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História Já te disse que te amo?--NOFYA - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 2 - Como?


Fanfic / Fanfiction Já te disse que te amo?--NOFYA - Capítulo 2 - Como?

Uma palavra para descrever o meu novo quarto de verão: básico. Não existe outra para definir uma cama encostada a paredes de cor suave e uma cómoda simples. Além de que é incrivelmente quente.

 

:- Gosto da vista - digo ao Harvey, apesar de não ter chegado ao pé da janela o suficiente.

 

Harvey:- O teu pai disse que podes arranjar o quarto à tua maneira.

 

Ando um pouco por este espaço todo meu, girando pela carpete bege e observando os roupeiros embutidos na parede. A casa de banho é ligada com o quarto, em suíte. Espreito pela porta e ergo as sobrancelhas, apreciativamente. O chuveiro tem ar de nunca ter sido utilizado.

 

Marco:- Gostas? — pergunta o meu pai, algures atrás de mim.

Não sei quando é que ele entrou no quarto.- Desculpa, está um bocado quente. Vou ligar o ar condicionado.

 

:- Está tudo bem. Gosto do quarto.- Tem quase o dobro do tamanho do meu quarto em Moscovo, não há como não gostar.

 

Marco:- Tens fome? Depois de uma tarde toda de viagem, o mais natural é estares a morrer de fome. O que é que te apetece?

 

:- Estou bem - respondo. - Acho que vou correr um bocado. Esticar as pernas, estás a ver?- Não estou para dar cabo meu plano de exercício diário e uma pequena corrida parece-me uma boa forma de explorar o bairro.

 

 

Uma sombra de hesitação atravessa o rosto do meu pai.

 

:- Pai - digo com firmeza.- Tenho dezasseis anos; tenho autorização para sair. Só quero dar uma volta por aí.

 

Marco:- Pelo menos leva o Harvey contigo - sugere ele. As sobrancelhas de Harvey erguem-se subitamente, numa expressão de curiosidade. - Harvey - diz o meu pai gostas de correr, não gostas? Importas-te de ir com a Sofya, não vá ela perder-se?

 

O Harvey olha para mim de relance, dirigindo-me um sorriso quente e cúmplice.

 

Harvey: -Claro que não me importo. Vou só mudar de roupa. — Suponho que ele compreende o que significa ter pais superprotetores.

 

Portanto, acho que posso considerar que entrei com o pé direito em Santa Monica. Ainda estamos no primeiro dia e já a tensão entre mim e o meu pai está perto de ser insuportável. Estamos no primeiro dia e sou já obrigada a participar num churrasco. Estamos no primeiro dia e para ir fazer uma simples corrida tenho de ir acompanhada. Estamos no primeiro dia e estou já arrependida de ter vindo.

 

Marco:-Não vás para longe - diz e sai sem fechar a porta, embora eu pedisse para o fazer.

 

Harvey:- Queres ir agora?

 

:- Se estiver bem para ti.

 

Com um rápido aceno de assentimento, ele sai. E não se esquece de fechar a porta.

 

Preferia não perder muito tempo dentro de casa, especialmente porque o ar condicionado não funciona, por tanto puxo a mala para cima do colchão fofo e abro o fecho. Fico contente por verificar que os meus pertences chegaram todos sãos e salvos. Habitualmente, a minha mala chega com metade das coisas a querer sair para fora. Meto a mão por entre a roupa e vou diretamente até ao fundo porque sei que o equipamento de corrida foi uma das primeiras coisas que guardei. 

 

 

 

Estou eu a entrar, toda animada, na minha luxuosa casa de banho para mudar de roupa quando o meu telemóvel vibra, informando-me que está a ficar sem bateria. Lembro-me que a Savannah tinha pedido para lhe ligar quando aterrasse.

 

Pouso os calções e o sutiã ao lado do lavatório e sento-me, no tampo da sanita.

 

O número dela está na lista de marcação rápida, pelo que a ligação começa numa fração de segundo.

