História It's Been A Long Road - Capítulo 10


Escrita por:

Postado
Categorias Linkin Park
Personagens Brad Delson, Chester Bennington, Dave Farrell, Joe Hahn, Mike Shinoda, Personagens Originais, Rob Bourdon
Tags Bennoda
Visualizações 20
Palavras 4.177
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi meus amores!
Um mês depois eu apareço, que feio né? 😂
Mas aqui estou. Já explico que a minha demora é por que comecei a trabalhar, junto com a faculdade e outros compromissos pessoais dá uma apertada, mas a gente não desiste né? Passei um mês escrevendo esse capítulo aos poucos e aqui estamos!
Espero que gostem!
Boa leitura! 💕

Capítulo 10 - Family Don't End With Blood


Fanfic / Fanfiction It's Been A Long Road - Capítulo 10 - Family Don't End With Blood

       Chester Bennington – POV.

Depois daquele final de semana na casa de Mike achei que as coisas iriam melhorar entre eu e ele, como melhorou com os outros caras. Mas não, ele chegou fazendo cara feia e depois sendo extremamente estúpido comigo. Não sei até agora o motivo. Os caras pensam que é ciúmes por que Rob estava escorado em mim, mas eu penso que não seja isso. Mike não parece ser uma pessoa ciumenta, e se for... Logo de mim? Ou seria de Rob, e ele descontou em mim?

Não faz sentido.

Também, por que estou me importando com isso? Ele deixa claro que tem um problema comigo que às vezes esquece, e quando lembra, vem com força total.

Depois da aula, chego em casa e vou direto para o meu quarto. Tana e Collins ainda não chegaram do trabalho, Amanda foi tomar banho e eu aproveito esse tempo sozinho. Penso e não chego a nenhuma resposta plausível na questão Mike Shinoda. Ele me odeia, cada vez deixa mais claro isso. Por que eu insisto em querer ter ele por perto? Ou ser aceito por ele? Tenho que ligar o foda-se para ele tanto quanto.

Coloco minhas mãos atrás da nuca e suspiro fundo. Por que eu me importo tanto?

*

– Chazy! Chazy! – Amanda me acorda balançando meu braço. – Seu celular está quase morrendo de tanto gritar.

Esfrego meus olhos tentando lembrar de quem sou eu e Amanda me entrega o tal celular. Bocejo e então atendo.

– Alô?

– E aí moleque! Tá em cima a tua vinda para cá?

– Quem está falando? – Pergunto me sentando na cama tentando reconhecer a voz na linha.

– Eu vou encher tua cara de tapa. É a sua tia, pirralho! Lembra que tinha combinado comigo de vir esse final de semana em Palos Verdes, ou a maconha já tá te fazendo esquecer das coisas?

– Eu não uso… – Pisco mais forte. – Tia Jake?

Bingo! – Ela comemora. – Vai vim mesmo, viado? Tô te esperando aqui!

– Hmm… Olha, tia, eu acabei de acordar e no momento nem sei quem sou eu. – Me estico para ver a hora no rádio-relógio.

– Sinais claros de neuronios queimados pela maconha.

– Já disse que não uso. – Começo a rir.

– Eu também dizia isso na sua idade. Bom, onde estão os seus responsáveis?

– Eles estão trabalhando, logo estão aqui. – Torno a me deitar.

– Você tem meu número salvo, não é?

Olho o celular e vejo a chamada com o contato "Tia Jake Louca" - ela mesmo que colocou esse nome da última vez que fui ver ela.

– Ahm… Sim.

– Então me liga mais tarde, pirralho. Até!

– Tchau… – Antes de eu falar, ela já havia desligado. – Tia. – Sorrio.

Esfrego meus olhos e me sento de novo na cama. Tinha esquecido completamente de que havia combinado de ir passar o meu último final de semana com ela antes de voltar para o trabalho. Tia Jake sempre foi muito presente na minha vida, e sempre gostou muito de mim. Ela é a irmã mais nova da minha mãe, mora em Palos Verdes, preferiu se mudar para lá quando minha mãe resolveu se mudar para Agoura Hills mantendo o seu salão de beleza, e foi a melhor coisa que ela fez por ela. Quando saiu a confusão com os meus pais, ela até levantou a hipótese de me levar para morar com ela, mas ela não para em casa e eu já estava trabalhando e estudando aqui, deram prioridade para os Dempsey e ela abriu mão, reconhecendo que não seria bom para mim, que eles dariam mais estabilizade para mim do que ela, mas sempre entra em contato, desse jeito maluco e espontâneo dela.

