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História Isso definitivamente não é uma historia - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


A ideia para hoje era totalmente diferente.
Boa leitura!

Capítulo 3 - Coisas bobas, sentimentos dolorosos


~11:54 p.m.~

Realmente achei que escreveria coisas legais hoje, que não seria mais um capitulo deprimente, mas tem coisas simples que me entristecem de verdade.

Hoje eu até acordei feliz, coisa que é bem difícil comigo, mas eu tava feliz e com disposição, porem minha prima resolveu vir em casa pra conversar comigo.

Assim que chegou ela disse que eu estava numa situação deprimente – eu estava deitada na cama porque tinha cansado de ficar sentada na frente do note e com a janela fechada por causa do vento, que estava forte hoje e eu sempre fico com as luzes apagadas, só acendo quando realmente preciso – expliquei para ela o porquê de estar deitada e tals e em um determinado momento entramos no assunto que não gosto de conversar e que meu pai reclama por causa disso.

No capítulo anterior já disse que vivo boa parte do tempo no meu mundinho e que nele não tem muita gente, porem minha família insiste em me tirar na bicuda dele.

Minha prima explicou o ponto de vista dele, que eu não falar dá a impressão de que não me importo da pessoa estar em casa e eu disse na cara dura que realmente não me importo e que me sinto mais “confortável” em conversar a noite, por questão de costume mesmo porque esse era o único horário que minha mãe estava em casa. Não sei se ela entendeu meu lado ou se só ficou quieta pra evitar discussões, acredito que ela entendeu já que quando vim pra cá falei tudo que aconteceu na minha vida pra ela.

A conversa com ela mexeu um pouco comigo, mas tentei não dar tanta importância assim, entretanto quando meu pai chegou o assunto meio que... voltou à tona, ele perguntou o que tinha pra jantar – isso quer dizer que ele está com fome – eu disse que era o mesmo do almoço e fui esquentar o rango, assim que tudo ficou pronto voltei para o quarto e fui mexer no celular, ele perguntou:

- Não vai me acompanhar na janta?

- Não. Não to com fome agora. – respondi do quarto

- Come agora que tá quente e me faz companhia. É melhor comer um pouquinho de 3 em 3 horas pra não engordar do que ficar muito tempo sem comer.

Ele disse isso porque resolvi emagrecer. No começo eu sentia muita fome, mas depois de 2 semanas meu corpo não pede mais comida a cada 20 minutos então fico de 4 a 5 horas sem comer nada (isso durante o dia, do jantar pra próxima refeição chego a ficar 14 horas sem comer fácil).

Não respondi e depois de uns minutinhos ele disse que arrumaria uma mulher pra acompanhar ele nas refeições, que ela era bonita, que era rica e toda vez que ele acrescentava um desses adjetivos eu só falava “que bom” ou “isso ae” e no final ele disse que ela tinha três filhos, eu disse que se não fossem crianças seria de boa.

Se meu pai arrumar uma mulher não me importo, fico até feliz por ele, eu realmente espero que ele arrume alguém que o ame e que cuide dele e se ela tiver até um time de futebol de filhos também não me importo desde que... ninguém me perturbe, que todos me deixem no meu canto.

Criança é uma coisa que me deixa meio ‘argh!!’.

Enfim! Reclamarem porque não falo mexe comigo porque pra mim é como uma intolerância, é como se não aceitassem meu passado, como se tudo que me fez calar a boca fosse nada pra pessoa e ela se recusa a se pôr no meu lugar – foda-se se esse capitulo ficar imenso – vou explicar um pouco o porquê me calei

Acho que qualquer pessoa se cala quando é dito a ela todos os dias “fica quita, você fala demais”, “cala a boca” ou até por ignorarem completamente a existência dela em casa e foi isso que me aconteceu.

Quando criança eu falava até a garganta começar a falhar e a língua cansar e com o passar do tempo os “fica quita” foram se intensificando em casa e dos 16 aos 18 (a idade que sai de casa) minha mãe começou a ignorar minha existência. Ela só lembrava de mim pra brigar porque lavei o banheiro e esqueci de trocar a tolha de secar as mãos ou porque não sequei a louça e guardei e essas coisas idiotas.