 

Savannah:- Olá, ola - responde com uma voz de parvinha.

 

:- Olá - respondo, imitando o seu tom. Rio-me. — Este lugar é um nojo. Deixa-me ir passar o verão contigo.

 

Savannah:- Quem me dera. Isto por aqui está bastante esquisito.

 

:- Tão esquisito como conheceres a tua nova madrasta?

 

 Savannah:-Não. Tão esquisito. Ela não é tipo madrasta mete-nojo da Cinderela, pois não? E os teus irmãos?.- rio- Já te puseram de baby-sitter aos putos?

 

:- Digamos que eles não são bem putos….São um pouco mais velhos…Tipo adolescentes.

 

Savannah:- Adolescentes?

 

:-lá - digo. São fixes. Um deles é envergonhado, é o mais novo, por isso compreende-se. O outro é uma beca mais velho e acho que nos vamos entender bem. Acho, não sei. Chama-se Harvey. .

 

Savannah:- Pensei que tinhas três irmãos.

 

:- É que ainda não conheci o terceiro- explico. Até àquele momento, tinha-me esquecido de que tinha mesmo três novos irmãos e não apenas dois.- Provavelmente só o vou ver mais tarde. Agora vou sair para correr um bocado com o Jamie.

 

Savannah:- Sofya,- diz com voz firme, mas afetuosa.- Acabaste de chegar. Relaxa. Pareces ótima.

 

 

:- Não. - Seguro o telemóvel contra o ouvido com o ombro e descalço-me — Disseram mais alguma coisa acerca de mim? - pergunto, calmamente, apesar de que o meu maior desejo é não saber nada.

 

O silêncio enche a linha.

 

Savannah:- Sofya, não penses nisso agora.

 

:- Portanto, quer dizer que sim - confirmo, para comigo própria. E quase num suspiro que a Savannah não me ouviu. O meu telemóvel volta a vibrar.- Ouve, este está mesmo a ficar sem bateria. Tenho de ir hoje àquela chatice do churrasco. Se vir que só há parvos, vou passar o tempo todo a mandar-te SMS, para que percebam que tenho bué de amigos.

 

Savannah ri-se: - Tudo bem. Mantém-me informada.

 

 

O meu telemóvel pifa antes de eu ter tido tempo sequer para um adeu, pelo que o abandono em cima do lavatório. Correr é uma atividade ótima para desanuviar a cabeça, e é exatamente isso que eu quero. Enfio em dois tempos a roupa de correr desço as escadas para, entrar na cozinha. É tudo muito, muito brilhante.

 

:- Uau! - exclamo.

 

Marco:- Gostas? - pergunta e só nesse momento é que me apercebo de que ele está ali.

 

:-Vieram instalá-lo ontem ou quê?

 

Ele ri:- O Harvey está à tua espera lá fora. O miúdo está a treinar.

 

Contorno a ilha para alcançar desajeitadamente a torneira e encher a minha garrafa de água até transbordar, enrosco a tampa e piro-me

 

O Harvey palmilha o passeio para cima e para baixo até que, por fim, saio ao seu encontro. Ele para e sorri.

 

Harvey:-- Estava só a fazer uns alongamentos diz.

 

:- Posso fazer-te companhia?

 

Ele concorda e começo a caminhar a passo com ele. Juntos percorremos lentamente duas ou três vezes a extensão de relva. Depois arrancamos. percorrendo a uma velocidade confortável as ruas.

 

É a primeira vez, desde há muito, que corro sem ter música por companhia, mas achei que seria demasiado desagradável cortaro contacto com o Harvey. Mantemos uma conversa breve e alguns Vamos abrandar ocasionais.

 

Harvey:- Odeias o teu pai?-pergunta a propósito de coisa nenhuma, quando estávamos já a percorrer o caminho de regresso a casa, parei e fi-lo tão bruscamente que quase tropeço nos meus próprios pés.

