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História Invisível Aos Olhos (Mandy) (RoadTrip) - Capítulo 2


Escrita por: e Mikandy


Notas do Autor


Espero que gostem.

Amo vocês cariños <3

Capítulo 2 - Dívidas e Segredos


Fanfic / Fanfiction Invisível Aos Olhos (Mandy) (RoadTrip) - Capítulo 2 - Dívidas e Segredos

NO DIA SEGUINTE

–Ugh... Deus, que merda... –Mikey abriu seus olhos e sentiu sua retina queimar graças à luz do sol estridente que entrava pela fresta da janela amadeirada de seu quarto. Seus olhos rolaram pelo cômodo após finalmente se acostumar com a luz, e por míseros segundos sentiu uma paz interior que não lhe cabia.

–Puta merda, cadê meu celular? –ainda sentindo que sua cabeça pularia para fora, Mikey começou a revirar o quarto de ponta-cabeça e o desespero aumentava a cada móvel e objeto no qual procurava e não encontrava seu aparelho.

–Porra! Fodeu!

–Mikey? –olhou para a porta de seu quarto entreaberta mostrando uma garotinha de seis anos com seu coelhinho rosa, no qual havia sido nomeado de “coiso”. ­

–Oh, bom dia meu amor. –o irmão mais velho sorriu, recebendo a irmã de braços abertos. A pequena garotinha se aconchegou nos braços do irmão, sentindo um cheiro estranhamente forte de cigarro e drogas, mas sendo somente uma criança, não deu atenção.

–Por que está fazendo tanto barulho assim pela manhã? Não passa das cinco ainda. –ela esfregou seus olhos com a costa da mão, sentindo o sono toma-la. Mikey se amaldiçoou por tirar uma criança tão inocente de seus doces sonhos e tratou de depositar inúmeros beijinhos em sua testa.

–Você viu meu celular, Ari? –a pequena balançou a cabeça negando. Mikey suspirou, sorrindo– Certo, obrigado meu anjo. Agora vá dormir. –a criança caminhou até a porta, olhando de relance para o irmão e somente seguiu até o quarto que dividia com sua mãe.

–Deus, onde ele foi parar? –o Cobban respirou fundo passando a mão sobre seus cabelos– Vamos lá, lembre-se... –olhou para o relógio e viu que ainda era cedo. Não teria muito tempo, mas conseguiria encontrar seu celular antes do início das aulas e não se importaria em perder o primeiro tempo– Estou fedendo a cigarro e maconha. –Mikey caminhou até o banheiro e trancou a porta de madeira velha.

Se despiu rapidamente sentindo a gélida brisa invadir o pequeno cômodo, qual não via uma reforma há anos, e sentiu seus pelos arquearem-se. Por algum motivo essa brisa fria lhe trouxe uma sensação de déjà vu. Sua mente pairou por alguns segundos e Mikey se obrigou a dispersar aqueles pensamentos e ligar a água do chuveiro. Água gelada? Nem pensar. Naquela manhã a cidade estava estranhamente fria e Cobban sentia que algo daria errado.

Quando se enfiou debaixo do chuveiro e sentiu a água morna escorrer sobre seu corpo sentiu seus músculos relaxarem e todo o suor e resquício da noite passada ser levado junto às gotículas que caíam consideravelmente. Ao menos era o que Mikey achava, quando de repente um par de olhos azuis inundaram sua mente e tudo ao seu redor pareceu parar. O ar fugiu de seu pulmão e a mão de Mikey se moveu automaticamente até seus lábios, esfregando-os. Sim, ele tinha a total certeza e as lembranças vivas em sua mente de que tinha beijado um cara incrivelmente bonito e com um corpo excitantemente gostoso, e ele havia gostado de tudo aquilo. Ele havia gostado de como o garoto, menor que ele, o prensava na parede e o dominava, de como o garoto o olhava profunda e insanamente e de como seus lábios avermelhados e ressecados lhe pareceram a obra-prima mais bonita que se poderia existir.

–Céus, eu sou um puta safado... –seus olhos rolaram até seu membro que pedia por atenção, e Cobban não hesitou em apenas tocá-lo com a ponta dos dedos. Um arrepio percorreu toda a sua espinha e a vontade de se masturbar em plenas quatro e quarenta da manhã surgiu. Sim, Mikey tinha consciência de que aquilo era errado, mas completamente prazeroso, e precisava fazer isso.

