História Intrínseco - Capítulo 2


Escrita por: e _RM_C

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Baeksoo, Chankai, Comedia, Hunhan, Lemon, Sulay, Taoris, Xiuchen, Yaoi
Visualizações 17
Palavras 4.759
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Volteeeei!!!

Para quem não sabe, eu já postei essa fic aqui, mas acabei desistindo dela e excluindo porque estava com bloqueio, porém tenho uma ótima noticia: a fic já está terminada (finalmente, achei que nunca conseguiria por um ponto final nessa Baeksoo), então resolvi repostá-la ao invés de continuar de onde parei rsrsrs


~Boa leitura!

Capítulo 2 - Divagações Divergentes


Fanfic / Fanfiction Intrínseco - Capítulo 2 - Divagações Divergentes

 

 

 

Mordi o lábio inferior demasiadamente distraído e senti o sabor ferroso do sangue na minha língua, sentindo que o desespero aos poucos estava tomando conta de mim.

Droga!

— Odeio a minha vida! — resmunguei rendido à falta de inspiração, sentindo uma nuvem negra repousar sobre minha cabeça.

Larguei a caneta esferográfica displicentemente sobre a mesa e fixei o olhar no amontoado de folhas pautadas a minha frente, que encontravam-se preenchidos com palavras avulsas e sem sentindo algum.

— Você deveria parar com isso. — Ouvi a voz de Luhan ecoar de algum lugar da casa, levantei o olhar e o vi atravessando a entrada da biblioteca carregando duas xícaras de chá. — Sério Baek, ficar olhando com essa cara de psicopata para o papel não vai fazer nada aparecer aí feito mágica — franziu levemente o cenho. — Há quanto tempo está sentado nessa cadeira?

— Parece que a minha vida inteira — Eu reclamei com um tom de voz amuado.

Ele revirou os olhos para o meu drama.

— Pega! — estendeu uma das xícaras para mim, recebi agradecendo e apertei-a levemente entre as mãos sentindo o calor que emanava da cerâmica em contraste com o frio que estava fazendo, aquecer meus dedos quase dormentes. Tomei um gole deixando o líquido quente e doce deslizar na minha garganta e grunhi satisfeito.

Luhan riu sonoro, sentando em uma das poltronas com as pernas cruzadas em posição de índio e com a coluna ereta, claramente demostrando a flexibilidade do seu corpo, adquirira através de anos de práticas de yoga. E eu definitivamente detestava quando ele começava a gabar-se do que era capaz de fazer em uma cama com o marido graças a sua elasticidade excessiva. Ou talvez, muito remotamente, eu sentisse um pouco de inveja pela sua capacidade de adequar-se a diversas posições diferentes ao praticar sexo, principalmente tendo o insaciável e criativo Do Kyungsoo como noivo e sofrendo com o meu mau condicionamento físico.

— Não exagera não deve ser tão complicado assim escrever os votos do seu casamento.

— Que acontecerá em alguns poucos dias! — exclamei irritado e derrotado. — Luhan, eu estou entrando em colapso. O Kyungsoo acha que os meus votos estão prontos há meses, eu menti ao afirmar isso. Como posso escrever de uma hora para outra algo que não consegui em quase um ano? — relatei meu sofrimento.

Maldita hora que Do Kyungsoo resolvera me “pedir” em casamento!

Havia se passado quase um ano desde que eu fora manipulado e induzido a aceitar me casar com o meu então namorado, que utilizara de métodos nada ortodoxos para convencer-me a passar todos os dias dos restos de nossas vidas juntos, compartilhando alianças e unindo ainda mais as famílias.

— É, amigo, você está ferrado, literalmente — fez graça com a minha desgraça. O fuzilei com um olhar cortante.

— Obrigado pela força, sinto-me tão encorajado — debochei, e ele deu de ombros, bebendo um gole do seu chá.

— Se queria alguém para mentir para você, deveria ter chamado o Yixing, você sabe que sou muito sincero — aconselhou referindo-se ao meu sogro-barra-padrasto, que acabava escutando-me mais do que os meus próprios pais e amigos, aconselhando-me sempre que possível, aguentando minhas crises existenciais que decorriam em sua grande maioria por causa do marido dele — vulgo meu omma cabeça-oca —, que não possuía nenhum juízo, e seu filho possessivo e cruelmente amoroso.

