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História Is This Happiness - Capítulo 4


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Notas do Autor


EEEI! perdão, perdão pela enorme demora! mas antes tarde do que nunca!
eu só tenho a agradecer a todos vocês que comentam e favoritam a história, TODOS VOCÊS ESTÃO NO MEU CORAÇÃO!
como prometido, o último capítulo da história está aqui! eu revisei várias vezes, mas possivelmente pode ter passado algum erro, então, por favor me perdoem ;-;
quero fazer uma espécie de votação: sei que já coloquei que a história está concluída, MAS se a maioria quiser, eu posso fazer um epílogo com umas ideias que tenho na minha cabeça, mas vai depender se vocês quiserem. esse epílogo pode demorar um pouco para vir porque retomei minhas atividades na faculdade, mas me esforçarei para dar algo decente a vocês! então, digam o que acham! (vou colocar esse mesmo trecho nas notas finais, porque pode haver leitores que só leem elas uhehuehueh)
enfim, MUITO OBRIGADA A TODO MUNDO!
e muito obrigada a mocinha que mandou uma crítica construtiva no capítulo passado, vou levar para o coração! (eu esqueci o seu user, então me perdoa, mas não desiste de mim, ok? ^-^)
boa leitura!

Capítulo 4 - A felicidade


Xiao queria ir para a Ilhota de Dihua, porém, lembrou-se que não estava em Liyue. A cada passo abalizado, ele apertava os punhos com raiva do viu e de si mesmo. Por que estou agindo de maneira infantil igual a um mortal? Não perceber o que estava sentindo o irritava ainda mais. E, de repente, uma dor dessemelhante da qual estava acostumado afligira seu coração, fazendo-o acelerar e não custando a estar distante dos muros da cidade.

Isso é tristeza? Mas por quê...?

E em uma fração de segundos, tudo tornou-se claro, tão claro quanto o céu asteroidal na noite das lanternas. Tudo o que sentia, todos os sinais e ambiguidades de si mesmo receberam respostas. Ele a amava. E sequer imaginava que seria capaz de sentir algo assim por alguém. Como poderia acontecer? Seu passado sob o comando do deus maligno aniquilou toda a sua inocência e gentileza tão-somente restando as inúmeras formas de matar e o peso penoso dos seus pecados, dos quais passaria a eternidade carregando-os. Como ele poderia desenvolver um sentimento tão genuíno e puro?

Xiao não tinha a resposta para tal. Além disso, o fato de Lumine ser mortal denotava que um dia partiria. Conquanto ocasionalmente pudesse tentar noticiar o que sentia a ela, chegaria o dia em que a vida da mesma se esvairia, como uma flor ao vento. E ele permaneceria no mesmo lugar, assistindo-a ir.

Subitamente, o Yaksha notou uma gota cair de seu rosto. Uma lágrima. Ele não tinha apreendido até o momento o quão grandemente aquelas emoções poderiam afetá-lo. Contingente, o carma ruim que o amargurava começou a irradiar do seu corpo comboiado de vozes demandando por mais mortes, lembrete constante de que fora excomungado. Xiao vestiu a máscara Yaksha e ofegou mediante a dor efêmera que usurpava cada barreira e parede do seu corpo e alma. Contudo, estava acostumado, não era uma novidade e, então, perguntou-se: Conseguiria coexistir com o fato de um dia perder a única pessoa que amou?

— Xiao?

Lumine o chamou. O semblante no rosto da mesma descrevia apreensão. Era a primeira vez que ela o via daquela forma, da sua fidedigna forma.

A máscara de Xiao desapareceu e revelou o rosto de um jovem garoto surpreso. Era assim que Lumine o via: Um jovem garoto disposto a se redimir pelo resto da vida.

— O que está fazendo aqui? — Ele inquiriu.

Ela se aproximou.

— Percebi a sua saída precipitada e pensei que algo estava errado. O que aconteceu? — Lumine fora cuidadosa com as palavras.

— Nada... Eu... Eu só pensei... Nada. — Xiao pigarreou. — E quanto ao seu amigo?

— Ah, Kaeya ainda está lá e é muito provável que seja um dos últimos a sair. — Ela riu baixo e deu mais um passo para frente. — E... Amber?

— Eu não sei, suponho que a tenha deixado falando sozinha. — Admitiu e somente neste instante atinara que a áurea sombria partira momentaneamente.

— Por quê? Eu achei que estavam se dando bem. Ela gostou de você... — Lumine repeliu o olhar e coçou a garganta.

— Não percebi. — Desta vez, ele dera um passo em direção à loira.

— Xiao, posso perguntar uma coisa?

Ele deu de ombros e Lumine acatou aquilo como um sim.

— Eu não consigo entender até agora o motivo de você ter tratado Bennett de forma tão ríspida. — Ela encurtou a distância, ficando a centímetros do adeptus.

Tal dúvida fora inesperada.

— Francamente... Eu não sei. — Xiao não sabia que tal estado emocional se chamava ciúme.

Lumine inspirou. Não era a resposta que aguardava, porém, por tamanha proximidade, ela reparou em algo peculiar no Yaksha. O sinal da lagrima conservava-se.

— Xiao... Esteve chorando?

De forma automática, ela guiou a destra ao rosto dele, limpando o que restara de melancolia. O doce toque dos dedos da viajante serenou qualquer aflição imutável em Xiao de forma instantânea. Lumine perdeu-se no denso olhar do adeptus, que, ao contrário do que antevia, não retrocedeu. Seu pulso estava em um ritmo inquieto e o peito inflava com mais assiduidade.

Lumine escovou a áspera derme do garoto adeptus, fluindo o polegar pela bochecha sem pressa. Os profundos sentimentos enrustidos afloraram em ambos, que jaziam inertes um ao outro.

— Por que estava chorando? Me conte... — Lumine articulou quase em súplica. — Está sentindo dor?

Xiao fechou os olhos por breves minutos e ao abri-los, encontrou o par de admiráveis orbes douradas. Ele queria contar a ela o que estava sentindo legitimamente, mas não conseguia.

— Eu... Suas vozes... Eu posso sempre as ouvir. Seus gritos, seus choros, exigindo mais mortes... — Ele discorreu pausadamente, espalhando tristeza. — Esse é o fardo que carrego, não tem nada a ver com você.

Naquele momento, seu fardo era maior do que dizia. Ele nunca poderia tê-la, pensou.

Lumine recusou, balançando a cabeça, e laçou os braços ao redor da cintura do adeptus, abraçando-o, terna. Admirado a princípio, Xiao levou alguns segundos para retribuí-la, envolvendo-a em seus braços. Partilhado do mesmo aroma e calor, a portadora de fios dourados aninou a cabeça na curvidade do pescoço do Yaksha e assim permaneceram, emudecidos não por vergonha, medo, ou por não saberem o que dizer. Era por intimidade.

Então, Lumine içou a cabeça, deparando-se com o cristalino olhar intenso daquele que tinha seu coração, embora não lhe admitira.

— O que está fazendo aqui? — Xiao indagara quase em um sussurro, pois Lumine estava cada vez mais perto. Ele não percebeu que gradativamente estava inclinando-se na direção dela.

— Eu... Eu... — A loira careceu esforçar-se para despertar do encanto extasiante que aqueles globos da cor do pôr-do-sol forneciam. Poderia passar a eternidade apreciando-o e nunca se aborreceria. Logo, ao censurar a posição que estavam, Lumine desvencilhou os braços do adeptus. — Eu lhe trouxe isto.

Ela estendeu um pequeno saco marrom ao Yaksha, que se espantou.

— Mas isso são...

— Antibióticos que Zhongli mandou. — Lumine concluiu. — Ele me disse que você sente algumas dores e que tal remédio podia aliviá-lo.

— Como encontrou isso em Mondstadt? — Xiao perguntou, adquirindo o saco e o avaliando.

— Digamos que fiz uma rápida viagem à Liyue por meio de um aparelho de teletransporte que só uso para emergências e como percebi que saiu estranho da taverna, eu imaginei que talvez estivesse incomodado pela dor. — Esclareceu e sorriu.

