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História Invisível Aos Olhos (Mandy) (RoadTrip) - Capítulo 1


Escrita por: e Mikandy


Capítulo 1 - Hora Ruim Com A Pessoa Certa - Primeiro Encontro


Fanfic / Fanfiction Invisível Aos Olhos (Mandy) (RoadTrip) - Capítulo 1 - Hora Ruim Com A Pessoa Certa - Primeiro Encontro

MIKEY AND ANDY

Quando Michael Cobban estava prestes a se formar no colegial, beirando seus dezenove anos, preparando-se para entrar na Academia West Virginia University se depara com um enorme abismo e, naquele momento, em que não havia mais amigos ou pais para o ajuda-lo a retirar aquela ideia mirabolante de sua cabeça na qual o obrigava a duvidar de sua própria sexualidade, um novo aluno, Andrew Fowler, um garoto de dezenove anos, com um pouco mais de 1,65m de altura, um rosto proporcional, incríveis e profundos olhos azuis, mais misterioso do que deveria e que esconde indescritíveis segredos, matricula-se no meio do ano em seu colégio e, ao contrário do que todos pensam, Michael se interessou profundamente pelo garoto solitário. Talvez não tenha sido uma boa escolha. Ou talvez sim.

=��=

            DIA 07 DE FEVEREIRO

            Para Mikey nada no que se dizia respeito àquele colégio era novidade, –já que passou sua vida inteira estudando ali –, mas ainda assim a esperança em seu peito de que um dia algo diferente poderia acontecer, ou até mesmo o lanche da cantina se tornar algo não tão gosmento e nauseante –tanto para sua visão e olfato, quanto para seu estômago – ainda lhe parecia uma opção a se reconsiderar.

            –Hey, Mikey! –os olhos esverdeados do garoto rolaram pelo pátio, até encontrar seus amigos, que saltaram-se sobre o moreno, e Mikey se viu obrigado a sorrir, fazendo um high fight assim que teve a chance de se distanciar e respirar.

            –Você sumiu. Chegamos a pensar que tinha se distanciado de nós por causa da nossa última brincadeira. –Mikey balançou a cabeça negativamente, retirando a mão do amigo que ficou sobre seu ombro.

            –Tive que viajar pra casa do meu pai e vocês sabem como são as coisas lá. –arqueou as sobrancelhas, dando de ombros. Seus amigos apenas aceitaram o fato de que obviamente ele não queria tratar sobre esse assunto e continuaram a conversar sobre coisas desinteressantes para o garoto moreno.

            Antes que ouvissem o sinal da sirene ecoar por todo colégio, indicando que todos os alunos deveriam seguir para suas respectivas salas, os olhos esverdeados do protagonista pairaram sobre um garoto encostado em uma árvore, sentado no jardim. Seu rosto era escondido pelos fios de cabelos louros e seus olhos rolavam rapidamente pelo caderno em seu colo, enquanto suas mãos ágeis escreviam alguma coisa indecifrável nas folhas amareladas daquele pequeno sketchbook, com letras cursivas, e Mikey sentiu sua curiosidade ser estimulada ainda mais, contudo foi arrastado pelos corredores por seus colegas de turma.

            A aula correu normalmente e, na saída, quando todos estavam no estacionamento, prestes à ir para suas casas, Mikey e seus amigos decidiram sair para comemorar à voltas as aulas. –O que vocês acham de darmos uma passada naquele prédio abandonado? –indagou Henry, esperando a resposta final dos integrantes do grupo.

            –Não vejo problema. –responderam por final e o Cobban se viu obrigado a perguntar sobre o novo aluno que chegara no meio do ano letivo.

            –Hey, vocês conhecem aquele garoto que estava sentado no jardim agora há pouco? –um silêncio constrangedor se instalou entre eles– Ah, bem... –Jack riu nervoso, esfregando repetidamente sua nuca– Ele é novo no colégio. Passa a maior parte do tempo sozinho, mas às vezes ele almoça com alguns integrantes do grupo de teatro. Acho que se chama Andrew, mas não te aconselho há se envolver com ele, ele não parece ser muito sociável e todos o acham estranho.

            –Hum, entendi. Obrigado. –agradeceu, desviando seu olhar para árvore.

=��=

–Isso não é proibido? –Mikey perguntou pela décima vez antes de pular o portão para chegar ao lado de dentro do prédio. Suas paredes estavam descascadas e repletas por pichações, algo não muito comum para o país no qual moravam, mas aquilo não pareceu realmente chamar muito a atenção de Cobban.

