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História Irresistível - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Por motivos:
Estou com preguiça de passar tudo da terceira pessoa pra primeira, vai ficar tudo na terceira mesmo.

Boa leitura.

Capítulo 3 - Capítulo 03


Fanfic / Fanfiction Irresistível - Capítulo 3 - Capítulo 03


A luz tomou conta do quarto de Lucy. A loira só desistiu de dormir, quando a luz do sol acertou-a em cheio, então abriu os olhos. Fazia tempo desde que dormia em uma cama como aquela, normalmente em seus apartamentos eram provisórios e as camas não eram tão boas. A vontade de levantar e fugir voltava a seus pensamentos, mas o colchão estava tão bom que ela não conseguia se mover. 


— Acho que não durmo tão bem assim a meses.


Ela sorriu ao encarar o teto, deveria estar pensando no que iria fazer da vida, deveria estar dando queixa na polícia, de novo. Como era possível que a polícia não conseguisse pegar aquele traste? Ela iria fugir pelo resto da vida? Seu carro estava destruído, Gajeel lhe tirou todo dinheiro que tinha, e ela mal conseguia escrever um novo livro. Sinceramente, ela mal tinha dinheiro para se sustentar nos últimos meses. 


Quem diria que uma romancista sofreria tudo isso, justamente no que era especialista. 


Ela fechou os olhos e o rosto dele apareceu em sua mente, a adoração em seu tom de voz, o modo como olhava para ela, como se fosse a mulher mais linda do mundo. Linda. A voz dele ecoou em sua mente de novo, fazendo todo seu corpo arrepiar, e em reflexo, ela se escondeu embaixo das cobertas. Sem fantasias malucas, Lucy! Foco! Ela repreendeu a si mesma, e obrigou-se a levantar do que pensava ser o paraíso. Caminhou até o banheiro e após fazer sua higiene matinal, ficou a se encarar no espelho, seu rosto não estava mais tão inchado ou horroroso, mas era capaz de espantar algumas crianças.


Quem precisa de fantasia quando se tem um desses? Ela bufou de raiva enquanto analisava o rosto. 


Linda! A voz dele brincava com sua cabeça novamente, a fazendo se afastar do banheiro tão rápido. O banheiro era um lugar perigoso para Lucy, muito perigoso. 


Ela se encarou no espelho do quarto. Não estava usando sua melhor roupa, aliás, a roupa nem era dela. Algumas partes da manga cobriam suas mãos e pés, seu cabelo não estava uma bagunça, mas não sairia com ele na rua daquela forma. E os sapatos, ela nem se lembrava onde tinha os deixado. Mesmo assim, ele não parecia estar mentindo quanto a chamou daquela forma ontem, muito menos pela maneira como a devorava com o olhar, e em vários momentos parecia estar brigando consigo mesmo para não atacá-la.


 Aquilo ainda era confuso para ela, e sinceramente, ele não tinha forçado nada, contudo, fez algumas visitas em seu sonho. Ele havia entrado na banheira, tirado suas roupas e estava completamente nú, junto a ela, tocou sua pele de forma gentil, suas mãos eram grandes e agarraram seus seios de uma só vez e.. 


Que droga está pensando Lucy?


A loira criou coragem após pensar duas, três, quatro vezes, se deveria ou não descer, de qualquer forma, a bolsa de gelo estava completamente cheia de água, e a bandeja já não tinha nada. Respirou fundo e caminhou em direção a escada, segurou no corrimão e desceu degrau por degrau, ao chegar na sala notou que estava vazia, mas foi tomada por um cheiro delicioso vindo de algum lugar da casa, então decidiu apenas segui-lo. Ao chegar no que parecia ser a cozinha, percebeu o ruivo que perturbou sua noite de costas a ela, enquanto mexia em uma panela. 


—Você acordou. — Ele a olhou por cima do ombro, mas voltou sua atenção à panela com ovos e logo acrescentou o bacon. — Dormiu bem? 


