História It Was Always You - Capítulo 7


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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Itachi Uchiha, Izumi Uchiha, Karin, Kushina Uzumaki, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shisui Uchiha, Suigetsu Hozuki
Tags Filosofia, Hentai, Itaizu, Naruto, Romance, Sasusaku, Suika
Visualizações 34
Palavras 7.599
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


- Yo! Como vão? Espero que todos estejam bem :)

Só queria dizer que como amanhã volto para faculdade e não terei o suficiente para postar (semana de readaptação) da rotina e para não deixar vocês na mão, irei postar hoje esse capítulo e próximo. Mas não se acostumem que não vai ser sempre assim não, haha :x

Esse é meu capítulo favorito, pois, tem uma carga emocional muito grande, vocês vão entender mais profundamente os sentimentos do Itachi em relação a Izumi. E o engraçado é que por causa de um pequeno diálogo desse capítulo que criei uma one-shot Itaizu. Para quem quiser dar uma conferida, deixarei o link nas notas finais. Em fim, não vou ficar prolongando… Apenas leiam.

Avisos e afins nas notas finais.

Boa leitura :)

Capítulo 7 - VI - You and Me


Fanfic / Fanfiction It Was Always You - Capítulo 7 - VI - You and Me

C H A P T E R  VI: 

 

 Y  O  U        A  N  D      M   E

 

O que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

 

O menestrel - Shakespeare

 


Depois da confusão que arrumou com Madara sabotando a festinha particular da fraternidade, Itachi estava na sua vila.


O moreno corre e mergulha nas ondas de Cudillero que é iluminada pela luz do luar. Ele espera que o primeiro contato seja refrescante, uma emoção grande de tirar o fôlego, o tipo de arrepio que qualquer outono que se prezasse. Quando volta a superfície, se irrita. A água está morna. Ele vai contra as ondas e se esforça a descer. Prende a respiração e bóia. Cinco minutos depois, seus pulmões exigem a presença de ar. Então decide sair e se deita na areia. Com os cotovelos sustentando sua cabeça, suas íris negras observam o céu escuro pontuado por estrelas e deixa sua mente divagar pelo passado.


Para onde estamos indo? — a garota perguntara, sendo guiada pelo irmão mais velho.


Praia — respondera Itachi apertando a mão da irmã com mais intensidade.


Izumi o seguira desconfiada, até que ouvira o som das ondas. Sentira um leve tremor acompanhada da ansiedade.
As mãos do garoto tocaram gentilmente seus cabelos afastando para o lado direto, em seguida, sentira algo em sua mão direita e assim, a venda fora retirada.


Tudo bem Izu — falara rindo baixinho.


Quando as cornalinas lentamente se abriram, deparam-se com Itachi sorrindo enquanto a fitara com as mãos no bolso, ela olhara para mão direita e vira um pente dourado vintage. As delicadas florzinhas de pêssego em tule formavam um lindíssimo arranjo. Todas num tom rosa claro.


Feliz aniversário! — o garoto desejara, ao sentar na areia. 


O céu estava estrelado e a lua era cheia. As ondas estavam tranquilas e desaguavam pela areia.


Ita não precisava… Isso deve ter sido caro! — dissera sentido as bochechas em brasa. 


Ela se sentara ao lado dele e Itachi instantaneamente puxara para mais perto de si. 


Foi um pouco, mas está sendo recompensador por vê-la corar e sorrir feito uma bobona — com a ponta dos dedos, ele encostara na testa dela dando um leve toque.


O que significa esse toque? Você o fez desde quando éramos criancinhas — perguntara a garota encostando a cabeça no ombro do irmão e encolhendo-se nos braços dele por estar com frio.


Talvez um dia eu te conte — sorrira e ela mostrou-lhe a língua em resposta.


Eu pensei que fosse uma Pirralha irritante e soasse mais com uma pimenta, ou talvez, com uma planta carnívora — brincara observando o céu estrelado.


Quem em sã consciência usaria um objeto como uma planta carnívora? — ele rira apertando-a em seus braços.


Eu usaria… Se você tivesse me dado... — Izumi respondera desviando as cornalinas do céu para o rosto do moreno que corava levemente. 


Sabe aquela loja de antiguidades em frente à nossa escola?


Ah sim, àquela em que você é quase sócio? Sei sim — brincara a irmã e Itachi revirara os olhos.


Quer saber por que eu escolhi esse pente? — ela assentira com sorriso e o irmão afastara um pouco a cabeleira do ombro. — Os cabelos sempre foram muito apreciados na antiguidade. Eles eram a representação e identidade nacional. É comum que estejam ligado a força. Além de ser símbolo de beleza e feminilidade — explicara. — Seus cabelos são verdadeiras ondas perfeitas em sua cintura. Esse brilho intenso entre chocolate e as pontas âmbar é uma verdadeira fortaleza incondicional. E quando vi essa peça no Excalibur, imaginei o quão bonita você ficaria.


Izumi arregalara os olhos e enrubescera ainda mais.


— Você sempre tem uma explicação concisa para tudo — a morena falara fitando aquele belo par de ônix. — Esse foi o melhor presente que ganhei, até agora. Obrigada!


Itachi não respondera. O rapaz parecia concentrado demais nas ondas do mar. 


Logo a expressão de Izumi mudara para curiosidade, ela o analisara com um sorriso divertido.


— Você se lembra do meu sonho? — o indagara.


Finalmente a morena conseguira prender à atenção do irmão novamente.


— Qual deles? O de ser astrônoma ou de se casar comigo? — Itachi respondera cinicamente.


Ela bufara cruzando os braços.


— Não me faça lembrar isso, Ita —  rira fracamente, sentindo o coração bater descompassado. — Isso é tão bobo. Meninas já são forçadas à crescer com essa ideia na cabeça.


— De se casar com o próprio irmão? —  ele arqueara a sobrancelha com sorriso de puro sarcasmo, provocando-a.


— Não seu aparvalhado — Izumi exclamou irritada. — De se casar!


A ideia de se casar não define quem você é ou as suas escolhas — Itachi explicara a ela tirando algumas mechas do cabelo e colocando atrás da orelha dela. — Nenhuma sociedade define quem você é ou como deve agir. Em outras palavras, o significado da vida… Sartre disse que a existência humana precede sozinha qualquer sentido. 


