História It Was Always Meant To Be (BonKai) - Capítulo 1


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Categorias The Vampire Diaries
Personagens Bonnie Bennett, Malachai "Kai" Parker
Tags Bonkai, Bonnie Bennett, Bruxa, Herege, Impossível, Kai Parker, Malachai Parker
Visualizações 65
Palavras 10.679
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Ficção Adolescente, Mistério, Misticismo, Sobrenatural
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá amores, Espero que gostem dessa One que fiz com carinho ❤

Boa Leitura ❤😍

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction It Was Always Meant To Be (BonKai) - Capítulo 1 - Capítulo Único


Pov's Kai Parker


-Você demorou tanto que eu cheguei a pensar que não viria me tirar desse maldito karaokê. Quanto tempo passou? 5 anos? 10? Sinceramente, você não mudou nada Bonnie Bennett.- falei enquanto me remexia tentando ficar confortável na cadeira que eu permaneci acorrentado por tanto tempo que perdi a conta, o que me fez desligar minha humanidade depois de um ano. Ver aquela bruxa fez com que eu voltasse a sentir novamente, depois de tanto tempo, fez também meu sangue ferver, mas eu não podia perder o controle e matar minha carona pra casa. Quem sabe quando eu chegar lá, mesmo sabendo que depois, a culpa seria esmagadora.

Ela estava parada bem na minha frente, como da última vez que à vi, só que seu cabelo já estava bem maior, medindo um pouco mais abaixo dos ombros. Usava uma jaqueta jeans, blusa e calça preta. Não aparentava ter envelhecido, mas mesmo assim, estava mais madura. Eu a analisava minuciosamente enquanto ela andava em direção a tomada que estava com a TV ligada naquela música infernal.

-Olá Kai, como tem passado?- finalmente ela se manifestou em um tom seco. Ao ouvir a voz dela e com sua pequena aproximação, fez com que eu notasse que algo estava diferente, então ela se aproximou mais, e nesse momento eu identifiquei o que havia mudado, na verdade o que havia de errado. Sorri soprado, jogando a cabeça para trás.

-Uau Bonster, vampira am? O que aconteceu para você abrir mão de seus poderes? Algo muito grave suponho eu, não sinto mais sua magia. - ela revirou os olhos em resposta.

-Você quer saber a história de como eu virei uma vampira ou sair daqui?- ela questionou cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha.

Ponderei por alguns minutos comprimindo os lábios em seguida eu sorri abertamente.

-Eu prefiro saber a história, parece mais emocionante que sair daqui, afinal às bruxas bennetts são tão poderosas e sinceramente eu não consigo pensar em alguém capaz de destruir uma, se eu não consegui... Bom... Seja lá quem for... Merece meus parabéns. - ela bufou irritada, me fuzilando com os olhos, eu permaneci calado encarando-a de volta. Era óbvio que eu queria sair dali o mais rápido possível, porém tinha que ser esperto, afinal, Bonnie não viria aqui dizer um "oi" apenas, então ela precisava da minha ajuda para algo e eu precisava saber o que era para usar isso ao meu favor, sorri internamente.

-Eu te conheço Parker, sei todos os seus joguinhos, eu já participei de cada um. - tá legal, isso me desarmou. Ela suspirou profundo antes de continuar, como se tentasse engolir um nó em sua garganta. -Eu sei muito bem o quão você odeia mundos-prisões, e também sei que na primeira oportunidade você vai sair correndo daqui, mas sua curiosidade fala alto dentro de você, e saber que eu preciso da sua ajuda, faz seu ego se tornar ainda maior. - arqueei uma sobrancelha, afinal, Bennett havia ido exatamente no ponto, o que me deixou bastante surpreso e ainda mais interessado no assunto.

-OK Bruxa, ops... Vampira agora, sabe como é...ainda não estou acostumado. O que está esperando? Vamos para casa. - sorri animado.

Bonnie assentiu com a cabeça e se aproximou subindo no palco onde estou, me olhou por alguns minutos em total silêncio. Eu não sei exatamente o que ela estava pensando, mas vê-lá fez com que minha humanidade ligasse de novo, o fato de saber que vou estar livre fez com que uma felicidade crescesse de maneira gritante dentro de mim, claro que haviam mais partes que faziam barulho, como a culpa e a raiva, eu tinha vontade de matar ela ali e agora, mas sabia que não aguentaria a culpa depois, eu não sabia muito sobre os sentimentos, mas Bonnie conseguia fazer todas essas três citadas se misturarem, desde o momento que eu fiz a fusão com Luke ela causava isso, no início a que mais pesava era culpa, em seguida raiva, logo depois culpa, como um ciclo vicioso e o novo sentimento foi este que senti quando vi ela, um parecido com esperança, felicidade talvez? Era uma luta constante, afinal ela era a culpada por eu estar preso, mas um outro lado meu, o lado Luke, sussurrava em meu ouvido que eu a machuquei primeiro. E desde então cada dia aqui neste karaokê foi assim, até eu desligar.

Quando saí de meus devaneios Bonnie estava com uma mão nas correntes e com um olhar duvidoso sobre mim, e com um puxão apenas, fez a corrente se quebrar. Fiquei surpreso, pois tentei me soltar por um longo tempo e não obtive êxito.

-Como você conseguiu? Andou comendo espinafre Bonbon?- sorri me levantando da cadeira, esticando as pernas e erguendo os braços acima da cabeça, me alongando rapidamente.

-Haha, muito engraçado Kai. -ela pulou do palco pegando uma bolsa que até então eu não havia notado.

-Por que eu não consegui arrebentar a corrente?- perguntei curioso.

-As correntes em você, faziam parte do mundo-prisão, se você tentasse tirar não conseguiria, assim como não consegue se matar, nem secar devido a falta de sangue, igual os hereges de Lily Salvatore. -ela explicou simplesmente retirando uma bolsa de sangue da mochila.

-O que a faz pensar que eu vou ajudar você? Ou melhor, o que a faz pensar que não vou tentar enganá-la de novo? -questionei, ansioso para ouvir sua resposta. Ela parou o que estava fazendo como se estivesse pensando em uma resposta e então virou-se para me encarar, jogando a bolsa de sangue pra mim.

-Eu não sei, mas acho que se quisesse me matar já teria tentado ou se não quisesse me ajudar não teria nem perguntado. Você me causou coisas incapazes de serem descrevidas, viraram marcas, difíceis de esquecer. - acusou.

-Você também me causou coisas Bonnie... - murmurei quase inaudível.

-Eu não disse que não causei. - ela me interrompeu. -Eu te coloquei aqui e estou te tirando daqui, não por quê acho que você mereça sair, mas por que você foi o único que restou.- ela se virou para pegar uma bolsa de sangue para si, ficando de costas para beber.

As palavras de Bonnie me deixaram incomodado, mas a última frase fez com que algo dentro de mim se revirasse, ficasse agitado. Eu era a única pessoa que ela tinha, que lhe restou... Mas e seus amigos? Franzi a testa. Quando fiz menção de perguntar algo, ela se virou limpando um resquício de sangue da boca com a língua, a cena apesar de comum fez com que minhas mãos formigassem e eu comecei a suar. Eu havia paralisado, e a cena se repetia em meu cérebro de maneira mais lenta possível. Sacudi a cabeça em uma tentativa falha de esquecer a cena, até ver Bonnie se inclinar sobre o balcão para pegar algumas coisas que no momento eu nem sequer reparei. Meus olhos estavam focados em seu bumbum, que estava tão bem marcado naquela calça, que me fez umedecer os lábios inconscientemente. Mas que droga tá acontecendo comigo? Me sentindo atraído por..por.. Preciso urgentemente sair desse lugar.

Virei-me de costas passando as mãos nos cabelos, tentando me acalmar, abri a bolsa de sangue e bebi todo o líquido em grandes goladas.

Assim que eu acabei, joguei a embalagem no chão e tirei a jaqueta, eu estava suando.

-Tudo pronto Kai, vamos? -ela perguntou, me fazendo olhá-la. Ela pôs a mochila nas costas e me encarou, franzindo as sobrancelhas. -Por que seu rosto está tão vermelho?-

-Por que está perguntando isso ao invés de fazermos logo esse feitiço?- retruquei mal humorado.

