História Investigadora Paranormal Sakura - Capítulo 4


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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Meiling Li, Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji
Tags Meiling, Sakura, Syaoran, Tomoyo
Visualizações 42
Palavras 4.172
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico), Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Uma Sombra na Escuridão


Fanfic / Fanfiction Investigadora Paranormal Sakura - Capítulo 4 - Uma Sombra na Escuridão

-Um casamento?- Perguntou Sakura, franzindo o cenho.

-O casamento de um Trueblood- disse Li, mesmo sabendo que talvez aquele nome não significasse coisa alguma para a companheira, então atirou para Natanael um dos convites. O padre os analisou, depois o devolveu. Sakura tinha um em mãos, e o convite era pouco mais do que um papel dourado com um brasão, e não havia nada de especial nele, o brasão da família parecia ter sido queimado sobre a folha- Uma cerimônia importante. Para eles no caso, eu não me importo- sorriu.

-Alguns dos maiores magos dessa região estarão lá- disse Natanael-É um bom lugar para começar a se procurar.

-Não foi convidado, Natanael?- perguntou Sakura- Você é um mago poderoso, não é? Apesar de não ser dessa região, é estranho que nenhum deles tenha reconhecido você como um usuário das artes místicas.

Natanael maneou a cabeça negativamente.

-Não. Os Trueblood não toleram a minha presença- disse ele.

-E o que você fez de tão ruim para eles?- disse Li- Extraviou uma daquelas pinturas estranhas da sala deles?

-Outrora, um de seus parentes morreu pelas minhas mãos- disse Natanael, e o tom de sua voz fez ambos pararem o que estavam fazendo e o olhar- Uma tragédia.

-Entendo. Isso costuma afastar as pessoas- disse Li- É um pouco chato, na verdade.

Natanael ignorou Li, já acostumado com a personalidade do rapaz.

-Durante a guerra?- perguntou Sakura, atirando um pedacinho de papel na direção de Li.

-Foi.

-Então os Trueblood já foram ligados ao livro?- Sakura tocou o lábio com o indicador.

 -Deve ser por isso que estavam tão generosos em ceder ajuda na nossa investigação- disse Li- Talvez queiram nos dizer que já não tem mais nada a ver com isso.

-Um dos Trueblood caiu diante das tentações do livro. O avô de Lucian- Natanael suspirou- E como eu disse, todos aqueles que entraram em contato com o livro tiveram fins terríveis. O de Julian Trueblood foi pelas minhas mãos.

-O que ele desejava fazer?- perguntou Sakura, sentando-se ao lado de Natanael- Digo, o que Julian e seu grupo desejavam fazer com o livro?

Natanael franziu o cenho, então olhou para o chão, como se buscasse as palavras corretas.

-Diga-me, Sakura Kinomoto... Já ouviu falar sobre os Grandes Antigos?

Sakura balançou a cabeça negativamente.

-São antigas criaturas, de poder e aparências inimagináveis. Alguns estão exilados em meio as estrelas, vagando sem rumo, outros estão presos, dormindo, em dimensões que nem mesmo nós magos somos capazes de alcançar- Natanael balançou a cabeça- Sei que eu falando dessa forma, senhorita, torna tudo banal, mas não existe forma melhor de descreve-los. São criaturas tão terríveis e tão antigas que dizem que já viviam antes mesmo da primeira fagulha da vida brilhar em nosso mundo. E o Necronomicon é a porta para a comunicação com essas criaturas. Julian Trueblood foi um bom homem durante boa parte de sua vida, mais poderoso do que qualquer outro mago que eu conheci, mas o que aquele homem tinha de talento, tinha de ambição- as palavras de Natanael ecoavam pela igreja, Li e Sakura estavam parados, prestando atenção a cada palavra- E no meio do grande conflito do século passado, Julian soube sobre um culto de magos e foi atraído por eles e pela sua promessa de poder. Foi nessa época em que ele entrou em contato com o Necronomicon.