Xiao alternava o olhar entre o saco e a garota. Não era todo dia que um mortal se preocupava com o bem-estar dele.

— Hum... Errm... Obrigado. — Ele esforçou-se para falar.

— Uau... Poderia repetir essa palavra, só para amaciar meus ouvidos. — Lumine ousou brincar e Xiao exprimiu uma risada, a primeira de décadas.

Ah... Este som deveria ser considerado um artefato precioso e lendário.

— Já teve o bastante por um dia. — Xiao proferiu.

Lumine fez um biquinho, mas não persistiu.

— Certo, certo. Agora, vamos para o Castelo dos Cavaleiros de Favonius, já deve ser muito tarde.

— Veja... Não preciso ir, eu não durmo e você pode ficar com a cama inteira. — Xiao altercou.

Lumine balançou a cabeça e pegou a mão do adeptus, puxando-o para marchar.

— Não, nada disso. Viajamos muito e não faço ideia desde a última vez que você deitou em uma cama. Lhe fará bem, confie em mim. — Lumine discorreu.

Hesitante, Xiao cessou os passos abruptamente. Lumine sentiu o leve solavanco e virou-se para encará-lo.

— Está tudo bem, Xiao... Você sempre esteve cumprindo o seu dever cuidando de Liyue, mas, no fim das contas, quem o protege? Sendo assim, me deixe cuidar de você. — A delicada voz proferida acalentou todos os sentidos do Yaksha.

A disposição daquela mortal em zelar pela comodidade do adeptus o impressionava além das expectativas. Ele, resignado, assentiu e se deixou ser conduzido pela viajante.

Tempo depois, na porta do quarto onde estariam hospedados, Lumine abriu-a cuidadosamente e avistou Paimon já dormindo na cama.

— Espero que dessa vez ela não tenha comido além da conta. — Lumine cochichou, caminhando cuidadosa para a grande cama do recinto.

— Pela quantidade que ela come, eu me impressiono como uma criatura pequena tenha um apetite tão voraz. — Xiao falou logo atrás de Lumine.

Ela abafou uma risada e sentou descansada no acolchoado superficial da rústica estrutura de madeira, enquanto Xiao permanecia em pé.

— Vem, senta. — Indicou com a mão lado oposto da cama. — Eu não mordo, ok?

Sem opção, ele fez o que fora dito, mas não esperava o que vinha a seguir: Lumine, após livrar-se das próprias botas, levantou e caminhou em direção à Xiao, pousando as mãos no par de botas escuras de combate sempre utilizava. Atenciosamente, ela o ajudou a tirá-las. Xiao permanecia abundantemente surpreso para reagir.

— Pronto, agora pode deitar. — Ela riu e retornou para o seu lugar precedente.

Com alguns travesseiros, a garota de gemas cor de ouro fez uma barreira desajeitada para que os dois não invadissem o espaço pessoal um do outro, visto que ela compreendia a necessidade do adeptus em ficar sozinho, além de que seria menos constrangedor.

— Está bom para você? — Lumine perguntou, deitando a cabeça em um travesseiro com o corpo virado na direção de Xiao.

— Sim, perfeitamente. — Acedeu, permitindo-se deitar de barriga para cima.

— Então... — Ela bocejou e não lutara contra o cansaço, fechando os olhos. — Boa noite, Xiao.

— Boa noite, Lumine... — Murmurou, mas ela parecia não ter ouvido.

A atenua expressão no rosto dela fez o seu coração disparar. Assisti-la em um estado inteiramente diferente do comum fomentou uma série de emoções iridescentes.

Xiao, então, pegou um comprimido do saco que jazia em suas mãos e fitou o requintado remédio. Em um suspiro, engoliu-o e fechou os olhos em conjunto. A dor que o consumia desapareceu em abreviados e harmoniosos segundos por saber que, apesar de tudo, Lumine cuidaria dele.

 

 

 

 

 

 

Isso é felicidade?  Xiao não sabia determinar o que estava sentindo. Era algo brilhante, puro, intenso e arrebatador. O adeptus não sabia que era capaz de sentir tantas emoções ao mesmo tempo. Os raios solares submergiam o cômodo e o som abafado dos pássaros surgia por meio das finas brechas das janelas, Xiao abrira os olhos a pouco e deparou-se com uma Lumine.

A maneira como os fios dourados contrastavam a pele de porcelana e bochechas acentuadas de Lumine hipnotizavam o Yaksha. Ele mataria qualquer um que ousasse acordá-la naquele instante tão puro e terno. Queria tocá-la, não maliciosamente, mas para apreciar o calor que imprimia.

 

toc, toc, toc

 

Leves batidas tocaram a porta assustando a viajante, que antes estava adormecida. Ela se deparou com o olhar estável de Xiao e corou ao sentar na cama. O Yaksha fizera o mesmo e desviou a vista, encarando qualquer outra coisa que não fosse aquelas orbes de ouro.

— Mmm... Paimon estava dormindo. — O ser flutuante despertou, coçando os olhos.

— Eu atendo... — Lumine espreguiçou os braços e levantou, caminhando em direção a porta. Xiao a acompanhava atentamente. — Hum...? Sucrose?

— Senhorita Lumine, espero não a ter acordado... — A garota de cabelos verde-piscina colocou as mãos para trás e abaixou a cabeça.

— Não há problema, eu já estava prestes a acordar. — Lumine sorriu a fim de acalmá-la. — Aconteceu alguma coisa?

Xiao levantou-se e discretamente esteve ao lado de Lumine.

— Bem... Eu... Eu não queria ter que solicitar tal ajuda para um erro que cometi. — A voz suave e amedrontada de Sucrose enviou um sinal de alerta para Lumine. Isso não parece bom.

— O que aconteceu? Algum experimento deu errado? — Lumine investigou atribulada.

— Albedo está em perigo? — Paimon perguntou. Xiao arqueou a sobrancelha para a fada. Albedo? Quem é Albedo?

— Não... Quer dizer, sim... Ou... Ah, eu cometi um erro terrível que afetará o Senhor Albedo se não for solucionado. — Sucrose mordeu o lábio inferior. — É na Dragonspine, você precisa vir comigo. Há alguns dias, o Senhor Albedo me entregou o seu caderno pessoal para que eu fizesse alguns relatórios de experimentos que fizemos, pois ele precisava viajar por breves dias. A questão é que... Oh, eu perdi o caderno! E agora ele retornará hoje e eu estou muito encrencada!

— Ei, acalme-se. — Lumine acariciou o braço da garota. — Procurou em todos os lugares? Tem certeza de que o perdeu?

— Por que Albedo viajaria sem o seu estimado caderno? — Perguntou Paimon.

— Ele tem dois cadernos: um para desenhos e anotações de experimentos e outro para expedições afora. — Sucrose explicou.

Xiao cruzou os braços, sem compreender o que acontecia.

— Quando notou que o caderno havia sumido? — A viajante questionou.

— Eu o havia arquivado na prateleira habitual no acampamento da Dragonspine, eu acho. No dia seguinte, ele havia desaparecido!

— Sendo assim... Algo o roubou... — Lumine levou a mão para o queixo, contemplativa. — Como é algo importante para você, nós iremos procurar naquelas redondezas.

— Obrigada! Eu também a ajudarei e... — Sucrose encarou Xiao logo atrás e enrubesceu. Ela não era boa falando com desconhecidos. — E-e ao seu amigo também. Estarei os esperando nos portões para partimos com a equipe de expedição.

— Combinado, nos vemos em quinze minutos. — Lumine acertou e acenou para Sucrose antes de fechar a porta.

— Sucrose parece tão atormentada, pobrezinha! — Paimon lamentou. — Não podemos perder tempo, precisamos ajudá-la.

— Paimon tem razão, apenas o caminho para a entrada da Dragonspine pode demorar, imagine até encontrar aquele caderno. — Lumine avaliou e se deparou com o olhar peculiar de Xiao. — Qual foi a última vez que viu a neve, Xiao?

