História Irresistível - Capítulo 42


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Ecchi, Hentai, Jeongguk, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Romance, Suga, Yaoi
Visualizações 2.445
Palavras 4.579
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ MEUS AMORES... UNNIE NA AREA, YO!!! \o/\o/\o/

Primeiro, me desculpem por demorar mais do que o normal com esse cap. Mas é que essa semana foi um cu de serviço. Estava atolada até o pescoço (e ainda estou) por isso não tive mto tempo para escrever ao longo desses dias.

Além disso, ando bem cansada. Estou capegando agora, mas queria mto terminar esse cap :'D
Estou escrevendo ele desde sexta e foi bastante complicado, mas ai está \o/

Quero agradecer todo o amor, os favoritos e comentários que vcs me enviam
MTO OBG MESMO!!! <3 <3 <3

Hj eu não vou falar mto pq estou com sono, então é isso kkkk

Espero que gostem >_____<

BJOKAS *3*

Capítulo 42 - Agora ou nunca


Fanfic / Fanfiction Irresistível - Capítulo 42 - Agora ou nunca

Sinto o sangue congelar. Empalideço. Com os olhos arregalados e a respiração ofegante pelo o que eu - insensatamente - permiti acontecer, observo Clara parada de braços cruzados na porta e não faço nada além de engolir seco. Seu rosto repleto de frieza me atinge, mas não tanto quanto o brilho magoado que carrega em seu olhar.  

Decepção... 

É isso o que eu vejo. Há tanta decepção em seus lindos olhos. E, entre todas as pessoas que um dia me encararam com esse mesmo sentimento, ela, definitivamente, é a que eu jamais gostaria que o fizesse. Porque é a decepção que mais me dói.  

Dói tanto! Merda, porque dói tanto assim? 

Sem que eu possa controlar, minha respiração se agita ainda mais. Sinto o peito descer e subir depressa, um incômodo sufocar a garganta, cada músculo do meu corpo tencionar e as palavras que precisam ser ditas se perderem diante o embaraço do seu silêncio. Silêncio este que perdura e me esmaga segundo a segundo, até Taehyung se pronunciar, tentando fazer o que sou incapaz nesse momento: 

- Professora Clara, nós...  

Mas um gesto e ele se cala. Com um olhar que gela a minha alma, Clara alterna sua atenção entre o meu amigo e eu, e com a voz mais cortante que uma faca, diz: 

- Eu sei exatamente o que estavam fazendo aqui, senhor Kim. Porque eu vi! 

Tanto Tae quanto eu ficamos calados. Meu interior revira. Desvio o olhar por um instante, constrangido e quebrado, mas reúno o que resta da minha dignidade e volto a observá-la, me arrependendo de imediato. Deparar com o seu desprezo é como um balde de água fria sobre a minha cabeça e sinto-me baixo, miserável. 

Apesar da angustia e todo o receio que se apossam de mim, mantenho meu olhar sobre o seu. Porém, ao notar seus ombros trêmulos e a forma como seus orbes marejam pouco a pouco, meu coração pressiona forte e dolorido contra o peito.   

Tenho que fazer algo. Tenho ou vou acabar mais arrependido do que já estou. No entanto, antes que eu possa sequer abrir a boca, vejo-a ir em direção a porta e então murmurar: 

- Saiam daqui...! 

Não espera por respostas ou qualquer outra coisa, simplesmente dá as costas e sai em disparado para o corredor. Estático, encaro a porta escancarada por uns segundos, mas salto da mesa num surto de coragem e corro atrás da mulher que acabo de partir o coração.  

Avisto Clara no final do corredor, prestes a descer as escadas, e me apresso para conseguir detê-la. À passos largos, me próximo e seguro o seu pulso. A sensação quente da sua pele faz o meu corpo estremecer, bem como a maciez que me arrasta as lembranças de todos os nossos toques. Do nosso desejo. Mas, ao contrário do que sempre acontece, ela não procura os meus braços ou os meus beijos. Apenas permanece parada, querendo repelir o meu contato. A nós dois. 

- Me solte, senhor Jeon.  

Seu menosprezo me acerta como um soco no estômago.  

