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História Irresignada - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Lee


Julia foi arrastada por aquele garoto estranho por algumas quadras, não imaginava que sair às ruas seria realmente tão arriscado, aquilo parecia um pesadelo se tornando realidade, a cruel realidade. Não via nem sinal de Joshua, mas tinha certeza que ele já estaria preparando algum plano para resgatá-la, ela cria nisso, ele havia cuidado tão bem dela e era o soldado de confiança de seu pai, ele não iria deixar um marginalzinho qualquer sequestra-la sem tomar uma providencia, por isso resolveu não demonstrar resistência enquanto era levada, precisava manter a calma, mesmo com uma faca afiada contra seu pescoço. Era apenas questão de tempo até Joshua aparecer, ou até mesmo toda a corporação de soldados, para resgatá-la.

O garoto não dizia nada, apenas a arrastava de forma discreta, tinha uma algema eletromagnética presa ao pulso de ambos, achou incrível ninguém ali por perto estar desconfiando do que estava acontecendo, ou talvez ninguém se importasse mais com o próximo, ou tinham medo de intervir, ou não a estavam reconhecendo como filha do coronel, as pessoas estavam cada vez mais frias. Emily tinha razão, fora do internato estariam desprotegidas, ela sentia-se uma ovelhinha caminhando para o matadouro. Fechou os olhos e começou a chora discretamente, ou aquele garoto não tinha percebido seu choro, ou percebeu mas não ligava, pois ele não disse nada a respeito, nem olhava para ela.

Ele estava demorando... Ele estava demorando... Ele estava demorando mais do que devia! Onde estava seu resgate?... Alguém? Pensava a todo instante.

 A noite já havia chegado, se aproximaram de um beco sem saída e eles pararam de caminhar repentinamente. Julia soluçava, mas não ousava perguntar o que estava acontecendo. Aprendeu com seu pai que nunca se discutia com qualquer bandido, e isso valia pra aquele marginal também. Ele retirou a faca do rumo de sua garganta e a guardou em seu bolso, segurou Julia pelo pulso e se agachou em seguida abrindo a boca de um bueiro. Julia arregalou os olhos, parecia que ele sabia exatamente aonde estava se metendo, ele iria matá-la naquele lugar nojento e sujo? Típico. Agora estava explicado o porquê de aquele garoto estar imundo, ele entrava em bueiros, literalmente.

- Vamos descer. Vem. – Ele dizia enquanto retirava a tampa. Automaticamente Julia tapou o nariz com uma de suas mãos livres. Ah, por favor, ele não poderia estar falando sério. Um esgoto?

- Por favor, não. – Ela se ajoelhou, mas ele a arrastou na mesma hora sem pensar duas vezes fazendo-a ralar de leve os joelhos no asfalto.

- Anda logo Julia, menina teimosa. – Ele a puxou pela mão enquanto já tinha o corpo parcialmente dentro daquele bueiro. Lá em baixo havia uma escadinha que o ajudavam a descer para o subsolo. Julia desceu de cabeça para baixo sendo segurada pelo garoto, o que quase levou os dois numa queda quase que cômica. Julia parecia uma criança aprendendo a andar sendo puxada.

Em seguida ele colocou a tampa tapando o bueiro e certificando que ninguém a abriria, quando Julia colocou os pés naquele solo gosmento e úmido quase vomitou. Estava dentro do esgoto, era como um cristal dentro de uma poça de lama. Pensou que raios levaria aquele garoto entrar ali, nunca imaginou que o fim de sua vida chegaria dentro de um esgoto, morrer ali naquele local seria um trágico contraste do que viveu em toda a sua vida.

- Eu vou desmaiar... Vou desmaiar... – Ela simulou da forma mais dramática que conseguia para tentar impor pelo menos um mínimo sentimento de pena naquele garoto. Ele olhou aquela cena encabulado enquanto a garota simulava uma falta de ar com caras e bocas exageradas, fruto do que aprendeu fazendo aulas de teatro no internato, algo que ela se considerava muito boa. Mas ele apenas ficou parado assistindo achando aquilo tudo divertido. Ela se sentiu tola de pensar que naquele garoto esfarrapado não pudesse existir senso e inteligência para saber que ela estava atuando. Estava subestimando a inteligência dele, e isso só a deixava com mais medo dele.