Lucy assentiu e se aproximou indo até a pia, tirando as migalhas do sanduíche que ganhou na noite passada, e após colocar a bandeja no lava-louça. 


— Espero que goste de ovos com bacon. — Ele desligou o fogo, colocou tudo em um prato e seguiu até o balcão no meio do cômodo. 


— Não tenho nada contra. — Ela caminhou até um dos bancos e se acomodou, percebendo que ali havia um verdadeiro banquete. Ele tinha preparado tudo aqui? Ela já não se lembrava da última vez que alguém cozinhou para ela. 


Ela tinha que admitir, ele era realmente diferente, de uma forma boa. Talvez se fosse em outras circunstâncias, se permitiria conhecê-lo quem sabe algo mais. Todavia, a loira não estava pronta para um relacionamento, por mais que ele parecesse ser um cara incrível, ele não era para ela. 


Natsu é lindo, em todo significado da palavra e ela não tinha apenas notado isso agora. Na noite anterior, enquanto ele a vislumbrava, ela se perdeu em seu olhar, seus lábios eram incrivelmente atraente, a forma como ele a tratou sem exigir nada, tudo aquilo tinha a abalado um pouquinho, mas não poderia se deixar levar por isso. 


— Eu cuidei de seu carro. — Disse o ruivo ao se sentar ao seu lado, o banco estava perto o suficiente para ela sentir o braço dele tocar o dela.


Mas aquilo a assustou, estava sem carro, sem telefone, sem nada. Ele poderia fazer o que bem entendesse. 


— Ah. — Foi tudo que disse. 


— Está em uma oficina, posso te levar para olhar depois. Os danos foram grandes, sinceramente acho que deveria vender para um ferro velho e tentar um novo. — Natsu percebeu quando ela recuou, quando ele falou do carro. Ele perceberá o quanto ela estava se mantendo forte desde a noite anterior, e não queria ferir o seu orgulho, mesmo que ele não entendesse o porque de tudo aquilo. — Mas antes disso, coma um pouco. 


Ele levou uma garfada até os lábios da loira, e sorriu. Foi tudo que ela precisou para esquecer seu medo. A forma como reagiu aquele sorriso era absurda, era algo sincero e gentil, como alguém na terra poderia resistir a ele? Ela tentou dizer algo, contudo, o som não saiu, e apenas abriu a boca enquanto ele levava o garfo e de forma gentil segurou seu queixo com o polegar e o indicador. Seu rosto estava quente e ela poderia jurar que já estava vermelho, mas não se desvencilhou daquele gesto. 


 — Gostou? — Ele não tinha a soltado ainda, parecia preocupado e ansioso. 


— Está muito bom. — Era verdade, estava, ou deveria estar. Ela mal se lembrava do sabor ou do que ele tinha colocado em sua boca, estava tão perdida em seu olhar que não podia distinguir. 


— Que bom. — Ele pareceu soltar um suspiro aliviado e novamente aquele sorriso tomou seus lábios.



 Ele deveria saber que não deveria sair atirando assim, poderia matar alguma mulher por aí. Concluiu a loira.


— Você sabe cozinhar? — Perguntou desviando o olhar dos dele, se apoiou sobre a mesa afim de alcançar a cesta de frutas, temia que algo ruim acontecesse se continua-se a encará-lo. — Pensei que só salva-se mulheres na rua durante uma tempestade. 


Era para ser uma piada. Mas ele não riu. Pelo contrário, estava mais sério. Ela gemeu ter dito algo que não deveria, e, ao não ouvir uma resposta, baixou a cabeça olhando para a maçã que estava em suas mãos. 


— Eu me arrisco algumas vezes, apenas alguns vídeos no YouTube e o desastre está feito. —Deu uma risada baixa. 


Ela sorriu ao imaginar um desastre entre panelas e o ruivo pela cozinha. 