— Hum... Às vezes neva em determinadas regiões de Liyue. — Respondeu acomodado.

— Oh, sério?! — Paimon perguntou.

— Você provavelmente já ouviu falar de lá e sobre o que dizem, não? — Lumine escovou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — O frio extremo assola aquelas terras onde o inverno é eterno... Preparem os casacos, pois iremos a Dragonspine.

Logo após um café da manhã reforçado, onde Xiao finalmente pôde deleitar-se do tão adorado tofu de amêndoas, o trio se conduziu para o ponto de encontro pré-estabelecido com Sucrose.

— Sendo assim, Albedo é o líder de expedição da Dragonspine dos Cavaleiros de Favonius. — Paimon explicava para Xiao, enquanto peregrinavam.

— E é um excelente artista. — Lumine complementou.

— Ah, sim! Albedo faz cada desenho magnífico! E ele tem uma fascinação pela natureza morta, Paimon não entende a razão.

— Acredito que se deve ao fato de passar tanto na Dragonspine. — A viajante sugeriu descontraída. — Não há uma mudança brusca de tonalidade quanto a fauna daquele lugar.

Xiao tensionou a linha da testa, cerrando os punhos. Estava curioso quanto ao vínculo da loira e Albedo, uma vez que tal homem parecia ser popular em Mondstadt. O adeptus fitava a garota praguejar calmamente sobre o alquimista, atento a cada expressão que fazia. E se ela tivesse algum... Sentimento amoroso por ele? Tal ideia o lançava de um precipício de desilusão.

— Parece saber muito sobre esse Albedo. — Xiao comentou, ligeiramente irritado. Eles já haviam passado por Timmie na extensa ponte de pedra.

— Não veja dessa forma, nós somos apenas...

— Amigos. — Outra pessoa concluíra a frase, surpreendendo-os.

Sentada na rocha próxima a entrada da ponte, a garota com vestes estreladas e chapéu pontiagudo semelhante ao de uma bruxa levantara sem precisar dar muitos passos até eles.

— Oh, Mona! — Paimon exclamou alegre.

— Minha previsão de que estariam aqui neste dia estava correta. — A astróloga direcionou o olhar para Xiao. — Hum... Isso eu não tinha previsto.

— Xiao estar conosco também foi inesperado para nós! — Paimon salientou.

— Pelo que observo, você é um habitante de Liyue e... Parece que esteve naquelas terras por mais de dois mil anos. — Mona falou absorta.

— Como você sabe? — O adeptus indagou conjeturado.

— Deve começar sabendo quem eu sou. — Riu orgulhosa. — Me chamo Astrologist Mona Megistus, que significa "Mona, A Grande Astróloga". Meu nome é muito respeitado nas Previsões Astrológicas e deve sempre se lembrar... E pronunciar tudo de uma vez só!

— Adeptus Xiao. — O Yaksha não se importava com apresentações sofisticadas, não era comum que perguntassem a ele quem era ou sequer se aproximassem para fazê-lo.

— Talvez eu já tenha ouvido tal nome anos atrás... Enfim, — Mona sorriu pomposa para Lumine. — Como vi que estariam aqui neste momento, decidi que seria interessante encontrá-las outra vez.

— Não está passando fome, não é? — Paimon perguntou sem rodeios. Mona arregalou os olhos e um cicio peculiar emanou de sua barriga.

— Não, claro que não! — Se apressou a responder e tossiu para disfarçar, mas seu olhar congelou. Ela, em passo acelerado, gerou uma esfera hídrica com alguns símbolos e os girava periodicamente. — Eu estou vendo uma coisa...

— Como assim? — Xiao perguntou.

— O que você está vendo? — Lumine indagou.

— É sobre o seu futuro, viajante... Sei que uma vez lhe disse que não conseguia ver muito do que aconteceria com você e que sua jornada estava longe de terminar, mas... Algo está surgindo e... — Mona ficara boquiaberta, de repente. Piscou algumas vezes e alternou o olhar entre a barriga da viajante e Xiao diversas vezes, tentando assimilar se havia visto corretamente. — Oh... O encontro de duas constelações... Vocês são muito próximos, não?

— Eu e Xiao? — Lumine e o mesmo se entreolharam. — Eu diria que...

— Sim. — Ele respondeu com o olhar fixo na loira.

— Eu vejo... — Ast Mona riu controlada e, devagar, começou a se afastar do trio, indo em direção a cidade. — É melhor eu ir, vocês têm um longo caminho pela frente. E só mais uma coisa... Misaki me parece um nome excelente.

Presunçosa, Ast Mona gargalhou e virou-se, seguindo seu caminho.

— Misaki? Mona deve estar passando tanta fome que está delirando. — Paimon a olhou com pena.

— Ela geralmente faz isso? — Xiao indagou a Lumine, ambos franziam o cenho sem ter a mínima noção do que acontecia.

— Às vezes, depende do dia. — Lumine balançou a cabeça.

— Ei, encontrei vocês! — A suave voz de Sucrose surgiu logo mais à frente. — O transporte já está pronto.

Uma carroça consideravelmente grande estava preparada para adentrar nas profundezas gélidas de uma nação apagada. Alguns pesquisadores os acompanharam pelo percurso, relatórios ainda precisavam ser finalizados sobre determinados pontos daquela comarca.

Xiao não escondeu sua impressão no instante que a brisa se tornou hostil e o frio incomensurável quando estavam no território da Dragonspine, até mesmo havia esquecido da pequena fada tagarela. Em determinado ponto, eles abandonaram a carroça e seguiram Sucrose rumo ao acampamento de Albedo numa das inúmeras cavernas da afamada montanha.

Lumine sentia-se aliviada por ter selecionado a roupa adequada, pois na primeira vez que esteve no local quase pereceu por conta do frio extremo que assola cada centímetro daquelas terras.

— Chegamos... — Sinalizou Sucrose ao se aproximarem do acampamento.

Não estava tão diferente da última vez que Lumine e Paimon haviam estado, porém, para Xiao era algo diametralmente novo e instigante. Os inúmeros potes e livros em prateleiras em certa desordem o alertou sobre como Albedo era. Ele seria o que os mortais chamam de intelectual e mago alquimista? Provavelmente.

— Certo. Qual foi a última vez que você viu o caderno? — Lumine examinou.

— Duas noites atrás, eu estava terminando um relatório e guardei o caderno nesta estante. — Sucrose apontou para o antigo móvel. — No dia seguinte, quando cheguei à tarde para finalizar o trabalho, ele havia sumido!

— Quem mais anda por aqui? — Paimon perguntou.

— Atualmente, somente eu e Timaeus, mas ele confirmou que não veio aqui durante a ausência do Senhor Albedo.

— Só resta você, então. — Xiao concluiu.

— Sim... Eu procurei em toda a parte, mas nada encontrei. — A bio-alquimista suspirou. — Não temos muito tempo, o Senhor Albedo chegará esta tarde.

— Certo, eu compreendo. Se alguém o roubou pode ter deixado cair aqui por perto, quem sabe. Vamos aumentar o campo de busca e procurar nos arredores e, para isso, é melhor nos separarmos para procurar: Sucrose vai com... — A assistente de Albedo engoliu em seco e o desespero era manifesto em seu olhar. Lumine, assim, lembrou-se o quão desconfortável a garota fica com desconhecidos. — Hã... Paimon.

— Eh?! Mas Paimon sempre fica com você! — A fada contestou. Sucrose pintava alívio.

— Dessa vez é diferente. Xiao irá comigo na região leste enquanto vocês buscam no oeste dos arredores do acampamento. Vamos vasculhar tudo com cuidado e o mais rápido, se possível.

— Entendido! — Paimon concordou e seguiu Sucrose para a área situada.

Lumine sorriu para Xiao e fez um gesto para que ele a seguisse. Sem escolha, o Guardião Yaksha o fez. Embora ainda estivesse no período da tarde não dava para ter a real noção do tempo, visto que tal região sempre era nubilosa pela vastidão de neve que cobria os picos montanhosos.