–Deus, Mikey, desde quando se preocupa com regras? Pule logo essa merda antes que eu vá aí e te puxe pelas bolas. –Mikey mordeu o canto interno da bochecha, ignorando o último comentário e pulou, falhando na hora de aterrissar. Sua perna se entrelaçou com a outra e por um milésimo de segundo o canto externo de seu rosto foi cortado pela mandíbula de ferro do portão.

–Aish! Porra! –gemeu, sentindo o sangue escorrer por seu pescoço. Todo o som ao seu redor pareceu ficar abafado e as risadas cessaram. Mikey simplesmente terminou sua escalada mirabolante no portão e sentiu o olhar de um dos integrantes do grupo sobre si, sequer deu atenção. Seu corte parecia perfurar muito mais do que só a carne de seu rosto, e um gosto de ferro ácido percorreu sua língua.

Já era noite e a escuridão consumia cada vez mais aquele prédio e os garotos se viram obrigados a ligar as lanternas de seus celulares. As pichações descoradas nas velhas paredes descascadas transformavam o prédio em um lugar ainda mais assustador, talvez um pouco aconchegante, mas assustador. Quando finalmente chegaram no último andar, após muita caminhada e muitas escadarias, eles se sentaram no chão empoeirado do velho saguão e tiraram alguns objetos de suas mochilas, contendo dois narguilés, algumas garrafas de bebidas baratas, algumas folhas e o principal, suas ervas e cocaína.

–Aqui. –Brooklyn entregou à Mikey um cigarro feito de maconha e o moreno apenas o segurou com a ponta dos dedos, balançando sua cabeça em agradecimento. Levou o baseado aos lábios e tragou, sentindo sua mente nublada.

–Vocês não vão acreditar no que aconteceu. –Harry começou– Comi a professora de inglês britânico. Precisava de nota e ela me pareceu bem à vontade em fazer isso comigo e me dar a nota de graça e, sinceramente, foi uma das minhas melhores transas. Já tive melhores, mas ela era muito gostosa e... –Cobban simplesmente aconchegou-se mais à parede velha, observando o teto em pedaços e sua mente viajou para longe daquela conversa e daquelas pessoas. Ele sabia que não deveria estar ali, com aqueles garotos que diziam ser seus amigos, tampouco estar burlando o horário de recolher de sua casa para usar drogas, mas toda aquela merda estava enchendo sua cabeça e sentir sua consciência voar para longe de tudo aquilo lhe parecia a melhor coisa a se fazer naquele momento.

–Mas que merda...?! –Jack olhou em volta, chamando a atenção de todos ali. Brook correu até o parapeito e pôde ver alguns carros de policiais e o som da sirene invadindo seus tímpanos a cada segundo.

–Caralho! Todo mundo se fodeu! –Harry se manifestou, se levantando bruscamente, guardando apenas as drogas na mochila, deixando de lado o narguilé e suas essências.

–Vamos logo, Mikey! –Jack puxou o garoto pela manga do blusão e o viu finalmente voltar à realidade.

–Deixe ele, Jack! Ele está drogado demais, porra. –o Wyatt tentou puxá-lo pelo colarinho, mas foi empurrado.

–Não vou deixar ele aqui! Pode ir se quiser. –ralhou. Seus olhos explanavam ódio.

–Olha a cara dele, inferno. A polícia está chegando e se não sairmos agora vamos ser presos, ouviu bem?! Todo mundo já está lá fora, vamos logo! –Jack pareceu refletir por longos dez segundos e então se virou, largando o garoto moreno, que se levantou escorado na parede.

–Tsk! –olhou de relance para o amigo, que sentia suas pernas fracas e a força de seu corpo longe dali– Me desculpe, Mikey. –pediu, abaixando o olhar e foi puxando por Brooklyn.

–Mas que merda. –olhou em volta, ouvindo alguns sons agudos invadirem seus ouvidos e sentiu seu corpo seu puxado para um meio-fio. Suas costas se chocaram na parede e seus olhos passearam pelo pequeno corpo em frente ao seu. Sua cabeça estava confusa e sua consciência oscilou entre o imaginário e a realidade.

