História Inverse Universe: Heterophobia Is Real - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Irmandade Sem Incesto, Mundo Inverso, Yaoi, Yuri
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Palavras 3.399
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Vamos lá... Sei que eu sumi, peço desculpas por isso. É só que... Eu estou extremamente desanimada, sem vontade de continuar a escrever. Não recebo o feedback que espero, isso é frustrante e decepcionante. Claro, agradeço MUITO a quem continua comentando, me mostrando que não estou escrevendo para o vento (obrigada sz! Amo vocês!), mas... Sei lá.
Pensei demais em colocar a fic em hiatus, todavia, decidi postar no meu tempo, ir atualizando aos poucos... Espero que entendam e não me abandonem.
Lhes desejo uma ótima leitura, espero que gostem!

Capítulo 7 - Pesadelo sem fim


Fanfic / Fanfiction Inverse Universe: Heterophobia Is Real - Capítulo 7 - Pesadelo sem fim

Lion Real

"— É. Eu sou fraco."

Isso me deixava com vontade de gritar! Mas que droga... Por que eu disse isso a ele? Justo ao Archie?! Ele nunca deveria ter visto esse meu lado!

Não fui capaz de manter minha imagem intimidadora até o fim... O que meu irmão mais novo devia estar pensando de mim?

Odiava ter sido fraco ao ponto de não conseguir negar o pedido de minhas mães e Sam. Se eu fosse sangue frio como todos imaginavam que eu era, com certeza teria conseguido.

— Lion? Algum problema? – Lyra perguntou com inocência.

— Tirando o fato de ter de morar com um estranho daqui alguns dias? Hum... Não, nenhum. – ironizei.

— É q-que você sequer tocou no seu jantar... – ela falou com receio.

Encarei meu prato cheio de comida, o cheiro estava delicioso e a aparência do rosbife era ótima, porém, me faltava apetite.

— Pelo visto, você não está nem um pouco contente. – Giullia me olhou de soslaio.

Inacreditável!

— O que? Você esperava que eu estivesse feliz?! – cerrei os dentes e punhos.

— Eu me sentiria honrada por estar salvando minha mãe. – Giullia disse cínica.

Bati com as mãos na mesa, fazendo os copos e talhares tremerem, fato que assustou as duas mulheres.

Aquilo não era uma honra, nem um ato heroico, apenas obrigatório.

— Sua cretina! - a fuzilei com o olhar.

— Ei! Tenha mais respeito quando estiver se dirigindo a mim! – Giullia franziu as sobrancelhas e me encarou.

Respeito? RESPEITO?! Essa palavra era desconhecida naquela casa!

— Como posso respeitar alguém que está me vendendo?! Argh! – bufei e inclinei a cabeça para cima.

Em poucos dias, Sam estaria com o contrato em mãos, prontinho para ser assinado. Com isso, eu iria passar a morar com Jun Taylor.

Qual era o retardamento dele? Quem mora com alguém que lhe deu um soco logo no primeiro encontro?!

— ESCUTA AQUI... – Giullia gritou e me apontou o dedo indicador.

De repente, Archie apareceu na porta, ele ainda estava com o uniforme do colégio e carregava uma expressão nervosa no rosto.

Eu estava apostando que ele também se confessaria hétero.

— F-Filho... – Giullia acalmou-se imediatamente.

Era notável que os filhos mais novos eram os preferidos... Quero dizer, apenas o Archie, já que Kian havia se assumido hétero e automaticamente excluído da família.

— Archie, isso são horas para chegar em casa?! – Lyra falou preocupada. – Já até escureceu, meu bem!

— Desculpa... Fui para a casa do Gaab depois do curso e esqueci de avisar... – Archie massageou a nuca e desviou o olhar.

Ele estava inquieto...

— Sem problemas. – Giullia respirou fundo.

— Vá lavar as mãos para jantar, querido. – Lyra sorriu. – Fiz seu prato favorito!

Quis vomitar ao presenciar aquela falsidade.

Olhei para meu irmão e ele olhou para mim, me dando um pequeno sorriso. Não tive coragem de encará-lo por um longo tempo, então logo virei o rosto.

