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História Invernal - Capítulo 1


Escrita por: vaudeville

Notas do Autor


hello again

essa fic, estranhamente, é minha primeira stucky escrita, porém, nunca postada. esses dias eu tava falando sobre ...fics?... não sei hahaa com a Gabi @Seshat e acabei citando Invernal, e ela mandou um POSTE AGORA, e como eu faço tudo pelas minhas amigas, aqui está! ela até apadrinhou e fez essa capa incrível ): obrigada ami ♥

preciso confessar que eu dei uma leve betada, mas nada muito drástico, só umas vírgulas ou verbos no tempo errado... enfim, só pra vocês saberem que essa é a escrita de uma eu que não existe mais HUAHAUHAUAH

uma última coisa: ao contrário das minhas outras fics que são baseadas nos stucky do MCU, essa aqui é nos stucky dos quadrinhos. o Bucky não é dois anos mais velho que o Steve e sim cinco anos mais novo

boa leitura!

Capítulo 1 - Outonos


Ele estava ali, caído pela pessoa que sempre soubera que o levaria à ruína. Por mais que digam que o amor é um sentimento bonito e nobre, inicialmente ele é paixão, e paixão antes de tudo é pathos, é patética e patológica. Mas Steve Rogers não se importava, só queria provar que, sim, o amor tudo suporta. E então percebeu sua visão tornar-se turva, e uma dor colossal marginalizar seu coração. Riria da ironia se não estivesse sentindo o gosto metálico em sua boca.

Entregou àquela a quem se sacrificara suas últimas palavras, cansadas e sem nexo, sem força e carregadas de uma culpabilização alheia, como se seu último pedido fosse que ela levasse por sua vida o peso de ter sido amada a ponto da morte. Poderia ser egoísmo de sua parte tentar ser lembrado dessa forma, mas não queria virar um passado longínquo que não dói e que não faz falta – pelo menos não daquela pessoa que fora seu primeiro amor, com a qual teve receio das consequências, mas que fora convencido de que a vida era assim mesmo, um poço de aventuras e loucuras. Loucuras que uns fazem pelos outros, alguns até mais que outros, e era nessa parte que Steve se questionava se, realmente, valia a pena.

Era clara a sua opinião; por mais que machucasse, fazia do “vale a pena” seu mantra. Durante anos. Desde sua entrada na adolescência até a maioridade, onde por maldade do destino, a loucura a ser feita era abrir mão. E nada doera mais do que as lágrimas de súplica de que havia uma outra saída; poderiam fugir, ou continuar às escondidas. Mas o Rogers era nobre demais para isso. Ou covarde demais? Não. Isso nunca. Sabia que o amor tudo espera, se tivesse que ser, seria.

•••

Ingressara no exército como um recruta prodígio, por isso aos vinte anos já era capitão. Loucura. Seu coração escurecera à sombra da felicidade com outrem daquela que era sua, mas que desde a fatídica data o tratara como o pior dos seres – o amor não guarda rancor –, e talvez fosse. Merecia esse título e chegava a não se importar. Lembrava-se claramente de todos os momentos juntos, dos sorrisos genuínos que não voltavam mais, ele sabia disso. Se culpava amargamente por ter preferido ir embora.

Se ao menos tivesse feito um adeus decente.

Com a promoção no quartel, inevitavelmente se tornara o exemplo de sua tropa. Eram empenhados, porque o Capitão Rogers buscava dia e noite ser o melhor, para que pudesse inspirar mais e fazer com que mais pessoas fossem melhores. Esse era seu outro e novo mantra, ou talvez sempre o tivesse e o seguisse mais do que o vale a pena, porque a esse ele era cegamente fiel. Embora tentasse se convencer que sua recompensa pela inteira doação à nação fosse ter a sua amada novamente.

Dessa forma se tornaram exemplo nacional, acarretando no recebimento de soldados estrangeiros para aprimoramento com eles.

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James Barnes era novo demais para estar ali, porém, não era como se tivesse escolha. Perdera seus pais muito cedo em um acidente de carro, onde também perdera seu braço esquerdo, e seu único refúgio foi o exército, tendo agora como seu responsável, seu tio, o tenente da tropa. Não era querido em seu quartel e nem era o melhor, não chegava nem perto de ser, e o Barnes não esperava mesmo que fosse, ele apenas, apesar de tudo, gostava de viver.

Quando chegara à sua nova morada na América, não recebera olhares muito amigáveis do seu, agora, capitão. Estava acostumado com essa situação, mas aquele olhar tinha um “q” de intimidador que o instigava, e por mais que recebesse broncas e advertências, por vezes até ofensas fantasiadas de ordens superiores, ele queria estar por perto. Porque algo o dizia que toda aquela ferocidade não passava de um disfarce, e o menor sentia que tinha que derrubar essa ilusão.