Izumi franzira o cenho não entendendo onde o irmão queria chegar com aquela conversa. 


— O que quero dizer que, não há uma razão existencial. Não existe destino, onde somos atores de um roteiro definido. Não é Deus, nem a natureza que nos governa — o rapaz concluíra fitando as íris cornalinas com tanto afinco. Elas brilhavam em curiosidade ao misto de confusão. 


Acho que não estou gostando dessa conversa… Essa corrente filosófica parece triste. Se nascemos como o nada, sem um propósito ou destino, o que nos resta, Ita? — a morena parecia intrigada.


Só nos resta a liberdade — respondera tirando os chinelos do pé apenas para sentir a areia entrar no vão dos dedos. — Você e qualquer pessoa é livre para construir aquilo que preenche sua vida, seus valores.


Mas, e as condições sociais? Ninguém pediu para nascer pobre, passar fome e ter que se prostituir para sobreviver — Izumi replicara entrelaçando seus dedos nos do irmão.


É por isso que essa corrente filosófica é fantástica. Nós temos o poder de transformar essa realidade pronta. As coisas só vão melhorar para nós se nos posicionarmos diferente as coisas que estão acontecendo. Em outras palavras, chorar e ficar com dó de si não vai mudar nada. É basicamente isso…


Isso é interessante. Qual é filosofia da vez? — ela perguntara parecendo bastante interessada.


Existencialista — Itachi respondera e fechara os olhos para sentir o toque do polegar de Izumi desenhar círculos imaginários na palma de sua mão.


Vou ver se encontro algo na biblioteca — comentara observando o irmão brevemente para logo fitar o mar. — Gosto das suas avaliações. Você é diferente por causa disso… 


Por que falo coisas que a maioria das pessoas não entendem? — o moreno rira e Izumi não resistira em acompanha-lo.


Não seu bobo! — ela o corrigira dando um soco em seu peito. — Você poderia viver recluso numa casca e se considerar o rei do espaço infinito.


Ei! Acha que sou Hamlet? — o irmão sorrira reconhecendo a citação clássica do Príncipe da Dinamarca.


Seus pensamentos são analíticos, livres de qualquer julgamento alheio. Eles viajam para onde você quiser. É feliz com tão pouco porque você… Você é você Ita — respondera a Uchiha, encarando maravilhada às estrelas e a bela lua imponente no céu.


Então, porque você queria ser uma astrônoma? — o irmão perguntara tentando mudar de assunto.


Eu não sei responder com exatidão. Um pouco seja a influência que George Lucas despertou em mim com o universo de Star Wars, e também a fotografia emoldurada do cometa Harley que a vovó tirou — ela começara entusiasmada. — Aquilo que você disse sobre a filosofia existencialista… Quando olho para o céu, sinto que todas respostas para nosso surgimento estejam lá. E gostaria de um dia desvendar tudo isso e poder comprovar que não somos a única raça existente nesse vasto universo. 


Se um acaso pudesse sair daqui, do planeta terra, o que acha que encontraria? E se o que descobrisse não fosse o que você deseja, o que faria?


Não sei. Talvez encontrar às respostas para minhas perguntas. E o fato de percorrer um grande caminho mesmo que não obtenha o resultado da maneira que esperava, já vai ser um grande lucro, porque estarei saindo da minha própria zona de conforto e resolvi confrontar a verdade.


Itachi alisara seus cabelos para trás.


Você acha que existe vida extraterrestre? 


Mas é claro. Seria muita prepotência acharmos que somos os únicos. Além do mais, nas civilizações antigas das quais você é fascinado, os Deuses, eles não vieram de fora? Pois bem, isso explica que qualquer coisa que venha de fora do nosso planeta é ''extraterrestre''. Inclusive uma rocha espacial — respondera convicta para logo aplicar uma pergunta: — Você acha que estamos mesmo sozinhos nesse universo?


Nenhum pouco. Acho que você esta coberta de razão — ele olhara para a irmã com ternura. — Eu gostaria de conhecer essa galáxia e os outras com você.


Izumi devolvera o olhar.


Temos um ao outro Ita. Eu nunca vou abandona-lo. Nunca! — ela o abraçara e naquele momento não existia amor maior do que o deles. 


Que bom ouvir isso… — ele sussurrara com a cabeça repousada sobre as coxas dela. Os dedos de Izumi percorriam pelos seus cabelos finos e se permitira fechar os olhos recebendo aquele toque tão íntimo. 


Eu te amo.


Itachi abrira os olhos e se levantara um pouco, mas acabara se desequilibrando e caíra acidentalmente levando Izumi consigo. 


Os garotos rolaram na areia, até que o rapaz conseguira impedir que eles chegassem nas águas cristalinas. As mãos e braços fortes sustentavam seu peso sobre a jovem abaixo de si. Ele a fitara com tanta intensidade. Sentira o calor dela irradiando através do tecido fino do vestido florido, parecia a ele um absurdo aquela garota, um alguém tão frágil e delicada conseguir irradiar tanto calor. Suas bocas estão tão próximas. A respiração dela batia em seus pescoço ativando um leve tremor.


Inconsciente do ato, Izumi umedecera seus lábios e o irmão os observara estimando quantos centímetros ficavam entre eles.


Izumi rira. O riso tão feminino que o fizera sorrir.


Bom senhor atrapalhado, vamos ter que procurar meu presente de aniversário — ela falara divertida enquanto passava o dedo indicador sobre os lábios dele. 


Graças à vocês ninguém pode jantar! — gritara Sasuke caminhando na direção dos irmãos, Itachi e Izumi se voltaram para o caçula que parecia irado. — Estou com raiva e com fome!


Um novo rubor surgira no rosto de ambos, agora era completamente diferente do que das confissões trocadas algum tempo atrás. O caçula estava ali e vira a maneira tão íntima que estavam. Tão próximos, prestes a se beijarem. Embora Sasuke estivesse ranzinza devido a fome, o jovem não era inocente. Seus ônix eram observadores como de um verdadeiro falcão e nada escapara de suas vistas.


Já estamos indo! — gritara o irmão mais velho em resposta.


