História Isolados - Capítulo 8


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Categorias Charlie Hunnam
Personagens Charlie Hunnam
Tags Caitriona Balfe, Charlie Hunnam, Romance, Suspense
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Palavras 5.063
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - Como se inicia uma tragédia


Passo 1: Fazer Dean acreditar que eu estava me apaixonando por ele.

Mas não tão rápido, ele desconfiaria.

Essa é a ideia mais maluca e arriscada que eu poderia ter, mas eu não via outra alternativa. Preciso da confiança dele, pois sem isso, eu não saio desta casa... com vida. Não sabia exatamente o que iria fazer após ele se abrir para mim e acreditar no meu amor. Queria usar isso contra ele de alguma maneira, fazendo-o me deixar mais livre e aos poucos ir buscando ajuda. Sem sangue, sem mortes. Apenas justiça. Se é que isso é possível neste século...

Alguns dias se passaram e Dean já estava bem recuperado, repeti o mesmo curativo durante esses dias e não arrisquei nenhuma demonstração de afeto, ainda estava pensando em como faria isso. Por mais que ele se "preocupasse" comigo, isso não significava que ele sentia algum tipo de atração por mim.

Atração. É isso.

Nestas semanas em que ele esteve junto comigo, nunca andei pela casa com roupas... atraentes, digamos assim. Até porque eu não tinha nenhuma... a única vez que me arrumei de verdade foi para o jantar com Elizabeth. Eu precisava prender mais a atenção dele em mim e aos poucos eu arrancaria discretamente algumas informações dele e sobre ele. Qualquer coisa mais íntima sobre ele era válida agora.

Havia pensado também em outra estratégia: deixá-lo ocupado com outra coisa enquanto vasculho por mais coisas dele pela casa, algo que eu possa usar contra ele e ter minha vantagem de proteção a mim mesma.

Passando pelo corredor de cima, resolvi trocar os lençóis em que Dean estava dormindo, estava com algumas gotas de sangue e resíduos das coisas que usei para curá-lo da ferida. Mas antes de entrar no quarto, notei que a porta do banheiro em que ele tomava banho estava um pouco aberta, algo que ele sempre fazia, mas eu sabia que não era proposital. Era para não ter dificuldades de escapar caso alguém entrasse na casa atrás dele.

"Certo, eu vou olhar", pensei comigo mesma.

Eu precisava me sentir ao menos atraída por algo nele; ele não era só feito de defeitos.

Coloquei meus dedos na fresta da porta para segurá-la, mas não afastei, mantive do jeito que estava, e mesmo sendo uma pequena frecha, eu tinha uma boa visão de seu corpo nu.

O banheiro estava bem iluminado devido a luz que refletia da janela de dentro, e dentro do box de vidro estava Dean de costas para a porta, com sua mão direita apoiada no azulejo para proteger o curativo da água. Seu cabelo havia crescido um pouco desde a primeira vez que o vi, então a água escorrendo pelo mesmo deixava suas madeixas mais longas, beirando a sua nuca. Seu cabelo estava totalmente para trás em um tom louro mais escuro que o natural devido a água... esta foi a primeira coisa que me fez sentir-me atraída. Meus olhos correram por seu corpo e notei os detalhes de seus ombros largos e arredondados, as linhas rígidas de sua costela até seu quadril. Suas costas tinham os músculos mais destacados e definidos, assim como seus braços visivelmente fortes. Eram músculos de alguém que tinha a vida bastante ativa e não de alguém que levantava peso para ganhar músculos... talvez levantava peso às vezes para manter o físico em forma. Era notável a espessura de seu antebraço e mãos, suas veias eram discretamente saltadas pelo antebraço. Quando meus olhos passaram de seus quadris, ele se virou e olhou pelos cantos dos olhos automaticamente. Por um instante ele ignorou minha presença sem perceber, mas rapidamente me olhou com sua expressão levemente confusa e curiosa para mim. No exato momento eu virei meu corpo para sair dali, mas a Claire das Trevas – tenho chamado meu alter-ego desta maneira agora – disse: "Não. Encare-o de volta". E eu fiz o que ela disse. Mantive meus olhos nele por alguns segundos para demonstrar que fiz questão de me ver assistindo-o. Não tive tempo de ver sua reação, pois saí rapidamente. Pareceu uma eternidade a troca de olhares, mas na verdade foi uma questão de três segundos.