Em silêncio, os dois procuravam por cada lugar provável que um item pequeno poderia estar escondido, porém, sem sucesso. Lumine tentava encontrar uma resposta plausível para o desaparecimento do caderno de Albedo ao mesmo tempo que Xiao questionava a conexão dela com o alquimista. O quão próximos eram? É do feitio de Lumine ajudar todos, mas..., mas e se ela o olhar com outros olhos? E se ele a olhar com outros olhos?

— Você gosta da neve? — Lumine quebrou a paz. Xiao, que estava ao lado da garota, parou o que fazia para encará-la.

— Quando a neve fica muito espessa, podemos comê-la... — Murmurou. Lumine gargalhou pela expressão meditativa do Yaksha.

— Eu nunca tinha pensado dessa maneira, você tem razão. — A viajante balançou a cabeça e continuou a procurar.

O silêncio pairou novamente, no entanto, a mente do adeptus marchava para um abismo de dúvidas e uma estranha inquietação se tornava maçante ao mesmo tempo que vasculhava entre a neve acumulada no chão.

— Você e Albedo... — Xiao começou pigarreando. — Vocês são amigos?

— Oh, sim! Ele fez alguns experimentos comigo. — Lumine respondeu distraída. — Faz alguns meses que não o vejo.

— Ah... — Chiou, não disfarçando a expressão de desprezo.

As orbes douradas de Lumine se prenderam em Xiao; Endireitou a postura e se aproximou sutilmente do mesmo. Inesperadamente, um forte vento avivou as árvores onde estavam, liberando ao redor os finos cristais acumulados eliciando uma nevasca afável.

— Por que a pergunta? — Ela não deixaria para questionar outra hora, não mais. Nas circunstâncias atuais, após todas as palavras proferidas, Lumine sentia-se íntima do adeptus e confiante o suficiente para entender a razão de suas ações. — Por que está com a mesma expressão de quando encontramos Bennett e na Angel's Share quando eu estava conversando com Kaeya?

Por essa, ele não esperava. Estupefato, o adeptus concentrou-se para não relevar o que permeava sua mente, algo que ele executava com maestria. Os ventos se agitaram.

— Ah... Eu não sei do que está falando. — Xiao endureceu o rosto.

Lumine olhou para ele com expectativa. Essa seria a hora de revelar o que sinto a ele?

— Você não está com aquela expressão apática de quando ficávamos em Liyue, ao contrário, parece ter raiva deles... Por quê? — Ela o interrogou.

— Não faço a mínima ideia do que esteja tentando insinuar. — Rosnou, franzindo a boca. Ele sentia raiva por estar quase encurralado em sua própria cadeia mental e perguntas judiciosas. De repente, a neve começou a cair em um ritmo uniforme.

— Eu só quero a verdade. — Segundos transcorreram e o silêncio os calou. Ela esperou e esperou, mas nada calhou. Fitando o rosto estoico de Xiao, Lumine suspirou derrotada. Outra vez, a expectativa excedeu a realidade. — Sabe... Por um breve instante, eu pensei que... Pensei que... Ah, esqueça.

— O que pensou? — O Guardião Yaksha perguntou, dando um passo à frente. A distância entre eles agora era mínima e perigosa.

O sangue de Lumine canhoneava em uma velocidade excepcional, as batidas de seu coração tornaram-se praticamente audíveis para os bons ouvidos e seus olhos mantinham-se fixos nas orbes âmbares daquele que efervescia seu espírito.

O estado de Xiao não tinha uma diferença gritante comparado ao da viajante, o que distinguia era a sua capacidade de conter quaisquer sinais reveladores. Todavia, o infame formigamento crescente logo abaixo do estômago ressurgiu ao fitar o par de íris cor de ouro e lábios tão vermelhas quanto as flores de seda mais belas de Liyue. Ele queria beijá-la. Ele queria tocá-la.

— E-eu... — Lumine se culpou por gaguejar, não era o momento, porém, permaneceu firme no olhar. Ela não vacilaria e assim o fez.

Tido pelos desejos da carne, o Guardião Yaksha inclinou a cabeça vagarosamente e não foi difícil as respirações se permutarem, o que aguçou seus sentidos. A vontade de tocá-la tornava-se imensurável, quase sufocante, ele não se reconhecia. Indeciso, Xiao ajuizou o motivo de Lumine ainda não ter se afastado e interpretou aquilo como um aval para o que tanto cobiçava em seu inconsciente.

E ele a tocou. Por fim. Conectou seus lábios aos de Lumine, tão macios e doces. O sabor do tofu de amêndoas era infinitamente inferior aos lábios dela. Os flocos gélidos enfim os atingiram, prendendo-se nas roupas e cabelos de ambos. Porém, não importava, nada mais importava a partir daquele instante.

Lumine arregalou os olhos por tamanha surpresa, porém, não retrocedeu. Ambos os lábios iniciaram uma dança, delicada e doce, em um beijo lento e tépido, ainda desbravando cada centímetro do desconhecido e compartilhando os sentimentos mais puros já delineados na humanidade. De alguma forma, eles acomodavam-se impecavelmente, feitos um para o outro.

Xiao, de repente, afastou-se recuperando o fôlego e fitou a magnificência presente no olhar pedinte de Lumine, a qual ofegava. Os dois queriam mais. Mais, mais e mais. Em um movimento rápido, ambas as bocas se chocaram ao mesmo tempo, desta vez, desesperadas e afoitas.

Lumine abraçou os ombros de Xiao, enquanto este, guiou a destra para a cintura e a canhota para a nuca dela, afundando os dedos enluvados nos fios de ouro. O ritmo era o completo oposto do primeiro beijo, este era ousado, feroz e audaz. A viajante pediu passagem com a língua e Xiao cedeu. Eles tragavam um ao outro com o fervor de cada experiência nova, cada toque, cada suspiro. As línguas gozavam de deliberados desejos a tanto tempo reprimidos. Bastou poucos segundos para que se viciassem no toque vívido de seus cálidos lábios e eles souberam, por um mero minuto, que suas almas foram prometidas para aquele momento. Estava escrito, quão intensamente Ast Mona previu.

Embora a neve prendia-se cada vez mais em Lumine e Xiao, os mesmos não percebiam, a efervescência de tal estado íntimo e recíproco cegou qualquer percepção do mundo exterior. A mão que pressionava a nuca de Lumine deslizou sorrateira de encontro a cintura da mesma, apertando-a em um abraço caloroso. Xiao a queria mais perto, mesmo que fosse impossível, e controlou sua força, pois sabia que poderia machucá-la facilmente. Um calor fugaz emergiu no ventre de Lumine, inibindo seus nervos. Ela ambicionava mais.

De repente, o barulho de uma bomba deflagrando os fizeram desconectar os lábios abruptamente e dirigir o olhar na possível direção do estrondo. Ofegantes, os dois franziram as testas e, então, fitaram um ao outro, abraçados.

— Da-Da Da! — Uma fina voz cantarolou ao se aproximar. — OH, LUMINE!

Lumine e Xiao rapidamente trataram de se separar e coraram violentamente. A garotinha, conhecida como Sol Fugitivo, correu na direção da viajante e a abraçou, embora fosse metade do seu tamanho.

— Eu senti sua falta! — Murmurou ao se afastar e fitou Xiao com dúvida.

— Klee! — Lumine pigarreou. — O que faz por aqui?

— Estou em liberdade! Mestre Jean disse que fui uma boa menina durante as últimas semanas! — A empolgação seleta na fala da garota derreteria qualquer coração. — Uuh, quem é você? É amigo da Cavaleira Honorária?

— Er... — Foi a vez de Xiao tossir disfarçadamente. — Sim. Somos amigos.

— Oooh, é muito legal te conhecer! Sinto que já fiz um novo amigo! — Klee esfregou as palmas das mãos, risonha. — Eu sou Klee.

— Adeptus Xiao. — O Yaksha levantou a mão para apresentar-se.

— Adeptus? O que é isso? Uuuuh, parece um título muito importante!

