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História Irresignada - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Revelações


Joshua estava furioso, afinal, que tipo de família era aquela que escondia segredos? Tinha que dar razão a Lee por ter fugido e preferir ajudar Julia, ele sabia que no fundo estavam mais cegos pelo poder do que os governantes da capital, ele cresceu ao lado do Sr. Carter, e sabia o verdadeiro caráter do Coronel, e nunca havia lhe feito nenhum mal, apenas o apoiado como um pai, e agora Joshua estava num dilema sobre qual lado seguir, seu povo ou o Coronel Carter.

Mas antes de tomar qualquer decisão achou que seria melhor conversar com Thierry antes, precisa ouvir o lado dele antes de mais nada. E ele era um sábio e gentil senhor, sempre fora assim com todos. Ele sempre estava ajudando todos que viviam naquele esgoto e nunca reclamava de nada, era um verdadeiro líder nato, mas seria confiável? Talvez não. Mas aquilo não era empecilho para Joshua, já que ele também não era, e sabia disso.

 Fora apenas questão de tempo para as mentiras virem por água abaixo e destruir a trindade de líderes do subsolo. O encontrou conversando com um grupo de crianças em uma roda, e os interrompeu discretamente.

 

- Mais tarde conversamos criança... – Ele falou gentilmente se despedindo daqueles meninos que ouviam suas histórias atentamente, e um por um foram saindo desapontados.

- Thierry, precisamos conversar. – Ele o olhou sério. – A Deborah me contou tudo sobre o Lee... Porque nunca me disse nada? – Foi direto ao ponto. – Por que continuou com ele depois de descobri que ele não estava com o chip? Porque você escondeu isso de nós? Você sempre foi tão verdadeiro, sempre passou confiança, e você sequestrou o filho do Coronel Carter e agora fez o mesmo com a Julia! Sabe o que pode acontecer quando as pessoas descobrirem isso? Irão dar razão ao coronel e você e todos nós seremos executados! – Joshua falava eufórico e preocupado, e Thierry apenas mirava o chão com uma expressão triste.

- Joshua, me perdoe por esconder isso de você... As coisas saíram fora do meu controle, mas eu posso explicar tudo. – Ele o olhou suspirando.

 

Flash Back

 

- Todos achavam que eu era louco... Mas eu sempre ouvi boatos de que o Coronel Henry Carter tinha uma arma secreta que usaria para controlar o país todo: um chip alfa que comandaria a mente as pessoas, parecia coisa de filme de ficção cientifica, mas eu sempre desconfiei enquanto todos me chamavam de louco.

 Quando voltei a encontrar Narae ela estava grávida do Lee, era namorada do Henry na época e ele não sabia de sua gravidez, Narae e eu éramos amigos desde o colégio, Henry havia contado a ela sobre seus planos de implantar esse chip em seu filho quando tivesse um, ele queria proteger o chip e deixá-lo para um herdeiro.

Isso fez com que Narae ficasse com medo e nunca contasse a Henry que estava grávida, foi difícil pra ela, eles pretendiam se casar, mas para ela a ideia de ter um filho com arma letal em seu corpo era perigoso demais, então terminou com Henry.

 Algum tempo depois quando o Lee nasceu eu perdi o contato com Narae, a última vez que nos falamos Lee tinha seis meses de idade e ela me disse que iria contar tudo ao Jonghan, que ele tinha um filho, dizendo-se arrependida de ter escondido dele, pois ele tinha o direito de saber.

Algum tempo depois, isso... De certa forma fez com que eu acreditasse que Henry tivesse tido o conhecimento sobre o bebe e já tivesse implantado o chip nele, se Narae tivesse realmente contado a ele, então fui atrás de Narae, mas quando eu cheguei ela estava muito doente, à beira da morte por causa de uma infecção, fui visitá-la e ela me disse que Lee estava na casa de uma irmã dela, e nessa época Henry estava em missão no Norte do país, Narae não havia me contado que Henry não sabia sobre a criança, pois da última vez que nos falamos ela havia me afirmado que iria contar a ele, mas na verdade ele não sabia, ela não havia contado a ele, devia ter mudado de ideia sobre o que iria fazer, e então ela morreu antes de me contar toda a verdade.

Mas aí eu já tinha decidido que iria roubar a criança, eu não poderia deixá-lo com Henry quando ele voltasse de missão! Fui até a casa da irmã de Narae e o roubei sem dificuldades, a irmã de Narae não enxergava bem, ela sofria de uma doença de astigmatismo ocular, eu apenas tive que pegar uma criança da mesma idade que ficava naqueles abrigos exilados e troquei os bebes.

Troquei pela Julia.

Meu plano teria dado errado se Narae não tivesse falecio. A irmã de Narae não sabia nem ao mesmo o sexo do bebe, mas como era única parente de Narae, ela ficou cuidado de Julia até Henry voltar de sua missão.