-–Sh, eles não irão nos ver se fizer silêncio. –sons de passos foram ouvidos no andar de baixo e os olhos do moreno se arregalaram um pouco– Merda, eles já estão vindo. Faça silêncio. –com o restante de sua sanidade, Mikey tentou se soltar, entretanto teve o outro corpo ainda mais prensado contra o seu. Dedos gélidos e longos tamparam sua boca e de relance apertaram sua ferida, obrigando o Cobban a gemer alto, colocando suas mãos na cintura do garoto de cabelos dourados, iluminados pela luz da lua, obrigando-o a escorregar, atraindo a atenção dos policiais para o andar de cima. Mikey, em um movimento rápido puxou a cintura do garoto novamente para si e, como aquelas cenas clichês que todo telespectador adora ver, seus lábios se encontraram com os gélidos e pálidos do garoto de gritantes olhos azuis. Nada daquilo parecia realmente real.

–Quem tá aí?! –gritou um homem alto, jogando a luz de sua lanterna para o meio-fio. O loiro aproximou-se mais do homem alto à sua frente.

–Me largue. –murmurou o de olhos azuis, tentando tirar as grandes mãos de Mikey de sua cintura. Mikey não sabe como ou o porquê, mas obteve suas costas longe da parede e trocou as posições, afastando-se ainda mais do menino. Sim, aquele momento seria único. Precisava confirmar se o que realmente o fazia duvidar de sua sexualidade era real. Em um ato rápido, selou seus lábios aos do pequeno novamente, vendo-o relutar.

“Até parece que isso vai funcionar comigo. Sou dez vezes mais forte que ele, posso facilmente quebra-lo no meio.”, por um momento, a mente de Mikey imaginou cenas realmente impuras ao se fazer naquele meio-fio, onde ninguém os escutariam ou até mesmo os veriam.

–Merda, esse lugar me dá arrepios! Tenho realmente medo de quem morava aqui. –o policial se virou, saindo dali a passos rápidos. Quando os garotos ouviram as conversas diminuírem foi aí que se soltaram.

–Mas que porra?! –os olhos azuis do menino brilharam e suas pupilas se dilataram– Que merda você fez?! –onde olhos azuis observou de relance para o local abaixo de sua cintura e quis pular daquele prédio naquele mesmo momento. Agradeceu à Deus e ao Diabo por estar escuro o suficiente para que aquele menino -imbecil o suficiente- não ver nada.

–Deus... –Mikey bagunçou seus cabelos, esfregando seus olhos repetidamente– Me desculpe, eu sinto muito. –sua voz estava embargada e sua sanidade foi dar uma caminhada por aí, e só voltou no momento em que viu os olhos profundos do garoto marejando.

–Por isso eu odeio homens. –a voz quebrada do garoto loiro invadiu os ouvidos de Mikey.

–Quê? Espera, como assim? –antes que rapaz pudesse sair dali e correr para longe de Cobban seu braço foi puxado, obrigando-o a olhá-lo mais de perto.

–Céus. –sorriu irônico dando de ombros– Não me use pra satisfazer suas necessidades, seu pervertido. –Mikey nesse exato instante caiu em si e sentiu todo seu rosto esquentar– Eu odeio vocês, caras que só usam as pessoas e tiram suas próprias conclusões da vida. Não me coloque nesse joguinho, garoto. Não sou mais uma de suas putas. –seu sorriso se desfez– Seu estúpido. Da próxima vez encontre outra pessoas pra tirar sua dúvida sobre sua sexualidade. –os olhos de Mikey praticamente saíram para fora e ele se viu na obrigação de negar inúmeras vezes– O quê? Então eu realmente estava certo? Deus, eu não imaginei! –uma risada escapou de seus lábios e aquilo foi absurdamente lindo aos ouvidos de Cobban. Era aguda e estridente e seu sorriso era contagiante.

–Não é verdade! –Mikey agradeceu mentalmente por não ter gaguejado e fez uma nota mental de treinar em frente ao espelho para evitar futuros constrangimentos.

–Apenas finja que nada aconteceu. –virou-se, olhando-o de canto– E trate de cuidar do seu machucado antes que infeccione, Cobban. –retirou algo de seu bolso e jogou para o garoto de olhos esverdeados.

–Mas, espera... –ele se virou e saiu de lá, pulando de janela em janela antes que fosse visto– Que diabos... –Mikey olhou para o objeto em suas mãos e começou a rir. Havia ali uma cartela com uns dez curativos e por algum motivo seu coração acelerou e sentiu seu corpo esquentar ao olhar aquela cartela, como se fosse reconfortado. É, talvez tenha valido a pena quebrar as regras e pular aquele portão.



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