- Noona, por favor, não me chame assim. 

Minha voz sai tão baixa que mal a reconheço. Espero que diga alguma coisa, que, apesar de toda a sua raiva, não me trate como o desconhecido que não sou. Mas, nada acontece. Por intermináveis segundos, nos mantemos calados em meio ao corredor. 

Hesitante, Clara se vira e nos encaramos, frente a frente. Lanço um olhar aflito, tentando de alguma maneira quebrar a barreira que repentinamente surgiu entre nós e assim ter uma chance de dizer que tudo tem uma explicação. E por um instante penso ter conseguido, isso até seu semblante endurecer outra vez. 

- Vou dizer outra vez: me solte, senhor Jeon – esbraveja - Agora mesmo! 

Com a vontade que não tenho, mas ciente de que devo lhe dar espeço, afrouxo o aperto em seu pulso e deixo o braço cair ao lado do corpo. Rendido, enfim.  

O silêncio é inquietante, difícil, principalmente quando há tanto a se falar e ninguém está disposto a ouvir; nos encaramos e já não sou mais capaz de controlar a dor crescente que devasta cada pedaço de mim. Eu a olho e apenas uma certeza se faz dentro da minha cabeça: Clara está escapando entre os meus dedos

- Eu posso explicar – murmuro. 

- Você não precisa me explicar absolutamente nada, senhor Jeon. 

- Pare de me chamar assim, droga! 

Cada vez mais frustrado com o rumo que a situação está tomando e seu tom desprezível, passo os dedos nos cabelos de maneira nervosa e volto a cravar meus aos seus. Sei que está irritada e sei que sou o único culpado por isso, mas essa birra não nos levará a nada. Ainda que seja hipocrisia fazê-lo agora que tudo já desmoronou, eu quero consertar as coisas, só que ela precisa estar disposta a escutar. 

- É dessa maneira que uma professora se dirige a um aluno. São as regras do colégio. 

- Mas você não é só a minha professora. Você é... 

- O que eu sou? Huh? Vamos, diga Jeon. 

"Você é a mulher que eu amo!", penso, mas não digo. Não tenho coragem. Por mais verdadeiras que essas palavras sejam, dizê-las agora soaria como uma grande mentira. Pois isso, me limito a observá-la e então digo em um sussurro, esperando que entenda: 

- Você sabe o que é. 

- Sou uma grande idiota, é isso o que eu sou! – grita, enfurecida – Uma idiota que acreditou em um conto de fadas barato, enquanto você estava rindo esse tempo todo!  

Sem dar a mínima importância para quem possa aparecer e nos flagrar, continuamos discutindo no corredor. Clara, trêmula e muito nervosa, me amaldiçoa e tenta evitar quaisquer das minhas explicações enquanto eu, com a porcaria de experiência afetiva que não tenho, procuro acalmá-la e trazer a sua razão de volta. Um pouco que seja. 

Seguro sua mão e beijo os nós de seus dedos, tentado mostrar que lhe sou sincero, que meus sentimentos não são falsos. Muito pelo contrário. São tão verdadeiros que chegam a doer. Algo que eu nunca experimentei antes e, apesar de intimidantes no começo, não posso mais viver sem. É como uma droga. Clara é a minha droga.  

A mais perfeita, a mais viciante. 

Eu a olho. Olho... Olho... E olho. Tendo seus dedos entrelaçados aos meus e a imensidão de emoções que são os seus orbes, dou um passo à frente e o desejo de tocá-la ainda mais se apossa de mim. Preciso beijá-la como preciso de ar para respirar.  

Perdido no amor que tenho por essa mulher, quase dez anos mais velha e que ainda por cima é a minha professora, guio o meu corpo de encontro ao seu, buscando por um beijo. Contudo, sou bruscamente impedido.  

Sem entender, observo-a se afastar e o pequeno gesto que nos une ser quebrado. O meu desapontamento é evidente, assim como o medo que corre a espinha ao ter sua expressão dolorosamente decidida voltada para mim. 

- Eu não quero suas explicações, Jungkook - solta sem um pingo de incerteza – E antes que alguém mais nos pegue nessa situação, antes que tudo fica mais difícil do que já está, é melhor pararmos por aqui.     