O problema era que dessa vez eu estava completamente sozinho, um solitário andando a deriva em um grande mar revolto de conflitos que insistiam em me rodear, pois não dava para contar sobre as minhas dúvidas em me casar, e não por não amar o meu noivo, pelo contrário, a preocupação com o futuro e a vida de casados —  que implicava muita coisa, principalmente renuncias e um amadurecimento que não tenho certeza se eu possuía —, era o que me tirava o sono há meses.

Uma dúvida me perseguia constantemente: será que eu era bom o bastante para Do Kyungsoo?

Eu estava quase tendo uma síncope com os diversos cenários caóticos que impregnavam a min a mente. E se eu cometesse um erro grave que culminasse no fim do nosso casamento? Eu sou um pouco maluco, sabe, e bem parecido com o meu omma algumas vezes, é uma possibilidade bem provável de acontecer.

Eu vou foder com tudo e perder o meu melhor amigo-barra-namorado-barra-noivo-barra-amor da minha vida!

Sendo assim, eu não tinha coragem de conversar sobre isso com o pai do meu noivo e receber uma série praticamente interminável de sermões sobre confiança no meu companheiro, como em mim mesmo, e uma boa dose de elogios que massageariam o meu ego mimado, e no fim minhas dúvidas seriam sanadas e tudo estaria maravilhosamente bem... Até que todas essas questões voltassem em uma avalanche ainda mais potente e me fizesse pirar.

No entanto, eu poderia dar o braço a torcer e procurar o Yixing, afinal esse casamento enlaçaria ainda mais nossas famílias. Mas, havia um problema crescente na ausência do meu sogro nesta manhã de divagações divergentes: ele pegara a doença do meu omma e se tornara um obcecado extremista sobre qualquer coisa que envolvesse o meu casamento com o seu filho, e eu estava absolutamente assustado.

— Eu chamei, mas ele estava ocupado com algumas coisas sobre a decoração — semicerrei os olhos e bufei. — Ele está mais empolgado com esse casamento que eu!

Luhan gargalhou.

— Você irá se casar em alguns dias, Baekhyun. Como pode não estar empolgado? — indagou, crispando os lábios em seguida, interessado. —Você não está pensando em desistir, não é?

Meneei a cabeça em negativa, freneticamente.

— É claro que não! — deixei a xícara de lado e engoli em seco, pensando em como falar o que estava me consumindo nos últimos dias, prossegui relutante: — Mas...

— Mas...

Baguncei os cabelos, frustrado.

— Olha para isso, Luhan! — exclamei levemente irritado e pegando uma das muitas folhas rascunhadas por mim, nos últimos minutos, mostrando-lhe. — São poucas linhas de meros pensamentos aleatórios e sem sentido. O Kyungsoo merece alguém que se importe de verdade — confessei em um murmuro, cabisbaixo.

Luhan, vendo que a situação era séria, levantou da poltrona e sentou-se em uma cadeira perto de mim, retirando o a folha da minha mão e segurando entre as suas, em um ato reconfortante.

— Ei, para com isso, Baekhyun, você está surtando há horas aqui! — sorriu apertando minha mão, sorri em resposta, mesmo sentindo meus olhos um pouco úmidos. — É claro que você se importa, afinal ele é o homem que você ama e com quem vai se casar — suspirou. — O problema é que apenas está olhando esses votos por uma ótica errada. Parece que você está escrevendo como se fosse uma obrigação — elucidou calmo, arregalei os olhos constatando que ele estava certo.

Eu não estava levando as coisas como uma consequência do meu casamento com o Kyungsoo, algo simples em um momento de felicidade mútua, mas como algo que era minha responsabilidade fazer de qualquer forma, o que na verdade não era. Eu só precisava me convencer disso.