Ela deu de ombros, se colocando em minha frente com o ascendente em mãos.

-Você fará o feitiço. - assenti e comecei a recitar o feitiço e logo a luz branca nos iluminou, fazendo um grande clarão.


♡♡♡♡

 Acordei no meio da floresta de Mystic Falls após o feitiço, Bonnie estava caída, ainda desacordada. Me levantei e virei de costas, pronto para ir embora e deixar a Bruxa ou melhor a ex Bruxa no chão, dei dois passos e parei revirando os olhos. Eu podia ir embora sem ajudá-lá com seja lá o que, podia simplesmente sumir, no entanto eu não queria. Bufei alto passando as mãos pelos cabelos e andei em direção a mulher no chão que começara a se mexer.

-Ei Bon, levanta. - falei agachado ao lado dela e acariciei seu rosto, enquanto a outra mão a balançava levemente. Bonnie sempre foi uma mulher bonita, mas naquele momento, tão próximo a ela, vendo cada traço de seu rosto, concluí que ela estava ainda mais bonita do que eu lembrava. Mesmo tendo certeza que eu nunca confessaria minha pequena queda por ela, afinal ela me enganou e só passou a me odiar assim que descobriu sobre meu passado... Ahh Bonbon...

-Por que tá me olhando assim?- Bonnie perguntou franzindo a testa sentando-se no chão coberto por folhas secas, começando a massagear as têmporas. Eu continuei calado a observando até seus olhos caírem para minha mão perfeitamente pousada em sua coxa esquerda. Pigarreei um pouco tirando minha mão do local e me levantei.

-Hã, ahhh… Tem uma folha no seu cabelo, não vai tirar?- Sorri soprado e cocei a nuca.

Me virei e olhei ao redor e nada parecia ter mudado, a floresta parecia estar como sempre, com suas árvores cheias de histórias e seus galhos guardando vários segredos o que é normal, já que nessa cidade sempre tem um mistério para ser desvendados o que faz ela ser bem diferente, ou seja, tudo é muito estranho por aqui de qualquer forma. Voltei a encarar Bonnie que estava de pé me analisando e ao mesmo tempo perdida em pensamentos. Piscou algumas vezes rapidamente e balançou a cabeça.

-Vamos Kai, não temos tempo precisamos ir. - um forte vento soprou em nossa direção fazendo as folhas secas voarem com força formando pequenos círculos. Segurei com força no pulso de Bonnie assim que ela fez menção de começar a andar.

-Não! Nós não temos que ir. Você só me tirou do mundo prisão depois de anos e eu odiei ter perdido mais tempo preso lá e se eu quisesse te matar eu poderia ter matado, então não queira abusar do meu bom humor porque por mais que um lado meu seja levemente bom, o velho Kai Sociopata Parker continua muito vivo e disposto a matar até mesmo você, que eu tenho uma tolerância e mesmo que o fato de ter me tirado de lá tenha somado alguns míseros pontos ao seu favor, eu não dou mais um passo com você Bennett!- Falei tudo rápido e áspero, por mais que eu tivesse mudado, eu não deixaria ela perceber aquilo muito menos os amigos dela, eu nunca mais vou abaixar a guarda e muito menos confiar em alguém. No final eu preciso me restabelecer e enquanto organizo minha vida, por que não passar um tempo com a única pessoa que restou do meu passado que eu cheguei a me importar. Suspirei pesado.

-Se quisesse me matar já teria feito isso Kai, sei também que sua ajuda não vai sair barata pra mim, afinal você vai pedir algo em troca e cedo ou tarde vai querer cobrar isso. Eu não pretendo te prender novamente no mundo-prisão, não tenho mais poder para isso, como já percebeu, eu não sou mais uma Bruxa. Agora temos que ir, prometo explicar tudo, mas temos que ir para um local seguro.-  A garota a minha frente parecia cansada, pra falar a verdade, exausta, mas continuei impassível e acenei positivamente com a cabeça.

-Tudo bem. - concordei e ela logo começou a andar em meio a floresta e eu a acompanhando.


Depois de andar alguns minutos o silêncio estava me matando, eu passei longos 20 anos calado ou falando sozinha e minha situação a algumas horas atrás era exatamente a mesma, mais longos 5 anos solitário e em silêncio, escutando apenas meus pensamentos por 20 anos e por 5, ouvindo aquela merda de música naquele maldito karaokê. Só o fato de lembrar daqueles dias fazem minhas mãos formigarem e uma raiva grande crescer dentro de mim. Respirei profundamente pela milésima vez, eu já tinha feito isso várias vezes mas  Bonnie não parecia se importar com meu visível incômodo, comecei a assobiar dessa vez uma música dos anos 70 que eu já tinha escutado algum tempo, lembro que era uma das minhas favoritas antes de ir pro mundo-prisão.


-Então Bonbon, tem como você adiantar o assunto enquanto a gente tá indo pra sei lá onde?- Perguntei gesticulando com as mãos e abrindo os braços. Ela me ignorou. -Se não percebeu eu odeio ficar calado por muito tempo e a menos que você queira me ouvir começar a falar sem parar sobre o tempo ou o que eu fiz no mundo-prisão das três vezes que estive preso é melhor você falar alguma coisa porque francament…-


-Shiii! Fica quieto Malachai. - Bonnie parou bruscamente e eu acabei esbarrando nela, já que eu estava atrás dela.


-Quê? Ficar quieto? Você tá surda? Eu acabei de dizer que…-


-Escuta? Está ouvindo isso?- ela pôs o dedo indicador em meus lábios. Parei de falar imediatamente e apurei minha audição.


-Cuidado!- gritei e empurrei Bonnie para detrás de minhas costas e segurei a estaca antes de me acertar no peito. -Mas que merda tá…-


-Temos que sair daqui Kai, temos que sair agora! Corre!-


Nesse momento eu e Bonnie começamos a correr na velocidade vampiro e de relance pude ver pessoas atrás de nós... correndo atrás de nós, pelo menos umas três, acelerei mais os passos e Bonnie logo ao meu lado, no mesmo ritmo que eu. Uma outra estaca foi disparada que pegou no tronco de uma árvore que acabara de ficar para trás, mais estacas e flechas foram lançadas, até que eles sumiram do campo de vista. Parei por um minuto e a garota ao meu lado fez o mesmo.

-O que eles são?- perguntei já voltando a pensar na ideia de ir embora.


-Eu não posso dizer, não aqui, não agora, não é seguro. - Bonnie respondeu vagamente olhando para todos os lados em alerta.

-Sua resposta foi de grande ajuda, realmente esclarecedora. - falei com ironia, virando as costas para Bonnie e me afastando um pouco, passando as mãos no rosto. Me virei de frente pra ela e vi um homem que estava atrás dela atirar uma estaca contra ela.


-Bonnie cuidado!- gritei alarmado com a adrenalina tomando conta de mim e antes que a estaca pudesse atingi-la, puxei-a para trás de minhas costas impedindo que a estaca a acertasse e nesse momento a estaca entrou do lado direito do meu peito.



-Argh!- grunhi, segurando o pedaço da madeira que não havia entrado e o puxei para fora de vez, arremessando com toda minha força a estaca em direção ao homem de rosto tapado pelo capuz da blusa de moletom preta, que havia atirado. O acertei e fiz menção de andar até o corpo caído, quando mãos seguraram meu  braço esquerdo com força.


-Não Malachai, temos que ir. - pediu em tom suplicante, me puxando pelo braço. Não protestei, seus olhos verdes me olhando de maneira que eu nunca tinha visto antes, um olhar preocupado, amedrontado, alternando olhares entre meu ombro que sangrava bastante e meus olhos. Eu estava confuso e comecei a me sentir fraco, devido a perda de sangue, eu não estava me curando o que era estranho, apesar de ser uma estaca de madeira, eu não devia me sentir assim, eu estava confuso minha cabeça parecia pesar uma tonelada, a minha visão ficou turva e minhas mãos começaram a suar.


-O que está acontecendo comigo?- perguntei um tanto grogue não reconhecendo minha voz.


