História Inverno na manhã - Camren - Capítulo 9


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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony, Harry Styles, Louis Tomlinson
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Harry Styles, Lauren Jauregui, Louis Tomlinson, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Visualizações 77
Palavras 1.482
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), FemmeSlash, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Estou de volta!!
* Explicando: o Bücherverbrennung, foi um ritual de queima de livros judaicos/comunistas que aconteceu em 10 de maio de 1933, em Berlim, na Alemanha Nazista. O objetivo desse "ritual" era fazer uma "limpeza" na literatura alemã. Entre os autores que tiveram suas obras queimadas, estavam Sigmund Freud, Rosa Luxemburgo, Karl Marx, etc.
(Outras queimas de livros também aconteceram durante todo o regime nazista)
*Leiam as notas finais*
Aproveitem a leitura!!

Capítulo 9 - Bücherverbrennung


Fanfic / Fanfiction Inverno na manhã - Camren - Capítulo 9 - Bücherverbrennung

Munique - Alemanha

Lauren - Point of view

O fogo crepitante iluminava aquela noite fria. As bandeiras vermelhas com suásticas estavam estendidas por todos os lados e militares fardados se distribuíam em meio a multidão. Jovens da Juventude Hitlerista cantavam músicas dedicadas a Führer em um pequeno coral nos degraus da escada. Estávamos comemorando o Bücherverbrennung.

Verbrenne deinen Ekel – um homem gritou ao jogar um livro na fogueira. [Queimem seus nojentos]

— Não vai jogar o seu? – Heidi me questionou, já que eu permanecia com um livro na mão desde que havia chegado.

Apertei meus dedos contra a capa, não queria cometer tal ação. Eram apenas livros, as marcas de um povo. Que grande perda para a literatura judaica – pensei.

Abaixei minha cabeça para conseguir visualizar o livro. Sua capa era vermelha e o título, escrito em dourado, era "Gedichte" de Rachel Bluwstein, um livro de poesias – sorri – Talvez Camila gostaria de lê-lo. [Poesias]

Enquanto Heidi se entretinha conversando com um homem ao seu lado, aproveitei a oportunidade para colocar o livro dentro do meu sobretudo, olhei em volta, ninguém parecia ter visto. Me abaixei rapidamente e apanhei um outro livro do chão. Caminhei até a grande fogueira e, mesmo minha mente dizendo que era errado, o joguei em meio a chamas.

Continuei alí parada, até que o fogo consumisse todas as páginas, adolescentes gritavam e arremessavam livros sem parar. Me perguntei se eles realmente sabiam o que estavam fazendo ou apenas agiam por impulso, será que o ódio havia nascido com eles ou foram ensinados que essa era a melhor forma de viver? Não sabia ao certo qual era a resposta.

Voltei para perto de Heidi que olhou para mim surpresa.

— Onde você estava, Lauren? Desapareceu de repente!

— Fui jogar o livro no fogo – respondi simplesmente.

– Eu iria lhe apresentar para o general Hillsong, que acabou de chegar de Berlim. Ele é um homem elegante e adivinhe só? – sorriu – Também é solteiro – lá estava ela com mais uma ideia de pretendente para mim, não sei o porquê de ainda insistir nisso.

— Heidi, eu não quero conhecer ninguém – ela franziu o cenho – Não estou procurando por um novo relacionamento, Harry ainda está muito presente em minha vida – me aproximei dela e segurei suas mãos – Eu sei que faz isso para o meu bem, mas eu realmente me sinto bem sozinha – sorri.

— Me desculpe! Sempre te vejo tão solitária, vivendo sem nenhuma companhia naquela casa. Pensei que seria bom conhecer alguém, mas já que está feliz assim, tudo bem! – ela retribuiu o sorriso e eu me senti aliviada por ter dado fim nas procuras de um homem para mim.

•••

Passamos mais algum tempo no local e olhei para meu relógio de pulso conferindo o horário. Já se passavam das nove da noite e eu desejava voltar para casa.

— Temos que ficar por mais tempo? – perguntei a Heidi já sentindo meu corpo cansado.

— Sim! Ainda haverá o pronunciamento do ministro Goebbels – as pessoas começaram a se organizar de repente – Creio que será agora. Venha, vamos mais para frente – ela começou a passar pela multidão até ficar o mais próximo do palanque.

Heil Hitler! – o Joseph Goebbels disse ao se aproximar do microfone – Esta é a missão dos jovens, por isso vocês estão certos de, nesta hora tardia, entregar o lixo intelectual do passado às chamas. É uma forte, grandiosa e simbólica responsabilidade, uma responsabilidade que irá provar a todo o mundo que a base intelectual da República de Weimar está sendo derrubada agora; mas que a partir das ruínas irá crescer, vitorioso, o senhor de um novo espírito – o lugar foi tomado por gritos e aplausos de todas as pessoas.

— Oh, ainda espero por um pronunciamento do nosso grandioso Führer. Infelizmente ele está sempre ocupado, mas sei que tudo isso é pelo bem da nação – Heidi me disse orgulhosa ainda aplaudindo o ministro.

— Sim! Acredito que o Führer esteja preparando um grande acontecimento para sua aparição – falei – Bom, amanhã terei um dia cheio, então já estou indo embora – me despedi dela e atravessei toda a multidão procurando por Peter.

