História Iridescente - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Personagens Originais, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoi, Cores, Drama, Emoções, Fantasia, Gazette, Iridescente, Kai, Kouyou, Matsumoto, Reita, Romance, Ruki, Sépia, Shiroyama Yuu, Shounen Ai, Show, Sinestesia, Suzuki Akira, Takanori, Takashima, Tanabe, Uke, Uruha, Yaoi, Yutaka
Visualizações 46
Palavras 3.549
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Fluffy, Lírica, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Leninha: tenho um milhão de coisas para falar, nenhuma mais importante que a outra s2 Para você, amorinha.
Música inspiradora: Linda (Candydive Pinky Heaven), The Gazette.

Boa Leitura!
Desculpem os erros'

Capítulo 2 - Second Show: Linda


Fanfic / Fanfiction Iridescente - Capítulo 2 - Second Show: Linda

“Jogue tudo fora: não há nada para fazê-lo perder seu caminho.

Tornar-nos-emos uma ofuscante e brilhante estrela ‘Linda’”.

*

Akira regressava de suas compras com duas sacolas na mão esquerda, enquanto a outra segurava a lateral do cinto que comportava a espada. Estava fardado novamente e não compreendia os motivos dos cidadãos do vilarejo fitarem-no receosos, temendo-o. Um local de travessia de tropas não parecia muito amigável, todavia, Akira sabia que era dessemelhante dos demais militares.

Não estava ali para assassinar: jazia para defender e serenar com seu amigo.

Estrear uma nova vida.

Baixou os olhos e suspirou longamente, refletindo se os ingredientes que comprara serviriam para o preparo de um ensopado à noite ou um cozido para o almoço – isso se Akira conseguisse acender o fogão sem queimar a mão novamente, como incidira horas antes ao preparar o café. Riu, imaginando se o ferimento persistia vermelho: não via-o devido à luva que colocara para cobrir a atadura.

- Kou não gostará de ver esta nuança em minha mão... – sorriu longínquo ao comentar sozinho, visto que, apesar de Kouyou amar gradações, não gostava de lesões, sobretudo presentes em que importava-se.

Uma pequena bolha de sabão passou voando delicadamente pelos olhos azuis de Akira, avocando-lhe a atenção para a película fina e colorida, embora quase diáfana. Esta voejou mais elevada e vozes pueris foram ouvidas: crianças passaram correndo por ele quando sustou no meio da avenida de pedregulhos, tentando compreender como, quando e onde tantas bolhas de sabão surgiram para colorir o vilarejo sépia.

Céu rosado ou inferno sangrento.

Akira arregalou os olhos ao avistar uma pequena rosa contrabalançando-se no topo da fonte d’água, no cerne das bolhas de sabão. Com uma bota marrom, meias altas listradas em rosa, bermuda, camisa de cauda e cartola rubra, a pequena “rosa” seduzia a atenção das famílias para seu lacônico espetáculo. De onde surgira? Como subira ali? Mais importante: quanto dinheiro aquele “artista” possuía por trajar vestes com nuanças tão vívidas – símbolo de onerosidade?

É um jogo anormal de “vida” ou “morte”.

Os olhos, delineados em preto, eram azuis. O cabelo, ouro.

Lábios lambidos: arroxeados pelo batom.

Doce voz e sorriso do mal.

As unhas estavam pintadas caprichosamente em abstrato, passando pela aba da cartola, enquanto o sorriso delineava-se com os gritos animados das crianças. Akira jurava que era uma menina, todavia, convivendo anos com Kouyou, distinguia os sexos, mesmo quando semelhava impossível: era um menino, que agora rodopiava na ponta do pé no cume da fonte, alastrando mais e mais bolhas de sabão.

Corações dançantes de homens e mulheres de todas as idades.

Adultos e crianças dançavam, embora sem música.

A tempestade do profundo baixo ressoante, num ritmo violento, poderoso como uma bomba.

As nuvens pesadas abrolharam abruptamente, pairando o povoado e descolorindo-o no tom gris: realçou as gradações do garoto enigmático, que fizera de seu corpo abundantes borboletas coloridas quando um raio acertou-o, esvaecendo. Todas voejaram com o estrondo e esguicharam as gotas de chuva nos aldeões, que refrescavam-se e sorriam, cada um tentando apanhar uma borboleta para si, inutilmente.

