1. Spirit Fanfics >
  2. Invisible String (solangelo) >
  3. Aquele dos respectivos inicíos.

História Invisible String (solangelo) - Capítulo 2


Escrita por: soulangelo

Capítulo 2 - Aquele dos respectivos inicíos.


 

(Will Solace)

 

Meu pai nunca mudava.

 

Dependendo da situação isso podia significar muitas coisas. Podia ser engraçado, vergonhoso ou até mesmo inconveniente.

É óbvio que ele apareceria de óculos escuros mesmo o aeroporto sendo um lugar fechado. E é óbvio que ele atrairia muitos olhares por onde estivesse passando, porque ele tinha uma espécie de energia chamativa. E um metro e oitenta.

Bem, ele foi um músico bem famoso nos anos 90, tinha diversos livros de poesia circulando pelo mercado e era dono de um dos maiores hospitais do país. Então sim, meu pai era um rosto deveras conhecido.

 

Tudo era sempre a mesma coisa. Ele me abraçava, bagunçava o meu cabelo (essa parte eu odiava) e dizia o quanto eu tinha crescido desde a última vez. Eu sorria e dizia que tinha sentido saudades. Ele elogiava minha aparência (enfatizando o quanto eu o lembrava de si mesmo quando tinha minha idade), dizia que eu provavelmente estava "arrasando o coração de muitas garotas" (e nesses momentos eu só dava um sorriso torto e envergonhado), e passava o resto do caminho me atualizando de como foram as coisas no começo do ano.

E é óbvio que ele tinha a casa mais chamativa do bairro também.

 

Em um bairro só de grandes casas brancas, a dele era pintada de um amarelo chamativo, com colunas na frente que se assemelhavam às que eu via em templos gregos nos livros de história Diversos girassóis decorando o ambiente, os quais eu realmente apreciava. Uma placa próxima de onde estacionava o carro com o nome dele, Apolo, em letras maiúsculas junto com uma foto. Dele mesmo.

— Bem vindo de volta, filho. — Ele disse assim que sai do carro, vindo em minha direção e colocando o braço ao redor dos meus ombros. Meu olhos estavam quase fechados porque meus olhos chegavam a doer quando a luz do sol refletia na casa em nossa frente. Mas mesmo assim eu sorri novamente, com uma familiar sensação de conforto..

 

O interior da casa também nunca mudava. Eram três andares muito bem iluminados e decorados. E a escada que levava o segundo andar, onde tinham os quartos, possuía a parede em que era grudada cheia de fotografias. Do meu pai, óbvio. Dele com sua irmã gêmea - que eu não via muito, só sabia que ela tinha uma espécie de internato só para garotas em um canto da cidade, onde também morava. Minhas, de meu meio-irmão e minha meio-irmã e de nós três junto de meu pai.

Meu quarto ficava entre os de Austin e Kayla, e éramos todos irmãos por parte de pai apenas. Costumava os ver nesse período, e tinha que perguntar se eles estariam por aqui algum dia desse ano também. Sentia falta deles, e gostava de ter irmãos, mesmo que nosso contato fosse resumido em algumas semanas dentro de um longo ano.

 

Coloquei minhas malas ao lado da porta, abri a janela e deixei que o ar da cidade grande trouxesse o quarto de volta à vida. Eu precisava fazer uma faxina o quanto antes. Precisava ligar para a minha mãe também. Me joguei na cama sentindo grande parte do cansaço em meu corpo se esvair e fechei os olhos por um momento, até a voz de meu pai me chamar para o andar de baixo novamente.

 

Por mais que tudo ao meu redor fosse o mesmo, sabia que esse verão e tudo que viria após ele não seria de todo comum. Pelo menos não para mim.


 

(Nico Di Angelo)


 

Em duas horas dentro do carro, é bem fácil de descobrir quem é o queridinho do papai. 


 

Mas tudo bem, eu já estava acostumado com a música sendo controlada pela Hazel toda vez. Pelo menos ganhei hambúrguer.

Por mais que eu tivesse passado a noite quase que totalmente em claro, era difícil dormir com Queen estourando em meus ouvidos, e com Perséfone, minha madrasta, tentando fazer com que incentivássemos Frank (que costumava vir conosco nessa viagem) a falar mantendo algum assunto, sendo que ele era verdadeiramente, extremamente, tímido.

Mas poderia ser pior. Leo poderia ter vindo junto.

E não que eu não gostasse do Frank, porque de verdade, eu gostava. Também, ele era o tipo de pessoa que buscava abrigo para qualquer animal abandonado que visse na rua. Era impossível não gostar dele.

 

Nossa famigerada casa na praia era localizada perto da de Piper e Percy, mas perto do tipo quase vizinhas, coincidentemente separadas por apenas uma, que abrigavam gerações de famílias todo verão. Era tão perto da praia que era possível ver o mar das janelas de trás, justamente da área que não era frequentada por turistas. A minha favorita. A tranquilidade era tanta que parecia se espalhar pelo ar. Quando não conseguia dormir, costumava ficar sentado de frente para a janela do quarto a observando. Isso quando não arriscava ir dar uma volta. 

Isso me lembrava de quando minha psicóloga tinha dito que minha atração por lugares vazios era grande parte por meu medo de julgamentos e dificuldade de aceitação vinda de mim mesmo. Eu achei aquilo uma grande besteira, como toda pessoa que prefere ignorar o que vem de dentro de si. Mas naqueles momentos, aquelas palavras tinham um sentido surreal.


 

— Nico. — Ouvi uma batida na porta e sai de meu transe. Uma fresta se abriu e Hazel colocou sua cabeça para dentro do quarto. — Eu e Frank vamos andar na praia, — sinalizou com a cabeça o lugar em que minha atenção estava focada segundos antes — quer vir também?

Considerei por um segundo mas acenei negativamente com a cabeça.

— Vou outro dia, eu 'tô morrendo de sono. — Ela riu fraco e assentiu com a cabeça. Seu olhar se demorou um pouco em mim antes dela sair e fechar a porta. Hazel tentava. Ela sempre tentou.

Fui até a mochila que estava comigo dentro do carro, onde tinham livros que eu precisava ler para escola e que eu costumava aproveitar meu intervalos no trabalho para antecipar. Os coloquei na escrivaninha, e só aí percebi que por engano um livro meu estava junto deles.

 

Não qualquer livro. Um dos meus favoritos. A canção de Aquiles.

 

O peguei e me sentei na minha cama, me perguntando como ele estava ali se sempre o deixava em minha escrivaninha. Talvez culpa do furacão Percy, Piper e Jason. Quando o abri, um pequeno papel escorregou por entre as folhas e acabou caindo no chão. Fui o recolher percebi que era uma foto, que eu nem ao menos lembrava de ter colocado ali. Eu, aos cinco anos se não me engano, sorrindo ao lado de uma garota que não era Hazel. Soltei a foto automaticamente como se ela queimasse meus dedos. Sentia algo como uma pressão estranha em meus ouvidos.

 

De repente foi como se o ar do quarto não fosse suficiente para mim. Então saí e fui atrás de Hazel, porque ir à praia com ela e Frank não parecia mais uma péssima ideia.

 


Notas Finais


Erros e repetições serão corrigidos na revisão!


Se cuidem e bebam água.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...