-E o que aconteceu?- perguntou Sakura.

-O que ocorre a todos que se envolvem com eles, Julian Trueblood enlouqueceu, os segredos do livro destruíram sua sanidade por completo, corrompendo cada centímetro do homem que ele um dia havia sido. Ele dizia conversar com um dos Grandes Antigos, com uma das entidades chamada de Nyarlathotep, e então ele tentou conjurar uma magia que invocaria uma dessas entidades para nosso mundo. A conjuração, obviamente, cobrava um grande preço: A morte de dezenas de pessoas.

-O que no meio da guerra não era uma coisa difícil de encontrar- disse Sakura.

-Obviamente. Por sorte eu o encontrei a tempo... E acabei com sua loucura. Julian Trueblood e todos que o seguiam caíram, e o livro foi levado por um companheiro meu. Soube que ele morreu alguns anos depois.

-E só restou você- disse Sakura, em um tom meio inquisitório.

-Sim- disse Natanael, e se levantou- Mas essa perspectiva é mais uma maldição do que uma benção.

Li se recordou das palavras de Lucian.

-Por acaso esse ritual foi feito nessa cidade?

Natanael balançou a cabeça afirmativamente.

-Sim, meu rapaz.

-Ou isso foi um palpite impressionante- disse Sakura- Ou você sabe de alguma coisa.

-Lucian me disse uma ou duas frases sobre isso.

Sakura deu de ombros.

-Falando em maldições- disse Li- Onde está aquele seu bichinho?

Sakura arregalou os olhos, as coisas haviam acontecido de uma forma tão rápida que ela mal havia tido tempo de levar Kero com ela, o pior, ela mal havia pensado em Kero durante todo aquele dia.

-Ele estava em minha bolsa- murmurou Sakura.

-E onde está sua bolsa?- perguntou Li, com um meio sorriso no rosto.

-Eu... Esqueci na cafeteria?

-Não sei- disse Li- Me diga você.

-Pois é... Acho que sim.

Li avançou em direção a porta lentamente. Natanael o encarou com curiosidade, havia algo entre aqueles dois na primeira vez em que os havia visto juntos, uma espécie de tristeza, e entretanto, agora havia carinho.

-Só não se esquece da cabeça porque está grudada- disse Li, então olhou por cima do ombro- Vamos, temos que recuperar seu amigo antes que ele devore todo o estoque da cafeteria.

-Ele não faria isso- disse Sakura, correndo para se aprumar a Li.

-Tem certeza?- disse Li- Eu não duvidaria disso.

-Isso não faz sentido, ele poderia simplesmente ter saído da bolsa e me procurado- Sakura balançou a cabeça negativamente- Ele não é assim.

Li olhou para Sakura de repente e notou seus olhos entristecidos. Se preparou para dizer qualquer coisa, mas no instante seguinte Sakura se encolheu, como se tivesse sentido um calafrio.

-Está tudo bem?- perguntou Li.

Sakura balançou a cabeça negativamente.

-Não.

-Ainda é por causa do tiro?

-É claro que não- Sakura sorriu.

-É por minha causa, então.

-Não, Li- Sakura lhe tocou o ombro- Tive um... Mau pressentimento.

-Isso não é uma coisa que você diria- disse Li- Você olharia para mim e diria que tudo ficará bem, ou algo assim.

-Eu diria isso se não estivéssemos atrás de um mago maluco- disse Sakura, e então sorriu- Mas se isso o faz se sentir melhor. Tudo vai ficar bem- e então disse, baixinho- Espero.

 

Sakura se aproximou da cafeteria, ela estava fechada. Era estranho, ainda não era noite, era cerca de seis horas, e apesar de ser inverno, ainda não havia anoitecido totalmente. Sakura tocou a maçaneta, e de súbito, sentiu outro calafrio percorrer o seu corpo. Sakura ativou um encanto simples para destrancar a porta, e quando o fez, pensou que talvez não fosse uma boa ideia.

