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História Irresignada - Capítulo 1


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Notas do Autor


Minha primeira Fanfic original, promete surpreender <3

Capítulo 1 - Alvo


Fanfic / Fanfiction Irresignada - Capítulo 1 - Alvo

Prologo

Como num piscar de olhos vários prédios foram demolidos naquela manhã. O governo não tinha mais controle sobre ataques terroristas e não conseguia mais prevê-los. Tudo que um dia já fora uma nação agora estava em estilhaços, não havia mais equilíbrio entre as pessoas.

 Uma Era obscura tinha se instalado no planeta, que agora tinha metade da população estimada de 500 anos atrás. Paz mundial era algo que não mais era discutido com frequência. Agora era cada um por si, cada um levantando sua própria bandeira sem se importar com as consequências.

Era combater fogo com fogo ou morrer. Como se já não bastasse as pessoas estarem um caos, o clima também a anos era imprevisível, as vezes o calor ardia a pele numa proporção imaginável, e a noite o frio era capaz de congelar todo o sangue de quem não tinha agasalhos suficientes, causando assim a morte de vários desprivilegiados.

A situação só parecia ter um fio de esperanças quando o Coronel Carter deu “a cara a tapa” para quaisquer consequências e se dispôs a assumir as forças armadas da que um dia fora considerada a esplêndida Londres, capital da Inglaterra. Numa era de desgraças constantes, este cargo era mais elevado do que os dos antigos presidentes, que agora já não existiam mais, pois trava-se de controlar a população de ataques, algo que o presidente não poderia prever, e o Coronel tinha todo seu apoio e independência para fazer o que quisesse.

Como de costume, a anos, todos que subiam a posto prometendo rios de paz acabava saindo de lá morto, ou corrompido de alguma forma, mas a seriedade de Henry Carter acabou por ganhar créditos dentre a maioria das tribos urbanas, exceto pelos conhecidos como “Subcitizen”, o nome se dava ao grupo devido a forma de vida extremamente escassa e miserável em que se encontravam, surgiram a mais ou menos 30 anos atrás, e por mais cruel e escarnecedora fosse os costumes e regras daquele movimento, ainda tinha muitos adeptos, mais do que o governo tinha conhecimento, eles viviam assim como uma forma de protesto, viviam no subsolo numa área que já tinha se transformado numa segunda cidade.

Mas mesmo assim esse grupo era considerado frágil demais para apresentar alguma ameaça, pelo menos era o que aparentava, o fato é que não viviam entre as pessoas, viviam abaixo de todos, literalmente abaixo. No esgoto. Um enorme esgoto metálico.

Com o comando de Henry, pela primeira vez em 3 anos as guerras e os ataques começavam a se conter numa escala até surpreendente, talvez os subcitizen tivessem recuado por algum tempo indeterminado, mas ainda assim, Henry não gostava de substimá-los.

Não era um salvador da pátria e ele mesmo sabia disso, apenas tinha inteligência e coragem de arriscar coisas novas, alguns até desconfiavam que ele utilizava uma espécie de tecnologia muito avançada e perigosa, quase como uma tecnologia alienígena, pois não tinha explicação alguém conseguir tanto controle e prever ataques como ele. Tentava dar tudo de si para preservar o futuro de sua única filha.

 Julia tinha apenas doze anos de idade quando foi colocada em um internato feminino pelo coronel Carter, era uma garota muito compreensível, e sabia que aquilo era para salvar sua vida do mundo lá fora, sem mãe, e com um pai extremamente ocupado não tinha muita escolha, mesmo que isso custasse ficar numa ilha afastada da cidade e presa, apenas rodeada por muros extremamente altos, como muralhas da antiga China. Mas ela precisaria permanecer lá até ter idade suficiente para ser independente.

Seu pai sabia que lá seria bem cuidada, ainda mais se tratando da filha de um coronel. Julia era doce, meiga, pequena e amável, logo faria amizades e não iria sentir tanto a ausência do pai, pelo menos era o que ele esperava.

O coronel havia prometido que quando a viesse buscar novamente, o mundo seria outro, seria diferente, não seria mais o mesmo de quando ela o viu pela última vez. Ele jurou! jurou pela nação, mas acima de tudo jurou por Julia. O sorriso esperançoso do pai foi a última recordação que Julia se lembrava poucos minutos antes dele ir embora embarcando em um avião, abanou a mão pra a filha dando-lhe uma última saudação como fazia com seus soldados na guerra e partiu.

 

~ * ~

 

Para uma criança de 12 anos o tempo parecia passar mais depressa, mas foi só no seu décimo sétimo aniversário naquele internato que as coisas para Julia começaram a cair na real. Ela estava ali a tanto tempo, uma adolescente sem família assim como várias outras meninas que viviam ali naquele internato, mas nada se comparava a sua dor, ela queria ao menos receber uma ligação de seu pai, um e-mail, por mais que naquela época o acesso livre a informação tenha sido ameaçada por extremistas, nem mesmo em seu aniversário ela recebera quaisquer notícias do pai.

