temos um casamento para ir! – Lauren dizia com a voz meio trêmula, envergonhada.

Assunto encerrado, os dois transam, ótimo! Só não quero ser avó cedo! Agora vão! – Camila falava enquanto locomovia a cadeira de rodas de Demetria, logo a entregando para Allyson e a empurrando para frente também.

– Arrumem locais e momentos mais apropriados para isso, vocês dois! – Lauren apontou para Alex e Layla que iam, cada um, cabisbaixos para seus respectivos quartos. – Agora troquem de roupa e vão para o estádio!

E, assim que assistiram todos se dissiparem rapidamente pelos corredores e cômodos, as duas mulheres suspiraram em alívio por mais uma vez conseguirem manter aquele grande erro aleatório e confuso, de duas jovens regadas por tesão, em segredo por mais de vinte anos.

**

Lésvos – Estádio

17h49min

Os murmurinhos dos convidados ressurgiam pelo ambiente decorado com forros brancos, cadeiras de festa, enfeites e serpentinas, além de um grande e lindo palco no centro do gramado. Mediante a grande quantidade de pessoas a cerimônia fora planejada naquele espaço, já que nenhum outro lugar da comunidade suportaria as oitocentas pessoas que estavam ali presentes: os quase 400 habitantes de Lésvos – exceto, claro, aqueles que continuariam trabalhando para proteger os muros – e os 400 indivíduos de outras comunidades aliadas, em prova de fidelidade e companheirismo.

Duas tendas estavam dispostas nos lados extremos do campo, tratando-se dos locais onde as noivas de 30 anos davam os últimos retoques nos detalhes.

Na tenda esquerda, uma Sofia segurava o tecido branco e espiava a multidão do lado de fora, a qual não parava de conversar. Seu rosto era assustadoramente semelhante ao de Camila, exceto pelo queixo menos quadrado e um nariz um pouquinho mais fino. Os cabelos se encontravam soltos e chegavam na base de suas costas com leves ondulações. Os braços e clavícula expostos por um vestido branco, que deixava também à vista algumas cicatrizes que recebera ao longo do tempo.

Naqueles quinze anos, havia lutado ao lado da irmã mais velha em diversas batalhas.

Seus olhos castanhos ansiosos analisavam as pessoas bonitas, maquiadas, preparadas para recepcionar o casamento.

No meu casamento você estava fazendo o meu papel nesse exato momento… – Camila disse baixinho e se aproximou às costas da irmã, apoiando uma mão em sua cintura. – Então respira… tente não ficar nervosa! Vai dar tudo certo!

Sofia se virou, deixando visível o rosto bonito de 30 anos coberto por maquiagem.

– Lauren pegou o Alex e a Layla transando?! – perguntou dando uma risadinha, para mudar de assunto e tentar não pensar nos minutos restantes antes da cerimônia.

– Uhum… – a latina mais velha riu, fazendo uma careta. – Nós já sabíamos que ele e a namorada já tinham esses tipos de relações! Dinah aparentemente não!

Oh… – Sofia fez um “o” com a boca, chocada. – O Alex está ferrado! A Dinah é ciumenta até o último suspiro! Olhe a coitada da Cara Delevingne! Até hoje a tia lança olhares assassinos para a ela!

– Ele que lute com a tia que tem! – Camila deu de ombros e passou as mãos pelos cabelos da irmã mais nova, ajeitando o frizz. – Não mandei ele puxar o Christopher na “safadeza”!

– Aham tá, até parece que você e Lauren não são do mesmo jeito!

– Garota, me respeita! E se eu sou safada, você também é!

– Eu?! – Sofia colocou a mão sobre o peito, usando um tom de voz regado de sarcasmo. – Obviamente sou virgem e ainda nunca beijei na boca, me preservei até o casamento que é hoje!

Camila parou os movimentos que fazia no cabelo da irmã e a encarou com uma expressão tristonha.

– O quê?!

– Só é estranho eu te ouvir falando essas coisas! – a mulher suspirou profundamente, melancólica. – Ainda me lembro de quando era uma garotinha de sete anos nos meus braços!

– Você não vai puxar minha orelha, igual fez aquela vez, por descobrir que eu transo, não é? – Sofia deu um passo para trás e a olhou levemente desconfiada.

– Idiota! – Camila deu uma gargalhada e um tapinha de leve no ombro da outra mulher. Ela puxou novamente a pequena Cabello para perto, fingindo arrumar algo no vestido, mas, na verdade, sendo apenas uma irmã babona. – Só se você não se comportar direito! Aí sim puxarei sua orelha na frente de qualquer pessoa, independentemente!