Quando retornou, a irmã de Narae contou a Henry que o bebe era dele, e então ele a levou consigo, a irmã de Narae não fez questão de ficar com a criança, afinal, ela também já era velha e não teria condições de criá-la. Contou a Henry que Narae havia falecido devido a uma infecção o que fez Henry acreditar que tenha sido no parto, e então ele criou Julia como sua filha, provavelmente confiava tanto na ex namorada que pra minha sorte nem se quer fez um teste de dna, ou se questionou pelo fato da menina não ter traços orientais, provavelmente estava tão feliz com o fato de ser pai, que ignorou totalmente este fato, acreditando talvez que sua genética europeia fosse mais forte.

Enquanto isso, eu não sabia da verdadeira história, então acreditei que o chip estava no Lee.

 Lee Riley, este é o nome de registro do garoto, Narae havia comentado comigo quando estava grávida que esse seria o nome dele. Enfim, tentei de todas as maneiras encontrar o chip, mas não encontrei, e por ter me apegado a criança, eu não tive coragem de mata-lo. Alguns meses depois que fui descobrir toda a verdade, que Henry não tinha noção se quer de que Julia não era sua filha, e que a havia criado como sua, e de que ele não sabia da existência do Lee.

Mas aí, a merda já estava feita, eu não podia jogar o garoto na rua, até porque seria arriscado, e ele era leal a mim, e nada me satisfazia mais naquele momento do que ter o filho legitimo daquele desgraçado me servindo... e além do mais, ele poderia me ser útil futuramente... E foi. Minha compaixão pela vida daquele garoto me ferrou agora!

Depois de alguns anos eu decidi deixar essa história pra lá, mas vendo a forma com que Henry protegia Julia. e até a mandou para um internato eu comecei a desconfiar de que o chip estaria nela, ele havia finalmente realizado seu plano de implantar o chip em alguém e esse alguém só podia ser a Julia, a garota que ele acreditava ser sua filha de sangue.

E sem sua ajuda Joshua, infiltrado na corporação do Henry, não teríamos conseguido capturá-la, você fez um ótimo trabalho infiltrado como soldado.

Por uma ironia do destino todos fomos enganados, eu, Narae, a irmã de Narae, Henry, Lee, e Julia...

 

Flash back off

 

- Se eu descobrisse eu também fugiria! – Joshua o olhou com desprezo.

- Por favor, eu só fiz isso porque não poderíamos deixar esse chip nas mãos daquele corrupto! – Thierry falou firme. – Me desculpe por não contar a vocês sobre o Lee... Fiquei com medo de que me achassem louco, não acreditassem em mim... Ah por favor Joshua, não me olha com essa cara, você também tem seus segredos e ninguém nunca te questionou por isso.

- Mas contou a Deborah! – Joshua o olhou com raiva.

- Ela descobriu por acaso e eu tive que contar, sabe como ela é... – Ele tentou justificar-se. Joshua sabia do temperamento explosivo e impaciente da mesma, mas não sabia dizer quem era o pior dentre os dois.

Mas não era somente isso, também sabia que provavelmente Thierry não confiava nele, por isso não havia contado antes, e ele não estava totalmente errado, ele no lugar de Thierry também não confiaria. Sorriu irônico.

- E você fez o mesmo com a Julia porque acha que o chip está nela... E se estiver? E se você conseguir pegá-lo o que vai fazer com ele? – Joshua o encarou.

- É claro que eu vou destruí-lo! Não podemos deixar isso nas mãos deles e sofrermos mais do que já sofremos com essa sociedade que oprime os mais pobres! – Thierry respondeu como se tivesse plena certeza daquilo.

Joshua ficou calado.

- Você tem razão... Eu entendo perfeitamente porque você teve que agir assim, e, eu estou do seu lado. – Joshua assentiu com a cabeça.

- Obrigado, você é como um filho pra mim Joshua, sabia que iria entender. – Ele sorriu aliviado.

- Já até combinei com a Deborah o que vamos fazer pra pegá-los. – Joshua sorriu.

- Oh, é mesmo? – Thierry o olhou surpreso.

- Sim, e esse plano não irá falhar! – Ele bateu no peito no outro determinado.

 

~ * ~

 

Como Joshua supôs, Julia e Lee foram para a casa onde seria o lar da garota. Ela imaginava que lá seria o lugar mais seguro do mundo no momento, ninguém além dela tinha acesso a casa, talvez aquela movimentação daquele dia fora apenas perturbação da cabeça deles. Entraram como da primeira vez, e a casa estava impecável como sempre. Os robôs empregados trabalhando um em cada canto da casa para deixá-la um verdadeiro palácio.

- É tão bom estar de volta... – Julia falava aliviada enquanto subia as escadas para o andar de cima. Ela e Lee foram até seu quarto acessar o notebook que estava lá.

- Não acha que sua casa seja arriscada demais? Lembra o que aconteceu da última vez? Alguém havia entrado aqui. – Lee a relembrou do episódio.

- Aquele dia o medo nos fez ouvir coisas... Ninguém além de mim tem acesso a essa casa. Meu pai a programou pra me acolher quando eu saísse do internato, ele não me deixaria num lugar que não fosse seguro. – Ela falou confiante.

- O que você vai fazer? Vai avisar ao seu pai que estamos aqui? – Lee olhou para o notebook em seguida enquanto Julia tentava entrar em um site privado que só pessoas do governo tinha acesso.

