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História Invencíveis - Jikook - Capítulo 35


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Notas do Autor


Perdoem a demora :D 
   Alerta de gatilho.

Capítulo 35 - Triângulo da ressurreição


                 


Minha cabeça dói, uma tontura paira por todo meu corpo ao abrir os olhos; a visão é turva, repleta de riscos negros.

Faço força para levantar meu corpo, fazendo uma careta de dor quando sinto meu joelho esquerdo "pulsar" de uma forma nada agradável.
Olho ao meu redor. Estou em um quarto, acho, mas tenho certeza que é uma caverna. Paredes de desenhos e símbolos macabros me cercam e percebo que estive sobre um colchão velho e rasgado enquanto apagado. Reconheço o pentragrama rabiscado na parede a direita, tetragrammaton, a lua de mil faces e o que parece ser um bebê dentro de uma bolha escura e sombria cercado por entre eles.

O que houve?

Respiro fundo, me lembrando de como vim parar aqui. Minha cabeça não para de martelar.

Com um pouco de dificuldade começo a caminhar, apoiando-me nas paredes.
A cada passo era uma nova dor, minhas pernas tremiam e meu corpo todo pedia para cair nesse chão. E por um momento ele parecia ser confortável demais...

Não consigo parar de pensar como fui parar aqui. Espero que Taehyung, Krixi, Hoseok e Yoongi me encontrem logo e, que, acima de tudo eles estejam bem.

A Krixi... ela vai dar um jeito. Ela sempre dá um jeito.


Uma sensação estranha faz todo meu corpo ficar tenso. Escuto vozes se aproximando cada vez mais ao lado de fora.

...Sabe como essas coisas funcionam. — É uma voz masculina, que para mim ainda é desconhecida. — O clã da segunda geração construiu a arena mortal. Alguma espécie deve ter previsto os escolhidos e nessa arena que eles serão jogados como animais para lutarem até a morte... até que um deles obtenha todos os poderes do baú transferidos a Alucard.

Se ele morrer para sempre. O que não vai acontecer. Os poderes continuariam sendo somente dele. Poder é essência.

Me espanto com a última voz. Esta qual eu reconheço.

Não é possível.

Eu devo ter batido a cabeça com muita força.

— Vocês pegaram a pessoa errada. Me tirem daqui! — disparo contra eles com todo o ódio que consigo acumular no momento.

Ecoa uma risada nasalar em resposta e meus sentidos ficam em alertas quando percebo a porta sendo aberta.

Um dos encapuzados aparece primeiro ao realizar um segundo passo adentrando o quarto.

— Olha só, Electros, mesmo depois de tudo ele ainda se nega. — disse enquanto brincava com uma corda em suas mãos.

Eu prendo a respiração. Procurando repetir algum mantra, qualquer coisa que seja porque não sei o que diabos está acontecendo.

— Que continue negando, — Meu corpo estremeceu apenas em ouvir os passos fortes das botas de couro, a conhecida capa vermelha rasteja pelo chão e a mesma voz rouca e autoritária faz o meu mundo dar um giro brusco de surpresa e puramente confusão. — mas sua origem diz exatamente o contrário. Você não é um super herói de verdade, Park Jimin. Você nunca foi. — Electros para diante do meus olhos. Em carne e osso. Sem hologramas.

— Que brincadeira é essa, Electros? — Tentei resistir, pelo choque do momento, procurando qualquer sinal da pessoa que cuidou de mim a anos que pudesse indicar algum engano até que tudo fosse esclarecido. — Por acaso isso é alguma pegadinha sem graça? É isso?

Electros girou os calcanhares em suas botas de couro preta, olhando ao redor com uma expressão cínica, fingindo procurar algo.

— Hum, não estou vendo nenhuma câmera por aqui. Você está, Kaz? — O encapuzado nega com divertimento.
— É, não tem pegadinha nenhuma. — Electros sorri, um sorriso beirando ao perverso. — Precisei manter os invencíveis em minha responsabilidade, sustentando uma brincadeirinha idiota de brincarem de serem super heróis até que o momento certo se aproximasse. Você junto com seus amiguinhos se guiaram a sua própria armadilha.

