História Invocando Lembranças - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Aventura, Bruxas, Fantasia, Romance
Visualizações 6
Palavras 1.756
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capitulo 01


As manhãs de volta às aulas nunca foram as preferidas de Liz. Este ano, no entanto, estava pior.

A cantina parecia um perfeito pandemônio em sua visão. A chuva impedia que as mesas do lado de fora fossem usadas, o que resultou na superlotação do lugar. Era praticamente impossível que fossem dados dois passos sem esbarrar em alguém.

Liz bufou irritada. Não havia tido uma boa noite de sono, fato que vem acontecendo à alguns dias. O barulho das conversas e a falta de espaço á irritavam, não gostava de multidões, nunca gostou. Tudo o que queria era pegar seu café e quem sabe, com sorte, achar alguma mesa vaga.

Depois de quase meia hora tentando achar uma mesa mais afastada de toda a bagunça - Liz se sentou quase na porta que dava acesso ao lado de fora. O lugar era mais frio, por isso poucas pessoas se sentiam confortáveis em se acomodar lá. O dia não estava muito receptivo ao calor, afinal.

Acomodou-se como pôde, levando o caneca de café até seus lábios. O calor transmitido através do recipiente aquecia seus dedos tanto quanto aquecia seu interior. Sentindo o gosto doce-amargo, Liz conseguiu realmente relaxar em meio toda aquela algazarra. Era como se, por um milésimo de segundo, ela se sentisse um pouco mais de paz; de vida. O calor que a preenchia era a única coisa que Elizabeth, em todos os seus dezesseis anos, não consegue ficar sem - o café.

_ Bom dia, viciada.

A voz inconfundível de Stela preencheu os ouvidos de Liz, fazendo-a despertar de seu próprio mundo e encarar a loura que se sentava à sua frente.

_ " Bom", - soltou a caneca na mesa e fez o movimento de aspas com os dedos - só se for 'pra você.

_ Credo, Liz. Que mau-humor.

Stela torceu o rosto em uma falsa careta chateada. Quando não obteve nada mais que um revirar de olhos da morena, sorriu. O mau-humor matinal de Elizabeth indicava que estava tudo bem, ao menos, por enquanto.

A cantina, aos poucos, foi esvaziando quando o sinal soou. Liz seguiu em rumo ao segundo andar, onde ficavam as salas do segundo anos, junto à Stela. A diferença entre as duas era gritante, como se fossem feitas para ser o oposto de cada uma - e realmente eram. Stela, sendo loira de olhos azuis tão claros quanto o céu e seu sorriso, era a personificação do próprio Sol. Stela irradiava alegria e calor por onde andava. Elizabeth, por outro lado, não era alta e nem tão extrovertida quanto Stela. Enquanto a loira era conhecida por seu jeito alegre, Elizabeth era a dona de uma beleza meio mórbida. Não era cheia de sorrisos, nem mesmo gostava de estar incluída em tantos círculos sociais. Era dona de um sorriso lindo- que poucos tinham a sorte de ver -, cabelos tão negros quanto à própria noite e olhos cinza, tempestuosos, que contrastavam com a pele um pouco mais bronzeada que a de Stella - que era branca igual papel.

_ Mesma sala esse ano? - Stela indagava enquanto procurava por algo em sua bolsa. Liz respondeu com um "uhum" logo após conferir a lista e se direcionar até a sala. - Achei! Quer um ?

Liz meneou a cabeça enquanto se sentava na penúltima carteira da janela, pegando o chiclete logo em seguida. Stela se sentou ao seu lado e começou a tagarelar sobre qualquer assunto que Elizabeth não fez questão de prestar atenção. Não por maldade, normalmente prestava toda a atenção que podia na amiga. Mas, hoje não. Hoje não era um bom dia.

Fechou os olhos e aos poucos foi tentando acalmar à própria mente. Estava inquieta, e não gostava disso. Sentia algo estranho, não sabia o que, mas algo a incomodava. Um pressentimento, só não sabia se era bom ou ruim.

Ouviu a porta se fechar em um só estrondo e todos os burburinhos foram interrompidos. Abriu os olhos e deu de cara com a Professora de Arte, a senhora Connor. Uma velhinha adorável, na sua opinião - Usava sempre um coque alto e roupas largas, as quais estavam sempre sujas de tinta.

_ Bom dia, turma! - A voz doce da velhinha soou na sala, e em questão de segundos, toda a sala respondeu em coro. Não tinha como não gostar dela.

A aula seguiu tranquila durante os dois primeiros horários. Uma das poucas coisas que Liz e Stela partilhavam, eram o interesse pelos mitos - sendo este o tema da matéria por todo o semestre, a senhora Connor fez questão de passar, aos olhos de Liz, um dos melhores trabalhos possíveis. Stela, mesmo tendo um grande interesse na matéria, não pôde deixar de prestar atenção no novato da turma, que havia sentando bem atrás de Elizabeth e esta, não fora capaz de notar.

A primeira coisa que notara foi os olhos puxados, a segunda, os cabelos coloridos. Um asiático andando pelo colégio já era algo que não se via todo dia. Mas, um asiático de cabelos coloridos, menos ainda.

Era bonito, Stela admitia. Não negaria a si mesma que havia se interessado no rapaz.

Quando os olhos puxados do garoto se voltaram para si, a loira voltou seus olhos para frente. Estava envergonhada, fora pega no flagra. Odiava quando era pega de surpresa. Focou o resto de sua atenção nas aulas que se seguiram e assim que o sinal tocou, anunciando o almoço, carregou Elizabeth da sala às pressas.