- Não se preocupe, esse site é privado e seguro. Eu usava para conversar com meu pai do internato quando ele ainda me respondia. – Julia começou a logar na página que parecia ser um local de bate-papo.

- Julia espera! – Lee tomou o mouse de sua mão e fechou a página rapidamente.

- O que foi? – Ela falou assustada.

- Esqueceu que o Joshua também trabalhava pro seu pai? Ele deve ter acesso a esse site também. Vai ser a primeira coisa que vai entrar pra te localizar. – Lee falou em seguida. Julia arregalou os olhos assustada fechando o notebook rapidamente. Essa tinha sido por pouco.

- Lee você tem razão, como eu não tinha pensado nisso antes. – Julia respirou fundo. – Mas e agora? Como eu aviso meu pai que fugi? Preciso de um telefone público!

- Telefones públicos só tem do lado de fora, e duvido que tenha algum aqui esse bairro... Você sabe, aqui é tudo... chique. – Ele riu soprado.

- Não podemos sair da casa agora, vai ser arriscado. – Julia respondeu pensativa.

- Até que enfim você pensou direito. – O garoto fez uma expressão de surpreso em seguida sorriu maroto.

- Seu bobo. – Ela cruzou os braços. – Então... Já que temos que ficar aqui até de noite, quer conhecer a minha casa? – Julia perguntou empolgada. Lee não tinha o porquê dizer que não, mesmo que a ideia lhe parecesse chata.

- Tudo bem... – Ele suspirou.

- Legal! Vamos! – Ela segurou na mão dele o guiando para fora do quarto para começaram o “tour”, Lee ainda estava se acostumando com os modos educados de Julia, ninguém nunca o havia segurado pela mão com tamanha delicadeza, e ela parecia não se importar em segurar em suas mãos ásperas, em contraste com as dela que eras eram macias e pequenas.

Desceram até o andar de baixo e foram até a sala da casa, aquela sala caberia uma casa de médio porte inteira dentro na concepção de Lee, o piso era branco como neve e brilhante, e tinha alguns detalhes pretos nas bordas, eram desenhos que Lee não sabia decifrar do que se tratava.

- Acho que sei porque seu pai fez uma casa tão grande... – Lee comentou enquanto caminhavam pela sala. Julia olhou pra ele esperando a resposta. – Quanto mais longe de você melhor. – Ele riu por fim, e ela bufou o ignorando, e continuou a mostrar o cômodo.

Tinha um sofá negro e macio que fazia um belo contraste com o piso branco, uma televisão enorme de tela holográfica, tudo de última geração, mesmo já acostumado com as mudanças drásticas que Londres tinha passado, era a primeira vez que Lee via a aquilo tudo ao vivo e materializado, não somente pela TV.

 Mais à frente tinha a cozinha, daquele lugar Lee se lembrava vagamente da última vez que estiveram lá. A cozinha era sem dúvidas o lugar mais bonito e atraente para ele, o estomago do garoto chegou a roncar apenas de olhar para a geladeira, mas não queria admitir que estava com fome.

- Quer comer alguma coisa? – Julia perguntou em seguida, parecia ter lido sua mente.

- Não... Obrigado. – Ele respondeu baixo.

- Espera um pouco, vou preparar algo pra gente. – Para sua sorte Julia ignorou o que ele havia dito e abriu a geladeira procurando por ingredientes para fazer um sanduiche, lembrava-se de quando seu pai preparava para ela quando era criança e queria experimentá-lo de novo.

- Você quer ajuda? – Lee perguntou sem jeito. Queria fazer algo para não parecer que estava ganhando aquilo de graça. O orgulho.

- Claro, você pode ir pegando os ingredientes pra mim? – Julia sugeriu. E então o garoto foi pegando um por um na ordem em que Julia pedia. Alguns ele desconhecia totalmente, mas ia aprendendo aos poucos, certas coisas ali ele nunca tinha provado na vida.

Depois de alguns minutos já haviam preparado vários, comeram até sentir que não aguentavam mais. Lee não podia reclamar dos sanduiches, era melhor do que qualquer coisa que já havia experimentado na vida. Por alguns segundos, deitados no carpete da sala depois de satisfeitos, Lee e Julia esqueceram que estavam sendo perseguidos até a morte.

O silencio daquela casa era enorme trazia paz. Suas paredes foram construídas para barrar qualquer barulho ou ruído incomodo. Queriam poder continuar daquele jeito até o fim se possível. Até alguém finalmente aparecer e salvá-los milagrosamente daquela situação.

- Sabe, normalmente pessoas da nossa idade estão na faculdade nesse momento, ou trabalhando em algum estágio... Ou saindo pra algum show. Não sendo perseguidos até a morte. – Julia respondeu rindo da própria situação.

- Não fomos nós que escolhemos isso... – Lee respondeu suspirando mirando aquele teto branco brilhante da casa.

- Sabe Lee, não quero que isso pareça egoísta, mas, eu to feliz que você esteja comigo nessa. Se eu estivesse sozinha eu não iria sobreviver... – Julia virou a cabeça olhando para o garoto deitado ao seu lado. – Eu prometo que se sairmos vivos dessa, eu vou dar tudo que você quiser. Você nunca mais terá que viver no subsolo, ou passar por qualquer necessidade...