Quando Julia notou que não estava obtendo resultados, rapidamente ameaçou correr o mais rápido que conseguisse para fugir dele, mesmo não tendo ideia pra onde ir, mas logo no primeiro passo foi puxada pela algema eletromagnética. Olhou para ele assustada e decidiu que seria melhor não arriscar mais nenhuma “gracinha”. Então cedeu sem contra-atacar, abaixando a cabeça.

- Se acabou o showzinho, vamos logo porque o caminho vai ser longo. – Ele segurou em sua mão apenas para irritá-la, já que não tinha necessidade alguma já que ambos usavam algemas, e começaram a caminhar por aquele túnel mal iluminado. – Onde aprendeu aquela simulação fantástica de desmaio? – Ele riu soprado. Mas ela abaixou a cabeça e ficou em silencio.

Julia olhava a água imunda daquele esgoto correndo pelo centro, e já se imaginava boiando na mesma. Só que morta, sentiu um arrepio na espinha, talvez até mesmo esquartejada. Aquilo fez seu corpo todo enrijecer de pavor. Seu coração batia dolorido contra o peito, mas ela não ousava nem perguntar o que ele iria fazer com ela. Tinha medo, muito medo de que talvez aquilo o irritasse de alguma forma, e sua ansiedade já atacava fortemente. A cada passo que davam sentia sua vida indo embora, era como uma contagem regressiva para o fim. Passou seis anos prisioneira de um internato, e quando finalmente achou que estaria livre, fora raptada, e agora pra um lugar pior, um esgoto.

- AH MEU DEUS! – Ela gritou alto sendo surpreendida por um rato que passou entre seus pés. O garoto encolheu os ombros tomando um leve susto pelo grito estralado. – Um rato nojento... – Ela choramingou se debatendo.

- Onde? – Ele olhou para baixo o procurando.

- Eu não sei ainda bem que foi embora. – Ela olhou para baixo apavorada.

- Aquilo para alguns se chama “comida”. – Ele bufou balançando a cabeça negativamente como se estivesse decepcionado. Julia o olhou incrédula.

- Calma aí... – Ela não se conteve. Precisava falar, não controlava bem sua língua as vezes, principalmente quando era algo que devia deixar quieto. – Você pede esmola na rua e não compra comida? Precisa comer rato? – Ela fez uma cara de vomito.

- Antes comer rato do esgoto do que comer com as esmolas dos burgueses. – Ele falou como se fosse uma espécie de filosofia de vida, e como se não se importasse, ele parecia estar debochando dela, duvidou que ele realmente fosse capaz de comer aquilo, e no fundo ele não se importava com a opinião dela. E Julia imaginou que se ele realmente continuasse naquele estilo de vida não chegaria aos trinta anos de idade, apesar de aparentar ser saudável por enquanto. Não que ela se importasse com a vida dele, foi mais uma observação de momento. – Não que eu já tenha comido, mas já vi muitas pessoas comeram. É claro que você não entenderia princesinha de açúcar.

- Quantos anos você tem? – Ela perguntou a princípio por curiosidade, mas achou que talvez pudesse haver alguma maneira de persuadir aquele menino. Sim, aquele era seu plano B enquanto o plano A de ser resgatada pela corporação ainda não acontecia.

- Cinco. – Ele respondeu forçando uma voz fina, e deu de ombros com um sorriso de deboche.

- Era só uma pergunta... Não precisa responder assim... Eu só...

- Você o que? Acha mesmo que vai conseguir me persuadir? – Ele a interrompeu. Julia já sabia que aquele garoto não passava de um indigente, nem documentos deveria ter. Um perdido, completamente perdido e sem futuro, e que provavelmente não tinha nenhuma expectativa de vida e não estava nem aí pro certo e o errado, era um delinquente da espécie mais baixa que se podia existir, mas não era burro.

- E você tem ao menos um nome por acaso? – Ela ficou no vácuo. Ele devia achar que ela fazia perguntas demais, e bem, fazia. – Pode me dizer? – Perguntou em seguida. Tentou novamente esta tática: aproximação, quem sabe debater com um marginal não fosse tão arriscado assim como nas recomendações de seu pai. – Pode falar, afinal, daqui a pouco você não me verá mais pois estarei morta... – Ela completou falando baixinho o suficiente pra ele não ouvir.