— Não se trata de uma redação de escola, e sim a forma como você ver esse momento. — A voz suave do meu amigo trouxe-me de volta a realidade. Olhei indagativo para Luhan e ele sorriu largo, seus olhos brilhando. — É o momento mais especial... depois do sim, claro —  piscou um olho em divertimento. — É quando vocês declaram o amor que sentem um pelo outro, fazem promessas e se entregam bem ali, no altar — Meneei a cabeça e suspirei imaginando a cena perfeitamente e senti meu coração acelerar um pouco. — É lindo, é magico, é... inesquecível!

Intrinsecamente inesquecível! Exclamei internamente e, repentinamente, peguei-me sorrindo tão radiante quanto ele. Em meio a minha euforia, senti uma lágrima silenciosa deslizar na minha face e limpei-a rapidamente com o dorso da mão livre.

— Você faz parecer fácil!

— Talvez não seja — Luhan ponderou. — Mas eu sei que você vai conseguir — garantiu-me cheio de um positivismo que eu invejava.

Respirei fundo e meneei a cabeça em concordância, ainda que duvidosa.

— Eu espero que sim — sussurrei.

— Agora vamos deixar de drama e falar de coisa boa! — Ele exclamou descontraído soltando minha mão e cruzando os braços, enquanto um sorriso conspiratório brincava em seus lábios. — Havaí, é? — perguntou malicioso referindo-se ao lugar aonde Kyungsoo e eu iríamos passar a lua de mel.

Rolei os olhos e voltei minha atenção ao meu chá que esfriava, sentindo-me menos ansioso, pelo menos por enquanto.

 

 

 

~ * ~ * ~ * ~

 

 

Definitivamente eu odiava a chuva. Odiava o quanto o ar ficava frio e úmido, e mais ainda o fato de que com a chuva, na maioria das vezes, vinham também os trovões e relâmpagos e, de brinde, uma queda de energia inesperada e nada bem-vinda.

Estar sozinho em casa e totalmente envolvido por uma escuridão sobrepujante estava me deixando apavorado. Minha única companhia naquele momento era a luz bruxuleante da lareira, que felizmente, fora acesa antes da luz acabar.

Acomodei minhas pernas no sofá e abracei-as fortemente, apoiando a cabeça sobre os meus joelhos, fazendo movimentos de vai-e-vem, repetidamente.

Um relâmpago clareou novamente o céu da noite seguido de mais um trovão retumbante. Até aquele momento já devia ser a décima vez em que o céu luzia e depois rugia, causando-me arrepios.

Gemi temeroso xingando a maldita chuva, o meu noivo que não aparecia e nem atendia ao celular, e principalmente Luhan por ter ido embora mesmo eu implorando para que ficasse quando percebi o céu escurecendo no horizonte em um claro prenúncio de tempestade.

Respirei fundo cantarolando uma música qualquer mentalmente, que conseguisse a proeza de me acalmar, mas não funcionou. Pulei assustado de onde estava quando escutei um barulho no corredor. Meu coração disparou e arregalei os olhos, apreensivo.

Um instante depois ouvi um resmungo seguido de um praguejo e soltei a respiração, que eu nem ao menos percebi estar prendendo, em total alívio.

— Baek, me ajude aqui! — A voz de Kyungsoo ecoou exclamativa. Corri para a entrada do apartamento após pegar a lanterna que estava em cima da mesa de centro, escutando um ganido agudo. Mas que diabos?!

— Kyungsoo! — falei apontando a lanterna em sua direção, e depois travei vendo o seu estado caótico. Ele estava parado segurando seu casaco em uma espécie de embrulho, com cuidado, enquanto sua roupa encharcada deixava pingos abundantes sobre o chão de linóleo. Franzi o cenho. — O que aconteceu com você? E o que é isso?! — perguntei dando um passo a frente ao ouvir o embrulho soltar uma espécie de choramingo e começar a se mexer.

— O pneu do carro furou e eu tive que trocar debaixo dessa chuva — respondeu à minha primeira pergunta, em seguida começou a desembrulhar o que quer que fosse que ele estava carregando. Quase soltei um grito agudo quando o vi, ele era tão fofinho. Uma nuvenzinha de algodão em forma de filhotinho de cachorro. — Encontrei esse carinha aqui perto do meio fio que parei para trocar o pneu. Ele parecia tão assustado.