Puff… – Sofia fez um som com a boca, indicando descontentamento. – Eu poderia dizer um “Eu duvido”, mas te conheço bem demais para saber que teria coragem de fazer isso sim! Não importa quantos anos passem, você sempre irá me ver como aquela pirralha criança!

A mulher de 42 anos torceu os lábios, segurando uma risada, e apenas deu de ombros ao mesmo tempo em que colocou as mãos no rosto da irmã de 30 anos, afagando as bochechas.

– Mas é claro, meu bem! – Camila deixou um beijinho no nariz latino e sorriu. – A imagem de eu te limpando quando bebê nunca vai sair da minha cabeça, então você que ature eu te tratando assim para sempre!

A expressão de surpresa e ofensa criou-se no rosto da noiva, extremamente indignada.

– Vai se ferrar, Kaki! – Sofia resmungou, emburrada, e se distanciou dos contatos da mulher mais velha.

Camila gargalhava, amando implicar a irmãzinha.

– Olha a boca! Quer que eu puxe sua orelha agora?!

Sofia apenas a lançou um soslaio, revirando os olhos para tentar não demonstrar que no fundo também estava se divertindo com as provocações.

As duas eternamente se implicariam e se irritariam, mas, ambas tinham plena noção que aquilo vinha junto com o pacote chamado “Irmãs”. Elas se amariam até o fim dos tempos, porque vinham fazendo isso desde o início quando saíram pela mesma barriga.

E aquele era o sentimento mais puro que existia.

#

Lésvos – Estádio

17h53min

Não muito longe dali, também debaixo da tenda branca que cobria as laterais, Claire Ogletree se mostrava extremamente ansiosa. A mulher de 30 anos continha as ondulações loiras cortadas à altura dos ombros, os íris azuis marcadas por um lápis de olho negro, maquiagem perfeita e um vestido branco tomara que caía longo.

Ao seu lado, Allyson Brooke e Taylor Brooke Ogletree observavam a noiva andar para lá e para cá com uma expressão aterrorizada no rosto bonito, ambos sem saberem exatamente o quê fazer para melhorar a situação.

A enfermeira de 47 anos possuía as mãos na cintura e os olhos castanhos repletos de amor, sentindo-se agoniada por aqueles instantes anteriores ao início da cerimônia de sua filha.

O homem loiro forte, agora de banho tomado, usava uma blusa social azul bebê com um colete negro por cima e uma calça social também escura. Seu cabelo estava penteado para trás e os olhos azuis demonstravam o quão preocupado estavam com a irmã mais velha.

– Maninha… olhe pelo lado bom… – o Taylor implicou, buscando amenizar a tensão do ambiente. – Se você passar mal ou desmaiar caso a Sofia perceba que casar seja uma má ideia… pelo menos a nossa mãe é enfermeira e pode te ajudar aqui mesmo!

Chocadas com aquilo, Allyson e Claire pararam o que estavam fazendo e o encararam, sem acreditar.

– O q-quê?! – o homem de cavanhaque gaguejou, com a intimidação dos olhares femininos sobre si. – Era uma piada, poxa! Era uma piada!

As duas mulheres loiras se entreolharam, por alguns segundos, e bufaram sem paciência.

Homens…

– Ei! – o Taylor resmungou, indignado com o complô. – Vocês não podem fazer isso comigo! Eu estava brinc...

Sai macho! – Claire brincou com o irmão e levantou a mão em um sinal de “pare”, fingindo estar o ignorando totalmente. – Vai chorar agora, bebezão?! – ela continuou, com uma careta.

– Vai se ferrar! – ele rosnou, dando um tapinha na mão da irmã.

– Okay, parem os dois! – Allyson rapidamente se enfiou no meio dos irmãos briguentos e apontou o dedo para ambos, com uma expressão séria. – Sem implicância, por favor! Hoje não!

– Mas é ela quem fica me enchendo o saco, me chamando de bebezão só porque sou mais novo! – o Taylor abriu os braços e lançou um olhar frio para Claire, que apenas dava gargalhadas da situação enquanto tinha a mãe a protegendo.

– Ai meu Deus, vocês dois têm o quê?! Cinco anos?! – a enfermeira colocou as mãos na cintura.

– Impossível, mãe… – Claire, atrás do corpo da mãe, apenas ladeou a cabeça e sorriu maleficamente. – Se eu tivesse cinco anos, ele ainda nem teria nascido… PORQUE É UM BEBEZÃO!