— Ér... Mãe e mãe... – Archie cerrou os dentes e aproximou-se. – Preciso contar uma coisa. – respirou fundo.

Giullia largou seus talheres imediatamente e afundou o rosto nas mãos. Lyra engoliu em seco e encarou seu filho de maneira receosa.

Aquilo ia ser interessante. A família Real cada vez mais em decadência.

— Diga logo o que você fez... Ou o que você é. – Giullia pediu impaciente.

— E-Eu... – Archie apoiou as mãos nas costas da cadeira. – Matei aula h-hoje! – mordeu o lábio inferior.

Ah... Era só isso. Eu esperava por um conflito maior...

Observei minhas mães suspirarem aliviadas e se entreolharem.

Revirei os olhos e comecei a cutucar minha comida com o garfo.

— Por que você fez isso? – Lyra perguntou.

— Ah... Por n-nada especial! Só não estava com vontade de ir ao colégio. – Archie desviou o olhar mais uma vez e sorriu nervosamente.

De cara soube que ele estava mentindo. E ele fazia isso tão mal...

— Você não fará isso novamente, não é, meu bem? – Lyra questionou chateada.

— Não! – Archie levantou a cabeça.

— Fico orgulhosa por você ter decidido nos confessar seu erro. – Giullia tomou um pouco de suco.

Engraçado! Quando eu matei aula nos meus tempos de colégio, a recepção não foi nada amorosa... Foi bem violenta, para falar a verdade.

— O Kian me auxiliou... – ele falou sem graça. – O encontrei em uma cafeteria.

Eu podia pedir por coisa melhor? Dei um sorriso cínico e admirei as faces das duas cretinas. Escutar "Kian" as deixavam horrorizadas.

— Já lhe disse para não ficar perto dele! – Giullia passou o guardanapo por seus lábios, visivelmente irritada.

— M-Mas... Nós somos irmãos... – Archie murmurou. – E ele me aconselhou a fazer o certo, isso não é bom?

— Porém ele é hétero. – Lyra massageou as têmporas.

Eu não ia me intrometer naquela conversa, entretanto, não pude me conter. Larguei meu garfo com raiva e disparei:

— Ah, então a sexualidade dele anula todas as coisas boas que ele faz?! "Oh, meu Deus, ele salvou um bebê de um incêndio! Mas ele é hétero...".

Sério, como elas conseguiam ser tão ridículas? Não ficaria calado naquelas circunstâncias!

Archie me olhou surpreso, geralmente eu não ousava entrar nas discussões, ficava só escutando e guardando as palavras para mim.

— O que deu em você?! – Lyra me fitou espantada.

— Olha, eu não quero nem saber! – Giullia levantou-se. – Archie, sem celular por duas semanas. – ditou.

Archie suspirou frustrado, abaixou os ombros, tirou o celular do bolso e o colocou sobre a mesa.

— Vou ir tomar banho. Estou sem fome. – ele disse baixinho e foi arrastando os pés até o andar de cima.

Levantei-me silenciosamente e me dirigi à porta, sem dar nenhuma explicação. Aquela comida não desceria por minha garganta nem se eu quisesse.

— Sabem de uma coisa? – olhei para trás por cima do ombro. – Fico feliz por estar dando um fora dessa casa! – falei friamente.

☆☆☆

Jun Taylor: Olá, tudo bem? (Você poderia fazer a gentileza de me responder?)

 

— Tsc. Gentileza? Ao menos ele sabe com quem está falando? – revirei os olhos.

Não fiz questão de digitar alguma coisa de volta. Todos os dias ele me mandava inúmeras mensagens e eu não respondia nenhuma delas.

Joguei meu celular em cima de minha cama desarrumada, coloquei as mãos na cintura e olhei ao redor.

Grande parte dos meus pertences já estavam encaixotados, meu guarda-roupa estava escancarado, com cabides espalhados por todo chão e as paredes voltaram a tintura sem graça com a ausência dos pôsteres.

