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História I wanna go 2 pluto - Capítulo 7


Escrita por: e fellegekben


Notas do Autor


#RIE: espero que vocês gostem desse capítulo kk

Capítulo 7 - Caronte is a fortune teller


Eu almejava um futuro brilhante para mim; ao menos uma faculdade legal ou algum emprego que me desse estabilidade, que me garantisse a não repousar sob sete palmos, no entanto, dentro de um barraco que fede à decadência, incenso de cravo e colônia de Madame da Vida… bem, neste caso, é Madame das Estrelas, mesmo... ha.

Não vou negar que não tenho talento ou habilidade para ser alguma coisa. Qualquer coisa…! Tentei ser garçonete, mas meu carisma é, tipo, treze por cento. Quando fui operadora de telemarketing, acabei surtando porque não sei como dialogar ao telefone sem gaguejar feito uma britadeira; uma pessoa, porém, me disse que tenho habilidades de rapper — seria isso uma zombaria ou uma forma de me animar? Meus neurônios são escassos assim como meu intelecto; tudo que me resta é barganhar empregos temporários aqui e ali, nada fixo, nada estável, tudo oscilante, bambo, temporário.

São poucos os que acreditam na Não-Tão-Velha-Assim-Mas-Igualmente-Caduca — as crianças da Sra. Choi me chamam assim — Madame Hwang Yeji, a Cartomante Estelar da Rua 66. Meu “consultório” é um estabelecimento buraco na parede, com direito a sineta e tudo mais. Há vitrais que replicam o Nascimento de Vênus, cobrem o ambiente com uma luz solar fosca que se torna multicolorida quando chocada no vidro, cintila uma aura bem burlesca, fazendo jus à minha sina. O interior é cheio de quinquilharias antiquadas que os astros me trazem, chão que chora um “nhec” monótono, pedrinhas nada-preciosas pendendo no teto, móveis e paredes num roxo-empoeirado… eu gosto muito de roxo, de azul e de amarelo. Aposto que minha alma é a junção destas três cores.

O movimento é raro porque, afinal de contas, quem acredita numa jovem-adulta enlaçada por vestidos de seda-desespero, e que tem uns papos doidos de “Estrelas sabem falar, bem eloquentes, sobre o seu Destino!” (este é o slogan cafona que jaz em letras góticas lá na fachada magenta)?

Não me culpem! Umbriel insistiu tanto, perturbando a minha estadia com Morfeu, e eu tive de ceder. (Já que Elas não são telepatas, então posso dizer que, meu Deus!, Umbriel é chata e melodramática demais… tsc. Ganímedes ainda esboça um sarcasmo bem cool, e Caliban não deu mais as caras...).

A maioria das minhas clientes são mulheres gorduchas e desiludidas. Parecem comigo, embora eu não me alimente de nada além das dívidas e ansiedades. As senhoras, de unhas muito bem feitas, lindas o suficiente para não sofrerem por banalidades, tagarelam sobre homens. E estes homens só querem saber se estão sendo traídos por suas esposas, ou se elas desconfiam das suas “escapadas”. E tudo que eu faço é ter meus ouvidos castigados pelos problemas alheios.

O cuco na parede lampeja o horário. Cinco e quarenta e cinco. “Cuco, cuco!”, faz Umbriel, alegre.

Mas é nesta segunda-feira roxa, roxinha como uma uva, que uma criatura similar à Ananke atravessou, lá do outro lado da rua, só com o seu cosmo poderoso, o vitral opulento do meu barraco, e respirou o ar das minhas dúvidas.


Notas Finais


Ganímedes é outra Lua de Júpiter, e Caliban é outra Lua de Urano.


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