Não mesmo — Izumi retrucara. — Não até encontrar meu pente.


Que pente? — o caçula perguntara vendo na areia algo dourado brilhar.  — Esta falando dessa quinquilharia da idade das trevas?


A morena correra ao pegar o artefato.


Caso não saiba, um dia, você e às coisas do nosso tempo vão se tornar uma velharia — resmungara e Itachi sorrira aprovando o comentário da irmã.


Sasuke dera de ombros, caminhando ao lado dos irmãos.


Revivendo a memória, não notou a presença delgada de uma garota. 


Itachi bufa irritado.


— Vai pra casa!  — resmungou empurrando a loira para lado, afastando-a de si.


— Itachi… — ela sussurra observando o mesmo se sentar. — Você sabe que eu…


— Pare! — ele a interrompeu, sem dirigir o olhar à ela. Seus ônix estavam concentrados demais nas ondas do mar. Como se soubesse o que a mesma tinha a lhe dizer. Sim. Itachi sabia o que a amiga queria dele e não podia lhe dar. — Seja lá o que for me dizer não quero ouvir. E é melhor terminarmos nossa ficada. Não quero magoá-la, Ino.


— Eu gosto de você — confessou, pegando o queixo do mesmo de forma rude, fazendo com que o mesmo a encarasse nos olhos. — Meu gostar não é algo superficial.


— Eu sei disso… Pude perceber no beijo que me deu algumas horas atrás — disse sem hesitar. — Por esse motivo devemos parar por aqui.


— Por quê? — a voz fraca fez com que o Uchiha se sentisse um verdadeiro imbecil. Como queria dar chance à ela. Mas, sua honestidade era tanta que não queria usar Ino, não depois de conhece-la melhor.


Filha de ex-pescadores, a garota sempre teve uma vida difícil. 


A Yamanaka era órfã desde os doze anos de idade. Ela ficou aos cuidados de uma tia por parte de mãe que era sua única parente viva. E seu interesse na garota não tinha nada a ver com zelo ou segurança. Muito pelo contrário. Cassandra queria ganhar dinheiro fácil às custas da jovem.


Aos quatorze, Ino perambulava pelas ruas de Cudillero com roupas curtas entregando seu corpo como uma moeda de troca, apenas para sobreviver, e o pouco que conseguia, tinha que pagar tributos para sua tia. Caso ela não o fizesse, as consequências seriam perversas.


Numa noite de outono como àquela, seu destino havia cruzado com de Itachi.


O rapaz parecia muito concentrado observando o mar. Sua expressão era serena e pensativa. E Ino sentiu uma vontade enorme de confrontar, descobrir o que se passava naquela mente que parecia tão intocável. Mas, desistiu e voltou a perambular. Outros dias surgiram,  ela o reencontrou naquela praia. Ele não sabia que ela o observava desde aquela época.


Então uma vontade surgiu nela e se aproximou dele.


Eles conversavam sobre o quão dura a vida é. Ino fingiu ser uma pessoa que não era apenas para impressiona-lo. Não queria revelar sua origem humilde, tão pouco, queria sua piedade.


Cassandra surgira entre eles e a puxou pelos cabelos.


Sua vadiazinha, acha que pode ficar namorando enquanto me deve?!


Me larga sua bruxa! — gritara Ino.


Quem você pensa que é para tratá-la assim? — indagara Itachi num rosnado, se colocando à frente da loira.


Sai! — Cassandra ordenara empurrando o rapaz para o lado. — Essa garota é meu precioso empréstimo, e não a perderei para um vagabundo que possa engravidá-la. 


O modo assustado e vergonhoso que Ino o fitara logo após descobrir a verdade denunciava que era uma garota da vida.


Sua velha porca, você esta infringindo à lei. Para seu azar, eu sou filho de Uchiha Fugaku, o delegado dessa vila  — ele a ameaçara. — E se acha que estou blefando posso ligar… Tenho certeza que ele vai adorar elevar um papinho com você.


Cassandra vira nos ônix que o rapaz não estava brincando, então saíra dali espumando de raiva.


O que você fez? — a garota se exaltara, espalmando suas mãos no peito dele o encarando com raiva. — E agora, onde vou morar? Como vou sobreviver?


Dinheiro não é problema para mim, eu posso alugar um lugar para você ficar — ele falara seriamente. —  Nunca mais volte para essas ruas. Não como uma garota de programa.


Não quero sua compaixão! — ela gritara sentindo a raiva a entorpecer. — Pode falar puta!


— Eu não sei que lavagem cerebral àquela mulher fez na sua cabeça, mas pare de se auto rotular!  — retrucara. — Não sinto dó porque você é um ser humano com desejos e vontade própria assim como eu. E nunca, jamais… Deixe ninguém faze-la se sentir menos do que você é! 


Mas… — ela balbuciara. Aquelas palavras inspirara coragem nela, e não havia como ela contra argumentar contra aquilo.


— Rótulos, todos nós temos… Esse foi o modo perverso que a sociedade fez para enquadrar cada um no seu quadrado — ele a explicara, tirando sua jaqueta para dá-la. — Ei vamos começar de novo? Oi, sou Uchiha Itachi. Eu gostaria de ser seu amigo Ino.


Os olhos dela encheram de lágrimas e ele a abraçara.


Outra memória invadiu a mente dela.


Você não fica com vergonha de sair comigo? Seus amigos e seus irmãos podem achar isso… Bem você sabe porque eu gosto de simplesmente de… 


Ele bufara.


Já devia saber que pouco me importo com a opinião alheia. Me admira você me perguntar isso… 


Eu não quero que você tenha sua reputação arruinada por minha causa — ela falara com pesar. — Itachi você sempre foi tão bom para mim… Eu não posso fazer isso. Não depois de tudo que você fez por mim. E se hoje posso estudar e ter uma vida como uma adolescente normal foi por…


O rapaz colocara o dedo indicador em seus lábios de gloss transparente.


Eu realmente fico puto… Juro que não consigo entender: um cara que sai com um milhão garotas é visto como o tal e àquela que conseguir chegar em seu coração vibra como se tivesse ganhado na loteria. Agora em situação contraria, uma garota que é livre, independente e que sabe o que quer é vista por essa sociedade patriarcal como uma roupa, algo que você usa e quando enjoa simplesmente descarta.