E da mesma forma que fez a minutos atrás, dá as costas e sai à passos apressados, descendo as escadas e sumindo da minha vista. Simplesmente se vai. 

Parado no mesmo lugar, encaro o vazio e penso em procurá-la, mas estou baqueado demais para isso. Um suspiro pesado me escapa, tanto que sinto os pulmões queimarem. Engulo em seco uma, duas, três vezes... Mas parece não ser o bastante. 

E de fato, não é.  

Não, não é o bastante. 

- Kookie... - a mão de Taehyung pousa em meu ombro, porém, não me dou ao trabalho de virar para trás - Jungkook, você está be... Você está chorando?! 

Me espanto com o que diz e levo a mão ao rosto. Quando comecei a chorar? Passo os dedos nas lágrimas grossas que escorrem e, quanto mais eu tento secá-las, com mais força elas descem. E então um soluço brota da garganta sem que eu possa controlar. 

Merda! Que merda! 

- Jungkook, eu não acredito que está chorando por... 

- Cale a boca, Tae! - mando, furioso. 

Eu sei que a culpa é inteiramente minha. Afinal, quem concordou com a ideia idiota do "último beijo" fui eu. Tudo bem que nem me passava pela cabeça que a Clara poderia aparecer justamente nesse momento. O que só me leva a crer que, ou coincidências realmente existem ou o universo me odeia muito. 

Seja qual for a resposta, indiscutivelmente, eu errei e estou pagando por isso, 

Pagando muito caro

Respiro fundo, tentando de maneira inútil conter as minhas emoções desordenadas, e marcho para o banheiro mais próximo à fim de jogar um pouco de água no rosto. Talvez assim eu consiga me acalmar e pensar com mais clareza em tudo o que está acontecendo.  

Seguindo por Taehyung, entro no banheiro do terceiro andar e trato logo de abrir a torneira e enfiar a cabeça debaixo da água fria. Deixo que corra por uns segundos, como se fazê-lo fosse levar embora todas as imagens que ofuscam os meus pensamentos, mesmo sabendo que elas continuaram me atormentando. Que o seu "é melhor pararmos por aqui", vai fazer o meu coração sangrar tanto quanto agora. 

Espalmo as mãos no batente da pia e encaro o meu reflexo no espelho. Por um longo tempo, observo o cara estúpido no qual me tornei, e tenho vontade de socar o meu 'eu' refletido e parti-lo em milhões de pedaços, exatamente do jeito que estou. 

- Kookie... 

- Eu não deveria tê-lo beijado, Tae. 

Sentencio, sem ao menos olhar para a sua imagem atrás de mim no espelho. Abaixo outra vez a cabeça e deixo que um suspiro frustrado saia; de repente, sinto a mão de Taehyung tocar o meu ombro e ouço-o dizer:  

- Mas foi o último beijo. Pela a nossa amizade, lembra?!  

- E o que isso me custou? Huh? - enfim, eu o encaro. Percebo que meu tom amargurado lhe incomoda, mas não ligo - O que custou? 

- Se ela gostasse tanto de você quanto diz gostar, não teria dado as costas e ignorado as suas explicações. Entende agora?! A Clara não desperdiçou a oportunidade de... 

- Não, Tae, as coisas não funcionam assim. Se eu a tivesse pego com outro cara, com certeza estaria tão possesso e cego de raiva quanto ela está nesse momento. Então, não digo que a Clara apenas aproveitou a situação para me dar um pé na bunda, porque não é verdade. E você sabe muito bem disso. 

Meu amigo fica calado e sou obrigado a fazer um esforço imenso para não voltar a chorar. Diferente de outras vezes, não quero compartilhar a minha mágoa com Taehyung; jogo um pouco mais de água no rosto e penteio os cabelos úmidos para trás com os dedos, tirando-os dos olhos. Me recomponho - ou tento, pelo menos.  

- Quer uma carona? - ele pergunta, depois de um tempo quieto. 

- Eu preciso ficar sozinho. 

- Mas está atrasado para ir ao serviço. 

