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História Is It Love? Loan - Desejo e Solidão - Capítulo 50


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Capítulo 50 - Capítulo 50


Fanfic / Fanfiction Is It Love? Loan - Desejo e Solidão - Capítulo 50 - Capítulo 50

Loan


Caminho rapidamente para a biblioteca, levando um pedaço de pizza, um suco em lata e um pote de pudim. Pelo amor de Deus, isso nem é um almoço decente. Que saco! 

Abro as portas pesadas de madeira no mesmo momento que um trovão ecoa tão forte que posso jurar que as paredes da biblioteca tremeram. Olho ao redor do local. Nenhum sinal de Anna. 

Que estranho. Sarah tinha dito que ela estava aqui. Que tipo de pesquisa será que ela estava fazendo? Nem o bibliotecário está aqui. “Deve estar almoçando”, penso. Ando pelos primeiros corredores de prateleiras, procurando por Anna. Nada. 

Vou mais para o fundo da biblioteca, ainda olhando em volta para tentar encontrá-la. 

Finalmente, a vejo. Bem no fundo, entre as últimas prateleiras. Anna está tocando as lombadas dos livros, provavelmente olhando os títulos. Olho para cima, para ver a seção em que está: Anuários. O que será que ela quer aqui? 

Olho novamente para Anna. Está linda, como sempre. Nunca o uniforme da universidade ficou tão bonito em alguém. Reparo que ela está usando meias pretas, que sobem por suas pernas até se esconderem por debaixo da saia. Ela está mordendo o lábio e folhando um livro, nem notou minha presença ainda. Ando devagar, sem querer assustá-la. 

-“Doce Anna.” - Digo, assim que chego perto o suficiente. 

Ela levanta a cabeça, assustada, e olha diretamente em meus olhos. 

-“Loan? O que está fazendo aqui?”

-“Vim trazer alguma coisa pra você comer.” - Digo, fazendo um gesto indicando a bandeja que carrego. 

-“Obrigada, mas não precisava se preocupar.” - Ela diz. 

Vejo sua mochila em uma mesa próxima e vou até lá, colocando a bandeja ao lado. Anna devolve o livro para a estante e se encaminha para a mesa, sentando em frente à comida. Tira os óculos de grau redondos e esfrega um pouco a ponte de nariz. 

-“Foi mal, era a melhor coisa que tinha sobrado.” - Coloco as mãos no bolso da calça.

-“Não tem problema.” - Ela diz, pegando a pizza e dando uma mordida. 

Outro trovão, seguido por um raio. 

-“O tempo tá uma merda hoje.” - Comento. 

Por que de repente me sinto estranho? É como se perto dessa garota eu perdesse todas as habilidades de sedução que adquiri ao longo dos anos. Anna me olha e simplesmente assente, comendo outro pedaço de pizza. 

-“O que você tá procurando aqui?” - Pergunto, olhando para a prateleira onde ela estava. 

-“É complicado.” - Ela fala, depois de tomar um gole do suco. 

-“Não sou tão burro quanto você pensa, sabia?” - Me finjo de ofendido e sento na cadeira ao seu lado, colocando a mão no coração. 

Anna me olha, dá um sorrisinho e meneia a cabeça. 

-“Não quis dizer isso. É difícil para mim tentar explicar.” 

-“Por que não começa do princípio?” - Uso o polegar para limpar uma gota de molho de tomate que estava no canto de sua boca, então o levo para a minha, provando. -“Estou passando a gostar mais de pizza agora.” - Digo, o que a faz corar. 

Rio um pouco, então fico sério novamente. Apoio um braço no encosto da cadeira e outro na mesa antes de dizer:

-“Então, anuários?”

Anna come o último pedaço de pizza e toma um gole do suco antes de se virar para mim, me avaliando com olhos semicerrados. Então ela suspira e responde:

-“Ontem fui jantar na casa do meu padrinho, o Don.” 

-“Foi ele que te trouxe naquele Shelby?” - Interrompo.