Quando entrei no quarto para trocar os lençóis, ouvi baterem na porta. Isso fez meu coração disparar subitamente e largar os lençóis das minhas mãos. Andei rapidamente pelo corredor e desci as escadas e fui em direção à porta. Eu não reconheci a pessoa pelo olho mágico da porta, e quando cogitei em abri-la, ouvi Dean falar comigo.

- Quem é? ─ ele estava molhado do banho e com uma toalha branca envolta de seus quadris. Quando olhei para sua mão, ele segurava uma das armas de mão que vi no porão.

- Eu não sei. ─ respondi sem pensar. Eu realmente não conhecia a pessoa.

- Não abra.

- Mas e se for para mim? Eu preciso...

- Não. abra. – Dean disse pausadamente e com sua mandíbula travada.

- Claire? ─ a pessoa com voz masculina disse meu nome do lado de fora.

Olhei espantada para Dean e ele manteve sua expressão indecifrável. Ele puxou o gatilho e andou rapidamente até o canto da porta, encostando-se na parede onde a pessoa de fora não podia vê-lo. Indicou com o queixo para que eu abrisse enquanto ele ficava de prontidão escondido ao meu lado.

Suspirei.

Abri a porta e era um homem com uma prancheta e com o uniforme do hospital que eu havia me voluntariado.

- Senhorita Claire? ─ ele perguntou com um sorriso em seu rosto.

- Uh... sim. Sou eu.

- Ah! Olá. ─ ele deu um sorriso largo sem graça. – Bem, o diretor do hospital da cidade me enviou para cá para saber se houve algo para não comparecer em seu trabalho voluntariado. Temos sua ficha, mas você nunca...

- Ah! – interrompi ele. ─ Eu... eu acabei esquecendo. Me mudei para cá há pouco tempo e com toda essa coisa de mudança acabei me perdendo e esquecendo. Peço mil desculpas por isso...

- Tudo bem. ─ ele deu de ombros. – Só queremos saber se ainda possui interesse na vaga.

Não precisei nem olhar para Dean, eu já sabia que ele ia me mandar recusar.

- Não. Digo, não por agora. Ando ocupada com a mudança e não estou podendo me atarefar mais ainda... – dizer aquilo partia meu coração. Era tudo o que eu queria desde que cheguei na cidade.

- Está certo, senhorita Claire. Caso mude de ideia, ainda há vagas até o final do mês. ─ o homem jovem me deu um sorriso e foi embora.

Fechei a porta devagar e ao trancá-la, fiquei parada em frente a mesma. Respirei e senti meus olhos arderem e meu coração se esmagar cada vez mais.

- Ainda bem que sabia o que devia fazer. Não sei como iria interferir se... ─ Dean começou a falar, mas eu o ignorei.

Ele continuou falando.

Andei pela sala e senti vontade de chorar, de colocar todo meu peso para fora, mas me recusei. Porém, a Claire das Trevas disse: "Chore", e eu chorei.

Pousei minhas mãos em meu rosto, escondendo-o quando não pude mais segurar meu choro. Senti meu rosto queimar e minha garganta soltar o nó que eu estava segurando há um longo tempo. Tudo pareceu desmoronar, cair em cima de mim. Tudo o que construí desde o início da minha vida pareceu quebrar, explodir e as cinzas serem jogadas no ar, nada mais havia importância – tudo o que lutei para fazer um pouco de diferença no mundo foi por água abaixo; foi arrancado de mim, cortado pela raiz.