Foi em uma batalha que a relação conturbada dos dois deu um passo vacilante à frente, quando o Barnes notara a desatenção do Capitão às suas costas, de onde exatamente vinham os inimigos e se não fosse por ele, a tropa não teria mais um líder. O Capitão não ficara feliz. Não deveria se deixar mostrar desatento aos oponentes, e pior, ao seu próprio exército; e muito menos poderia ter se deixado ser salvo por aquele que tratara como inútil desde que pisara em seu quartel.

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O Rogers estava em dívida, tinha noção disso. Não agradecera ao garoto de forma explícita, mas se obrigara a ser menos carrasco com ele. E com o passar dos anos, o Barnes não voltara ao Velho Mundo com sua tropa, com seu tio, emancipando-se; sentia-se acolhido na América de um jeito que ele sabia que não seria em seu país.

Os dois criaram um laço de amizade, pela parte de Steve, porque para Bucky – o Capitão dera esse apelido ao menor assim que descobrira seu nome do meio, Buchanan, e Bucky não reclamara –, era admiração. Ele conseguira conhecer o lado do Rogers que tinha certeza que quase ninguém conhecia, e que certamente o mesmo não permitia ninguém o conhecer há um bom tempo.

Bucky acompanhava Steve em todas as batalhas. Desde que arriscara a sua integridade física pela a do Capitão, este já não o deixara participar de mais nenhum combate, e passava horas de quase todos os dias de todas as semanas a ensiná-lo técnicas de defesa. O Barnes não entendia o porquê de passarem tanto tempo trancados em um galpão dando golpes cada vez mais eficientes em algum objeto quando ele nunca tinha permissão de utilizá-los em um confronto real, porque o Rogers estava sempre lá o defendendo como um insuportável irmão. Cabia ao menor depois cuidar de seus poucos arranhões.

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Quatro anos se passaram desde que chegara ao Novo Mundo e o Barnes não era mais um pré-adolescente. Pelo menos uma vez por mês, Steve o arrastava para algum bar e o fazia passar a noite inteira escutando histórias de bêbados e ver a todo minuto alguma mulher convidar o Rogers para uma dança. Este respondia com um sorriso educado, às vezes galante, e em algum momento suas desculpas acabavam, então acenava para Bucky com a cabeça e sumia por entre as pessoas na pista. Assim, por algumas horas, a única companhia do rapaz de cabelos castanhos era um copo com suco, e se sentia ridículo, porque estava em um bar e não suportava bebida alcoólica.

As garotas até tentavam o arrastar para aquela confusão de gente também, mas tudo o que o Barnes queria era voltar para o alojamento puxando Steve nem que fosse pelos malditos cabelos loiros, porque a única coisa que o importava e o fazia bem era a presença do maior. Só os dois. Sem sorrisos em lábios vermelhos acompanhados de mãos delicadas que sempre o carregavam para longe de si.

Bucky desejava nunca ter saído do Leste Europeu para nunca ter que se dar conta de que nunca fora só admiração o que sentia pelo estadunidense. Amaldiçoava-se porque aquilo era inteiramente sua culpa, fora ele quem insistira em quebrar a barreira de falas ácidas do Capitão. Jamais deveria ter conhecido o Steve completamente oposto ao qual este queria parecer, e jamais deveria ter sido fraco. Sua curiosidade para saber o que se escondia atrás daquele disfarce o fez decidir-se inconscientemente de que precisava daquele Steve quase tanto quanto precisava respirar.

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“Está prestando atenção?”, Bucky escutava constantemente o loiro perguntar nos últimos dias ou meses, ele não saberia dizer ao certo. Meneava a cabeça em afirmativa, mas a verdade era que dificilmente estava.

Era complicado demais manter-se atento às instruções para algo que ele não utilizaria – porque já tinha aceitado que o próprio que exigia sua atenção não o permitiria fazer nada fora do seu campo de visão –, quando podia apenas focalizar seus sentidos no corpo de seu tutor e repreender-se por tais pensamentos ao mesmo tempo em que não conseguia e nem queria parar.

Seus momentos prediletos se tornaram aqueles em que Steve voltava de alguma batalha e era ele o responsável por curá-lo, e por Deus, aquilo era tão errado, mas era tão bom sentir o calor e o cheiro do Rogers de tão perto. A pele clara e extremamente macia como se não tivesse levado vários socos por anos; haviam algumas cicatrizes próximas às raízes dos primeiros fios de cabelo que Bucky particularmente gostava, porque tinha o privilégio de notá-las; os lábios finos e rosados; e finalmente os olhos de um azul tão intenso quanto angelical, o moreno poderia passar horas analisando aquelas írises celestes. Às vezes até abria mão da discrição e encarava encantado como se pudesse ler o outro à sua frente, e o achava ainda mais adorável quando não conseguia conter a vermelhidão em suas bochechas.