•••

Fechei a porta da sala e respirei fundo, finalmente estava longe daquele lugar. A fumaça das folhas queimando ainda impregnava minhas narinas o que me deixava levemente tonta.

— Lauren? Está se sentindo bem? – ouvi a voz de Camila e a vi descendo pela escada.

— Eu... Só estou um pouco enjoada – me apoiei na parede.

— Vamos – ela se aproximou de mim passando um dos meus braços em volta do seu pescoço – Te levarei até seu quarto.

Caminhamos lentamente e subimos a escada parando em frente ao meu quarto. Ela abriu a porta e entrou indo em direção a cama, onde me deixou sentada.

— Vou pedir que tragam um chá para você, certo?! – ela esperou minha confirmação e saiu, voltando uns minutos depois.

— Aconteceu alguma coisa ruim que a fez ficar enjoada? – perguntou preocupada.

— Não, na verdade, foi o excesso de fumaça que me deixou tonta.

— Fumaça? Alguma coisa pegou fogo? – seus olhos estavam arregalados e me lembrei que não havia contado a Camila onde estava indo, pois talvez fosse muito duro para ela – Me desculpe, não quis parecer intrometida – ela disse depois de um tempo em silêncio – Eu...eu já vou para o meu quarto – senti uma pontada no meu coração, eu provavelmente havia a deixado constrangida e essa não era minha intenção.

— Não, fique aqui! – disse antes que ela saísse pela porta – Eu que lhe devo desculpas, às vezes sou tão rude e você não merece isso – ela negou com a cabeça.

— Claro que não. Não há nada de rude em você – se aproximou e tocou minha mão – Pelo contrário, és um doce de pessoa – nós sorrimos uma para a outra.

— Oh, já ia quase me esquecendo – procurei dentro do sobretudo que ainda usava e retirei o livro – Trouxe para você, achei que gostaria de ler – entreguei para ela.

— É lindo! Um livro de poesias? – afirmei com a cabeça e ela começou a folhea-lo – A autora é judia?! Eu pensei que esses livros estavam proibidos.

— E estão! Mas peguei esse para você – ela abriu um sorriso.

— Muito obrigada, Lauren! – Camila me abraçou, o que me pegou de surpresa, e eu retribui – Eu adorei o presente – disse próxima ao meu ouvido.

— Estou interrompendo alguma coisa? – ouvimos a voz de Alfred e nos afastamos.

— Não, de forma alguma – Camila disse e pude notar que ela havia ficado envergonhada. Ele entrou no cômodo trazendo uma bandeja com um bule e xícaras de chá.

— Aqui está seu chá, madame – colocou sobre a pequena mesa de centro.

— Obrigada, Alfred – respondi a ele.

— Deseja mais alguma coisa?

— Não, isso é o suficiente. Pode seguir para os seus aposentos – eu disse e ele se retirou.

— Aceita um pouco de chá? – perguntei a Camila.

— Sim, aceito – servi a minha xícara e a dela com a bebida quente.

Me sentei na poltrona, beberiquei o conteúdo da xícara e ela fez o mesmo.

— Lauren – Camila disse após longos minutos de silêncio – E-eu... – percebi que ela queria perguntar algo para mim, mas não estava tão segura.

— Pode perguntar – permiti que ela continuasse.

— Queria saber como conseguiu esse livro – ela parecia ter medo – Talvez essa pergunta seja um pouco indelicada e...

— Não, tudo bem! Tenho que ser sincera com você – a interrompi – Está noite eu estava em uma comemoração do Partido Nazista – ela ouvia tudo com atenção – E... Bem, era uma queima de livros judaicos – eu não conseguia olhar para Camila, pois estava deveras envergonhada – Todos estavam jogando os livros na fogueira, mas eu não queria fazer isso e quando vi que esse de poesias estava em minha mão, me lembrei de você e o escondi em meu sobretudo. Porém, joguei um outro nas chamas para que ninguém suspeitasse de nada – finalmente olhei para ela que tinha um semblante triste – Eu sinto muito, Camila – coloquei minha xícara de volta na bandeja – Não iria lhe contar sobre nada disso se não tivesse me perguntado. Imagino como deve ser doloroso para você.

— Sim, é muito doloroso, mas agradeço por ser honesta comigo. Continuo muito agradecida pelo presente também – ela sorriu – Acredito que já deve ser muito tarde, vou deixar você descansar – se levantou e seguiu até a porta – Tenha uma boa noite – disse e saiu do quarto.

Eu gostava de Camila, ela era gentil e amorosa, seu sorriso era encantador e pela primeira vez, em muito tempo, eu não me sentia mais sozinha.

No meu jardim plantei-te, no meu jardim escondido, no meu coração.
Os teus ramos tornaram-se intrincados e as tuas raízes profundas em mim.
E do amanhecer à noite não se cala
não acalma o jardim, porque você está lá, você com os mil pássaros da sua canção.
No meu jardim, Rachel Bluwstein (1890-1931)


Notas Finais


*Uma curiosidade interessante: O pronunciamento de Joseph Goebbels (ministro da propaganda nazista), que aparece nesse capítulo, realmente aconteceu durante a Bücherverbrennung, em que ele passou a mensagem para os adolescentes que faziam parte da Juventude Hitlerista.
Espero que estejam gostando, porque eu amo escrever essa história!! Haha
Vejo vocês no próximo capítulo! (Que dessa vez não vai demorar muito para sair)


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