A ficha não havia caído nem quando quando aquele encapuzado agarrou-me brutalmente, puxando meus braços para trás e prendendo os meus pulsos com a corda, bem como meus pés e me impossibilitando de usar o meu poder. Sinto meu corpo pender para trás para em seguida eu cair desajeitadamente sentado ao colchão.

— O que você ganha com isso?! Por que?!— forcei as perguntas a sairem mesmo com toda a negação que havia em mim.

Electros para de sorrir, mais pensativo quanto a minha pergunta.

— Eu não sei... poder. Alucard me prometeu o mundo. Nós governariamos juntos pela eternidade. — Electros sorri bobo, quase como um maníaco. Não como se ele estivesse muito diferente de um no momento atual, preso em sua própria ilusão.

A indignação me consome e eu ainda insisto em lutar para me livrar das cordas que me prendem de eu avançar no meu mentor chefe e deita-lo no soco.

Inacreditável, inacreditável. Raciocínio.

— Acha mesmo que Alucard vai dividir o lanchinho da imortalidade com você no recreio? — emito um risada amargurada quando questiono em rancor — Não! Acorda, Electros. Ele não te ama. Alucard nunca amou ninguém, ele só está te usando para conseguir o que quer.


Observo os olhos escuros de Electros se tornarem visivelmente nublados de ódio e os traços fortes de seu rosto assumir uma expressão sombria.

— Espero que você esteja pronto para conhecer seu papaizinho.

O encapuzado o esperava já perto da porta e assim esta fora trancada quando ambos se retiraram.

É inevitável não desmoronar nesse momento. Minha alma parece estar sendo lavada depois de tanto tempo, por tudo que vinha se guardando dentro de mim enquanto as lágrimas corriam livremente pelo meu rosto. Em culpa, dor, um coração partido, decepção e a maldita vontade que não me cabe em voltar no tempo e poder concertar tudo desde o começo.

Mas agora já é tarde demais.

                        ▲ △ ▷▼▽

Era como se o tempo passasse se arrastando e minha única companhia eram meus pensamentos
perturbadores quanto a isso tudo. Sinto sede e fome, mais sede do que fome, sem ter ideia de quantas horas faz que não ingiro literalmente nada.

Eu repetia baixinho mais vezes do que posso contar que Alucard não era meu pai. Eu não sou filho dele, não tem essa possibilidade e eu jamais aceitarei esse fardo de ser filho do pior ser já criado na face da terra.

Penso em tudo, em coisas que não quero pensar e sinto que se passar mais tempo aqui do que acho que já estou irei enlouquecer.

Eu sabia. Desde antes do baile eu sentia que deveríamos desistir da missão e agora me encontro em posição da isca perfeita.

Os invencíveis contribuíram para que o nosso pior inimigo, o responsável pelo morte dos pais, de todas as gerações voltasse.

E eu sinto tanta raiva, de mim. Quero sair daqui, quero matar Electros com as minhas próprias mãos e todos os encapuzados.

O ranger da porta ao ser aberta que automaticamente faz com que meus sentidos saiam do transe por meus pensamentos. Meus olhos param na bruxa Opala, sendo obrigatoriamente acompanhada do tal encapuzado chamado Kaz.

Opala tem olheiras visíveis em seu rosto abatido, ela usa das mesmas vestimentas de tons roxo e compridas, mas dessa vez está sem o seu chapéu, o que amostra seu cabelo meio grisalho completamente bagunçado.

Obviamente faz algum sentido uma bruxa estar aqui.

— Seja breve. — exigiu o encapuzado para Opala que mexia discretamente algo em seu bolso.

