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História Ironia - Capítulo 2


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Notas do Autor


voltei rapidinho pra atualizar
Eu, particularmente, adoro primeiros capítulos, eles que ditam se vale a pena ou não ler a história, na maioria das vezes. Esse capítulo mostra um pouquinho da mente do nosso lindo protagonista e dá alguns detalhes de coisas interessantes que podem acontecer no futuro. Espero que vcs aproveitem. Os dois bebês da capa seriam as representações físicas dos nossos protagonistas hehehe Apesar de que eu defendo muito a liberdade poética de cada um imaginar do jeito que quiser. Divirtam-se.
beijos

Capítulo 2 - Mudança de Hábito



A nossa história começa, mais precisamente, no mês que nossos protagonistas desceram do avião para chegar à sua nova casa. Era agosto, os dois estavam até que animados, Oliver nem tanto (detalhe: seu pai lhe deu a opção de ficar no Brasil e morar com a avó, porém ele disse que nunca o deixaria), pegaram as malas e pediram um táxi para casa, eles já tinham visitado o lugar algum tempo atrás, então, tinham uma facilidade de reconhecimento, e também, falavam inglês fluentemente, Oliver fazia aulas desde criança, pois herdou a paixão pelo idioma do pai, que era fissurado na lingua desde sempre. Depois de se instalarem, arrumarem todas as coisas, enfim, puderam descansar. Lucas já tinha resolvido tudo em relação à escola do filho.

Oliver

É, eu tô morando nos Estados Unidos. Nunca imaginei que conseguiria deixar tudo aquilo para trás, papai sempre fala que não deixei nada para trás, que se um dia voltarmos, estará tudo lá, mas eu não consigo parar de pensar nisso. A primeira coisa que fiz quando acordei no outro dia, foi ligar pros meus amigos, todos estavam ansiosos pra saber como era tudo aqui, conversamos por bastante tempo, só Lorenzo não atendia minhas ligações e nem me retornava, ele, provavelmente, estava ainda abalado com essa minha mudança repentina, vou esperar passar uns dias.


Flashback on

Tinha mais de uma semana que papai tinha me falado que iriamos nos mudar, eu ainda estava tentando absorver essa informação, não estava feliz nem triste, apenas ciente da mudança que isso acarretará na minha vida, porém não consegui contar pro melhor amigo ainda, ele não vai gostar muito disso e não faço a mínima ideia de como contar pra ele, só sei que eu preciso. 

Eu estava na minha cama deitado assistindo TV e bastante distraído, quando ele apareceu lá de surpresa na porta do meu quarto, ele parecia meio sem graça. A gente fazia isso, as vezes, aparecer sem avisar na casa um do outro, nossos pais estavam tão acostumados que nem precisavam avisar que o outro tinha chegado. 

- Oi, Ollie - Disse de forma contida, estranho. Ele nunca chega sem me dar um abraço ou pular em cima de mim, alguma merda ele fez.

- Hey, Zo, tá tudo bem? - Perguntei com aquele ar de quem não quer nada. Eu tinha vários apelidos pra ele dependendo do meu humor.

- Tá sim, eu só preciso te contar uma coisa! - Exclamou meio atordoado, Lorenzo não era de ficar assim. Realmente, tinha alguma coisa errada.

- Hora perfeita, eu também preciso te contar algo. - Soltei nervoso, já mordendo os lábios. Era meio que uma coisa que eu fazia quando ficava ansioso com algo. Ele percebeu isso, ele sempre percebia tudo e sua atenção foi voltada direto pra minha boca. Ele dizia que sempre se distraia quando eu mordia os lábios, mas o que eu podia fazer? Era algo natural do meu corpo. 

- Você primeiro, meu bem! Por favor, tenta não fazer isso, me desconcentra - Falou sentando na cadeira da minha escrivaninha e focando toda a sua atenção em mim. Sempre foi assim, não importa o que eu estiver falando, ele sempre para pra me escutar.

- Não, você primeiro. Tenho certeza que você não viria aqui em casa se não fosse algo importante. - falei tentando conter a curiosidade que já se apossava do meu ser. Ele se afundou na cadeira. - Eu venho na sua casa todo dia apenas pra te abraçar e sentir o seu cheiro, não tem nada a ver. - Disse de forma acusatória. Dei de ombros e continuei olhando curioso. Ele suspirou derrotado.

- É que... Olha, calma... Não é... Como que eu falo isso pra você? É que... - Ele gaguejou. O que é mais estranho ainda, Lorenzo nunca gagueja, sempre é muito direto nas coisas que diz e faz. - Eutônamorando. - Falou rápido demais. WTF? Eu entendi direito, Lorenzo tá namorando? Fechei a cara na hora, foi inevitável a expressão de incredulidade misturada com raiva.