- Julia... Só me prometa que não vai deixar o chip nas mãos do Thierry e nem do seu pai. Não deixe que destruam nosso país mais do que ele já está destruído. Se é você a portadora legal dessa coisa, use-a com sabedoria, sei que você tem um bom coração, na verdade você é a pessoa mais bondosa que eu já conheci em toda a minha vida. – Lee a interrompeu. Julia corou com o elogio, mas deixou de se sentir culpada.

- Não se engane Lee, essa foi a educação que me foi imposta, as vezes eu tenho uns pensamentos nada agradáveis, mas eu aprendi a controlar a minha ira e a minha malicia graças a educação rígida e autoritária do internato de formar moças “perfeitas”. – Ela falou sentindo-se envergonhada.

- Não Julia, tá equivocada. Por mais que uma pessoa viva sob uma cultura e influência de autoridades, nada é capaz de mudar o verdadeiro caráter dela. Mesmo que você tenha sido educada lá, você não é como as garotas de lá. – Ele falou com amabilidade.

- Sabe Lee, você fala como alguém que governaria muito bem um país. – Julia sorriu.

- Eu só falo o que eu sinto. Governar não está no meu sangue. – Ele revirou os olhos e sorrindo.

- Não precisa ter sangue real pra ser um líder. – Ela falou em seguida.

- Julia... – Lee falou baixinho. – Ouviu isso?

- Ouvi o que? – Julia se assentou no carpete olhando para Lee, ele tinha uma expressão de assustado e aquilo estava começando a assustar Julia também, ela não havia escutado nada. – Lee do que você tá falando? Alguém entrou na casa? – Ela perguntava olhando para todos os cantos para ele permanecia petrificado como se estivesse tentando descobrir do que se tratava.

- Lee? O que tá acontecendo? Me fala! Estão vindo atrás de nós? Lee? – Ela se aproximou do garoto segurando em seu braço como se estivesse se protegendo. Ela estava apavorada.

- Desculpa era só meu estomago. – Ele riu em seguida.

- AI SEU IDIOTA! – Ela lhe acertou um tapa fraco no ombro. – Cancela o que eu disse sobre estar feliz de você estar comigo. – Ela falou fazendo um bico.

- Você é muito medrosa Julia! – Lee começou a rir da cara espanto dela. – Devia ver sua cara de assustada! É muito engraçada! Por isso amo implicar com você... – Ele caiu na gargalhada.

- Isso não se faz Lee! – Julia bufou. – Só por ter me assustado você vai lavar os pratos enquanto tomo um banho.

- Eu? Você tem robôs pra isso! – Ele riu sarcástico.

- Eu desativei eles! – Julia respondeu com um bico enquanto saia em direção ao andar de cima da casa. Lee se levantou indo até a cozinha em seguida ainda rindo do susto que deu na garota.

 

- Esse garoto é tão estranho! Que graça tem em me assustar? Aff Lee... – Julia fora interrompida enquanto falava sozinha consigo mesma ao ver Joshua bem na sua frente nos corredores do quarto. Pensou estar vendo uma miragem, talvez estivesse começando a enlouquecer por ter sido mantida em cárcere, ou os sanduiches tinham algum alucinógeno.

 

- Julia... Sabia que ia estar aqui. – Joshua falou sorrindo.

Julia não pensou duas vezes e gritou o mais alto que conseguiu, e bota alto nisso. Em seguida saiu correndo em direção as escadas, mas Joshua a segurou pelo braço. Não demorou nem meio segundo e Lee correu para ajudá-la espantando-se com os gritos.

- Joshua, solta ela! – Ele falou irritado. O moreno revirou os olhos e a empurrou na direção de Lee. Julia estava ofegante e seu coração a mil por hora.

- Você é corajoso de ter vindo sozinho. – Lee o olhou sério. Fora amigo de Joshua em sua infância, mas agora não iria deixar que isso o impedisse de defender Julia dele.

- Eu não vim brigar Lee. – Joshua sorriu despreocupado. – A Julia nem me deu tempo pra falar e começou a berrar feito uma louca...

- Ah não? Veio aqui pra que? Fazer um acordo pra nos convencer a nos entregarmos? Isso não vai rolar. – Ela respondeu ainda abalada pelo susto.

- Muito menos isso. – Joshua bufou. – Eu vim ajudar vocês.

Julia e Lee ficaram calados. Em choque.

- Você não vai nos enganar! – Julia rangeu os dentes.

- Eu juro que não to tentando enganar ninguém. – Joshua bufou. – Aconteceram algumas coisas, na verdade, vocês não são quem pensam que são, vocês não sabem nem metade das coisas que aconteceram, e eu acho melhor que saibam a verdade de uma vez.

- Joshua... Você se infiltrou dentre os soldados do meu pai e teve uma vida dupla esse tempo todo... Porque devíamos acreditar em você? – Julia o encarou séria.

- Tá, eu sei que não sou a pessoa mais confiável desse mundo, mas eu não to fazendo isso só por vocês, to fazendo por mim também. Eu quero fazer um trato com vocês. – Joshua estendeu a mão para ambos.

