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História Issues - Capítulo 5


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Notas do Autor


Finalmente estou aqui novamente com mais um capítulo. Sei que demorei, e muito. Sorry!

Boa leitura!

Capítulo 5 - Capítulo V


   

                   ~ Draco

 

   Sentia minha cabeça latejar e doer como o inferno, e não que eu fosse alguém exagerado, mas parecia estar prestes a explodir. Quando abri os olhos, logo reconheci o teto sendo da enfermaria de Hogwarts, que a princípio, parecia estar vazio, nem mesmo vi a tal Madame Pomfrey por aqui. Eu não fazia ideia de que horas eram, pouca luz entrava pelas janelas que tinham alí. Levei os olhos até as portas da enfermaria que estavam fechadas, como sempre, tinha um relógio de ponteiros logo acima. Marcava umas cinco horas e pouco. Afinal, o que estou fazendo aqui? O que aconteceu? 

 

  Eu podia sentir minha garganta seca e, quando engoli em seco, me arrependi amargamente. Eu precisava urgentemente de água. Quando olhei para o lado, encontrei na mesa pequena e quadradra o que mais queria naquele momento, água. Mas o que chamou minha atenção foram os óculos que pertenciam à Eudora, ela possivelmente estaria aqui também, porém não a vi na cama do outro lado da mesinha. 

 

   Lembrar dela me fez recordar do que havia acontecido para acabar parando na enfermaria. Como um clarão, me veio as lembranças do que tinha ocorrido: Eudora extremamente enfurecida e depois lançando um feitiço – que nunca vi na minha vida – contra mim. E que droga de feitiço era aquele?

 Por mais que odiasse admitir, e eu nunca iria admitir em voz alta, eu havia merecido por ter deixado o maldito ciúmes falar mais alto. Devo ter exagerado? 

 

    Já sentado na cama, eu sentia meu corpo totalmente dolorido, me fazendo novamente questionar o que diabos aquela desalmada tinha feito. Eu realmente estava em condições deploráveis. Quando afastei o cobertor das minhas pernas, me engasguei com a própria saliva. Aquelas não eram minhas pernas, eram cheias e lisas, pareciam femininas. E na parte interior da coxa esquerda, uma marca de nascença conhecida – que a descobri por conta de um maravilhoso desastre –, me fez perceber que aquelas pareciam as pernas de Eudora. As toquei para me certificar de que não estava sonhando e nem ficando louco, e tal como as pernas, as mãos também eram femininas e pequeninas.

 

   Certamente não era um sonho, e quando me dei conta disso, levantei da cama em um sobressalto, e senti os cabelos longos tocarem a minha nuca. Eu precisava urgentemente de um espelho, então passei os olhos por todo o local – mas minha visão não estava tão ótima quanto eu me lembrava –, e para minha surpresa, tinha mais uma pessoa, em um cama mais distante. 

 

   Depois de beber água e sentir um grande alívio, caminhei até a segunda pessoa, em passos lentos e silenciosos, quando cheguei perto, consegui identificar quem se tratava. Engasguei com a própria saliva, pela segunda vez naquele dia. Deitado naquela cama estava eu mesmo – não eu, pois seria impossivel, mas era alguém com minha aparência –, a pessoa dormia tranquilamente. Ou aquilo se tratava de polissuco, ou eu estava delirando mesmo; para mim, a segunda opção pareceu fazer mais sentindo.

 

   Meus pensamentos foram interrompidos quando a pessoa se mexeu na cama e levantou-se num sobressalto, quando notou que estava sendo observado por mim. 

 

– Que palhaçad- – a pessoa se interrompeu, pareceu notar que aquela não era sua própria voz, pois em seguida olhou as mãos e tateou pelos cabelos, os bagunçando – O que é isso? Quem é você? – perguntou com aflição e me fuzilando com os olhos. Não pude deixar de notar que eu era muito mais lindo face a face do que na frente do espelho. 

 

– Sou eu. Draco Malfoy. – A voz que saiu da minha boca foi a de Eudora: melodiosa e com seu sotaque arrastado. A expressão do outro mudou para uma enfurecida. Eu não ficava tão atraente agora. – E você, quem é? 

 

– Sou a Eudora. Quem mais seria? – respondeu como se fosse o óbvio. E eu estava ainda mais confuso com o que poderia ter acontecido. 