Lembro de quando Tana resolveu entrar em um processo contra os meus pais. Me dá um arrepio ruim na nuca.

*Flashback on:

Estava num frio intenso e úmido, poucas pessoas na rua e um silêncio incomum pertencia ali, os únicos ruídos da praça era dos dentes de Chester que batiam e da respiração descompassada para tentar esquentar o corpo com poucas roupas para se aquecer. Esfregava as mãos nos braços finos em busca de calor, coisa sem muito resultado. Ele estava exausto, faminto e quase em hipotermia, tudo resultado de uma briga com os seus pais.

Chester havia se cansado da rotina perturbadas que tinha na casa dos Bennington, resolveu que não iria mais apanhar de graça de seu pai e acabou com suas bochechas cortadas, um olho arroxeado e alguns hematomas pelo corpo, na mochila com pouquíssimas roupas que pôde tirar as pressas antes que Lee rasgasse todas as que havia em seu roupeiro e antes de ser despejado da sua própria casa. Poucas coisas que poderia fazer por si mesmo, ainda era de menor, os documentos estavam com ele, sem dinheiro nenhum pois Lee também confiscara o seu salário, Chester resolveu se abrigar naquela praça.

Uma praça pública para chamar de casa.

Apenas se concentrava em não congelar ou morrer de fome, mas uma coisa que ele se negava em fazer era roubar, isso não passava na cabeça de Chester.

Quando abriu os olhos, avistou Amanda correndo em sua direção e Tana vindo mais atrás com algumas sacolas com uma expressão chocada. Ela não queria acreditar que era o melhor amigo da sua filha, um menino de ouro em seu conceito, nesse estado.

– Chester! O que aconteceu com você? – Amanda se sentou no banco e abraçou o amigo como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

Ele não conseguiu responder. Não pôde responder. Apenas passou a mão nos cabelos cacheados e compridos de Amanda e desabou a chorar. Ao sentir a pele exposta e gelada de Chester, soltou o amigo e tirou o seu próprio blusão de moletom e fez ele vestir, logo o abraçou novamente.

– Onde você esteve esse tempo todo, Chazy? Não apareceu no trabalho… E o que foi isso no seu rosto?

Chester só conseguia chorar em silêncio. Nem soluçar ele tinha ânimo. Tana estava na frente dos dois e sua cabeça não raciocionava que Chester estava em situação de rua, estava sujo e provavelmente dormiria no banco da praça.

– Chester, vem conosco. Fique lá em casa, tome um banho, empresto algumas roupas para você, mas vamos conversar. – Tana pronunciou sentindo a garganta travar.

Ele apenas assente, e Amanda segura a sua mão. Se levantam, Chester coloca a mochila com as suas coisas que sobraram em seu ombro, e então eles seguem para o carro de Tana. Amanda não soltou nenhum minuto a mão de Chester, ou deixou de abraçá-lo, mesmo que via que isso deixava ele meio sem jeito pelo estado que estava.

No caminho todo passavam em silêncio. Chester não parava de chorar um minuto e Amanda continuava com a cabeça no peito dele, Tana chorava disfarçadamente enquanto dirigia. Chorava por não conseguir imaginar como pessoas que são pais poderiam fazer isso para o seu próprio filho, que eles fizeram, que deveria ser a coisa mais preciosa na vida deles. Ficava inconformada com isso. Não sabia certo a verdade, mas tinha a plena consciência que não fora Chester que causou esse transtorno ao ponto de estar medingando por aí.

Chegaram na casa dos Dempsey, e Amanda conduziu Chester para um banho quente, Tana guardava as coisas que havia comprado no mercado e logo tratou de chamar Collins.

Ele estranha quando vê Tana sofrendo em silêncio na cozinha, debruçada em um dos balcões, e logo aborda ela para explicar o que havia acontecido. Tana contou tudo que acha que pode ter acontecido, fazendo Collins também se chocar. Depois de dar um abraço longo e aconchegante na esposa, subiu para o seu quarto e tratou de separar algumas peças de roupas para Chester, entregando para a Amanda, que claramente demonstrava o quão devastada ela tava nessa situação.

Deu um abraço na filha, tentando amparar um pouco ela também, logo se pôs a acompanhar Tana na cozinha. Deixou uma chaleira de água fervendo para um chá, ou café enquanto preparava um sanduíche bem feito para Chester.