Escapavam por entre os dedos.

O singular que não dançava ou aproveitava a silente música e espetáculo era Akira, que, boquiaberto, tentava compreender as mágicas que via diante de seus olhos, tão acostumados com coisas concretas. Quando o sol, inexplicavelmente, volveu, o vilarejo enfeitara-se com díspares nuanças nas poças d’água refletidas pelos raios solares. As borboletas esvaeceram, todavia, o garoto de cartola reaparecera no chão, no meio de todos, reverenciando em agradecimento.

Retirando a cartola, pássaros despontaram em troca de centavos.

O soldado não afugentou seu olhar do garoto que, ao içar os olhos azuis, fez Akira arregalar os seus, ingressando num transe denso e tão enigmático quanto o artista. A pequena rosa sorriu maldosa, recolocando a cartola na cabeça e reverenciando uma derradeira vez – propositalmente a Akira – para, enfim, rodopiar em sua própria órbita e sumir no meio das bolhas de sabão que produziu enigmaticamente.

Akira piscou, tartamudeando.

- Quem era...? – segredou, analisando as bolhas de sabão e colocando a mão na cinta, dando falta de algo. – Cadê minha espada...? – um frio percorreu sua espinha. – Impossível...!

Fora furtado.

Pelo garoto enigmático.

Pela “rosa”, que não devia ser cheirada.

Olhou de um lado ao outro, entretanto, só o que havia eram poças reluzentes deixadas pelas calçadas e cidadãos comuns volvendo aos seus afazeres. Pôs uma mão na cabeça e sorriu: quem seria aquela “rosa” ousada o suficiente para furtar um militar – mesmo que Akira fosse desigual da pluralidade dos soldados? Isso era algo que interessara-o em desvendar.

Regressou à morada vagarosamente, atentando-se a qualquer minúcia rubra que distinguisse o artista que furtara-o: nada. Até parece que encontrá-lo-ia facilmente, sendo que o garoto surgira e esvaecera sem adresse. Subiu a escadaria e ingressou em seu apartamento, levemente preocupado com sua espada – não por ser símbolo de um condecorado e nobre soldado, mas por constituir a herança e excepcional coisa que restara de seu falecido pai.

- Kou? – sem réplica, Akira franziu o cenho e encostou a porta. Em apenas uma olhada, constatou: não jazia ali. – Droga, Kou... – suspirou, analisando o café minado no chão da cozinha contíguo aos cacos da xícara, alocando a sacola de compras em cima do balcão. Agachou-se. – Será que queimou-se?

A porta de entrada abriu-se no mesmo instante, aliciando a atenção de Akira, que ergueu-se à medida que Kouyou aproximava-se mancando e com uma expressão absorta. O de cabelos cobres jazia com uma lágrima colorida debaixo do olho esquerdo e com uma rosa e um lenço abstrato, também em díspares tonalidades, em mãos. Akira estalou os dedos no rosto do amigo, que saiu de seu transe e piscou algumas vezes, fitando-o.

- Muito bem, bonitinho, o que proferi sobre sair sozinho? Ainda mais com o tornozelo lesionado? – Kouyou baixou os olhos aos pés de Akira, fitando os cacos de vidro e o café espalhado. Suspiro do soldado. – Queimou-se? – Kouyou assentiu. – Machucou-se? – negou. – Afinal, o que é isso em seu rosto e mãos, Kou?

- Ah... – refletiu. – Não sei precisamente, só... – fitou Akira. – Estava deprimido com a ausência de tonalidades, então, quando estilhacei a xícara acidentalmente, saí pelo nervosismo, desculpe-me. – estendeu a rosa e Akira apanhou-a através do lenço. – Um Pierrô encontrou-me e fez-me sorrir. Era todo colorido e fazia mágica com bolhas de sabão. – o soldado franziu o cenho. – Presenteou-me com isso e, não sei como, mas pintou essa lágrima debaixo de meu olho num movimento sutil e único.

- Certo. – analisou a rosa. – O que ele furtou-te em troca?

- Hã? – Kouyou riu pueril. – Nada. Não tinha nada para furtar-me, por quê?

- “Nada”? – iterou desconfiado. – Então foi seguido, será? – ajuizou. – Quando encontrou-o?

- Mais cedo, antes de ruir a súbita chuva.

- Antes de encontrar-me... – ponderou, franzindo o cenho.