— Ah, vem aqui bebê! — Eu falei com uma voz fofa, praticamente jogando a lanterna para o meu noivo, e pegando o filhote em seguida, ignorando completamente a careta de Kyungsoo. Ele parecia um bichinho de pelúcia, seu pelo branco estava úmido e ele tremia freneticamente. — Será que ele tem dono? — indaguei a ninguém em especial, acariciando sua cabecinha. Sua tremedeira me deixou preocupado e resolvi levá-lo para perto da lareira. — Ele não tem coleira.

— Podemos tentar encontrar o dono amanhã. — Ele sugeriu, acompanhando-me em direção a sala. — Acho que perdi o meu noivo — o ouvi dizer divertido, virei a cabeça em sua direção e caminhei de volta até ele e beijei levemente seus lábios, que, devido à chuva que pegara, estavam um pouco gélidos.

Porém, Do Kyungsoo era alguém insaciável que se recusava a se contentar com apenas um beijo rápido. Quando percebi eu já estava em seus braços, sendo envolvido pelos seus lábios pecaminosos e sua língua atrevida, que adentrou em minha boca explorando-a por completo.

Afastei-me sentindo minha camisa sendo molhada pela sua e com falta de ar pelo beijo avassalador.

— Argh, Kyungsoo! Você está todo molhado, sai! — reclamei falsamente irritado. O cachorrinho choramingou novamente em meus braços. — Anda, vá trocar essa roupa antes que pegue um resfriado — repreendi meu noivo tarado, que apenas sorriu ladino em resposta e apertando-me em seus braços, apenas tomando cuidado com o filhotinho.

— Toma banho comigo?

— Nem pensar, vou cuidar dessa coisinha fofa — retruquei me desvencilhando do abraço e o empurrando em direção ao quarto, parando apenas ao chegar à porta do banheiro. — Vou fazer um café para você.

Ele concordou com um simples suspiro.

— A noite está fria — comentou começando a retirar a camisa molhada que usava e a jogou em um canto do banheiro ao entrar. Apanhei uma toalha seca no guarda-roupas e enrolei o filhote, esfregando suavemente seus pelos úmidos, secando-os. — Podemos pedir uma pizza e abrir um vinho, que tal?!— ouvi-o gritar sobre o som do chuveiro.

— Acho uma ótima ideia. — gritei concordando. Levei o nariz até a cabeça do cachorrinho sentindo um leve perfume de talco. Gemi internamente ao constatar que ele poderia realmente ter um dono. — Quando você sair do banho a gente liga para a pizzaria, não demore! — mirei o filhote, seus olhos negros olharam-me de volta. Seu acesso de tremedeira passara e seu pelo estava praticamente seco. — Você é tão fofo! — elogiei, levantando-me e indo na direção da cozinha.

 

 

 

~ * ~ * ~ * ~

 

 

 

A luz voltou pouco tempos depois de Kyungsoo sair do banheiro, e a chuva aos poucos transformou-se em uma simples garoa. Para o meu profundo alívio os relâmpagos e trovões cessaram de vez.

Como combinado acabamos pedindo uma pizza e a devoramos entre uma taça e outra de vinho, e naquele momento específico encontrávamos enrolados em cobertores no tapete da sala, de frente para a lareira. O filhotinho ao nosso lado, deitado em uma almofada e encolhido em si mesmo, ressonava tranquilamente.

Apoiei a cabeça no peito de Kyungsoo e coloquei a mão em sua cabeça mexendo nos fios negros, sentindo seu coração batendo compassadamente e sua respiração tranquila.

— Qual será a raça dele? — perguntei, segurando-me para não tocá-lo e acabar o assustando. Ele era a coisa mais fofa que eu já havia visto na vida! Sem sombras de dúvidas eu estava completamente apaixonado por àquela bolinha de pelos alvos. E já imaginando a hora que tivesse que me separar dele, afinal alguém mais apaixonado e que havia chegado antes, deveria estar muito preocupado com o seu sumiço. Pessoa bem relapsa essa que perde um filhotinho desses por aí!