Tinha consciência de que ele era um homem muito ocupado, e não queria considera-lo um péssimo por pai por não lhe mandar nem ao menos uma carta, quando se tinha um país todo para tomar conta..., Mas era inevitável não se sentir sozinha. Completamente sozinha, rodeada por estranhas.

O internato não era de todo o mal, ali ela recebia desde educação, aulas de etiqueta e comportamento, até aulas de canto, teatro e pintura. O que aquilo tudo iria servir para sobreviver nos tempos atuais? Não se sabia, mas sabiam que era aquilo que era imposto na grade curricular de todas aquelas milhares de mocinhas desde quando eram crianças, e ela tinha um quarto, comida a vontade, coisas que sem dúvidas qualquer adolescente de sua idade lá fora trocaria tudo que tinha para ter a mesma vida que ela.

Poderia ser egoísmo da parte de Julia, mas ela não se sentia totalmente satisfeita com o que tinha. Queria ir embora daquele lugar, que por mais bonito que fosse, parecia muito artificial. Ela queria ver o mundo, ver o mar, poder caminhar nas ruas de mãos dadas com seu pai, dirigir um carro, sentir o vento puro bater em seu rosto, até mesmo escalar uma montanha... Aqueles pensamentos a rondavam noite e dia, as vezes se pegava no meio da aula pensando em como seria colocar os pés no chão lá fora, sentir a terra fofa entre seus dedos, longe de todo aquele concreto debaixo de seus pés. Mas sempre era despertada de alguma maneira por sua tutora.

A garota até começou a ganhar fama naquele internato por ser a que mais ficava com a cabeça nas nuvens durante a aula, e sempre era alvo de repreensões, alguns diziam que Julia não era normal, e que demonstrava sintomas de esquizofrenia, mas já estava tão acostumada a ser julgada, que não se importava mais com os apelidos, ou com o que achavam dela. Sabia que faltavam apenas mais um ano para concluir seus estudos e seu pai iria vir busca-la. Ela iria embora para casa... Nem ao menos se lembrava mais de como era sua casa, mas tinha certeza que era melhor do que aquele presídio chamado Internato.

 

[...]

 

- Julia! Estava te procurando, precisamos de mais uma pra nossa peça de teatro... – Emily falou parando de repente ao notar que Julia estava concentrada em algo enquanto fitava o céu. – O que está vendo? É um avião? – Ela olhou para cima fazendo a mesma expressão da garota.

- Você não fica com inveja? – Ela perguntou de forma retórica. – Os passarinhos voam pra onde eles querem... Eles não têm que ficar em um local só. Eles têm liberdade, constroem suas casas aonde querem, não tem pessoas decidindo por eles o que fazer, ou o que comer... Isso não é incrível Emily? Acho que eu gostaria de ser uma passarinha. – Olhou para a colega de sala com um sorriso ameno. Emily olhava para ela sorrindo de volta, mas no fundo pensando “lá vem ela de novo com esse papo de liberdade.” Até concordava, mas a tempos já havia se acostumado com sua realidade.

- Você sabe que me assusta quando faz isso, não sabe? – Emily sorriu de lado.

- Isso o que? – A olhou confusa formando um bico nos lábios avermelhados.

- Essa cara... Essa voz, esse papo de liberdade de novo... Às vezes acho que seu cérebro se danificou e você está ficando louca como o chapeleiro maluco. Aquela história super antiga que estudamos na aula de literatura. – Emily respondeu. Descrição não era um de seus pontos fortes, mas Julia não se ofendera com aquilo, sabia que era assim que todas pensavam dela naquele internato, até mesmo as professoras, mas Emily sua colega de quarto era a única que falava na sua cara.

- Emily, não quero enlouquecer, não quero ficar igual o chapeleiro maluco da história de literatura antiga, mas eu sinto que a cada dia que eu passo aqui, eu estou enlouquecendo. – Julia deu um largo sorriso tentando conter o nervosismo. Emily a segurou pelos ombros e a sacudiu forte.

- PARA JULIA! – Ela gritou como se a tivesse tentando tirar de um transe. – Você não quer ir pra sala da senhorita Molly de novo, quer? – Emily bufou. Julia preferia a morte do que ir novamente para a sala da senhorita Molly, a conselheira do internato. Aquela mulher a assustava, e a fazia se sentir um lixo todas as vezes que se encontravam, e Julia podia jurar que ela era a aluna que mais ia para sala da senhorita Molly.

Respirou fundo, uma, duas, três, vezes. Não podia pirar agora, não podia. E então em seguida, saiu ao lado de Emily sem dizer uma só palavra mais.

 A única coisa que a confortava é que só restava um ano! apenas mais um ano para sair dali. Ela não podia perder a cabeça agora, não podia virar o chapeleiro maluco, queria estar bem e saudável e sã mentalmente para aproveitar sua liberdade quando ela chegasse.

Naquele dia, ensaiou a peça com suas colegas, pegando o papel da bailarina, o papel principal. Julia dançava balé muito bem, aprendera no internato durantes suas aulas no ensino fundamental. Ela era realmente muito conectada a arte, uma das poucas coisas que lhe davam prazer por ali, já que a rotina do internato era pacata e repetitiva. Sentia-se como um robozinho. Um robozinho que teve seu caráter formado por pedagogas de alta classe e não por sua própria família.