- Que trato? E porque disse que não somos quem pensamos que somos? – Lee perguntou confuso.

- Primeiro eu queria deixar claro que assim como o Lee eu também fui enganado pelo Thierry e a Deborah, e é por isso que eu não quero mais trabalhar pra eles, nunca tivemos chance contra o governo mesmo, era tudo ilusão, e nunca ouve união entre nós, tudo que existiu foi uma falsidade, um usando o outro, era cobra engolindo cobra... E eu quero o perdão do seu pai Julia, quero voltar a ser um soldado dele como sempre fui lá eu era muito mais feliz e tinha um cargo de relevância, melhor do que ficar seguindo os planos idiotas do Thierry que estão fadados ao fracasso de qualquer jeito... – Joshua bufou. Desabafou tudo que estava entalado.

- E porque meu pai te perdoaria? Você traiu ele! Por sua culpa aconteceu comigo tudo isso! – Julia tentava segurar as lágrimas. Joshua abaixou a cabeça se preparando para contar tudo.

- Julia, Lee... vocês dois foram enganados a vida inteira... – Joshua os olhos sério.

 

( ... )

 

Depois que contou tudo que sabia, desde os planos psicóticos de Thierry, até a troca de bebes que ele fez, nem Julia nem Lee sabiam como reagir, foi tudo como uma bomba na cabeça de ambos. Julia não conseguia nem chorar mais, e Lee estava calado demais, parecia que não queria mais falar com ninguém, passou a vida toda odiando o próprio pai, sem saber que era filho dele, e acreditando que era um órfão miserável, quando na verdade aquela nação estaria destinada a ser governada por ele, se não fosse por Thierry.

Eles haviam tirado dele toda a inocência que não voltaria mais, todos os sentimentos reprimidos, guardados, que foram transformados em mágoa e crueldade, tudo culpa deles. Tudo culpa de Thierry.

O dia já estava quase anoitecendo, e eles precisavam tomar uma decisão, confiar em Joshua e seguir seu plano para terem uma chance de escapar dos rebeldes, ou arriscar ficarem sozinhos e acabar sendo mortos.

- Então... Se seguirmos você, nos levará até onde está o meu pai... Quer dizer, o coronel Carter...? E desta vez você me promete que irei ver ele de verdade? Não como daquela última vez? – Julia sorriu fraco limpando uma lágrima que desceu sem sua permissão.

- Eu prometo Julia, eu sei onde está seu pai. Sabe o quanto foi difícil e arriscado pra mim vir aqui e contar isso tudo a vocês? – Joshua engoliu seco. Apesar da inteligência de Joshua, fazer o que tinha feito era arriscado demais, até mesmo para ele que agora estava sozinho.

- Você vem Lee, não vem? – Julia olhou para o garoto que estava assentado de costas com a cabeça sobre os próprios joelhos.

- Eu não sei... – Ele respondeu baixo, ainda parecia alarmado. Julia estava menos abalada com aquilo tudo do que Lee, ele que devia estar feliz e Julia triste, mas ela parecia mais conformada e menos abalada emocionalmente que ele, algo que Joshua não esperava. Já se imaginava aguentando horas e horas de pranto da garota antes de contar toda a verdade. Parecia que ela já havia sofrido tantas decepções em um curto período que já não se surpreendia com mais nada.

Julia se levantou indo até ele, segurou em sua mão o chamando para irem para a varanda conversar a sós, achou que seria melhor do que na presença de Joshua.

- Riley... – Ela o chamou pelo primeiro nome, que havia sido descoberto há minutos atrás. – Olha pra mim...

- Você me chamando de Riley, é estranho... A vida toda só me chamaram pelo sobrenome. – Ele riu sem graça.

- Lee Riley! Esse é o seu nome, devia se orgulhar dele, foi dado por alguém que te amava, pela sua mãe. – Julia o olhou sorrindo com amabilidade. – Você não pode mais fugir de quem você é, lembra do que você me falou? “Não importa em que cultura ou sob quaisquer influencia que você tenha sido criado, o seu verdadeiro caráter prevalece” e é por isso que no fundo eu sempre soube que você era diferente deles. Você precisa encontrar o coronel Carter, só assim essa guerra vai acabar e você estará seguro, e aquele subgrupo não vão te perseguir mais e nem te enganar.

- Você acha mesmo que o Coronel Carter vai me receber de braços abertos? Não interessa que eu seja o filho biológico dele, você é a filha legitima dele, ele não precisa de mim. Ele já tem você Julia! – Ele dizia nervoso.

- Eu conheço o meu pai, e eu sei que ele irá ficar muito feliz quando descobrir toda a verdade, e é claro que ele vai te amar como um filho e te acolher! – Julia falou segura de si, acreditava fielmente na bondade do pai.

- Julia, eu não pertenço ao seu mundo... – Lee olhou para baixo.

- Por que você tem medo? – Julia segurou em seu rosto fazendo-o a encarar.

- Medo? Eu não tenho medo de nada! Não é questão de ter medo do coronel Carter por ele ser poderoso e essas coisas. – Lee deu de ombros.