Praguejo. Já passou tanto tempo assim?  

Pondero se devo ou não aceitar a sua carona, mas acabo por concordar. Infelizmente, vou acabar chegando muito atrasado se for de ônibus e hoje - de quebra - tenho que cobrir um colega que não poderá ir, ou seja, tenho que entrar mais cedo. 

Pegamos as mochilas nos armários e descemos em direção a saída, onde o motorista de Tae provavelmente já esteja esperando a essa hora. Cruzamos o pátio vazio e, automaticamente, olho em direção a sala dos professores, buscando por ela. 

Com a cabeça cheia e o coração pesado demais, saio portão à fora e avisto o carro preto do outro lado da rua. Entro juntamente com Taehyung e o motorista não demora a dar a partida, rumo a minha casa. E por todo o caminho, permaneço calado. 

Durante serviço, não consigo me concentrar. No terceiro copo derrubado e espatifado no chão, a gerente pede que eu vá tomar um descanso e não posso negá-lo. Entro na área dos funcionários e deito no pequeno sofá encostado a parede. Fecho os olhos e tudo volta a girar e girar em minha mente, e o maldito sufoco me atinge. 

Eu não posso permitir que tudo termine dessa maneira. Não posso! 

Sei que errei. Porra, eu sei! Mas amo demais aquela mulher para simplesmente aceitar o nosso fim. Preciso explicar o que já deveria ter explicado há muito tempo e torcer para que haja uma chance. A menor que seja. 

Saco o celular do bolso e, ainda que hesitante, lhe mando uma mensagem. Observo a tela e percebo que não é entregue. Tento mais uma vez, porém, o mesmo. Todas as mensagens que envio não são entregues. E começo a pensar que bloqueou o meu número, o que não seria uma surpresa - diga-se de passagem. 

Volto aos meus afazeres, mas encontro uma ou outra brecha para mandar alguma mensagem ou fazer uma ligação. Espreito o celular na troca de uma sala para a outra, e minha frustração e preocupação apenas crescem por não ter respostas. Ainda que fosse óbvio que seria ignorado.  

Assim que sou dispensado, não penso duas vezes em pegar a bicicleta e pedalar até a sua casa. Mais rápido do que o permitido, atravesso a cidade na ciclovia e um percurso que demora cerca de quarenta minutos, faço em quinze; estaciono diante a sua casa em tempo recorde e tento ligar para o seu celular novamente. Ciente de que não terei resposta, toco a campainha e Manu-noona surge na porta. 

- Jungkook?! - com uma expressão confusa, se aproxima - Ah, olá! O que faz aqui? 

- Boa noite, Manu-noona. A Clara está em casa? 

- Não. Ela ainda não chegou. Na verdade, eu imaginei que estivesse com você. 

Ao notar que ainda não sabe o que aconteceu, digo: 

- Não, eu estava no trabalho. Liguei e mandei mensagens, mas ela não responde. Por isso decidi vir pessoalmente. 

- Aconteceu alguma coisa? 

- Não, não - me apresso em negar - Eu só... Preciso falar com ela. 

- Bem, se quiser esperar... 

- Eu posso? 

- Oh sim, sim. Entre! 

Curvo-me em agradecimento e deixo a bicicleta ao lado da porta. Entramos.  

- Você quer algo para beber? - Manu-noona pergunta. 

- Muito obrigado. Não se preocupe. 

- A Clara tem essa mania de sumir - comenta aos risos - Nos deixa de cabelos em pé e as vezes foi apenas comprar alguma coisa ou até sem razão. É sempre foi assim. 

Sorrio fraco. Infelizmente, dessa vez ela teve uma razão. Uma péssima razão. 

- Eu acredito que daqui a pouco ela esteja aqui. Então, pode esperá-la o quarto. 

Concordo e sigo para a segunda porta do corredor. Abro-a devagar e fecho os olhos ao sentir o seu cheiro impregnado no ar. Analiso atentamente cada detalhe e meus olhos param sobre a cama, trazendo instantaneamente as lembranças de quando fizemos amor e dormimos abraçados ali, e nossos cheiros se misturaram e tornaram-se único. 