- Aki, do que está falando? – Kouyou tombou a cabeça para o lado, tentando compreendê-lo.

- Esse “Pierrô” utilizava vestes rosadas, uma cartola e tinha olhos turquesa e cabelos ouros?

- Não... – Kouyou tentou recordar-se precisamente. – Cabelo negro com pontas rosadas, vestimentas inteiramente coloridas e não sei o rosto, porque estava mascarado.

- Ah... – não é o mesmo, pensou Akira. Sorriu. – Entendi.

- Será que era rico? Tinha de ver, Aki: inteiramente colorido! Jamais vi tantas nuanças e emoções em uma só pessoa e de uma única vez! Ele também coloriu tudo ao redor num passe de mágica! – sorria, enquanto Akira cruzava os braços e apoiava a cintura no balcão, feliz com a animação de Kouyou em descrever o ocorrido. – Não sei de onde veio e para onde foi, tampouco como, entretanto, era incrível... Será que o encontrarei novamente? Espero que sim. – Kouyou fitou a cinta de Akira, piscando confuso. – Ué? Cadê sua espada, Aki? – Akira esfriou. – Deixou na cama?

- Não, eu... – tossiu disfarçadamente e, pigarreando, segredou celeremente. – Fui furtado.

- Que engraçado... – Kouyou riu inquieto. – Pensei tê-lo ouvido dizer que furtaram-te. – Akira, vacilante, assentiu. – Brincou...! – arregalou os olhos. – Como? Ninguém ousaria furtar um militar!

- Ousaram e, aparentemente, militares não são bem vistos por aqui. Acho que é por ser área de transição de tropas. – suspirou. – Quando indaguei-te sobre a aparência do tal Pierrô, é porque o garoto que furtou-me é um que encontrei na fonte d’água, enquanto regressava para cá. Era pequeno e até pareceu uma menina pelas vestes, porém, o olhar era forte e a dança seguia um ritmo violento. – pensou. – Não sei como ou quando furtou-me, mas decerto—

- Furtado por um menininho artista? Que decepção, Aki, nem parece o soldado que protegeu-me e lutou na Guerra Civil anos atrás. – brincou Kouyou, auferindo um olhar rude. – E agora? Como reaverá sua espada?

- Tenho de encontrá-lo, o problema é: como? Assim como o que encontrou, este garoto apareceu e esvaeceu num passe de mágica. Perpetrou coisas incríveis demais para eu buscar uma lógica racional que elucide. – cravou a lágrima colorida no semblante de Kouyou. – Será que são conhecidos? Os artistas que encontramos? – o outro negou, sem saber. Akira suspirou. – Maravilha... Terei de caçar uma criança.

- Conseguirá, afinal, não há nada que não consiga. – animou Kouyou, gemendo de dor quando tentou dar mais um passo.

- Ótimo, então enquanto não saio para procurá-lo, sente-se para eu refazer o curativo e preparar o almoço, após limpar a cozinha. – deprecou Akira, auxiliando Kouyou a sentar-se em sua cama.

Enquanto o soldado aprontava as ataduras, Kouyou esteava seu corpo em suas mãos atrás das costas, amparadas no colchão. Fitava, pela janela, o firmamento de sépia que o sol acarretava, contudo, desigual do dia anterior – o de sua chegada –, sorria ao observar a nuança. Não gostava dela por atiná-la vazia e sem vida, todavia, a emoção modificara desde o momento em que o enigmático e colorido Pierrô abrolhara detrás da árvore, colorindo seu mundo através de bolhas de sabão.

Sabão.

Material iridescente.

- É como uma tela... – segredou Kouyou, baixando o olhar a Akira, cuja costa da mão jazia avermelhada pela queimadura de logo cedo. O soldado ergueu o semblante confuso, findando o curativo. – Uma tela para dar vida.

- Do que está falando, Kou? – Akira já era afeito aos contextos e comentários repentinos de Kouyou, portanto, não importava-se quando ele discorria coisas sem aparente coerência.

- Uma tela, antes de auferir sabor e perfume de tinta, não tem vida... – discorria longínquo, sorrindo. – Bem como este vilarejo em tons de sépia, assim como os cidadãos iguais a mim: somos sem vida, até surgir a aquarela. – acarinhou os cabelos de Akira para trás.

- Mudou de ideia?