- Não é desse medo que eu estou falando. – Ele o interrompeu. – Por que você tem medo de ter uma família? De deixar que alguém cuide de você? Lee... você não é um animalzinho selvagem, você é um garoto e merece ser feliz, eu sinto muito que aquela gente hipócrita tenha colocado na sua cabeça que sentimentos não são importantes e que você não é importante, mas isso é tudo mentira! Você é importante sim! – Julia falou séria determinada o encarando. Pela primeira vez Lee não sabia o que responder. Estava pasmo, nunca alguém havia lhe dito tais palavras. Sentia-se tão envergonhado que procurava de esconder o rosto e não olhar diretamente nos olhos de Julia.

Ela não esperou que ele se decidisse, apenas o abraçou em seguida com toda sua força, sendo correspondida aos poucos, tinha certeza de que ele nunca havia abraçado ninguém, e estar podendo fazer aquilo para ele naquele momento era confortante. Aos poucos ele abraçou-a com força de volta e deitou sua cabeça nos ombros dela.

- Obrigado Julia. – Lee olhou para ela em seguida, e Julia sorriu. Ele queria ter dito mais coisas, mas não conseguia, porém seu olhar demonstrava que o afeto era mútuo.

- Então, eu não quero ser estraga prazeres, mas... Precisamos ir agora. – Joshua apareceu na varanda em seguida. – Eu disse a Deborah que iria encurralar vocês aqui e pedi a ela que me desse cobertura por fora, ela acabou de me mandar uma mensagem avisando que já estaria vindo. – Ele os avisou.

- E então... Você vem Lee? – Julia o olhou com esperanças. Era agora ou nunca.

- Sim. – Ele assentiu.

 

(...)

 

Os três deixaram a casa e saíram seguros no carro de Joshua antes que Deborah chegasse. Aquilo estava sendo um plano arriscado para ambos, mas depois de tudo que Julia passou e sobreviveu, e ainda descobrir que não é a filha biológica de Henry Carter, nada mais importava, ela não estava mais com medo, afinal nada mais nesse mundo poderia deixá-la mais triste do que aquilo. Iria arriscar até o último segundo. E afinal, ela não estava mais sozinha, tinha Lee e Joshua do seu lado.

Atravessaram a cidade até chegarem do outro lado onde ficava a sede das forças armadas da capital, e onde seu pai deveria estar. Eram quase onze horas da noite, deviam estar cansados e alguns de seus soldados do comando deveriam estar descansando, mas provavelmente seu pai estaria lá. Não sabia se depois que contassem tudo ainda o poderia chama-lo de pai, mas seus sentimentos pelo homem que sempre a amou e protegeu não iriam mudar.

O clima antes de estacionarem e saírem do carro era tenso. Iriam se encontrar com Carter e Julia apesar de feliz estava mais nervosa do que nunca. Joshua ainda tinha acesso à entrada da sede, mesmo depois de ter sido excluído do comando ele conhecia aquele lugar como a palma de sua mão, fora um soldado a sua vida toda.

Quando chegaram à entrada principal do salão, dois guardas que estavam de segurança vieram abordá-los. Lee já se preparava para pegar uma arma, mas Joshua o impediu pedindo silenciosamente que guardasse, pois, causar uma guerra naquele momento podia fazer com que fossem mal interpretados e mortos ali mesmo. Mas a expressão dos guardas mudou no exato momento em que viram Julia, eles pareciam não acreditar. Abaixaram suas armas e se aproximaram lentamente dos três garotos.

- Senhorita Carter! Está viva! – Um deles falou se curvando.

- Preciso ver meu pai agora! – Ela o olhou ansiosa.

- Joshua! O que faz aqui? – O outro guarda o reconheceu o rendendo no mesmo instante. – Fique parado aí mesmo! – Joshua não reagiu, deixou com que o guarda o algemasse.

- Por favor, não precisam fazer isso, Joshua me ajudou. – Julia falou em seguida, mas não tinha a menor chance de soltarem ele sem a permissão do coronel.

- Precisamos ver o Coronel Carter. É urgente! Ele está aqui? – Lee perguntou impaciente.

- Sim, ele está na base. – Respondeu ele prontamente.

- Precisamos vê-lo! – Julia respondeu aliviada.

- A senhorita pode entrar, mas os cavalheiros vão ter que vir comigo. – Ele apontou uma arma na direção de ambos, Lee e Joshua.

- Não pode fazer isso, eles irão comigo! – Julia colocou-se à frente.

- Senhorita Julia, eu não sei como eles a convenceram, mas Joshua é um traidor e esse rapaz faz parte do grupo de terroristas do subsolo. – O guarda respondeu a puxando pelo braço para se afastar dos dois. Era claro que os soldados de seu pai estavam cientes de quem era quem, sabiam tudo sobre todo mundo.

- Vá com eles Julia, seu pai precisa saber que está bem e que está viva! – Joshua afirmou. – Eu e o Lee sabemos nos virar.

Julia apenas assentiu com a cabeça com um pouco de temor, temia pela vida dos dois, não sabia o que iriam fazer com eles, mas teria que confiar e ver seu pai para esclarecer tudo.