- O pessoal me chama de Lee. – Ele respondeu. “Pessoal”? tinha mais gente vivendo naquele esgoto? Engoliu seco. Mas decidiu não demonstrar apavoramento.

- Ok, Lee, estamos sendo amigos, não estamos? – Ela sorriu de orelha a orelha para ele, talvez ele não tivesse conhecimento de toda a riqueza que ela possuía, e quem sabe podiam chegar a um acordo. Lee virou-se para ela com uma expressão de tédio, mas sem parar de caminhar. – Que tal se a gente, fizesse um trato?

- Um trato? Hm. – Ele simulou uma expressão pensativa. – Não te avisaram que não se deve negociar com um marginal? – Ele riu em seguida. Parecia que havia lido seus pensamentos.

- Eu sei que no fundo você não é uma pessoa ruim, e é esperto, deve estar fazendo isso a mando de alguém que ouviu coisas horríveis a respeito do meu pai, o que não passam de mentiras, mas eu prometo que se me soltar e me deixar ir pra casa eu não conto nada pra ninguém do que aconteceu. Eu juro. E se quiser eu ainda te dou uma casa. Te dou um carro, o que você quiser pra sair dessa vida de marginal onde você precise praticar coisas horríveis pra sobreviver. – Ela tentava aparentar ter controle da situação, mas pedia desesperada. Estava tremula. – Por favor... – Continuou.

- Eu já tenho uma casa... – Ele falou como se fosse obvio. – E eu não vou te soltar. – Ele ressaltou.

- Ok, você deve ser do tipo que não liga pra dinheiro, entendi. Desculpa. – Ela falou nervosa. Céus, estava pedindo desculpas pra um garoto estranho que provavelmente iria matá-la a sangue frio? – Mas, saiba que você irá derramar sangue inocente! – Ela aumentou o tom. – EU SOU UMA BOA PESSOA, EU NUNCA FIZ MAL A NINGUÉM PRA MERECER SER ASSASSINADA NUM ESGOTO POR UM MENDIGO! – Começou a chorar como uma criança não contendo mais suas emoções.

- Eu não vou matar você. – Ele parou de andar e a encarou. – Você tá achando que... Esse tempo todo você estava achando que eu iria matar você? – Ele deu uma gargalhada.

Julia ficou em silencio e começou a enxugar suas lágrimas e seu nariz que escorria. Se sentiu boba, novamente estava agindo por impulso. Olhou para ele como um bichinho indefeso assustado. Não entendia então porque ele a trouxe para aquele local, foi a mando de alguém para pedir resgate ou algo do gênero? Seja lá o que fosse saberia que seu pai iria pagar a quantia que fosse para libertá-la, ou qualquer outra coisa que eles pedissem em troca.

- N-não vai me matar? – Perguntou novamente apenas para ter certeza.

- Eu não, mas o Thierry, quem sabe... – Ele completou pensativo.

- Quem é Thierry? – Ela voltou aos prantos.

- Eu to brincando, to brincando. Você é muito dramática, já te disseram isso? – Ele deu alguns leve tapinhas em seu ombro. Na verdade, já tinham dito, todos no internato diziam. – Thierry manda aqui. Toda a área do subsolo é comandada por ele, mas nada irá te acontecer se você se comportar, tá esquisitinha, colabore, ou se não... – Ele a encarou simulando uma faca em seu pescoço com as mãos.

Julia balançou a cabeça rápido positivamente limpando as lágrimas pela centésima vez naquele dia. Ela não sabia de que espécie de tribo urbana se tratava, e o que iria enfrentar, o fato é que não tinha saída. Já estava a quase vinte minutos sendo levada pra seu “cativeiro” naquele esgoto. Aquele lugar mais parecia uma cidade no subsolo, criada por grupos de pessoas excluídas ou algo do tipo. Lembrou-se de quando era criança e seu pai falou sobre os subctizens, seria aquele povo?