As belas safiras o fitaram com bastante atenção. 


Itachi tinha o dom com as palavras, e ao ser ver ele era uma pessoa linda. Não apenas pelo sua aparência física, mas pelo caráter. E o modo como ele via as coisas, sua mente tão impenetrável; livre de qualquer julgamento o tornava tão especial. 


Saindo das lembranças, as orbes azuis de Ino estavam iguais ao mar. Mas ainda assim, ela não havia derrubado lágrima alguma. Era uma garota forte demais e também, orgulhosa.


— Gosto do que temos, da sua amizade e principalmente das nossas transas. Mas só quero que não confunda as coisas — ele esclareceu. — Não posso lhe dar meu amor, ou seja lá o que espera de mim… Eu me importo demais com seus sentimentose jamais brincaria com você, porque é minha amiga. A melhor que pude ter! Com você ao meu lado, aprendi que para ser um homem de verdade não é preciso ciscar em cada canto só para provar minha masculinidade. 


— Droga Itachi! — a loira não conseguiu conter as lágrimas. — Odeio essa sua capacidade de sempre estar certo.


O moreno ri.


— Vou te levar em casa.

 

(…)


Izumi se trancou no quarto. 


A noite estava nebulosa, vista das janelas amplas de seu quarto. O vento sopra pela grama alta na varanda de trás, fazendo a vegetação parecer um grupo de dançarinas de hula-hula. Ela resolve abrir, sentindo a brisa fria de outubro.


Cada canto daquele cômodo a faz se lembrar do irmão. Não há nada em sua estante, penteadeira, roupas e livros que não tenham a ver com ele.


Por que o amava tanto?


Você disse que podia lidar com qualquer cara, mas eu queria mostrar que estava errada. Aquelas palavras penetraram a mente de Izumi que cerrou os olhos com força, fechando ambas as mãos em punhos sob os joelhos. As pernas não se movimentavam, não havia vestígio de qualquer sorriso em seus lábios. Sentiu o corpo fraquejar, então deixou-se cair na cama. 


Seu âmago estava em pedaços. Como doía! 


Itachi tinha esse dom de ergue-la e no instante seguinte a derrubava sem dó nem piedade. 


Ela sentia que um buraco havia se formado no lugar daquele estúpido órgão que bombeava sangue para o resto do corpo. O irmão havia levado com ele a melhor parte dela: sua alma.


Tão perigoso, letal como uma dose inalada do gás sarin, sentia seus músculos debilitados, e tudo que podia fazer era tentar de alguma forma puxar o oxigênio para se manter viva.


Notou estar em cima de uma pasta branca, rapidamente seu coração saltou de seu peito ao reconhecer a letra do irmão mais velho. Ela pegou o bilhete com os dizeres:

 

Acho que posso lhe entregar seu presente de aniversário adiantado (são respostas para as perguntas do seu diário) e um poema que fiz inspirado em você há três anos.  Em fim, sei que tudo isso é inesperado, mas, você sempre me incentivou a publicar minhas histórias então espero que goste.

 

Izu, sinto muito por hoje!

 

As mãos dela tremiam. Decidida, ela respirou fundo e abriu a pasta e começou a ler as estrofes do poema.

 

Minha doce e pequena Izumi,

 

É a garota que carrega a mais bela poeira estelar em seu olhar

 

Sempre sonhou em ser uma astrônoma porque ama o desconhecido.

 

Ela é doce e seu coração nunca se acovarda

 

Ri das injúrias do mundo com a graça de uma criança

 

 O som do seu riso é convidativo.

 

Com seu jeito ousado roubara meu coração, a muito contra gosto

 

Eu não queria me sentir assim…

 

Com peso em minha mente por desejá-la da maneira que a desejo.

 

Irmãzinha,

 

És minha melhor amiga, a pessoa que mais confio no mundo.

 

Quem me dera ser o seu Romeu Montecchio e no final da história poder entrar no seu quarto com você em meus braços

 

Você sempre foi a minha razão, meu centro, a mulher dos meus sonhos que nasceu para completar-me.

 

Oh! Como dói amá-la

 

Eu nunca a vi como minha irmã...

 

Sei que és proibida para mim, fiz o possível e o impossível para esquece-la

 

 No entanto, meu coração e minha alma recusam a fazer

 

As lágrimas invadem meus olhos quando penso em ti.

 

Uma angústia profunda aperta meu peito, 

 

Pois és a dona de meus pensamentos.

 

Sonho contigo todos os dias… Acordado ou não

 

Em meus sonhos mais loucos, somos apenas eu e você.

 

Itachi e Izumi,

 

Um homem e uma mulher que desejam apenas se entregar ao amor.

 

Seus cabelos,

 

 Amo o modo como emolduram sua face e quando enrolo as pontas em meus dedos.

 

Adoro a textura de sua pele macia e o calor que irradia contra meu corpo.

 

Os lábios,

 

 Eu poderia fazer milhares de citações em relação a eles

 

Do poder que detém em mim.

 

Curioso mesmo são seus olhos,

 

Esse tom entre marrom-avermelhado é quente, intenso e vívido como os raios solares. 

 

São eles que iluminam meus dias,

 

O motivo de querer acordar todos os dias porque sei que eles estarão lá para me aquecer.


Izumi sentiu-se tonta. Não pode evitar as lágrimas finas que escorreram pela face devido as palavras tão cheias de verdade naquele poema. 


— Como você tem a coragem de dizer que isto é ruim, seu idiota? — limpou o rosto com a palma das mãos e remexeu na pasta pegando o primeiro texto.

 

 

A destruição está nos nossos genes

 

Desde quando me entendo por gente, sempre passei meu tempo com Izumi. Ela vinha para meu quarto jogar video-game, assistir desenhos e ler as revistinhas do Asa Noturna. Quando meu pai construiu a casa na árvore, ela passou a me obrigar a brinca de boneca. 


Aquela brincadeira na verdade não passava de uma percepção da realidade. Eu só me dei conta que copiávamos o mundo real quando Izumi me deu um selinho e disse que se casaria comigo. Aquilo de certo modo foi estranho, mas não tão estranho quanto eu chamá-la de querida, uma coisa que ouvia muito meu pai falar pra minha mãe. 