Minhas mãos tremiam e meu choro era compulsivo entre soluços desesperados; eu não tinha controle daquele momento e nem de mim mesma.

Ouvia de fundo a voz de Dean tentando falar comigo, mas eu preferia não tentar prestar atenção. A presença dele piorava tudo.

- Claire, acalme-se... alguém pode ouvir... ─ ouvia sua voz de preocupação.

Ele segurava meus braços cuidadosamente tentando me olhar, e em uma tentativa de conforto, Dean se aproximou para me abraçar, e foi quando eu perdi o controle da minha raiva.

- Você fez isso! Você fez isso! ─ cuspi as palavras em gritos, empurrando-o violentamente para longe de mim.

- Claire! ─ ele disse em um sussurro na tentativa de acalmar.

- Você tirou de mim tudo o que eu tinha! Você arrancou de mim a minha liberdade, minha sanidade, minha dignidade! ─ eu gritava apontando para ele, sentindo meu rosto queimar mais ainda.

Dean ficou imóvel me olhando assustado.

- Você é um monstro! ─ gritei mais alto do que a última vez e senti meu corpo saltar em direção à ele, dando murros em seu peito e sua cara. Usava toda minha força contra ele, queria arrancar dele o que ele arrancou de mim.

Ele não fazia nada, apenas me segurava meus braços para me conter, mas não obtinha muito sucesso. Então chutei sua perna com joelho para me soltar.

- Revide! Revide! Me espanque de volta! ─ meus socos disparavam com velocidade e força contra a mandíbula dele enquanto minha fúria saía pelas minhas cordas vocais.

O fato de ele não revidar e não me machucar me causava mais raiva ainda, trazendo meu choro de volta, desta vez me tirando as forças. Caí de joelhos sob o carpete da sala de jantar e apertei meu rosto com minhas mãos, permitindo que a fraqueza me dominasse.

- Claire... ─ a voz de Dean era fraca e baixa. – Eu nunca tive a intenção de machucá-la. Por favor... ─ a última frase saiu impaciente.

Senti ele abaixado na minha frente, afastando meu cabelo de meu rosto e me incentivando mover minhas mãos de meu rosto.

Eu estava pronta para dar outro soco em sua cara, mas a Claire das Trevas apareceu no meu momento de fúria e disse: "Não esqueça de seu plano. Este é o momento". Lutei para fazer o que ela disse, mas minha racionalidade não deixava. Então a outra Claire dentro de mim tomou posse da situação.

Afastei minhas mãos de meu rosto aos poucos e senti minha expressão de raiva se desfazer. Deslizei minhas mãos pelo meu rosto e o olhei nos olhos assim que o vi.

- Claire? ─ sua voz soou em tom baixo e confortante. Seus olhos azuis em tons de cinza penetravam os meus em busca de alguma reação.

- E agora? ─ perguntei com a voz baixa como a dele, em tom confuso. Ainda não mantinha contato com os olhos dele.

Ele pousou uma de suas mãos sobre meu ombro e acariciou levemente ao notar que eu estava recomposta.

- Daremos um jeito. ─ ele respondeu com firmeza, me fitando. – Vamos nos comunicar melhor e... ─ ele procurava por palavras. – E terá sua vida de volta, eu prometo. Não será assim para sempre.

- Ainda sou sua prisioneira? ─ ousei perguntar, colocando um toque de choro em minha voz.

Ele percebeu que eu estava prestes a chorar novamente, e se aproximou mais, fazendo-nos sentar-se no carpete. Seus dedos deslizaram do topo da minha cabeça e infiltrou seus dedos em minhas madeixas, envolvendo seus dedos agarrados em meio de meus fios, segurou minha nuca. Este ato fez nossos rostos se aproximarem mais do que já estiveram antes.

- Não. ─ respondeu analisando todo o meu rosto. – De agora em diante, vamos arrumar as coisas, juntos.