Seus dedos passearam por sua glande e a rodearam, causando leves espasmos no corpo bronzeado do garoto, que começou leves movimentos de vai e vem com a imagem do loiro em sua cabeça. Seus olhos estavam nublados e vez ou outra reviravam quando Mikey se lembrava da risada aguda e estridente no qual consumiu seus ouvidos e o sorriso largo contagiante do menino, o qual nem sabia seu nome.

–Céus... –revirou os olhos, aumentando a velocidade. O pré-gozo escorreu por toda sua extensão e por algum motivo apenas se masturbar ainda não era o suficiente para Mikey. Ele precisava de mais. Sua entrada pedia por mais, e no calor do momento Cobban não hesitou em levar seus dedos ao ânus e esfrega-los em sua entrada. Com sua mão direita acelerou seus movimentos e com sua outra mão enfiou um de seus dedos, sentindo sua entrada apertada. Jamais sentira prazer tão grande, ainda que desconfortável. A água se misturando com seu gozo e toda aquela cena tão imprópria apenas o fez pensar em como o garoto loiro seria de cama e como seria sentir seu membro, visivelmente grande, dentro de si. Esse pensamento tão impuro o fez gozar e gemer baixo com sua voz rouca.

–Merda... –levou sua mão à boca e arregalou os olhos, sentindo sua sanidade -que havia dado uma volta noite passada- voltar por completo com pedras e paus para lhe julgar e atacar– Eu realmente fiz isso e gostei. Puta que pariu. –sua consciência pesou e um sentimento abominador consumiu sua cabeça, obrigando-o a passar longos dez minutos sentados no chão do banheiro tendo uma crise existencial e refletindo sobre a merda que havia feito enquanto pensava em um completo estranho. Okay, agora ele tinha certeza, ele era gay.

=��=

Michael forçava sua mente na tentativa de lembrar-se do caminho que levava até o prédio abandonado, qual tinha inúmeras lembranças sobre a noite anterior, mas nada daquilo parecia realmente fazer algum sentido e algumas partes do caminho ainda estavam confusas e perdidas em sua cabeça.

–Ei! Volta aqui, inferno! –o garoto de cabelos tingidos se virou, vendo –por coincidência, ou não–, o mesmo rapaz da noite passada e sentiu o ar fugir de seus pulmões. Não sabia como iria agir perto dele agora que todas as lembranças do ocasionado da manhã pulsaram em sua mente.

–Pega ele, porra! –o garoto de cabelos loiros saltou um carro com uma indescritível agilidade. Suas pernas ultrapassaram o portão e em segundos o garoto estava dentro do prédio novamente, sendo seguido por três caras que teriam pouco mais de 1.90m de altura.

–Sai da frente, caralho. –um dos caras empurrou Mikey, que deu dois passos para trás, sem saber ao certo o que deveria fazer. Tudo aquilo parecia tão clichê que sua vontade agora era voltar para casa, se deitar e esquecer de tudo que havia feito na última noite. Ok, talvez aquele sentimento no banheiro de que algo daria errado em seu dia fosse isso, mas por mais que seu consciente dissesse para que Mikey voltasse para casa e fingisse que nada aconteceu, seu coração insistia em o mandar entrar naquele prédio, e ele sabia que algo poderia dar muito errado, mas sinceramente, ele não passava de um adolescente –talvez não mais– que apenas sabia fazer coisas erradas.

Mikey viu os altos e fortes homens pularem o portão e seguirem o menino, que corria desesperadamente. Seus olhos pediam por ajuda, e Cobban teria visto isso assim que seus olhos se encontraram antes que o menino pudesse pular.

–Foda-se. –foi a única palavra que saiu de seus lábios antes que corresse para dentro do lugar abandonado, sentindo seu coração acelerar a cada passo que dava para mais perto do rapaz. Mikey começou a subir os degraus das escadas velhas de dois em dois e não se importou com o som rangido que estava fazendo ou se estava atraindo alguma atenção de alguma possível pessoa por ali.