— Eu tinha razão. — Foi tirada de seus pensamentos quando sentiu seu olhar pesar sobre ela, e quando voltou a se encontrar com os dele. Ele estava com a mesma expressão de quando a viu na banheira. — Você é muito mais linda quando sorri. 


Lucy sentia como se borboletas estivessem voando em seu estômago, tentou desviar o olhar do dele, mas Natsu foi mais rápido e segurou seu queixo com a mesma delicadeza de antes, aquilo a chocou ainda mais. Ele não estava movendo seu rosto em direção ao dela, mas o que estava vendo era ainda mais incrível que a ideia de um beijo. Ele estava focado nele de uma forma que ela sentia como se fosse derreter, a determinação em seu olhar ela tamanha que ela sentia que estava faltando o ar naquele enorme cômodo. 


Os segundos foram se passando como se fossem uma eternidade, e mesmo assim, ela não sentia vontade de se afastar, pelo contrário, os lábios de Natsu pareciam tão convidativos, que por um momento, ela cogitou por um beijo. Seu corpo estava agindo de forma involuntária, o olhar de Natsu era tão penetrante que parecia um pecado não segui-los. 


Lucy! Ela balançou a cabeça em negação e se levantou do banco às pressas. 


—Obrigada pelo café da manhã, preciso me preparar para ir. — Se levantou tão rápido que mal pode reconhecer a frase que tinha dito. 


— Lucy, espere! — Era a primeira vez que ela ouvia seu nome sair de seus lábios. Aquilo a arrepiou. — Por favor fique um pouco mais, quando se sentir melhor, pode ir. 


O pânico de estar sem nada e sem ninguém quase a tomou, novamente. Natsu já havia demonstrando que não a faria mal algum, mais de uma vez, mesmo assim, ela mordeu o lábio inferior enquanto olhava para baixo. 


— Eu não quero atrapalhar sua vida. — Disse de uma vez e parecia tê-lo chocado tanto a ele quanto a ela ao perceber o que tinha dito. — Digo, você tem uma vida para viver, não pode simplesmente ficar com uma estranha no seu caminho. 


— Estou pedindo para ficar. — A gentileza em sua voz e seus olhos a atingiram bem no peito. Desde que terminou com Gajeel, a loira não tinha se envolvido com nenhum outro homem, principalmente porque não queria se prender a ninguém de novo, queria viver sua vida, reconstruir sua autoestima, poder voltar a fazer o que amava, que era escrever seus livros. 


Ela ainda estava aprendendo a viver sozinha, a não depender de ninguém de novo. A acreditar que poderia ser dona de si mesma novamente, não estava pronta para um relacionamento agora, ou por algum longo tempo.


— Natsu eu realmente sinto muito. Eu não..


— Por favor. — Ele estava determinado, estava em seu olhar e em sua postura. Tudo que ela não estava pronta para lidar ainda, determinação, principalmente vinda de um cara a qual ela não sabia o motivo de mexer tanto com ela. — Se você for agora, ficarei preocupado. 


Ela não estava pronta para aquilo, com certeza não estava. Ele tinha que disparar sua sinceridade agora? Justo agora que sua mente estava totalmente tomada pelo caos? 


— Amanhã você vai, prometo que a deixarei ir, embora não esteja prendendo-a aqui, eu..só quero que fique. Pode colocar sua mente no lugar, ainda existem chances de ter outra tempestade como a de ontem. —Ele coçou a nuca enquanto olhava para o lado, aquilo foi tão fofo que Lucy sentiu vontade de acariciar aqueles cabelos ruivos. — Só.. fica um pouco mais. 


Ele se aproximou, ficando centímetros perto dela, manteve seu olhar sobre ela, mas não estava a devorando como quando a viu nua, estava preocupado. Bastou apenas aquilo, para que Lucy percebesse o quanto era fraca em relação a ele. E que aquilo poderia ser um problema. 