Eu não chorava, mas senti uma última lágrima escorrer por meu rosto após ouvi-lo com atenção. Abaixei meus olhos, fitando meus joelhos curvados sob o carpete.

- Entendeu? ─ Dean perguntou com a voz macia.

Assenti com a cabeça, e sem olhar para ele, o envolvi em um abraço, colocando meus braços em torno de seus ombros expostos e uma de minhas mãos pousada em seu pescoço ainda molhado, podendo sentir as pontas de seu cabelo úmido tocarem meus dedos.

Ele hesitou por um instante, mas não demorou para eu sentir seus braços envolverem minha cintura e apertar meu corpo contra o dele gentilmente. Seus braços transferiram a umidade para meu vestido de tom rosado e pude sentir o tecido colar em meu corpo junto aos braços dele.

No canto dos meus olhos, podia vê-lo com seus olhos fechados e sua expressão de alívio, seu queixo pousado na curva do meu pescoço. Então fiz o mesmo. Pousei meu queixo no ombro dele e olhei para frente, mas desta vez, com determinação. 

Ele me provou que inocência e fragilidade o deixava imune de seus instintos frios.

Neste dia, não conversamos muito, mas por opção de Dean, ele queria me dar privacidade e permitir que eu me recuperasse. Ficamos em cômodos separados, mas ele sempre vinha discretamente me ver no quarto para ver se eu estava bem. Fiquei deitada a maior parte do tempo lendo o livro sobre ervas. Dean fez o jantar, mas eu estava sem fome.

- Estou indo dormir. ─ Dean disse encostado no batente da porta do quarto. – Ficarei no quarto da frente. Se precisar de algo, me chame.

Eu estava de costas para ele, então só podia ouvir sua voz rouca. Não fiz questão de me virar na cama para olhá-lo, apenas respondi um: "Tudo bem" e ouvi a porta do meu quarto se fechar devagar.

No dia seguinte, ao levantar, fui ao banheiro cumprir minhas necessidades. Enquanto terminava de escovar os dentes, ouvi os passos de Dean subir as escadas e vir em direção ao banheiro. A porta estava aberta, então ele ficou do lado de fora para falar comigo.

- Elizabeth está aqui com o garoto mais velho. Ela quer falar com você. ─ Dean falou enquanto me olhava pelo espelho.

Fechei meus olhos para pensar. Pensei que não seria uma boa ideia ter Elizabeth por perto agora, mas não tinha jeito. Ela viria de qualquer maneira.

- Mande-a entrar. ─ falei assim que lavei minha boca, abrindo meus olhos, ainda com sono.

- Eu já fiz isso.

Ele realmente estava disposto a mudar pelo visto.

- Fez? ─ perguntei sem entender. – Ah... ─ levantei meu corpo curvado sobre a pia e limpei meus lábios em uma toalha. – Tudo bem, eu já estou descendo. ─ respondi dando um sorriso no canto dos lábios.

Ele retribuiu o sorriso de dentes perfeitamente alinhados, e saiu dali, voltando para as escadas. Esta deve ter sido a primeira vez que vi os dentes de Dean... ele não costumava sorrir. Eu sorria às vezes, mas sarcasticamente.

Chegando na sala, Dean estava em pé de braços cruzados perto da escada observando Elizabeth dando algumas broncas em tom baixo para Sam, como se estivesse o alertando de algo. Sam revirava os olhos e erguia seus ombros em protesto, indicando que já era grande o suficiente para entender o que ela estava falando.

- Pensei que não fosse vê-la ainda este mês. ─ falei dando um sorriso passando por Dean, indo em direção à Elizabeth.

Elizabeth olhou surpresa para mim e depois abriu um sorriso frouxo, voltando a olhar seu filho.

- Eu diria o mesmo para você, Claire. Nunca a vi fora desta casa quente. ─ Elizabeth estava olhando para mim de volta, e foi possível sentir uma tensão entre Dean e eu.

Ignorei o comentário e prossegui.