 As vezes se pegava a noite pensando em como seria sua mãe, que tipo de pessoa era ela? O que ela a teria lhe ensinado? Julia seria a mesma que é hoje se tivesse recebido educação e valores de sua mãe ao invés dessas tutoras? Ou teria outra personalidade?

Pensamentos e mais pensamentos...

 

~ * ~

 

Um ano se passou, agora Julia tinha dezoito anos, tinha seu diploma em mãos, algo tão almejado pelas meninas daquele internato, mas que para Julia não passava de um pedaço de papel idiota que a manteve presa ali por seis longos anos de sua vida. Fizeram uma festa de despedida na noite anterior ao grande dia que iria sair dali, mas ela não compareceu. Ficou no quarto fazendo sua mala, não era capaz de expressar o sentimento que tinha naquele momento, iria ir embora daquela prisão finalmente! Na manhã seguinte os portões se abririam e ela veria seu pai descendo do avião como da última vez que o vira quando ele a deixou ali, mas desta vez era para leva-la consigo para casa.

Sabia que não precisaria levar nada para casa, pois seu pai com certeza iria comprar tudo que ela pedisse quando chegassem, mas a sensação de estar fazendo a mala tornava aquele evento mais real e animador. Colocava suas roupas dentro da mala gigante com um sorriso no rosto quase que de uma psicopata.

Liberdade! Daqui a algumas horas ela iria poder gritar aquelas palavras em alto e bom som! Liberdade!

Após entulhar suas roupas naquela mala de viagem se jogou contra a cama se debatendo de felicidade. Olhou em seu celular as horas e eram exatas meia noite. Faltavam apenas seis horas para o dia amanhecer, apenas isso. Pensou em ver o crepúsculo até o sol nascer, queria estar acordada para não ter que pegar qualquer fila para ir embora. Sabia que aquele momento seria de muita euforia.

E mais duas horas se passaram e o sono começou a bater lentamente em Julia, mas ela jogava água em seu rosto a cada minuto para não dormir. O que seriam algumas horas sem dormir ali se daqui a pouco ela poderia dormir no avião de seu pai?

Quando finalmente o sol começou a aparecer por cima do muro, Julia abriu a janela de seu quarto que ficava no último andar daquele prédio. Emily ainda dormia serenamente sobre a cama. Julia pulou sobre ela com sapatos nos pés e tudo, e a garota levou um susto sendo sufocada pela própria coberta com o peso de Julia em cima.

- Emily! Acorde Emily! Nós vamos embora hoje, vamos embora! – Ela falou empolgada sacudindo a garota enquanto se debatia por cima dela. Ouviu apenas alguns resmungos da garota que se levantou ficando sentada sobre a cama com uma interrogação no rosto.

- Julia... Volte a dormir. – Ela respondeu ainda com os olhos inchados e fechados.

- Emily! Precisamos nos apressar, nossos pais vêm no buscar hoje! Hoje vamos embora do internato! As aulas acabaram, acabou tudo... Vamos pra casa! – Ela falava de uma forma tão sonhadora que não importasse o que Emily dissesse, não conseguiria faze-la voltar a dormir.

- Julia, o horário de partida é só daqui 5 horas. – Ela ressaltou.

- Mas eu sei que meu pai será o primeiro a chegar! Ele é o coronel, eles irão deixa-lo entrar primeiro pra me buscar! – Ela rebateu em seguida agora tão empolgada que não teve receio de falar de boca cheia que era filha do coronel, mesmo nunca tendo gostado de se exaltar por aquilo.

- Por que está tão animada? Você tem noção do que irá acontecer a partir de agora? – Emily a encarou séria. Julia não entendeu o que ela estava querendo dizer. O que poderia ser pior do que viver trancada ali? – Não seremos mais protegidas pelo internato, teremos que nos virar lá fora, trabalhar por comida, e pelo o que as Tutoras comentam por aqui, a situação na capital não mudou nada...

- Isso é mentira! – Julia respondeu na defensiva. Pela primeira vez sua empolgação havia sido cortada abruptamente, e por mais que Emily sempre fora sem paciência com ela as vezes, agora estava indo longe demais. – Meu pai me prometeu que iria transformar Londres em um lugar melhor, e eu sei que ele conseguiu! – Ela afirmou segura. Emily a encarou por alguns segundos não dando atenção aos minutos de surto da garota e voltou a deitar-se na cama.

 

Algumas horas depois, lá estava ela, parada no pátio do internato com mais umas mil garotas todas na espera angustiante por seu familiares, agasalhada com seu casaco cinza favorito, um cachecol azul no pescoço que seu pai lhe dera quando tinha doze anos, usava a saia de pregas que era seu uniforme padrão do internato, meias brancas longas e uma sapatilha branca sem salto, do seu lado estava sua mala gigantesca cor rosa chiclete que ela custava carregar, e deixava-a quase minúscula perto do objeto. Olhava a todo segundo a foto 3 por 4 de seu pai que ela guardava com muito amor sempre no bolso do casaco. Era a única foto dela que ela tinha.