— É um Spitz Japonês. — Kyungsoo respondeu de olhos fechados, aproveitando o carinho que eu fazia em seus cabelos, quase ronronando.

— Como sabe? — perguntei desconfiado, olhando-o atentamente. Kyungsoo era expert em pedras preciosas, já que trabalhava diariamente com isso, mas definitivamente raças caninas não eram o seu forte.

Ele abriu os olhos rapidamente, olhando-me de volta, um pouco alarmado.

— Errr... Humm... — pigarreou, passando a língua nos lábios. — Internet? —  Ele perguntou retoricamente, sorrindo amarelo.

Ergui uma sobrancelha desconfiado.

— Desembucha!

—  Tudo bem, era para ser uma surpresa, mas a chuva estragou tudo — relatou rendido. Em tom de voz relutante, confessou: — Ele é seu, quero dizer nosso, nosso filhote. Eu estava voltando para casa, o sinal estava vermelho e o vi na vitrine de um pet shop e ele estava sozinho e parecia tão triste e depois o pneu furou, a chuva aumentou e...

Pulei sobre ele repentinamente o interrompendo, e o beijei profundamente só parando para me aconchegar melhor em seus braços e olhar em seus olhos fixamente, sabendo que os meus estariam brilhando como dois faróis.

— Obrigado, eu amei o presente! — falei feliz, tocando meu nariz no seu em um beijo de esquimó. — Nosso filhote! Acho que somos muito apressados, adotamos um bebê antes de casarmos.

— Somos um casal moderno — afirmou apertando-me contra seu corpo. Estremeci, e cheguei a conclusão rapidamente que eu havia cometido um grave erro.

Kyungsoo levou uma mão até o meu rosto, acariciando-o suavemente e nos encaramos em silêncio contemplativo.

— Para de me olhar assim! — murmurei constrangido e mordi o lábio inferior moderadamente.

— Impossível! — Kyungsoo retrucou roucamente, sorrindo ladino, e seu olhar fixo parecia queimar minha pele. — Amo tudo em você, definitivamente — declarou repentinamente, arrancando-me um arfar apaixonado. —  Amo sua boca... — sussurrou com o polegar sobre os meus lábios. — Seus olhos... — fechei-os sentindo-o delinear minhas pálpebras e sorri bobamente. — Seu sorriso... — passei a língua levemente pelos lábios, umedecendo-os, e o ouvi rir. Um segundo depois senti sua respiração muito perto do meu rosto.

— Amo você! — Sussurrei um pouco perdido entre sentimentos, e a aproximação dos seus lábios nos meus. Assumi: — A melhor coisa que eu fiz na vida foi ter beijado você naquela festa.

— E aceitar casar comigo — acrescentou divertido.

Eu sorri.

— E aceitar casar com você, sem dúvidas — concordei por fim. Minha risada foi curta, e nosso beijo longo. Fui rapidamente virado e pressionado contra o tapete felpudo. Os lábios de Kyungsoo ainda estavam frios, e o nosso beijo tinha gosto de molho de tomate, orégano e vinho tinto. Era perfeito!

Acomodei-me melhor no pouco espaço que dispunha, e passeei minhas mãos sob a camisa de algodão, deslizando-as pelas suas costas, que definitivamente, eram o meu pecado. Movimentei os lábios com os seus como uma valsa calma e cadenciadamente sentindo os pelos da minha nuca se arrepiarem à medida que o beijo intercalava de leves selares à ósculos mais profundos.

Gemi contra seus lábios, ouvindo-o arfar levemente. Em seguida meu noivo ousou brincar com os meus lábios finos, percorrendo a língua lentamente até adentrá-la novamente em minha boca quente, calculadamente. Definitivamente, tudo para Do Kyungsoo tratava-se de um jogo, o qual ele sempre saia vencedor!

O ar nos faltou, mas a disposição do meu noivo parecia apenas crescer. Senti o meu corpo esquentar, e não era pelo calor da lareira, mas sim por causa do seu nariz que deslizava calmamente do meu ombro para o pescoço e seguia em direção à minha orelha, respirei pesadamente ao senti-lo morde o lóbulo.