- Vou fazer algo para vocês beberem. ─ falei andando em direção à cozinha.

- Na verdade... ─ Elizabeth fez uma breve pausa, se levantando do sofá. – Eu queria pedir a vocês um grande favor. – ela juntou suas mãos em frente ao seu corpo enquanto me fitava.

Olhei para Dean automaticamente e ele prestava atenção, com seu cenho franzido. Ele não parecia gostar do que ouvira, mas não se manifestou.

Fiquei sem o que dizer. Eu não podia dizer "Sim, claro!" e responder com um "não", então esperei que Elizabeth continuasse.

- Eu preciso levar John ao médico da outra cidade próxima daqui, e... Bem, eu costumo deixar Sam com sua madrinha, porém, ela está em uma viagem com seu marido... ─ Elizabeth falava sem jeito, mas quase implorando.

- Elizabeth, eu acho que não é uma boa ideia... ─ Dean interferiu usando seu tom de voz de maneira gentil.

- Senhor James, eu sei que isso é inesperado e eu deveria ter avisado antes, mas eu não sabia que a madrinha de Sam não estaria em casa e... E-eu não tenho com quem deixá-lo...

"James?", pensei comigo mesma. Depois de alguns instantes, me lembrei que Dean havia usado este nome falso para evitar suspeitas sobre ele e sua fuga.

Sam ficava nos olhando de braços cruzados com seu olhar dizendo: "Eu sei me cuidar, seus idiotas".

- Será só desta vez, eu prometo. ─ Elizabeth disse com firmeza. – Eu preciso muito levar John ao médico e me preocupo em deixar Sam sozinho.

- Sim, nós entendemos... ─ respondi desconcertada e olhei diretamente para Dean.

Cuidaria de Sam com o maior prazer, mas na situação em que me encontro agora, é perigoso até para o próprio Sam; temo o que Dean poderia fazer se perdesse a paciência com o garoto.

- Tudo bem. ─ Dean respondeu coçando sua nuca, com seus olhos fechados, como se estivesse buscando paciência dentro de si mesmo.

- Ah, muito obrigada, senhor James! Eu fico muito grata! Antes de anoitecer, eu venho buscar Sam, ou o pai dele vem busca-lo se eu não chegar a tempo. ─ sua voz era de alívio. – Jackson está trabalhando, mas antes de anoitecer ele já está em casa. ─ ela se referia ao marido dela.

- Uh, Dean... ─ tentei disfarçar minha voz para que Elizabeth não ouvisse. – Tem certeza disso?

Elizabeth estava falando com Sam e dando ordens para ele novamente.

Dean deu de ombros e torceu seus lábios em um sorriso amargo.

Ficamos nos olhando. Eu com medo e ele achando graça na minha cara de "e agora?!".

- Não se preocupe. Não vai acontecer nada com o garoto. ─ ele disse baixinho colocando sua mão em minhas costas.

Elizabeth já saía da casa apressada. Beijou a testa de Sam e disse pela milésima vez para ele se comportar. Nós acompanhamos ela até a porta e Sam ficou no cantinho da porta abanando sua mão se despedindo para ela enquanto Elizabeth se afastava.

- Venha, Sam. ─ falei colocando minha mão em seu ombro, trazendo-o para dentro. - O que você quer beber?

- Eu estou bem, senhorita Claire. Não estou com sede. ─ ele veio para dentro e deu uma olhada geral na casa.

Dean e eu ficamos com sorrisos de babacas no rosto na frente de Sam, e ele nos olhava de volta com uma expressão de estranhamento.

- Qual é o problema de vocês? ─ ele perguntou estranhando, porém soou cômico.

Dean tossiu constrangido e saiu de perto; e eu continuei parada na frente de Sam. Soltei um riso e coloquei minhas mãos na cintura.

- Bem, é que nunca cuidamos de uma criança antes. ─ falei ironicamente com um sorriso no rosto.