-Calma, você vai ficar bem. Consegue andar? Temos que sair daqui. - Bonnie perguntou, sua voz saindo em eco, ela segurava em meu braço. Me soltei dela a afastando de maneira abrupta, meio irritado, senti minhas presas começarem a rasgar  minha gengiva e nesse momento senti as veias abaixo dos meus olhos formigarem. Dobrei meu corpo, apoiando minhas mãos nos joelhos, sentindo uma fisgada no buraco aberto em meu ombro, a dor parecia aumentar a cada minuto, fechei os olhos com força sentindo as presas se recolherem e me forcei a ficar de pé.


-Malachai! - escutei Bonnie chamar parada ao meu lado. Olhei para ela que pareceu sentir medo, não o costumeiro medo de antes, mas como quem acabara de se assustar com algo que não esperava. Seus olhos estavam focados em meus olhos e em algum ponto abaixo deles, no que eu supus ser as veias negras. Continuei encarando ela, de maneira desafiadora e intimidante, eu estava com raiva, dor e ainda não sabia o que estava acontecendo.


-Ah dessa vez não, desgraçado. - falei antes de me virar rapidamente e segurar uma outra estaca que vinha em direção ao meu peito. Inclinei a cabeça para o lado fazendo o osso de meu pescoço estalar. Arremessei a estaca e segundos antes dela acertar o homem pronunciei: -Phasmatus Incendia.-   Nesse momento a madeira em chamas entrou exatamente no meio de seu peito e o fogo se alastrou por todo seu corpo. Me virei pra Bonnie, sentindo a adrenalina passar um pouco, fazendo eu lembrar da dor dilacerante em meu ombro, tentei estancar um pouco do sangue com a mão.


-Vamos logo Bennett. - Ordenei com a voz saindo com dificuldade. -Invisiquê.- pronunciei o simples feitiço. Bonnie andou junto de mim, já estávamos saindo da floresta. -Vamos mais rápido. - mandei meio tonto e corri em velocidade de vampiro, com a garota me acompanhando, eu já sabia onde era a casa dela. Pude avistar a varanda, minhas pernas já não me obedeciam mais e o sangue não parava de jorrar da ferida, sem contar que usar o feitiço para nos encobrir estava me esgotando. Em uma última tentativa, forcei minhas pernas a correrem e elas me obedeceram, ou quase…


Caí no meio da varanda, sentindo algo corroer meu machucado no ombro, meu nariz estava sangrando e me senti muito fraco e com frio. Minha visão não focava em um ponto certo, tentei me levantar em vão. Bonnie se agachou ao meu lado.


-Kai você está bem? Consegue me ouvir? Não durma. - ela pediu, sua voz tentando transparecer uma calma que claramente não estava presente. Ela pôs as mãos trêmulas em meu rosto, o toque frio fez meu corpo se arrepiar em resposta ao contato gelado e inesperado. Tentei abrir meus olhos que pareciam mais pesados.


-Estou cansado, meu braço dói, estou com sono… - murmurei piscando os olhos lentamente, demorando cada vez mais para abri-los.


-Vou te levar para dentro, não feche os olhos, pelo menos tente não fechar.- a mulher ordenou erguendo meu corpo com certa facilidade até, me convidando a entrar em sua casa.


-O que está acontecendo?- resmunguei sentindo a dor aumentar em meu ombro.


-Você foi envenenado Kai, aquelas estacas e flechas são feitas de um material mortal para os vampiros. - explicou enquanto me arrastava andar acima, subi alguns degraus, em seguida passei por um corredor e depois Bonnie parou de frente a uma porta, abrindo-a.


-Você é vingativa, me tirou do meu inferno apenas para me ver morrer definhando, por causa de um veneno. - acusei em tom baixo, rindo um pouco e tentei pegar em seu pescoço para estrangulá-la, o que foi em vão pois eu estava fraco demais.


-Não é vingança Kai, você é minha esperança, o único que pode acabar com o inferno que estou passando se quiser me matar depois, ficarei aliviada, pois depois de 10 anos sozinha, encontrarei as pessoas que amo, encontrarei a paz. - informou de maneira simples e um pouco mórbido demais, apesar dela ter morrido, ela continuava como a mesma Bennett altruísta, Bruxa boa e viva, principalmente viva, que lutava pela sua vida e de seus amigos.


Fechei os olhos assim que ela me jogou na cama. Limpei o nariz sujo de sangue. Ela que andava de um lado para o outro pegando coisas como uma toalha e uma vasilha com água, entre outras coisas que não consegui ver, pois meus olhos teimam em ficar fechados.

-Não durma Kai, se mantenha acordado. Converse comigo. - pediu exasperada. Estava difícil pensar com aquela dor e vontade de se entregar ao sono, abri meus olhos novamente depois de alguns minutos.


-Onde estão seus amigos?- questionei com um fio de voz. Ela pareceu petrificar no lugar, sua respiração se tornou irregular, pude ouvir que seu coração acelerou, ela respirou fundo, caminhando até mim.


-Eles estão mortos. - comunicou com pesar, com dor demais carregada na voz, que transparecia pelos seus olhos marejados. Não questionei como ou porque morreram, apenas permaneci em silêncio.


-Esse veneno tem cura? - perguntei apreensivo, eu não queria sair do mundo prisão para morrer agora.


-Não. Por isso meus amigos estão mortos, só restou eu, Caroline e Alaric, eles fugiram de Mystic Falls, foram para Nova Orleans, e então só restou eu na cidade. - explicou cabisbaixo, como se estivesse com a mente longe, não prestando realmente atenção no que falava, parecia estar apenas pensando alto, ela se aproximou de mim com um pano e uma bacia de água, juntamente com algumas folhas. Me mantive calado, não sabia o que falar diante da revelação que nem de longe eu esperava. Me mexi me sentindo desconfortável, o que fez meu ombro latejar e uma dor aguda aumentar.


-E-eu.. sin...to, eu sinto muito, Bonnie. E-eu.- Não consegui formular uma frase em minha cabeça, não conseguia pensar direito e minha voz não passava de sussurros.

-Não tem problema, eles morreram já faz tempo, eu sobrevivi porque não estava aqui em Mystic Falls, voltei depois que não consegui me comunicar com nenhum de meus amigos, recebi uma mensagem de Caroline quando eu estava a caminho de Mystic Falls. Quando cheguei descobri que todos haviam sido envenenados, estavam doente e morrendo aos poucos, uma cena horrível. Em uma tentativa de salvá-los eu fiz um feitiço antigo muito poderoso que custou minha vida mas salvou a de Caroline, ela pediu para beber seu sangue pois não aguentaria viver sozinha e sentindo culpa por ter matado sua melhor amiga-. explicou sentando-se na cama bem ao meu lado.


-Por...que precisa de mim?- murmurei olhando em seu rosto e naquele momento, que senti meus olhos pesarem, lutei para abri-los novamente e a única coisas que meus olhos focaram, foram olhos verdes, lábios cheios e rosados, a pele caramelada e aparentemente macia. Ergui minhas mãos para tocá-la, tudo parecia tão frio, eu me sentia frio, e ela o oposto, mas antes que pudesse realizar a ação meus braços pesaram e eu me entreguei a inconsciência.


♡♡♡♡


Pov’s Bonnie Bennett


Assim que Kai desmaiou, preparei rapidamente uma mistura de ervas, formando uma espécie de pasta, para por sobre o ferimento, para que retardasse a infecção que o veneno contra vampiro causava por fora do machucado. Rasguei sua camisa onde o ferimento se encontrava e limpei o local, retirando todo sangue. Veias roxas e pretas ficaram  em volta da ferida, o que era um mal sinal. Apesar de Kai ser a pessoa com a qual eu nunca esperava contar, ele era o único que eu realmente precisava que estivesse aqui. Afinal, quem melhor que um sociopata que guardou rancor por duas décadas, poderia me ajudar em minha vingança contra os miseráveis que mataram meus amigos. Eu só preciso que ele sobreviva e eu espero que eu esteja certa em relação a Kai.

Fui até o banheiro de meu quarto e peguei no armário, algodão e álcool. Corri para perto da cama em que ele estava e molhei o algodão com o álcool.

-Vamos Kai, acorde. - pedi aproximando o algodão do nariz dele, espero que isso o acorde.