— Com certeza eu vou ser. — não entendo o sorriso que ela exibe quando responde. Opala retira a mão do bolso e, com seu pulso fechado, segurando algo ela se vira para o encapuzado encostado na porta e abre a mão para em seguida soprar algum tipo de substância em Kaz que cambaleia para trás, embriagado pelo efeito e desmaiar logo depois.

Estou boquiaberto enquanto Opala vinha em minha direção e começava a desamarrar as cordas em mim apressadamente.

— Você tem que sair daqui o mais rápido possível. Eu fiz um feitiço enquanto os encapuzados estavam distraídos juntado as peças. — dizia terminando de desfazer o nó da corda em meus pés. Suspirei alto, sendo mais grato por tudo que já fui um dia em minha vida. — Estando em dois lugares ao mesmo tempo, apareci na Academia e mandei...

— Para quem? — indaguei ansioso como nunca. Torcendo para que ela tivesse avisado para qualquer um membro dos invencíveis ou até mesmo o Hoseok.

— Jungkook. Mandei o recado para Jungkook.

Ah, que ótimo.

O que Jungkook com certeza mais deve estar querendo agora é a minha cabeça numa bandeja. Não vejo o porquê de ele vir me resgatar na sua mais boa vontade depois de eu ter sido o ser humano mais horrível do mundo com ele, que não merecia nada disso.

Respiro fundo, tentando manter alguma sanidade por estar preso nesse lugar mesmo que fazendo um só dia.

— Opala, eu não acho que vá ser de...

— Mesmo? Porque ele me pareceu bem preocupado. — ela me olha séria e de alguma forma é como se um raio de luz, apesar de toda a escuridão uma luz se acendesse preenchendo o meu ser com positividade só de pensar que Jungkook ainda possa se importar comigo.

Passamos por cima do corpo do cara de capuz inconsciente ao chão, saindo do quarto. Acompanho os passos de Opala em silêncio, seguindo por um longo corredor.

Não deixo de reparar o desenho rupestre presente na parede úmida do túnel que rumamos; de um baú e um homem agachado a sua frente observando algo semelhante a uma evaporação púrpura e também escura saindo deste. Fico curioso para saber o que quer dizer, porém nem me atrevo a perguntar para Opala. Sendo meu único objetivo sair daqui e reunir os invencíveis para impedir o pior.

Chegamos a uma bifurcação. Eu ouço o barulho do túnel a direita, parece um rio.

Quando contornamos o lago um grito de Opala me faz parar de continuar a andar e eu me viro no mesmo instante.

— Vocês não acharam que iriam se safar assim tão fácil, — Kaz diz com mais três encapuzados atrás de si. Sinto meus ombros mais tensos, medo por cada veia do meu corpo. — acharam? — Kaz faz Opala ser jogada perante os meus pés e a escuto gemer de dor. Me desespero por não saber o que ele está fazendo com ela, mas arregalo os olhos e tento avançar em sua direção. Contudo, o encapuzado faz um gesto delicado com as mão e eu sinto o ar se esvair dos meus pulmões.

Fecho os olhos, implorando para que qualquer pessoa apareça. Que Jungkook apareça. Quando eu iria apertar seu colar entre meus dedos como de alguma forma de senti-lo próximo a mim, não sinto nada. O colar não estava mais em meu pescoço.

Som de ossos se quebrando vindo de Opala. Aperto os olhos com força, levanto minha mão fracamente para que o homem de capuz pare. Estou em estado de puro pavor, Opala grita de dor mais uma vez e eu preciso ajudá-la.

Eu não sou mau. Não quero ser.

Tenho que ajudá-la.

Preciso agir!

— Levem-a daqui. — Kaz ordena para os três dele que saem com Opala sendo puxada pelos braços e não consigo parar de temer por sua punição. Por culpa minha.

Eu respiro já como um louco pelo ar perdido de segundos antes. Kaz mantém seus olhos impiedosos em mim e sei que não me resta mais forças para uma fuga. No final, eu seria levado para o triângulo da ressurreição de qualquer jeito.