- Eu não sou mais uma criança, senhorita Claire. ─ ele respondeu com deboche e andou pela sala.

Dean deu uma risada, mas manteve-se quieto enquanto estava colocando a louça na pia.

- Qual é a graça? ─ Sam perguntou irritado, mas ainda era engraçado para nós.

- Você não tem nem pelos pubianos ainda, garoto. ─ Dean respondeu entre risos enquanto lavava sua mão na pia.

- Ah, não?! Quer ver?! ─ Sam desafiava Dean agora de maneira divertida.

- Ah, meu Deus... ─ falei me afastando dos dois, revirando meus olhos.

- Deus me livre. Tire essa aberração de perto de mim. ─ Dean tampou sua visão com as costas de sua mão e se encolheu na beira pia entrando na brincadeira.

Sam deu uma gargalhada maléfica jogando seus quadris para frente fazendo gestos bobos.

- Vocês parecem dois chipanzés bêbados. ─ falei andando em direção ao sofá.

Eles ficaram fazendo palhaçadas na cozinha e conversando alto enquanto fiquei no sofá costurando a barra de um vestido meu que havia se rasgado durante a mudança. Depois de um tempo, ouvi a voz de Sam se dirigindo a mim.

- Senhorita Claire, porque não vamos ao parque hoje? Está calor aqui dentro e por lá é mais fresco... além do fato de eu nunca ter visto nenhum de vocês por lá.

- Você quer ir? ─ Dean perguntou para Sam.

- Sim. É que também havia marcado de me encontrar com uma garota, e... ─ Sam respondeu meio desconcertado.

- Ora, você vai deixar a garota plantada lá te esperando? ─ Dean questionou indignado.

- Eu não teria deixado se minha mãe achasse que eu ainda preciso de babás.

- Acha que ela ainda está lá? ─ Dean perguntou e ouvi os passos deles se aproximando da porta.

Olhei rapidamente para trás, por cima do encosto do sofá.

- Vocês vão sair? ─ tentei disfarçar o tom de surpresa em minha voz.

- Claro. Não é nada ético deixar uma mulher esperando.

Dean abriu a porta e Sam atravessou-a rapidamente e ficou parado na varanda olhando em direção ao parque que ficava logo ao final da rua.

- Você vem?  ─ Dean perguntou quase já passando pela porta.

Bufei e coloquei de lado o vestido junto com a agulha e a linha.

- É claro que vou. ─ respondi em tom irônico. É claro que eu não ia deixar Sam sozinho com Dean, por mais que ele estivesse se esforçando para se "comportar".
 

Andando por alguns minutos, pude me lembrar de como era a cidade. Havia me esquecido do parque que servia como lazer para os moradores da cidade. O sol estava baixo, mas a temperatura ainda incomodava um pouco.

A rua deserta como sempre, não havia nenhum carro, apenas alguns moradores que passavam de bicicleta às vezes. 

Sam andava na minha frente com Dean. Eles conversavam sobre baseball e sobre a garota que Sam estava interessado. 

- Como conquistou a Claire? - ouvi Sam perguntar para Dean enquanto caminhávamos. Sam perguntou despreocupado, como se fosse algo comum de se perguntar.

Dean abriu a boca como se fosse responder algo e depois abaixou sua cabeça dando um sorriso desconsertado. Colocou suas mãos no bolso e deu de ombros.

- Eu não lembro. - Dean finalmente respondeu.

- Como assim? - Sam olhava para Dean, quase parando na frente dele para questioná-lo.

- Eu estava bêbado. - Dean fez uma careta azeda mantendo seus ombros erguidos.

Sam desviou os olhos de Dean sem entender; sua expressão estava perdida.

- Isso é possível?! - Sam perguntou.

- Bem... eu estou noivo dela, não estou?

Sam ergueu seus olhos castanhos para Dean e o encarou por alguns instantes, caindo na gargalhada depois.