 

Descobrindo os sentimentos


           Quando começamos a ir à escola, sempre torcia para ficar na mesma turma que Izumi porque eu poderia observá-la de perto e também, espantar qualquer garoto que tentasse alguma gracinha.


Aos dez anos, recebi a primeira confissão amorosa. Sem pensar duas vezes a recusei. 


Passei fazer isso diariamente, até uma garota chamada Beatrice dizer algo que já sabia, mas recusava a aceitar: meus sentimentos em relação à minha irmã.


Uma coisa é certa: naquele tempo não havia a malícia.

 


A jovem ajeitou o travesseiro em sua cabeça. Ler o que Itachi pensava de si estava lhe matando. 

 

Complicações


         Aos doze comecei a passar pela estranha transição da adolescência. Tudo entre nós aconteceu de uma maneira peculiar. Comíamos sorvete juntos, e a vontade de lamber o canto da boca dela era enorme. Meus hormônios falavam mais alto e não gostava de ficar sozinho com Izu porque não confiava em mim mesmo.


Por mais que tentasse romper essa ligação, não conseguia. Izumi era a única companhia que eu gostava, não era apenas porque é minha irmã, mas porque ela é a pessoa em que mais confio no mundo. 


Novamente, suas íris estavam cheias de lágrimas, as palavras estavam embaçadas.

 

Amar é um verdadeiro caos


       Aos quinze, eu compreendi que estava completamente apaixonado pela minha doce irmãzinha e odiei isso. Então, passei a sair com algumas garotas apenas para fingir que não tinha sentimentos por ela.


Todas as provocações e brincadeiras que fazia para mascarar meus verdadeiros sentimentos começaram a se tornar óbvio demais.


Quando ela me pediu que a ensinasse a beijar, tenho certeza que foi nesse momento em que me dei conta que já a amava. 


Eu repetia o beijo na minha cabeça constantemente, até quando estava com outras garotas.


Totalmente errado e deliciosamente proibido


Aos dezesseis, continuei a persistir no erro. Deixei o que tínhamos se transformassem em beijos escondidos e fugas nas madrugadas para seu quarto. Aquilo era um terrível e grande erro. 


Izu sabia, eu sabia, mas por que diabos continuávamos com aquilo? 


Sempre falava para mim mesmo ''só hoje'', quando me dava conta, meus lábios já estavam colados aos dela; a desejando cada vez mais.
Admito, merecia um troféu pela resistência.

 

A culpa é uma aflição poderosa


A sensação de sua boca sobre a minha pele fazia desaparecer qualquer pensamento coerente. Foi tão bom provar seus lábios e não ter que fingir que não era real.


Tinha quase me convencido de tudo ficaria bem quando ela me chocou com suas palavras, que me arruinaram por inteiro.


''Acabar na cama juntos seria algo tão errado?''


Assustado, a empurrei para longe. Foi a coisa mais difícil que tive que fazer, mas era necessário. Expliquei que nunca poderíamos deixar as coisas irem tão longe.


Então minha irmã fez aquela cara que odiava ver. Ela estava prestes à chorar e não suportava a ideia de magoá-la. Então Izu disse implicitamente seu real sentimento.


'' Dane-se as pessoas! Eu não me importo com que elas pensam ou deixam de pensar. Só me importo com você! ''


O que eu poderia fazer? 


Não podia alimentar essa loucura. 


Eu a abracei tentando não sentir nada, mas, o aperto dos seus braços em volta das minhas costas estava o epicentro de tudo. Podia sentir seu coração bater contra a mim, e o meu imediatamente acompanhou seu ritmo. Nossos corações se comunicavam; eles falavam coisas que nós não podíamos exprimir em voz alta.


Ela enrolou-se na cama, limpou as lágrimas e pegou outra folha.

 

Caindo aos pedaços


            Você tem que tratar o vício por uma pessoa do mesmo jeito que trataria por um alucinógeno. Se não pudesse ficar com Izumi por inteiro, então não queria nenhum contato com ela porque isso causaria abstinência. 


Depois disso passei a me distanciar. Deixei que a culpa e uma necessidade profundamente enraizada de protege-la de mim mesmo ganhasse sobre a minha própria felicidade. 


Fui velejar por Astúrias e passei a morar Siero. Durante esses três anos longe de Cudillero foi um verdadeiro inferno. Parece duro o modo como a evitei, no entanto foi preciso. Não conseguia ouvir a voz dela e não poder estar com ela. Pedi que Sasuke fosse o mais discreto possível, quanto menos soubesse de minha Izumi, menos dor sentiria.


Mero engano. Eu amava essa garota, não podia fazer nada contra isso.


Não se passava um dia sem que eu pensasse nela com outro. Isso me deixava louco. Ela estava tão longe e não podia fazer nada que pudesse protegê-la como irmã, mesmo que não pudéssemos ficar juntos.


Doentio? Eu sei. Mas se um babaca a magoasse? Nem ficaria sabendo e não poderia dar uns socos no cara. 


Esperava que essa emoção no meu peito passasse com tempo, mas nunca passou, apenas se intensificou. 


Meu amor por ela me torturou durante anos.


Izumi fechou os olhos apertando as folhas em seu peito, como doía respirar. As lágrimas não cessava de seu rosto avermelhado. Os soluços e toda aquela dor de um coração partido estava sufocando, matando-a aos poucos… Aquela constante nunca iria parar… 


Mais dor… Menos dor… 

 

Condenado a reviver o passado


          Após terminar o ensino médio, aos dezenove, comecei a trabalhar como repositor no supermercado da esquina, até que recebi uma carta da minha mãe me pedindo para voltar pra casa.


Depois de tanto tempo, não sabia como encará-la. Minha doce irmãzinha não iria querer me ver, mesmo que ainda se importasse comigo. Apesar dos receios, estava em solo Cudillero, na vila de pescadores onde havia nascido: meu lar.


Não queria admitir que Izumi estava ainda mais linda do que me lembrava. Os cabelos chocolates estavam mais cumpridos e as mechas âmbar destacavam o tom marrom avermelhado de seus olhos, senti falta da sua pequena pinta do lado esquerdo abaixo do olho, o jeito que vestido branco apertavam seus seios fez o sangue pulsar em minhas veias.