–Pegamos você, pequena criatura. –disse um dos homens e se aproximou do garoto pequeno. Um alto som de chutes foi ouvido, obrigando Mikey a correr ainda mais rápido. –Deus, isso não vai dar certo... –disse antes de respirar. Seu peito subia e descia, sua boca entreaberta e o suor escorrendo pelo canto de seu rosto denunciavam o desespero do garoto para chegar até o menino loiro.

–Você não passa de uma puta, não é verdade? –outro soco foi desferido no rosto do garoto– Talvez você realmente goste daquilo, não é? –Cobban colou-se na mureta, evitando fazer algum barulho.

–Onde está o dinheiro que nosso chefe pediu? –o menino nada respondeu, e teve outro chute desferido em seu rosto como agradecimento– Me responda, porra!

–E-Eu já falei que não tenho dinheiro agora! Pedi mais algumas semanas pra tentar arranjar algo. –sua voz rouca invadiu os ouvidos de Mikey e por um momento sentiu seu membro latejar.

–Não, Mikey, não é hora pra se pensar nisso. –disse para si mesmo e tampou sua boca, ouvindo o próprio eco.

–Quem tá aí?! –gritou, começando a andar na direção da mureta no qual Mikey se encontrava. O garoto de cabelos tingidos não sabia mais o que fazer e na situação que se encontrava podia apenas orar. Ele fechou seus olhos com força e sentiu seu cabelo ser puxado, obrigando-o a olha-lo para o homem com o rosto cansado, com olhos caídos e uma cicatriz abaixo do olho esquerdo.

–Ora, ora, ora... se não temos aqui uma princesinha. –um sorriso repulsivo se formou em seus lábios e Mikey se sentiu arrependido por ter colocado os pés naquele prédio.

–N-Não é bem assim, s-senhor! –certo, o Cobban havia se esquecido de sua nota mental e não havia treinado em frente ao espelho pra não passar futuros constrangimentos como esse.

–Cala a boca garoto. –o homem o levou até o menino com os cabelos dourados e o jogou no chão. Os olhos esverdeados de Mikey rolaram até o rapaz à sua frente, com seus joelhos forçados contra o chão e os braços sendo segurados por um dos homens. Seu olho direito estava inchado e o canto de sua boca sangrava. Suas roupas estavam completamente imundas e seu cabelo sujo por uma camada de pó.

–Já que temos mais um telespectador por aqui, que tal nos divertirmos de uma outra forma. –o homem mais velho retirou de seu bolso uma faca e caminhou até o de olhos azuis, agachando-se à sua frente.

–Hey, Week, não precisa disso! O chefe nos disse pra mantê-lo vivo!

–Nós vamos mantê-lo vivo, mas vamos nos divertir um pouquinho. –sorriu, tapeando o rosto do loiro– Não é, pequeno Fowler. –a faca passou lentamente pelo rosto do garoto, nomeado como Fowler, fazendo ali um profundo e pequeno corte. Um gemido de dor saiu dentre seus lábios e Mikey arregalou os olhos, tentando se levantar, mas foi empurrado para baixo de novo por um homem não tão velho.

–Fique aí e aprecie nossa arte. –sussurrou no ouvido do moreno, vendo-o estremecer.

–Droga, isso dói! Me largue! –o Fowler se remexeu, sentindo a faca perfurar ainda mais seu rosto– Eu já disse que vou arrumar o dinheiro, agora pare! –implorou, sentindo as dolorosas lágrimas escorrerem por seu rosto.

–Aish, você fala demais. Cala a boca, inferno! –gritou, segurando seu rosto, enfiando-o no imundo chão com velhas madeiras do prédio. As farpas começaram a entrar assim que o rosto do menino loiro foi colado no chão, o homem velho o virou de costas, tendo uma visão ampla de todas as suas curvas e abaixou sua calça, rasgando sua camisa.

–Não. Não, não, não! Me largue! Não! –Fowler observou o Cobban intensamente, vendo-o com os olhos arregalados– Não façam isso! Por favor, não! Eu vou arrumar o dinheiro, por favor! –ele abaixou seu rosto, sentindo suas mãos serem imobilizadas com um pano– Cobban, por favor, me ajude! Por favor! –implorou com a voz embargada e baixa o suficiente para que apenas o moreno entendesse.

Mikey sentia seu corpo imóvel, não podia deixar isso acontecer, mas a adrenalina que corria por seu sangue enquanto subia as escadas pareceu sumir e naquele momento nada em sua cabeça parecia se encaixar.