— Quando você chegou aqui, Klee? — Lumine interrogou. Será que ela viu alguma coisa? — Digo, o que está fazendo na Dragonspine?

— Eu estou a pouco tempo aqui... Ah... Eu meio que entrei escondida em um caixote da equipe de expedição... Então...

— Hum, não quer que eu conte para Jean. — Lumine completou e Klee assentiu repetidamente.

— Hoje é o dia que Albedo retorna de viagem, eu vim para fazer uma surpresa! Dodoco também está muito animado ainda mais para explorar aqui!

— Não é muito perigoso uma mortal tão pequena andar por aqui? — Xiao cochichou para Lumine, enquanto Klee continuava a falar.

— Acredite, ela sabe se defender muito bem. — Ela sussurrou como resposta.

—... E encontrei um ótimo esconderijo para um tesouro, não está muito longe, querem ver? — Os olhos carmim da garotinha brilhavam de empolgação.

— Nós adoraríamos, mas... Bem, Albedo já está chegando, não quer vê-lo? — Lumine propôs.

— Verdade! Então vamos encontrá-lo!

Klee, saltitando, segurou as mãos de Lumine e Xiao, uma de cada lado, e caminhou com os dois de volta ao iluminado acampamento. Xiao nunca havia visto uma criança mortal tão animada e energética.

— E foi assim que consegui minha liberdade. — Klee terminava de detalhar quando Jean concedeu-lhe o privilégio de ver a luz do dia.

Eles já haviam chegado ao acampamento e esperavam o retorno de Sucrose e a pequena fada. Xiao nunca ficou tão perto de uma criança por tanto tempo. Não tinha recordações boas sobre isso. Recordações das quais ele aprisionou no lugar mais obscuro do seu inconsciente.

— Então, vocês são um casal? — Klee perguntou, de súbito.

Lumine se engasgou com o ar e Xiao somente arregalou os olhos, mortificado.

Quem criou essa criança? O adeptus concluiu que não sabia nada sobre esses pequenos seres.

— O-o quê? D-do que está falando, Klee? — Lumine perguntou ao recuperar o fôlego.

— Eu os vi abraçados e o jeito que vocês se olham é como Lisa explicou para Klee! — A garotinha carmesim deu pulinhos animados. — Ela disse que é muito comum nos livros!

— Que livros ela andou lendo para você? — Lumine tentou esconder a vermelhidão crescente do rosto, cobrindo-o com as mãos.

— Romances! E ela não precisa ler para mim, Klee já é uma garota grande! — A menina protestou e virou-se para Xiao. — Uuuuh, vocês são tão bonitos juntos! Assim como mamãe e papai são quando estão lado a lado!

— Oh, vocês já estão aqui! — Paimon disse ao entrar no acampamento com a bio-alquimista.

Lumine e Xiao agradeceram internamente a chegada de ambas.

— Sucrose! Paimon! Eu fiz um novo amigo! — A garotinha apontou para Xiao.

— Klee, como chegou aqui? — Sucrose indagou, escondendo as mãos atrás do corpo. — Er, digo, olá!

— Oooh... — Ela correu para perto de Lumine. — Se Klee contar, não sairá da solitária tão cedo.

— Então, — A viajante pigarreou, desviando de assunto. — Encontraram?

— Nada, somente neve. — Sucrose suspirou. — E vocês?

— Não encontramos. — Xiao se prontificou a responder.

— Procuraram muito? Como foi? — Paimon interrogou.

Xiao e Lumine se entreolharam, mas desviaram, corando.

— F-foi bom. Procuramos em todos os lugares. — Lumine encurtou a história.

Xiao por um momento prendera a atenção em Lumine. Ela achou bom? Não que ele tenha achado ruim, pelo contrário, fora o primeiro beijo há eras e o melhor de toda a sua existência. O Yaksha ponderou se teria vontade de repetir o ato e a resposta era gritante. Sem dúvidas. Ele encarou os lábios avermelhados de Lumine e engoliu em seco. Queria senti-la outra vez, mas precisava suprimir tal aspiração.

— O que faremos agora? — Paimon o puxou de volta para a realidade.

— O Senhor Albedo chegará logo e eu não sei o que fazer mais! — Sucrose pranteou.

— Fazer sobre o quê? — A voz controlada de Albedo invadiu todo o acampamento.

Sucrose quase pulou para trás por conta do susto.

— S-senhor A-Albedo! — Sucrose tremeu pela chegada repentina do alquimista.

— Albedo! — Klee correu para aquele que cuidava da mesma.

— Klee, também senti a sua falta. — Ele se expressava quase em um ritmo monótono. Logo, notou o restante do grupo. — Lumine e Paimon, bom vê-las outra vez. Hum... Você, eu não conheço.

— Adeptus Xiao. — Ele cumprimentou.

— Adeptus, hum... Está longe de Liyue. Analisando o losango roxo em sua testa, afirmo que é um Yaksha, correto?

Xiao não esperava isso, visto que poucos saberiam lhe afirmar quem ele era somente por uma ligeira inspecionada.

— Sim. — Foi a vez de Xiao analisar o alquimista de olhos oceânicos, o que lhe chamou a atenção foi a estranha cicatriz próxima do pescoço dele. O adeptus estreitou os olhos. Curioso, isso me lembra algo...

— É ótimo te ver novamente! — Paimon esfregou as mãos.

— Paimon sentiu sua falta. — Lumine riu da fada que a fitou irritada. — E eu também!

— Obrigado, a recíproca é verdadeira. Então, como tudo foi na minha ausência? — Albedo perguntou a Sucrose. — E os relatórios?

— A-a-ah... S-senhor Albedo devo dizer q-que... — Ela começou a suar por conta do nervosismo e estava prestes a chorar. — E-eu perdi o seu caderno... — Confessou baixo. A notícia pareceu não abalar o alquimista.

— Espera, espera! — Klee abriu a mochila e abriu um livrinho em determinada página. — Klee fez esse desenho!

Era uma pintura da garotinha ao lado de Albedo e tinha uma legenda carinhosa logo abaixo, a qual dizia "Albedo é o melhor! Klee ama você!".

— Este não é o caderno perdido de Albedo? — Paimon apontou.

— S-sim! Eu achei que tivesse perdido ou que alguém houvesse roubado! — Sucrose exclamou.

— Acho que Klee deve ter pegado sem que você percebesse. — Lumine concluiu.

—... Muito astuta. — Xiao comentou para si.

— Oooh... — Klee coçou a cabeça, amedrontada. — Klee fez algo errado?

— Conte-me o que aconteceu. — Albedo se abaixou para ficar na altura de Klee, dedilhando o desenho.

— Klee queria fazer uma surpresa para quando Albedo chegasse de viagem, então pensei que seria uma boa ideia desenhar no seu caderno preferido. — A garotinha pegou o Dodoco e o apertou. — Klee é uma criminosa?

Albedo gargalhou baixo e negou, balançando a cabeça.

— É um lindo desenho, Klee. Da próxima vez apenas avise a Sucrose ou eu que pegou o caderno. — Explicou calmamente.

Klee pulou nos braços de Albedo para abraçá-lo carinhosamente. Sucrose respirou fundo nitidamente aliviada.

— Obrigada pela ajuda, todos vocês... — A bio-alquimista sussurrou para Paimon, Lumine e Xiao.

— Hum... — Albedo murmurou, mirando os presentes. — Querem jantar? Eu não como muito, mas pagarei o de todos. — Ofertou e algo do gênero não podia ser recusado. Sem manifestações contrárias, todos asilaram e não demorou para que deixassem a nebulosa Dragonspine naquele mesmo dia.

 

 

 

 

 

 

Lumine culpava Paimon por tê-la a abandonado para fazer uma festa de pijama com Klee justamente quando mal tinha controle da situação atual. Ela fitava Xiao de soslaio ao mesmo tempo em que caminhavam pelos vazios corredores da sede dos Cavaleiros de Favonius rumo ao quarto. Aquele beijo mudou alguma coisa entre eles? Iria se repetir?

