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História Inverno na manhã - Camren - Capítulo 25


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Notas do Autor


Voltei!!
Mais um capítulo para vocês. :)
Aproveitem a leitura!!

Capítulo 25 - Die anfrage


Fanfic / Fanfiction Inverno na manhã - Camren - Capítulo 25 - Die anfrage

Munique – Alemanha

31 de março de 1938


Lauren - Point of view

Pensei várias vezes antes de aceitar o convite, quase obrigatório, do Kommandant Eicke para ir a Berlim, mas não tive escapatória, qualquer coisa que fizesse seria usado contra mim. Em nada me agradou receber a passagem de avião por correspondência, o Partido fazia questão de exaltar sua superioridade na aviação e as patentes mais altas tinham direito de usufruir de vôos comerciais pelo território alemão.

Comecei a arrumar minha bagagem, apenas alguns vestidos, luvas, chapéus, sapatos e jóias. Não pretendia passar mais que três dias na capital do Reich, compareceria às reuniões do NS-Frauenschaft e logo voltaria para Munique. Subi em um pequeno banco para alcançar uma caixa de sapatos e ao descer senti-me levemente tonta, minha cabeça parecia rodar e o ar mal chegava aos meus pulmões. Me sentei no banco e coloquei a mão na testa, respirei fundo algumas vezes, mas ainda parecia insuficiente, a falta de ar permanecia, fechei meus olhos por alguns instantes e coloquei minha mão sobre o peito, minha garganta parecia se fechar e me desesperei com a ideia de não conseguir respirar. Tossi algumas vezes e finalmente consegui recuperar minha respiração. Esperei alguns minutos até me sentir restabelecida e me levantei para continuar a arrumar a mala, nada passou de uma simples crise de nervosismo.


•••


O dia foi coberto por afazeres que tinha que resolver antes da viagem, recebi dezenas de ligações da Sra. Becker e algumas do Kommandant Eicke, assinei papéis e por fim tirei um tempo para visitar Louis. Precisava de sua ajuda para manter Camila em segurança enquanto eu estivesse em Berlim, enfim tinha que contar para ele sobre minha relação com Camila.

Cheguei até sua casa e estacionei meu carro em seu jardim, Louis logo apareceu na sacada com uma cara desconfiada, já que não havia avisado de minha visita.

— Ora essa, quem é vivo sempre aparece, não é?! – ele disse em ironia e eu sorri.

— Ainda está de manhã e você já bebendo, Louis? – o repreendi por estar segurando um copo de whisky.

— É a forma como gosto de tomar o café da manhã – ele riu – Não se preocupe, meu fígado está ótimo – deu mais uma golada.

— Bem, se como médico você diz isso, quem sou para contestar, certo?! – ele assentiu e deu passagem para que pudesse entrar na casa.

— Aceita alguma bebida? – perguntou se servindo de mais whisky.

— Não, dessa vez vou ter que recusar – me sentei em uma poltrona.

— Por que? O assunto é sério? – se sentou perto de mim.

— Não é sério, mas me preocupa – falei pausadamente.

— Sou todo ouvidos.

— Bom, é complicado! Mas espero que você me entenda – ele assentiu para que eu proseguisse – Estou indo para Berlim amanhã e preciso que você faça um favor para mim.

— O que? Quer que eu vá com você? – perguntou sorridente – Estava mesmo precisando ir até a capital – ele brincou.

— Não, seu bobo! É outra coisa – tentei pensar na melhor forma de contar para ele – Eu ainda não lhe falei, mas estou... Bem, eu estou em um relacionamento – ele me olhou surpreso.

— E quem é a prometida? – Louis sorriu.

— Por favor, não pense que eu sou louca, mas o nome dela é Camila e ela é judia! – falei em um fôlego só. Ele me olhou boquiaberto e não disse nada – Vamos, Louis! Fale alguma coisa – era um silêncio incômodo.

— Lauren... Você é completamente louca – falou pausadamente – O que deu na sua cabeça de se relacionar com uma judia? Oh, meu Deus, acho que não está lendo os jornais, estão prendendo todos os judeus.

— Eu sei, Louis! Mas realmente acha que foi algo planejado? Eu não pude evitar, oras! – falei indignada.

— Eu não entendo, Lauren! Como você a conheceu? – olhei para ele.

— Tudo bem, eu sei que vai me julgar, mas vou lhe contar toda a história – ele ouvia atentamente – Há quase um mês a Sra. von Müller foi até minha casa pedindo meu carro emprestado para ajudar uma judia que precisava se esconder – Louis cruzou os braços – E como a Sra. von Müller é como uma mãe para mim, não pude recusar, então ajudei com o carro...