-O veneno vai me matar e pra poupar tempo você resolveu atear fogo em mim, Bonster?!- reclamou com a voz fraca e um sorriso que apesar de cansado, era extremamente irônico. A velocidade que o veneno se espalhava era impressionante, tornando a intoxicação mais rápida e fatal. Kai já havia empalidecido em poucos minutos.

-Não é hora para isso idiota. Preciso que você beba isso e sugue a magia do veneno. Tem que ser agora. - respondo-o ansiosa, fazendo ele beber um líquido que eu havia preparado, alguns dias antes de ir tirar Kai do Mundo-Prisão. Ele protestou tentando se afastar, mas eu segurei a cabeça dele com força o obrigando a beber.  Ele deu uma longa golada e depois começou a tossir como um louco.

-Argh! Bonnie, que droga você colocou nessa coisa, que gosto horrível.- reclamou, mas eu não tinha mais tempo, olhei pro restante que estava no copo e quando ergui a mão para ele terminar de beber, ele segurou meu pulso me impedindo de por em sua boca.

-Escuta aqui seu bastardo, você sabe que é a pessoa que eu mais odeio nessa face da terra, mas odeio mais ainda quem matou meus amigos e agora preciso de você para me ajudar, então chega de agir como uma criança birrenta e beba essa porcaria, não temos tempo Malachai, você vai morrer.-

Rapidamente ele bebeu o resto do líquido  fazendo uma careta, atirando o copo longe.

-Ok, vamos esperar só mais um pouco… - olhei no relógio na mesinha ao lado da cabeceira da cama, Kai grunhiu de dor.

-Pensei que eu estivesse sem tempo. - reclamou ele, respirando entrecortado, com sarcasmo.

Eu não podia mandar ele sugar a magia do veneno no tempo errado, isso causaria uma reação contrária, então ele morreria rapidamente. O ponteiro do relógio parecia avançar lentamente, o barulho dele parecia ter ficado dez vezes mais alto, a batida do coração de Kai parecia estar diminuindo, enquanto o meu acelerava a cada segundo. O ponteiro do relógio avançou novamente.

-Agora Kai, sugue a magia!- ordenei mas ele não se moveu.

-Não consigo me…- deduzi o que ele diria, que não consegue se mover, o veneno causava isso. Imediatamente peguei a mão dele e guiei para o lugar do ferimento, firmei sua mão sobre o machucado, deixando minha mão por cima da dele. Pude sentir as costas da mão dele esquentar assim que uma luz fraca ascendeu sobre o seu ombro. Ele estava começando a sugar a magia do local, mas neste momento, ele fechou os olhos, talvez para se concentrar mais e sugou a magia com mais força, foi então que senti um pouco da minha magia ser sugada também, não era como quando ele sugava o poder de bruxa, pois aquilo era mil vezes pior, não que estivesse bom agora, mas era suportável e era uma sensação extremamente familiar e estranha. Desviei meu olhar das nossas mãos e fitei o rosto de Kai, sua pele estava suada e ainda muito pálida, afinal ele perdeu muito sangue. Me concentrei para ouvir o coração dele, que parecia bater mais forte aos poucos, sorri minimamente, “vai dar certo”.

A luz que Kai produzia ao sugar a magia se apagou e ele abriu os olhos, respirando profundamente e me olhando, como se pensasse em algo, mas em seguida desviou o olhar para o lado, encarando uma parede. Retirei minha mão de seu peito e fiquei de pé.

-Como se sente agora?- perguntei atordoada , eu estava com medo de dar errado, como das últimas vezes.

-Sinto minhas veias pegando fogo!- ele exclamou entredentes, como se tentasse controlar a dor. -Mas o ferimento já não dói tanto como antes. - ele tentou se mexer mas grunhiu logo em seguida.

-Você vai sobreviver, vou pegar sangue para você no estoque.- falei com alívio. Funcionou, deu tudo certo, ele não morreu. Pensar que finalmente eu tinha dado um jeito de descobrir como fazer o antídoto desse veneno me deixou extremamente contente e satisfeita, eu não salvei meus amigos, mas posso salvar outras pessoas depois de um longo ano de pesquisa.

Cheguei no andar de baixo e fui direto para a cozinha, abri o freezer para pegar uma bolsa de sangue mas logo, meu semblante se fechou em uma careta.

-Droga, sem sangue.- resmunguei comigo mesma.

As bolsas de sangue que levei pro mundo-prisão, eram as últimas, infelizmente, com essa seita de loucos nos caçando, era impossível conseguir sangue sempre, ou atacar uma pessoa facilmente, o que era uma coisa que eu não faria nunca. Subi de novo para o quarto e encontrei Kai sentado na ponta da cama, ele não se moveu ao ouvir meus passos.

-Me sinto fraco, e não estou sentindo cheiro do sangue. Preciso me alimentar Bennett.- murmurou, sua voz estável, neutra, ele segurava os lençóis da cama, para firmar seu tronco, se mantendo apoiado.

-O meu estoque de sangue acabou, preciso reabastecê-lo, vou até ao hospital, para pegar algumas.- expliquei me aproximando dele.

-Eu não vou aguentar esperar, preciso agora e você pode não voltar também, e então eu morreria de qualquer jeito, ao sair e beber o sangue de um inocente, até que um daqueles lunáticos apareçam e me enfie uma estaca no peito.- falou com a voz cansada, ele realmente estava horrível, com a camisa rasgada e banhada em sangue, ainda usando o coturno preto, a jaqueta ele havia retirado e agora estava entendida na cabeceira da cama. Eu sabia que precisava dar um jeito para ele se alimentar logo.

-Bem, você está muito fraco e  nessas condições não vai me ajudar em nada, então…- me aproximei de Kai, sentando-me ao lado dele. Ele não me olhou, apenas continuava fitando o chão.

-Então…?- ele incentivou-me a falar, sua voz ainda neutra e calma, o que era muito estranho em relação a Kai, ele está sempre com ironia e sarcasmo na voz, falsidade ou atacando alguém com palavras ofensivas ou realmente atacando no sentido literal da palavra. E naquele momento ele parecia tão transparente e com as defesas abaixadas… Balancei a cabeça em negativa. Ele me encarava, esperando uma resposta. Eu pude analisar cada detalhe em seu rosto, as sobrancelhas franzidas em questionamento e os lábios em linha reta, levemente prensados um no outro, a barba rala, olheiras nos olhos e a pele super pálida, ele realmente está mal, mais do que demonstrava e acho que essa a primeira vez que fico tão perto dele por livre e espontânea vontade. Já não sentia medo, apenas uma grande mágoa.

Estendi meu pulso na direção dele, ele o fitou com a expressão confusa e incrédula.

-Quer que eu me alimente de você?- perguntou arregalando levemente os olhos e erguendo as sobrancelhas em surpresa.

-Sim, é necessário. Preciso que você esteja mais forte quando nós formos pegar sangue no hospital. A sensação de veias queimando, é porque o sangue que está circulando em seu corpo, ainda possui uma quantidade não mágica do veneno circulando, nada fatal, mas não pode permanecer aí por muito tempo, você tem que se alimentar com sangue novo e a sensação vai diminuindo.- ele me escutava atentamente. Então suspirou cansado e pegou em meu pulso, mas não como das vezes que ele encostava em mim, me puxando com força pelo pulso, me machucando, ele pareceu gentil.

-Tudo bem, me avise quando eu tiver sugando demais, eu não tenho muito controle sobre isso ainda, das últimas vezes eu acabei matando a pessoa e não queremos que isso aconteça dessa vez não é mesmo?!- ele sorriu fraco e aproximou meu pulso de seus lábios, eu assenti a cabeça, e então suas presas saltaram para fora, as veias se estenderam em sua pele e então eu senti suas presas afiadas perfurar minha pele. Ele começou a sugar meu sangue, com fome, sede… O quarto estava em total silêncio, exceto pelos pequenos grunhidos que Kai soltava, vez ou outra. Alguns minutos se passaram, senti quando as presas dele se encolheram, saindo de minha pele, foi uma sensação estranha, senti ele se alimentar de mim, principalmente por minha livre e espontânea vontade. Seus lábios permaneciam em meu braço ainda, porém ele já não sugava mais nada. Vagarosamente ele foi se afastando e se recostando na cabeceira da cama, muito pensativo. Seu olhar não se dirigiu a mim em nenhum minuto sequer e ele estava mais calado que o normal, o que era extremamente estranho.