 

~ * ~

 

Quando avistaram uma espécie de portão de aço, ambos pararam e Lee colocou a mão sobre o detector que dava passagem ao local. Tecnologia daquele nível no subsolo? Aquilo surpreendeu Julia. A porta pesada e aço se abriu e ele a puxou para que entrassem. Estavam dentro de uma pequena aldeia que havia se construído ali naquele local escasso e estranho. Inacreditável, era como uma cidade secreta, um pouco bizarra, mas pelo menos o cheiro ali era mais agradável agora, deviam viver milhares de famílias ali. Assim que chegaram todas as pessoas que circulavam nas ruelas voltaram seus olhares e sua atenção para Julia, era como se ela fossa atração principal de um show, começou a sentir cada vez mais desconfortável e amedrontada, todos a encaravam, e com um certo desprezo no olhar.

- Por que estão todos olhando pra mim? – Ela sussurrou.

- Por que nunca viram uma menina tão feia assim por aqui. – Ele respondeu naturalmente. Julia revirou os olhos. Em seguida Lee tirou o casaco rosa de Julia que estava vestido desde cedo e o jogou para um bando de crianças que brincavam ali por perto, rindo da reação delas se divertindo com o casaco caro de Julia, ela apenas engoliu seco vendo uma boa grana sendo “jogada no lixo”.

- Onde está o seu chefe? Quero falar com ele! – Ela falou em seguida um pouco irritada. “Chefe” Lee riu soprado.

- Estou te levando pra lá agora. E ele não é um chefe, ou comandante, ele é um líder, isso é bem diferente garotinha. – Ele a encarou.

Passaram por todo aquele povoado de pessoas, todos com olhares estranhos e com vestimentas sujas. Não havia muita higiene por ali pelo visto, ou havia, mas as pessoas insistiam em se parecer como homens das cavernas, parecia que viviam no século passado, logo entendeu porque Lee estava vestido daquele jeito. Enquanto passavam por uma espécie de passarela de madeira, um homem que estava entre o amontoado de pessoas se arrastou segurando no tornozelo esquerdo de Julia, que em contrapartida deu um grito estridente como se tivesse sido picada por uma cobra. Lee olhou para trás e viu o homem que ria satisfeito pelo susto que tinha dado na garota.

- Me desculpe, eu só queria dar as vindas a senhorita Carter. – Ele ria mostrando os dentes mal cuidados, e Julia ficou paralisada após o susto, assustada e encolhida, pensou que estava sendo atacada e morreria naquele instante mesmo. Lee deu um chute no homem o pegando de surpresa, o chute foi forte o suficiente para jogá-lo para trás, o fazendo cuspir sangue.

Aquilo tinha sido um clássico golpe de alguma luta que Julia não saberia dizer o nome, mas era bem coisa típica de oriental, foi impressionante. Ele sabia lutar, ele parecia mais ameaçador agora do que quando tinha apenas uma faca na manga da camisa.

- Sem showzinhos agora. – Ele olhou sério para o homem indicando que aquilo serviria para qualquer um ali que tentasse alguma gracinha.

- Vocês são animais... – Julia olhou assustada para o garoto que revirou os olhos.

- Desculpa aí Mark, mas estou encarregando de tomar conta dessa filhinha de papai. – Ele respondeu ao homem que acabara de chutar enquanto saiam. E o resto dos que estavam ali riram.

Eram loucos, loucos! Julia agora acabara de comprovar.

 Havia um pequeno escritório bem à frente e ambos entraram. Seria ali o “cativeiro” do tão prestigiado líder deles? Assim que entraram, Lee soltou o pulso da garota que já se encontrava dolorido de tanto ser apertado durante o trajeto e desbloqueou as algemas. Um simpático senhor estava assentado sobre uma cadeira jogando xadrez com uma garota, eles pareciam tão concentrados que nem notaram que eles estavam ali.

- Thierry, eu trouxe a senhorita Julia Carter, desculpe a demora. – Ele falou chamando a atenção do senhor que parecia indefeso, e estava concentrado no jogo.

- Ah, senhorita Carter! – Ela a olhou sorrindo e se levantou para cumprimentá-la. Parecia agir como um parente que não se vê a anos, quanta ironia, pensou ela, estava enojada. Ele segurou em seu rosto com as mãos ásperas e sujas. Julia fez uma careta sem saber como reagir. – Seja bem-vinda, meu pequeno e frágil amuleto da sorte. – Mas afinal, ele estava sendo irônico ou realmente estava a tratando bem?