Taylor, que tinha dado as costas para se distanciar, ao ouvir aquilo imediatamente se virou outra vez já com uma expressão irritada.

Allyson suspirou, cansada, e abriu os braços de modo que cada mão encostou nos peitorais dos filhos altos e impedisse que os adultos se aproximassem, iniciando uma guerra.

Parem, agora! – ela fechou os olhos, esperando os murros e tapas.

As íris azuis do homem gritavam sua irritação enquanto que as da noiva demonstravam sua diversão com o momento.

E quando menos esperou, tudo o que Allyson escutou foram gargalhadas. Assim que sentiu a ausência dos corpos nas palmas de suas mãos estendidas, a enfermeira abriu apenas um olho para averiguar a situação e então avistou os dois irmãos se abraçando carinhosamente.

Ela franziu o cenho, com uma careta confusa.

– Oh, maninha… estou tão feliz por você! – o Taylor praticamente erguia a noiva, tirando-a do chão. – Fico feliz em saber que não vai dar paz para a Sofia!

– E você precisa melhorar sua virilidade frágil! – Claire dava risadinhas enquanto apertava os ombros fortes do homem.

Um sorrisinho bobo estava presente no rosto sereno de Allyson, que observava o loiro – extremamente parecido com o pai – colocar a irmã novamente no chão com cuidado e deixar um beijo terno em sua testa, em sinal de proteção.

– Eu vou ver se está tudo certo e já venho avisá-las, okay? – ele se desvencilhou dos braços da noiva e fez um afirmativo para ambas. – Já volto!

Elas concordaram e assistiram o jovem bem-vestido sair por entre os tecidos brancos da tenda.

Claire engoliu seco, inspirando fundo. Sentia o estômago apertar pelo nervosismo, mesmo com aqueles minutos de diversão com o seu irmãozinho. Ela então agarrou o vestido, o levantando alguns centímetros para não pisar no tecido, e se virou para a enfermeira bonita.

– Mãe? – chamou.

– Sim, querida… – Allyson respondeu ainda parada, a olhando.

– Eu sei que a senhora é muito religiosa… e… e eu aprecio o fato de você nunca ter me pressionado a seguir tão rigorosamente as mesmas crenças! – Claire falou ao dar alguns passos em direção da mais velha. – Eu acredito em Deus também… mas… nesse exato momento eu estou com algumas inseguranças…

– Como assim, meu bem?

– Hãm… como eu posso saber que Deus está aqui?! Quero dizer… eu e Sofia estamos nos casamento porque queremos nos unir diante de Alguém! E… depois de tudo o que aconteceu na Terra… depois de tudo o que aconteceu com o ser humano… Deus ainda estaria conosco?! Não exitem mais leis ou um estado para legitimar tudo isso… e…

– Okay… se acalme! – a mãe da noiva falou, com um tom de voz tranquilo e um sorriso amoroso nos lábios. Ela apoiou as mãos nos ombros da noiva, olhando-a nos olhos. – Vocês não precisam de um estado, ou uma igreja, ou qualquer coisa do tipo para legitimar o amor entre vocês duas! E sim, Deus… Ele está conosco!

– Então por quê Ele deixou que tanta coisa ruim acontecesse?! – Claire franziu o cenho, com algumas lágrimas ameaçando nascer no canto de seus olhos.

– Deus não pode impedir que nada aconteça, meu amor… – Allyson levou a mão até uma mecha loira e colocou atrás da orelha da filha. – Ele não cria coisas do nada! Mas Ele pode agir nos seres vivos e dar a coragem necessária para que continuemos a lutar para transformar o mundo! Um exemplo: Deus não matará um zumbi que esteja vindo em sua direção, mas ele lhe dará forças para que faça por si própria!

A mãe viu a filha franzir o cenho, confusa, e então continuou:

– Deus está no meio de nós, mas, principalmente, também dentro de cada um! Ele é tudo e está em tudo! Então não se preocupe com o paradeiro dEle… só acredite que Ele está com você!

Claire fechou os olhos assim que Allyson deu um passo à frente e depositou, igual ao Taylor, um beijo fraternal em sua testa.

E eu sempre estarei com você também, meu bem.

As duas mulheres compartilharam sorrisos que, lentamente, nasceram em seus lábios. Allyson sentia uma sensação quentinha e gratificante no peito, semelhante a emoção de dever cumprido por ter criado dois adultos tão incríveis.