Dentro de mim havia um sentimento ruim. Talvez fosse tristeza. Amava o conforto de meu quarto e ele não existiria em nenhum outro lugar.

Deitei-me na cama, coloquei meus headphones e permiti perde-me entre as músicas e reflexões.

Eu tinha 19 anos, já estava na hora de deixar o ninho, sair de casa fazia parte do amadurecimento.

Sam dizia que era eu quem guardava rancor, mas ela saiu de casa na primeira oportunidade, diferente de mim, que tive muitas outras e não as aproveitei.

Droga! E se... Eu tivesse escolhido ir para uma faculdade em outro país? As coisas seriam diferentes! Não teria de passar por essa situação... Entretanto... Essa “tarefa” seria passada ao Archie, não? Pois ele seria o único filho que ainda estaria morando com nossas mães.

Aquele idiota era tão novo, bobo, ingênuo e medroso... Ele iria sofrer muito nas mãos do Jun Taylor. Não! Isso não! Não deixaria aquele sujeito tocar um único dedo em meu irmão!

Esse pensamento me deixou um tanto alterado, então procurei me acalmar, pois, de qualquer forma, não havia como mudar minhas escolhas do passado. Meu “futuro” já estava traçado.

Odiava aquela fraqueza que fazia meu estômago se embrulhar e meu corpo tremer.

Eu estava preparado psicologicamente para morar com um estranho que só tinha interesse em meu corpo? Com certeza, não. Estaria saindo de uma fria para entrar em uma gelada.

— Que merda de vida. – fechei os olhos com força e afundei o rosto no travesseiro.

☆☆☆

— Não vai se despedir? - Lyra perguntou ao me ver pegar minha última mala.

Mantive-me calado, queria evitar mais discussões desnecessárias.

Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo o cheiro de meu quarto pela última vez. Era a fragrância do meu perfume, extremamente forte.

Ao abrir os olhos só enxerguei uma cama sem lençóis e móveis vazios. Todas as caixas já haviam sido levadas durante a semana. Não restava mais nada...

Ah, quantos dias aquele lugar me isolou do mundo? Todos, eu acho. Ali era a minha fortaleza, um único pedaço do universo que conseguia me passar uma sensação de segurança.

Apertei a alça da mala e cerrei os dentes ao sentir um aperto em meu peito.

Eu não queria ir...

Passei a mão por meus cabelos, os tirando da frente de meus olhos e soltando um longo suspiro.

Estava na hora.

Peguei minha mochila largada no chão e a joguei em meus ombros, seguindo até a porta onde Lyra estava encostada.

— Tchau. – murmurei e passei por ela sem encará-la.

Queria me livrar daquele nó na garganta, daquele ardor nas narinas e daquela água em meus olhos o mais rápido possível.

Andando pelo corredor, passei pelo quarto do Kian cujo a porta estava entre aberta.

Tudo estava no mesmo lugar, ele não havia levado mais do que cabia nas malas.

Ver aquele quarto intocado e sem ninguém... Até parecia que Kian havia morrido.

Lyra me seguiu até o lado de fora, lá estavam Archie, Sam e Giullia.

Minha mãe conversava com minha irmã, ambas encostadas no carro, dividindo um cigarro.

Caso o câncer da Giullia fosse no pulmão ou na garganta (elas não haviam me contado detalhes), eu mesmo a mataria antes da doença.

Archie parecia ansioso e inquieto, seus olhos brilharam ao me ver.

—  Lion! Não me diga que você está mesmo indo embora... – Archie ficou de queixo caído.

Tive de abaixar a cabeça para olhá-lo.

— Quantas vezes terei de dizer que eu não minto? – arqueei uma sobrancelha. Ele nunca aprendia?

— Quantas forem necessárias para que a ficha caía! – Archie tremeu os lábios rosados.

— Não torne as coisas mais difíceis... - desviei o olhar e coloquei as mãos nos bolsos.

Olhar em seus olhos tornava a dor ainda maior.

“ Estava a encarar a barriga de Lyra fazia longos minutos, indignado com a situação.

 – Outro bebê? – fiz biquinho e franzi as sobrancelhas. – Não precisamos de mais um.