 

   A desalmada veio até mim e me puxou pelo colarinho, me fazendo perceber que ela adorava mesmo me agarrar daquele jeito. Eu segurei ao máximo a vontade de rir com meus próprios pensamentos. Daquela forma, dava para ver o quão alto eu sou – ou ela que é baixa demais –. Era necessário levantar a cabeça para conseguir encarar meu próprio e belíssimo rosto. 

 

   – Você andou brincando com polissuco novamente? – perguntou com rispidez, e eu me senti ofendido.

 

– Eu já acordei assim, sua idiota! – ela pareceu não se convencer com minha resposta, porém me soltou e se afastou.

 

– Como isso é possível? – foi mais como uma pergunta para si mesmo. – Como isso foi acontecer? – Se perguntou novamente, enquanto voltava para a cama, logo sentou-se na beirada. 

 

– Deve ser um sonho bem realista, ou estamos delirando juntos. – eu disse nem um pouco convencido dessas possibilidades.

 

  O olhar que ela me lançou em seguida, foi bastante cômico ver no meu rosto. Me encarava como se eu fosse um bosta, ou o ser mais burro do universo. Tal como a expressão, a resposta saiu da forma mais carinhosa possível:

 

– Eu nunca pensei que você fosse tão burro a esse ponto. Quando as pessoas estão no meio do sonho, elas nunca pensam que estão sonhando. – respondeu como se fosse o ser mais sábio do universo, e agora me encarava com arrogância – ou eu só tinha essa cara. 

 

– Então deve ser aquele feitiço que você lançou ontem. – eu disse simplesmente, e ela pareceu ponderar. – Aliás, que porra de feitiço era aquele? – me fuzilou, e eu imaginei que teria sido pelo palavrão.

 

– Eu não sei. Deve ter sido algum que eu tenha visto nos livros que andei lendo ultimamente. Não conheço. – disse pensativa e deu de ombros. 

 

– Você é maluca? Não pensou na possibilidade de ter me matado, ao lançar um feitiço que você nunca viu? – berrei, e a voz de Eudora, mesmo esganiçada dessa forma, era bonita.

 

– Naquele momento eu estava mesmo querendo matar você... – respondeu cinicamente, me encarando com desdém. A olhei pasmo. – Bom, se foi mesmo por conta daquele feitiço, a qualquer momento pode passar. Acho que é temporário, igual a poção polissuco. 

 

– Você acha? – perguntei sarcástico. – Não se sabe quantas horas se passaram com a gente dormindo. Pode ter passado horas, dias... E se for permanente? Não que seja problema para mim ficar nesse corpo. – Encarei o busto dela, que agora era meu. 

 

    Não que eu fosse um pervertido, mas eu já havia notado o corpo bonito que Eudora tinha, na verdade, eu poderia dizer que tudo nela era bonito, exceto o seu temperamento explosivo – não que eu tivesse em condições de julgar, afinal de contas, eu reconheço que realmente sou um bosta... as vezes –. Agora no corpo dela, eu poderia finalmente ver melhor o corpo bonito que ela tem. Talvez eu seja mesmo um completo pervertido. Meus pensamentos foram interrompidos uma vez mais, e dessa vez, foi com um forte chute na perna, me fazendo reclamar pela dor.

 

– Você é muito sem vergonha mesmo, não é? – perguntou com desgosto, e já sabendo a resposta. Dei risada com aquilo. – Eu vou fazer o possível para consertar isso. 

 

– Não é mais que sua obrigação, afinal foi você quem causou isso. – eu disse de modo simples, sabendo o que viria a seguir.

 

– Eu que causei isso!? – Vociferou exageradamente, como eu imaginava. – Se você não fosse um completo babaca, eu não precisaria usar um feitiço para ferrar você.

 

– E precisava ser um feitiço que você desconhece? – perguntei retoricamente, sem esperar por resposta. – Não pode me culpar. Culpe a si mesmo por ser inconsequente! – disparei com ligeira rispidez.

 

 – Eu sou inconsequente? – perguntou pasma, como se eu tivesse falado um absurdo. Eu me joguei na cama a sua frente. – E você é bastante imaturo

 

E você é estúpida!

 

Boçal!

 

Patética.

 

Idiota.