O Barnes sabia que não era nem um pouco correspondido, e que também não era o melhor disfarçando os efeitos que o maior tinha sobre si. Não se sentia mal, mantinha até esperança de que um dia o Capitão o visse com outros olhos. O amor é paciente.

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Bucky descobrira o motivo de todas as defesas que Steve construíra ao redor de seu coração, e fora triste, porque era mais do que não conseguir superar, era óbvio que o loiro não queria superar. Como um castigo eterno, cultivar um sentimento passado por alguém que já seguira em frente.

O Rogers não era mais tão receptivo ao seu contato, como se levasse um choque ou aquilo fosse incrivelmente errado. O moreno concluiu que o maior só não queria ferir seus sentimentos e isso era tão nobre que ele se sentia ridículo por resultar exatamente o contrário do que seu capitão queria.

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Mais dois anos se foram e o Barnes decidira ir também. Chegara a um ponto que era torturante ver o quão frágil Steve era com o seu passado, ao mesmo tempo em que queria sempre mantê-lo por perto. E Bucky não queria mais essa situação de ser o cachorrinho do líder do quartel. O Rogers entrara em um desespero que até tentara controlar, mas o menor o conhecia muito bem; tentou argumentar, e se vira novamente na situação de lágrimas de súplica de que havia uma outra saída, mas agora o loiro era o suplicante. Ele só não conseguia imaginar mais sua vida sem o europeu, e por isso equivocara-se. Passara anos tentando deixar claro de forma sutil que aquilo era uma irmandade, mas na primeira situação de independência do mais jovem, alimentara sua esperança.

Já fazia tanto tempo que não tocava os lábios de outrem... E eram de um agridoce viciante, fazendo Steve querer estapear-se por gostar e querer mais daquele sabor. O sorriso do mais jovem após o contato era tão cativante que por um momento o Rogers esquecera-se de todas as regras que criara para si próprio. Mas tudo voltou à tona durante a noite, e não importava quantas vezes virasse para cada lado ou todas as táticas conhecidas para chamar o sono, não conseguira dormir.

E ele não levantaria da cama na manhã seguinte se soubesse que aquele dia seria o último. Porque o Rogers não tinha como prever que ao entardecer teria uma batalha surpresa nas proximidades, em que no calor do momento não pensara em nada além de que o amor tudo suporta, e a ele dedicaria seus últimos segundos.

•••

Haviam se passado cinco anos. Cinco anos em que as poucas lembranças e os tantos relatos o atormentavam durante as noites. Lembranças de acordar após ter aceitado o seu fim, visto os soldados, seus amigos, emocionados com o seu bem-estar, mas não ter visto ele. Flashes de como cada sorriso foi se fechando assim que perguntara onde ele estava. Relatos de que ele passara a noite inteira o salvando e curando – perdera as contas de quantas vezes pediu para que narrassem toda a dor que o seu Bucky sentira horas a fio, apenas para se torturar com a convicção de que era, com toda a certeza, o pior dos seres.

Steve não tinha mais notícias do Barnes desde o dia derradeiro, não sabia sequer se este estava vivo. O Rogers nunca fora de fazer pedidos às forças divinas, mas pedia, da forma que sabia, que nada de ruim tivesse acontecido com o menor, porque Bucky não merecia mais sofrimento.

E não precisou de muito tempo para o Capitão entender que tinha sido mais do que um completo idiota – se é que isso era possível –, e quis continuar fazendo o que sabia melhor: esconder-se atrás de um disfarce, porque era muita sacanagem do destino jogar na sua cara só agora que o sentimento de Bucky sempre fora recíproco. Era tarde demais. Reprimira-se por tanto tempo, que isso o cegara sobre o que sentia, porque tinha medo. Medo de voltar a machucar alguém com quem se importava tanto.

Mas a culpabilização acabara caindo sobre si. Não podia ter permitido o Barnes de ter chegado tão longe na sua pessoalidade. Hoje eles seriam dois soldados que se estranham pelos cantos, ou bons amigos, mas apenas isso, e isso já seria o suficiente. Era melhor do que aquele vazio de apaixonar-se por um fantasma. De não ter recordações tão boas – noites no bar em que o deixava sozinho, ou treinos exaustivos em que exigia muito do moreno, o excesso de proteção como se não acreditasse na capacidade do mais jovem de se defender, e dias e noites de somente os dois com sutilezas dolorosas de que Steve só queria ser um irmão... Por Deus, ele não queria ser só um irmão, não era nem perto disso. O Rogers era apenas estúpido demais para admitir que estava pronto e queria esse novo amor.

Agora só rezava para que algum dia o Universo tivesse piedade de si e trouxesse Bucky de volta.


Notas Finais


eu abusava muito do itálico nessa época, me perdoem SKLDHSJHS

são três capítulos que não sei qual a frequência com que serão postados, mas estão finalizados :) até!


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