Xiao estava a alguns passos atrás da viajante e tentava ao máximo fingir que não se sentia candente ao lembrar-se do toque dos lábios alheios aos seus, ou, da sensação estreme ao tocá-la. Inesperadamente, um anseio voraz entorpeceu cada sentido do Yaksha e ao fitar aquela que o enlouquecia, apertou os punhos para conter-se.

Não adiantou.

Ele parecia estar possuído, não era ele mesmo. Era o desejo. Xiao se apressou para acompanhá-la e, de súbito, agarrou os ombros da loira e a empurrou com certa urgência na parede próximo a porta do quarto que deveriam entrar. Lumine, espantada, abriu a boca e alargou os olhos. Não esperava tal ato repentino e escandaloso no meio do corredor. O abismo âmbar a fitava profundamente, fazendo-a esquecer por um segundo onde estava e como reagir. As pernas tremeram e o corpo se arrepiou.

— O-o que está fazendo? — Ela reuniu as palavras certas pra perguntar.

— Eu... Bem... Eu não sei! — Xiao explodiu o que sentia, finalmente. — Desde que nos beijamos... Até mesmo antes disso, você está... Sempre está...

— Estou o quê? — Lumine perguntou, confusa, torcendo linha fina dos lábios.

Na minha mente.

As palavras ficaram presas em um nó na garganta de Xiao, o qual sacudiu a cabeça lentamente.

— Ainda não me respondeu o que dizia na Dragonspine antes de... Antes daquilo. — Ele tentou mudar o foco da discussão.

— Oh. — Um rubor violento pintou cada bochecha de Lumine ao lembrar do que iria dizer e dos fatos que se sucederam. — Eu estava dizendo que...

Ela ponderou em mentir ou desviar do assunto, porém, sentia seu coração pesar em cogitar tais possibilidades. Portanto, ela tomara uma decisão que requeria coragem. E isso ela tinha de sobra. Não esconderia mais, se fosse para ser rejeitada, não importava. O que era mais uma decepção para alguém que já havia perdido tudo de mais importante na vida?

— Eu pensei que você gostasse de mim do mesmo jeito que eu gosto de você. — Cuspiu a declaração de uma vez, o ar inflava rapidamente do peito. Atônito, Xiao absorvia aquelas palavras, uma a uma, digerindo o peso que tinham, chegando a se afastar brevemente da garota. — Eu gosto de você, muito. Romanticamente. Eu diria até que... Ah, não sei se você entenderia, já que é uma condição humana e você claramente nos acha "triviais".

Cinco segundos. Trinta segundos. Um minuto.

Silêncio.

Lumine estava à espera de alguma reação do Yaksha, mas nada aconteceu. A fala de Hu Tao pôr-se a assombrá-la, como acreditou que um adeptus poderia amá-la? Ou sequer gostar dela? Estava exigindo demais. Se perguntou o porquê desperdiçava seu amor em pessoas que nunca iriam retribuí-la. Derrotada, ela suspirou e se distanciou de Xiao, liberando a porta do quarto com a chave para que entrasse.

Contudo, a vida sempre fora errática mesmo que Lumine e Xiao não confiassem que tal imprevisibilidade ocorresse de maneira tão ardilosa. No instante que a porta se fechou atrás de ambos, o adeptus prontamente girou o corpo da viajante contra o seu e avançou em seus lábios despreparados. Xiao era um homem de poucas palavras e aquela era a resposta mais clara que ele poderia dar. E, sorrindo, ela percebeu o que seu coração gritava.

Lumine não tardou a abrir os lábios para que Xiao explorasse cada centímetro com sua língua abrasadora. As bocas foliavam no mesmo ritmo, selvagem e extraordinário. Os beijos se tornaram muito mais estatelados, era imprescindível a maneira sagaz que ele reivindicou seus lábios, todo o corpo vibrou em seus braços, sua calcinha ganhara umidade. A garota ficara envergonhada por estar tão molhada como nunca esteve em toda a sua vida por conta meros toques e demasiados beijos. Ele pousou as mãos no quadril dela, apertando-a firmemente, como se não quisesse deixá-la escapar. Como se fosse dele, unicamente.

As mãos de Lumine escovavam o peitoral coberto de Xiao ao mesmo tempo em que eles caminhavam cegamente pelo quarto para encontrarem a cama que dividiam e afundarem os corpos no acolchoado liso. Ao fazê-lo e quase tropeçarem, ele, então, colocou-se em cima dela, sendo guiado pelas ondas intensas de prazer, enquanto devorava cada suspiro de Lumine com vigor. Não bastou muito para que a excitação dela moesse em seu ventre, exigindo mais e mais ao sentir o volume proeminente entre a calça de Xiao, o qual arrastava-se provocativamente nela.

Estavam famintos.

Xiao guiou a boca para a mandíbula e tornou a beijar cada pedaço da carne exposta, docemente, dividindo-se em mordidas e lambidas. Ele controlava a força que empunhava nas mãos para não a ferir. Lumine ergueu o tronco e retirou o lenço que contornava seu pescoço, dando margem para que ele amplificasse a área em que a beijava intimamente. Ela removeu, também, o alfinete de flores alocado no cabelo que havia ganhado de presente de Aether.

— Xiao... Eu nunca fiz isso antes... — Lumine afundou os dedos entre as mechas azul-petróleo em meio a arfadas, ansiosa por mais contato.

O adeptus podia não compreender certas motivações e pretensões humanas, porém, sabia o que ela dizia e, ainda que não fosse um especialista em relações carnais, estava ciente de como aquelas carícias acabariam. Ele interrompeu o trabalho dos lábios e levantou o tronco, fitando-a intensamente e embalando-a em seus braços.

— Podemos parar, se quiser. — O sussurro rouco de Xiao energizou cada nervo adormecido de Lumine. — Eu posso esperar...

— Não... — Ofegante, balançou a cabeça em negativa. — Me faça sua... Eu quero ser somente sua.

"Somente sua", tais palavras repercutiram na mente do Guardião Yaksha, que desenhou o sorriso mais alegre e puro de toda a sua existência. Não houve tempo para que Lumine deslumbrasse as formosas linhas de felicidade no rosto de Xiao, uma vez que tivera os lábios fisgados com urgência para outro beijo repleto de ardor.

As mãos dele se dirigiram para as apertadas fitas engrenhadas que sustentavam o vestido branco e exótico para Teyvat, ele tentou desamarrar o tecido muito bem firmado, mas fora obrigado a afastar brevemente o rosto, rosnando frustrado por não estar obtendo êxito.

Lumine gargalhou fraco mediante a fracassada tentativa do adeptus em despi-la e, elevando o tronco, ela mesma tornou a romper os enlaces do vestido.

— Deixe-me ajudá-lo... — Sussurrou, enquanto terminava de desfazer os amarres.

Sem desviar o olhar de Xiao, ela esforçou-se para retirar completamente o vestido e engoliu em seco por estar seminua. Um brilho ardente incinerou as orbes âmbares do adeptus, ela estava sem nada cobrindo os seios, estes que eram ligeiramente carnudos e firmes. Lumine mordeu o lábio inferior, quase como se estivesse esperando algum tipo de aprovação e levou as mãos para o inferior do tronco alheio, tentando puxar a camisa perolada ausente de mangas.

Hipnotizado, Xiao demandou alguns segundos para retornar à realidade e, logo, compreendeu o que deveria fazer. Primeiro, ele retirou as luvas, uma delas carregava sua visão Anemo, que já pareciam fazer parte de si. Segundo, se desfez da ombreira pontiaguda juntamente com lenços de seda entornados em seu braço esquerdo e colares que o adornavam. Terceiro, por fim, livrou-se da camisa exibindo um peitoral ligeiramente tonificado, porém, marcado por preciosas cicatrizes de díspares formas e espessuras.