Eu era uma espécie de elfo doméstico, se demorasse mais um pouco seria chamada de Dobby – eu te amo se você pegou a referência – porque eu já me sentia assim, um elfo doméstico.

Minha mãe também me obrigava a ficar com o filho do namorado dela, era uma criança de 3 anos, eu odiava tudo naquele momento, porque eu acabei virando a “esposa” de um macho que nem era meu. Eu tinha que cuidar do menino – sendo que o pai dele pagava uma babá – e tinha que ficar mimando o namorado da minha mãe porque teve um tempo que ele teve um avc e eu tinha que ficar fazendo tudo que ele queria.

Entenda, eu não me importava em ajudar ele, o problema é que eu passava o dia todo fazendo os gostos do filho da puta pra a noite quando minha mãe chegava ele dizer que eu não fiz nada, que não tinha dado almoço pra ele, que tinha passado o dia na rua, que ficava pegando o dinheiro do cofre dela o tempo todo pra comprar besteira. Ele fazia isso pra vê minha mãe me xingando de todo tipo de coisa que você possa imaginar. Minha mãe estava tão cega por ele que não via que ele só estava colocando ela contra mim.

Depois que ele tinha melhorado do avc ai que passei a ser mais ignorada ainda em casa, porque agora não era só minha mãe a me ignorar, o macho dela e a criança começaram a fingir que eu não existia também. Fui ignorada a ponto de num fim de semana ninguém perceber que eu não tinha saído do quarto pra comer nenhuma vez, é meu caro(a) amigo(a) eu que era uma pessoa que passava o dia comendo não sai nenhuma vez pra comer nada, só sai pra beber agua e ir ao banheiro. Nesse momento eu estava começando a desenvolver depressão, eu não dormia direito, não comia direito, chorava quase todas as noites até dormir e passei a me cortar.

Meu pensamento todos os dias era de tirar minha vida, eu pensava em mil maneiras de me matar toda manhã durante o trajeto da escola. Não falei para ninguém na escola, nem pra minha melhor amiga, que era a pessoa que sabia de tudo na minha vida, que era minha pessoa, nem ela sabia dos pensamentos que me assombravam. Depois de um tempo eu não conseguia mais prestar atenção nas aulas e sentia vontade de sair correndo por ai, sem rumo, sem destino, só queria ficar o mais longe possível do mundo, correr até minhas pernas não aguentarem mais.

Cheguei num ponto que quando alguém começava a falar comigo vinha uma vozinha na minha cabeça que me mandava fugir dali e vinha um impulso de sair andando e deixar a pessoa falando sozinha, minha vontade era passar o intervalo inteiro no banheiro, mas graças a dois anjos que Deus colocou na minha vida eu não conseguia ficar no banheiro. Esses anjos eram duas meninas que estudavam na minha sala desde o primeiro ano, mas não tínhamos pegado tanta amizade até então, elas ficavam no meu pé o intervalo todo – tenho que as agradecer por isso – todo lugar que ia elas iam atrás, acho que elas tinham percebido minha mudança.

Depois de um ano mais ou menos minha mãe largou aquele cara e pensei que as coisas voltariam a ser como antes, mas não mudou nada.

No próximo capitulo gostaria de dizer mais sobre esse assunto, pois agora estou realmente numa situação muito deprimente, já são 1:27 da manhã, no note está tocando uma playlist do Bruno Mars e estou escrevendo isso com o choro preso na garganta e sei que se for mais fundo nos meus relatos de acontecimentos de menos de 1 ano atrás vou acabar chorando durante umas duas horas e não é isso que quero nesse momento, porque prometi a mim mesma que não iria mais dormir chorando, que seria forte pra encarar minha vida mesmo que com a cabeça baixa, que seguiria em frente e que se pensasse de novo em desistir da minha vida que seria forte mais uma vez para não fazer nada.

Espero que você encontre sua pessoa e que não a perca, porque sinto que estou perdendo minha pessoa e não sei o motivo de a estar perdendo, mas isso é assunto para outro dia.

~2:00 a.m.~


Notas Finais


cuide-se e não pule refeiçoes
~Beijos açucarados~


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