Estava um clima tenso naquela cozinha. Tana e Collins não conversavam, mas pensavam no mesmo assunto, cada um com suas preocupações e incertezas.

Amanda cruzou o corredor abraçada em Chester. Ele mantinha uma expressão de vergonha que era de dar dó. Não queria mal encarar Amanda, quem dera os pais dela. Mas isso foi quebrado quando Collins se levantou e o recebeu com um abraço intenso.

– Meu menino. – Balbuciou com a voz embargada.

Chester relutou, mas retribuiu e o abraçou com tanta força quanto, desabando mais um vez. Estava tudo tão errado com o jovem Bennington que ele não conseguia mais segurar o seu choro.

Collins o trouxe junto consigo para a mesa, e o pôs sentado entre ele e Amanda. Tana ofereceu o prato com o sanduíche, colocando na frente dele, que não teve outra reação a não ser tornar a chorar. Nem lembrava qual foi a última refeição completa que fizera.

Aquele clima tenso voltou para aquela cozinha. Amanda passava a mão nas costas de Chester e chorava tanto quanto. Ali, ela era a única que sabia de uma parte da história de Chester. Ficaram em silêncio enquanto Chester comia. Collins percebeu que ele estava mastigando com dor, muito lento para quem estava com fome de verdade. Assim que ele se deu por satisfeito, Tana encheu os pulmões de ar para tomar coragem de iniciar o assunto tão temido.

O que aconteceu com Chester?

– Você ainda está com fome, querido? – Tana pergunta, e ele nega com a cabeça. – Bom… Olhe para mim e me explique o que você estava fazendo na rua daquele jeito.

Hesitante, mais uma vez, Chester reluta mas ergue o olhar para ela. Abre várias vezes a boca para começar, e não tem coragem. Amanda abraça Chester de lado e escora a cabeça em seu ombro numa tentativa de acalmá-o, ou encorajá-lo.

– Meus pais me expulsaram de casa. – Ele responde e para de falar rapidamente, ficando com a voz embargada.

– Por qual motivo, querido? – Tana pergunta num tom macio.

Mais uma vez torna a ficar hesitante, e Amanda o abraça mais forte.

– Por que eu não quis mais apanhar de graça do meu pai. – Ele mira um ponto da mesa. – Eu tenho um amigo, ou melhor… Eu tinha. Minha mãe deixava eu ir para casa dele para deixar ela sozinha para sei lá o que fazer, e sempre que eu voltava para casa, eu voltava feliz… E ela acusava de eu ter um caso com ele e descontava a raiva dela em mim, ainda falava para o meu pai e quando ele chegava do trabalho, me acordava a baixo de tapa. Até que uma vez… Meu pai viu com os seus próprios olhos a minha felicidade e me proibiu de ir para a casa dele. Desde então, ele me castiga com uma surra diária e além disso, eu só podia trabalhar se ele ficasse com o meu dinheiro, e só podia estudar sob vigia de um dos "amigos" dele. Era pior quando ele usava a mercadoria dele, e vinha me usar como saco de pancada. Drogado ele fica mais forte ainda. Até que eu disse que não queria mais apanhar por nada, fui de contra a ele e apanhei a pior surra que eu já pensei em tomar, além de conseguir só resgatar os meus materiais, algumas roupas e os meus documentos e fugi. Ele deixou claro que se eu pensasse em chegar perto da casa, iria me matar. – Desabafou, e desabou num choro compulsivo.

Tana e Collins estavam chocados. Apenas se encararam uma única vez e tornaram a encarar Chester.

– Eles sempre foram assim, Chester? – Collins se pronuncia.

– Sim.

– E por que você nunca falou nada? – Tana pergunta com a voz completamente embargada.

– Por medo. – Chester engole a seco. – Meus pais sempre foram pessoas que me botavam em risco, coisas que eu via quando criança vão ficar gravados na minha mente e eu nunca vou esquecer.

– O que exatamente eles faziam? – Collins pergunta, mas com medo da resposta de Chester.

– Eram meu pai e os amigos traficantes dele usando drogas de todas as formas, quando não se reuniam com algumas prostitutas e… Bom... – Chester fica constrangido.

– Entendemos. – Collins diz num tom sombrio. Chester assente.

– Eu lembro de ficar no canto da sala brincando com alguns carrinhos de brinquedo, de costas para eles, e às vezes cobria as minhas orelhas para não ouvir aquele ruído, hoje eu sei o que é, mas era perturbador os gritos e os barulhos. E o pior, era quando eram meus pais fazendo isso, eu ficava mais assustado ainda.