-“Sim. Dormi na casa dele porque ficamos até tarde bebendo e vendo alguns álbuns de fotos antigos que ele tinha em casa. Enfim… É…  M-Meus pais… E-Eu…” - Ela está gaguejando? Essa é novidade. Anna fecha os olhos, respira fundo e continua: -“Bom, eu nunca soube de onde eles vinham, porque eles se recusavam a falar qualquer coisa sobre suas famílias e sobre sua cidade natal, pois tiveram que fugir para poder se casar. Minha mãe estava grávida e as famílias não queriam que eles ficassem juntos... Não queriam… À mim…”

Trinco os dentes e fecho os punhos com força, esperando que ela continue. Mais um trovão retumba e Anna olha para o teto catedral da biblioteca, como se estivesse pedindo forças para continuar a falar. 

-“Então eu vi um anuário desta universidade, de 1996. Já imaginava que Don tivesse vivido a vida inteira aqui, mas não imaginava que meus pais fossem daqui também.” 

-“Seus pais moravam em MS?” - Franzo o cenho. 

Anna faz que sim com a cabeça e diz:

-“No anuário tinha uma foto do time de futebol americano da universidade. Seu pai era o quarterback.” - Ela sorri para mim. 

Claro que sei disso, é um dos motivos pelos quais sou tão cobrado. A perfeição da família Huxley não pode ser manchada. 

-“Don e meu pai também jogavam no time.” - Ela completa. 

-“Seu pai e seu padrinho conheciam meu pai?” - Pergunto, incrédulo. 

Anna assente e pega um livro sobre a mesa. Abre uma página marcada e me mostra a foto de que estava falando. O time de 1996 alinhado, em formação, meu pai no centro. Anna aponta para um cara à direita do meu pai. Olho mais atentamente. Os olhos desse cara são incrivelmente parecidos com os de Anna. 

-“É seu pai?” - Pergunto, pegando o álbum de sua mão para examinar mais de perto. 

-“Sim. Jake Smith.” 

-“Por que nunca ouvi falar dele?” - A encaro nos olhos com o cenho franzido.

Anna dá de ombros. Pega outro anuário, dessa vez de 1997, e aponta para uma foto de busto, de uma mulher muito bonita. Coloco o outro livro de lado e olho a foto que ela me estende. 

-“Não precisa nem dizer que é sua mãe. Vocês são muito parecidas.”  

-“Éramos.” - Anna corrige, colocando o anuário de volta na mesa.

Olho para ela e outro trovão ruge, o dia ficando ainda mais escuro. 

-“Isso não explica o que você tava fazendo aqui.”

-“Desde que cresci não procurei mais saber sobre as famílias dos meus pais. Mas saber que estou vivendo na mesma cidade que eles... Que eles estão por aí, em algum lugar…” - Anna hesita, olhando para o outro lado e evitando meu olhar, remexendo as mãos inquietas.

-“Você quer encontrá-los?” 

Ela assente, mordendo o lábio. 

-“Por quê?” 

-“E-eu…” - Outro trovão, seguido por flashes de raios. Observo seu rosto enquanto ela luta com as palavras. -“E-Eu só queria… Saber o motivo…” - Sua voz está embargada.

-“Amor…” - Afasto uma mecha do seu cabelo que se soltou do penteado, procurando desesperadamente um jeito de confortá-la. Ver Anna assim faz meu coração ficar apertado. 

-“Por que eles não me queriam?” - Ela fala, finalmente olhando para mim, uma lágrima silenciosa escorrendo por sua bochecha. 

-“A culpa não é sua, doce Anna.” - Puta merda, eu poderia matar essas pessoas, pelo simples fato de fazerem Anna se sentir indesejável. 

Ela meneia a cabeça e outro trovão ecoa. Incapaz de me controlar, a puxo para um abraço desajeitado. Anna repousa a cabeça no meu ombro, as mãos em seu colo, e eu afago seu cabelo. 

-“Tem certeza que é isso o que quer? Não acho que ir atrás deles seja uma boa ideia…” - Murmuro em seu ouvido, com os dentes cerrados. 

-“Eu preciso de respostas.” - Ela funga. 

Solto um suspiro cansado enquanto ouço outro trovão. 

-“Tudo bem… Eu te ajudo, então.” 

Anna levanta a cabeça rapidamente, assustada. Sustento seu olhar, que exibe uma mistura de descrença e alegria. Dou de ombros, sorrindo, antes que ela fale qualquer coisa. 