- Acabem logo com a minha tortura! O que vocês querem de mim? – Ela colocou as mãos sobre a cabeça dramaticamente surpreendendo Thierry e a garota que os observava de longe, mas Lee já tinha se acostumado com as cenas dela, e as tentativas de persuasão fracassadas. Ela não desistia mesmo.

- Mas o que ela está fazendo? Tem certeza que é a filha do coronel do Carter? Ela é tão diferente... – O senhor a encarou dos pés à cabeça forçando as vistas.

- Por incrível que pareça é ela sim, Joshua me garantiu, ela estava com ele. – Lee comentou em seguida. Naquele momento Julia quase caiu ao chão, suas pernas ficaram bambas, foi como tomar um choque da cabeça aos pés.

- Você disse Joshua? Conhecem o Joshua? O que ele tem a ver com isso? – Ela o olhou estática totalmente perplexa.

- Ah é, esqueci de te dizer mais cedo... Joshua quem pediu pra te sequestrarmos. – Ele comentou normalmente. – Isso tudo, foi ideia dele. – Ele sorriu completando.

- QUE DIZER QUE AQUELE MOMENTO FUI TUDO ARMAÇÃO? FOI TUDO TEATRO? – Ela gritou desesperada. Não acreditava que havia caído numa emboscada de um dos homens de confiança de seu pai. Não desconfiou dele num momento se quer.

- Foi sim... E o Joshua atoa super bem, devia ver ele bancando o protetor, o cara é um ator de primeira. – Lee comentou com Thierry enquanto ambos gargalhavam como se tivessem imaginando a cena. – Você devia ter visto, foi hilário.

- POR QUE ELE FEZ ISSO? POR QUÊ? – Julia gritou com raiva olhando pros dois que não paravam de rir. Mas ninguém ali estava esboçando nenhuma reação.

- Eu explico por que... – A garota que estava ali calada até então finalmente se pronunciou, falava com autoritarismo, ela deu alguns passos se aproximando de Julia a encarando.

- Joshua quer o lugar do seu paizinho, e ele só vai conseguir isso se tomar o bem mais precioso dele, a filha. Seu paizinho nos daria qualquer coisa por você. Joshua passou anos ganhando a confiança de seu pai até chegar o grande dia. – Ela contou. – O plano inicial era te sequestrar na própria base do exército, mas como você pediu pra sair isso só facilitou os planos de Joshua, bastou ele ligar pro Lee pra indicar que você estaria vulnerável. E então, boom, você foi sequestrada.

Aquele plano articulado minuciosamente por aquele canalha. Agora ela entendia o porquê de Joshua não ter corrido para salvá-la. Ele não iria salvá-la, e ninguém mais iria, porque ele foi o único que a viu sendo lavada, e não contaria pra ninguém. Sentia-se tão traída. Não poderia explicar com palavras o sentimento que invadia seu peito naquele instante. Tudo havia se transformado num pesadelo, nada parecia acontecer a favor nada. Absolutamente nada. Parecia uma maldição inquebrável.

- Mas não se preocupe senhorita Carter, não vamos machucá-la. – Thierry jurou.

- O que vocês vão ganhar com isso tudo? – Ela gritou.

- Joshua nasceu aqui, ele é parte do nosso povo ele é o único dentre nós, excluídos, que pode conseguir voz no poder... E finalmente transformar essa capital numa cidade justa para todos. O seu pai jamais aceitaria que nós vivemos e tivéssemos os mesmos direitos dos ricos de Londres. Mas Joshua prometeu mudar isso tudo. – Ele respondeu fitando o chão.

- E vocês acham justo o que estão fazendo comigo? – Ela rangeu os dentes.

- Desculpe senhorita Carter, mas é a única forma de tirarmos o coronel Carter do poder... Sabemos que não tem culpa de nada, por isso não vamos machucá-la. Não somos pessoas horríveis como a senhorita pensa, mas tudo tem um preço. E o preço para conseguirmos o domínio da capital consta em sequestramos a senhorita. – Ele respondeu gentilmente. Mas aquilo não iria fazer com que Julia ficasse calma.

- Isso não é certo! – Ela exclamou furiosa.

- Lee, coloque essa garota no quarto especial dela. Não aguento mais ouvi-la falar. – A garota bufou dando as ordens em seguida.

- Vamos logo. – Ele a encarou colocando a mão em seu ombro a encaminhando.

 



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