— Certo. — Foi tudo que disse, antes de se perder naquele sorriso novamente. Era impossível recusar algo, se a cada vez que ele dissesse algo, aquele sorriso viria para complementar. 


Ele permaneceu onde estava, apenas observando e analisando suas feições, aquilo era perigoso. 


— Quando você acha que eu ganho? — Ela olhou para o chão antes de dar alguns passos para trás. 


Levou algum tempo até o ruivo raciocinar sobre o que ela estava se referindo.


— Se eu vender o carro, quanto acha que eu ganho? — Era um pouco cedo demais para falar em números, normalmente ele só ia para empresa depois das onze em dias normais, contudo, tinha se auto denominado de férias, e não tinha outro lugar que queria estar, a não ser ali. 


— O suficiente para conseguir comprar algumas roupas um telefone. — Ele exagerou um pouco, talvez pelo fato de que ele mesmo compraria o carro. 


Os olhos dela se iluminaram por um minuto, ela realmente tinha gostado da ideia. 


— Certo. Vou pagar pela minha estadia com ele. — Ele quase deu um pulo para trás, mas permaneceu onde estava. 


Pagar? Como assim pagar? Primeiro que nem se o carro dela estivesse em perfeito estado, seria suficiente para pagar uma noite sequer ali. Segundo, que ela não queria o dinheiro dela. Ela já era podre de rico, ao ponto de não saber o que fazer com seu dinheiro, não queria mais, bom, queria, mas não vindo dela. 


— Você não precisa pagar por estar aqui, eu não estou te cobrando. —Retrucou da melhor forma que pode. 


— Mas eu quero pagar. — Ela o encarou de baixo para cima, aquilo seria fofo se ele não estivesse irritado. 


— Mas eu não quero seu dinheiro. —Rebateu. — Guarde-o para você. 


— Se não aceitar eu não vou ficar aqui nem um minuto a mais. — Ela estava determinada e seu rosto dizia o quanto aquela era importante para ela. 


Por que tão teimosa? 


Elee murmurou alguns palavrões e bufou olhando para o teto. 


—Tá bom! —Ele estava praticamente cuspindo as palavras, enquanto a loira sorria por sua vitória. 


— Isso! — Ele nunca tinha visto alguém tão feliz por poder pagar alguma coisa antes. Aquilo era realmente importante. 


Não. Não era, o importante era como ele iria convencê-la a ficar por mais tempo. Ela tinha concordado mais um dia. Teria de fazer ela amar estar ali, estar ali com ele e se fosse necessário, estaria pronto para convencê-la todas as manhãs futuras. Claro, desde que ela não arrumasse discussões sobre pagamentos. 


— Você é pior que Wendy. — Bufou voltando ao balcão, visivelmente irritado. 


Ela deu uma gargalhada, e aquilo foi o suficiente para ele desistir de sua raiva. Poderia facilmente conviver com aquela risada todas as manhãs. 


— Você gosta mesmo da sua irmã. — Ela voltou a se sentar ao seu lado, e aquilo o deixou feliz. Ele adorava sua irmã a amava muito, apesar de brigarem muitas vezes. 


— Wendy é minha irmã, mas é como se fosse minha filha. Meu pai a trouxe para casa quando eu tinha doze e ela cinco. No início eu não gostava muito, era complicado, por assim dizer. 


— Você não queria dividir atenção, então uma garotinha linda chegou e roubou seu trono. — Ela levou uma pequena uva até os lábios, o pequeno "O" que fez com os lábios após sugar a fruta, levou Natsu a sentir inveja de uma fruta. — Estou certa? 


— As coisas não foram bem assim. — Ele revirou os olhos, recordando quando seu pai disse que tinha uma outra filha e que ele a traria para casa, contudo, foi exatamente como ela tinha dito. Ele foi criado como um príncipe, filho único e do nada descobriu que precisava dividir tudo aquilo e pior, com uma pirralha. 