-“Posso tentar falar com meus pais e ver se eles lembram dos seus. Mas vou logo avisando, meu pai não é exatamente do tipo que conta histórias, então é bom manter as esperanças sob controle.”

Anna sorri abertamente, limpa as lágrimas do rosto e diz:

-“Já é mais do que Sarah se dispos a fazer.” 

-“Foi por isso que brigaram?” - Afasto suas mãos e tomo para mim a tarefa de secar suas lágrimas. 

Ela assente, mordendo o lábio. Pouso uma mão em seu pescoço e passo o polegar por seu lábio, incapaz de afastar o olhar de sua boca. Ouço a respiração de Anna falhar com meu toque.

-“Me promete uma coisa…” - Digo, inclinando-me em sua direção, estreitando o espaço entre nós. 

-“O quê?” - Anna sussurra, fechando os olhos em resposta a carícia do meu dedo em sua boca. 

-“Nunca mais chore por essa gente, independentemente do que descobrirmos. Eles não merecem que você derrame uma lágrima sequer.” - Chego ainda mais perto. 

Ela não responde. Coloco uma perna em cada lado das pernas de Anna e pouso a outra mão também em seu pescoço, sob o penteado de lado que esconde a marca da nossa primeira noite juntos. Nossos rostos estão há dois centímetros de distância. 

-“Amor, promete pra mim…” - Sussurro contra sua pele. 

-“Vou tentar.” - Ela responde, sem abrir os olhos. Suas mãos remexem a barra da saia de uniforme. 

-“Vou beijar você agora.”  

Anna morde o lábio e assente. Meu coração palpita forte em meu peito, tenho certeza que ela poderia ouvi-lo, se não fossem os trovões retumbando incansavelmente. Roço meu nariz no dela e passo a língua devagar por seu lábio inferior. Sou recompensado com um gemido abafado vindo de Anna. Ela leva as mãos aos meus antebraços, segurando-me firmemente no lugar. Outro trovão, seguido por um raio. 

Mordo o lábio de Anna, puxando-o um pouco, e ela sorri, sem abrir os olhos. Ah, como senti falta desse sorriso! Meu pau lateja, sentiu falta também. Esse sorriso era o sinal que eu precisava, meu peito fica leve, o nó no estômago se desfaz e eu colo meus lábios nos de Anna. Um beijo leve no início, apenas para testar se ela ainda me quer. Quando ela entreabre os lábios, minha língua a invade. Sou recebido por um calor úmido e um gemido delicioso. Nossa línguas se unem e se abraçam em um beijo lânguido e provocante. Sinto as unhas de Anna cravando meus antebraços, e isso leva um arrepio de prazer por todo o meu corpo, até chegar a minha ereção. 

Anna se afasta um pouco, a testa colada na minha, e diz:

-“Loan, me diga a verdade.” 

-“Sempre digo.” - Respondo.

-“Você vai me ajudar só porque quer transar comigo de novo?” 

Uau, essa me pega de surpresa. Afasto o rosto e a encaro, incrédulo.

-“Claro que não, amor. De onde tirou isso?” 

-“Só queria confirmar.” 

Outro trovão ecoa, então as luzes piscam. Anna e eu ficamos nos observando em silêncio, ouvindo o vento bater com cada vez mais força nas janelas. Mais um raio. Ela me avalia, os olhinhos azuis perscrutando minha alma. Mordo a língua, para não acabar falando alguma merda. 

-“Isso é ótimo… Sim.” - Ela diz, depois de alguns segundos.

-“Sim, o quê?” - Pergunto, confuso. Agora que me dei conta de que estava acariciando os cabelos de Anna em sua nuca. Paro o movimento. 

-“Já pensei na sua proposta. A resposta é sim.” 

Fico boquiaberto. Realmente não esperava por isso. De verdade. Não assim, de repente. Mas a sensação é boa, uma excitação ainda maior toma conta de mim. Quando vou responder, outro trovão ecoa, fazendo novamente as luzes piscarem. Mas dessa vez, elas se apagam completamente. A biblioteca fica em uma semipenumbra excitante. Sorrio de lado para Anna e pergunto, provocando-a:

-“Já transou em uma biblioteca?”



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