Lumine imaginou o que seria capaz de perfurar a rígida derme pálida do Yaksha enquanto removia as luvas de uma polegada para tocá-lo. A áspera pele marcada estremeceu consoante às carícias agenciadas pela viajante, que dedilhava cada contorno, cada resquício do passado que persistia atormentando Xiao. Ela, assim, devolveu os cálidos beijos por toda a região do tronco alheio, não esquecendo-se de nenhuma cicatriz ao mesmo tempo em que ele colocou a mão na nuca dela, estimulando-a.

Um fogo excessivo, quase doloroso, concentrou-se na extremidade da pelves e por cada parede muscular do adeptus, o qual não fora sentido a quase mil anos. Mais, mais, mais. Um desejo voraz dominou a mente dele e tudo por conta dela. Ele não queria mais perder tempo, pois já havia esperado muito.

Um sorriso gratificante emergiu dela ao escutar leves suspiros acima, porém, não houvera tempo para prosseguir, uma vez que Xiao tomara a iniciativa de terminar de despi-la completamente em movimentos praticamente desesperados. Os olhos de Lumine alargaram-se e sua boca estava em um formado de O perfeito ao notar que ele também estava como ela, despido, numa avidez impressionante, espalhando as roupas pelo quarto.

Ela lambeu os lábios ao apreciar cada pedaço exposto de Xiao, enquanto o mesmo retornava a depositar o próprio peso sob ela, e engoliu em seco ao perceber o comprimento do membro que pulsava entre suas coxas. Era grande. A mesma questionou como nunca houvera percebido anteriormente, porém, aquilo não era importante naquele instante.

Lumine enlaçou as pernas ao redor do corpo de Xiao e quando guiava as mãos para tocá-lo, ele fora mais rápido, prendendo os pulsos acima da cabeça dela com uma mão, enquanto a outra apertava a carne macia das coxas.

O adeptus esfregava o membro rígido nos lábios inferiores e provocava o clitóris lentamente, misturando o precum aos líquidos liberados pela excitação da fenda de entrada, ocasionando gemidos abafados em Lumine, a qual curvara a cabeça para trás.

— Xiao... Eu não quero mais esper... — Ela estava perto de implorar quando sentira a cabeça do membro de Xiao ser empurrada lentamente pela estreita abertura.

Lumine gritou um gemido rouco e, apesar de estar quase pingando de excitação, levou certo tempo para que seu corpo se acostumasse a estar sendo cheio. Xiao esforçou-se para mover-se o mais delicado possível e marcou fortemente a coxa dela à medida em que adentrava profundamente no corpo de sua amada. Salgadas lágrimas fluíam pelas bochechas da viajante mediante a dor profusa que irrompia seu ventre. 

— Relaxe... — Xiao sussurrou contra o rosto rosado de Lumine.

E, então, ela se abriu como uma flor na primavera, comportando toda a extremidade alongada do adeptus, estando cheia até a borda e abraçando todo o membro. Eles fitaram um ao outro, ofegosos, e, num ato mútuo, beijaram-se amorosamente, como se aquele fosse o último momento que teriam em toda a vida.

— Estou pronta... — Lumine sinalizou ao findar do beijo.

Acatando o aviso, Xiao iniciou movimentos demorados de vai e vem com o quadril, ainda tendo leve dificuldade para realizá-los. Gradativamente, a dor que Lumine sentia fora dispersando para dar lugar a uma sensação transversalmente nova e intensa consoante seu corpo se adaptava ao de Xiao. Após certo tempo, o membro latejante entrava e saía com certa facilidade revigorante, gerando gemidos audíveis que ecoavam pelo cômodo.

Xiao dirigiu os lábios para os seios que balançavam a cada investida, sugando vigorosamente os rosados mamilos enrijecidos, um a um, deixando breves marcas avermelhadas e brilhantes de saliva. Lumine ofegou alto, mas tivera a boca capturada em outro beijo selvagem e sem uma gota de gentileza, as línguas misturavam-se uma a outra como se já fossem velhas conhecidas, tão afeitas.

Era coração por coração. Pele contra pele. O calor e desejo que os dois radiavam tornou-se intoxicante, assim como o prazer que devastavam toda a estrutura de Xiao, o qual começou a investir prófugo, mas sempre controlando a força. Ele se odiara caso a machucasse. Lumine, por outro lado, não via da mesma forma. Ela queria mais, queria tudo que ele poderia abonar.

— M-mais rápido... M-mais forte... Xiao... — Ela soprou as palavras na boca alheia. Estava difícil formular frases eloquentes.

— Eu acabarei a machucando... — Xiao murmurou quase sem fôlego.

— E-eu não sou frágil... P-por favor... — Lumine fez beicinho ao implorar. Ele enlouqueceu naquele momento, decretando que aquela mulher seria a sua ruína.

Em um monólogo quase animalesco, Xiao desvencilhou a mão pressionada na coxa de Lumine e ditou um ritmo árduo e célere nos quadris, fortemente enlaçando seus dedos aos dela. Seu membro atingia o ponto mais fundo e doce do interior molhado e quente, ela forçou os olhos para mantê-los abertos e fixos aos de Xiao, nunca quebrando o contato visual, e balbuciou gemidos inefáveis. A cama começou a ranger alto.

Grunhindo, Xiao adorou da sensação primordial de preenchê-la por completo e ter amplo acesso ao ponto mais sensível de seu corpo, lembrando-a que era dele. Para sempre dele. O prazer começava a se acumular na ponta do membro e, independente dos ruídos da cama arrastando-se no chão, ele perseguia seu orgasmo incansável. Lumine o apertava mais e mais a cada descomedida investida abrupta, sinalizando que estava perto.

Seus corpos estranhamente moldavam-se e, como estava escrito no céu estrelário, eles vivaram um.

Os sons aquosos e obscenos permutados aos suspiros agudos de Lumine acompanhados dos rosnados de Xiao criaram uma acústica carnal e invejável para qualquer um que passasse pelo corredor e os ouvissem.

Rangendo os dentes, ele exalava luxúria no olhar e sentiu-se mais motivado a mover-se severamente ao deparar-se com o semblante suplicante no rosto dela, entorpecida pelos prazeres lascivos mais íntimos e libidinosos.

Lumine apertou as mãos atadas as dele e o fitou em um breve instante de clareza: Fios azul-petróleo grudados na testa, bochechas pintadas de um vívido rosa e lábios avermelhados por conta da temperatura difusa que pairava ao redor deles. Xiao estava no auge de sua beleza.

Não tardou para que Lumine fosse arrebatada por uma onda eletrizante seguida por um dopante prazer puro, curvando a coluna na direção de Xiao e movendo o quadril inconscientemente. O nome dele estava em seus lábios, de novo e de novo, como se fosse uma oração. Cada centímetro do seu corpo estremeceu sendo atingida por um orgasmo intenso e devastador. A julgar pelo aperto sufocante em torno do seu membro, Xiao percebeu que ela se deleitava do ápice.

Ele enterrou o rosto na curvatura do pescoço dela emitindo um grunhido audível ao cravar os dentes na carne exposta, colidindo os corpos impetuosamente mais algumas vezes para, enfim, se liberar. Seu membro se contorcia a cada jorro de sêmen enquanto preenchia o ventre de Lumine, o qual sugava cada gota da sua liberação em um ilustre orgasmo. Xiao afundou a boca no pescoço avermelhado, abafando um último e potente gemido antes de lamber a derme marcada e afastar o rosto para fitá-la.

Ela era linda. Completamente.

A famigerada sensação de satisfação aqueceu os corpos gotejados de suor e assim permaneceram durante alguns segundos, somente contemplando o esplendor de cada um naquele estado tão reservado.

Lumine ergueu o rosto e escovou os lábios nos de Xiao, morosamente, antes que ele liberasse seus punhos e afundasse ao seu lado no acolchoado da cama, recuperando o fôlego.

As batidas eufóricas no peito de Lumine quase fizeram seu coração saltar e o pulmão ardia em sua caixa torácica, arrasada. Reunindo forças, ela aproximou-se de Xiao, deitando a cabeça em seu peito e apoiando a perna direita no seu corpo. Ela o abraçou calorosamente como fizera uma noite atrás quando estavam em frente a fogueira do acampamento provisório.