Só fiquei ali lhe encarando. O cheiro familiar de baunilha era inebriante.


Tudo que acreditei superar; uma mentira se desfez. Aquela menina-mulher me fez perceber e sentir tudo de novo, mesmo que não pudesse lidar com isso.


Não vou mentir que no início fiquei frustrado com a maneira hostil da qual a mesma me tratou nas duas primeiras semanas. Então, acho que ela não resistiu me evitar quando passei a andar com Ino. Aquilo por mais bizarro que fosse, me confortou porque significava que minha Izu ainda se importava comigo…

 


Ela sente o sangue ferver em suas veias. Uma parte dela queria continuar a ler, a outra implorava para parar. Sua testa começou a suar e seu quarto parece imenso.

 

Tudo se resume em você

 


          Tinha me esquecido o quão revoltosa essa garota é… 


A quase morte dela foi a pior coisa que senti em toda a minha vida. Se Izumi tivesse morrido afogada, eu nunca teria a oportunidade de dizer o quanto a amei e o quanto morria a cada dia por causa da saudades que sentia dela…

 

Ódio e o amor são como uma faca de dois gumes: apenas deve aceitar esses sentimentos


           A cada palavra escrita naquele diário me sentir como um monstro. Eu a machuquei tanto que não entendia como ela continuava a me amar. Aquilo que ela enxergava como amor, eu via como um pecado. Mas, ainda assim… mesmo sabendo que tudo isso é errado, eu preciso dela.


O beijo que ela trocou com Suigetsu e as palavras do diário me fez perder o meu auto controle. Sei o quanto meu amigo é apaixonado por Karin, no entanto, o ciúme foi a única coisa que pude enxergar.


Dei graças aos céus por Izu achar que eu a via apenas como irmã. Não queria sustentar aquele sentimento de culpa de anos atrás.
No fim daquela noite turbulenta, olhei em seus olhos. Aquelas íris me fez lembrar que estava olhando no fundo de sua alma; do quanto me senti tão amado. Por isso, seria eternamente grato.


Encarava seus lábios querendo beijá-la, mas sem poder. 
Essa era a primeira vez desde que nos reencontramos que realmente me dei conta do quanto Izumi me desejava. Nosso desejo era tão poderoso naquele momento que dava para sentir os apelos de nossos corações.


Não se pode prever o que seu corpo quer, apenas decidir se faz algo a respeito. Quando me dei conta meus lábios já estavam sendo consumido pelos dela. Estava tudo bem em ter esses sentimentos desde que não fizesse nada. Era natural.  

 


A Uchiha puxou o ar com força e ergueu a cabeça, deixando os olhos vagarem pelo aposento até voltar ao última folha.

 


                           A verdade é que sempre te amei


                 Aquele babaca do Madara encheu a cabeça de Izu com minhocas, e ela foi aquela maldita festa! 
Meu corpo inteiro se tencionou ao vê-la em trajes íntimos dançando sensualmente para aquele desgraçado. A vontade de mata-lo não era somente ao fato dele estar mexendo com minha irmãzinha, mas porque ela é a única mulher no mundo que me importava e não poderia ter.
Vencido pelos desejos mais obscuros da minha mente, eu estava completamente com ciúmes e deixava isso transparecer. Então lancei à ela um desafio. Sabia que Izumi não iria fugir e soltei um suspiro quando sua pele estremeceu contra a minha. Ela fechou os olhos enquanto eu explorava seu corpo. Meu coração estava acelerado como se dissesse a mim o quão idiota sou por não perceber que isso era exatamente que eu sempre quis.


Precisava saber se Izumi sentia as mesmas coisas, ao fitá-la, vi em suas íris o mesmo sentimento. O amor era recíproco. Foi aí que me dei por vencido e parei de mentir para mim mesmo. Minha mente, coração e alma pertencia somente à ela. 


Naquele instante, esqueci do tempo e espaço. Era como se fosse eu e ela… Não havia culpa ou a ideia de estarmos cometendo um sacrilégio. 


Então as vozes furiosas de nossos pais nos procurando me fez despencar do paraíso e voltar ao inferno. Mais uma vez tive que tomar as rédeas, precisei jogar um choque de realidade em nós. Percebi que não podia lidar com meus próprios sentimentos. Eles são corrosivos e traiçoeiros…

 


Ao fim da leitura a jovem tremia. Fechou a mão direita em punho e respirou fundo, tentando esvaziar a mente. Pegou o porta retrato que estava em cima do criado mudo, examinou a imagem com atenção. Com a costa da mão limpou os olhos e sorriu ao ver um Itachi de dez anos lhe carregando em suas costas. Ao lado estava Sasuke com a feição emburrada e eles em contrapartida, sorriam.


Fungou.


— Não me deixe! — ela ouviu os gritos desesperados do irmão mais velho, então se recompôs. 


Assustada, resolveu sondar o que estava acontecendo.


No quarto, o rapaz se contorcia enquanto gritava sem parar.

 
— Não me deixe… Eu preciso de você! — a respiração estava irregular, a roupa de cama tinha caído no chão.  — Por favor! — ele gritava em puro desespero.


O coração de Izumi estava acelerado enquanto o balançava. 


— Ita, acorde...


Ainda meio adormecido, ele pegou e apertou sua mão tão forte. 


Quando finalmente abriu os olhos, Itachi ainda parecia confuso. Suor brilhava da testa. Ele se sentou e a olhou em choque como se não soubesse onde estava. 


— Sou eu, Izu... — ela sussurrou gentilmente sentando-se na ponta da cama, alisando gentilmente os cabelos negros para trás. — Você estava tendo um pesadelo. Eu o ouvi gritar e achei que tinha algo errado. Está tudo bem?


O rapaz respirava com dificuldade. Afrouxou o aperto na mão de sua irmã, recuperando a razão. 


— O que você estava tentando fazer comigo quando estou semiconsciente? — questionou com sorriso brincalhão. — Não me diga que estava me usando como um boneco para seus fetiches sexuais?


— Você tá me zoando? — ela indagou incrédula. Já tinha aguentado o bastante dessas brincadeiras ridículas. 