Chegando no parque, o barulho de crianças, som de pássaros e cachorros latindo e correndo soou ao meus ouvidos como música. Havia pais brincando com seus filhos, mães com seus recém-nascidos conversando nos bancos largos e até alguns pipas estavam enfeitando o céu meio nublado. Essa área era mais verde, menos deserta. Logo ao fundo havia um pequeno lago onde algumas crianças brincavam na beira com os olhares super protetores de seus pais.

Sam parou de andar de repente e ficou com seus pés grudados na grama, com seus olhos quase saltando do rosto.

- É ela? - Dean perguntou com um sorriso largo no rosto.

- E-eu acho melhor a gente voltar... eu não estou me sentindo bem, eu...

- Não amarele agora, ela está olhando para você. - Dean deu um empurrão nas costas de Sam para ele sair do lugar, mas foi o mesmo que empurrar uma parede de concreto.

- Empurra de novo.

- O quê?

- Me empurra de novo para eu conseguir andar.

Dean olhou Sam com uma careta como se achasse aquilo um absurdo. Mas desta vez, Dean deu um tapa atrás da cabeça de Sam, e finalmente Sam saiu do lugar... meio desajeitado, mas conseguiu.

Ficamos olhando ele se aproximar da garota que estava encostada em uma árvore com suas amigas. Elas davam risadinhas estéricas, certamente perceberam o nervosismo do pobre Sam.

- Conhece a garota? - Dean perguntou se virando de frente para mim, mantendo a linha de um sorriso em seu rosto.

- Sim. - dei um riso contido, achando graça do jeito desajeitado de Sam. - Ela trabalha no caixa do mercado da cidade.

Dean assentiu com a cabeça e se aproximou de mim, ficando ao meu lado de braços cruzados. Olhei para ele e depois notei que ele estava assistindo Sam conversar com a garotinha de cabelo longos e ruivos.

- Acho que não devíamos ficar assistindo o primeiro encontro de Sam. - sugeri, ainda assistindo Sam e a garota.

- É interessante.

- O quê?

Dean suspirou a abriu um sorriso no canto dos lábios.

- É interessante como ficamos nervosos com pequenos atos.

- Atos que podem mudar nossa vida. - respondi em quase uma lamentação.

Dean deu de ombros e ao fazer isso, a manga de sua camiseta cinza levantou um pouco e vi a faixa que cobria seu braço ferido.

- Como está o braço? - perguntei, me virando em direção ao seu braço.

- Está tudo bem. A dor é suportável.

Levantei com cuidado sua manga com meus polegares para me certificar se ainda sangrava, mas felizmente a faixa estava limpa. Abaixei a manga e erguei meus olhos para falar com ele.

- Continue tendo cuidado para não molhar o curativo no banho.

Soltei as palavras sem perceber que a frase retomou uma cena que eu gostaria de ter esquecido. Senti as maçãs de minhas bochechas queimarem e rezei para que não estivesse na cor de um pimentão.

- Falando nisso... - Dean juntou suas sobrancelhas em uma expressão como se tentasse lembrar de algo. - Me confirme uma coisa... Você estava me...

- Estava. - falei em um tom meio alto. 

Senti os olhos dele me encarando cheio de dúvidas, e quando pensei em argumentar ele me cortou.

- Conhece aquele homem?

Desviei meus olhos para Dean e ele não estava me olhando. Na verdade, estava encarando de maneira afrontosa um homem logo atrás de mim que conversava com uma senhora.

- Não... - respondi. - O que tem ele?

Dean manteve-se olhando para o homem, prestando atenção em algo específico.

- O que está havendo?!

- O sotaque dele não é daqui. Ele tem sotaque alemão.

Pensei em dizer algo, mas minha cabeça pareceu ficar pesada naquele momento. Me virei rapidamente para ver o homem novamente e senti Dean puxar meu rosto em sua direção.

- Não olhe. Continue olhando para mim. - sua voz foi diminuindo de tonalidade e senti a ponta de seus dedos começarem a esfriarem em meu rosto.