 

   Continuamos com nossa troca de palavras gentis e bastante amigáveis, Eudora dizia algumas palavras – aparentemente eram xingamentos, pois ela não iria me elogiar, olhando como se fosse me matar a qualquer momento – no idioma que eu acreditava fielmente ser o escocês. Poderíamos passar horas nesse impasse infernal, pois ela parecia disposta a isso tanto quanto eu. Entretanto, somente alguns minutos haviam se passado quando a porta da enfermaria foi bruscamente aberta, e entrou por ela Papoula Pomfrey e um imponente Severus Snape – com o nariz protuberante empinado e sua carranca de poucos amigos, o mesmo de sempre.  

 

– Acordaram. Que ótimo! – a mulher velha disse, parecia animada com isso – Estão se sentido bem? – respondemos apenas com um aceno. A mulher checou se estava tudo bem de verdade e depois se retirou, deixando apenas o professor de porções, Eudora e eu.

 

– O que aconteceu? – foi Snape quem perguntou. Olhava de mim para Eudora. – Foram encontrados jogados e desacordados no corredor das masmorras, ontem a noite. – Eu imediatamente encarei Eudora, que estava sentada na minha frente. A olhei acusador. O professor pareceu entender, pois seguiu o meu olhar. – Malfoy

 

– Não aconteceu nada, senhor. – ela disse nem um pouco convincente. 

 

– A gente tava se beijando no corredor, aí o ar faltou e a gente desmaiou. – dei uma desculpa qualquer, acabei dando risada com a mesma, fazendo o Snape me encarar com desdém e Eudora provavelmente querer me enforcar. 

 

– Um confronto parece mais provável. – ele disse com rispidez. – Como novos monitores, vocês me envergonham. Por isso, os dois cumprirão detenção comigo, então estejam na minha sala, ainda hoje, depois das aulas. – dito isso, ele nos deu as costas e se retirou da enfermaria.

 

   Estávamos sozinhos novamente. Eudora parecia refletir com o que acabou de acontecer. De forma bastante repentina, eu havia levado mais um chute forte na perna. Eu resmungava baixinho e perguntava o que diabos aquela garota desalmada tinha na cabeça.

 

– Não poderia simplesmente ficar calado? Que desculpa mais ridícula. Eu nunca beijaria você. – ela disse, me olhando com desgosto. Não me deixei abalar. 

 

– Diz isso, mas me beijou ontem. – sorri ladino e ela me encarou incrédula.

 

– Foi você que me beijou. – ela respondeu, dando um exagerado ênfase no "você". – E eu só deixei porque pensei que era o Terence Higgs, aquele bonitão. – automaticamente fechei a cara. 

  

   Ela não tinha a necessidade ser tão dura assim comigo. E eu era mais bonito. Tentei mudar de assunto imediatamente.

 

– O que vamos fazer a partir de agora? – perguntei baixinho, e ela pareceu pensar em algo, então esperei pacientemente por alguns segundos. 

 

– Bem, por ora, eu serei você e você será eu, até eu conseguir encontrar um contra feitiço. – ela disse, massageando as têmporas como um velho. 

 

– Vai ser fácil, só tenho que parecer uma sabe-tudo perfeitinha. Nas horas vagas terei que usar roupas do brechó dos Weasley. – alfinetei, cruzando os braços. Ela me lançou um olhar mortal e eu sorri largamente.

 

– E eu só preciso insultar qualquer pobre alma que ter a infelicidade de cruzar o meu caminho, e andar sempre com o nariz empinado e com esse cabelo horroroso que a vaca lambeu. – ela disse e depois gargalhou da própria piada sem graça.

 

– Eu não insulto as pessoas, apenas descrevo como elas são. E outra: meu cabelo é maravilhoso, e eu também. E não lembro de você ter lambido meu cabelo algum dia. – agora foi a minha vez de dar risadas. Ela torceu os lábios e me encarou com a carranca raivosa que só eu tinha.

 

   E mais uma vez começamos com mais uma troca de palavras desgostosas, e eu já tinha perdido as contas de quantas vezes já discutimos somente aquele dia. Cheguei a triste conclusão de que provavelmente nunca teríamos uma conversa normal e civilizada. Se depender de mim, não mesmo. Até porque, geralmente é eu que começo.

 

– Não vamos trocar de varinhas? – perguntei, quebrando o silêncio que se formou depois de mais uma discussão finalizada.