 

:- O quê? É complicado…

 

Harvey:- Eu gosto dele.

 

:-Ah. Pois-digo, mordendo levemente o lábio, enquanto procuro uma forma de mudar de conversa.- Não é superfixe aquela casa ali?

 

Harvey ignora-me completamente:- Porque é que é esquisito?

 

:- Porque é um imbecil - respondo, por fim. - Foi um imbecil por se ter ido embora. É e não telefonar. E um imbecil porque é um imbecil.

 

Harvey:- Estou a ver…-A nossa conversa dá-se por concluída aqui e continuamos a correr.

 

Neste momento, sinto-me suada e suja, pelo que, depois de pôr o meu telemóvel a carregar, deixo correr sobre o meu corpo a água do chuveiro. Está fantástica e deixo-me ficar durante trinta minutos ali.

Por fim, ocupo a hora e meia que me sobra a preparar-me. Se pudesse, aparecia no pátio em sweatshirt. Mas não me parece que isso ligue muito bem com a Wendy, por isso procuro dentro da minha mala e tiro de lá umas calças slim-cut e um blazer.

 

Visto-me, seco o cabelo e encaracolo-o em ondas largas e aplico uma maquilhagem leve.

Desço as escadas e sigo o cheiro até à cozinha. As portadas envidraçadas do pátio estão abertas e apercebo-me de que a reunião está já em velocidade de cruzeiro. Portanto, pensando melhor, já deve passar das sete. A música dispersa-se, vinda de amplificadores, os adultos convivem em grupos espalhados pelo quintal e todas essas coisas que fazem de uma reunião social uma coisa horrível. Descubro o John à beira da piscina, na companhia de alguns miúdos da idade dele.

 

Descubro também o meu pai a virar hambúrgueres no churrasco, ao mesmo tempo que se esforça por realizar um movimento de dança dos anos 80. Tem um ar horrorosamente desastrado.

 

Wendy:-Sofya! Chega aqui!

 

Talvez se eu simular um ataque de epilepsia consiga que me autorizem a retirar, ou, melhor ainda, para a minha casa.

 

:-Peço desculpa por me ter atrasado um bocadinho.

 

Wendy:- Não, não, está tudo bem - diz e puxa os óculos escuros para o cimo da cabeça- Espero que tenhas fome.

 

:-Bem, na realidade...

 

Estes são os nossos vizinhos da casa em frente, do lado de lá da rua - interrompe indicando com um gesto de cabeça um casal de meia-idade que está na nossa frente. - Yonta e Simon.

 

 

 

 

 

Yonta:- É um prazer conhecer-te, Sofya - É óbvio que ou o meu pai ou a Wendy ou talvez os dois andaram a informar toda a gente de que eu estou aqui. Simon concede-me meio sorriso.

 

:- Igualmente- respondo. Não sei muito bem que mais é que há para dizer. Contem-me a bistória da vossa vida? E quais são os vossos planos para o futuro.Limito-me a sorrir.

 

Yonta:- A nossa filha também deve estar aí a chegar. Ela faz-te companhia.

 

:-Que fixe respondo. -Os meus olhos desviam-se do casal.

 

As raparigas são bastante assustadoras. E conhecer novas raparigas consegue ser ainda mais assustador. - Gostei de vos conhecer — respondo, com um sorriso.

 

Afasto-me rapidamente, esperando conseguir evitar mais apresentações embaraçosas. Durante os primeiros quarenta minutos, o sucesso é completo.

 

Wendy:- Ora cá está a Jolalin! – exclama a Wendy, enquanto me leva para junto de um novo aglomerado de vizinhos.

 

:- Joalin? - repito. Se é alguém a quem já fui apresentada, não me lembro. Deram-me tantos nomes para fixar no curto espaço de uma hora que acabei por bloqueá-los.

 

Wendy:- A filha da Yonta e do Simon - informa acenando por cima do meu ombro, e, antes mesmo que eu tenha tempo para me volta, ela está a chamar: - Joalin! Estamos aqui!