— Pelo o que te conheço, já até posso imaginar onde essa história vai acabar – Louis disse me interrompendo.

— Ah, Louis! Eu não poderia deixá-la viver em um lugar tão insalubre, então ofereci minha casa e agora ela vive comigo – ele negou com a cabeça.

— Eu sabia! – colocou a mão na testa – Lauren, você não pensou nas consequências disso? Se alguém descobrir... Não quero nem pensar nisso.

— Louis, eu juro que nada deveria ter saído assim, mas simplesmente aconteceu, não posso voltar no passado.

— Eu compreendo, mas não me diga que está apaixonada, por favor.

— Eu estou, Louis! E pela primeira vez me sinto feliz e realizada. Esse sentimento não me machuca mais – sorri me lembrando de Camila.

— Oh Deus, não sei o que Harry diria se estivesse aqui.

— Eu sinto que ele me apoiaria! – falei apenas.

— Me alegra ver que você está feliz, Lauren! Mas temo pelo o que pode acontecer – ele disse preocupado.

— Eu sei, mas estou me prevenindo de todas as formas possíveis – fui sincera – Eu não quero que nada de ruim aconteça comigo, muito menos com Camila. Por isso estou aqui – ele me olhou por um momento.

— E o que eu posso fazer por você?

— Como disse antes, eu estou indo para Berlim, mas com o coração na mão por ter que deixar Camila praticamente sozinha por alguns dias – respirei fundo – Você é a pessoa que mais confio para me manter informada, por isso quero saber se pode passar um tempo com Camila enquanto eu estiver viajando? – olhei para ele apreensiva com sua possível resposta. Louis pareceu pensar, se levantou e colocou mais whisky em seu copo.

— O que é que não faço por você, não é Lauren?! – bebeu o líquido.

— Oh, muito obrigada! – me levantei e o abracei – Você é tudo para mim, Louis!

— Prometi ao Harry que cuidaria de você, então é isso que tento fazer, mas me mete em cada coisa, viu?! – nós rimos.

— Tenho certeza que você vai adorá-la, Camila é uma ótima pessoa e muito simpática – falei com o peito cheio de alegria.

— E quando vai me levar para conhecê-la? – ele perguntou.

— Se você quiser, agora mesmo! – disse empolgada.

— Então vamos!

Aguardei alguns minutos enquanto Louis foi ao quarto trocar suas roupas e pensei em quão grata eu era por sua amizade. Nós nos conhecemos graças a Harry, em um jantar informal há alguns anos, ele era um jovem médico que acabará de se mudar para Munique, havia terminado seus estudos em Hamburgo e começará a trabalhar em hospitais. Sempre foi muito inteligente, tinha iniciado estudos sobre gêneros e a sexualidade humana, chegando a publicar artigos para renomados jornais britânicos e franceses, mas teve seu sucesso apagado pelo Partido Nazista, que lhe deu duas opções: a prisão ou o se afiliar ao Partido. Acabou optando pela segunda e tudo que escreveu foi tirado de circulação ou queimado, restando apenas um caderno onde deixou registrado sua principais pesquisas, que agora nada mais eram que recordações em um pedaço de papel.

Ainda me lembro de quando Louis chegou trêmulo em minha casa depois de ter seu antigo apartamento invadido por soldados da SS, tudo foi revirado, seus escritos e documentos jogados no chão, procuravam por provas que Louis traia o governo, inventaram que ele poderia ser um infiltrado da Inglaterra, mas não acharam nada, afinal ele não era nada mais que um médico. Talvez por isso ele temesse tanto o fato de eu manter um relacionamento e esconder Camila em minha casa, pois Louis sabia o que era ser perseguido, ter tudo destruído e ficar a poucos passos da morte. Ele se preocupava comigo, tinha noção de quão perverso poderia ser o Partido Nazista.

Quando terminou de se aprontar, saímos de sua casa e descemos a escada. Senti novamente um aperto no peito e parei por alguns segundos, mas logo me recompondo para não deixar Louis preocupado.

— Está tudo bem, Lauren? – ele perguntou olhando para trás e me vendo parada.

— Claro, estou ótima! – sorri, ajeitei meu vestido e voltei a caminhar. Entrei no carro e comecei a dirigir.

Durante o percurso tivemos conversas triviais e contei mais sobre meu relacionamento com Camila, afinal ele queria saber de tudo e pude ver que, mesmo com todo seu receio, ele estava feliz por minha felicidade. Chegamos em minha propriedade e saímos do automóvel em direção a porta de entrada. Abri a mesma logo em seguida e andamos até a sala de estar, Camila estava sentada no sofá e se distraia lendo um livro, tanto que nem percebeu nossa presença.

— Camila? – a chamei com calma e ela olhou.