                       ▲ △ ▷▼▽

Minha cabeça martela brutalmente, causando náuseas.

As dores do meu corpo já não doíam tanto como antigamente, mas incomodam.

Minha garganta seca implora por água. Ugh! Ah, água...

Quanto tempo mais fiquei apagado?

Me remexo sentindo um formigamento bastante incômodo nas costas.

— Jimin-ssi.

Atento meus sentidos automaticamente ao chamado. Minha visão turva vai se focando na figura cada vez mais perto.

Seus olhos.

São como duas joias pretas e brilhantes, escuras e lindas, tão, tão lindas.

— Eu vou te tirar daqui. — ele se abaixa diante de mim. Sinto meu coração bater estrangulado só com sua presença. — Não vou deixar que nenhum mal lhe aconteça, jamais. — Jungkook me encara de um jeito que transborda amor. E é um daqueles momentos que eu percebo mais do que nunca que o amo. Eu o amo. E é por isso que eu sinto tanto, mais tanto por ter ferrado tudo para nós dois.

— Desculpa. — balbucio. Minha respiração se encontra entrecortada e eu me sinto como um bobo apesar de toda essa fodida situação ao que ele acaricia o meu rosto, como se pudesse transmitir todos os seus sentimentos através desse toque que me enfraquece com seu encanto. Jungkook assente. Sua cabeça balança em confirmação ao meu pedido de desculpas. E ele não só está o aceitando, mas está deixando claro que está tudo bem. Mas não está.

Jungkook passa um braço por debaixo das minhas pernas, minhas costas sustentadas por seu outro braço quando ele me ergue. Nossos corações bem mais próximos. Meus dedos se prendem a sua camisa e eu tento sentir seu cheiro, tento gravar cada detalhe seu.


Mas nada disso foi real.

Electros sentado numa cadeira próximo a porta só faz rir. Eu fecho os olhos, a pontada que sinto no coração é inevitável tanto quanto o ódio. Raiva e tristeza se unindo em um só.

— Sei o que é estar apaixonado. — diz como se fosse a pessoa mais compreensiva e empática do mundo nesse momento, Electros cruza as pernas e se inclina para analisar-me melhor com divertimento.

Quero muito tortura-lo antes de o levar a morte com as minhas próprias mãos e poder observa cada detalhe de seu rosto se contorcendo em dor.

Sorrio com escárnio sem que conseguisse evitar pelos meus pensamentos cheios de maldade.

— Mas não sabe o que é ser correspondido. — forço o sorriso mais debochado que posso em meu atual estado. Electros fecha a expressão, ficando alguns segundos sério.

Ele vira a cabeça em direção a porta, captando algum som e um sorriso sujo volta em seu rosto.

— Está na hora. — ele se põe de pé e eu tento recuar quando os encapuzados aparecem como seus guardas patéticos, seus passos tem o intuito de chegar até mim e sou puxado com força sendo levado para fora do quarto.

E de algum modo, eu sinto que esse é o começo do fim.





É o mesmo lugar da caverna quando Seokjin nos levou até a peça do triângulo fincada numa bigorna. Ao passo que aproximava-me mais eu podia escutar um coral.

Várias vozes cantando.

Mas não entendo o que estão dizendo.

Mais encapuzados ao redor de um alto, parece.

Há uma grande pedra, rodeada por outras pedras pretas.

Sou jogado contra o chão e caio ao centro da peças postas em um triângulo. Peças essas que parecem sentir minha presença entre elas, as mesmas triplicam de tamanho ao meu redor, fechando-me em um triângulo que emana luz púrpura. Prendo a respiração. Tento sair de dentro triângulo, mas sou tomado por um choque em minha perna junto do que parece ser uma barreira invisível impedindo-me de sair do triângulo que me faz recuar pasmado com um grunhido.

Electros se aproxima de mim com o pingente retirado do colar.

— Você nunca nos amou. — me refiro em nome de toda a equipe, um tom idiotamente quase choroso por estar aqui. Por ser o maldito herdeiro.