— Mas ele vai ser o seu irmãozinho, querido. – ela sorriu e afagou meus cabelos.

— E o que vamos fazer com o Kian? Pensei que ele fosse o irmãozinho. – direcionei meu olhar ao garotinho sentado no colo de Sam. Foi nesse momento em que eu fiquei muito feliz com a ideia de o jogarmos fora.

— Iremos amar os dois incondicionalmente e igualmente. – Lyra acariciou sua barriga. – Você os protegerá, não é, Lion?

— Eu... – arregalei os olhos. Uma tarefa daquelas me sendo entregue?! Ficava entre achar aquilo uma honra e ter medo do peso de tal fardo.

— SAM, VENHA AQUI IMEDIATAMENTE, GAROTA! – Giullia gritou do andar de cima. Ela parecia irritada.

Observei a expressão cansada e apavorada de minha irmã. Ela colocou Kian no cercadinho, suspirou pesadamente e dirigiu-se as escadas.

— Mamãe sempre fica brava do nada... A irmã nunca faz nada! – falei indignado. – Por que você nã...

— Amor, não vamos questionar sua mãe. – Lyra engoliu em seco. Ela sempre foi medrosa e fugia com o rabo entre as pernas todas as vezes. – Venha, me ajude a preparar a mamadeira do Kian. – levantou-se.

Se Lyra tivesse questionado desde aquele dia, teríamos evitado muita coisa.

— Archie, ele mudará de bairro e não de país, não é o fim do mundo. – Sam comentou. – E você não fez esse showzinho quando eu me mudei! – fez biquinho, visivelmente enciumada.

Archie não a respondeu, apenas abaixou a cabeça e cerrou os punhos.

— Baixinho, eu tenho que ir. – coloquei a mão sobre sua cabeça e a forcei para trás, o obrigando a levantá-la para me olhar.

— Você é um idiota! – Archie semicerrou os olhos, deixando algumas lágrimas escorrerem.

Ele conseguiu me surpreender, fazendo até minha expressão se alterar. Archie não havia chorado com a saída de Sam e nem com a partida de Kian, mas estava chorando com minha ida?!

Ele ainda era uma criancinha... A qual eu prometi proteger...

— Eu sei. – dei uma risada abafada e afaguei seus cabelos de modo desajeitado.

Ér... Eu não sabia fazer carinho direito.

Archie se jogou em meus braços, apertando minhas costas e afundando seu rosto em meu peito.

– E-Eu segurá-lo?! – arregalei os olhos quando mamãe sugeriu que eu segurasse Archie no colo pela primeira vez. – D-De jeito nenhum! Ele é tão pequeno que parece que vai quebrar! – engoli em seco.

— Lion, seu irmão não é nenhuma bomba! – Lyra riu de meu nervosismo.

— Não quero! – balancei a cabeça negativamente e mordi o lábio inferior. 

Droga! Ele havia crescido demais para que eu pudesse segurá-lo no colo! Merda... Por que eu estava sentindo essas coisas?

— Precisei ver os três partirem para saber o que deveria fazer em um momento como esse... – Archie murmurou com a voz embargada.

— E o que é? – ainda perplexo, me esforcei para abraçá-lo de volta.

— Dizer uma coisa que não costumo dizer... – ele fungou. – Eu... Eu te amo, irmão! – levantou a cabeça para me fitar.

Aquele pirralho conseguiu me surpreender novamente. A última vez em que ele havia dito aquilo para mim, os dinossauros ainda andavam sobre a Terra.

O encarei um tanto confuso e abalado. Ele estava sorrindo para mim, se divertindo com minha reação.

— Chega de afeto! – o empurrei delicadamente e ri, tentando disfarçar minha surpresa.

— Consegui te deixar boquiaberto! – Archie enxugou seus olhos com as costas da mão e sorriu vitorioso.

— Eu fico boquiaberto com o fato de você ser um animal racional! – debochei e comecei a andar em direção ao veículo.