A loira em sua frente o olhava atentamente com um sorriso irônico: Assuma que eu venci de novo. Ele pode ouvir essas palavras em sua cabeça. 


— Certo, certo. Eu não me dava bem com a pirralha no início. Assumo. 


— Mas hoje você a ama. — Não foi uma pergunta e sim uma afirmação. — Desde ontem, no carro. Você falou sobre sua irmã e seus olhos brilharam. Creio que deve amá-la muito. 


Ele não escondia de ninguém que amava aquela garota rebelde. Mesmo que um dia tivesse sido sua garotinha fofa que corria para ele quando se machucava ou quando em dias de chuva, corria para sua cama. 


— Sim, eu amo. — Ele não hesitou um minuto sequer, e aquilo a pegou Lucy desprevenida. Embora ele estivesse falando de sua irmã, seu olhar era tão fixo nela, que ela respirou fundo para não se deixar levar. 


Natsu riu como se soubesse o que estava causando nela, e ela tinha certeza que ele sabia. Ficaram se olhando por longos minutos, até que o interfone tocou tão alto que a loira soltou um palavrão baixo.


— Calma, é só o interfone. — Ele se levantou indo até o aparelho. — Ele não vai te morder. 


Mas eu vou. Ela concluiu em pensamentos, ao ver seus olhos brilhando enquanto atendia o telefone. 


Sua expressão foi de divertida para séria, e ela sentiu um frio na espinha. Natsu falava no interfone enquanto olhava para ela e depois desligou. 


— Vamos para o meu escritório — Disse dando espaço para que ela passasse. Novamente aquela sensação estranha tomou conta de si. Com quem ele tinha falado? Gajeel? Ele estava aqui, eles se conheciam? Isso explicaria o por que ele não tocou nela, nem mesmo forçou, Gajeel conhecia muitas pessoas, mesmo que ela estivesse em outra cidade, poderia simplesmente ir atrás dela, da mesma forma como ela tinha dirigido até lá, ele também poderia. 


— Por que? —Questionou se afastando. — Quem era?


— Está tudo bem. Ninguém vai te fazer mal. — Sua voz era gentil como sempre. Ela quase se deixou enganar, mas o barulho de passos e vozes na sala a despertou. 


Droga, ele ia entregá-la para ele. Sabia que não deveria ter confiado nele. Não deveria confiar em ninguém que não fosse ela mesma, ele era perfeito demais, deveria ter continuado a andar naquela chuva, deveria ter ignorado suas tentativas de ajudar, tudo não se passava de um teatro. 


— Lucy.. — Ela sentiu ser envolvida em seus braços, ela estava tão distraída em sua mente não que o viu se aproximar e a abraçar. De repente tudo ficou branco, não tinha mais nada ali além do calor de seus braços. 


Não. Acorde! 


Sua consciência estava tentando lhe despertar, ela tentou se afastar, batendo em suas costas e em suas costelas, mas ele não se moveu um centímetro sequer. Pelo contrário, a apertou mais. 


— Ninguém vai machucar você de novo. Eu prometo. — Ela congelou, Natsu estava acariciando seus cabelos enquanto colocava o queixo sobre sua cabeça. Ela se deu conta que era realmente pequena em relação a ele, a seus problemas, ao mundo. Era a primeira vez em muito tempo que ela sentia o calor do abraço de alguém, que poderia se sentir segura. Mesmo que ele fosse um completo estranho. — Ninguém. 


Ela pode sentir os olhos arderem com a vontade de chorar, mas usou todas as suas forças para não as deixar sair. 


— Natsu — Ela ouviu uma voz masculina na porta e se encolheu ainda mais dentro dos braços dele. — Está tudo pronto. 


— Iremos em alguns minutos. — Ela o ouviu confirmar e sair.


