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História Isso vai ser um adeus - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Mensagem



Respirei fundo, e abri o spirit, fazia alguns dias que não abria nenhuma rede-social, tudo isso depois de uma discussão séria com meu melhor amigo, ele havia sumido alguns dias e eu me preocupei bastante, e isso irritou ele, talvez pelo fato de eu me preocupar com ele, isso é ridículo mas me preocupou.


Então fiquei irritada e bloqueei ele em todas as redes sociais.


 E ao abrir o spirit eu me deparei com notificação dele, de uma mensagem pelo próprio spirit.


Respirei fundo e abri a mensagem.


A primeira linha começava assim:
"oo, n se preocupa comigo, eu to bem, eu so to dando essa sumida pra desenhar, ler, escrever, me da um tempo tlgd?".


Parei a primeira linha e suspirei, sempre tive raiva dessas abreviações engraçadas que ele dava, e até mesmo o próprio "tô ligado" que ele tanto usa.


"n se preocupa comigo.
nao importa quanto tempo eu suma.
nao importa por quanto tempo eu nao va pras aulas.
nao importa pra onde eu va.
nao importa nada.
eu sempre vou esta bem ok?
eu so vou da meu melhor.
tava escutando algumas musicas, e percebi que o tempo voa.
"todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo, todos os dias antes de dormir, deito e esqueço como foi o dia, sempre em frente, não temos tempo a perder."
Ele sempre teve essa estranha mania com essas músicas. Admito que sempre adorei elas, mesmo dizendo que eram músicas de velhos.
"ou talvez na msm analogia eu percebo isso:
"Dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão, da caridade de quem me detesta"
sempre serei eterna, mas terei que esculpir minha eternidade, não posso simplesmente esperar o tempo passar para tentar crescer e baixar a cabeça na derrota, eu começarei minha vitória a partir de agora.
eu sei que nem sempre bato bem da cabeça, mas escute, eu sou uma pessoa, tudo bem errar, mas o problema é persistir no erro, e meu erro vai ser tentar viver normalmente, mesmo que eu saiba que não sou normal eu vou tentar me encaixar nessa normalidade, mas não vai ser agora, então tente entender isso, eu não vou sumir para sempre.
só alguns dias para eu trabalhar a minha imortalidade no tempo.
quando desistir de ser tão imatura irei voltar para te pedir desculpas, mas vou até onde posso para provar meu limite.
"Te trago mil rosas roubadas, pra desculpar minhas mentiras, minhas mancadas"
lembre-se desse trecho.
agora enfim terei minha vida intensa, não vou parar de falar com voce, so vou diminuir a frequência, para eu mesma me entender.
enfim, desculpe se te preocupar, mas eu vou estar bem, juro.
"Que hoje eu vou sair pra ver o outro dia amanhecer, to ligando pra dizer, juro não faço por mal, logo você que diz me conhecer tão bem, devia saber que isso é tão normal"
é tão normal eu da essas sumidas, então não se preocupa, pode me xingar, me odiar falar o que quiser, vou tentar da meu melhor para me entender.
talvez isso me torne louca e estranha, mas viverei ao máximo, e guarde minhas palavras, ainda terei um final diferente de meus ídolos, overdose, aids, isso não me aguarda, viverei ao meu máximo para provar que a felicidade nunca leva a morte.
AGORA PERA QUE EU TO ESCREVENDO ISSO AQUI E EU COMECEI A RIR.
PORQUE EU SEMPRE RIO DO NADA?
eu comecei a rir porque fui para a janela q tava a aula ne, ai o Paulo tinha ligado a camera e o cabelo dele ta enorme, ai toda vez que eu olho eu lembro da imagem de Paulo nadando começo a rir".
O Paulo, meu deus, ele era um menino de nossa sala, que era nosso amigo, um dia outro amigo fez uma montagem dele nadando, e nunca mais vimos ele da mesma forma.


"até esqueci o que eu ia falar aqui.
lembrei, se quiser me esperar saiba que eu vou estar aqui, talvez nao exatamente aqui, mas você entendeu.
quando quiser falar comigo escreva o que sente, que muito provável irei responder.
lembre-se que acima de tudo sou sua amiga, e vou estar sempre aqui."


Suspirei e fechei a mensagem sem dá mas nenhuma resposta para ele.


Ele estava passando por muitas coisas, seu avô havia morrido a alguns meses, e depois todos seus amigos haviam a abandonado sem nenhuma razão, logo depois disso, havia sobrado somente eu, e mais 4 web-amigos dele que o mesmo nunca fizera questão de me apresentar.


Mas de um dia para o outro ele falou que perdeu os 4.


Tentei falar com ele várias vezes sobre isso, mas ele só repetia que era sua culpa, e todo dia de manhã lembrava a si mesmo de como fez merda, começando a culpar-se pela morte de seu próprio avô, algo que ele não conseguiu impedir.


Tentei ao máximo o ajudar, mesmo sabendo que agora ele só tinha a mim.


Ele já teve vários traumas com outras amizades antes, por isso sempre fora um pouco possessivo, algo que atualmente ele tenta ao máximo mudar. 


Mas por alguma razão, aquela amizade que ele perdeu o deixou acabado.


Já vi ele várias vezes tentando se matar. Ao todo 4. Não consegui impedir a quarta vez, mas ainda bem que somente o que houve fora um desmaio.


Sempre me preocupei com ele.


Mas por alguma razão ele não gostava.


E nessa briga, tenho certeza que ele está só.


Já que era a última coisa que sobrara para ele.


Mas amanhã falo com ele.


Não preciso dá uma resposta para ele.


Afinal. Eu também fico triste não é mesmo?


Suspirei e larguei o computador em cima da bancada.


Logo me deitando para ir dormir.
(...)
Acordo com um barulho alto e olho assustada para a porta.


Aonde vejo minha mãe, e de fundo uma silhueta de um garoto, que passa correndo mas rapidamente some. Fiz a suposição de ser meu irmão mais novo. E rapidamente olho para a minha mãe.


-Oi-Falo e ela me olha.


-Olha, filha, desculpa- Ela fala e me entrega o celular, eu olho para ela em um tom risonho achando que seria uma brincadeira de sua parte, e quando olho o celular me deparo com a seguinte notícia.


"Jovem de 17 anos é encontrado morto por overdose, em seu próprio quarto."


Perguntei para minha mãe o que aquilo se dizia ao respeito de mim e ela meche a boca sinalizando algo, que demoro um pouco para entender, mas assim que entendo ficho em estado de choque.


"Vitor".
Ela disse.


Vitor era o meu amigo.


O meu amigo que passou por isso, era ele.


Não acredito.


Ele...Ele era meu melhor amigo.


Solto um suspiro e logo depois um grito.


Vitor sempre foi divertido e fazia brincadeiras sobre ser o Vitão por causa de seu cabelo cacheado e seu próprio nome. Vitor também fazia diversas piadas sobre seu sobrenome ser Zuza-Zuza. Em homenagem ao cantor Cazuza, que ele tanto escutava.


Aquela notícia...Me lembra que eu podia ter feito mais.


Sempre posso ter feito mais.


Deveria ter o protegido do mundo.


Ter o protegido de seus web-amigos.


Ter o protegido de seus amigos que fizeram mal para ele antes.


Ter o protegido de mim mesma.


Eu sou uma falha.


E com esses pensamentos solto um grito e começo a chorar.


Minha mãe se aproxima de mim e me dá um abraço sussurrando: "Vai ficar tudo bem."


Quando todos sabem que não vai ficar tudo bem.


Nunca está tudo bem.
 



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