No momento seguinte percorreu com selares cálidos, o caminho de volta até a minha boca. Uma troca de sabores reiniciou, percebi que o beijo estava transformando-se gradativamente em algo mais profundo e com vias de se tornar algo, definitivamente, mais carnal.

Tentei tomar um pouco do controle do beijo, obtendo êxito, puxei o seu lábio inferior com meus dentes, sugando a pele em seguida. Seu arfar arrancou-me um sorriso satisfeito. Permaneci repetindo o ato por alguns segundos, até finalmente, voltar a colar sua boca na minha, permitindo que nossas línguas batalhassem uma contra outra, famintas, desesperadas pelo mesmo prêmio: a rendição.

O ar tornou-se rarefeito. E um simples beijo estava ganhando altas proporções, quase incontroláveis. Enlacei minhas pernas em sua cintura. Kyungsoo passou a mão suavemente pela minha coxa, apertando-a vez ou outra. Estremeci quando um certo movimento de atrito nos agraciou com um choque elétrico mútuo, choque esse que estava repetindo-se à medida em que o corpo de Kyungsoo movia-se sobre o meu.

Gemi tomando consciência do que estávamos prestes a fazer, e o afastei, mesmo sentindo vontade de prossegui com o ato. Kyungsoo olhou-me frustrado. Mordi o lábio ao ver seus olhos dilatados em desejo.

— Nada disso. — O repreendi com a voz falha, o corpo protestando. — Você tem que acordar cedo amanhã e eu tenho que pegar a estrada — lembrei-o sobre nossos compromissos: sua viagem de negócios e minha ida até a fazenda da nossa família, onde seria realizado o casamento.

— Podemos apenas namorar um... pouquinho — barganhou, aproximando-se, tendo como objetivo o meu pescoço, que ele sabia ser meu ponto fraco. O detive rapidamente.

— Não existe essa de pouquinho com você, Do Kyungsoo.

— Prometo me comportar — fez um bico, que deveria ser fofo, mas definitivamente, era extremamente sexy.

Revirei os olhos, cético. Porém, acabei cedendo no final, ou quase, já que sexo não aconteceria ali, não nessa noite. Tínhamos feito um acordo, na verdade era como uma vingança da minha parte em represália ao pedido de casamento mal elaborado.  Decidido a dá-lhe um pequeno agrado, em agradecimento ao meu presente, que com uma rápida olhada de lado, constatei que ainda dormia — pobrezinho tão inocente, não tem noção dos pais pervertidos que arrumou! —, sorri malicioso, empurrando-o contra o tapete.

— Quietinho aí, amor! — adverti perverso, sentando exatamente sobre o seu pênis, iniciando movimentos cadenciados e firmes. Kyungsoo soltou o ar surpreso, pendendo a cabeça para trás.

Prossegui com os movimentos por mais algum tempo até que, calmamente segurei o elástico da calça de moletom que ele vestia, brincando um pouco, vendo-o morder o lábio em expectativa, mas não demorando-me muito. Eu estava no controle, e era raro de acontecer, não poderia brincar com fogo.

Sentei em suas pernas torneadas e puxei o tecido de uma vez, revelando o meu brinquedinho preferido, que estava levemente ereto. Passei a língua nos lábios e engoli em seco, de repente sedento por senti-lo na minha boca.

Segurei o membro do meu noivo entre as mãos, massageando-o docemente, sentindo seu corpo tremer em resposta e seu pênis endurecer gradativamente, em seguida desci uma das mãos em direção aos seus testículos, apertando de maneira delicada, estudando sua reação, e com a outra iniciei uma masturbação com movimentos suaves, passando o polegar sobre a glande e vi a fenda expelir uma gota perolada.

Sem aviso, desci a boca em direção ao seu pênis pulsante, passando a língua pela glande uma, duas, três vezes sentindo o sabor levemente salgado e amargo, descendo e subindo sobre extensão até finalmente colocá-lo de vez em minha boca.

Sem desviar os olhos do seu rosto e vendo-o arfar, enterrei seu membro até a metade, repetindo o movimento algumas vezes sem pressa até torná-lo frenético, deliciando-me com seus gemidos surdos e caretas de prazer.