A porta se abriu em um rangido lamentoso, e a cafeteria estava vazia. Sakura não se recordava se ela estava aberta quando ela e Natanael passaram por ali pela manhã. Havia algo no ar, como se tudo estivesse turvo por vapor de agua. E era difícil ignorar o cheiro ruim que vinha de dentro do estabelecimento.

-Kero...- disse ela, baixinho, e depois mais alto- Kero!

A voz se perdeu no estabelecimento vazio, ecoando como em uma caverna. Por um momento, Sakura ouviu um som vindo dos fundos, como se alguma coisa houvesse sido derrubada. Ela olhou para Li, que estava ao seu lado.

-Está com medo de entrar aí?- brincou ele.

-Tem alguma lá dentro- disse Sakura.

-É o guardião.

-Não é. Não sinto a energia dele, na verdade, não sinto quase nada aqui dentro. Só alguns resquícios de magia.

-É um lugar comum, então- Li também havia sentido, mas nada que denunciasse algo perigoso. Na verdade, depois que Li conversou com Lucian ele havia parado para sentir a energia da cidade, e de fato, havia algo ali que diferia dos outros lugares pelos quais ele já havia passado, haviam resquícios de magia por todos os cantos.

-Pode confiar em mim quando digo que não- Sakura evocou o poder da carta Brilho, e Li observou enquanto toda a escuridão da cafeteria era despedaçada pelos pontos brilhantes. Para Sakura, utilizar aquelas cartas era tão simples quanto respirar, eram parte dela.

A dupla adentrou o estabelecimento, e quando passaram pelo balcão, um cheio podre quase os nocauteou. Li teria vomitado se já não tivesse sentido coisas piores, mas Sakura teve que se esforçar para manter o almoço no estômago.

-Viu o que eu disse?- Sakura se abaixou atrás do balcão, onde alguma coisa chamou a sua atenção. Era um pequeno objeto cilíndrico, ela o apanhou, e quando o trouxe a luz, seus olhos se arregalaram em uma expressão de pânico e ela soltou um grito. Li estava concentrado na escuridão e se assustou com a reação e deixou um palavrão escapar- Ai não...

-Mas que coisa, Sakura!- disse ele, o coração batia forte- O que foi?

Sakura atirou o objeto para longe, e Li fez uma careta ao constatar que era um dedo humano. Ele se abaixou, tentando encontrar alguma outra coisa, mas não encontrou nada. Ouviram um barulho alto novamente, e no instante seguinte Li evocou a espada. A lâmina se desdobrou, brilhando a partir das emanações de magia. Ele se levantou rapidamente, mas Sakura já estava perto da porta dos funcionários e a abriu.

Do outro lado estava um homem, ou o que havia restado de um, deitado sobre uma poça de sangue seco. Várias partes de seu corpo pareciam ter sido arrancadas, lhe faltava uma das pernas, e grande parte do lado direito de seu corpo estava estraçalhada, as tripas esparramadas pelo chão, e o rosto ainda paralisado em uma expressão de terror. Sakura controlou o impulso de gritar, e não foi capaz de olhar por muito tempo. Li se aprumou a ela, e paralisou por alguns segundos ao ver a cena grotesca. Não houve, entretanto, tempo para falar coisa alguma, porque uma figura se ergueu do meio das prateleiras. Era alta, curvada e esguia, e tão escura no meio das sombras que se destacava de uma forma sinistra. A figura gritou, e Sakura percebeu que o rosto dela se alongava de uma forma estranha, como se o maxilar fosse grande demais, e dentes afiados se mostraram quando ele abriu a boca e soltou um urro gutural, que poderia causar pesadelos aos homens mais corajosos.