Natsu se desvencilhou do abraço assim que sentiu que ela estava mais calma, seja lá quem tinha feito aquilo com ela. Era melhor que não aparecesse em sua frente. 


— Está tudo bem, você disse que não iria ao hospital, então eu trouxe o médico da família aqui. Ele não vai te fazer mal algum. Pode não gostar disso e eu deveria ter pedido sua opinião, mas precisa cuidar dos seus machucados. 


Ele tinha feito aquilo por ela? Ele estava realmente preocupado com ela. 

 

— Ele vai te atender no meu escritório, desculpe não ter explicado antes, mas não tinha certeza se aceitaria. — Ela ainda estava choque, não havia chances de Natsu conhecer Gajeel. Como poderia ter pensado em algo assim, ela conhecia todos os amigos de Gajeel, e nunca sequer tinha visto Natsu na vida, ou muito menos ouvido falar dele antes. 


— Certo. 


Eles caminharam em direção ao escritório de Natsu , onde se encontrava o Dr. Makarov, alguns minutos de conversa e apresentações ela percebeu que ele era um senhor muito simpático. 


— Vamos começar então. O hematoma em seu rosto ainda dói, imagino que a pancada tenha sido forte. — Ele levantou a mão para tocar seu rosto, contudo Lucy se esquivou rapidamente, o que fez o médico olhar para Natsu com desconfiança. — Você sente dor em alguma parte do corpo?Natsu disse que a batida foi feia, seria melhor ir ao hospital. 


— Como se eu não tivesse tentado isso antes. — O ruivo bufou. 


— Eu não sou muito fã de hospitais, mas não sinto nada muito além de dores musculares. 


—Certo. Vou pedir que se deite ali. — Ela finalmente percebeu o mapa e alguns equipamentos ao redor dela. Aquilo era estranho.


Natsu tinha dito que ele era o médico da família, mas ela imaginou algo como remédios e atestados. Não um consultório inteiro, contudo, deitou-se na maca, algo parecido a um flash brilhou três vezes e em alguns minutos ele pegou o notebook e mostrou o que parecia ser seu raio-x.


— Nada quebrado ou lesionado. Isso é um alívio, senhorita Lucy. Tudo que vai precisar é tomar alguns remédios para dor e repousar, sugiro que não faça muito esforço também. 


Ele deu uma olhada de Lucy para Natsu e sorriu de canto. Balançou a cabeça, enquanto se questionava sobre o que ele estava pensando. 


Não demorou muito para que ele fosse embora, o que a deixou nervosa. Novamente estava sozinha com ele, isso era um problema, ficar sozinha com Natsu era perigoso demais, tinha medo que se ele desse mais alguns daqueles sorrisos, ela sucumbiria a tentação. 


Ela mal tinha percebido a manhã passar, Makarov havia lhe dado analgésicos para dor e curativos, juntamente a pomada para o inchaço no rosto. 


— Vamos dar uma volta? — A voz de Natsu ao entrar na sala com um copo de água, fez despertar de seus pensamentos. 


— Como assim? — Ele a estava chamando para sair? Ela mal tinha se acostumado a mostrar seu machucado para ele, imagine para alguém na rua. — Não acho que seja uma boa ideia sair na rua assim. 


Ela baixou a cabeça e ter isso o fez ter que se abaixar-se em sua frente. 


— Podemos ir no jardim. Estamos quase na primavera, Wendy preparou o jardim com todos os tipos de flores que foi capaz de comprar na cidade. 


Ela assentiu e ele estendeu a mão, contudo, mais cedo na cozinha, quando teve aquele ataque de ansiedade, o abraço de Natsu mexeu com ela e com certeza, ela não estava preparada para ter mais algum contato com ele novo. Apenas se levantou do sofá onde se encontrava e caminhou em direção a porta de vidro. 


Mesmo que não estivesse olhando para ele, podia sentir o peso de seu olhar desapontado sobre ela. 