_ Eu hein, ficou maluca ? - Liz indagou assim que chegaram ao refeitório, enquanto massageava o pulso dolorido.- Esquece, isso você já é. - Stela riu e Elizabeth revirou os olhos novamente, em seguida, soltou um riso leve - Vai procurar uma mesa, eu vou pegar comida primeiro.

_ Mas... Por quê eu ? - A loura torceu a boca formando beicinho.

Elizabeth riu e puxou uma das bochechas da amiga.

_ Porque você já me arrastou até aqui feito uma maluca. Agora, vai. Anda, eu não quero ficar sem mesa.

Enquanto Stela se pôs a procurar uma mesa, Liz se enfiou no meio da fila. Seu estômago parecia querer devorar a si mesmo.

Se tem uma coisa que Elizabeth odeia mais do que a cantina pela manhã, é a cantina durante o almoço. O Lugar lembrava, vagamente, uma selva cheia de animais famintos. Quando finalmente conseguiu sair da tormenta, com duas bandejas em mãos, começou a andar pelo refeitório procurando por Stela.

_ Você é um anjo, sabia? - O tom brincalhão na voz de Stella, fez com que um sorriso se manifestasse no rosto de Elizabeth. Stela era completamente pirada, mas ainda sim era sua melhor amiga. Sua única amiga, aliás.

_ Só por ter trago comida? - Retrucou divertida enquanto levava o garfo até a boca.

_ Claro! - Stela riu- e uma guerreira também. Deus me livre daquela fila.

Elizabeth riu concordando com a mais velha. Realmente, não foi nada fácil encarar toda aquela bagunça.

_ Já sabe sobre o que vai fazer o trabalho? - A morena indagou bebericando seu suco.

A loira, por sua vez, pareceu pensar por um minuto ou dois.

_ Que trabalho,Liz ? - Perguntou por fim, franzindo a testa em sinal de confusão.

_ É sério? - Indagou desacreditada enquanto deixava o copo, já vazio, em cima da mesa.

Stela apenas maneou a cabeça em sinal de afirmação.

_ O trabalho sobre os mitos, da senhora Connor. - Disse por fim.

_ Ah,é verdade! - a loura bateu a mão na própria testa- Ainda não, e você?

_ Não sei, também. - recostou-se na cadeira e suspirou - Acho que vou passar na biblioteca mais tarde.

_ É uma boa ideia. - Stela concordou por fim.

Elizabeth se levantou no mesmo momento em que o sinal tocou.

_ Onde vai?

_ Andar um pouco.

_ Mas, está chovendo. - Retrucou a loira.

_ Não tem problema. - Respondeu a morena, que apenas balançou a cabeça em sinal de despedida e em seguida desapareceu na multidão.

Elizabeth nunca fora de sentir muito frio. Por isso, adorava quando o inverno chegava e a quadra ficava desocupada.

Subiu alguns degraus e colocou seu fones. A chuva já não passava de uma garoa fina, cuja qual, o teto a impedia de passar - servindo de abrigo para Liz.

Fechou seus olhos e tudo o que pode sentir, além do vento que batia contra seu corpo embalado em duas camadas de moletons, foi calma. Quando estava quase adormecendo, ouviu passos pesados perto de si. Abriu os olhos e se deparou com um menino à poucos metros de distância, alguns degraus abaixo de si.

A primeira coisa que notara,assim como Stella, fora os olhos puxados que a encarava profundamente. A segunda, o cabelo, que na opinião de Liz, eram lindos. Um misto de rosa com Lilás sem igual.

_ Me desculpe, eu não sabia que tinha gente aqui. - o rapaz se pronunciou. Sua voz era grave tanto quanto melodiosa. O mesmo, fez menção de dar a volta e sair.

_ Não tem problema - sorriu sem mostrar os dentes-, pode ficar. Se quiser.

O rapaz assentiu e subiu alguns degraus parando e se sentando ao lado de Elizabeth, que apenas o fitou sem dizer nada.

O silêncio perdurou por quase meia hora. Elizabeth, que por um segundo lutou consigo mesma para não enfiar seu rosto no pescoço do asiático, se encontrava extremamente sem graça quando o mesmo prendeu seus olhos no dela ao vê-la encarando-o pelo canto dos olhos.

_ Sou Andreas. - Se pronunciou assim que se levantou. - Park Andreas.

_ Elizabeth Hale.

Andreas estendeu a mão para a morena, que por sua vez, fitou-o sem entender.

_ A gente ficou aqui muito tempo, já vai escurecer. Você não vem? - Indagou calmamente, ainda com a mão esticada.

_ Ah, claro. Vou, eu vou sim. - Pegou na mão quente do asiático e sentiu um choque lhe percorrer toda a extensão do corpo- Obrigada.

Liz fez o possível para que suas bochechas não ficassem vermelhas. Ato falho. Também tinha certeza que um tomate a invejaria agora.

Andreas sorriu. Um sorriso ladino, que Elizabeth não soube decifrar. E sem dizer mais nada, o mais alto saiu andando em direção ao grande prédio dos dormitórios.

Liz, que não entendia muito bem o que aconteceu, colocou- se a andar na mesma direção que Andreas, no entanto, rumando até a ala feminina.

Com o coração na garganta, Elizabeth se virou uma última vez antes de subir a escada que dividida as alas, bem a tempo de ver Andreas sumindo corredor à dentro.

Rumou seu próprio quarto com uma única dúvida em mente: Quem é Park Andreas? 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...