— Faça. — Electros me oferece a espada e eu recuso. Ele se enfurece e obriga que as palmas da minha mão se fechem ao pingente.

Me supreendo quando o pingente de espada, assim como as peças do triângulo; ela é ampliada. Deslizando pelas minhas mãos em uma reluzente lâmina decorada, era branca como marfim e tinha detalhes multicoloridos entalhados, com cores de azul, verde, vermelho, roxo e dourado.

Electros toma a espada de minhas mãos e a aponta para mim.

Não há esperança sequer que me motive agora.

Um calafrio me percorre na espinha e engulo o nó que se formou em minha garganta. E nesse momento estou lembrando de quando o conheci. De Yoongi, Krixi, e Taehyung. Das missões e aventuras dos Invencíveis e que em uma delas conheci um cara de olhos negros e sorriso fofo como o de um coelho, de quando cantei com ele, me apaixonei por ele. Estou lembrando de Hoseok me fazendo perceber isso e me faz lembrar pensar em Ahri, Sunny, Yorn, Yan, Saya e Fleur. Eu espero que todos estejam bem.

Mas as coisas aconteceram tão rápido e tão inesperadamente que ainda não consigo processar os fatos mais do que meu cérebro possa tentar. Ahri e Seokjin aparecem pulando nas costas de um encapuzado cada e atacam seus pescoços com um mordida brutal. Vejo Namjoon incendiando fogo em sua pele e Jungkook está ao seu lado quando os dois usam dos seus poderes de fogo para queimarem os encapuzados que se colocam no caminho para impedir. Yoongi nocauteia um deles com sua calda amostra por um furo engraçado em sua calça, suas orelhas de fora; Tae e Hoseok lutam como podem. Por rápidos segundos os olhos de Jungkook se focam nos meus. Ele não reage, Jungkook não reage. E eu não tenho como saber o que o breu de suas íris querem dizer ao ser o primeiro a desviar o olhar.

E eu sinto falta de mais uma presença ali.

Electros não tem reação enquanto fica paralisado observando a tudo.

— Mate-o! — imagino que seja Kaz quem ordena para Electros que tem a espada.

— Seu... desgraçado! — Taehyung avança com velocidade e fúria em direção a Electros. Contudo, antes que pudesse realizar algum golpe ele cai ao chão quando Kaz faz o mesmo gesto com as mãos que usou em Opala para feri-la e Tae geme do dor, levando uma mão ao seu ombro que deve ter sido o ponto ferido.

Eu já começo a aceitar o meu fim para que mais coisas piores não viesse de acontecer mais. Não quero nenhum dos meus amigos se arriscando e machucando por minha causa.

De repente um garoto desconhecido sardento com uma lança vermelha se teleporta para frente de Electros e antes que ele pensasse em fugir mais duas pessoas surgem correndo e o segurando de cada lado. É a garota acompanhada do Sr. Jeon no baile e mais outro rapaz de californianas verdes. E eu quase deixo um grito de horror escapar da minha garganta quando a lança vermelha atravessa o corpo de Electros. Sangue sai por sua boca e ele olha para baixo, a lança, somente para ver o seu fim patético: morrer sozinho por ter feito uma aliança com a pior pessoa que poderia ter conhecido, qual nem sente a mínima consideração por si.

O garoto do teleporte puxa a lança de volta, a lança vermelha coberta por um líquido levemente mais escuro: sangue. E Electros cai ao chão, ele leva a mão ao abdômen em sangue, contorcendo-se em dor dos seus últimos instantes de vida.

Admito ter sido um pouco complicado assistir a morte de uma figura que por todos esses anos para mim já fora paternal, e para Tae e Yoongi também.

Krixi...

Olho para eles, Hoseok ajudava Taehyung a se levantar e por um momento Yoongi parara de lutar contra um encapuzado. Eles notam o meu olhar em questão da ausência de nossa amiga, seus semblantes tristes como nunca.