 Sakura sentiu o coração acelerar, tentou se mover, mas suas pernas não obedeceram. Li parecia tão atônito quanto ela, a espada tremeu em seus dedos por um instante. Medo, Sakura nunca imaginou que Li pudesse sentir algo como aquilo. Durou apenas uma batida de coração, porque no momento seguinte os olhos do companheiro fitaram a criatura com bravura. Sakura sorriu, apesar do que sentia, porque aquele olhar impetuoso lhe trazia uma sensação boa que tudo acabaria bem.

Sakura invocou sua espada, e a criatura olhou para ela. Ela se moveu desajeitada, derrubou uma prateleira e gritou outra vez, Sakura se encolheu instintivamente e puxou Syaoran em sua direção, ambos caíram no chão duro, e a criatura passou tão rapidamente por eles que os teria partido ao meio se houvessem ficado no mesmo lugar. Agora, na luz, os contornos acinzentados dela eram visíveis, a pele escamada, os olhos vermelhos e os dentes afiados como adagas de mármore branco. Sakura nunca havia visto uma criatura como aquela. Tão rápida e tão terrível.

Sakura e Li se ergueram, e como era da natureza do rapaz, Li atacou, a espada do guerreiro avançou em uma estocada mal sucedida, e ele foi arremessado para o lado por uma braçada da criatura. Li voou por cima do balcão e caiu no meio das mesas, atingindo uma com tanta força que a partiu ao meio. A criatura se preparou para avançar sobre Li uma ultima vez, mas Sakura foi mais rápida, e o atacou.

Havia sido um impulso de coragem e medo pela segurança do companheiro, mas Sakura alcançou o monstro antes que ele pudesse sair do lugar. A sua espada mágica desceu, rápida e certeira como um relâmpago, mas ao mesmo tempo com graciosidade, e atravessou o corpo do monstro sem a menor resistência. O fio assoviou pelo percurso, deixando um raio dourado enquanto decepava o membro da criatura. O monstro recuou, e Sakura o perfurou na altura do estômago, o fazendo se curvar, vendo a chance, Sakura o cortou mais uma dezena de vezes, tentando encontrar algum ponto vital, mas seus golpes não fizeram nada além de corta-lo superficialmente, e a criatura a atingiu com o coto do braço, a arremessando para trás.

O monstro se elevou sobre Sakura para desferir um ultimo golpe, e seus olhos vermelhos brilhavam como joias infernais, mas no instante seguinte a porta da frente da cafeteria explodiu quando uma outra grande criatura passou por ela, tão brilhante que sobrepujou a luz da carta de Sakura, e por um momento todo o estabelecimento se iluminou, como se o próprio sol estivesse lá dentro. O monstro gritou em desafio, e seu corpanzil foi arremessado para trás quando o novo combatente se atirou em sua direção, rápido e violento, e atravessaram a parede. Sakura se ergueu rapidamente e correu na direção de Li, o ajudando a se erguer, para então se aproximarem pelo buraco na parede enquanto Cerberus prendia a criatura contra o chão e o mordia no outro braço. A criatura gritou de dor, e então um som desprezível ecoou pela cafeteria quando o braço do monstro foi quebrado. Indefesa e imobilizada pelo peso do adversário, a criatura nada pôde fazer quando Cerberus abriu a boca e a obliterou no chão com uma rajada de fogo.

Sakura arregalou os olhos quando viu Cerberus se erguer da pilha de cinzas que a parte superior da criatura havia se transformado. Fazia muito tempo que ela não o via naquela forma magnifica: O corpo do felino era uma montanha de músculos, coberto por um espeço pelo dourado, a armadura brilhava em serpentes douradas, tocadas pela própria luz que ele emanava, enquanto as asas se moviam desajeitadamente, as penas brancas estavam manchadas de sangue e os olhos dourados ardiam contra a escuridão como duas estrelas.   

-Não devia estar aqui- disse ele, sua voz ecoou pelo silêncio, ativa e poderosa- Sakura.