Ambos caminharam lado a lado até o jardim, várias flores de diferentes cores estavam espalhadas por todo jardim, Natsu nunca tinha ficado tão feliz por sua irmã ser teimosa ao ponto de não o ouvir e plantar todo o jardim, mesmo sem sua aprovação todos os anos. Mas, dessa vez ele precisava agradecer Wendy, o brilho nos olhos de Lucy fez seu coração acelerar. Ele plantaria flores em todos os lugares da casa se ela decidisse ficar. 


E como ele faria isso? Ainda não tinha bolado um plano. Por enquanto, usaria a desculpa do carro, mas e depois? Precisava pensar em algo. 


— Gostou? —Perguntou ao se aproximar da loira perto das violetas. 


— Sim, isso, nossa! —Ela deu um grande suspiro, como se estivesse totalmente relaxada. — Sua irmã deixou esse lugar incrível, é maravilhoso. 


— É, é lindo. — Ela sentiu aquele calafrio de novo. O tom de sua voz a fez lembrar da noite anterior, e ela não precisou olhar para ele, para saber que ele não estava olhando para o jardim. 


O fato que Natsu mexia com ela estava mais que aparente, contudo, ela não se deixaria vencer por isso, mesmo ele sendo um cara educado, lindo e aparentemente romântico e aquilo não era para ela. Precisava deixar as coisas bem claras. 


— Natsu, quero dizer uma coisa. — Se virou para ele e sentiu como se fosse cair. Ele estava com aquele olhar determinado e ambicioso que sempre fazia. 


— Estou ouvindo. — Ele colocou as mãos no bolso da calça moletom que estava usando, ela só tinha percebido agora que era exatamente igual a que ela usava, mas a diferença do caimento era evidente. Ela estava perfeitamente sob suas medidas, enquanto nela, precisou dobrar três vezes para evitar cair enquanto andava. Poderia dizer o mesmo da camisa de manga longa que envolveram seu corpo, mas era possível ver o tecido desenhado em seu peito. O maldito era incrivelmente delicioso. 


Foco Lucy. Até parece que nunca viu um homem gostoso na vida. Certo, ela já tinha visto, já tinha provado, mas não um cara como ele, não como Natsu.


— Olha, eu agradeço tudo que fez por mim e o que está fazendo mas..—Ela mordeu o lábio inferior. —..precisamos esclarecer algumas coisas. 


— Esse olhar não é bom. — Ele a olhou de maneira gentil, demonstrando total atenção nela. — Prossiga. 


— Tudo isso que está fazendo é muito mais do que já recebi durante todo o último ano, eu sou muito grata a você e prometo que vou te pagar, um dia e — Ele ergueu a mão a interrompendo. 


— Eu não pedi seu dinheiro e não eu não quero que me pague, e antes que comece a discutir dizendo que vai pagar ou vai embora. Me pague melhorando a cada dia. Será o suficiente. 


O choque que percorreu sua mente foi tanto que ela precisou raciocinar suas palavras mais de uma vez.


— Mas eu não vou me sentir bem com isso. — Retrucou. 


— E eu não vou ficar bem aceitando seu dinheiro, olhe para mim, olhe ao redor. Eu pareço alguém que precisa disso? —Talvez aquilo tenha sido arrogante. — Vai por mim, tudo que não preciso na vida é o seu dinheiro. 


Ela abriu a boca surpresa. Era a primeira vez que o via falando daquela forma. Ele estava irritado? 


— Você não tem que precisar, só aceitar. —Bateu o pé no chão. 


— Eu não quero a porcaria do seu dinheiro Lucy, desde que você fique bem, é o que importa. Por que você é tão teimosa? 


Ele bagunçou o cabelo e olhou para os lados, depois de perceber que aquilo tinha saído mais alto do que gostaria. 


— Eu? Teimosa? — Ela bufou alto. — É você que não deixa eu retribuir o que está fazendo! 