Lembra do amor de irmãos? Aquele sentimento mais puro que existia?

Ele sequer chegava perto do amor de mães para com filhos!

#

Lésvos – Estádio

18h02min

Depois de mais alguns surtos de ansiedade por parte das noivas e mais murmúrios trocados nas arquibancadas, o grande momento chegou.

A música matrimonial começou a se tocada por violinistas dispostos na lateral esquerda ao pequeno palco, onde as futuras esposas subiriam. Serpentinas e flores alternando em cores brancas e lilás caíam graciosamente enfeitando as quase cinquenta cadeiras, divididas pelo corredor em duas porções de vinte e cinco, que estavam dispostas na grama – estas pertencentes aos habitantes mais próximos das noivas.

Alex e Layla chegaram correndo, de mãos dadas. O casal estava deslumbrante: o homem usava um terno negro, gravata amarela, os cabelos cacheados ainda úmidos e óculos alinhados ao rosto com a barba agora feita; enquanto que a negra estava no interior de um vestido dourado, o Black Power impecável, maquiagem e batom nude nos lábios.

Eles pararam ofegantes ao lado de Lauren, que estava de pé diante das primeiras cadeiras perto do altar.

– Já começou?! – Alex perguntou, olhando para o corredor e tentando enxergar se sua tia já havia aparecido.

– Vai nesse exato momento! Agora venha aqui! – Lauren disse em um resmungo e agarrou a gravata do filho, arrumando-a. – Aliás, você está linda, Layla! – ela elogiou a nora que passava as mãos pelo vestido dourado, sentando-se ao seu lado. – Amei a sua roupa!

– Obrigada, Laur! – a mulher corou as bochechas, levemente tímida pelo elogio da sogra. – Foi a mãe Normani quem escolheu!

A mulher de íris verdes olhou para o lado e avistou a arqueira e Dinah do outro lado, na porção direita das cadeiras. Elas ofertaram um tchauzinho para a filha e a mandaram um beijinho pelo ar, demonstrando claramente que todo o constrangimento já havia sido deixado para trás.

*Music On* (Flashlight – Jessie J)

– Agora corre! – Lauren terminou a gravata do filho e deu um tapinha em sua cabeça, de advertência pela demora.

O homem resmungou para a mãe e logo tratou de dar passos longos até o palco onde o casamento estava prestes a ocorrer. Alex pigarreou, ajeitou os óculos no rosto e se colocou em posição formal para esperar sua tia de qual seria padrinho.

Do outro lado, no mesmo palco, se encontrava Taylor Brooke Jauregui com um grande sorriso animado, por também ser o padrinho de sua irmã.

E as expressões de todos se tornaram a mesma do homem quando os violinos aumentaram o volume, indicando a entrada de uma noiva.

Logo Sofia Cabello surgiu por entre as flores, que separavam aquela área das tendas, e parou na entrada do corredor tendo o seu braço direito passado pelo esquerdo de sua irmã mais velha, Camila Cabello.

As duas mulheres latinas expiraram os ares de seus pulmões assim que avistaram todas as centenas de convidados virando os rostos, com incontáveis pares de olhos curiosos e felizes as encarando.

Dentre os vários, alguns familiares como: Christopher e Ariana; Ashley Benson e Cara Delevingne; Demetria Lovato; Hailee Steinfeld; Liam Payne; Lucia Vives; Louis Tomlinson.

Elas então iniciaram uma caminhada lenta através dos convidados, em direção do altar.

Ainda dá para correr?! – Sofia sussurrou para a irmã, com as órbitas arregaladas e o estômago quase saindo pela boca.

Apenas se você quiser uma Allyson Brooke te perseguindo pelo resto da vida… – Camila respondeu do mesmo jeito, mal abrindo a boca enquanto fingia um sorriso tranquilo para a plateia.

Entre anos de tortura com a filha maravilhosa e uma morte lenta pela sogra… eu prefiro o casamento.

Camila precisou morder os lábios cobertos por batom para segurar a gargalhada enquanto que Sofia apenas sorriu, sapeca.

A mais nova apertou mais os braços entrelaçados e inspirou fundo na medida em que caminhava segurando um pequeno buquê branco na mão esquerda. Logo elas chegaram ao palco e Camila deixou a irmã, ofertando-a um beijo no rosto e se direcionando para o lado de Lauren, ali perto.

Sem demorar muito, os vultos da segunda noiva surgiram por detrás das flores.