Tentava não surtar mais do que já surtara mais cedo com Emily, tentava se manter calma, aprendera muitas coisas naquele internato sobre boas maneiras, mas se teve uma coisa que não lhe ensinaram ali era a controlar sua ansiedade, ao contrário, parecia que tinha desenvolvido ansiedade ali.

Quando avistou os portões da entrada principal sendo abertos, seu coração se acelerou, batia dolorido contra o peito com tamanha euforia, viu várias pessoas do lado de fora, e sabia que seu pai estaria lá entre uma delas.

Logo uma das tutoras subiu em um pequeno palco improvisado e com um microfone começou a chamar nome por nome que estavam na lista e a tensão parecia aumentar gradativamente. As meninas que eram chamadas cruzavam o portão uma por uma, sem empurra-empurra ou gritarias, não é porque estavam abandonando o internato que iriam perder a classe de debutantes.

Quando o nome de Emily, sua colega fora chamada ela teve a certeza de que o seu seria o próximo. A garota que fora sua colega de quarto durante todos aqueles anos nem se quer olhou para trás para se despedir dela. Que ingrata! Julia sempre imaginou que quando fossem para casa, ela e Emily poderiam sair juntas, e serem melhores amigas, mas o que pareceu naquele é que Emily estava aliviada por não ter mais que ver Julia.

Mas seus pensamentos foram interrompidos em seguida antes que nutrisse mais decepção, quando ouviu seu nome sendo chamado em alto e bom som, até mesmo um pouco autoritário. Nunca pensou que gostaria tanto de ter seu nome proferido por sua tutora, lembra-se das aulas de história que tivera com ela, sempre que seu nome era chamado era para repreendê-la, mas agora era diferente, ela a estava convidando para sua liberdade. Julia segurou na alça de sua mala e começou a arrastá-la, sem muita euforia, sairia daquele internato de cabeça erguida, não iria correr e gritar até o portão, bem, nem se quisesse, sua mala era tão pesada que não permitiria.

Olhou para trás tendo a maravilhosa certeza de que veria aqueles prédios pela última vez, os muros altos, o jardim artificial, o pátio onde ela passava várias e várias horas entediada. Tudo nessa vida tem um começo e um fim, por mais que pareça demorar um dia chega, e aquele dia estava acontecendo naquele exato momento! 12:30, o sol rachando de quente, quase derretendo-a por baixo daquele casaco e daquele cachecol, pois o usava desde cedo, e assim que cruzou o portão, viu um avião do exército inglês pousado no chão ainda com as hélices em movimento, sentiu o vento empoeirado batendo contra seu rosto, franziu os olhos, mas não se importou, ela estava indo pra casa. Rapidamente um dos soldados desceu do helicóptero e correu até seu encontro.

- Pode deixar que levo sua mala senhorita Carter. – Ele disse amigavelmente se curvando. 

- Obrigado. – Ela sorriu timidamente. Era sua primeira experiencia recebendo gentilezas de alguém do sexo oposto. Aquele rapaz era o primeiro homem que via em seis anos. Sua mente ainda parecia desacostumada com aquilo. O olhava como se fosse um alienígena, porém um belo alienígena. Os únicos homens que via naquele internato eram os das séries que assistia de vez em quando em seu notebook.

Em seguida correu para dentro do veículo aéro e finalmente sentiu que podia gritar o quanto quisesse. Subiu as escadinhas rapidamente e a porta do helicóptero se fechou segundos depois do rapaz subir com sua mala. Era um helicóptero maior do que aparentava por fora, tinha estofados confortáveis, era forrado com um carpete macio especialmente para ela.

- Senhorita Carter está com fome? – Ele perguntou indo até um pequeno frigobar que tinha por ali. – Temos bebidas e sanduiches aqui. Fique à vontade.

Julia olhou para o rapaz, era alto, corpulento, tinha cabelos negros e curtos, e aparência jovem, o uniforme era o mesmo desde a época que se lembrava de ter visto algum soldado de seu pai. Mas logo afastou essa distração de sua mente lembrando-se de seu pai. Depois que chegasse a cidade, teria muito tempo pra ver mais rapazes e admirar a beleza masculina que era inexistente naquele internato.

- Quero ver meu pai! Onde ele está? – Ela perguntou eufórica ignorando totalmente o lanche que lhe era oferecido, olhando para todos os cantos assimétricos daquele avião. Mas não o tinha visto até o momento. – Ele está na cabine? – Ela perguntou encarando o soldado com um olhar aflito. Mas ele ficou em silencio.

- Eu vou até a cabine! – Ela não esperou nem ele o respondesse.

- Senhorita, espere! – Ele correu atrás dela. – Não pode abrir a cabine, estamos dando partida agora, os pilotos precisam se concentrar.