Dessa vez, o coração do Yaksha batia com veemência e o peito se elevava e descia numa velocidade estonteante. Ela sorriu por ter levado o adeptus ao limite.

— Xiao... — Lumine ergueu a cabeça para fitá-lo. — Me conte algo que não diz a alguém há muito tempo.

O adeptus respirou fundo, mas não por frustração. Era de alívio.

Alatus. — Começou colocando o braço serpenteado sob a pele de porcelana nunca usada. — Meu nome era Alatus antes de ser libertado por Rex Lapis.

Lumine alargou os olhos e a boca, perplexa.

— Eu pensei que seu nome verdadeiro fosse Xiao... — Repousou a mão no peito dele e iniciou carícias suaves nas cicatrizes.

— Não. — Crispou os lábios. — Nunca mais me chamaram assim, mas... Se quiser, você pode.

— Eu prefiro Xiao. — Lumine admitiu ao se aconchegar ao corpo alheio.

— Eu também. — Sorriu. — E quanto a você? O que não diz a alguém há muito tempo?

— Cecílias são as minhas flores preferidas. Infelizmente, só podem ser encontradas em áreas específicas de Mondstadt. — Lumine sentiu-se envergonhada por ser um fato tão bobo comparado com a revelação de Xiao. Ela suspirou.

Todavia, Xiao a apertou cordialmente, um gesto de consolo.

— Eu nunca poderia imaginar, creio que sejam flores espetaculares. Para mim, é importante saber disso. — Era como se ele lesse a mente dela, mas não ficara impressionada, afinal, o detentor de todos os seus pensamentos era ele.

— Certo. Agora, me conte algo que nunca disse a alguém antes. — Apoiou a ponta do queixo próximo a clavícula do Guardião Yaksha.

Xiao sabia a resposta e nem se esforçara pra pensar muito. Era talvez nítido e irrefutável. Os dedos do adeptus alisaram as bochechas de Lumine, carinhosamente.

— Eu te amo. — Xiao declarou em um sussurro.

Três palavras semanticamente simples, mas portadoras de um significado lascivo quando ditas juntas.

Lumine ficou sem palavras pela primeira vez na vida. Petrificada. Eu te amo. Aquilo fora certeiro em seu coração, seu rosto ganhara uma tonalidade diferente e uma expressão que Xiao não sabia identificar. Medo? Raiva? Preocupação?

— Eu também... Eu amo você. — Lumine disse pausadamente por estar paralisada de emoção.

Lumine esboçou um largo sorriso e o abraçou pelo pescoço, depositando todo o peso do corpo sob Xiao.

— AH! Eu te amo há tanto tempo! — Lumine praguejou animada e salpicou diversos beijos por todo o rosto do adeptus.

Mediante o ataque repentino, Xiao gargalhou tardiamente e deslizou as mãos em direção ao quadril alheio que se encontrava acima do seu, apalpando-o sem pudor. Seus lábios logo se encontraram, massageando um ao outro enquanto as línguas se empurravam entre si para reivindicar cada espaço vazio em suas bocas.

Lumine passeou as mãos nos bíceps expostos, dedilhando a tatuagem esverdeada pelo caminho à medida que aprofundava o beijo. Xiao realocou as mãos para a bunda da viajante, agarrando a carne macia entre os dedos com tamanha força capaz de gerar um gemido angustiante, porém, prazeroso da boca de Lumine.

Eles ainda permaneciam famintos um pelo outro e não terminariam tão cedo.

 

 

 

 

 

 

Xiao não precisava dormir. Porém, naquele dia, ele experimentou dormir verdadeiramente pela primeira vez na vida. Era suave e renovador, não pensar em nada durante horas. Os humanos eram sortudos, ele pensou. A claridade que adentrava pelas frestas das cortinas o cegou por breves segundos ao abrir os olhos, forçando-o a estreitá-los, mas assim que recobrou todos os sentidos, ele pôde concentrar-se na garota em seus braços.

Em um murmúrio, Lumine se aconchega nos braços que a enlaçavam possessivamente ao mesmo tempo em que abre os olhos de forma lenta. Ainda estava no mesmo quarto da noite anterior. Ela abaixou o olhar e sorriu ao notar que Xiao a abraçava, como se estivesse protegendo algo precioso. E de fato estava.

As lembranças da noite anterior submergiram a mente de Lumine, a felicidade acalorava seu coração e sentia-se tão leve que podia flutuar. Eles fizeram amor mais três vezes depois da primeira vez e, embora estivesse particularmente desgrenhada, pegajosa e dolorida, ela não mudaria nada.

Lumine se virou e encontrou o par de íris cor de Mora brilhantes fitando-a; sorriu e inclinou-se para dar-lhe um demorado beijo nos lábios.

— Bom dia. — Lumine, sorridente, proferiu ao afastar o rosto.

Ela colocou o rosto de Xiao entre as mãos e acariciou suas bochechas com os polegares.

Mas ela não obteve resposta, uma vez que Xiao direcionou seu olhar para as marcas carmesim espalhadas pelo corpo da mesma. Ele não soube controlar a força.

— Dói muito? — Xiao perguntou com uma pontada de culpa.

— O quê? Do que está falando? — Ela não entendia. Por pouco tempo.

Xiao lhe mostrou os locais que havia empregado mais força do que deveria e temeu que ela simplesmente se assustasse e não o quisesse por perto.

— Ah... Isso é passageiro, não ligo se deixar marcas em mim. — Lumine o acalmou. — Só mostrará aos outros que... Digamos, não estou mais disponível.

O adeptus comprimiu os lábios, franzindo a linha da testa em um semblante indigesto.

— Disponível? — Perguntou e Lumine riu da expressão ele fez.

— Quer dizer que eu pertenço a uma pessoa: Você. — Lumine proferiu espontaneamente. — Bem, a não ser que... Que tudo tenha sido algo casual... Para você.

O chamado Guardião Yaksha a apertou em seus braços e a trouxe para mais perto, diminuindo a distância entre eles.

— Minha. — Xiao testou em seus lábios. — Eu gosto como soa.

— Contanto que você seja meu também... — O hálito quente de Lumine fazia cócegas no nariz do adeptus.

— Sempre fui. E sempre serei. — A voz rouca e encorpada de Xiao estremeceu o núcleo de Lumine, incendiando-a.

Não haviam palavras ditas que valessem mais do que atitudes sinceras, o adeptus e a viajante beijaram-se amorosamente enquanto se preparavam para talvez fazerem amor mais uma vez. Não tinham certeza do aconteceria naquele dia ou na próxima semana, mas havia algo permanente: O amor que seus solitários corações partilhavam. A felicidade não se baseia em um conceito fixo. Eles acreditavam certa vez que tudo estava acabado em suas vidas, mas a melhor parte do fim é que se pode começar de novo. E de novo.

Isso é felicidade, eles concluíram. Juntos.


Notas Finais


E Ai? aaaaaa eu amei esse final, juro que fiquei emocionada e chorei (não sei o motivo, nem é triste (?))
outra vez: MUITO OBRIGADA A TODOS OS LEITORES! VOCÊS SÃO DEMAIS <3
estava com planos de fazer alguma fic pequena do Childe e uma do Zhongli, mas não prometo nada quanto a isso por conta da minha rotina na faculdade ._.
quero fazer uma espécie de votação: sei que já coloquei que a história está concluída, MAS se a maioria quiser, eu posso fazer um epílogo com umas ideias que tenho na minha cabeça, mas vai depender se vocês quiserem. esse epílogo pode demorar um pouco para vir porque retomei minhas atividades na faculdade, mas me esforçarei para dar algo decente a vocês! então, digam o que acham!
ENFIM, eu desejo que todos vocês encontrem a felicidade de vocês fazendo aquilo que gosta e ama!
obrigada pelo carinho e dedicação do tempo de vocês para lerem esta fic não tão boa e espero vê-los em outros trabalhos!
BEIJOS! <3


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