— Ei! – Archie segurou meu braço. – Eu não te acho fraco. Na verdade, você é bem forte... Fazendo esse sacrifício sabe-se lá para o que! – ele encolheu os ombros.

Ele conseguiu me surpreender pela terceira vez em menos de cinco minutos, o garoto estava se superando.

Senti um calor bom em meu peito e meus lábios quiseram curvar-se em um sorriso sincero.

Virei o rosto para esconder o sorriso bobo e continuei a andar, acenando para meu irmão de costas.

— Estou pronto. – falei confiante, olhando para Sam.

Sam tragou uma última vez e entregou o cigarro para Giullia. Era raro vê-las fumando juntas, aquilo só acontecia durante conversas sérias.

Eu e minha irmã entramos no carro e não fizemos questão de nos despedir de nossas mães.

— TCHAU! – Archie acenou animadamente, sua figura ia diminuindo conforme o carro ia se afastando da calçada de nossa casa.

— Como se sente? – Sam perguntou ajustando os espelhos, ela estava tranquila, dirigindo calmamente.

Estranho.

— Sei lá. – murmurei e virei o rosto para a janela, sentindo a brisa balançar meus cabelos.

— Bem-vindo a liberdade! – Sam riu e ligou o rádio.

Liberdade? Um casamento arranjado não podia ser chamado de liberdade!

Senti meu estômago embrulhar-se, dentre tantos sentimentos... Havia medo. Afinal, eu não conhecia o cara com quem iria morar! Fechei os olhos e engoli em seco.

☆☆☆

Jun Taylor morava na cobertura de um dos prédios mais luxuosos da cidade. Fala sério.

— Eu não quero ir. – cerrei os dentes e travei ao me deparar com uma fonte de água extremamente chique no meio do saguão. Aquilo tudo era um exagero!

— Desde quando você é tão bicho do mato?! – Sam revirou os olhos.

Claro que a madame estava acostumada com tais luxos, afinal, vivia viajando e se instalando nos melhores hotéis! Não importava se a renda da nossa família era boa, eu não convivia naquele tipo de ambiente.

Me sentia completamente desconfortável entre aquelas pessoas entrando e saindo a todo momento... Elas pareciam tão... Importantes e chatas!

Okay... Talvez eu estivesse agindo um pouco como um bicho do mato...

— O contrato foi assinado. – Sam lembrou. – E lá está bem claro que ele não pode lhe tocar sem o seu consentimento. Caso Jun tente algo, você poderá processá-lo. – ela explicou colocando as mãos na cintura.

— Se ele me tocar, eu o mato, simples. – falei sério.

— Antes ele preso do que você, então controle-se! – Sam suspirou pesadamente.

Estávamos em frente ao elevador quando ele se abriu e revelou um cara familiar, entretanto, sem uma bolsa de gelo em sua boca.

Ele nem precisou chegar muito perto para que eu pudesse sentir seu perfume enjoativo.

— Oh, vocês já estão aqui. – Jun sorriu e nos encarou.  

— Olá, Taylor. – Sam sorriu. Sua aura estava assustadora.

— O-Oi... – Jun hesitou.

— Cuide bem do meu irmãozinho, tá?! Lembre-se que eu quase o atropelei, nada me impede de fazer o mesmo contigo. – ela riu “descontraída”.

— Devo levar isso a sério? – Jun arqueou uma sobrancelha. O que? Ele estava duvidando da Sam?!

— Sim. – Sam estalou a língua e me fitou.

— Me salva. – murmurei de dentes cerrados. O desespero ia me consumindo aos poucos, chegando ao ponto de fechar minha garganta e abrir todas as glândulas de suor de meu corpo.

— Estou indo embora, tenho algumas coisas para fazer em casa. – ela colocou seus óculos escuros. – Você se sairá muito bem, lhe garanto! – deu tapinhas “amigáveis” em meu ombro e sorriu otimista.

A única coisa garantida era que eu não queria estar ali.

Ela esperou pelo momento em que Jun não estivesse prestando atenção e sussurrou brevemente:

— Não hesite em ligar para mim! Ou para a polícia, o que achar melhor!