Mas ela não deu ouvidos, segurou na maçaneta abrindo a porta com toda sua força. O barulho da porta fez com que um dos pilotos se assustasse declinando o avião por alguns segundos, quase tirando o equilíbrio de todos os passageiros ali, exatamente com o soldado havia lhe avisado. Julia nem se quer ligou para isso, viu que seu pai não estava ali dentre os pilotos, e um súbito desespero começou a possuí-la. Saiu da cabine em seguida voltando para o local dos passageiros. No mesmo instante pensamentos negativos começaram a rondar sua cabeça, “e se ele estivesse morto?”.

- Senhorita Carter. – O garoto a segurou pelos ombros amavalmente. – Senhorita Carter se acalme.

- Por favor, pode me chamar de Julia. – Ela insistiu um tanto aflita. – Não suporto mais ouvir “Senhorita Carter”, isso me lembra minhas professoras insuportáveis. – Ela suplicou sorrindo um tanto perdida.

- Tudo bem, Julia... Sente-se, fique calma. Deixe-me explicar... – Ele a olhou nos olhos tentando acalmá-la. Julia se assentou no banco ao lado e seu corpo todo tremia. Parecia que aquilo era um pesadelo e ela ainda nem sabia ao certo o que estava acontecendo. Vários pensamentos trágicos aleatoriamente surgiram em sua mente, se ele pediu para que ela sentasse, é porque seria uma notícia difícil de se digerir.

- Julia... Eu sou Joshua, trabalho com seu pai na corporação dele. – Ele falou num tom mais baixo. Disse Julia já sabia, estava obvio que ele era um soldado, e poderia apostar que era um dos braços direitos de seu pai, se não, não teria buscado ela. – Atualmente, as coisas na capital estão complicadas, e o coronel Carter precisou ir numa reunião de urgência com mais alguns líderes do distrito a pedido do presidente. Ele me pediu para lhe buscar e para lhe entregar isto. – Ele retirou uma espécie de gravador de seu bolso e entregou a Julia. A garota não questionou nada, apenas deu play para poder ouvir. Viu a imagem de seu pai em seguida num holograma que se materializou na frente dela. Ele parecia o mesmo, exceto por alguns fios brancos e leves marcas de rugas.

 

“Julia... Aqui é o seu pai.

Se está vendo isso agora significa que você está sã e salva e no avião que eu mandei para buscá-la... Me perdoe por não estar aí com você, mas em breve nós nos veremos. Eu prometo. Você será levada pra sede e quando chegar, meus soldados ficarão com você o tempo todo te protegendo até eu retornar.

Eu te amo filha.”

 

Julia sentiu lágrimas quentes descendo sobre seu rosto, não conseguia se quer dizer uma palavra. Não foi nada do que ela esperava, nada do que planejou em sua mente durante todos esses anos, era como chegar ao final de um arco Iris e ao invés de encontrar um pote de ouro, encontrar um grande pote de nada. Deitou sua cabeça nos braços do banco e chorou em silencio.

- O Coronel Carter é um homem honrado, e eu posso dizer isso por conhecê-lo pessoalmente e convivermos, ele te ama muito, e foi muito difícil pra ele não estar aqui com a filha dele. – Joshua tentou confortá-la, mas tudo que recebeu em contrapartida fora um soluço da garota e um olhar de decepção. Mas não podia culpar Joshua por nada, não era culpa dele seu pai não estar ali, então em seguida forçou um leve sorriso para mostrar que ela havia compreendido e que ficaria bem.

Mas, que garantia que seu pai estaria a salvo? Aonde ele estaria naquele momento? E se tivesse caído em uma emboscada de grupos rebeldes. Tanta coisa se passava pela cabeça de Julia que até sentiu falta da época do internato quando pelo menos não tinha notícias nenhuma de seu pai para não deixá-la aflita.

 

~ * ~

 

A viagem fora tediante e chorosa, Julia passou as quatro horas naquele avião alternando entre chorar e cochilar, seus olhos estavam inchados e seu cabelo todo grudado no rosto devido ao suor. Quando pousaram no terraço do prédio, onde era a base protegida do exército londrino, Julia saiu do avião sendo carregada por Tom, não comera nada durante a viagem e nem quando estava no internato, e também havia dormido muito mal na noite anterior. Era tinha a cabecinha um tanto avoada, pensou Joshua.

Ele a levou até um dos quartos especiais da sede e a colocou sobre a cama, todos ali sabiam quem era aquela garota, e rapidamente uma das enfermeiras preparou uma bolsa de soro para ela tomar na veia. Ficou quase 1 hora deitada naquela cama olhando para o teto e as paredes brancas, aquilo parecia um hospital. Quando o soro acabou, ela mesma retirou a agulha de seu pulso e se levantou indo até o banheiro, tomou um longo banho e vestiu algumas roupas que estavam na mala, se olhou no espelho de inteligência artificial que estava na parede do banheiro enquanto terminava de se arrumar pentear os longos cabelos molhados, assim que o espelho reconheceu o rosto da garota, se acionou sozinho ligando o refletor que tinha um calendário do lado marcando a data: 15 de março de 2076.

