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História Irréversible - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá! Venho dizer apenas boa leitura, e espero que entendam a Anne!

Capítulo 1 - Nova cidade, nova vida, nova Anne.


A noite trovejante e tempestuosa dava céus a uma bela manhã cinzenta. Agradável, eu diria.

Sentia o conforto de minhas botas de inverno enquanto caminhava e analisava a cidade. Sweet Sucré, diziam as placas, coloridas e alegres, como se estivesse sempre em tempo festivo. Alguns ateliês renomados que havia conhecido por meio de algumas revistas, escolas e faculdades, com arredores românicos, que deixavam o local atraente. Rodei meus olhos por toda a ruela em que atravessava.

Suponho que entre os moradores da parte agrícola da cidade, minha postura ereta os tenha lembrado meu pai, Phillip Cesarine, um renomado empreendedor e advogado. Embora não o conheça o suficiente, ainda lembro-me de pequenos e fúlgidos detalhes.

Corei, vendo quanto tempo havia perdido para formular tão pequeno pensamento, repleto de reflexão. Puxei meu livro do grande bolso de meu casaco e sentei-me em uma cadeira para que pudesse esperar o próximo ônibus. Embora antigo, Orgulho e Preconceito continuara sendo um livro a qual me interesso grandemente.

Poucos minutos passaram-se e o transporte chegou repleto de pessoas que desciam e caminhavam até sua determinada plataforma, outros desciam diretamente no comércio, alguns não desciam; o que não atrapalhava, de certa forma. Verifiquei meu dinheiro e guardei o livro novamente no bolso, fazendo com que voltasse a realidade insignificante que estava. Assim, subi as escadas e adentrei, mesmo sem cumprimentar quem lá estivesse. Entreguei o dinheiro e sentei-me, tombando a cabeça na janela. Seria uma viagem cansativa.

*

O motorista de Phillip estava esperando-me recostado na parede amarronzada. Cumprimentou-me, abaixando seu chapéu ao peito.

— Senhorita Anne, — subiu o chapéu novamente — é um prazer vê-la em Sweet Sucré. Espero que continue aqui.

— Claro... Ah... Rua Dociment, 294, por favor? — Entreguei-lhe a carta escrita por, bem, Cesarine, e adentrei o carro.

Encarei minha meia-calça, logo depois meu sapato. Era estranho como a moda antiga e elegante atingia fracamente os habitantes desta cidade. Observei diversas cores e estampas enquanto atravessávamos a cidade. A cidade parecia continuar em festa até o início da industrialização. Engoli em seco, pensando em diversas maneiras de perguntar para o motorista se estava realmente correta, mas não gostaria de aparentar não conhecer nada. Afinal, era uma nova cidade, eu ainda não havia descoberto nada, a não ser do pouco que alguns livros contavam.

Logo, o carro freou em frente a uma casa cinza e grande, com um jardim de boa aparência e luzes amarelas, iluminando o restante da manhã. Sem trocarmos uma palavra, entreguei-lhe uma gorjeta pelas horas de serviço e agarrei minhas duas malas, subindo as escadas. Como se estivesse esperando, Phillip abriu a porta, dando lugar a sua expressão séria e arrogante. Um pouco mais nova do que imaginava. Uma barba rasteira e negra cobria pouco de seu rosto, os cabelos de mesma cor, penteados, e um sorriso cínico e insignificante. Esticou sua mão, amassando as mangas do terno de alfaiataria.

— Olá. — Respondi, atravessando entre a fresta que havia deixado.

Inferno, inferno, inferno. Repetia para mim mesma várias vezes. A casa era grandemente elegante e aconchegante. Aparentava estar constantemente sendo limpa, embora acredite que não seja muito habitada. Subi as escadarias, ignorando um elevador prateado ao final do corredor, ainda há muito por descobrir deste lugar... Agradável.

O carpete claro amaciava os passos duros e recém-chegados. Uma porta branca aberta, solitária, provavelmente indicava onde precisaria entrar. Phillip continuava exatamente o mesmo sangue-frio, esnobe e milionário que por algum acaso havia apaixonado-se por uma garota esplêndida. Empurrei a porta para que pudesse observar com melhor atenção todo o recinto. Paredes brancas, assim como os móveis.