- Não sobre a gradação. – elucidou. – Sobre o vilarejo.

- Deseja encontrar o Pierrô novamente, não é? – sorriu quando Kouyou assentiu. – Temo deixá-lo sozinho num lugar que desconheço, juntamente com uma pessoa tão enigmática.

- Eu sei, contudo, recorde-se que foi você que deu-se mal, mesmo sabendo cuidar-se. – brincou e ambos riram. – Você é a primeira aquarela daqui, Aki: cabelos louros, olhos turquesa e farda azul como o pélago, além de alguns universos arroxeados e flores rosadas em sua pele. – volveu a cravar o firmamento afora. – Aquele Pierrô é a segunda aquarela, bagunçada e atrapalhada, cujas emoções desconheço, embora saiba que são várias.

- Há um terceiro, que furta militares. – recordou Akira, fazendo Kouyou rir, volvendo a encará-lo.

- Preciso vê-lo ainda, porém... – sorriu, tombando a cabeça para o lado ao passar as mãos nos cabelos de cobre. – Escassas aquarelas como vocês poderiam colorir-me e avivar este povoado... Como as bolhas de sabão fizeram ao serem iluminadas pelo sol.

- Tudo ainda é novidade para nós, Kou, contudo, asseguro-te que as gradações avivarão novamente. Não serão inertes como aparenta agora, então prossiga sonhando em voar e imergir na aquarela que mais agradar-te.

Talvez fosse por aqueles versos que Kouyou persistia sorrindo e crendo num amanhã mais colorido e emocionante: Akira não via-o como um problemático garoto com Déficit De Atenção, mas como o amigo sinestésico que sonhava em voar, mesmo que somente em pensamentos. Era por isso que Suzuki Akira era seu melhor amigo, não conseguindo vê-lo como seu protetor – conquanto ele, igualmente, atuasse como um.

Akira era como o sabão:

Iridescente em sua vida.

*

O soldado preparara o almoço e, após terminá-lo, concluíra que não fora treinado para cozinhar – conquanto Kouyou enaltecesse-o pela refeição, afirmando que ele mesmo sequer sabia ligar o fogo sem incendiar o recinto: foram nobres e era trabalho dos empregados alimentá-los. Após isso, permaneceram dentro do aposento conversando sobre o “show” que viram no mesmo dia dos dessemelhantes e enigmáticos artistas, cujas vestes traziam gradações onerosas e, portanto, deveriam ser ricos.

Era a única certeza.

Quando a tarde chegava ao fim e o firmamento permutava gradações rosadas e alaranjadas, Akira saiu para tomar um ar, enquanto Kouyou adormecia pelo cansaço que ainda sentia da extensa viagem, além da dor no tornozelo que retirava suas forças. Caminhando calmamente, empregava a calça azul-marinho e a camisa branca da farda, reparando nos detalhes do vilarejo: sépia. Içou o semblante ao firmamento e percebeu que as brancas nuvens cortavam o rosa, indicando um caminho.

O mesmo fizera uma borboleta ao passar por Akira e avocar sua atenção: ela seguia uma bolha de sabão e, curioso e esperançoso, seguiu-a por algumas ruas: esquerda, direita, direita, esquerda... Até que adentrou num beco sem saída, com alguns caixotes empilhados no canto direito. A borboleta enfiou-se dentro da bolha, que não estourou com tal incidente, surpreendendo Akira. Levou seu dedo indicador à bolinha e estourou-a para libertar a borboleta que, no ato, esvaeceu, dando espaço a outra presença.

O som de guizo fez Akira virar seu rosto aos caixotes, surpreso.

- Foi mais célere do que pensei. – comentou, sorrindo ao garoto que vira mais cedo: vestes rosadas, meias altas, cartola, cabelos louros, olhos azuis, lábios arroxeados, unhas pintadas e uma espada na bainha, apoiando parte no ombro e parte na perna que meneava. Akira estendeu sua mão ao incógnito, que jazia sentado nos caixotes, bem ao alto. – Está com uma coisa que pertence-me e preciso dela de volta.

- Para quê? – apesar das variadas nuanças pelo corpo, os olhos turquesa pareciam de boneca pela ausência de emoções.

- Para nada. É minha. – insistiu, vendo-o abraçar mais a espada. Suspirou, baixando a mão e cruzando os braços, inda sorrindo. – É herança de meu pai, então não posso perdê-la ou dá-la a você.