Era uma invenção bizarra criada a mais ou menos vinte anos atrás e que evoluiu como tempo, até o presente momento o espelho era capaz de scanear o rosto de qualquer pessoa que se pusesse a sua frente e fazer uma análise automática desde seus sentimentos mais simples até diagnósticos de estado de saúde, não era mais novidade para as pessoas daquela sede, mas era a primeira vez que Julia via um, afinal, o internato achava suficiente os espelhos normais que tinham por lá.

Após fazer a análise os resultados apareceram em letras vermelhas e florescentes na tela; o resultado fora ansiedade elevada crônica, e baixo nível de serotonina, estava evidente que Julia se sentia deprimida com toda aquela situação. Suspirou deixando o intrigante espelho de lado e se ausentou do quarto.

Saiu pelo corredor caminhando normalmente, queria sair nas ruas, sentir o ar fresco, ver o mar, ver pessoas, tomar um sorvete, se sentir com uma garota normal de 18 anos, não como uma prisioneira mais, talvez aquilo a ajudasse a se sentir melhor.

Pegou a pequena foto de seu pai e colocou no bolso da jaqueta rosa claro que era coberta por uma malha fofa e fresquinha, de qualquer forma, sentia-se mais segura com aquela foto. Mas antes de cruzar o corredor para pegar o elevador avisto Joshua, ele estava falando ao telefone, mas assim que a viu desligou e a olhou preocupado e surpreso.

- Julia, aonde vai? – Ele perguntou preocupado mas tentando soar o mais natural possivel.

- Vou sair... Ué... – Ela respondeu arqueando uma sobrancelha. Nem ela mesma tinha certeza se podia fazer aquilo. – Eu... Posso? Não posso? – Resolveu perguntar em seguida, afinal, já estava acostumada a receber ordens quando se tratava de seu direito de ir e vir. Culpa do sistema do internato, mesmo que Joshua não passasse de um soldado de seu pai ao qual ela poderia dar ordens se quisesse.

- Não pode sair sozinha da sede, se for para as ruas desprotegida alguém pode querer ferir você. – Ele a advertiu a olhando sério. Talvez ela ainda não tivesse caído na realidade, mas não estava mais no Internato, não podia sair por aí por onde bem entendesse, não estava mais protegida por muros, aquela era sua realidade, poderia cruzar a esquina e ser morta por uma bala perdida.

- Ah, você está exagerando. – Ela riu. – Além do mais, ninguém sabe que eu sou filha do coronel além de vocês. – Aquilo parecia tão obvio.

- É aí que você se engana Julia, tem fotos suas espalhadas por tudo quanto é site. Como acha que eu te reconheci quando fui buscá-la? – Ele respondeu cruzando os braços.

- Quem fez isso? Como? – Ela falou boquiaberta.

- Hackers, eles invadem arquivos pessoais do exército, não sabemos quem faz isso, mas com certeza não é com boas intenções. Mas não se preocupe, já estamos trabalhando nisso a um tempo para impedir que acontece novamente. – Ele assentiu. Julia olhou para baixo sem saber o que fazer... Ela saiu de uma prisão e entrou em outra pior? Era isso?

- Tudo bem... Acho que vou voltar pro meu quarto e bater minha cabeça contra a parede até que meu tédio vá embora... – Ela falou de uma maneira tão natural que o soldado não duvidou que ela fizesse aquilo mesmo.

- Olha, Julia... – Ele bufou. – Tudo bem, eu saio com você. Mas só pra você comprar alguma coisa rápido e tomar um ar, e depois voltamos a base ok? Eu sinto muito que tenha que ser assim, mas sua chegada de volta a capital é recente, e não sabemos como as pessoas vão aceitar isso, estamos no meio de uma crise, da qual você não tem culpa claro, mas... É a filha do Coronel Carter. – Ele explicou. Um sorriso enorme brotou no rosto de Julia, ignorou todo o fato de que podiam existir pessoas lá fora que a odiavam, afinal, conviveu com pessoas que a odiavam no internato por vários anos, o importante naquele momento é que iria sair.

- É sério? Obrigado Joshua! Obrigado! – Ela pulou o puxando pelo braço. – Vamos logo, vamos logo, vamos logo...

E ela foi gritando até saírem da porta pra fora. Joshua guardou uma arma dentro do casaco e olhou para todos os lados antes de saírem. Quando Julia viu a rua a sua frente quase se deitou no chão, se agachou tocando o solo com as mãos e brincando como uma criança. Joshua olhava aquela cena balançando a cabeça negativamente, e em seguida a levantou puxando-a para cima.

- Rápido Julia. – Ele falou impaciente. – Aonde pretende ir?

- Quero ir ao shopping, quero sorvete, quero Yakisoba, quero comprar roupas... – Ela falava tudo que vinha a mente, e com os olhos brilhando.

- Você sabe que não precisa comprar nada, não sabe? e que tudo que precisar tem nada sede... – Ele a lembrou, mesmo sabendo que isso não iria mudar os planos dela.