– Você usou alguma coisa, Chester? Eu não estou te julgando, eu só quero te ajudar. – Tana diz.

– Não. Eu só peguei o vício do cigarro, mas há alguns meses.

– Eles fizeram algo assim… Com você? – Collins pergunta.

– Não, eles não me abusaram. – Chester responde firme. – Mas eu via aquilo quase todos os dias. Inclusive meu pai com outras mulheres. – Ele faz uma expressão de nojo. – Teve uma vez que meu pai me mandou entregar um pacote de cocaína para um cara no portão do meu colégio, e se eu não fizesse, ele iria saber e iria quebrar os meus dentes. – Ele coloca a mão sobre a boca.

Eles ficam em silêncio.

– E como você se sente em questão disso? – Collins pergunta.

– Estando longe eu me sinto seguro. Mas tenho medo na rua, meu pai tem muitos conhecidos… Eu tenho medo de me matarem, mas eu não tenho para onde ir, estou sem comunicação, sem dinheiro. – Responde e começa a chorar de novo. – Eu nunca tive amor dos meus pais, então eu só quero distância. Só isso.

Tana suspira fundo, limpando as lágrimas nas bochechas.

– Querido, você está cansado agora. Fique aqui quanto tempo quiser, mas nós vamos resolver isso, tá bom? – Tana segura a mão de Chester e ele assente.

– Obrigado. – Ele beija as costas da mão de Tana e segura. – Obrigado por isso. Tudo isso. Obrigado.

Tana levanta e dá um beijo na testa dele, o abraçando forte.

– Vá descansar. Amanda, vá com ele, fique lá. – Collins diz.

Eles assentem e Amanda o guia para o seu quarto. Ambos se deitaram na cama de Amanda, que ofereceu um abraço para Chester que em poucos minutos adormeceu pesadamente. Os dedos de Amanda faziam carinho nos cabelos recém lavados de Chester e quis desabar ali. Ela sabia que a história dele não era das melhores, mas também que não era tão grave assim. No intervalo de 40 minutos, Chester acordava de um sonho ruim.

*Flashback off:

Limpo as lágrimas que caem do meu rosto depois que saio dessa lembrança. Hoje eu estou muito melhor, sem comparações, mas têm coisas que realmente não vão sair da minha mente. Nunca. Traumas que eu irei levar para minha vida. Mas pelo menos, eu sei que vou lidar bem com isso. Lidei naquela época, hoje eu tiro de letra.

– Chazy? – Amanda me chama sorrindo e aparecendo na porta do meu quarto, quando ergo meu olhar para ela, o sorriso desaparece. – O que foi?

– Eu estava pensando numas coisas. – Sorrio e dou um tapa no ar.

– Hm, que coisas? – Ela ergue uma sobrancelha.

– Coisas minhas do passado, relaxa. – Limpo as lágrimas no meu rosto.

– Ok então?

– Ok então. – Sorrio.

– Hm. Tá bom. A mãe e o pai chegaram, vamos tomar um café. – Ela me avisa sorrindo.

– Eu vou fumar um cigarro e já vou lá. – Pisco para ela.

Ela revira os olhos e saí dali. Um dia eu paro, Amanda. Um dia.

Pego a carteira de cigarro e vou para a sacada. Acendo um e me debruço no parapeito, na primeira tragada sinto Billy aparecer e se esfregar nas minhas pernas.

– E aí, amigão. – Pego ele no colo e faço carinho nele.

Ele ronrona curtindo meu carinho. Eu adoro esse bichano, e pelo jeito, ele também gosta de mim. Me sento para facilitar o carinho no Billy, e aproveito esse momento.

*

A ligação chama algumas vezes, então finalmente minha tia atende.

– E aí, moleque.

– Oi tia. Falei com os meus… Com a Tana e com o Collins, e eu vou para aí sexta depois da aula, ok?

UHU!!! – Ela grita do outro lado da linha, me assustando. – Pode crer! Vou arrumar as coisas para ti vir para cá então. Até sexta!

Tia Jake encerra a ligação. Eu começo a rir dessa situação, onde eu realmente fiquei falando com o nada. Largo o meu celular na cabeceira da cama, e me deito mais um pouco. Não havia o que fazer, e também, o Nintendo não me interessava.

– Chazy! – Amanda entra novamente em meu quarto. – Te atrapalhei?

– Não tô fazendo nada. – Sorrio.

– Posso ouvir teus pensamentos de longe. – Ela ri e se senta na cama junto à mim.