 

– Qual o núcleo da sua varinha? – ela respondeu com outra pergunta, típico. 

 

– Pelo de unicórnio, eu acho... – eu disse, cético. 

 

– A minha também. – deu um suspiro de derrota. – Esse tipo de varinha é o mais fiel de todos e geralmente formam um elo com seu primeiro dono, independentemente se for um bruxo ou bruxa talentosos. Então não podemos trocar.

 

   Houve mais um momento de silêncio, e eu me perguntava qual seria o problema se todos soubessem o que houve. Ainda não sabia o que deveria fazer na minha rotina como garota – talvez eu devesse falar de meninos e fofocar com minhas amiguinhas. 

 

– De verdade, o que devo fazer? 

 

– Apenas seja gentil com meus amigos. Com todos eles, sem exceção. Haja normalmente. – me fuzilou com o olhar e eu revirei os olhos, só imaginando o quão patético meus dias seriam como Eudora. – Eu costumo sempre conseguir pontos para a nossa casa, sempre respondendo as perguntas feitas pelos professores, mas duvido que você tenha essa capacidade. – alfinetou. Revirei os olhos novamente, mas era verdade.

 

– Você tem apenas que comparecer ao treino de quadribol, que vai começar às seis horas. Seja pontual. – eu disse seriamente. Ela empalideceu. – O que?

 

– Eu... Quadribol? Treino? – perguntou trêmula.

 

– Sim. Falei grego? – perguntei com uma sombrancelha erguida. Não entendi todo aquele pânico. 

 

– Eu nunca joguei quadribol na minha vida! – ela disse exasperada, depois se jogou de costas na cama. – Você tá ferrado. – falou baixinho.

 

– Não. Você que vai estar ferrada se não fizer tudo direitinho. – Mentira, eu não faria nada. – Pensei que você fosse perfeita e soubesse fazer tudo, aparentemente me enganei...

 

– Ninguém é perfeito. – ela murmurou e se levantou da cama. – Vou passar no salão comunal, tomar banho e me aprontar para o café da manhã. Aliás... – me encarou apreensiva e ligeiramente nervosa. – Eu posso... tomar banho? 

 

– Lógico, não sou um porco. Eu vou tomar um banho também, se me permite. – eu nunca desejei tanto tomar um banho na minha vida. Não deixei transparecer minha ansiedade. – Não se preocupe, pois não há nada nesse corpo pouco desenvolvido, que chame minha atenção. – outra mentira que tentei soar convincente. Ela ponderou por alguns segundos. 

 

– Bom, é... Acho que sim. – ela respondeu timidamente, vermelha como pimentão - de um jeito ridiculamente feminino para o minha aparência máscula -. Eu acharia cômico, se não fosse trágico. – Não esquece dos óculos. – ela apontou para a mesinha. 

 

– Não sei porque você usa essa coisa ridícula, sua vista não é tão ruim. – resmunguei e cruzei os braços. 

 

– Eu uso para leitura; geralmente estou lendo algo. – ela respondeu e deu de ombros. 

 

– Tente se sair bem no treino de hoje, afinal você sabe voar muito bem, pelo que sei. Só é preciso se empenhar como apanhadora. – falei seriamente, enquanto ia até a mesinha apanhar a droga dos óculos. Ela apenas acenou positivamente. 

 

– Se meus amigos chamarem você para sentar com eles, invente uma desculpa para não ir. – ela disse autoritária, enquanto andávamos apressadamente até as masmorras. 

 

– Não precisa pedir duas vezes. – cantarolei animadamente e ela revirou os olhos. 

 

  A caminhada depois disso, foi de um silêncio bastante incômodo e torturante, e já na entrada do salão, tivemos a infelicidade de esbarrar com Blásio, e Astoria vinha logo atrás do moreno. 

 

– Bom dia, meus queridos amigos! – o Zabini bradou animadamente, a Greengrass apenas sorriu e acenou, somente para mim. Eudora e eu nos entreolhamos no mesmo instante. – Como estão? 

 

– Estamos bem. Não está vendo? – Eudora murmurou, foi quase um perfeito Draco. 

 

– Que mau humor. – o moreno resmungou e fez uma careta para ela, e eu ri internamente daquilo. Em seguida, o Zabini sorriu para mim, depois passou por nós dois e esperou por Astoria. 

 

– Que bom que está bem, fiquei preocupada. – a Greengrass disse, me encarando com doçura.