Enquanto era escoltada para dentro da sede, viu Lee e Joshua sendo levados pelos outros guardas sem resistência alguma, parecia que tinham se entregado, mas torcia para ser parte do plano.

Pegou o elevador até o último andar e sentia uma ansiedade crescente, finalmente iria ver seu pai, depois de seis anos, finalmente iria poder abraçá-lo e contar tudo sobre os planos de Thierry. Quando saíram do elevador e foram seguindo pelo corredor até a sala de seu pai, Julia respirou fundo. Os soldados abriram a porta e ela viu a cadeira de seu pai virada para o lado da enorme janela de vidro do prédio que permitia ter uma privilegiada vista da cidade, que refletiam luzes de variadas cores para dentro do recinto pouco iluminado.

O coronel estava de costas, a sala estava silenciosa. Ambos os soldados ficaram do lado de fora vigiando a sala. Julia se aproximou da cadeira com passos lentos, chegando até a mesa do escritório.

- Pai... – Ela o chamou baixinho. Ele parecia ter adormecido na cadeira. Deu a volta na mesa e ficou de frente para ele que parecia estar dormindo tranquilamente em sua cadeira. Ele parecia o mesmo desde que o viu quando tinha doze anos, era um homem forte, de semblante sério, porém amoroso, e agora com alguns fios brancos dentre os cabelos negros.

- Pai... Eu voltei. – Julia falou num tom mais alto e o abraçou forte sobre aquela cadeira. Não podia evitar não o chamar de “pai”, mesmo que tecnicamente ele não fosse. – Papai acorde... Sou eu, Julia. – Ela falava sorrindo, mas ele nem se movia.

Julia se afastou observando o pai mais de perto, seu coração bateu forte, porque ele não acordava? Foi ai que reparou num copo com água sobre a mesa e no chão alguns comprimidos de cores avermelhadas, e logo mais próximo da cadeira uma poça de sangue, Julia olhou em seus braços e notou que neles também tinha sangue por tê-lo abraçado.

- PAI! RESPONDE! – Ela gritou o sacudindo. Tomou-lhe o pulso e viu que ele ainda tinha circulação. – ME AJUDEM! – Ela imediatamente correu até a porta desesperada. Os soldados ouvindo os gritos correram para ver do que se tratava.

- ACHO QUE MEU PAI ESTÁ ENVENENADO! – Ela falou desesperada. Rapidamente os guardas que estavam ali de sentinela o carregaram dali para a emergência mais próxima.

 

12 horas depois

 

O aparelho de batimentos cardíacos apitada normalmente num ritmo calmo. Conseguiram trazer o Coronel Carter a vida depois de uma cirurgia e uma lavagem estomacal no hospital da sede. Os laudos comprovaram tentativa de suicídio com medicamente e logo em seguida automutilação. Se Julia tivesse chegado um pouco depois seria tarde demais, pois os remédios iriam fazer efeito e a perca de sangue também iria matá-lo. Julia já poderia imaginar o que levou seu pai a realizar tal ato desesperador, com uma capital em crise juntamente com o sequestro da filha, não devia estar sendo fácil para seu pai.

Ela passou a noite inteira ao lado dele, dormiu no banco de espera das visitas dentro do quarto. Ao abrir os olhos Henry viu apenas o clarão da luz branca deixando suas vistas doloridas. Ainda não sabia se estava morto ou vivo. Mas ao virar a cabeça para o lado, viu a moça que estava deitada despertando do sono parecia cansada, e Henry não teve dúvidas de que aquela era sua filha. E queria poder gritar naquele momento se conseguisse.

- Julia... – Falou baixinho olhando para ela. Rapidamente Julia se levantou e foi correndo até o leito do pai. O abraçou antes de dizer qualquer coisa. – Julia... Eu pensei que estivesse morta... Eles me disseram que estava morta... Julia...

- Pai, eu estou viva. – Ela sorriu acariciando o rosto de seu pai. – Não faça esforços, apenas descanse. – Ela respondeu o olhando. Por causa das mentiras de Thierry e Deborah de alguma forma conseguiram engana seu pai dizendo que ela estava morta após sua fuga, fazendo com que assim Henry não a fosse procurá-la, o que o levou a perder a vontade de viver.

- Você me salvou filha... – Ele a olhou com lágrimas nos olhos. – Você está tão linda... Eu senti tanto sua falta minha pequena.

- Eu também senti muito a sua falta papai... Eu estive sozinha por tantos anos, mas eu sei que tudo que o senhor fez foi para me proteger. – Julia respondeu o olhando. – Eu... Sei de toda verdade, mas... O senhor ainda não sabe. – Ela falou em seguida. O coronel Carter suspirou ficando em silencio por alguns instantes.

- Te contaram... Sobre o chip? – Ele a olhou nervoso, com os olhos cheios de lágrimas.

- As pessoas do subsolo sabem. – Ela respondeu o surpreendendo. Agora todo aquele sequestro fazia sentido. – Thierry sabia de tudo desde o começo... E quando eu consegui fugir com a ajuda do Lee do Joshua eles mentiram pra você que eu estava morta, para que não me procurasse mais, afinal, você não sabia que eles sabiam do chip, e se você descobrisse que eu fugi, o jogo teria acabado pra eles. Você teria me achado antes e eles não iriam conseguir o que queriam.