-Isso foi esquisito. - finalmente ele murmurou, fitando o chão e logo em seguida olhando pro meu rosto.

-Sim, muito. - concordei o olhando, logo depois desviei meu olhar de seu rosto que já havia voltado a palidez de sempre. -Acho que você precisa de um banho.- comentei.

-Eu também acho. - falou em tom monótono, aquilo já estava me deixando um tanto incomodada, Kai sempre era muito falante, não parava quieto, me lembro disso, devido o pouco tempo que passamos no mundo-prisão.

-Vou procurar algo para que você possa vestir, tem toalhas limpas no banheiro.- informei indicando a porta do banheiro do quarto e andando em direção a saída.

-Ok.- pude ouvir ele dizer e escutei quando uma porta se fechou e não foi a do meu quarto. Minutos depois, eu escutei o barulho de água cair do chuveiro e então eu andei em direção ao outro quarto, este que eu estava usando devido Kai estar no meu.

No quarto de hóspedes ainda haviam roupas do Enzo, que eu acabei deixando guardada, a dor de perder ele foi horrível, mas hoje levando em conta tudo que eu enfrentei, eu consegui superar, consegui seguir em frente, como ele quis que eu fizesse, e ter algo dele ali era um lembrete que eu havia conseguido cumprir com o que ele me pedira, nem que por um curto período de tempo, mas ainda sim, pude durantes alguns anos viver, conhecer culturas e pessoas diferentes, mas se eu soubesse que tal coisa aconteceria aqui em Mystic Falls, eu nunca teria me afastado.

Suspirando profundamente, peguei a camisa preta e a calça de moletom cinza-claro. Com as roupas em mãos, saí do quarto e andei em direção ao meu quarto, a porta do quarto se encontrava aberta do mesmo modo que eu havia deixado, o som da água do chuveiro era audível, assim como a voz de Kai baixa, cantarolando uma música, me aproximei um pouco da porta com passos leves, não identifiquei a música muito menos o cantor, mas Kai não cantava tão mal. Assim que o chuveiro foi desligado, me afastei da porta jogando as roupas em cima da cama.

-Kai, as roupas estão na cama. - falei alto o suficiente para que ele pudesse me ouvir e logo andei em direção da porta. Escutei quando a porta do banheiro destrancou e então eu parei de andar. Em meio ao vapor quente que saía do banheiro, Kai surgiu enrolado apenas em uma toalha, seu corpo estava mais forte e másculo. Pigarreei um pouco para tirar a atenção de seu corpo, pois senti minhas bochechas queimarem quando fiquei o secando por muito tempo, ele não pareceu perceber pois andou tão naturalmente pegando as peças de roupas e se virando para mim sorriu. Quase um sorriso agradecido, doce. Ou simplesmente tinha pirado de vez, afinal, quando em algum momento Kai vai se sentir realmente agradecido em relação a algo ou alguém.

-Obrigado Bonbon. Espero que caiba. - ele agradeceu simplesmente e novamente entrou no quarto.

-Vou fazer algo para comer, temos que pegar mais sangue e armar um plano para pegarmos aqueles caçadores. - expliquei no automático, encarando suas costas largas. Ele já da porta do banheiro se virou para mim, assentindo com a cabeça e entrando novamente no banheiro.

Desci as escadas um pouco atordoada, minha mente estava pura confusão, a perda de meus amigos, a perda de Enzo e a atitude mais que ridícula de tirar Kai daquele maldito karaokê. De uma forma ou de outra, tudo aconteceu tão rápido, que eu não tive tempo para sofrer a perda de meus amigos, como fiz com Enzo, afinal eu não sabia e a única coisa que senti quando eu soube foi um imenso ódio, pois se eu tivesse aqui, se eu tivesse continuado em Mystic Falls, talvez hoje, todos estariam bem e eu não teria cedido a minha casa a um sociopata, ainda mais quando se trata de se vingar de uma seita maluca. Bufei frustrada, no fundo, eu só queria alguém do meu passado perto de mim, bem próximo, mas meu pensamento tinha que ser justo ele nesse momento? No fundo, eu escolhi ele por sentir culpa, por não tê-lo dado uma segunda chance, simplesmente com a descrença em que ele poderia ser alguém melhor. Ou somente pelo fato de não querer ficar sozinha.

Balancei a cabeça afastando aqueles pensamentos e fui para a cozinha. Abri a geladeira procurando algo para comer, eu não estava comendo muitas coisas saudáveis ultimamente, até porque eu raramente conseguia sair de casa. Olhei para o pote de sorvete de flocos e minha boca encheu-se de água, eu comeria aquilo mais tarde com certeza.  Dei mais uma analisada nas coisas que haviam na geladeira, material mais que o suficiente para fazer alguns hambúrgueres. Peguei tudo o que eu precisava e comecei a fritar coisas, as carnes e algumas batatas também. No fim coloquei três hambúrgueres em uma bandeja grande duas latas de refrigerante e dois copos de milkshake que eu havia feito com o sorvete que eu tinha pensado em comer mais tarde, bem, foi muito melhor fazer o milkshake.

Depois de alguns minutos com tudo pronto e notando que Kai não desceria para comer, peguei a bandeja com facilidade e subi as escadas indo em direção ao meu quarto. Eu não sabia muito bem o porquê de estar tratando Kai daquela maneira, ele não merecia meus cuidados, não merecia nada de mim, mas alguma espécie de necessidade surgiu em relação a ele, pois eu de algum modo me sinto responsável por ele, não só por ele ter me livrado daquela flecha algumas horas atrás, como também por não ter no passado o ajudado como deveria, talvez eu nunca vá saber os reais motivos, na época nunca me importou, afinal o que esperar de um sociopata sem coração?

Eu havia notado também a diferença de seu olhar sobre mim, claro que no início era raiva e surpresa por me ver no karaokê, mas depois, isso pareceu ter mudado, seu olhos começaram a me analisar, eu poderia jurar que foi um olhar quase desejoso e quando se pôs em minha frente, me alertando sobre a flecha, pareceu tão surpreso quanto eu por ter me protegido, eu nunca vou entender o porquê dele ter feito aquilo, mas salvou a minha vida, por mais que eu não gostasse de admitir, isso também é um ato que eu não vou esquecer, afinal a intenção de escolher ele para ajudar em minha vingança, foi devido ao fato de não me importar caso ele morresse, pois eu não me importo com a minha vida, e não deveria me importar com a de Kai, ele tentou me matar tantas vezes que perdi a conta, ter me salvado uma vez não faz dele um bom moço Bonnie Bennett! Suspirei irritada, balançando a cabeça e afastando aqueles pensamentos conflituosos, meu objetivo final, é apenas um, me vingar pelos meus amigos.

A porta de meu quarto estava fechada, equilibrando a bandeja cheia de coisas em apenas um braço, abri a porta com a outra mão livre e a empurrei com um pontapé, para fechá-la. Assim que entrei no quarto, me deparei com Kai deitado na cama de barriga para cima, suas mãos debaixo da cabeça, de maneira relaxada, sem camisa, apenas com a calça de moletom, seus olhos estavam fechados. Me aproximei vagarosamente, sem fazer barulho. Analisei todo o corpo de Kai, o peitoral definido, abdômen e seus braços fortes. Encarei o lugar que a ferida se encontrava, Kai havia tirado a pasta de erva do local, pude ver que estava de um tom vermelho forte, como se fosse sangrar, mas as veias roxas que estavam em volta, haviam sumido ficando apenas o buraco que a flecha havia feito, apesar do local estar aberto e tecnicamente sangrando ainda, era possível notar a melhora e o remédio que eu mesma preparei funcionou.


-Estou sentindo cheiro de hambúrguer.- ele falou baixo, ainda de olhos fechados e um sorrisinho. Suspirei pesado, me aproximando da cama e colocando a bandeja na ponta, logo Kai se sentou, fazendo uma careta ao se mexer, por causa do ombro ainda ferido.