  Logo depois, fui surpreendido com um abraço apertado – e como não sou nem um pouco besta, foi prontamente retribuído –. Eudora olhava a cena com ciúmes da amiga, então sorri para ela com malícia, e a mesma apenas revirou os olhos. 

 

– Quer que eu espere por você? – Astoria perguntou me encarando, depois que desfez o abraço. Acenei negativamente. – Tudo bem, não demore. – ela disse seriamente. Eu concordei, mesmo sabendo que iria demorar um pouco, e seria no banho.

 

   Blásio e Astoria se despediram e saíram rumo ao salão principal. Eudora finalmente pôde suspirar aliviada, e eu também. Entramos no salão e estava parcialmente vazio, suspirei aliviado mais uma vez. Logo marchei empolgado em direção ao dormitório masculino, com intenção de tomar o glorioso banho das maravilhas que não saía da minha cabeça. Entretanto, minha camiseta foi repuxada com força, me fazendo dar alguns passos para trás e quase ir ao chão. Olhei para trás, prestes a xingar o indivíduo que ousou fazer isso. 

 

    Eudora apenas apontou para onde ficava o dormitório feminino. Eu olhei e franzi o cenho, mas depois me lembrei que agora sou uma garota que precisava ir para o dormitório de garotas. Marchei mais uma vez, agora para a direção certa. Novamente fui parado por ela, e eu já estava com uma carranca. 

 

– Quinta porta, à direita. – ela disse baixinho. Eu estava tão empolgado que me esqueci de que aquela informação me seria muito útil. 

 

– Primeira porta, à direita. – informei e rapidamente dei as costas a ela, então finalmente pude adentrar o dormitório.

 

 

                                     ≈ ∆ ≈

 

 

   As aulas daquele tedioso dia finalmente chegaram ao fim, e eu agradeci incessantemente aos céus por isso. Eu perdi as contas de quantas pessoas tive que cumprimentar no salão principal, nos corredores, nas aulas,  durante o almoço... Aturar garotos com olhares carregados de segundas intenções. E o pior de tudo, foi ter que aturar as aulas juntas com Harry Potter e os outros amiguinhos de Eudora. Tive que aturar a cada comentário desnecessário do Weasley. Tive que aturar a cada vez que a sabe-tudo Granger perguntava se eu estava bem ou dizia que eu "estava estranha". 

 

 A melhor coisa do dia – que eu preferiria morrer, do que admitir em voz alta para alguém –, foi ter que usar saia. Foi ótimo sentir uma ventilação fresca passando por baixo. 

Não só eu, mas também Eudora, tivemos que aturar cochichos e questionamentos sobre o que de fato ocorreu na noite passada. Toda a escola estava sabendo que, supostamente, nos atacamos – e não era surpresa pra mim, se tratando de Horgwarts. 

 

  Enquanto os meus problemas daquele dia se resumiam em meninos estúpidos com segundas intenções e o patético trio de ouro muito próximo, Eudora teve problemas em urinar. Teve o momento extremamente constrangedor – e um pouco cômico –, em que ela pediu minha ajuda nisso, e eu, como a boa pessoa que sou, a ajudei.

 

  A cada uma dessas situações, eu me perguntava se o dia não poderia ficar pior, logo me lembrei que era a hora de encontrar com o professor mais ranzinza de Hogwarts, vulgo Snape, mas eu sabia que aquilo não ia dar em nada. Eu andava sem pressa até a sala de poções, que ficava nas masmorras, estava sendo acompanhado por uma Eudora inquieta. 

 

– Estou nervosa com o treino, passei as aulas pensando somente nisso. – disse Eudora deprimida. 

 

– Eu vou estar lá, para ver você se ferrar. – dei um pouco de apoio moral. 

 

– Obrigada pelo apoio, é sempre bom contar com sua gentileza. E só para lembrar: é você quem vai passar vergonha. – disse sabiamente, depois sorriu satisfeita. 

 

– Sendo assim... Vou torcer para você se sair bem. E não se preocupe muito, é só um treino. – eu disse com simpatia, vendo-a com as orelhas corando. 

 

  Quando entramos na sala de poções, o professor ranzinza já nos aguardava com um livro em mãos, parecia estar lendo – ou apenas fingindo –. Assim que fomos notados, ele tirou sua atenção do livro e nos encarou. 