Tenho que engolir a vontade de absurda de chorar nesse instante.

Kaz é rápido em pegar a espada ao lado do corpo sem vida de Electros. E é tudo muito rápido, ele avança contra mim. Vejo Jungkook tentar supera-lo ao correr em minha direção também e poder impedir. Mas Kaz se materializa a minha frente e eu sinto.

Eu sinto a dor absurda. Excruciante.

Escuto gritos desesperadores dos meus amigos chamando por mim.

Minha boca se abre em choque e vejo a vitória nos olhos escuros de Kaz. Olho para baixo e sinto meu coração parar por um segundo, apenas para acelerar o máximo possível. A espada da peça da ressurreição atravessa o meu corpo. Meu cérebro ainda parece processar o que está acontecendo.

Sinto uma descarga de adrenalina percorrendo meu ser e sei que é real.

— NÃO! — Jungkook grita, o horror estampado em sua face, seus olhos arregalados.

Eu sinto meu coração por todo o corpo, bombeando sangue que parece ácido de tanto que me sinto sofrer por dor. Um gosto metálico toma a minha boca e eu sei que é sangue.

Os chamados soam distantes. Meus joelhos enfraquecem e dor transborda por meus olhos em lágrimas. Posso ouvir meu coração em meus ouvidos, sentindo minhas pálpebras pesarem.

Kaz puxa a espada de volta.

Em questão de segundos, Namjoon, Jin, Taehyung, Yoongi, Hoseok e Ahri se juntam contra Kaz, enquanto caio de joelhos ao chão. O triângulo que me aprisionava volta a forma das peças de antes e não tenho muito o que achar ao que o trio misterioso colhem as peças do triângulo e simplesmente se mandam daqui tão rápido quanto apareceram.

Jungkook corre até mim, ele me deita em seu colo e estou lutando para não fechar os olhos, não ainda.

Eu imploro ao universo para que isso pare, porque quero viver, pelo menos mais um pouco.

Pelo menos para me despedir dele.

E é desesperador porque minha vida inteira está se passando em minha mente como num filme.

Tusso sangue e o ouço repetir "não" diversas vezes. Seus dedos afastam o cabelo da minha testa cuidadosamente e então seu polegar acaricia o meu rosto.

— Não, não, por favor. — Jungkook fala, baixo. — Você precisa viver. Não pode me deixar, não pode. — Ele pede. Jungkook está soluçando de chorar, completamente vermelho. Tusso mais uma vez, usando toda a energia que eu tenho para ver os seus olhos.

— Jungkook... — sussurro, fracamente. — Tá' tudo bem. — eu forço as palavras e ele se nega. Jungkook une a sua testa à minha e meus olhos quase se fecham, mas eu resisto.

— Não. Fique de olhos abertos, amor.

— Está tudo bem... eu... eu não poderia pedir por um lugar melhor para partir do que nos seus braços, foguinho. — forço um sorriso. Jungkook balança a cabeça em negação e eu acaricio o seu rosto, sentindo o cansaço me tomar por inteiro. Minhas pálpebras pesam, eu já não consigo respirar e estou cansado de tentar. — Eu amo você, Jungkook. — por fim, digo.

Foco no seu rosto próximo ao meu. Suas lágrimas deslizam e caem sobre o meu corpo, o escuto repetir que também me ama e eu sinto a minha força ir embora.

O breu de suas íris seria a última coisa que eu veria se de repente não fosse pela presença inesperada de um dragão que surgira voando na caverna.

A escuridão me abraça e declara o fim da minha jornada. E então, já não sinto o meu coração bater mais.










A pedra do altar começa a rachar.

Como se uma luz estivesse saindo de dentro dela.

Um braço compridou saiu de lá e pegou o encapuzado mais próximo.

Alguns deles fugiram a tempo. O braço pegou mais encapuzados e tentou trazer para dentro da pedra.

Assim esmagando-os na rachadura. 



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