- O que vai fazer? - acompanhei seu tom de voz, analisando seu rosto que não havia nenhuma expressão de medo ou algo derivado.

- Estou pensando. - ele falou encarando o homem e desta vez eu pude ver seus olhos queimarem de fúria.

- Dean... - chamei ele para me olhar de volta, mas não tive retorno. - Não vá fazer algo absurdo aqui. Está cheio de famílias e crianças.

Ele continuou com seus olhos fixos no homem logo atrás de mim. Segurei seu rosto com minhas duas mãos e o fiz olhar para mim.

- Não faça nenhuma besteira. - olhei diretamente em seus olhos.

Seus dedos se moverem em meu rosto e caíram sobre meu ombro.

- Finja um desmaio.

- O quê?! - soltei seu rosto e franzi meu cenho. 

- Agora, Claire. - não hesitou.

Precisei de uma ajuda da Claire das Trevas ─ que aliás, preciso dar um nome melhor para ela ─ e ela apareceu. 

Quando fechei meus olhos, não senti mais as mãos de Dean em volta de mim. Em questão de segundos eu estava sobre o chão, a grama pinicava meus braços. Depois de algum tempo senti minha cabeça doer de verdade, pois caí feita uma madeira no chão.

Quando ouvi o grito de Sam, rapidamente entendi o plano de Dean... ele queria atrair o homem alemão para ele e sabe-se lá o que faria depois. 

Senti os dedos pequenos de Sam envolver minha cabeça e me chamar diversas vezes, até aí eu não sabia exatamente o que fazer. Apenas fingir estar desacordada ainda.

- Senhor! Por favor! Pode me ajudar aqui? ─ ele se direcionou a alguém que parecia estar por perto. Sam tentava me levantar.

- Deixa-a como está. Ela acordará logo. - um sotaque alemão soou atrás de mim. - Você a conhece?

- Sim, ela é amiga da minha mãe. - Sam parecia apavorado.

- Fique calmo, garoto. Você sabe me dizer se ela comeu algo hoje?

- Eu... não... eu não sei. - A mão de Sam estava pousada sobre a minha que descansava na grama.

A Claire das trevas achou o teatro suficiente e me acordou, me fazendo abrir os olhos lentamente, como essas atrizes de filme.

Ao abrir os olhos vi o homem que Dean havia me dito. Ele tinha uma cicatriz em seu lábio superior e os olhos negros, seu rosto era muito sério. E Sam... coitado de Sam. Seus olhos estavam quase saltando de seu rosto. O homem me perguntou se eu conseguia me levantar, e ao notar que ele estava pouco preocupado, a Claire das Trevas interferiu e me fez fingir outro desmaio, batendo a cabeça de novo contra a grama.

- Meu Deus! - Sam disse alto.

Ouvi o homem bufar.

- Certo. Onde ela mora?

- É uma das últimas casas daquela rua... - Sam provavelmente apontou para o homem.

- Vamos levá-la para casa. 

- Não devíamos levá-la para o hospital, senhor?

- Apenas me ajude a carregá-la e faça o que eu disser.

A intenção dele não parecia das melhores. Certamente Sam não notou algo de errado com o homem; estava mais apavorado que gato fugindo de água.

Durante o percurso até minha casa, o homem não disse uma palavra. Ele me carregava em seus ombros de maneira desleixada, mas a mão de Sam ainda envolvia a minha e tentava me acordar, chamando por mim e dando alguns tapinhas em minha mão.

Notei que já estava em frente de casa quando o homem pisou na varanda e pude ouvir o barulho reconhecível da madeira se movendo nos pregos.

- O que houve? - ouvi a voz de Dean. Suas palavras saíram quase como um insulto ao homem.

"Merda" ─ Claire das Trevas e eu pensamos ao mesmo tempo.


Notas Finais


VOLTEI COROIIIIIIII
Próximo capítulo virá mais cedo, prometo!


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