– Ops. – Coloco a mão sobre a boca, e logo sobre a minha testa, fazendo ela rir.

– Posso saber o porquê que estava chorando hoje mais cedo? – Ela ergue uma sobrancelha.

Sorrio sem jeito.

– Nada demais.

– Hm. – Ela espreita os olhos para mim. – Não era pelo Mike né?

– O quê?! – Pergunto espantado. – Não! Claro que não! Por que eu choraria por ele? – Franzo meu cenho e sorrio.

– Sei lá, por estar gostando dele? – Ela puxa um sorriso de Cheershire.

– Amanda! – Repreendo ela.

– O que? Eu tenho consciência de que meninos gostam de meninos. – Ela ergue os ombros.

– Mas eu não gostaria logo… do Mike. – Baixo o meu olhar. – Ele me odeia…

Amanda sorri maliciosamente.

– Bobinho. – Ela bate no meu rosto de leve, e vai em direção a porta.

– Como assim? – Questiono e ela continua andando.

– Boa noite, Chazy! – Ela cantarola e sai do meu quarto sorrindo.

– Amanda! Volta aqui! – Chamo ela e outro ela assoviar no corredor. – Mas que filha da puta!

Começo a rir e me deito novamente. Às vezes eu odeio profundamente Amanda Dempsey.

*

A semana correu tranquilamente. Nada de novo, apenas Mike me estressando com sua profunda grosseria. Nada de novo realmente. Na sexta feira, arrumei minha mochila para ir direto para a estação depois da aula como o combinado com Tana e Collins, e fui para a colégio. O que foi estranho, vi todos os caras, menos Mike. Talvez hoje ele não venha na aula, sei lá. Tanto faz.

Fomos para aula, que passou mais rápido do que eu esperava. Não tenho aula com ele hoje, mas esperava ver ele por aqui, mesmo sendo um idiota. Até por que ele nunca falta aula, é aqui que o ego dele é inflado e todos aplaudem o Shinoda gostoso, então algo de grave deve ter acontecido para ele não dar as caras aqui.

Suspiro fundo batendo o lápis na classe, olho o relógio suspenso na parede. Parece que a hora simplesmente não anda, principalmente quando se tem algo marcado e quer que o tempo passe rápido.

– Tudo isso é ansiedade de ir para sua tia? – Amanda comenta com um pingo de ciúmes.

– É… Também. – Suspiro. – Sei lá, a aula tá um tédio.

– Tudo isso por que não viu o…

– Não ouse falar esse nome! – Interrompo-a erguendo o dedo indicador pra ela.

Ela aperta os lábios espreitando os olhos. Reviro os meus e bufo para ela. Então o sinal do intervalo bate, e eu agradeço a Deus erguendo as mãos para cima e Amanda ri de mim. Pegamos nossos materiais e saímos daquela sala que me cansou só de estar ali. Saímos no corredor e aos poucos os caras vêm se juntando. Primeiro Dave e Joe, depois Brad e Rob, eles fazendo fuzarca deixando aquele corredor estreito. Eles se empurravam e gritavam, fazendo os que estavam em volta rir daquela cena, inclusive eu. Às vezes eles tinham esses ataques.

Assim que entramos no refeitório vi o que eu não queria, mas meu coração se apertou. Mike estava sentado na mesa que normalmente usamos, num canto, quieto. Metade de mim queria correr e saber o que aconteceu para ele estar assim, mas a outra metade queria que ele se fodesse na sua arrogância.

Tento disfarçar, e andamos até aquela mesa. Nos sentamos, e infelizmente, ou de sacanagem, deixaram o único espaço na frente dele para eu sentar.

– O que aconteceu, cara? Chegou atrasado, está com essa cara de quem comeu e não gostou…? – Brad aborda Mike de forma direta.

– Ah, meu… – Ele faz menção de falar. – Deixa para lá.

– Fala, Mike. – Dave dá força.

– É… Fala, Mike. – Amanda abraça ele por trás, deixando os braços em seus ombros.

– Minha mãe não tá reagindo aos remédios mais. Tá chegando na hora de ir fazer os exames de rotina e… – Ele começa a se empolgar, mas me olha de canto de olho e encerra ali.

– E…? – Joe estimula.

– E o Jason tá com problemas. – Fala e murcha os ombros.

Todos ficam em silêncio. Suspiro fundo imaginando qual situação a mãe de Mike sofre, seria alguma doença grave? Tipo, câncer?