Mike foi o primeiro a aparecer usando um conjunto preto de blusa e calça social infantis, nas mãozinhas uma almofada contendo as duas alianças escritas: Cabello-Ogletree e Ogletree-Cabello.

E então qualquer insegurança que regia Sofia cessou assim que avistou Claire surgindo segurando um buquê de rosas vermelhas, com o braço entrelaçado aos de sua mãe Allyson Brooke. Seu coração parou de bater, seus pulmões não funcionaram e ela permaneceu letárgica até que os três se aproximaram do palco, em ritmo da música matrimonial.

Por fim, Sofia estendeu a mão e recebeu a palma da Claire, que fora ofertada por Allyson em um alto tradicional de confiança.

A enfermeira deu alguns passos adiante e se posicionou um degrau acima das noivas, pronta para começar a cerimônia que ministraria. Esperou alguns segundos para que a música fosse cessada e os murmúrios dos convidados também parassem.

Allyson então sorriu para a filha e para sua futura nora, perguntando em silêncio se estavam prontas.

As duas noivas e atuais Rainhas de Lésvos se entreolharam por alguns segundos deixando suas íris se comunicarem, e logo fizeram um afirmativo com as cabeças.

Todos nós… – a mulher iniciou. – Estamos aqui para concretizar a união de Sofia Cabello e Claire Ogletree, as Rainhas de Lésvos…

**

Lésvos – Estádio

22h19min

A festa do casamento real era magnífica. O evento ocorria no mesmo local, na outra porção do campo que não fora ocupada pelas cadeiras e pelo palco – onde as jovens foram unidas como um casal oficial, mas que agora era utilizado pelos músicos para gerar ritmos animados em prol de fazer com quê todos os convidados dançassem.

Mesas repletas de petiscos e bebidas estavam dispostas nas laterais do campo, em fácil acesso para qualquer um.

Uma pista de dança fora improvisada no centro, a qual agora se encontrava abarrotada de pessoas requebrando e cantando diante da música.

O cobertor de estrelas, abraçando a comunidade, brilhava intensamente e era dominado pela Lua Cheia, grandiosa.

Era um ambiente acolhedor e animado, gerando uma sensação de paz em todos, que se deixavam levar pela noite tranquila.

*Music On* (See You Again – Wiz Khalifa ft. Charlie Puth)

Um vento fresco batia contra o rosto de Lauren que continha as íris verdes analisando tudo ao redor. Ela se encontrava sentada em uma cadeira em frente à grande mesa destinada às famílias das noivas, a qual estava lotada de taças, garrafas e pratos vazios indicando a abundância e os estômagos cheios de todos ali.

Com a cabeça apoiada em seu ombro e os braços lhe abraçando pela cintura, Camila tinha as pálpebras abaixadas e saboreava aquele momento único, inspirando fundo o perfume da esposa.

Lauren olhou para baixo e sorriu com a expressão angelical, inclinando-se o suficiente para conseguir deixar um beijo terno sobre o topo da cabeça latina.

Ao seu redor, as cenas eram semelhantes.

Sua família, com mais de quarenta anos cada, possuíam os pés doendo mediante as longas músicas que dançaram e rostos contentes por estarem se divertindo como nunca.

Christopher, com a gravata sem o nó, também estava sentado à mesa e continha uma Ariana grávida o abraçando, de olhos fechados. O homem barbudo mexia nos cabelos longos da mulher e sorria distraidamente enquanto encarava a barriga que abrigava mais uma criancinha prestes a chegar daqui um mês.

Do lado deles, Normani passava um braço pelos ombros de Dinah a puxando para depositar um beijinho em sua bochecha, certamente depois de ter feito alguma de suas piadinhas idiotas. A mecânica revirava os olhos, tentando fingir uma indignação que seus lábios sorridentes não permitiam.

Uh, How can we not talk about family
(Oh, Como podemos não falar sobre família…)
When family's all that we got?
(Quando a família é tudo que nós temos?)

Cara Delevingne e Ashley Benson também partilhavam do mesmo sentimento e se abraçavam tranquilamente, estando oficialmente juntas há quase doze anos.

Louis Tomlinson e Demi Lovato conversavam amigavelmente com Lucia Vives, a qual os ouvia com curiosidade. Foram necessários anos e anos para que o cientista bondoso ofertasse uma segunda chance para a mulher que lhe torturara, e, talvez, ele nunca a perdoaria, mas, pelo menos, tentava às vezes lhe dar chances de diálogos e troca de palavras.