 

Nojo. Respiro fundo, convenço-me de que ela vai ser afável e simpática. A rapariga vem ter connosco e dá uns passos à minha volta.

:-Ah, hum, olá

 

Wendy ri para as duas. - Sofya, esta é a Joalin.

 

A Joalin sorri também e acabamos por parecer um trio de Psicopatas assassinas. –

 

Wendy: – Bem, deixo-as então. - Ri-se, antes de se afastar.

 

Joalin:- Os pais tornam tudo tão complicado - Gosto imediatamente dela, com base nesta simples declaração. — Tens estado aqui encalhada desde o início?

 

:-Gostaria de poder responder que não.-O seu cabelo é comprido e loiro.

 

Joalin:- Vivo mesmo em frente, do outro lado da rua, e provavelmente não conheces ninguém aqui, portanto, se te apetecer, podemos encontrar-nos. Estou a falar a sério. Aparece sempre que te apeteça.

 

Fico surpreendida, mas grata pela sugestão. Por nada deste mundo vou passar oito semanas enfiada naquela casa com o meu pai.

 

:– Iá, isso é fixe... - A minha atenção é desviada para alguma coisa à frente da casa.

 

Quase consigo ver a estrada através das falhas na cerca e espreito por entre elas. Ouve-se música a tocar. Ou antes, a fazer barulho. Mesmo com o som infernal, consigo ouvir a confusão no quintal quando um carro branco galga de raspão, a grande velocidade, o rebordo do passeio e derrapa contra a curva, faço uma careta de desagrado.

 

A música cala-se abruptamente quando o motor se desliga.

 

Joalin:-O que é que estás a ver?-pergunta, mas estou demasiado surpreendida para sequer tentar responder.

 

A porta do carro abre-se violentamente e espanto-me por não ter saltado das dobradiças. É difícil ver claramente através da sebe, mas um rapaz alto sai e bate com a porta.

Por um momento, hesita, olha para a casa e depois passa a mão pelo cabelo. Seja ele quem for, o ar é de quem está completamente passado, no entanto não posso deixar de admitir que é bastante bonito…Ok, parei.

 

 

:- Quem raio é este idiota? - murmuro para a Joalin quando a personagem se aproxima de nós.

 

Mas, antes de termos tempo de acrescentar mais alguma coisa, o Idiota decide abrir o portão. É como se quisesse ter a certeza de que todos o odeiam. Penso que deverá ser aquele vizinho que todos desprezam e está ali num acesso de fúria por não ter sido convidado para o churrasco desinteressante.

 

???:- Desculpem chegar atrasado — comenta o Idiota, sarcasticamente. Os seus olhos brilham, verdes como esmeraldas.- Perdi alguma coisa, para além da matança dos animais? - Mostra o dedo médio da mão, num gesto obsceno dirigido , ao churrasco. - Espero que tenham gostado da vaca que acabaram de comer.- Eri-se  como se a expressão a gente fosse a melhor piada do ano.

 

Marco:- Mais cerveja? - ouço o meu pai perguntar para a multidão em silêncio e, assim que as pessoas param de rir nervosamente e retomam as suas conversas, o Idiota recira-se pela porta do pátio. Atira com ela com tal violência que me parece ver os vidros a abanar.

 

Estou completamente estupefacta. Não faço a mais pequena ideia do que aconteceu aqui, quem é aquele ou por que motivo entrou pela casa adentro. Quando me apercebo de que estou ali especada, de boca aberta, fecho-a e volto-me para a Joalin.

 

:- Quem é aquele?

 

Ela morde o lábio e puxa os óculos escuros para baixo, tapando os olhos:

 

Joalin:-Está-me a parecer que ainda não foste apresentada ao teu irmão.

 

:- COMO?

 

 

 

 

CONTINUA


Notas Finais


Espero que tenham gostado.
Beijinhos até à próxima.


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