– Olha, Mike, eu sei que você não gosta de mim e tal, mas… Pense pelo um lado bom, você está cuidando da sua mãe, cuida do seu irmão e luta, está pronto para estar como o seu pai. – Tento ser o mais acolhedor possível, mas recebo um olhar mortífero de Mike enquanto Amanda atrás dele ergue as sobrancelhas.

– O que você quer dizer com isso? Estou pronto para estar com dois tiros na cabeça e três no peito? – Mike aponta para a sua própria cabeça.

– Seu pai… É falecido? – Pergunto perplexo.

– Eu vou bater nele. – Mike aponta para mim e encara Amanda.

Minha pressão se esvai. E lá eu ia saber que o pai dele morreu de forma trágica?

– O-olha… Me desculpa… – Antes de eu terminar ele se levanta e sai dali.

Os caras me encaram e fazem expressões de reprovação.

– O que é? Eu não sabia que ele não tinha o pai vivo. – Dou de ombros.

– Ele falou naquela reunião que fizemos. – Joe responde.

– Ele não falou que treinava com o pai, que ele era mestre e tal?

– Sim, mas ele deixou claro que o pai já era falecido. – Brad me responde entortando as sobrancelhas.

– O pai é um assunto delicado para o Mike, sabe. E ele já tá uma pilha por conta do que aconteceu com o Jason que ainda não sabemos, então… – Dave ergue as sobrancelhas e franze os lábios.

Fico em silêncio tentando lembrar disso, mas não lembro de quase nada daquela noite. 

– Bola fora hein, Chaz. – Rob franze os lábios.

Droga.

*

O resto da aula passou para mim em silêncio. Mike me encarava de longe com as expressões bravas e eu queria chegar perto dele para pedir desculpas, mas o jeito que ele me encarava só me deixava mais sem jeito, quando ele simplesmente fazia como se eu não existisse.

Coloquei minha mochila no ombro, me despedi de Amanda que parecia que eu iria morar fora do país, mas só iria passar um final de semana em Palos Verdes. Segui para a estação com os meus fones e meu discman rodando Violator, do Depeche Mode. Agora eu senti o peso das minhas palavras, e porra, mesmo eu não sabendo da situação eu fui bem infeliz no meu comentário. Queria trazer ele para perto de mim e acabei o afastando.

Embarco no ônibus e me sento em um dos bancos do fundo, a viagem é um pouco longa e felizmente trouxe mais alguns CDs para me distrair até lá, e agora para também tentar fazer a minha mente parar dizer para mim o quão merda eu sou.

Depois de uma hora e alguns minutos chego em Palos Verdes, e na estação consigo reconhecer minha tia de longe. Ela está com os cabelos pretos tingidos compridos e lisos, vestindo um shorts jeans brancos e uma regata preta, com o braço esquerdo coberto de tatuagens e alguns piercings no rosto. Ela ergue os braços para me abraçar e vem em minha direção, largo minhas mochilas no chão e a abraço de volta.

– Ahh moleque, que saudades! – Ela me abraça forte.

– Também tava, tia. – Sorrio naquele abraço apertado.

– Você cresceu, viado. – Ela se afasta de mim colocando a mão no meu queixo. – Mas temos que dar um tapa nesse visual.

Ergo minha sobrancelha. Acho que seria um ótimo momento para isso.

– Tem razão. – Sorrio.

– Vem, vamos. Patrick está nos esperando no carro, e hoje vamos jantar fora, que tal? Sou uma tia muito maneira, vai dizer!

– Sim, tia Jake, você é. – Sorrio colocando minhas mochilas no ombro de novo e seguindo ela.

Patrick é o namorado da tia Jake, eles estão junto desde os 14 anos e assim que puderam trataram de morarem juntos e arrumarem a vida deles junto. Até onde eu lembro, ele é tatuador e tem um estúdio próprio, sempre trabalhou duro para conseguir fazer esse sonho dele se tornar real.

Fomos até a Pick Up de cor marrom enferrujado onde ele nos esperava, e ele estava como da última vez que vi ele: de óculos escuros, barba e dreads até os ombros ruivos e a normal cara de bravo.

– Chazy Chaz! – Gritou assim que me viu. – Você cresceu, meu!

– Oi Patrick! – Grito de volta abanando.

– Entra, cara. Bora dar uma volta com essa gostosa aí! – Diz se referindo minha tia que soltou uma risada alta e entrou pelo lado do carona.

– Bora! – Sorrio entrando e sentando nos bancos traseiros. 


Notas Finais


Até o próximo! ❤


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...