Talvez seja pelo fato de estar esgotada por não estar dormindo ou talvez porque apenas atingiu seu limite com todas aquelas gozações sem graça, mas ao invés de responder, de confrontá-lo como sempre fazia, Izumi bateu no peitoral dele com toda sua força. 


Ele riu, o que a irritou ainda mais.


— Bem, já era hora. 


 — Como é que é? — perguntou a morena, arqueando a sobrancelha o fitando confusa.


 — Eu estava querendo que você perdesse a cabeça  — Itachi disse rindo.


— Você acha que é engraçado me fazer perder a cabeça assim?


 — É que você é engraçada Izu. Sabe, muito engraçada mesmo! — confessou com aquele sorriso exuberante a fim de tirar toda a sanidade dela.  — Nada me diverte mais do que te tirar do sério.


— Estou feliz que você ache isso  — as lágrimas estavam se acumulando em seus olhos marrom-avermelhados. 


Aquelas íris me fez lembrar que estava olhando no fundo de sua alma; do quanto me senti tão amado. Por isso, seria eternamente grato. As palavras dele vieram com uma força estrondosa em sua mente. Izumi não sabia se sentia sensível por causa da confissão do irmão ou por causa do seu período fértil. Talvez fossem as duas coisas e não podia fazer nada para controlar essas emoções. Tentou cobrir o rosto, mas sabia que ele tinha visto a primeira lágrima cair. 


O sorriso de Itachi sumiu. 


— Que merda!


Precisava sair dali. Não tinha como explicar sua reação para ele se nem ela mesma entendia. 


A garota virou e saiu batendo a porta do quarto. Jogou-se em sua cama, puxou o edredom sobre a cabeça e fechou os olhos mesmo que fosse impossível dormir. Sua porta se abriu e a lâmpada foi acesa. 


— Oferta de paz? — ouviu o moreno sussurrar e puxar a colcha macia. 


Quando ela abriu as cornalinas, para sua mortificação, ele estava ali com aparelho mecânico na mão. Não era qualquer vibrador, era o seu brinquedinho de borracha lilás. 


Itachi o balançou. 


— Estou devolvendo — o sorriso zombeteiro continuava em seus lábios. — Você está chorando de verdade? 


O quarto estava em silêncio. O irmão estava de pé parado em frente à sua cama e Izumi permanecia do mesmo modo:escondida. 


Ouviu um click e um som de oscilação. Sentiu o peso dele na cama. 


— Se você não sorrir, então terei que fazer cócegas em você com seu amiguinho —  ele tocou o vibrador em seu quadril e a garota se encolheu, tirando o edredom de cima de si. 


Ela tentou pega-lo, mas o irmão parecia não querer ceder. Continuou provocá-la com o objeto de plástico fazendo movimentos rápidos; atrás de sua perna, nas costas, no pé. 


Izumi estava lutando para não rir.

 
— Pare!


Sem chances. Todo o controle foi perdido quando ele colocou o vibrador embaixo de seu braço, o que a fez rir histericamente. 


A risada dela vibrou contra o ouvido dele. 


Izumi não sabia como havia acabado rolando na cama no meio da noite com o irmão lhe provocando com um pênis de borracha. 
Ela ria tanto que suas lágrimas escaparam de suas belas cornalinas. Sua barriga doía e o ar lhe faltava. Pensou que fosse morrer de tanto rir. 
Morte pelo vibrador, até que não seria ruim.


 Itachi finalmente o desligou e Izumi levou um bom tempo para recuperar o fôlego. 


— Missão cumprida! — falou satisfeito, devolvendo o objeto de plástico. — Tome. 


— Obrigada — disse desconfiada, arqueando a sobrancelha.

 
— Festa na sua calcinha amanhã à noite?


— Muito engraçado — resmungou a morena sarcástica, o colocando debaixo do travesseiro e fazendo uma nota mental para colocar em um lugar melhor para esconde-lo.


O moreno se deitou do seu lado com a cabeça encostada em um de seus braços. Mesmo que ambos não estivessem se tocando, Izumi podia sentir o calor do corpo dele enquanto ficavam ali em silêncio. 


As cornalinas e a ponta de seus dedos vagavam pelo tecido de algodão da camisa dele. O desejo foi acumulando dentro de si. A  cueca boxer preta da Calvin Klein estava aparecendo no topo da calça cinza. Os pés do irmão estavam descalços, e ela se deu conta pela primeira vez, de como eles eram sexy. Forçou suas íris em outra direção e olhou para penteadeira.


— Existem cinco coisas que quero fazer antes de morrer — ele começou com a voz baixa, pegando a mão direita de Izumi e entrelaçando seus dedos nos dela. A jovem virou o rosto em sua direção assentindo. O rapaz estava se abrindo… Sendo o Itachi gentil e amável do qual ela sempre foi apaixonada. Cada palavra, cada gesto, tudo nele a interessava. — Realmente quero poder velejar pelos seis continentes… E pretendo comprar o Sharigan do nosso pai.


O toque dele foi eletrizante. A morena nunca imaginou que apenas segurar a mão de alguém a faria sentir tantas coisas. 


— É bem sua cara… Você é quase Aquaman — brincou ela, aconchegando sua cabeça no peito do mesmo sentido o aroma masculino Ferrari Black e ouvindo a batida lenta e ritmada de seu coração. Viu um lindo sorriso adornado nos lábios dele. Mas não era qualquer sorriso. Aquele não era debochado, malicioso ou provocador. Nada disso… Aquele era o sorriso tão quente e acolhedor. O melhor sorriso que o irmão já lhe deu, e a jovem queria guardar aquele momento nas suas memórias para sempre. — E essa é a primeira coisa da sua lista?


O rapaz balançou a cabeça negativamente. 


— É a quinta coisa — respondeu, apertando sua cintura contra seu abdômen. O tecido fino da camisola não impedia de sentir o calor da pele dela. 


— E a quarta? — quis saber, e Itachi não pode evitar de olhá-la nos olhos.  


— Refugiar no Monte Everest apenas para ver o sol nascer. E quem sabe, tenha a sorte de encontrar um monge e aprenda alguma coisa com ele — piscou divertido.