- Nome. – exigiu, meneando as pernas e acarinhando a bainha.

- Suzuki Akira, novo no vilarejo. – o garoto piscou, desconfiado. – Não estou a trabalho e jamais retrocederei a ele, se é isso o que incomoda-te. – observou-o recolher as pernas, cruzando-as. – Você é?

Direi meu caminho apenas a um público com sensibilidade verdadeira.

- “Eu sou”? – iterou, sorrindo enigmático. – Eu sou.

- Você é sim. – riu. – Não me dirá seu nome?

- Direi um milhão de nomes, nenhum é verdadeiro. – provocou. – Chateado?

- Não. – Akira sabia lidar com pessoas espairecidas, porquanto cuidara de Kouyou todos aqueles anos. – Apenas escolha um desses “milhões de nomes” para que eu possa titulá-lo. Ou prefere que avoque-te de “criança”?

- Não sou criança. – rapidamente redarguiu. – Todavia, não confio nos adultos, sobretudo militares.

Destrua todas as regras feitas por adultos.

- Por quê? Os militares fazem coisa errada no vilarejo? – Akira estranhou, vendo o garoto abraçar a bainha novamente. – Não é criança, mas não é adulto. É o meio-termo titulado adolescência. – o comentário de Akira fê-lo rir. – Então...

- Ruki.

- Ruki. – assentiu. – Pode devolver-me?

- Hum... Por quê? Se é herança, não deve andar com ela por aí, portanto, guardá-la-ei para você.

- É herança e não utilizo-a, a menos que seja muito necessário.

- Como “necessário”? – apertou o objeto contra o corpo. – Matar infratores?

- Não. – descruzou os braços, ficando sério. – Proteger meus amigos.

Ruki piscou três vezes, ainda sem evidenciar qualquer emoção. Volveu seus olhos à bainha que abraçava, retrocedendo-os ao militar abaixo, que aguardava sua deliberação. Sopesou Akira de cima a baixo e, após morder o lábio inferior, decidiu-se.

- Não te devolverei. – arrazoou convicto. – Irá me matar?

- Por que te mataria? – suspirou, cruzando os braços e sorrindo. – Podemos negociar.

- Não. – pôs-se de pé nos caixotes e saltou, aterrissando na frente de Akira. Era um pouco mais baixo, logo, ergueu sua cabeça para mirar o soldado. – Não negocio com traidores ou militares. Não confio em vocês.

- Já entendi que minha classe não é bem-vinda, mesmo sem compreender o ensejo. Não culpo-os, visto que não sei o que houve aqui. – Akira sorriu quando Ruki começou a rodeá-lo e analisá-lo minuciosamente. – Contudo, asseguro-te que sou desigual dos outros.

- Prove-me. – desafiou, cerrando os olhos quando Akira estendeu sua mão queimada até sua face. Sem auferir qualquer contato, cuidadosamente Ruki reabriu seus olhos e viu Akira retroceder a mão e quaisquer passos. – Não me baterá?

- Não, claro que não. Perdoe-me se assustei-te, mas você tinha uma gota de sabão na ponta de seu cabelo. Só desejei tirá-la. – o pequeno fitou as costas da mão do militar, que riu, erguendo-a para melhor visualização. – Sabe por que difiro-me dos demais militares? Porque sequer sei fazer café sem queimar minha mão, tampouco percebi o momento em que furtou-me mais cedo.

- Embora soubesse que fui eu. – sorriu desafiador. – Instinto militar, Akira. Desgosto disso. – volveu a rodear o mais alto. – Ainda não matou-me, então devia confiar, todavia, não consigo. Não enquanto for da mesma laia que os soldados que passam por aqui.

- Não sou “da mesma laia”, porém, vocábulos jamais te farão crer em mim. – suspirou. – Está rodeando-me... – alocou as mãos nos bolsos da calça. – Vê algo díspar em mim? – quando encararam-se proximamente, Akira percebeu que os olhos turquesa de Ruki continham o mesmo brilho que os de Kouyou: o fulgor sinestésico. Sorriu. – Sinestesia, não é? – o pequeno recuou dois passos, surpreso com o acerto. – O amigo que protejo possui também e é muito disperso. Ama nuanças e emoções que carregam. Acho que se dariam bem.