Apenas estralei os dedos como se preparasse as mãos para socar alguém (coisa que era muito propícia a acontecer nas próximas 24 horas). Ela reprovou tal ação e me repreendeu com o olhar.

Sam despediu-se de Jun educadamente e saiu andando, ela conseguia manter um perfeito equilíbrio sobre os saltos meia pata.

Por dentro eu gritava: "ME LEVA JUNTO!", mas por fora eu tentava manter a pose.

— Vamos subir? – Jun sugeriu. Não, jumento, vamos morar no saguão.

Não respondi, apenas andei até o elevador, arrastando minhas malas de rodinha pelo piso de mármore.

— Quer que eu leve alguma? – ele se ofereceu, apertando o botão que nos levaria ao último andar.

Novamente ele não obteve uma resposta de minha parte, segurei as alças firmemente e fechei a cara.

O elevador era todo espelhado, odiava ver minha imagem próxima a daquele sujeito.  O tempo lá dentro parecia levar uma eternidade! Quantos andares aquele lugar tinha?!

Bufei impaciente diversas vezes, atraindo o olhar alheio. Ele suspirou frustrado e passou a mão na nuca, arrepiando os cabelos molhados dali.

☆☆☆

— Bem-vindo ao seu novo lar! – Jun disse ao abrir a porta de madeira maciça.

Meus olhos percorreram o ambiente cujo era iluminado pelos raios de luz que atravessavam o teto de vidro. Havia vários vasos de plantas espalhados, o que fazia o ar se tornar mais fresco e deixava o local mais “verde”.

— Uau... – deixei uma palavra escapar. Estava deslumbrado com o tamanho daquele lugar!

O sofá L era enorme e mesmo assim ainda sobrava espaço na sala, tanto ao ponto de caber um piano branco.

— Venha, irei lhe mostrar seu quarto. – Jun fechou a porta.

— Meu quarto? – arqueei uma sobrancelha.

— Sam exigiu quartos separados. – ele revirou os olhos. – Ela não queria que eu invadisse a sua privacidade. – mostrou a língua em sinal de descontentamento.

Obrigado, Sam!

Ele me levou até "meu quarto". Era um cômodo amplo, com caixas espalhadas pelo chão coberto por um tapete felpudo, havia um guarda-roupa e uma cama de casal.

O cheiro forte que invadia minhas narinas era de tinta fresca. Duas paredes eram cinzas e duas eram pretas.

— A antiga tintura não era muito a sua cara. – Jun encostou-se no batente da porta. – Por isso decidi mudar. Infelizmente, o cheiro ainda não passou... – desviou o olhar.

Entendi as entrelinhas. Canalha! Ele havia feito aquilo de propósito!

— Qual o truque? – franzi as sobrancelhas e o encarei.

— Você terá de dormir comigo essa noite! – Jun sorriu “inocente”.

— Nem a pau! – arregalei os olhos e joguei minhas malas e mochila em cima da cama.

— Prefere morrer sufocado? – Jun arqueou uma sobrancelha e riu cínico.

— A dormir contigo? Sim! – andei até ele, pousei a mão sobre seu peito e o empurrei para fora do cômodo.

Fechei a porta com força, a tranquei e me atirei na cama.

— Isso só pode ser um pesadelo, né? – murmurei sério e fitei o teto fixamente. Somente gostaria de sumir dali...

— LION! Qual é!? – Jun bateu na porta repetidas vezes. – Nos “casaremos” em menos de uma semana, você não pode me evitar!

Em poucos dias, estaríamos indo ao cartório registrar nossa “relação”. Nada de cerimônias emocionantes, bregas ou cheias de frescuras. Apenas a assinatura de alguns papéis.

Suspirei pesadamente, sendo intoxicado pelo cheiro da tinta. Ele não deixava de estar certo...


Notas Finais


Gostaram? Espero que sim, rsrs. Comentem o que acharam (PLEASE ><), isso me deixaria feliz demais e me motivaria MUITO!
UP ou BAN! (brincadeirinha)
Até o próximo capítulo!
Bjs.
—Creeper.


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