Sento na beirada da cama e passo a mão sobre a colcha azul. A ideia de que eu talvez não possa mais tocá-la aqui e em qualquer outro lugar me desestabiliza. E é por esse motivo que preciso explicar a situação e consertar as coisas entre nós. Pois eu não suporto sequer imaginar isso.  

Sentado e com o celular nas mãos, eu espero. Espero... Espero... Espero.  

Uma, duas, três, quatro, cinco horas e já estou uma pilha de nervos. Ando de um lado para o outro, querendo arrancar os cabelos de tanta preocupação e presumindo os piores cenários possíveis. Meu coração bombeia loucamente.  

- Ela ainda não chegou?  

Olho rapidamente para a porta e encontro Manu, que parece ter acabado de acordar. 

- Não - respondo. 

- Tentou ligar? 

Consinto. Se eu abrir a boca agora, certeza que vou desabar. 

Encostada na soleira da porta, Manu-noona observa a minha tentativa de abrir um buraco no chão e após uns minutos de silêncio, diz: 

- Acho que você deveria ir para casa. 

- Eu não vou! 

- Sei que está preocupado. Eu também estou, acredite. Mas está quase na hora de você entrar no colégio e, seja lá onde a idiota da minha amiga foi, tenho certeza de que vai encontrá-la por lá. Além disso, não acho certo que falte a aula. 

Reflito, mas não preciso de muito para entender que está certa. Seja lá para onde a Clara foi, certamente estará lá em seu horário de costume. Então, despeço-me de Manuela e vou para casa com intenção de me arrumar, e confrontar Clara onde tudo começou: no colégio. 

Porém, como presumi, sou completamente ignorado. Procuro chamar a sua atenção do jeito que posso, até recorro as nossas antigas rixas dentro da sala, mas a sua indiferença desesperadora. Depois que a aula acaba e pelo restante do dia, não vejo mais Clara em canto algum. E é dessa forma que três dias se passam. 

Sabendo que não vou conseguir abordá-la no colégio e sentindo que o abismo entre nós só aumenta, passo a ir até a sua casa após o horário de trabalho e praticamente imploro para que Manu-noona me deixe falar com ela, e sempre recebendo uma desculpa qualquer como resposta. Apesar de enxotado, não desisto.  

E hoje, no quarto dia, não é diferente. Eu deveria me envergonhar por estar agindo dessa maneira, mas, é como dizer: "se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé"; Manu-noona aparece na porta outra vez, soltando um suspiro visivelmente cansado, e vem até o portão onde estou plantado.  

- Olha, eu não faço ideia do que aconteceu entre vocês, mas, definitivamente, a Clara não quer conversar contigo - novamente, suspira. Coça os cabelos, pensativa, e diz: - Não acha melhor dar um tempo até que aquela cabeça-dura se acalme? 

- Eu até pensei nisso, mas estou ficando louco! 

- Jungkook... 

- Eu só preciso de uma chance para falar com ela. Por favor! 

Manuela me olha, olha e olha. Solta o ar com força e me encara. 

- Uma chance, entendeu?! - assinto confiante e ela sorri - Se a Clara descobrir, vai me matar... 

Agindo como combinamos, bato a mão na porta para fingir que estou entrando a força e, com o peito carregado de ansiedade, abro a porta do quarto de supetão e deparo com Clara bem a minha frente. E se antes estava ansioso, agora estou muito mais.  

Nos encaramos por um longo instante. Ah, como eu quero beijá-la. Eu sinto a sua falta e, apesar do ódio que tenta demonstrar, vejo que também sente a minha. 

Seus olhos não negam. 

- Como ousa? - vocifera.  

- Precisamos conversar.  

- Não temos nada o que conversar, garoto. Agora dê o fora da minha casa!  

Inconscientemente, franzo o cenho. Detesto quando me chama assim. 

- Isso é invasão de propriedade - diz, presunçosa - Eu posso chamar a polícia, sabia?!  

- Chame. Pode chamar.   

Nem um pouco disposto a dar o braço à torcer, lanço um olhar tão arrogante quanto o seu, e me aproximo lentamente de si. 