Li se afastou lentamente do buraco, e até mesmo ele tinha certo respeito pelo guardião em sua forma mais nobre. Cerberus dirigiu um olhar solidário a ele quando percebeu que o seu braço direito estava enlambuzado de sangue.

-Tudo bem- Li sorriu e olhou para o outro cômodo, o corpo da criatura se convertia lentamente em uma poça cinzenta enquanto as chamas mágicas de Cerberus morriam- ...O que aconteceu aqui?

-É um Ghoul- disse Cerberus, andando graciosamente para fora da sala, saltou pelo rombo da parede e ficou em cima do balcão- Ou costumava ser.

Ghoul. Sakura já havia ouvido histórias sobre tais criaturas, referencias a elas em mitologias e literaturas, mas nunca imaginou que veria uma delas tão de perto, tampouco imaginou que poderiam existir de fato, ela suspirou de alivio ao ver o guardião, porque aqueles dias estavam se tornando cada vez piores e era uma benção ter aliados tão poderosos.

-Que bom que está bem- disse ela, abraçando o grande animal, sem se importar com ele estar cheio de sangue- Me desculpe por tê-lo esquecido- apesar de tudo, o corpo de Cerberus era quente e confortável de se abraçar. O grande animal deu um equivalente felino a um sorriso, e então baixou o rosto, para aproxima-lo do de Sakura.

 -Um Ghoul- Li franziu o cenho e se encostou na parede, tentando mascarar a dor- Não são criaturas que podemos encontrar com tanta facilidade. Tampouco são hostis... Olhe o que ele fez ao pobre homem.

-Pareceu bem hostil para mim- disse Sakura.

-Eles são repugnantes, mas não são violentos, tampouco matam indiscriminadamente. Natanael me contou histórias sobre eles, e de como alguns até mesmo tem amizades com alguns seres humanos...

-Não são violentos- disse Cerberus- Mas nas circunstancias certas podem ser. Com certeza estava sob o controle de alguém, e foi atraído até aqui.

-Até uma cafeteria?

-O ultimo lugar onde vocês dois estiveram juntos ontem. Depois disso não fui capaz de senti-los, ele também não, provavelmente. E por isso ficou aqui, uma vez que eles não gostam da luz do sol.

Li balançou a cabeça negativamente, então se afastou dos dois e tocou o braço, tentando fazer uma sutura. O Ghoul havia cravado as garras em seu corpo.

-Afinal de contas, guardião... O que ficou fazendo a noite toda?

-Comendo- disse ele- Planejava encontrar Sakura, mas não fui capaz de sentir a energia dela pela noite, então fiquei aqui, esperando que ela viesse me buscar. Senti uma grande emanação de energia na floresta, talvez algum resquício de encantamento de sua ultima inimiga, e fui investigar. O Ghoul esperou até que eu saísse para atacar, aparentemente, são criaturas espertas... Matou o dono do estabelecimento quando ele estava se preparando para abrir.

-E vamos fingir que acreditamos que o monstro teve medo de um bichinho de pelúcia- disse Li- Ou talvez ele soubesse o que você é.

-Estávamos na igreja de Natanael- disse Sakura, tentando perceber alguma reação da parte de Kero- É um lugar encantado, por isso não me sentiu, tampouco eu senti você.

-Quem é Natanael?- perguntou Cerberus.

-Um padre- respondeu Sakura. Cerberus fez uma expressão confusa.

-Disse que ele estava sendo controlado- Li franziu o cenho- Como sabe disso?

-Resquícios de magia- disse Cerberus.

Sakura olhou para o que havia restado da criatura, mas tudo agora estava manchado pelas chamas de Cerberus, entretanto, mesmo tendo sentido alguma coisa quando entrou, não era de nenhuma forma algo originado daquele monstro, era estranho que uma criatura que não pertencia ao mundo dos homens não ter nenhum traço de magia que ela pudesse reconhecer.