- É o que, Lorenzo? - Perguntei surpreso com a minha repentina raiva.

- Eu tô namorando, Ollie. - Repetiu sem conseguir me encarar e mexendo os dedos um no outro. Ele tava nervoso também.

Puta que pariu! Eu nunca que esperava que seria esse tipo de informação, e muito menos que eu teria aquele tipo de reação. Eu fiquei de boca aberta uns cinco minutos, tentando processar a situação e me acalmar, nós sempre fomos muitos amigos, porém, de vez em quando, rolava algo entre nós, mas nunca deixamos isso influenciar a nossa amizade (eu pelo menos, acho que não) e pelo visto, eu tava com ciúmes.

- Como assim namorando, Lorenzo? - perguntei num tom sarcástico.

- Namorando, ué. Me escuta por favor, não fica bravo, eu sei que você odeia ela, por isso não te contei antes. Eu tava ficando com a Lara um tempo atrás, como você sabe - Ele disse suplicante, discordei emputecido com uma cara escultural de nojo, porque eu não precisava lembrar disso, e também nunca gostei daquela garota. Não me fala que é ela que ele ta namo... Gosto nem de pensar nisso. Impossível. - Então, ela disse que a gente podia voltar a tentar e dar um passo a mais e tal, eu pedi ela em namoro, mas relaxa, o que a gente tem, não vai mudar - Completou com um um sorrisinho sem graça e depois safado. 

Eu tava tentando me acalmar e não me sentir mal pra caramba, como se meu coração não estivesse partido. Como assim ele disse que não vai mudar? Sempre foi nós dois, só nós dois. Que história é essa de ele ficando com a Lara de novo e eu não tava sabendo? Eu deveria estar feliz pelo meu amigo, certo? Afinal de contas, ele finalmente conseguiu pedir em namoro a menina que ele dizia gostar. Não consigo ficar feliz. Foda-se, não vou prolongar esse assunto, já tô com muita coisa na cabeça, vou deixar pra surtar depois. Coloquei a máscara de frieza na cara e dei um sorriso amarelo, daquele mais falso possível, espero que ele perceba que eu não tô nada feliz com essa notícia.

- Felicidades ao casal, amigo - Disse, fingindo não me importar de forma negativa. Vi de soslaio a cara que ele fez de espanto, odeia que eu chame ele só de "amigo", já me senti um pouco melhor. - Então, o que eu preciso te contar é que no sábado, eu tô indo pros EUA - Mudei de assunto sem rodeios, não queria ficar muito pensando nele beijando a Lara mil vezes por dia, já que agora, eles são namorados.

- Caramba, vai viajar de novo pra lá? - Questiona de forma brincalhona e magoada, porque eu viajava demais e ele odiava isso. Não aguentava ficar sem minha companhia por muito tempo, de acordo com as palavras dele.

Eu vou sentir tantas saudades dele.

Pelo menos, agora tem a Lara pra consolar ele.

- Pô, Lozi, eu tô indo pra morar, papai foi promovido e a gente vai ter que se mudar. - Provoco com uma cara de inocente. Não deveria estar agindo assim com ele, mas essa parada de ele estar namorando nublou totalmente meus sentimentos, tô com raiva por ele não ter me contado antes. O semblante dele saiu de brincalhão para chocado para raivoso em menos de cinco segundos. Lorenzo sempre foi muito expressivo, sempre consegui ler seus sentimentos somente por suas expressões. 

Hipócrita. Você também não contou antes que ia se mudar. 

Lorenzo sempre foi muito expressivo, sempre consegui ler seus sentimentos somente por suas expressões.

- Como assim, Oliver? Desde quando você sabe disso? - Grita. Só sei de uma coisa, ele tava bravo - Por quê não me contou antes? Caralho, você não pode ir, não, não, não. Cê tá brincando, né?

- Tô não, eu ia te contar, só não sabia como - Bufei sincero. Ele veio correndo me abraçar, eu abracei ele de volta.

- Você era pra ter me contado antes, eu não quero te perder, caramba, Oliver. A gente era pra ter mais tempo. - falou com a voz embargada agarrado no meu peito. 

Ele sempre foi uma pessoa muito forte, não chorava por nada. Eu senti minha camisa molhando com as lágrimas dele. Eu chorei também igual uma criança, não consegui nem perguntar o que aquilo que ele falou sobre não termos tempo queria dizer. Ficamos um tempão abraçados assim, sem falar nada, só curtindo a companhia do outro. Não precisávamos de palavras, cada um sabia o que o outro queria dizer com aquilo, era uma despedida silenciosa, não sei se conseguiria de outra forma.