- É melhor você sair daqui, Jeon Jungkook, ou não me responsabilizo pelo o que vai acontecer. Vamos, saia daqui!  

Ela dá um passo para trás e mais outro, e eu continuo avançando. Sem desviar a atenção de seu lindo rosto, vou em sua direção e me surpreendo ao vê-la saltar a cama e se põe do outro lado. Ainda mais quando apanha a primeira coisa que encontra no chão e estico em minha direção, como uma ameaça. É um tênis. 

Seria cômico se não fosse trágico. 

- Eu já falei para sair daqui, porra! - grita, aflita - Desapareça!  

- Eu não vou sair daqui até que me escute!  

Determinado a resolver a situação de uma vez por todas, não fraquejo diante a sua rejeição, mas antes que eu perceba e já estamos discutindo como dois loucos. Por mais calmo que eu tente ficar, Clara não parece estar nenhum pouco propensa a me ouvir e tudo piora no instante em que solta: 

- Eu sei muito bem o que irá dizer, garoto! O seu querido Taehyung já esclareceu as coisas, se é isso o que pretende.   

Surpreso com o que acabo de descobrir, tento me aproximar outra vez, mas aos ser ameaçado, detenho o passo e mantenho os olhos sobre si.  

- Quando se encontraram? - pergunto, atordoado. 

- Isso não interessa! O que importa é que já sei o bastante.  

- O que ele disse? O que o Taehyung disse?   

- O que?! Está assustado com o que eu possa ter descoberto? - caçoa - O Taehyung contou toda a verdade, oras. Dois anos, não é?!   

Caralho, Taehyung! Sério que você fez isso?! 

Respiro fundo uma e outra vez, buscando me acalmar para não sair daqui e ir direto quebrar a cara de certa pessoa, e, ciente de que não há mais o que esconder, murmuro: 

- Não era para você ter descoberto assim, noona. 

E sua ira desaba sobre a minha cabeça. 

Clara grita, descontrolada, e sinto o impacto do tênis contra o ombro. Ela realmente o arremessou? Encaro-a assustado e só tenho tempo de desviar do outro par, que voa em minha direção.  

Peço para que se acalme e pare, mas, como imaginei, não me dá ouvidos. Grita, grita e grita. Me amaldiçoa com palavras que até eu desconheço, e eu apenas escuto. Deixo que extravase e ao notar sua voz falhar, insinuando que não há mais o que ser dito, dou um passo à frente e sussurro:   

- Eu nunca faria algo que pudesse magoar você, Clara, sabe disso. Eu sei que sabe!  

Clara me olha, olha e olha. O silêncio volta a reinar no quarto, somente as nossas respirações aceleradas se sobressaem. Sem desviar a atenção, dou mais um passo e noto como procura qualquer coisa ao redor que possa atirar em mim.  

Rio fraco, ainda que o momento não seja dos melhores. 

- Eu não contei porque tive medo - digo em tom baixo.  

- E por isso preferiu mentir e me fazer de idiota?!  

- Eu não quis mentir e muito menos fazê-la de idiota, mas tive os meus motivos para não contar sobre Taehyung e eu. Por favor, me entenda.  

Outro passo e mais outro. No instante em que se inclina para alcançar a almofada e jogá-la em mim, seguro seu pulso e travamos uma batalha, que termina com ela sobre o meu peito e nós dois caídos na cama. Nossos olhos se encontram e estou perdido em toda a sua imensidão. Sua boca tão próxima, que me contenho para não tomá-la. 

Temendo que possa se afastar, dou um impulso e em segundos ela está por baixo de mim. Apesar de sua resistência, fico firme e afasto suas mãos, pegando gentilmente ao redor dos seus pulsos e aprisionando-os gentilmente no colchão.  

Com os braços apoiados um de cada lado da minha cabeça, os joelhos lhe prendendo os meus quadris, observo fixamente o seu lindo rosto e permito que meus sentimentos saiam em um sussurro:  

- Eu sou louco por você, Clara! E como eu disse, jamais faria algo para magoá-la. Aquilo é passado, você é a única pessoa que me importa agora. Só quem eu quero é você e somente você.  