–Cala a boca, caralho! –o homem largou do menino de cabelos tingidos e começou a chutar inúmeras partes do corpo do loiro, e isso incluía genuinamente sua cabeça.

–E aí, o que acha? Você gosta disso, não é, garoto? –o homem não tão velho perguntou para o Cobban, que o olhou de canto, sentindo sua consciência voltar. Sim, o menino de ontem, que havia o ajudado antes que entrasse em uma situação desagradável, agora estava ali, jogado no chão sendo violado e apanhando de caras três vezes maior que ele, enquanto Mikey apenas o olhava. Não, ele não deixaria aquilo acontecer. Não queria que aquilo acontecesse.

–Vocês vão para o inferno. –sua mão rodeou o pulso do homem e o puxou, jogando-o no chão, longe dos homens. Mikey não hesitou em chutar sua cabeça repetidas vezes até desacordar o cara, enquanto desviava dos outros homens. Talvez uma rasteira fosse o melhor a se fazer, mas naquela situação a chance de desacordar mais um dos homens era pouca.

–Mas que porra...?! –o homem saiu de cima de Fowler e partiu pra cima de Mikey, mas foi parado pelo loiro, que puxou seu pé, vendo-o cair de cara no chão. Um som de quebrado ecoou pelo local, mas aquilo realmente não importou para ninguém. Mikey pegou o último homem começou uma intrigante luta, contudo ainda estava na vantagem, mas se surpreendeu ao ver um pedaço de madeira ser cravado em sua cabeça e o menino loiro cair no chão, assustado consigo mesmo.

–Droga, o que eu fiz? –sua voz era rouca e fraca, e grossas lágrimas escorriam por seu rosto, misturando-se com o sangue vermelho vívido.

–Eu não sei o porquê desses caras virem atrás de você, mas agora precisamos sair daqui. –Mikey estendeu sua mão e olhou para o garoto– Eu estava aqui ontem, se lembra de mim? –a feição surpresa e os olhos arregalados denunciaram que as peças haviam finalmente se encaixado na mente do Fowler.

–O que demônios está fazendo aqui?! –expressou, sentindo o corte em seu rosto arder, fazendo-o soltar um gemido fraco de dor.

–Vim buscar meu celular, mas isso não me parece tão importante agora. Vamos, antes que esses imbecis acordem novamente, Fowler. –o garoto de olhos azuis balançou a cabeça, assentindo e levou sua mão ao encontro da pálida do moreno. Eles começaram a descer as escadas com pressa.

–E-Espera! –o de olhos azuis parou subitamente soltando sua mão da do moreno– E-Eu estou s-sem... –seu rosto demonstrava o desconforto em estar vestindo apenas uma calça jeans preta desgastada, rasgada e imunda– E-Eu não posso sair assim...

–Ah, sim. –Mikey não pareceu parar pra pensar e apenas tirou seu blusão azul marinho, e lhe entregou– Está frio lá fora, e você pode pegar um resfriado. –sorriu abertamente, vendo o menino loiro arregalar os olhos, sorrindo de canto.

–Pra onde está me levando?

–Olha o seu estado, tenho certeza que sua mãe te mataria se te visse nessa situação. Vamos pra minha casa. –ainda relutante, Fowler pensou duas, três, quatro vezes antes de concordar olhando profundamente nos olhos esverdeados do rapaz.

–Certo.

=��=

–Deus, Michael! Como pôde trazer um estranho aqui pra casa?! Você enlouqueceu?! –a mãe com os cabelos tingidos de preto gritava com seu filho enquanto o garoto apenas olhava para seus pés com as mãos sobre a cocha, e naquele momento o tapete empoeirado de seu quarto lhe pareceu a coisa mais interessante do universo. A mãe parou por um segundo, abaixando-se à frente do amado– Me diga, querido, ele está te forçando a fazer isso? Aqueles seus amigos gângsteres te obrigaram a comprar drogas e agora você não tem como pagar e decidiu ajudar esse traficante? –dizia com a voz baixa, como se estivesse contando um segredo ou escondendo algo.