- Por favor Joshua... Você tem noção do que é ficar seis anos presa em um internato cheio de regras sem ter liberdade pra nada? Tem noção do que eu passei naquele inferno? Rodeada por mais mil garotas e nenhuma delas foi minha amiga de verdade, eu estive sozinha esse tempo todo, eu fiquei paranoica, fiquei sufocada... Eu só queria ter minha vida de volta. – Ela falou com os olhos brilhando em lágrimas, mas não queria chorar mais. E Joshua também não queria contrariar a filha de seu chefe.

Saíram em direção ao shopping, e até o momento nenhuma ameaça a ela tinha sido detectada. Se algo acontecesse à filha do coronel Joshua poderia dar adeus às forças armadas. Julia comprou várias roupas novas, provou do sorvete industrial que há anos não tomava, nem mais se lembrava do sabor, era estranho e ao mesmo tempo saboroso. Olhava em todas as vitrinas fascinada, via garotas da idade dela vestidas de modo inusitado, viu o quanto as coisas haviam mudado naqueles seis anos, tudo parecia como num filme japonês de ficção cientifica, tudo tão tecnológico. Ao saírem do shopping, ficaram parados próximos ao estacionamento.

- Você comprou coisas de mais. Não dá pra saímos com isso nas ruas em um taxi, é perigoso. Vou ligar pra Sede e pedir pra nos mandarem um carro particular. – Ele respondeu sério pegando seu celular. Joshua parecia tão sério e cuidadoso, como um guarda-costas de verdade. Julia assentiu satisfeita, não queria ir embora naquele momento, mas resolveu não abusar da boa vontade do soldado.

Enquanto ele fazia a ligação, ficou distraído que nem notou que estava dando passos largos demais, deixando Julia a alguns metros distantes de si, ele olhava para o aparelho celular holográfico como se o sinal estivesse ruim de sinal, mas a garota não queria desobedecê-lo, ficou parada sem se mover um centímetro do chão. Sentia que aquele fora o melhor momento do dia que tivera, o sol já se punha, e infelizmente não podia ficar mais, teria que voltar pra Sede. Joshua tentava ligar, mas parecia não obter sucesso, enquanto Julia aguardava sorriu para ele observando sua expressão séria e impaciente.

 Mas, em seguida como que magicamente, ela foi surpreendida por alguém a cutucando no ombro, sentiu a pressão de dedos pesados contra sua pele, e olhou assustada para trás se deparando com um garoto magro, de cabelos negros, e apesar de lisos, estava bagunçado, ele era um pouco mais alto que ela, estava sujo, sujo como alguém que o suor havia grudado na pele, vestia uma camisa preta com alguns rasgados, parecia muito novo pra tais condições inadequadas, parecia um garoto marginalizado, tinha olhos âmbar e fixos nelas e bastante expressivos, ele a olhava sem medo de forma intimidadora, com um sorriso largo e irônico no rosto, pelo menos os dentes eram brancos, ele possivelmente era um garoto de classe inferior, Julia não sabia bem identificar, mas naquele instante sentiu o choque de classe econômica na pele, e não sabia o que falar, deveria cumprimenta-lo? Joshua e os outros soldados tinham cabelos bem cortados, roupas nobres e estavam sempre limpos, já aquele garoto...

- Com licença tia, você não teria um algum dinheiro pra me dar não? – Ele perguntou com um sorriso travesso, o tom de sua voz era grave, logo notou que ele não podia ser tão criança assim como ela imaginou, devia ter mais ou menos sua idade. Por que a chamou de “tia”? ele estava brincando com ela? Ela não era velha, talvez fosse só uma gíria, ela logo deduziu, ou ele achava que por ela ter dinheiro, ele a enxergava com mais idade. A expressão dele logo ficou tranquila, como de alguém que transparecia que já era acostumado a fazer aquilo.

 Mesmo assim Julia sentiu medo, e pela primeira vez entendeu do que Joshua a havia avisado. Mas tentou manter a calma, Joshua estava de costas e parecia que finalmente estava conseguindo falar no celular, não queria fazer um escândalo e acabar com seu passeio, que até o momento estava indo tão bem.

Ela olhou para o garoto nervosa, e se ele fosse um assassino armado? Não seria surpresa, Joshua havia lhe avisa de como as coisas estavam perigosas na capital atualmente. Mas talvez ele fosse apenas um pobre mendigo, mas de qualquer forma não iria contrariá-lo por precaução, abriu sua bolsa temerosa com as mãos um pouco tremulas e retirou alguns trocados que havia sobrado das compras que fizera no shopping. Ele estendeu a mão com um sorriso sínico e pegou o dinheiro, suas unhas curtas pareciam sujas de sangue, o que fez com que o nervosismo de Julia só aumentasse.

- Poxa como você é egoísta... Eu esperava mais da filha do Coronel Carter. – Ele respondeu guardando o dinheiro no bolso como se fosse um pedaço de papel qualquer sem valor.

- S-sabe quem sou eu? – Ela engoliu seco.

- Claro que eu sei. Todos sabem. – Ele sorriu de lado. – Principalmente os que querem matar o seu pai e você.

- Querem nos matar? – Ela perguntou sentindo sua garganta se apertar. Já sabia desse boato, mas ouvir isso da boca de alguém era surreal e assustador. Não sabia porque ainda teve a coragem de perguntar aquilo.