Meu olhar e o de Clara se encontram.   

- Sinto a sua falta, porra, e como sinto! - deslizo o nariz atrevidamente em sua bochecha e não reprimo beijá-la no canto dos lábios - Falta dos seus beijos, dos seus toques, da sua pele... Dos seus olhares para mim. E se eu já sou louco por você, estou enlouquecendo ainda mais sem você, noona.   

Ouço o seu ofegar e meu coração dispara.  

- Você é um maldito mentiroso...! - murmura.  

Tenta me empurrar uma última vez, mas seus braços cedem e caem sobre o colchão.  

- Eu não sou mentiroso. Por favor, acredite em mim. Por favor...  

Dominado pelo desejo e a necessidade de senti-la minha, quebro o espaço entre os nossos corpos fica menor e sou incapaz de não gemer quando nos esbarrarmos.  

Aproximo os lábios dos seus e os esfrego devagar, ditando silenciosamente o "eu te amo" que não tenho coragem de soltar em voz alta e a beijo com vontade. Embora receosa, Clara me aceita e em segundos estou mergulhado no mais doce mel de sua boca. Perdendo o controle das minhas emoções. 

O calor do nosso desejo consome e só há nós dois no mundo. Só nós dois. 

Mesmo que a pouco consciência que me resta diga que devo parar, meu corpo se nega a obedecer, pois a paixão que arde em meu peito é capaz de virar o mundo e qualquer bom senso do avesso só para tê-la assim comigo. 

Acabo rindo ao pensar em como a sua presença me afeta, sendo que há tempos atrás eu jamais imaginaria estar tão entregue a uma pessoa quanto sou a ela e como isso agora me parece a coisa mais certa. No entanto, o meu sorriso morre no instante em que sou empurrado e caio com tudo no chão. 

Desconsertado, me levanto e encaro a mulher diante mim. E suas injúrias recomeçam.  

Dizendo coisas que não entendo, Clara bate com o dedo em meu peito e exige que eu vá embora; não me dou por vencido e busco a sua mão, mas sou afastado com um tapa. Reparo o quão exausta e magoada está com tudo o que vem acontecendo e, tão esgotado e chateado quanto, acabo me rendendo.   

Lançando um olhar pesaroso e concordo. Visto a camiseta jogada no chão e digo:  

- Vou sair, mas saiba que ainda temos que conversar. Uma hora ou outra.  

Clara não responde, mas sei que entende. Não há como fugir. 

- Eu nunca menti sobre os meus sentimentos por você, Clara, e não foi a minha intenção te fazer mal. Eu juro!  

- Não jure nada, Jungkook. De você, já tive juras o bastante.  

Largando um suspiro, me viro de costas e saio do quarto, derrotado. Encontro Manu-noona sentada no sofá e dou-lhe um sorriso cansado antes de seguir porta à fora. Subo na bicicleta e começo a pedalar, sem olhar para trás.  

Uma semana se passa e continuo me esforçando para dar o seu espaço. Depois daquela briga épica em sua casa e do conselho da Manu-noona, decidi esperar que as coisas esfriem e aquela cabeça-dura da Clara esteja mais calma e disposta a escutar o que tenho a dizer.  

Bem, esse era o plano.  

Segui da maneira que pude somente para respeitá-la. Mas, ao vê-la se achegar ao professor Jackson como há muito não acontecia, não penso duas vezes em ser o impulsivo e inconsequente Jeon Jungkook novamente. É agora ou nunca! 

No lugar que tanto me traz lembranças, espreito pela fresta da porta entreaberta o corredor ficar cada vez mais vazio e meus olhos encontram a sua figura caminhando calmamente em direção a sala dos professores. Caminho este que eu interrompo ao agarrar o seu pulso e puxar o seu corpo para dentro.   

Minha mão cobre a sua boca para que não grite, meu olhar crava em seu rosto surpreso e, com a mesma cara de pau e sorrisinho que sei deixá-la possessa, murmuro: 

- Não seria muito agradável se encontrassem uma professora e um aluno trancados no armário do zelador, não é?! 


Notas Finais


Boatos dizem que o zelador vai ter que limpar o armário xD


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