–Quê?! Deus, mãe, não! Como tem coragem de pensar isso? –seus olhos se fixaram nos da progenitora, que suspirou– Eu já disse, ele é um amigo da escola. –Mikey olhou para o relógio na cômoda e suspirou. Já havia perdido o primeiro tempo e seria mais fácil ficar em casa.

–Hãã... –uma voz foi ouvida e automaticamente os olhos de Michael e sua mãe pairaram sobre Fowler com uma calça moletom e uma camiseta manga longa de Mikey, que o deixava absurdamente fofo– Eu sequei o banheiro e passei um pano, se está tão desconfiada pode conferir se não tem nada faltando. –a mulher riu nervosa, se desculpando e saindo do quarto rapidamente, dizendo que traria um lanche.

O menino de cabelos loiros, -agora molhados e reluzentes à luz da manhã-, se sentou ao lado de Cobban, sentindo seus olhos pesarem.

–Me desculpe pela minha mãe. Ela é sempre assim quando alguém diferente entra em casa. –riu, bagunçando os próprios cabelos. O menino não esboçou emoção alguma e seu olhar era vazio.

–Obrigado. –aquela curta palavra saiu dentre seus lábios e Mikey sentiu seu coração acelerar– Se você não estivesse lá, eu provavelmente seria... –ele esfregou seus olhos e forçou sua garganta– Bem, obrigado de qualquer forma. –sorriu tímido, vendo as pupilas dos olhos esverdeados dilatarem.

–Ah, imagina. –riu nervoso, pegando a caixa de primeiros socorros– Venha cá, vamos cuidar disso. Está bem feio. –a mão bronzeada tocou o rosto pálido do rapaz ainda “desconhecido” e em um ato automático ele se distanciou– Ah, me desculpe... –Cobban mordeu o lábio, aproximando-se lentamente do loiro, que pareceu ceder.

–Hum, bem... qual seu nome? –perguntou Cobban– Sou Michael Cobban, mas me chame de Mikey.

–Andrew, Andrew Fowler. Por que estava ontem no prédio com seus amigos?

–Eles queriam fumar e tudo mais, você sabe. –Andrew mordeu o lábio, afastando-se bruscamente assim que a água oxigenada foi aplicada em seu corte– Desculpe, precisamos desinfeccionar.

–Mesmo se eu fizer isso todos os dias, isso ainda vai doer. –riu fraco, olhando intensamente nos olhos esverdeados do colega. Mikey sentiu o olhar sobre si, mas não sabia como disfarçar o quão incomodado estava, e preferiu simplesmente forçar sua garganta, tirando a cartela de curativos da gaveta da cômoda.

–Uou, você guardou os curativos? Pensei que teria jogado fora já que ganhou isso de um completo estranho. –Mikey sorriu e moveu seu olhar até o menino.

–Sim, um estranho que eu beijei. –aquela frase, -que obviamente constrangeu Andrew-, invadiu sua mente mais rápido do que poderia pensar e um silêncio desconfortável se formou entre eles– Ah, bem... –a situação de Mikey era delicada– Me desculpe por isso. –sorriu fraco– Enfim, você estuda na mesma escola que eu, não é? Por que se mudou no meio do ano?

–Eu tive alguns problemas no meu antigo colégio e tive que vir para cá. –explicou, balançando as mãos, mas Mikey ainda tinha perguntas a serem feitas.

–Você mora com sua família? –certo, Mikey cutucou bem na ferida, mas Andy tentou não se deixar levar pelas emoções e o responde-lo com naturalidade, ou frieza, se preferir.

–Eu moro sozinho. –respondeu curto, sentindo os dedos quentes do moreno tocarem sua face. Mikey deu de ombros, encerrando o assunto e levou um pano com água morna ao rosto do rapaz, limpando o sangue seco que havia ali. Os olhos indigentes de Andy passearam pelo rosto pálido de Michael e pousaram em sua boca, observando os lábios rachados, porém extremamente avermelhados– Deus, o que fizeram com você? –a mente do garotos de olhos azuis não estava mais onde naturalmente deveria estar e Mikey viu sua distração e sorriu, obrigando-o a olhar para seus olhos. O ar fugiu de seu pulmão e arrepios percorreram seu corpo.