Uma escrivaninha grande, com uma prateleira enorme e sofisticada ao lado direito. Uma cama de tamanho suficiente, e logo acima um quadro bordado. A janela ocupava o centro de uma parede azul-clara, e ia do teto ao chão, coberta por uma cortina esbranquiçada.

O barulho de passos anunciava que Phillip estava vindo. Coloquei minha mala acima da cama e pus-me a retirar as peças dobradas de dentro. Não havia muito que fazer no momento, então ocupar-me-ia com conhecer a moradia e estabelecer minha própria organização, e mais tarde sairia para comprar os materiais que necessitasse para as aulas. Afinal, eu fui convocada para estar aqui, e cumprirei meu papel de melhor forma possível. Também não gostaria de desapontar Phillip, já que ele está ultrapassando a linha tênue que existe entre sua vida e a minha.

Sua postura ereta invadiu meu quarto, e coçou a garganta para que pudesse falar. Arqueei uma de minhas sobrancelhas, em sinal de que ele poderia continuar.

— Não tolero atrasos matutinos, pago muito bem meus funcionários para que o trabalho deles seja bem feito. O horário permitido para que fique fora de casa é até o início da noite. Não fico em casa durante o dia, então poderá realizar toda e qualquer atividade que a estimule academicamente durante este horário. Você terá cinco aulas particulares por semana, assim como sua dança. Afora isto, Josephine lhe ajudará com o necessário. As diretrizes estarão sempre em um portfólio, o qual está localizado ao lado de sua cama.  — Disse, repetidamente. — Toda semana receberá uma quantia de duzentos euros para que possa realizar e comprar o que desejar. — Apontou novamente para o portfólio. — Não me decepcione. — Silabou as últimas palavras e saiu, girando os calcanhares.

Phillip aparenta ser uma pessoa dura e arrogante, ao geral, séria. Mas estou acostumada ao seu estilo, e posso dizer que minha personalidade é idêntica a sua. Ele não suporta qualquer ação que não esteja planejada. Está sempre em busca da perfeição. Tem sangue-frio como a neve. É extremamente controlador consigo mesmo. Minha mãe sempre me disse que Phillip era deste jeito, e um dia, quando ela morresse, eu teria de suportá-lo. E foi deste jeito em que vim parar aqui.

Após passar por uma infância turbulenta, com a separação de meus pais aos dez anos, fui escolhida para estudar em um colégio renomado de Paris, Sweet Amoris Academie, onde ganhei destaque por minha dedicação. A partir deste ano, representei a Unidade Um em todos os eventos possíveis. Com a queda de uma das Unidades, fui convocada para reerguer o colégio, e os alunos.

E então, sou grata a Phillip por conter seu nome, o que facilita para que alguns empresários me reconheçam com maior facilidade. Foi em sua biblioteca que aprendi a ler, escrever e a construir uma vida organizada, como a atual. Embora seu título de pai não seja mais atribuído, em minha concepção, devo todo meu ensino a ele. E então, a trágica história de Anne Cesarine termina três anos atrás, quando perdi minha mãe em um acidente de carro. O airbag não estava funcionando, e ela atravessou o vidro.

— Vamos Anne, você não é idiota, está perdendo tempo demais desorganizando as malas.

As camisetas separadas por cor estavam etiquetadas e postas em uma parte do armário esplendidamente grande ao lado da cama, as calças acima, e na última prateleira, algumas malas de mão. Nas gavetas, roupas íntimas e meias, e uma parte reservada aos uniformes, outra as roupas de ballet e contemporânea, academia e olimpíadas que havia participado. Nos cabides, os casacos, suéteres e sobretudos que utilizava. Os sapatos postos em ordem dos mais aos menos usados, e bolsas em um expositor, eu as amava grandemente.

Joguei-me na cama, desbloqueando o celular e digitando o que precisaria realizar ainda. O motor de um carro soou e logo os portões abriram-se, identificando que estava sozinha em casa. Aproveitaria logo para explorar o que ainda faltava e comeria alguma coisa, logo irei me arrumar para que possa sair comprar o necessário.

Os fones de ouvido encaixados, tocando minhas músicas prediletas. Deixei o celular carregando e comecei a procurar por lugares que ainda não havia visto. Corredores, quadros de Phillip assinando contratos com outros membros importantes, pessoas de nossa família, e bordados desinteressantes, assim como manchas douradas, como respingos, em telas brancas que poderiam ser utilizadas para algo mais útil.