Allyson e Will analisavam fotos em mãos, estas retiradas com a antiga Polaroid de Lauren. Os olhos do casal brilhavam mediante a alegria de verem os momentos eternizados do casamento de Claire, sua filha de coração.

E, um casal que ninguém esperava se formar, finalizava a roda familiar. Hailee Steinfeld tinha os dedos entrelaçados aos de Liam Payne e eles sorriam um para o outro, levemente bêbados pelo vinho. De maneira semelhante com o caso Ariana, a Lauren e a Camila também estranharam quando a psicóloga foi vista andando com o farmacêutico militar pelas ruas de Lésvos. E, quando a questionaram, a mulher de óculos quadrados simplesmente dissera que sempre fora bissexual e que, depois de quase duas décadas sozinha, havia decido abrir espaço para mais uma pessoa. Então, os dois solitários se completaram.

Lauren soltou um suspiro aliviado por viver aquele momento tranquilo e forçou sua visão – que já não era igual a que tinha aos 20 anos – ao fundo da festa. No meio das pessoas na pista, ela conseguia avistar seu filho e as duas Rainhas de Lésvos dançando.

Alex, Taylor e Layla davam as mãos e pulavam ao mesmo tempo em que giravam animadamente, ao ritmo da música: o rapaz de óculos havia retirado a gravada e a amarrado na cabeça; o loiro forte abrira o colete e apertava um copo na boca entre os dentes, respingando bebida em si; e a negra havia prendido o vestido em um nó acima dos joelhos e retirado os saltos altos.

Perto deles, as duas Rainhas suadas se entregavam ao momento da mesma forma. Elas riam com largos sorrisos enquanto requebravam juntas, dividindo um olhar repleto de amor e cumplicidade.

Há cerca de dois anos elas foram coroadas unanimante pelos habitantes de Lésvos. Sofia e Claire se mostraram extremamente preparadas para tal responsabilidade, após diversos testes. E isso acontecera a partir de uma decisão de Lauren e Camila, que chegaram em um acordo de estarem cansadas demais depois de terem reinado durante vinte anos e que, agora, merecessem um certo descanso do cargo.

Era a vez de deixar os deveres seguirem pela família…

– Às vezes nem parece que tanto tempo assim passou, não é mesmo?! – a voz de Normani ecoou, fazendo com que todos os quatorze adultos virassem os rostos para onde ela encarava, que era exatamente a pista de dança. – Ao mesmo tempo que aparenta ser uma eternidade… é como se eu conseguisse fechar os olhos e lembrar de tudo!

– Eu sei como é isso… – Allyson passou as mãos pelo rosto, incrédula. – Foram vinte e cinco anos!

– Nem parece que há pouco mais de 23 anos estávamos nos encontrando em Miami! – Dinah ergueu as sobrancelhas, constatando aquele fato assustador.

– Há pouco mais de 23 anos estávamos dentro de um supermercado brigando entre zumbis e agora estamos todos reunidos em um casamento! – Christopher não suportou e deu uma risadinha, sem acreditar naquilo. – Se me falassem na época que tudo isso aconteceria… eu não acreditaria em palavra alguma!

– Parem de me lembrar de quão velha estou, por favor! – Camila se endireitou na cadeira antes de esticar a mão até uma taça de vinho e virar o líquido, meio desesperada.

Isso gerou uma risadinha pelas pessoas à mesa.

– É… mas pelas estórias que contam… – Will, que segurava um copo, o apontou para as ex-Rainhas. – Vocês duas se conheceram antes, certo?!

Lauren sorriu, apoiando a mão na coxa da esposa, e estava prestes a responder quando seu irmão tomou a frente.

– Yeah… – Christopher implicou, rindo. – A Camila apontou uma arma para Lauren e roubou tudo o que ela tinha, depois a aprendeu no interior de uma Camionete! Cuidado com a burra!

A mesa se divertiu com o homem e então compartilharam uma risada, adorando ver a expressão emburrada da mulher de íris verdes e a expressão de culpa da latina segurando uma taça de vinho.

– Nossa… eu realmente queria ter presenciado isso… – Lucy também entrou na provocação. – Nunca duvidei que você fosse a mais fodona, Camila!

– Aí… aquela ali… – Normani apontou para a latina. – Surgiu do nada, junto ao seu grupo, no mesmo supermercado que estávamos… duas semanas depois! A Lauren a pegou no flagra tentando sacar a arma em um carrinho de compras e apontou uma pistola para a cabeça dela!

O karma é uma vadia mesmo! – Ariana arfou.

– Isso parece aquelas séries de costumavam passar na TV… – Liam disse, tomando mais um gole de vinho.