Repeti o ato por alguns minutos, intercalando entre movimentos rápidos e fortes com a minha mão e minha boca faminta. Em meio ao prazer que eu lhe proporcionava Kyungsoo infiltrou os dedos nos meus cabelos, segurando-os firmemente, e gemi ao senti-lo puxar meus fios e impulsionar-se contra minha boca.

Meus olhos prenderam-se fixamente aos seus, que se encontravam parcialmente fechados, enquanto ele fodia minha boca com vontade e volúpia. Logo seus movimentos tornaram-se erráticos e percebi seu baixo ventre contrair-se, anunciando que logo Kyungsoo gozaria.

Mesmo com as arremetidas de Kyungsoo, não ousei cessar minhas próprias investidas e chupei-o ainda mais forte, resvalando minha língua e lábios por toda a sua extensão, que a cada segundo ficava ainda mais tesa.

Momentos depois senti o jato quente preencher a minha boca, engoli tudo calmamente, cada gota e vestígio, tendo o gosto levemente amargo tomando conta do meu paladar. Com a respiração descompassada e os lábios um tanto dormentes, eu sorri vitorioso.

— Depois eu que sou o tratado — Kyungsoo falou segundos depois, ainda perdido nas ultimas sensações do orgasmo, a voz rouca e falha.

Pisquei um olho e selei rapidamente nossos lábios

— Aprendi com o melhor! — admiti. — Nossos pais têm estão certos. Nos deixamos controlar muito fácil por nossos corpos. — falei rindo, lembrando de todas as vezes onde nossos pais ou amigos nos pegaram de surpresa quase transando, em diversas ocasiões e lugares diferentes, e nos apelidaram de eternos adolescentes hormonais. — Bom, agora você terá uma noite tranquila de sono, ok?!

Kyungsoo meneou a cabeça negativamente.

— Estou quase subindo pelas paredes — dramatizou.

O olhei alarmado e descrente.

— Kyungsoo! Não faz nem um mês que estamos sem sexo, e menos de meia hora que te fiz gozar... — retruquei lembrando-o e acrescentando: — na minha boca.

— Se você estivesse no meu lugar e fosse noivo de alguém como você, acredite, um dia já seria o suficiente para ficar insano — lamentou sagaz, o ignorei rumando para o banheiro pronto para tomar um banho e esfriar meus ânimos, afinal, ele não era o único frustrado ultimamente.

Minha vingança estava sendo uma faca de dois gumes, pensei lamentoso.

 

 

 

~ * ~ * ~ * ~

 

 

 

Definitivamente Kim Junmyeon não tinha limites! Entreolhamo-nos rapidamente e bufamos irritados. O dia amanhecera com a temperatura moderadamente agradável, porém ainda com diversas nuvens pesadas no céu, o que era um claro indicativo que mais um temporal estava por vir. Batuquei nervosamente os dedos no meu joelho e comprimi os lábios.

O trânsito estava razoavelmente calmo enquanto Kyungsoo e eu seguíamos em direção ao aeroporto. Porém, o que estava nos tirando do sério realmente eram nossos celulares que não paravam de tocar, intercalando entre o meu ou o de Kyungsoo em um minuto, para dois minutos depois ambos tocarem ao mesmo tempo.

— Ele vai nos deixar loucos! — reclamei sem ao menos olhar o aparelho na minha mão, tendo consciência de quem ligava, já que o mesmo havia acordado a mim e ao meu noivo às exatas três horas da madrugada para falar sobre tipos de glacês. Meu omma era categoricamente inconveniente e insistente. Pensei mentalmente exausto, enquanto Kyungsoo dirigia o carro. — Que horas acaba a reunião? — indaguei mordiscando meu lábio inferior, nervoso, olhando-o de relance. E sem dar tempo para resposta, acrescentei: — Ligue-me assim que chegar, e... — respirei profundamente. —  Por favor, Kyungsoo, cheque o horário do voo e mantenha a droga do celular por perto — choraminguei preocupado. Dizer que eu estava com os nervos à flor-da-pele era eufemismo, sem dúvidas.