-Preciso fazer um curativo nesse seu ombro.- comentei me esticando para pegar o vidro de álcool e a caixinha com tudo necessário para fazer um curativo, ao me esticar, fiquei bem próxima a Kai, pude sentir o cheiro do meu sabonete líquido por todo seu corpo, ele observava cada movimento meu, me acompanhando com os olhos até eu me sentar de frente para ele.

-Não preciso que faça curativo, estou me sentindo muito bem.- explicou desviando o olhar, esticando a mão para pegar uma batata-frita, jogando-a na boca.


-Você precisa sim, o ferimento vai demorar a cicatrizar, o veneno de vampiro interrompe o processo de cura e por mais que você precise se livrar do sangue que contém veneno em seu organismo, pior ainda é você ficar perdendo sangue.- argumentei me aproximando e ficando de frente para ele.

Passei um pouco de álcool nas mãos, logo depois molhando um pouco o algodão, tudo sob a supervisão de Kai, que acompanhava cada um dos meus movimentos com os olhos, ele encostou-se na cabeceira da cama, esticou as pernas e as afastou para o lado, me dando espaço para me aproximar um pouco mais, coloquei a caixinha em cima do criado-mudo. O olhar de Kai era atento e avaliativo, as sobrancelhas unidas e os lábios em uma linha reta, nem sequer me dei conta que eu analisava cada traço do rosto dele, desde a barba rala e os cabelos bagunçados, olhos de um acinzentado misterioso, frio e intenso. Está é a segunda vez que chego tão próximo dele por livre e espontânea vontade, me vi revivendo alguns momentos que tive com Kai, ele me olhava como da vez que tentou me pedir perdão, como da vez que ele tentou me explicar seus motivos e eu o apunhalei, devido ao ódio e raiva que sentia dele, vingança foi a melhor saída, eu não sabia o porquê de estar pensando nisso agora, mas o fato de eu não ter dado uma segunda chance a ela, talvez esse simples fato, tenha sido o motivo pelo qual eu tenha ido buscar ele naquela prisão, pois durante esse tempo isso ainda me incomodava.

Saindo de meus devaneios, eu ergui a mão e assim que o algodão com álcool entrou em contato com o machucado de Kai, ele estremeceu devido a dor e trincou a mandíbula, me lançando um olhar duro, ignorei aquilo, mas mesmo assim, tentei ser o mais delicada que fosse possível e talvez ele tenha percebido isso, pois logo suas expressões suavizaram. Me aproximei um pouco mais dele, deixando o algodão de lado, peguei uma gaze e coloquei sobre o machucado deixando uma de minhas mãos apoiadas em seu peito, senti o coração de Kai bater um pouco mais rápido, enquanto ele alternava o olhar entre minha mão e meus olhos em total silêncio, finalizei o curativo e quando fiz menção de tirar minha mão de seu ombro, ele segurou minha mão, meu primeiro instinto foi recuar, afinal todas as vezes que ele pegava em meu pulso, era de maneira bruta e agressiva somente para sugar minha magia, mas dessa vez seu toque foi gentil, então permaneci ali, sem nenhuma reação, ele uniu as sobrancelhas em confusão fitando minha mão e em seguida a acariciou com o polegar.

-Você tem mãos bonitas.- comentou em seu momento nostálgico, que me afetou também. Ele sorriu consigo mesmo e soltou minha mão. -Estou com muita fome, eu não me lembro qual foi a última vez que comi um hambúrguer.- comentou pegando um dos lanches abocanhando, em seguida bebeu um longo gole do milk-shake e pegou mais batatas.


-Se sente melhor?- perguntei pegando um hambúrguer.

-Sim, me sinto muito bem.- afirmou com a atenção voltada apenas para seu lanche. Bebi um pouco do milk-shake e o olhei novamente, de maneira intensa, meus olhos procuravam por seu rosto e seus gestos, como aperta com força o maxilar ao mastigar, em seguida bebe o milk-shake e mais uma batata, como se fosse uma ordem que ele não ousaria quebrar ou mudar. Sorri comigo mesma, logo me repreendendo mentalmente, assim que os olhos dele se ergueram para mim.

-Para de me olhar enquanto eu como.- mandou, com o mau humor explícito na sua voz, pegando o segundo hambúrguer.

-Eu não estou te olhando.- afirmei direcionando minha atenção apenas para o lanche em minhas mãos, eu sabia que mentia na cara dura, mas eu não admitiria que realmente estava o olhando, nem mesmo eu sei o por que de querer estar o olhando, o analisando em todos os detalhes, talvez se deva ao fato dele sempre ter sido meu inimigo, ter ele tão próximo e com as defesas abaixadas, seja algo extremamente surreal, já que ele não é uma pessoa que eu posso confiar.

-Se você diz Bonnie.- deu de ombros, ele parecia estranho, mais que o normal, mais sério e menos falante, e para alguém como Kai, ficar calado é um martírio. Decidi não questionar seus motivos, continuei comendo, logo o silêncio se estendeu, se tornando algo extremamente incômodo para mim.

-Tem certeza que está melhor Kai?- perguntei mais uma vez, a fim de quebrar o clima que pareceu ter ficado pesado.

-Não Bonnie, não está.- Kai explodiu de uma vez me encarando de forma intensa e firme, balançando a cabeça em negativa, logo depois de beber o último gole de milk-shake e ficando de pé, deu alguns passos, parando no meio do quarto, pondo as mãos na cabeça puxando alguns fios.

-Seu ombro está doendo, está sentindo algo? O vene…- O bombardeei com perguntas, ficando de pé, mas fui interrompida por Kai.


-Você é o problema Bonnie! Fica me enchendo de perguntas como se você se importasse comigo, como se eu não tivesse tentado te matar inúmeras vezes, como se não fossemos inimigos e esse fato acaba comigo, com meu lado não sociopata e desde apareceu naquele karaokê eu voltei a sentir de novo e tudo isso é uma droga, são muitos sentimentos para uma pessoa que já passou décadas sem se deixar importar-se com alguém ou ser importante para alguém e eu quero que você pare! Pare imediatamente de se preocupar de perguntar se eu estou ou qualquer coisa do tipo, por que eu não mereço isso e eu não sei como reagir a isso eu nem sequer tenho seu perdão e nunca poderei me redimir em relação às pessoas que eu já matei, perguntar se eu me sinto bem me faz sentir pior e eu não consigo me perdoar, então, por que você faria isso? Porque qualquer um faria isso? Eu não…-

Kai falando tudo de maneira rápida e atrapalhada não me deixava raciocinar direito, depois de alguns segundos eu passei a encarar seus lábios naturalmente rosados, seu rosto com traços marcantes e elegantes, como o lábio superior é mais fino que o inferior, seu peitoral definido, forte e em um impulso incontrolável eu o calei lhe agarrando pelos ombros, selando nossos lábios. Ficamos assim por um tempo, apenas com as bocas encostadas uma na outra, ele até então não havia tido nenhuma reação, eu sei que havia feito aquilo para que ele se calasse de alguma maneira, mas no meu íntimo, eu tenho certeza que foi o primeiro passo, em direção ao penhasco que me espera, e eu não sentia medo, eu quero sentir isso, exatamente isso que estou sentindo, a adrenalina o desejo, a atração que me fez lembrar dele, agora sem ninguém para me julgar ou dizer se estou certa ou não, com esse pensamento eu aprofundei o beijo, abrindo minha boca para receber a língua de Kai, que obteve reação imediata, contornando os braços ao redor de meu corpo, sua mão grande espalmou-se no meio de minhas costas, fazendo meu corpo colar-se ao dele, sua outra mão desceu da lateral de meu corpo, percorrendo o quadril, indo em direção a minha bunda, sua mão a apertou de maneira forte e com volúpia, me apertando a ele, pude sentir seu membro encostar em minha parte intima, sua outra mão deslizou por minhas costas vagarosamente, enquanto seu polegar acariciava minha pele, parando em minha bunda e a apertando forte, soltei um pequeno gemido, nesse momento ele mordeu meu lábio inferior com força, distribuiu beijos por minha bochecha, em seguida no pescoço, minhas mãos subiram de seus ombros para a nuca, embrenhando meus dedos em seu cabelo macio. As mãos de Kai desceram para um pouco abaixo de minhas coxas e me ergueram no ar, por instinto prendi minhas pernas em volta de sua cintura, ele deu alguns passos antes de me deitar na cama e ficar por cima. Ele também quer aquilo, tanto quanto eu e mesmo sabendo quem ele é, decido me entregar naquele momento.