Cobban deixou uma risada genuína escapar de seus lábios e deixou o pano com sangue de lado, levando um curativo à ferida, cobrindo-a por completo. Suas mãos seguraram seu rosto em um ato rápido, fazendo com que ambos os olhos se encontrassem, trocando olhares intensos. A adrenalina correu pelo sangue de ambos os garotos e, Deus, aquilo era tão clichê, mas tão emocionante para seus pequenos coraçõezinhos.

–Mikey? –a senhora de olhos jabuticaba, tão pretos quanto a noite, adentrou o quarto e olhou para Andrew, que naquele momento não se parecia com um drogado, tampouco um traficante e sim, um garoto comum de dezenove anos.

–AH! M-mãe! A s-senhora chegou! –Andrew abaixou a cabeça, levando sua mão à testa, balançando o rosto em negação.

–Hum, sim. –sua voz era irônica e seus olhos analisavam astutamente toda a cena ao seu redor. Andrew quis se pronunciar. –Ah, senhora Cobban, obrigado por ter me recebido e ter me ajudado. Seu filho é muito bom com curativos, não conseguiria fazer isso sozinho. –o Fowler abriu seu maior e melhor sorriso e riu tímido.

–Oh, digamos que Mikey já teve muitas experiências com machucados. –após deixar a bandeja sobre a escrivaninha a senhora cruzou os braços, arqueando uma das sobrancelhas e sorriu olhando indiferentemente para o filho– Não é mesmo, querido?

–A senhora fala como se eu tivesse me machucado a vida toda. Você nem estava ali pra se preocupar de qualquer forma. –desafiou, sorrindo de canto.

–Diga isso pro seu pai que te deixava jogado no chão com o joelho arrebentado. Quem tinha que te levar ao hospital ainda de madrugada era eu, então cuidado com o que diz. –moveu seus olhos até o garoto loiro– Não trate sua mãe da mesma forma que esse troço me trata.

–Eu não tenho mãe. –riu nervoso, tentando desviar do assunto. A mãe do moreno pareceu um tanto quanto surpresa com a revelação e pigarreou, colocando uma mecha de cabelo atrás de sua orelha– Mas pra todos os casos, já estou avisado. –sorriu e olhou a futura sogra intensamente. Não que aquela ideia estivesse realmente passando em sua mente, mas para nós, escritoras e telespectadores, qualquer abertura já é uma chance.

–Eu vou descer e trate de levar sua irmã no parquinho por algumas horas, se precisarem de mim, não me liguem e nem me mandem mensagem. Mikey, já sabe. –olhou para o filho com um olhar de repreensão– Sem bebidas e sem drogas, ouviu bem? –Mikey suspirou, atento às inúmeras recomendações que a mãe começara a lhes passar – E você, senhor... Fowler? –o menino balançou a cabeça positivamente– Sem brincadeiras de mau gosto. Meu filho não tem tanta consciência nem responsabilidade quanto você, então dois adolescentes juntos provavelmente não seria uma boa coisa. Estou confiando em vocês. Se seu pai ligar, Mikey, diga que não quero falar com ele e mande ele ir para o inferno encher o saco do diabo.

–Deus, mãe. –Mikey riu e viu a senhora mais velha retribuir, olhando de relance para Andrew, que olhava para os próprios pés– Hey, Andrew. –chamou e teve os intensos olhos azuis sobre si– Esqueça o que eu disse sobre você mais cedo. Nunca deixe que te digam que você não é especial, poucas pessoas têm o brilho que vejo nos seus olhos. –e com aquela curta frase a senhora saiu balançando seus cabelos e desceu até a cozinha, se lembrando de dar o último aviso– Leve Andrew junto com você! E não deixe que Ariel coloque fogo no parquinho! –Andrew soltou uma risada fraca, mas contagiante, e novamente Mikey ficou maravilhado, pois conseguiu ver detalhes específicos que não conseguira ver noite passada. Suas covinhas e seus dentes um pouquinho tortos. Céus, aquilo, aquele sorriso, era o paraíso.

–Então... –Mikey pigarreou pegando os lanches sobre a escrivaninha e olhou para Andrew– Vamos comigo? Precisava conversar com você. –Andy parou para pensar um pouco– Quer dizer, haha, você é novo na cidade de qualquer forma e talvez possamos ser amigos, não é? –o loiro respirou fundo e se levantou, aproximando-se do moreno e o olhando nos olhos.

–Sim, vamos.



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