Quando seus olhos encontraram a figura de Louis ao meu lado ela se assustou e se pós de pé, sua fisionomia era de espanto e seus olhos estavam arregalados.

— Está tudo bem! – me aproximei dela, tocando suas mãos – Ele é um amigo de muito confiança, não há o que temer – ela suspirou aliviada e pareceu estar mais tranquila – Bom esse é meu grande amigo, Louis Tomlinson – Louis chegou mais perto – E Louis, essa é Camila Cabello – apresentei os dois.

— Muito prazer em conhecê-lo, Sr. Tomlinson – Camila estendeu a mão e eles se cumprimentaram.

— Não precisa de formalidades, apenas Louis está ótimo – ele sorriu – Bom, o prazer é meu, Camila! Afinal, Lauren fala muito de você.

— Louis! – o repreendi.

— E fala coisas boas? – ela perguntou se dirigindo a ele.

— Oh, é quase uma biografia não autorizada – ele brincou e Camila riu.

— Ótimo saber disso! – riram mais uma vez.

Convidei Louis para ficar para o almoço e ele prontamente aceitou, dessa forma poderia conhecer e se aproximar mais de Camila. Eu gostaria que eles criassem uma boa relação, afinal eram duas pessoas pelas quais eu tinha muito apreço e não me incomodaria se daquele encontro surgisse uma amizade. E assim foi a refeição, cercada de conversas amistosas e brincadeiras por parte de Louis, Camila parecia se divertir, o que me deixava feliz.

— Lauren, adorei ela – ele disse se referindo a Camila – Acho que vamos nos dar muito bem!

— Eu também acho, Louis! – sorri e abri a porta para ele.

— Se cuide em Berlim, ainda mais perto das pessoas que você vai ficar! – ele disse preocupado – Não confie em ninguém, por favor!

— Pode deixar! Vou tomar muito cuidado – afirmei.

— Tudo bem! Então, até mais! – se despediu e foi em direção ao carro em que Peter o esperava para deixá-lo em casa.

Voltei para dentro de casa e organizei o que faltava para a viagem. Separei documentos, broches do Partido e li diversas vezes uma cartilha do NS-Frauenschaft que ensinava mulheres a como se portar nas reuniões e encontros administrativos com homens, sabia que seria preciso ter em mente para saber como agir em Berlim.


•••


O tempo pareceu passar voando, mal tinha terminado minha mala e já havia anoitecido. Um misto de sentimentos passavam em minha cabeça, estava cansada com o dia cheio, mas torcendo para que ele não acabasse tão cedo, pois eu queria adiar o dia de amanhã o quanto fosse possível. A chegada da viagem me deixava nervosa e sem muito sentido de direção.

— Lauren?! – ouvi Camila me chamar delicadamente e abrir a porta do quarto – Passou quase todo o tempo aqui dentro – ela se aproximou e sentou ao meu lado.

— Me desculpe, eu estava arrumando algumas coisas e quase não vi o tempo passar. A chegada dessa viagem me deixa um pouco desorientada – expliquei.

— Então não vá! Cancele tudo – acariciou meu rosto.

— Você não entende... É muito complicado tudo isso, meu bem! Não posso simplesmente cancelar a viagem – ela suspirou e assentiu.

— Tudo bem! Eu estarei te esperando quando você voltar – Camila sorriu e nós nos beijamos, um beijo cheio de carinho e amor.

Descemos para jantar e comemos em silêncio, eu estava presa em meus pensamentos e não encontrei nenhum assunto realmente interessante. Ao terminarmos a refeição, Camila pediu que eu tocasse algo para ela no piano, me levantei levando uma taça de vinho na mão e novamente a tontura me acometeu, dessa vez mais forte. A taça caiu no chão e o vinho manchou toda a tapeçaria, me apoiei na mesa, pois sentia que poderia cair e fechei os olhos.

— Lauren? – ouvi Camila me chamar, mas meu ouvido zumbia – O que foi? – ela segurou meu braço e me colocou sentada novamente.

— Não é nada! Eu estou bem – falei após alguns instantes.

— Não, você não está! – ela mexeu a cabeça negativamente – Quase desmaiou, isso não é normal. Precisa ir no médico – Camila tinha a voz preocupada.

— Foi apenas um mal-estar estar, deve ser o nervosismo pela viagem – tentei parecer convincente.

 A verdade era que eu também estava ficando seriamente preocupada com esses episódios de tontura, já era a terceira vez em um dia e sabia que nada disso era normal, mas não queria preocupar Camila. Na hora certa procuraria por um médico, porém nesse momento minha prioridade era a viagem para Berlim.


Notas Finais


Espero que estejam gostando.
Vejo vocês no próximo capítulo!!


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