– Foram necessárias várias sessões com as duas para superassem esses traumas… – Hailee sussurrou baixinho, esperando que ninguém ouvisse.

Mas Dinah Jane ouviu.

– Com certeza isso traumatizou as coitadas! Eu fico imaginando o quê aconteceu quando ficaram sozinhas no Condomínio! Devem ter quebrado a casa inteira por causa da raiva acumulada!

O comentário da mecânica gerou ainda mais risadas por parte dos integrantes do grupo.

– Já chega de humilhação, não é mesmo?! – Camila fingiu um sorriso falso.

– Aproveitem que por enquanto estão ouvindo a educação da minha esposa… – Lauren semicerrou os olhos para todos os amigos implicantes. – Porque vocês sabem o quão ríspida sou!

– Uh… cuidado com a éguinha! – Christopher ergueu as mãos, em sinal de rendição. – Não está aqui mais quem começou a brincadeira!

O grupo de sobreviventes seguraram as risadas em respeito e então desataram um outro assunto aleatório entre si, deixando finalmente as duas mulheres em paz.

Lauren e Camila se entreolharam e apenas reviraram os olhos balançando a cabeça, em reação às provocações anteriores.

Aqueles idiotas eram a sua família e elas eram obrigadas a aturá-los, como leram uma vez em um livro: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Como não poderiam falar de família, se família era tudo o que tinham?

Aquelas pessoas, que havia se encontrado aleatoriamente, para sempre seriam seus companheiros de estrada.

E, agora, as duas mulheres conseguiam analisar as coisas com outras visões e enxergavam que tudo aquilo fora necessário para que estivessem ali, fortes daquela maneira.

*Music On* (The Perfect Life – Moby ft. Wayne Coyne) (Versão de 6min)

Tudo começara com uma vibração, que se tornou uma conexão, que transformou em uma amizade e que terminou em um laço que nunca seria quebrado.

Não importaria quanto tempo se passasse, eles sempre estariam juntos.

Eles sempre estariam se implicando, se protegendo, se mantendo firmes para seguirem em frente.

Essa é a definição de família.

Não são necessários laços sanguíneos e sim pessoas que te apoiam. Pessoas que não te julgam, mas que te questionam a se tornar um ser humano melhor. Pessoas que não te derrubam, mas que, na verdade, te agarram quando tropeça e cai.

E, principalmente, pessoas que querem, acima de tudo, o seu bem.

Ao constatarem aquilo, ainda sentadas em meio às conversas da mesa barulhenta, Lauren e Camila sorriram contentes uma para outra porque tinham plena noção que haviam adquirido tudo que queriam na vida.

Um amor e família.

Quer sair daqui?! – a mulher de 43 de anos e íris verdes ofertou.

Achei que nunca iria sugerir isso… – a latina de 42 anos e íris castanhas respondeu.

As duas se ergueram das cadeiras e disseram algumas desculpas esfarrapadas para o restante de seu grupo, alegando que precisavam se ausentar por alguns minutos. E, mesmo ouvindo risadinhas sugestivas por parte deles, Lauren e Camila deram as mãos, entrelaçaram os dedos e ergueram os vestidos começando a andar.

De mãos dadas, elas aumentavam cada vez mais a velocidade dos passos na medida em que se distanciavam da festa. Alguns habitantes de Lésvos, ou de outras comunidades, tentavam conversar com as ex-Rainhas, mas ambas apenas sorriam e se desvencilhavam dos mesmos pedindo perdão, quase tropeçando nas barras dos vestidos.

Quando chegaram nos corredores da saída do estádio lotado, Lauren e Camila começaram a rir descontroladamente e iniciaram uma corrida desengonçada pelas penumbras, encostando nas paredes para não caírem.

O casal com quarenta anos de idade sentia uma alegria enorme no peito a cada curva que efetuava e isso fazia o riso vir naturalmente, como se sempre estivesse destinado a acontecer.

Era uma energia gratificante, uma adrenalina positiva que regava seus músculos e nutria seus cérebros. Um momento único em que tudo se encontrava à favor, tornando-se quase desesperador ser atingida por aquelas emoções.

E então aconteceu.

Como um passe de mágica, ao passarem correndo pelos portões do estádio, as duas mulheres de mãos dadas voltaram a ser as jovens de quase vinte anos que se conheceram em Miami.

Como um lapso no tempo-espaço, elas se locomoviam lentamente com suas expressões novamente juvenis.