-Mesmo assim é estranho, Ghouls não se aventuram tão perto das cidades para serem capturados por feitiços.

-Deve ter sido invocado- sugeriu Sakura.

-É uma possibilidade- disse Cerberus.

-Seria uma coincidência?- Li sorriu de soslaio- Alguém invocar uma criatura dessas justo agora que estamos aqui?

-Não- respondeu Cerberus- Provavelmente não.

 

 

-Aquilo foi assustador- disse Li, enquanto escolhia um dos ternos de Natanael. O homem era maior do que ele, mas nada que um pouco de magia não fosse capaz de resolver- Odeio admitir, mas seu bichinho de pelúcia chegou em boa hora.

-Fomos pegos de surpresa - Sakura balançou a cabeça negativamente- Eu acho que eu devia ter sido um pouco mais cuidadosa, eu senti algo estranho lá.

-Não se acuse, eu também senti e entrei do mesmo jeito, e se você não tivesse me empurrado eu teria sido partido ao meio, e nada lá dentro acusava a existência de uma criatura como aquela- Li a olhou- Estamos quites.

-É. Acho que sim.

-Você foi incrível com aquela espada- disse Li.

-Você também foi- disse Sakura- Quando enfrentou aquela mulher.

-Ataquei de surpresa, não dei tempo para ela reagir, mas você enfrentou aquele monstro de frente, elegante e graciosa como é- ao perceber o olhar encabulado de Sakura, continuou- Natanael é bem elegante para um padre, não acha?

-Acho ele estranho. Algo nele me parece errado.

-Como o que?- Li estava de costas, e quando terminou de vestir o terno estalou os dedos. O pano se moldou perfeitamente ao seu corpo, e a roupa ficou do tamanho correto- Como o fato dele provavelmente ter idade para ser o avô de nossos avôs e continuar impecavelmente bem arrumado? Ou o fato dele usar tanto gel no cabelo que ele fica tão duro quanto aço?

-Ele só é estranho- disse Sakura- Não tenho como explicar o que sinto- sorriu- Eu só... Sinto.

-Ele não fez nada que merecesse minha desconfiança- disse Li. Apesar de que havia aprendido no passado a nunca duvidar da intuição de Sakura.

-Para mim também não- anuiu, enquanto observava o vestido escuro que Natanael havia lhe comprado. Era estranho sorrir depois do que havia acabado de ver. A policia averiguaria o assassinato cruel, mas em uma cidade como aquela, aquele seria apenas mais um crime não solucionado. Assim como todos os desaparecimentos, pensou- Ele me contou sobre o tempo dele na guerra. E agora nos contou sobre o tal do Julian, e imagino que as coisas tenham sido muito mais pesadas e cruéis do que o que ele relata.

-Ele não gosta de falar sobre esse assunto- disse Li- E eu não costumo perguntar. Ele também não gosta de falar muito sobre o Necronomicon, eu acho estranho que ele esteja tão aberto ao dialogo com você- Li balançou a cabeça, todos estavam abertos a conversar com Sakura, fazia parte da natureza dela. Sorriu- Grandes Antigos...

-Sabe alguma coisa sobre eles?

-Não muito- respondeu- Sei tanto quanto você.

Sakura olhou para Li, então franziu o cenho quando ele se virou.

-O que foi? Estou bonito demais?

-Você já vestiu um terno antes?- perguntou Sakura.

-É claro que não- Li balançou a cabeça negativamente e depois se olhou no espelho- Não sei nem mesmo dar um nó nessa gravata.

Sakura sorriu, lembrando-se de como Li não se importava tanto com a aparência e aquilo não havia mudado. Li era uma pessoa de aparência simples, e talvez aquilo o tornasse alguém tão atraente.