Ao chegar ao aeroporto, um instante depois, e estacionar, Kyungsoo olhou para mim.

— Ok! — resmungou pegando meu aparelho e colocando no silencioso, como também havia feito no seu mais cedo. — A reunião acaba às duas da tarde, pego o voo de volta às três e meia, e a estrada para a fazenda às seis — narrou tranquilamente, retirando o cinto de segurança. Sorriu. — Não se preocupe, não vou deixá-lo esperando no altar — garantiu-me divertido.

Rolei os olhos para o seu comentário e logo depois encarei-o seriamente, um tanto quanto aflito.

— Não gosto da ideia de você viajar à noite — falei. — Acho melhor você dormir em casa e ir para a fazenda pela manhã.

— Baek... — tentou contra argumentar, porém apenas levantei uma sobrancelha em reprimenda, um aviso claro que não haveria discussões sobre o assunto. — Ah, tudo bem!

Os celulares voltaram a tocar, ou nesse caso, a zunir, já que estavam programados apenas para vibrar.

Ele não dorme?! Bufei pela milésima vez.

Ignorando descaradamente as investidas do meu omma em conversar sobre qualquer trivialidade daquele casamento —  que honestamente estava deixando-me demasiadamente apavorado —, saímos do carro.

Dei a volta e entrei novamente no veículo, pois dessa vez era eu quem iria dirigir, e olhei rapidamente pelo retrovisor para saber se estávamos atrapalhando alguém. Rezei internamente para que nenhum segurança aparecesse naquele momento, já que era proibido estacionar ali por um tempo mais longo.

Em seguida encarei Kyungsoo, analisando-o rapidamente. O mesmo encontrava-se vestido totalmente de preto, enquanto que, em sua mão direita ele carregava uma pequena mala de mão apenas. Ótimo! Não havia nada que indicasse que meu noivo estava fugindo às vésperas do nosso casamento.

Idiota! Praguejei internamente contrariado comigo mesmo. É claro que ele não estava fugindo, Kyungsoo estava somente indo para uma rápida reunião com um fornecedor de uma cidade próxima, que fornecia algumas das pedras preciosas utilizada pelo meu noivo em seu trabalho de ourives e joalheiro.

Aliás, fora esse mesmo vendedor o responsável pela pedra que se encontrava no anel que adornava meu anelar direito neste momento, um diamante raro, que eu descobrira meses depois custar uma pequena fortuna. Quase que desmaio ao saber o quanto eu carregava em apenas uma mão!

— Vejo você em dois dias. — Kyungsoo disse aproximando-se da janela. Meneei a cabeça em concordância. — Tenha cuidado na estrada, e cuide do nosso filhote — recomendou sorrindo de lado, acenando em direção ao banco traseiro, onde nosso filhotinho dormia dentro da caixa de transporte. — Amo você!

— Já estou com saudades — reclamei sincero, e ele sabia que eu detestava quando ficávamos longe um do outro, nem que fosse por poucas horas. — Também amo você!

Kyungsoo quebrou a distância que nos separava, beijando os meus lábios. Logo depois senti sua respiração pairando sobre o meu rosto.

— Podemos matar essa saudade quando eu voltar — murmurou. — Ou podemos inovar e fazer sexo por telefone — declarou malicioso, e antes que eu entendesse o que estava fazendo, rumou para o meu pescoço, roçando a barba rala no local. Arrepiei-me. — Você é tão sensível, amor.

Em um ato impensado, tentando afastar-me de seu toque, acabei apertando a buzina sem querer, chamando atenção para nós dois.

Kyungsoo gargalhou, deixando um rápido selar nos meus lábios, e saindo de perto do carro.

— Imbecil! — exclamei zangado, tamanho o constrangimento, dando partida e afastando-me em seguida.

E, repentinamente, enquanto o carro deslizava silenciosamente pelo asfalto molhado, percebi que a contagem regressiva estava oficialmente em andamento.

Eu estava prestes a me casar e não havia mais volta... será?!

 

 


Notas Finais


Até o próximo!

P.S. atualização toda quinta ou sexta!


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