Kai retirou minha blusa calmamente, seus olhos brilhando em excitação assim que viu minha pele exposta, coberta apenas na região dos seios, devido o sutiã que estou usando.

Nenhum de nós disse nada, apenas mantemos os olhos grudados um ao outro, tomando meus lábios de maneira possessiva e gostosa, Kai desceu seus beijos, primeiro no pescoço deixando alguns chupões ali, em seguida meu colo, enquanto sua mão viajava por todo meu corpo com carícias discretas, de modo rápido abriu meu sutiã, deixando meus seios amostra, senti meu rosto esquentar de vergonha, mas Kai pareceu não perceber, já que quase de imediato abocanhou meu peito esquerdo sugando  e lambendo enquanto aperta o direito com a mão. Minhas mãos apertaram seus braços fortes e mordi o lábio, para prender qualquer gemido, seus movimentos são precisos e gostosos, tudo só piorou quando senti seu membro roçar em meu baixo ventre. Seus lábios foram descendo, beijando minha barriga lisa, suas mãos habilidosas abriram minha calça, a deslizando pela minhas pernas, subiu seus beijos por minhas pernas, dando beijos demorados em minhas coxas, as apertando com força, sem paciência retirou, rasgou minha calcinha e sem dar tempo de me recuperar do modo que tirou minha peça intima introduziu sua língua entre minhas pernas, arrancando um suspiro audível de minha boca. Minhas mãos foram para seus cabelos, puxando alguns fios.

-Tão molhada.- Kai murmurou, sua voz rouca, transbordando desejo. Seus movimentos circulares e precisos me deixavam a beira do abismo, me enchendo de prazer, fazendo com que gemidos começassem a sair de minha boca sem que eu pudesse controlar, gradativamente, ele intensificou seus movimentos de vai e vem, meus quadris rebolam, pressionando ainda mais minha intimidade na língua dele, sem que eu pudesse me conter, uma de minhas mãos, agarrou com força o lençol da cama, enquanto a outra puxa com certa força os cabelos de Kai. Senti meu corpo vibrar conforme ele lambia com mais vigor, meu corpo se retesou, indicando que eu estava prestes a chegar em meu limite. Kai apertou minhas coxas, me puxando mais para ele, com as pernas ao redor dele, o apertei com força, sentindo meu meio se contrair, joguei a cabeça para trás e fechei meus olhos com força e atingi o orgasmos, me derramei em Kai sentindo meu corpo relaxar aos poucos, enquanto ele saboreava de meu gozo. O puxei para cima, seu rosto vermelho, respiração irregular e testa suada, só faziam minha excitação aumentar, beijei sua boca invertendo as posições, retirei sua calça, me deparando com o enorme volume de sua cueca box cinza, retirei sua cueca, seu membro pulou para fora completamente rígido. Se cerimônias o enfiei em minha boca, o sentido na minha garganta, Kai soltou um gemido rouco e agarrou em meu cabelo, comecei meus movimentos de vai e vem, no inicio devagar e depois aumentando o ritmo, engolindo Kai por inteiro, enquanto eu acariciava sua barriga.

Sem aviso prévio, Kai me puxou para cima dele, me olhou nos olhos. Eu me encontrava sentada em cima dele, sua respiração é ofega e intensa, seus lábios mais rosados que o normal, assim como seu rosto, os cabelos bagunçados serviam apenas para deixá-lo ainda mais atraente, os olhos expressando o brilho de desejo e então em um suspiro longo, ele fechou os olhos apertando minhas coxas e me pressionando a ele.


-Eu não posso fazer isso com você Bonnie.- ele sussurra, se eu não fosse uma vampira, com certeza não teria escutado.

-Eu quero.- murmurei, sentindo suas mãos  apertarem ainda mais ao meu redor. Ele também quer o mesmo que eu, é claro, nítido isso. Rebolei em seu membro ereto, o que o fez soltar um gemido sôfrego e inverter as posições.

-Eu não tenho seu perdão.- ela fala, com um pouco de raiva e frustração na voz. Suas mãos se encontram apoiadas, cada uma de um lado de minha cabeça, para que o peso de seu corpo não fique completamente sobre o meu. Sinto sua ereção roçar a minha levemente, me fazendo morder os lábios.

-Você não terá.- eu sentencio. Kai apertou os lençóis e se encaixa em minha entrada, dando a primeira estocada, lenta e profunda, arrancando um gemido de meus lábios que ele logo tratou de calar com um beijo, suas estocadas começaram lentas e firmes, enquanto distribuía chupões e mordidas pelo meu pescoço e seios. Conforme seus movimentos de vai e vem aumentavam, nossos gemidos também aumentavam, os barulhos de nossas peles se chocando só fazia minha excitação crescer. Contornei Kai com as pernas, dando mais acesso a minha intimidade, minhas mãos arranhavam suas costas sem pudor. Com o dedo Kai estimulou meu clitóris, enquanto suas investidas ficam mais rápidas, senti a mesma sensação gostosa de antes e não demorou muito para que eu atingisse meu clímax dessa vez, sentido Kai atingir comigo o ápice, derramando-se dentro de mim. Ele me encarou intensamente antes de tombar sua cabeça em meu ombro e seu corpo cair sobre o meu, sua respiração forte em meu pescoço, é uma sensação boa e diferente, nós estávamos cansados, ofegantes e suados, antes que eu pudesse obter qualquer tipo de reação, senti Kai me abraçar, seu corpo grande e pesado me esmagando por completo, apesar disso eu me sinto protegida, de uma maneira que fazia anos que eu não me sentia, seu abraço é forte, reconfortante e acolhedor, algo que eu jamais poderia imaginar. Ele se deitou ao meu lado, permanecemos calados, seu braço contornou minha cintura me puxando para perto dele, não recuei, nem relutei. Eu não sentia medo ou raiva, naquele momento eu aproveitei o momento, minhas pálpebras começaram a pesar, sentindo a respiração morna de Kai em meu pescoço.

-Me perdoa Bon?- ele pediu com a voz suave e rouca depois de alguns minutos.

-Você não precisa do meu perdão Kai.- eu murmurei, com a voz calma também. Ver Kai com as defesas abaixadas é algo estranho e inesperado, e o mesmo havia agido dessa forma mais de uma vez hoje. Tratar ele desse jeito também é novo para mim, pois sempre o vi como o sociopata que matou os quatro irmãos sem remorso e que não sente culpa por isso.

O fato de dizer que Kai não precisa do meu perdão é real, afinal, se eu não houvesse o impedido de sair do mundo-prisão, ele seguiria com sua vida, talvez voltaria para Portland a procura de Jô, eu poderia ter evitado a morte dela e de vários outros bruxos da Convenção Gemini, inclusive Liv, se eu não o tivesse prendido no mundo-prisão de 1903, ele havia feito a fusão, mudou um pouco, se dizia arrependido mas não ofereci-lhe chances de provar que era real e então ele nos proporcionou um massacre, envolvendo crianças e Jô, no dia de seu casamento. Sua mudança na época foi notável e talvez sincera e eu piorei isso acabando com suas chances de se redimir e olhando para o passado, talvez eu também tivesse cometido um erro, afinal Damon havia errado, Stefan, entre outros e com Kai foi diferente e talvez meu lado altruísta precisasse um pouco do perdão dele também, quase nada, mas ainda sim, preciso. Me aconcheguei a Kai e daquele modo, eu adormeci, nos braços daquele que eu considero um inimigo, de um sociopata.

Abri meus olhos, por instinto passei a mão no lado da cama, o corpo da pessoa que deveria estar ao meu lado nesse momento, está vazio, Kai não está deitado, sentei na cama olhando ao redor, a porta do banheiro aberta é sinal de que ele também não está naquele ambiente. Ele havia ido embora? Meu cérebro deduziu, apesar de não nutrir sentimentos profundos por ele, o mesmo sentimento de abandono que eu havia sentido no mundo-prisão, tomou conta, me atingiu como uma pancada forte e inesperada. Levantei, me enrolando no lençol branco, a casa completamente silenciosa, só me faz ter certeza que eu estou sozinha, passei pelo corredor, olhando nos dois quartos de hóspedes e banheiros, desci as escadas, olhei ao redor da cozinha procurando por ele, por último a cozinha. Kai realmente havia me abandonado. Eu não devo cobrar nada, tivemos uma noite juntos e não significa nada, ou pelo menos não deve significar.