- Sim. – Ele respondeu naturalmente abrindo um leve sorriso.

- Por quê? – Ela o olhou assustada. A curiosidade em Julia era sempre maior do que o medo de ouvir o que não devia.

- Você não sabe? – Ele surpreendeu-se falsamente com um olhar sínico.

- Não, eu não sei, a única coisa que sei que é que meu pai é um herói. – Ela engoliu seco.

- Você é tão mesquinha e superficial quanto seu pai. – Ele riu sarcástico. – E olha que te conheço tem um minuto. – Julia respirou fundo tentando não discutir mais, aliás, ela nem devia ter dado corda pra aquela conversa, mas não se conteve. Se tinha algo que a feria é falar que seu pai não era um homem bom, ainda mais ouvir isso da boca de um desconhecido marginalizado.

- E quem é você pra falar alguma coisa? Não passa de um mendigo! Não sabe de nada! Aposto que nem sabe ler. – Ela esqueceu o medo de morrer e ser atacada ali mesmo e respondeu a altura. Mas ao contrário do que esperava, o garoto passou as mãos no cabelo o bagunçando de propósito para provoca-la, sabia que ela não revidaria.

- Mendigo? – Ele riu alto. – Mas que bela idiota você é, tão ingênua... Até chega a ser fofa. – Ele riu como se admitisse. – Hm, gostei desse casaco... Aposto que você tem um monte desses...

- Gostou do casaco? Pra dizer que não dizer que sou egoísta... – Ela começou a tirar o casaco com raiva. – Toma, leva com você! Eu tenho muitos sim! – Ela respondeu nervosa entregando seu casaco a ele.

- Poxa, que ato nobre... – Ele falou com sarcasmo e imediatamente vestiu o casaco da garota. Ambos sabiam que ela estava fazendo aquilo apenas para irritá-la e que logo jogaria o casaco caro na primeira lixeira que encontrasse pela frente. Colocou as mãos no bolso e tateou a pequena fotografia de seu pai que Julia carregava consigo nos bolos, ele olhou pra foto, e em seguida a rasgou. Julia abriu a boca sem emitir nenhum som. – Tem cheiro de morango... – Ele cheirou o tecido em seguida, e se aproximou dela cheirando seu pescoço como se estivesse verificando de onde certamente vinha o aroma. Julia se assustou e deu alguns passos para trás tentando não ser tocada pelo estranho.

E foi nesse momento que Joshua notou o que estava acontecendo ali, encerrou a ligação e correu até o garoto retirando sua arma e apontando-a bem no meio da testa dele. Julia deu um grito e se abaixou tapando os ouvidos.

- Você ficou louco moleque? Quer morrer? – Joshua gritou o ameaçando.

- Não Joshua não faça isso! Ele só estava me pedindo dinheiro. Não estava me fazendo mal. – Julia falou apavorada, não queria que ninguém morresse por ela, mesmo se tratando daquele desconhecido abusado e inconveniente, e o garoto não demonstrava nenhuma tentativa de contra-ataque ou defesa, apenas ficou parado como Joshua mandou.

- Você não tem que dar esmolas pra esse tipo de gente. – Ele respondeu quase cuspindo no rosto do garoto que permanecia calmo.

- Tudo bem Joshua, solta ele, ele não fez nada demais, eu que devia tê-lo mandado embora. – Ela segurou nas mãos de Joshua fazendo-o lentamente abaixar a arma. Não estava afim de ver sangue sendo derramado no seu primeiro dia de liberdade na capital por mais raiva que estivesse sentindo daquele garoto naquele momento.

Julia então respirou fundo vendo que finalmente aquela situação tinha se normalizado. Joshua abaixou a arma e a colocou no bolso.

- Muito bem, o carro chega em poucos minutos. E você garoto, saia logo daqui e não importune mais a senhorita Carter antes que eu mude ideia e meta uma bala dessas bem no meio da sua testa. – Joshua ditou sério.

E esse foi o momento crucial para ele agir rápido. Retirou uma pequena faca, mas muito afiada, de dentro da manga da blusa preta de mangas longas e puxou Julia a mantendo presa pelo pescoço entre seus braços.

- Um passo e eu corto a garganta dela. – Ele respondeu com um sorriso sínico encostando a ponta afiada no pescoço fino e branquinho de Julia, que gritou, mas não conseguia se soltar.

- Você vem comigo. – Ele falou próximo ao rosto de Julia a puxando. A cada passo ela via Joshua mais e mais afastado. Ele estava parado como se não soubesse como agir.

- Joshua! Socorro! – Ela gritava, mas ele não se movia.

Julia não sabia para onde estava sendo levada, estava nas mãos daquele estranho e agora ele podia matá-la. Devia ter ouvido Joshua, mas foi teimosa em querer sair. Julia devia ter aceitado desde o início que era uma garota sem liberdade, era difícil aceitar a realidade, mas era seu destino desde que nasceu.  

 

 


Notas Finais


Obrigada por ler!


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