 

– Vocês deviam ser severamente punidos pelo comportamento inadequado. – ele começou e largou o livro, então caminhou até nós dois com os braços atrás do corpo. – Como monitores, deveriam dar exemplo. 

 

– O senhor nem sabe o que aconte- 

 

– Calada! – ele bradou, interrompendo minha tentativa de falar. Fiquei quieto, de qualquer forma, eu sabia como iria acabar. – Não é a primeira vez que vocês dois causam problemas. 

 

– A culpa foi toda dela! – disse Eudora, apontando para mim acusadora. Eu não pude deixar de pensar que faria o mesmo no lugar dela. 

 

– Não perguntei. 

 

– Senhor, tenho treino de quadribol log-

 

– Calado! – ele bradou novamente. – Sendo assim, você está livre para ir treinar. E você...? – o homem então me encarou questionador.

 

– Eu tenho que alimentar meu peixe. – inventei uma desculpa tremendamente ridícula, eu era ótimo nisso. Ele nos olhou com seriedade, enquanto parecia ponderar.

 

– Bem, então estão liberados. – ele disse por fim e nos deu as costas. – Espero que isso não volte a se repetir. 

 

– O quê? – Eudora perguntou com incredulidade. Puxei ela pela gravata, até a saída da sala. 

 

– Vantagens de ser da Sonserina. – eu disse baixinho e com orgulhoso. 

 

– Isso está errado!

 

– E quem se importa? – eu dei de ombros. – Ele sempre faz isso. 

 

– Então por que a gente teve que perder o tempo vindo aqui? – ela questionou intrigada. Dei de ombros. – "Alimentar meu peixe"? É sério? – e para minha surpresa, ela começou a rir. Não era uma risada sarcástica, e sim uma verdadeira e genuína. Ri junto. – Você é ridículo quando se trata de inventar desculpas. 

 

  Caminhamos em total silêncio até o salão comunal. Eu pretendia tomar mais um maravilhoso banho e vestir algo mais confortável para ver o treino, já Eudora, eu não sei. Ela tinha menos de uma hora para ir ao campo de quadribol treinar, e estava mais nervosa do que nunca. 

– Eu já disse que não tem com o que se preocupar, é só um treino. – tentei reconfortá-la. Ela apenas me olhou de soslaio e nada disse.

 

 

 

                                     ≈ ∆ ≈

 

 

    No treino, as coisas não estavam tão ruins, e se não fosse por Eudora quase ser atinginda por um balaço umas cinco vezes – se não mais –, estaria perfeito. Outros jogadores repreendiam ela, ou a xingavam. Mas para alguém que nunca jogou quadribol na vida, ela estava indo mais do que bem. 

 

   As arquibancadas estavam quase vazias, contava apenas com mais algumas meninas da Sonserina que também assistiam o treino e torciam para os seus jogadores preferidos. 

 

– Não sabia que você gostava de quadribol. – alguém disse próximo a mim. Meu sangue gelou e toda minha paz foi embora, eu conhecia aquela voz. – Ah, eu devia começar com boa noite. 

 

Higgs... O que faz aqui? – perguntei sem olhá-lo. Controlei minha vontade de ser a pessoa mais rude do mundo. – Nunca vi você para ver os treinos. 

 

– Eu quem o diga. Você está quase sempre estudando, ou na biblioteca. – rebateu e soltou uma risadinha ridícula. 

 

– Vou ir fazer isso. – falei com ligeira rispidez. Já estava me retirando, quando ele segurou meu pulso. – O que foi? 

 

– Eu... Hum, bem... Quero me explicar. Você merece saber... a verdade. – ele disse nervosamente. – Quero ser seu ami- 

 

– Se for sobre o Malfoy ter ameaçado você, eu já estou sabendo. – o cortei, e puxei meu pulso que ele ainda segurava, bruscamente. – Eu preciso ir. 

 

– Não é sobre isso. Espera! – saí dalí o mais rápido possível, não queria papo algum com aquele mequetrefe.  

 

  Fui direto para o salão comunal e deixei Eudora para trás com o treino, eu tendo a plena certeza de que ela sabia se virar muito bem sem mim.

 


Notas Finais


É isso! Espero que tenham gostado.
Se cuidem!
Lavem bem as mãos e usem álcool em gel. Até a próxima!


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