— Seria bom mesmo, pelo menos ele ensinaria você a ser menos pervertido — ela entrou na brincadeira, continuou a sustentar aquele contato visual. De repente, teve muita vontade de tocar os lábios dele e foi o que fez. A ponta dos seus dedos passeavam pela boca do jovem. E aquele belo par de ônix tão penetrantes a consumia. 


O rapaz fez uma careta e Izumi não pode evitar o riso.


 — E qual a terceira coisa?


— Atravessar a Europa de bicicleta — falou o moreno empolgado. — E a segunda é passar uma temporada conhecendo a fauna e a flora da Amazônia junto com os nativos. 


Itachi desde criança sempre gostou de aventura: descobrir novos lugares e explorar às belezas naturais do planeta. Prédios modernos, tecnologia e conforto nunca lhe chamou à atenção. História sempre foi sua matéria favorita na época da escola. O conhecimento antigo, as grandes civilizações, tudo instigava seu pensamento. Ele gostaria de obter pelo menos um porcento da sabedoria dos ancestrais e ser um alguém que deixasse sua marca no mundo, assim como os egípcios deixaram as grandiosas pirâmides de Quéops.


— Hm… — ela murmurou pensativa.


O silêncio pairou pelo quarto. Ambos estavam mergulhados demais nos pensamentos. Como Izumi tinha sua atenção, usou a oportunidade para mudar de assunto, resolveu quebrar taciturnidade:


— O que realmente houve… naquela noite no luau da Akatsuki? Eu realmente não me lembro de muita coisa. Só sei que estava muito bêbada…E o modo como me ofendeu.


O Uchiha riu nervosamente.


— Porque apesar do que você pensa e do fato que eu adoro te perturbar... Não quero te machucar — ele começou, ponderando as palavras.


O preto de seus olhos se acenderam. Itachi ficou confortável e relaxou no travesseiro.


— Eu não entendo — disse, e o moreno pode atestar a confusão nos olhos dela.


— Deidara estava lá naquela noite. Foi ele quem me contou que ouviu do próprio Madara apostar com Hidan sobre como iria te drogar e filmar… você sabe — fez um breve pausa. —Aquele idiota queria provar que você não estava imune só por ser minha irmãzinha —  falou, ao sentir o sangue ferver em suas veias observando o teto.  — E se não tivesse feito o que fiz naquela noite e não a tirasse de lá a tempo, provavelmente um vídeo seu estaria rolando naquele blog ridículo chamado Susanoo.


— Meu Deus! — Izumi exclamou, cobrindo a boca em seguida. Estava estupefata e perplexa com toda àquela revelação. 


— Então sim... Eu bati nele. Não me arrependo! — o rapaz a olhava tão atentamente. 


A morena suspirou pesadamente e desviou o olhar. 


— No fim você estava o tempo todo me protegendo? — parecendo desconfortável, Itachi se mexeu e acomodou o rosto dela bem próximo ao seu. 


— Não sabia como te contar o que ele planejava. Você é teimosa demais Izu… e só ouve o que quer — confessou, passando a mão áspera na bochecha direita dela e a garota fechou os olhos sentindo o toque. 


Ela queria chorar. 


O irmão estava lhe protegendo como sempre fizera. Não sabia o que tinha feito para merecer ver esse lado mais doce de Itachi, mas havia amado; mais do que poderia supor. 


— Obrigada. 


— Eu te amo. Não importa o que aconteça, eu sempre vou protege-la! — ele falou sem hesitar. 


Apesar do desejo à flor da pele, os dois se abraçaram timidamente. Era difícil encarar um ao outro. Primeiro porque era como se olhar no espelho; as semelhanças entre os dois impressionava.


Izumi esboçou um sorriso radiante ainda de olhos fechados. Foi aí que me dei por vencido e parei de mentir para mim mesmo. Minha mente, coração e alma pertencia somente a Izumi. Novamente, as palavras daquelas cartas que estavam naquele momento no chão de seu quarto vieram em sua mente. Aquele era o instante para ouvir o que sempre quis ouvir: a confissão do irmão em voz alta. 


— Ita… — o chamou, de repente sentindo o sangue circular em suas veias rapidamente e o coração palpitar de ansiedade.


Os rostos estavam a poucos milímetros um do outro, reparou que não somente sua respiração que estava alterada com a aproximação. Itachi a olhou com confusão explicita em sua íris negras.


É agora ou nunca Izumi - pensou controlando o nervosismo.


— Então… — começou suavemente, não sabendo exatamente por onde começar, mas nunca desviando o olhar do dele. — Qual é a primeira coisa da sua lista? — ela sussurrou a pergunta, incapaz de falar mais alto do que aquilo.


O Uchiha pareceu hesitante, todo seu corpo parecia ficar tenso. A jovem o viu querendo desviar os olhos do seu e puxou o rosto dele, encostando a testa na dele, aproveitando que o travesseiro os deixava na mesma altura.


— Quer saber mesmo? Acha que pode lidar com a verdade? — o moreno a questionou com desafio, acompanhado de um brilho no olhar que Izumi não soube identificar.


Ele sentia o coração cada vez mais acelerado, especialmente quando a mão direita de Izumi passeavam em seus cabelos negros e a respiração dela batia em seu rosto.


— Sim — a Uchiha falou com a certeza absoluta, e o rapaz tirou sua mão da dela e a colocou no queixo da mesma enquanto ele a encarava seriamente.


Respirando fundo, Itachi juntou toda a coragem e sentiu o coração vir a boca em expectativa.


— Você.

 

 

E tudo que eu posso sentir é este momento

E tudo que eu posso respirar é sua vida

Porque mais cedo ou mais tarde isso acabará

E eu não quero sentir sua falta esta noite

 

E eu não quero que o mundo me veja

Porque não creio que eles entenderiam

Quando tudo estiver destruído

Eu só quero que você saiba quem eu sou


Notas Finais


Músicas do capítulo:

Photograph - Ed Sheeran

Iris - Goo Goo Dolls

Playlist: https://www.youtube.com/playlist?list=PLGMUktRvi9iUmIuWVxTrho8jQN8jkBYgf

One-Shot: https://www.spiritfanfiction.com/historia/reason-9341679


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