— Eu estou cobrando por acaso? — Ele deu um passo se aproximando. 


— Não, mas eu quero pagar. —Ela deu um passo também em sua direção. — Por que não deixa? 


— Por que eu não quero. — Disse arqueando as sobrancelhas. 


Ela bateu novamente o pé no chão e parecia que gritava de raiva por dentro, estava praticamente o fuzilando, contudo, apenas respirou fundo. 


— Realmente não entendo por que os homens precisam bancar os machões a todo momento. 


— Só tive uma boa educação. — Rebateu o ruivo. 


— Está dizendo que eu não tive? — Ele adorava ver como ela se irritava rápido, precisava admitir, estava gostando daquilo. O ruivo nunca pensou que uma discussão poderia ser tão divertida. 


— Não foi o que eu disse. — Ergueu os ombros como se não fosse nada. 


— Mas foi o que pareceu. — Afiada, até mesmo saber que ela tinha uma resposta para tudo era divertido. 


— Não coloque palavras na minha boca. — A ironia em sua voz e o sorriso que demonstrava que ele não estava levando aquilo a sério, a irritou, irritou muito. — Não pode concluir as coisas sozinha. 


— Claro..mas você pode. —Disse irônica. 


— Não exatamente. Não estou dizendo isso também. 


Ele podia sentir como se ela fosse pular na garganta dele a qualquer momento. 


— E o que você está dizendo? 


— Que eu gosto de você. — Ele se inclinou enquanto olhava fixamente em seus olhos. 


Ele mal conseguiu se manter de pé, ela com toda certeza não estava preparada para aquilo, era exatamente o que estava tentando deixar acontecer. 


Esse era o maior problema, a sinceridade em sua voz, em seus olhos. Sabia que ele não estava mentindo. De alguma forma sabia, também sabia que não podia fingir que não sentia nada, fingir que não havia algo nele a atraída de uma forma incompressível.


Mas não estava pronta, não ainda. Não agora. 


— Natsu eu..— Ele tocou os lábios da loira com a ponta do dedo indicador. 


— Isso não quer dizer que precisa sentir algo também. — Ele ainda sorria, o que claramente demonstrava o contrário de suas palavras, contudo, ele não estava forçando nada, de novo. Por que isso a irritava tanto, e ao mesmo tempo fazia dele um príncipe perfeito. 


Ela não queria um príncipe? Queria? 


— Eu..bem, acabei de sair de um relacionamento.. complicado. 


—Lucy, Lucy.. eu não estou te pedindo em namoro. — Ele riu baixo. — Mas se possível, gostaria que não fosse embora. 


Como ele poderia pedir isso agora? Justo quando ele acaba de confessar aquilo a ela. Era no mínimo, complicado? Melhor, o que não era complicado na vida de Lucy? 


— Natsu, sabe que não posso ficar aqui. Nós não vamos fazer aquilo. 


Ele sorriu como sempre. 


— Aquilo o que? — Ela não gostou nada do seu tom. Era quase uma confirmação que fariam. 


— Você entendeu! — Claro, ela não era nenhuma santa ou algo parecido, mas também não estava acostumada a falar sobre isso com outros homens. 


Mas o fato era, ela realmente não queria? Não, não queria. 


Mas porque ouvia algo dentro dela dizer "eu quero"?


— Como eu disse, só porque eu gosto de você, não quer dizer que você também precisa gostar. —Ele arrumou a postura e voltou a atenção para as flores. 


— Como pode gostar de alguém que conheceu ontem? Literalmente ontem. 


— Não sei, me explique você. 


— Eu não sei, talvez seja só atração física, desejo. — Ela só se deparou com a resposta quando ele voltou a olhar em seu rosto com aquele sorriso vitorioso. 


Ela tinha acabado de confessar que o desejava? Maldito ruivo!


— É, talvez seja isso. 




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