Um nó se formou em minha garganta, apesar de ter o tirado do mundo-prisão, ter o procurado para que me ajudasse, sua retribuição foi ir embora, na primeira oportunidade, rapidamente engoli o bolo que havia se formado e ergui a cabeça, eu conseguiria vencer aqueles caçadores me vingar, sem a ajuda daquele sociopata, eu sabia que ele simplesmente poderia voltar para Portland, no instante que resolvi o tirar do mundo-prisão, talvez o simples pensamento de me ajudar não tenha sequer passado pela sua cabeça e os caçadores e seu ombro ferido apenas tenha o atrasado e para passar o tempo, ele se aproveitou do momento que eu cedi a ele, eu tomei a iniciativa, então eu não tinha do que reclamar, apesar da noite ter sido incrível, continuamos inimigos e ontem foi um momento de paz, onde esquecemos o que havia acontecido no passado e o que se passa no presente, sem pensar no futuro e eu tenho que apenas aceitar isso, pois no fundo, não importa quem, mas sempre vai acabar indo embora e eu permaneço sozinha.


Subi as escadas, fui direto para o banheiro, cenas da noite que Kai e eu tivemos, tomavam meu pensamento sem que eu desse permissão, como eu pude achar que ele poderia ser melhor? Talvez sua empatia tivesse feito ele sentir um pouco de culpa, remorso e necessidade de ser perdoado, mas isso não supera seu egoísmo, sua auto-defesa. Balancei a cabeça em negativa.

Terminei meu banho, eu deveria descobrir o esconderijo daquele caçadores e matar cada um deles, sozinha. Eu conseguiria isso, sem a ajuda de ninguém.

♡♡♡♡

UM MÊS DEPOIS

Já havia passado muito tempo desde a última noite que eu vi Kai, eu sabia desde a madrugada que ele foi, que as chances dele voltar eram nulas, mas ainda sim, algo me fazia achar que ele poderia aparecer, do nada, coisa que claro não aconteceu. Apesar disso, mantive foco total em descobrir tudo sobre os caçadores e matar um, não eram caçadores comuns, pareciam geneticamente modificados, pois a força podia quase igualar a de um vampiro, assim como os reflexos, mas ainda sim, eram mais lentos e menos poderosos. Através do caçador que segui, consegui informações importantes, desde onde eles ficavam e quantos mais ou menos eram, em torno de três grupos de seis, espalhados por Mystic Falls e o lugar que todos os grupos se encontravam, quase no fim da floresta da cidade.

O dia de atacar chegou e eu espero que meu plano funcione, mas caso não dê certo, o fato de me juntar aos meus amigos e conforta.

Me sentei no sofá com o enorme copo de sangue na mão, há uma semana atrás, venho bebendo uma quantidade maior de sangue, sentindo mais sede do que nunca, mal havia caido pro entardecer e eu havia bebido três bolsas de sangue seguidas. Bebi todo líquido do copo em uma só golada, levantei do sofá correndo para a cozinha, senti o enjoo me abater e corri para o banheiro no mesmo instante, votando todo o sangue que eu havia ingerido.   

Depois de meia hora no banheiro, esperando eu mal estar passar, eu lavei o rosto e saí do ambiente. Fui direto para o quarto me trocar, colocando uma calça jeans, uma bota preta de salto grosso e uma blusa regata cinza comprida, por cima uma jaqueta de couro. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo alto, firme. Peguei a bolsa preta com tudo que fosse necessário para concluir a missão, senti outra onda de enjôo me abater, forcei para engolir o bolo que subia por minha garganta, senti meu estômago revirar, mas talvez fosse apenas a adrenalina. Andei até a porta da frente de casa, coloquei a mão na maçaneta, resignada, eu havia demorado muito para planejar tudo e um mal estar não estragaria isso. Antes de abrir a porta, um baque do lado de fora, fez eu exitar, segurei com mais força abrindo a maçaneta da porta e a abri de uma vez, arregalando os olhos de imediato, soltando a bolsa e ponto a mão na boca para abafar um grito.

Kai se encontrava caído em minha varanda, de barriga para cima, ainda com a calça de moletom cinza que eu havia lhe dado, o corpo coberto de sangue, seus ferimentos eram profundos e ainda sangravam em abundância, o buraco em seu peito, onde havia sido atingido pela flecha do caçador se encontrava um buraco grande, o sangue que saía dali era bem mais escuro, a visão me deixou atormentada, meus olhos lacrimejaram. Me ajoelhei de imediato, seu rosto sangrava também, as veias escuras estavam amostra na pele ferida de seu rosto, os lábios secos e pálidos, olhei em volta e não havia ninguém. Kai abriu os olhos, eles estavam completamente negros, sua mão foi de encontro a minha, que se mantinha em seu rosto.

-Como chegou aqui? O que fizeram com você?- murmurei sentindo uma lágrima escorrer por minha bochecha. Apesar de ser Kai, um sociopata, um ser horrível, eu não pude deixar de me sentir culpada, de sentir a dor dele, pensei que ele havia me deixado e que estava bem em algum lugar de Portland, curtindo sua liberdade.

O puxei para dentro de casa, levando-o até o sofá, apesar dele ser grande, o fato de eu ser uma vampira facilitou todo meu trabalho, apesar de eu estar trêmula e abalada.

-Eu vou cuidar de você, vai ficar tudo bem!- murmurei com a voz rouca devido o choro que tentava controlar de todas as formas. Fiz menção de levantar para pegar tudo que fosse necessário para cuidar dos ferimentos de Kai, mas ele me impediu, pondo suas mãos em meu braço levemente.


-Não Bon.- ele sussurrou com a voz fraca. -Não dá mais.- ele diz derrotado, com pesar ao mesmo tempo que acaricia meu braço tentando me confortar, eu não sabia porquê de estar tão emotiva, mas não pude impedir as lágrimas teimosas.

-Kai eu posso te salvar.- insisti com um fio de voz, ele entrelaçou nossos dedos, me puxando um pouco mais para ele, que se encontrava deitado, me aproximei.

-Eu te salvei. Está tudo bem, eu matei todos eles, usando toda minha magia.- ele explicou devagar e respiração entrecortada. O caçador que pensou que havia matado, ele não havia morrido, eles sabiam que você atacaria e eu não podia deixar que fizessem mal a você...- ele falou, seus olhos negros voltaram a cor cinzenta no momento que a primeira lágrima escorreu de seus olhos, as batidas de seu coração é praticamente inaudível

-Kai eu posso.- suas mãos foram de encontro a minha barriga, ele a acariciou por cima da blusa.

-A vocês.- Sussurrou abrindo um sorriso cansado mas orgulhoso, nesse momento uma luz fraca se ascendeu. - O caçador sabia dele.- Kai murmurou. A luz se apagou, coloquei minha mão sobre a de dele, o confortando e me entregando ao choro.

-Kai.- balbuciei.

-Me perdoa Bonbon.- ele suplicou, apertando minha mão.

Apurei minha audição para ouvir seu coração, batendo lento, escutei mais um coração além do meu e do dele, meu bebê, nosso filho. Várias perguntas rondavam minha cabeça naquele momento, eu não sabia como isso era possível, mas de um jeito ou de outro era real, me concentrei apenas nos três corações batendo, na mão morna de Kai em cima da minha, ele sorriu e eu também sorri para ele. Eu vou ter um bebê daquele que eu considerei inimigo por anos, do mesmo que eu chamei de sociopata e do mesmo que me salvou. Pude ouvir a última batida do seu coração. Eu teria um filho de Malachai Parker e eu me senti feliz, e todas coisas ruins ficaram para trás.

-Eu te perdôo Kai.-


Notas Finais


Perdoem meus erros de português e não me matem por causa desse final gente ... Por favor opinam, adoro ler os cometários de vocês ❤


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