- Está dizendo que Joshua e o garoto do subsolo te ajudaram? Porque eles fizeram isso? – Henry perguntou encabulado.

- Aconteceram várias coisas, eles também foram traídos pela própria gente, e descobriram um segredo de Thierry, o que fez com que eles vissem que tipo de pessoa Thierry realmente é. E que eles estavam do lado errado. – Julia contou em seguida.

- Do que se trata? – Henry perguntou curioso. E aquele era o momento mais difícil para Julia, contar toda a verdade que seu pai ainda não sabia.

- Papai... O senhor se lembra de Lee Narae? – Julia falou em seguida. Jonghan arregalou os olhos.

- Mas é claro minha filha, é a sua mãe como eu poderia me esquecer dela... Por que está falando dessa forma? – Henry a olhou intrigado.

- Lee Narae não é a minha mãe. – Ela afirmou. Henry ficou assustado, mas não a interrompeu, deixou que terminasse tudo. Julia tentava falar da forma mais serena possível devido ao estado debilitado de saúde de seu pai, mas não podia adiar mais o que era para ser dito. – Lee Narae teve um menino, e não uma menina. Thierry trocou seu verdadeiro filho por mim, se aproveitando do problema de vista da irmã de Narae, quando você veio da missão isso já tinha acontecido. Você pegou o bebe que não era seu, e Thierry já havia levado seu verdadeiro filho. Narae já estava morta e não podia te dizer a verdade. Thierry acreditava que você já havia colocado o chip na criança, mas depois de descobrir que não estava nele, ele veio atrás de mim...

- Julia... – Henry engoliu seco sem saber que tipo de reação tomar. – Minha filha, isso é mentira, foi isso que eles contaram a você?

- Não é mentira papai... A prova disso é que seu filho lhe doou sangue para a cirurgia. Eu queria ter feito isso, mas nossos sangues são incompatíveis. – Ela sorriu amena. – O senhor se convenceu tanto de que eu era sua filha que ignorou totalmente que nunca tive traços orientais...

- Julia, está me assustando... – Ele engoliu seco.

- Lee Riley. Esse é o nome do seu verdadeiro filho, ele viveu a sombra de Thierry e do povoado do subsolo, ele nunca soube sobre sua verdadeira origem, usaram ele esse tempo todo, enganaram ele, graças a ele eu consegui fugir de lá, Joshua que descobriu toda a verdade e nos contou, e quando chegamos aqui, seus homens prenderam ele nem me deixando explicar nada, mas eu consegui convencer a soltá-lo quando o senhor estava quase morrendo na mesa de cirurgia, ele doou o sangue ele para salvá-lo, e provou pra todo que é seu verdadeiro filho... – Julia contou tudo em lágrimas. Era difícil aceitar que foram enganados todo esse tempo, e tudo parecia confuso...

Mas a verdade é que ambos preferiam a verdade dolorida à mentira.

 

2 horas depois

 

Depois que Julia explicou tudo a seu pai, teve que se retirar da sala por ordens médicas para que ele descansasse. Do lado de fora do quarto, ela se assentou ao lado de Lee enquanto observavam as movimentações agitadas daquele hospital. Agora ele estava livre depois de ter comprovado através de um teste sanguíneo que era filho de Henry, e o comportamento dos soldados agora para com ele mudaram drasticamente, era de total respeito.

- Ele queria muito te ver, mas o médico pediu um tempo, disse que ele já teve muitas emoções por hoje. – Julia contou sorrindo.

- Sabe, é muito estranho isso tudo... Antes apenas de passar perto de um soldado eu era escorraçado, agora, todos aqui me olham como um herói. – Ele respondeu sem jeito.

- Mas você é, salvou minha vida, e salvou a vida do meu... Quer dizer, seu pai. – Ela sorriu de lado.

- Ele pode ser nosso pai. – Lee sorriu brincalhão. – Não me importo em dividir.

- Eu to feliz que tudo tenha acabado bem. – Julia olhou para baixo e segurou na mão do garoto em seguida.

- Eu não sei se esse é o fim, Thierry e Deborah devem estar loucos. – Ele respondeu pensativo.

- Estamos protegidos agora, os soldados do meu pai não vão deixar que eles se aproximem de nós. – Ela falou confiante.

 

- Senhor Lee? – Uma enfermeira o chamou indo em direção aos dois.

- Sim. – Ele respondeu surpreso.

- O coronel Carter quer vê-lo agora. – Ela sorriu simpática. Lee olhou para Julia um pouco apreensivo. O momento havia chegado.

- Boa sorte. – Julia sorriu. Desejava que realmente pudessem se entendem e se tornarem pai e filho de verdade, assim como ela era com ele.

Lee se levantou enquanto era acompanhado pela enfermeira até o quarto. Respirou fundo e em seguida a porta fora aberta e ele entrou. Julia sentiu seu coração quentinho pela primeira vez, e a sensação de missão cumprida era indescritível...

 

 

 

 



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