-Eu ajudo você- disse Sakura, então se aproximou dele e tocou o braço ferido. Sakura havia tentado cura-lo, mas por algum motivo o corte feito pela garra do Ghoul não respondia a sua magia.

-Me desculpe- disse Li, de uma forma que Sakura não sabia direito qual o motivo dele estar se desculpando.

-Não se preocupe- disse ela, dando um nó perfeito na gravata, então percebeu que a camisa de Syaoran estava abotoada de forma errada, os três últimos botões estavam trocados. Aquele era um erro quase infantil, e Sakura se perguntou se Li estaria realmente levado aquilo a sério. Ela o tocou no peito para desabotoa-la, e de súbito sentiu Li vacilar.

-Não precisa ter medo de mim- disse ela, de uma forma divertida- Eu não mordo. Não sou um monstro.

-Não é o que seu irmão diria- Li sorriu, e Sakura baixou o olhar. O corpo de Li estava próximo ao seu, e ela conseguia sentir o cheiro suave das roupas limpas de Natanael, assim como era capaz de sentir a respiração quente de Li, e sentir como os músculos do rapaz eram fortes, ela odiou a si mesma por ter gostado daquela sensação, tentava afastar aquele tipo de pensamento desde que o havia visto pela primeira vez, o que quer que tivessem tido um dia já havia acabado, soterrado pelas areias do tempo, não havia motivos para se sentir atraído por ele outra vez. Para Li as coisas não eram diferentes, ele sentia o perfume de Sakura, e a proximidade com o corpo dela fazia seu coração acelerar. Ele se perguntou por um momento se ela era capaz de senti-lo, ou mesmo ouvi-lo. 

-Deixe que eu faço isso- Li se afastou um passo e arrumou a camisa, desviou o olhar de Sakura. Mas no instante seguinte ela já estava sobre ele novamente, desamarrotando o terno e colocando um relógio dourado em seu pulso- Você entende bastante desse negócio de Moda- disse ele.

-Convivi com Tomoyo por bastante tempo. Tive que aprender algumas coisas.

-E como ela está?

-A Tomoyo?

-Sim.

-Ela está bem- respondeu Sakura- Todos estão.

-Menos nós dois- disse Li- Olhe no lugar onde nos metemos.

-Eu não quis arrasta-la ainda mais para esse mundo cruel da magia- disse Sakura- Apesar dela querer se atirar nele de cabeça às vezes. Tive que implorar para que ela não viesse comigo nessa viagem.

-Acha esse mundo cruel?

-É- disse Sakura- A magia era divertida quando éramos crianças... Mas ela é perigosa, vejo isso agora que estou mais velha- tocou o próprio ombro- Tenho saudade do tempo onde tudo era mais simples.

Sakura se afastou de Li, e então começou a arrumar os cabelos. Estavam um pouco mais longos do que ela gostaria.

- O que achou?- ela perguntou, virando-se em um movimento gracioso, e Li percebeu que o que a tornava mais bonita não era o vestido, tampouco os adereços em seu cabelo, mas sim o sorriso que havia estampado em seu rosto, que lhe dizia que tudo ficaria bem, e que o mundo era belo, apesar de toda escuridão que os cercava.

-Acho que tenho sorte por você ser meu par- ele olhou a si mesmo no espelho- Precisamos nos apressar. A cerimônia logo começa. E temos que ir a pé... E o lugar é longe daqui.

Sakura pensou no Ghoul, e em como aqueles dois dias haviam sido perigosos, e de como estar naquela cidade deixava seu coração inquieto. Necronomicon, Grandes Antigos. Aquelas palavras não lhe diziam muita coisa, mas eram ameaçadoras.

Nyarlathotep. O nome ecoava em sua mente.

-Eu tenho a carta Alada- disse Sakura, mostrando-a a Li- Nunca estou muito longe de coisa alguma. 


Notas Finais


-A referência de Ghoul vem de uma adaptação do conto de Lovecraft ''Pickman's Model''


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