Finalmente, utilizando o elevador, encontrei a sala de dança, uma quadra e uma sala de jogos, tudo em um andar no subsolo, para que evite barulho e não atrapalhe qualquer acontecimento nos outros andares.

No quintal interno, fazia uma piscina, área de lazer, e uma sauna aparentemente confortável. Atravessando uma porta de vidro, entrávamos novamente na cozinha e sala de estar e televisão.

Com a concepção de estava residindo em uma casa cinco vezes maior da anterior, poderia passar muito de meu tempo livre sem precisar sair daqui, divertindo-me comigo mesma, lendo no jardim de inverno, dançando, nadando e fazendo o que mais me agrada, estudando.  

Subindo para meu quarto novamente, acrescentei um casaco às roupas que usava e penteei meu cabelo, deixando-o escorrer pelos ombros. Abri o portfólio, passando por inúmeros plásticos até identificar onde Phillip teria deixado o dinheiro. Duzentos euros, seria mais do que o suficiente para que pudesse comprar materiais e livros, até mesmo algumas peças de uniforme novas e meias.

*

Tranquei a porta e recolhi a chave em minha bolsa. Como havia imaginado, fazia frio e acabava de deparar-me com uma fome repentina. Avistei um restaurante poucos comércios à frente e acabei cedendo para que comesse lá. Adentrei e um sino tocou ao fechar a porta, identificando minha chegada.

— Com licença, posso ajudá-la em algo? — Perguntou uma menina de cabelos castanhos. Seu uniforme tinha uma mancha de café que me incomodou.

— Certamente, — respondi, analisando brevemente o cardápio — gostaria de um croque-monsieur e um expresso, sem açúcar, por favor. — Arqueei uma sobrancelha, e logo a atendente virou-se em direção ao balcão.

Minutos se passaram, e minha fome aumentara, por enquanto, não havia nenhum sinal da atendente que havia me recepcionado antes. Apenas conseguia avistar uma sombra por detrás do balcão, o que me instigava, já que estava torta como alguém em uma posição desconfortável.

Levantei-me, deixando meu casaco onde estava sentada. Quatro passos foram o suficiente para que chegasse lá.

— Com licença, — li seu nome na identificação — Collins, eu gostaria de saber o motivo de minha espera.

Ele não respondeu, encarou-me algumas vezes, desacreditado, e logo a garota saiu com meu pedido. O sino tocou novamente, alguém havia chego. Girei os calcanhares para que pudesse voltar à mesa.

— Desculpe senhorita, eu precisei fazer alguns ajustes na máquina e, bem, agora está tudo cer- — Interrompi-a, entregando-lhe uma quantidade justa de dinheiro apenas para que calasse a boca e arrumasse adequadamente a máquina.

Embora aparentasse estar presa por muito tempo dentro do café, não havia mais fome e frio, o que me fez sorrir. Paguei meu lanche em silêncio, e aproveitei para comprar um expresso para viagem. O GPS dizia que a loja onde poderia comprar meus itens não estava longe, havia algumas lojas de roupas ao lado. Atravessei a rua movimentada. Uma garota esbarrou em mim enquanto corria, derramando o copo de café em meu torso.

— Mas que grande merda! — Esbravejei, mesmo que ela não tivesse escutado. Toda a minha calma havia se esvaído naquele instante. Que tipo de pessoa não olha para as direções ao atravessar a rua? Agora eu teria que arrumar minha roupa.

Entrei na primeira loja que vi, apenas procurando por um trocador para que pudesse retirá-la e colocar apenas os casacos que carregava.

— Com licença, gostaria de um provador. — uma moça logo me direcionou, sem conversar. Sorri satisfeita enquanto caminhava.

*

Era metade da tarde quando cheguei em casa, Josephine estava arrumando algumas coisas na cozinha, cantarolando uma bela melodia. O cheiro que vinha era bom, e ela parecia estar feliz cozinhando. Subi até meu quarto, guardando as coisas que havia comprado. Estava satisfeita com o dinheiro gasto ao todo, e assim pude guardar pouco menos da metade em uma caixa, que restringiria apenas para o dinheiro, assim talvez Phillip não me incomodasse.

Passei o uniforme e o deixei pendurado em uma pequena arara, assim, guardei os materiais na mochila e joguei-me na cama. Esperando apenas que amanhã seja um bom dia.


Notas Finais


Obrigada por terem dedicado um pouco de seu tempo ao lerem!


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