- Perspicaz. – semicerrou os olhos, volvendo a rodear e rodar a bainha.

- Como um doce mergulho no céu rosado. – Ruki estranhou o comentário e Akira riu. – Desculpe-me. Convivência demais com alguém disperso faz-te explanar coisas aleatórias, contudo, é o que sinto olhando-te vestido assim.

- Curioso... – o som do guizo repercutia no beco em breu, enquanto Ruki caminhava. – Um completo enigma traiçoeiro, Akira.

- Tudo bem, já entendi: não me devolverá. – assentiu. – Consequentemente—

- Me matará?

- Não. – riu. – Farei uma proposta.

- Não faço acordos com militares—

- Será um acordo unilateral, portanto. – prosseguiu. – Sou um enigma, correto? Assim como você. Confiarei minha herança a “Ruki” por tempo indeterminado e espero que confie em algo em mim. – o pequeno desconfiou, sopesando-o novamente. – Não precisa confiar no militar Suzuki Akira, porque, tendo em vista o que provavelmente sofrem com tropas, não sou digno de confiança. Porém, há alguém em mim, em um milhão de nomes, que possa confiar e provar-te que “Akira” é diferente dos outros militares e que merece a espada de volta, Ruki?

- Talvez... – rodeou o militar pela derradeira ocasião, até sustar a frente e cravá-lo proximamente nos olhos. – “Reita”. – segredou. – Confio no Reita que há debaixo da faixa em seu nariz.

- “Reita”, é? Ótimo. – assentiu sorrindo.  – Ele te provará que pode confiar e, quando sentir-se seguro e satisfeito, devolverá a espada ao Reita, certo?

- Tá. – sorriu maldoso. – E como me provará seu valor e lealdade, Reita?

- Não faço ideia, então cuide bem de minha herança.

Pela primeira vez, Akira viu Ruki sorrir com emoções, retrocedendo alguns passos para mais adentro do beco e revolvendo-se no tecido rosado que puxara de algum recinto, esvaecendo misteriosamente no ar. Era um garoto interessante, cujos olhos pareciam de boneca quando desconfiados de algo. Akira sorriu, suspirando por novamente não compreender como o garoto concretizava aquelas mágicas e por não reaver sua espada facilmente.

- Reita e Ruki... – riu, saindo do beco. – Em um milhão de nomes...

Até o sol nascer, gastaremos nosso tempo dançando ‘Linda’.

*

Havia um sonzinho chato de pedrinha arremessada na janela que despertara Kouyou. Coçou os olhos e fitou a cama noutra parede: Akira saíra e, possivelmente, olvidara-se da chave. Kouyou suspirou e, com dor e dificuldade, levantou-se da cama para checar a janela, arregalando os olhos ao compreender que não versava-se de Akira: era o Pierrô de mais cedo, que prosseguia mascarado e agora reverenciava como saudação.

Kouyou sorriu, meneando da janela.

O incógnito não parecia tão colorido quanto de manhã, porquanto a escuridão da noite e as fracas luzes mitigavam o que Kouyou avaliava como “emoções”. Ainda assim, o Pierrô apontou o firmamento da noite, cujas estrelas jaziam encobertas com a manta das nuvens. Marcou o número cinco na mão e, em contagem regressiva, recolheu os dedos.

Cinco. Quatro. Três. Dois. Um.

Zero.

Flores e borboletas de artifício explodiram no empíreo negro, novamente colorindo o povoado. Kouyou arregalou os olhos e entreabriu os lábios, alargando-os em sorriso quando as nuvens espaçaram-se por causa das flores que desabrochavam e das borboletas que voejavam, dando espaço às estrelas surgirem e cintilarem quando os postes de luz apagaram-se subitamente.

Kouyou volveu seu olhar para baixo, observando o Pierrô de sorriso pintado reverenciar novamente e esvaecer quando as luzes apagaram e acenderam em milésimos de segundo. Volveu o olhar ao firmamento asteroidal, sorrindo com a passagem de um cometa – para ele, uma estrela célere e misteriosa.

- Linda... – segredou.

*

“Esse mundo podre: envernize-o com spray.

Comecemos por aqui nossos novos dias”.


Notas Finais


Acho minha fic tão perdidinha quanto o meu Kou haha... Isso a faz formosa (?)

O que acharam? Comentem!

Kissus! *3*


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