Ele se levantou pra ir embora, parou na porta com um semblante tão machucado e olhou pra mim. Aquele olhar me dilacerou por dentro.

- Eu te amo demais, Ollie, nunca se esqueça de mim! Porque você nunca sairá da minha mente. - Saiu correndo do meu quarto.

Eu não entendi foi nada, não consegui nem responder, só sei que chorei a noite inteira.

Eu não consegui falar com ele o resto da semana, ele tava me ignorando, devia estar bravo pelo fato de ter sido o último a saber, e eu fiquei muito mal, porque poxa, meu melhor amigo não estava do meu lado e a culpa era minha.


                  Flashback off

Tirei Lorenzo da cabeça e fui aproveitar o dia, pois na semana seguinte, eu já começaria a escola nova e caramba, eu tava muito nervoso. A semana passou voando, quase não via papai em casa, só na hora do café e olhe lá, tinha dias que ele saia mais cedo e quando chegava, eu já estava dormindo. Ele me disse que era assim só na primeira semana, pois tinha que se acostumar com o ritmo, não me importei, sei como são essas rotinas de trabalho. Até que o não tão esperado dia chegou. Me levantei às 7:00, não precisava me levantar tão cedo, porque meu pai ia me deixar na escola, fiz minha higiene e desci pra tomar café.

- Good morning, daddy - Brinquei.

- Bom ver que seu inglês está perfeito - Respondeu no idioma - Bom dia, moleque! Preparado pro primeiro dia no inferno? - Solta de forma divertida.

- Poxa, pai, assim você me desanima - Brinquei fingindo desânimo. Ele sempre foi muito brincalhão, é umas das coisas que eu mais amo nele.

- Tô brincando, meu filho. Seu primeiro dia vai ser incrível, prometo. Você é inteligente, bonito, fala inglês muito bem, modéstia a parte, puxou isso do pai aqui - Rimos. - Sério, você vai se dar muito bem, tenho certeza.

Apesar de ele ter apenas 32 anos, eu o considerava bastante sábio, porque ele sabia como levantar o astral de qualquer um. Sorri pra ele com o comentário e ele sorriu de volta carinhoso. Tomei o café e subi pra me arrumar, coloquei minha roupa e desci.

- Caramba! Eu sei fazer filho muito bem, tu tá muito bonito, garoto! - Meu pai exclamou.

- Sai fora, cê nem me fez. - Falei risonho e corando pelo elogio.

- Cê pode não ter saído dos meus testículos, mas no gosto pra moda, o mérito é todo meu - Disse brincalhão.

Nós tínhamos a liberdade pra fazer esse tipo de brincadeira e não era algo que magoava, e sim, só fortalecia, porque quando ele me adotou, não tinha motivo nenhum pra me amar, ele apenas me amou. Se tornou o melhor pai do mundo e brincar com isso, era uma forma de mostrar que eu não me importava se ele era meu pai biológico ou não, independente disso, ele era meu pai e eu me orgulhava disso.

Chegamos na escola, por volta de 7:45, as aulas começavam as 8:00. Papai parou o carro.

- Bom, sei que cê ta nervoso, mas relaxa, é só o primeiro dia, seja quem você é, lembre-se do que eu sempre te ensinei - Disse.

- Ser quem você é não é vergonha nenhuma, vergonha é deixar de ser você, apenas pra agradar aos outros - Repetimos juntos e sorrimos um pro outro. 

Era meio que o nosso mantra, meu papai que morreu que ajudou meu pai Lucas viver a vida a partir desse "mantra". Toda vez que eu escuto, falo ou lembro dessa frase, meu coraçãozinho se aquece, como se ele estivesse aqui com a gente. Meu pai não fala muito nele, mas o suficiente pra eu imaginar o anjo que ele foi na vida dele e na minha, porque apesar de não me lembrar exatamente dele, recordo de sua voz me dando boa noite e logo depois me dando um beijo na testa. Papai Lucas me abraçou como se soubesse exatamente onde minha mente estava e me deu um beijo na testa. - Te amo demais, moleque - Eu concordei e deixei claro a reciprocidade naquilo.

Saí do carro e fui em direção a escola, era até que bonita, bem aquilo que se via nos filmes. Eu estava animado, pronto pra viver um clichê de filme americano, pensei divertido. Assim que eu pisei no corredor, eu avistei o garoto mais lindo que já vi na vida e ele veio falar comigo.

- Oi, você deve ser o garoto novo? - Perguntou no idioma nativo. Eu estava um pouco sem palavras pela beleza do garoto e fiquei encarando ele. Caramba, eu vou gostar bastante dessa escola.


Notas Finais


Obrigado por lerem, deixem os comentários e curtam se quiserem, é bem importante saber se vcs estão gostando ou não. Até a próxima, queridos leitores.


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