Os corpos não tão desenvolvidos, mas ainda segurando firmemente as barras dos vestidos adultos.

Os cabelos longos soltos no ar gerado pela corrida…

Lauren e Camila eram, outra vez, o casal imprudente de jovens apaixonadas. Ainda guardando as experiências e conhecimentos dentro de si... as íris verdes e castanhas se olhavam com a mesma eterna intensidade, sem ao menos pararem de percorrer, agora, as ruas de Lésvos e inundando a noite estrelada com suas risadas.

O Universo constantemente surpreende os desavisados, os quais pensam que entendem os sentidos das coisas. E isso obriga todos a improvisar diante das adversidades, a se adaptar porque querem mais que apenas sobreviver… eles querem amor, querem sucesso.

Disseram uma vez que amar é se jogar de um precipício sem saber se lá embaixo vai ter alguém para lhe segurar. Mas, cá entre nós, esse não é o conceito da vida por completo? Não vivemos para tomar decisões e esperar que elas estejam certas? Não vivemos para errarmos e aprendermos?

Como na noite que Lauren paralisou diante da porta de Camila, no condômino, após terem mais uma vez se envolvido. Ela hesitou, por medo.

Como na noite que Camila finalmente disse com todas as palavras que estava apaixonada por Lauren, no CDC, após terem bebido além da conta. Ela não hesitou, sem medo.

Escolhas… a vida é feita basicamente por elas.

Confie, se apaixone, se deixe levar.

Se você amar alguém, fale a verdade. Mesmo se estiver com medo de não ser a coisa certa, mesmo se estiver com medo de causar problemas, mesmo se estiver com medo de que tudo desmorone... Diga, e diga alto.”

A vida é muito curta para evitarmos os sentimentos. Dor? Sempre existirá. Medo? Também. Mas acredite, o amor e alegria são maiores que qualquer um!

Não deixe para dizer amanhã o quê sente hoje… porque nunca sabemos quando um vírus mortal pode surgir.

E acredite, quando é para acontecer… vai acontecer.

A felicidade pode ser encontrada em lugares e momentos inesperados.

E o Universo sempre dá um jeito de garantir de que as pessoas estejam exatamente onde devem estar.

Com quem são destinadas a estar.

Em uma rua iluminada por lampiões em postes, Lauren parou de correr subitamente e puxou Camila pelo braço, trazendo o corpo de encontro ao seu.

O casal jovem se encarou ofegante por alguns segundos, com as mãos afagando as bochechas e mantendo os rostos praticamente colados.

O verde no castanho.

O castanho no verde.

E então, graças a um impulso por parte de Lauren, as duas começaram a rodopiar abraçadas no centro da rua deserta. A mulher segurava Camila pela cintura e as girava intensamente, semelhante se estivessem em um carrossel.

E estavam.

No carrossel da vida.

As mulheres que compartilhavam um eterno amor jovem fecharam os olhos fortemente, com sorrisos largos nos rostos, enquanto sentiam as sensações mágicas de tudo rodar ao redor delas.

Seguras.

Nos braços uma da outra.

Dando gargalhadas gostosas por aquele momento sem fim.

Sendo apenas pessoas que transmitiam a mensagem de que, acima de tudo, necessitavam de amor para viver.

E isso elas tinham de sobra.

Assim, elas cessaram os rodopios e se aproximaram selando as bocas em um beijo apaixonado. Lauren a envolveu em um abraço forte enquanto que Camila levou as mãos até o seu rosto, buscando contato que tanto amava.

Elas selaram as bocas em uma costura que indicava a união de duas almas.

Almas estas que permaneceriam juntas eternamente.

Para todo o sempre.

Por quê? Porque elas eram Lauren Jauregui e Camila Cabello.

Em qualquer dimensão, em qualquer estória… em qualquer universo.

E elas se amariam até mesmo depois que os corações humanos parassem de bater.

 

THE END


Notas Finais


É isso aí… preciso admitir que chorei horrores com esse final, principalmente por causa dessa música! Não tenho nem uma gota de lágrima no meu corpo nesse exato momento! Outra vez gostaria de agradecer por você, que dedicou o seu tempo em ler essa estória! Desejo tudo de bom e do melhor na sua vida!
E, peço encarecidamente, que leiam minha nova fanfic Over The Dusk! Ela terá a mesma pegada que Into The Dead, acreditem! Ela já se encontra no meu perfil do Wattpad e do Spirit: control5h.
Obrigada, walker! Até a próxima jornada.
Da sua: Titia walker.


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