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História Jamais Vu VHOPE - Capítulo 4


Escrita por: decamartinz

Capítulo 4 - Capítulo 4


Kim Taehyung

— Não voltarei mais hoje. — Sua voz firme me atinge e ele caminha em direção ao elevador.

Mais uma vez, eu não tive tempo de respondê-lo ou mesmo perguntar se havia algo a ser feito. Respiro fundo tentando aliviar o incômodo causado pela frustração que venho sentindo.

Estou aqui há dias e em todas as nossas interações, ele foi seco e parece fazer questão de deixar claro que não gosta de mim.

Quando fui avisá-lo do meu almoço, me assustei quando seu rosto apareceu diante do meu.

Eu acho que nunca vi um nariz tão bonito na minha vida. Pena que a cara amarrada que vem acompanhada não compensa.

“Aff… Não sei porque tô pensando nesse tipo de coisa.”

Eu estava empolgado. Assim que cheguei, fui tão bem recebido por meus colegas, apresentado ao Namjoon, que me deu um sorriso acolhedor. Seus secretários se mostraram dispostos a me ajudar. Enfim, todos foram gentis e fizeram seu melhor para que eu me sentisse confortável. Menos ele.

Não entendo o que ele tem contra mim, mas algo me diz que é assim com todo mundo, mas comigo, ele faz questão de deixar claro.

O ramal em minha mesa toca e finalmente tenho alguma esperança em ser útil.

— Gerência Geral, Taehyung, boa tarde. — Atendo da maneira mais educada que consigo.

— Olá, Taehyung-ssi. Como está seu dia? — A voz do Sr. Kim Namjoon se faz presente do outro lado da linha.

— Olá, Namjoon-ssi. Está tudo bem. — Disfarço. — Posso ajudá-lo?

— Na verdade, preciso falar com o Seok, mas achei melhor ligar para você, caso ele esteja ocupado. E por favor, me chame apenas de Namjoon hyung, ou apenas Namjoon. Não precisamos de tanta formalidade.

— Tudo bem, Namjoon. Eu peço o mesmo, pode me chamar de Taehyung ou apenas Tae. E o Hoseok-ssi já saiu. — Aviso enquanto olho os poucos e-mails que recebi.

“Boas-vindas.”

“Confirme seus dados para cadastro no sistema.”

“Seu crachá com foto fica pronto no fim do dia, passe no RH para retirá-lo.”

Nenhum e-mail de trabalho. 

— Como assim o Hoseok foi embora? — Namjoon parece surpreso. — Ele avisou você sobre o compromisso? Como está a agenda dele?

“Tantas perguntas...”

— Namjoon hyung, o Hoseok-ssi apenas me disse que estava de saída e não voltava. Me desculpe, mas é só o que eu sei.

Ouço seu suspiro pesado do outro lado da linha.

— Tudo bem, Tae. Eu vou ligar no celular dele. Se você quiser, pode ir embora mais cedo.

— Ah, não precisa. Posso ajudar em algum outro setor até dar o meu horário. Quer dizer, se não for um problema. 

— Não é problema nenhum, Tae. Toda ajuda é bem-vinda. Veja se os advogados não precisam de auxílio. Aqui estamos com os 3 secretários no momento, mas vou avisá-los também. Se for necessário, peço que procurem por você. — Ele diz de maneira tranquila.

Suspiro agradecido.

— Ok, Namjoon hyung. Obrigado. 

— De nada, Tae. Tenha uma boa tarde.

Desligo o telefone e disco o ramal de Jimin.

— Park Jimin. — Atende com seriedade.

— Hey, quer ajuda? Estou à toa e preciso fazer algo, senão vou enlouquecer. — Balanço em minha cadeira.

— Ué, cadê seu chefe? — Ele ri.

— Boa pergunta. Ele só saiu e disse com aquela voz séria “não voltarei”. — Tento imitar de maneira engraçada a voz do meu chefe.

Jimin riu do outro lado da linha.

— Vem pra cá. Eu tô fazendo uns relatórios, mas talvez o Jackson e a Moonbyul precisem de ajuda.

— Tô indo. — Me levanto empolgado e caminho até o corredor das bancadas dos advogados.

Ao chegar na área onde ficam as estações de trabalho, vejo Jimin concentrando em seu computador enquanto digitava freneticamente.

— Meu Deus, eu preciso me acostumar com o quanto esse garoto é bonito. — A voz da Srta. Moonbyul — acho que é esse o nome — me faz rir. — E ainda sorri. Ai olha… — Ela brinca suspirando.

— Deixa o Eunwoo ver você toda cheia de coisinha pra cima do menino, deixa. — Jackson, o outro advogado se manifesta rindo.

“Meu Deus, que vergonha.”

O riso da Srta. Moonbyul morre e ela fecha a cara para ele.

— O que tem o Eunwoo? Para de falar besteira, Jackson. — Ela se levanta e começa a juntar suas coisas.

— Nada não, Byul, nada não. — Ele sorri.

— Tua sorte é que eu tenho audiência agora à tarde. 

— Deixem o Tae em paz. — Agora é Jimin quem se manifesta, enquanto continua a digitar.

— Está tudo bem. Precisam de ajuda com algo aqui? — Digo me aproximando da mesa do Park.

— Bom, eu estou de saída. Talvez o Jack precise. Ele vive se enrolando mesmo. — Ela brinca e parte em direção ao elevador.

— Mas olha só… — Jackson zomba. — Pior que ela tá certa. — Se vira para mim. — Olha Tae, eu sou a pessoa mais enrolada desse escritório quando se trata de relatório de reembolso. — Ele puxa uma pasta com o mês anterior anotado em um adesivo.

— Precisa que faça uma planilha pro senhor? — Pergunto me aproximando.

— Seria o ideal. Eu faço essa porcaria manualmente, sou péssimo nisso. Me dá uma dúzia de petições, mas não me dá um reembolso. — Ele bufa.

— Não tem problema, Sr. Wang. Eu posso fazer em minha mesa, encaminho por e-mail e devolvo os comprovantes.

— Não precisa, fica aí com a gente. Pode usar a mesa da Moonbyul. Ela costuma levar o notebook, então esse computador fica praticamente de enfeite.

— Fica aqui, Tae, a gente trabalha e conversa. A hora passa mais rápido. — Jimin quem completa.

— Ah, e por favor, não me chame de senhor. Pode chamar só de Jackson. 

— Tudo bem. — Sorrio.

— Acho que aqui ninguém se trata de maneira muito formal no fim das contas. — o Park comenta se levantando.

— Sim, nem os NamJin. — Agora é Jackson que fala.

— Quem? — Digo enquanto espero o computador iniciar.

— Ah, Namjoon e Jin. NamJin. Eu sei, ótimo né? Eu que inventei. — Ele ri.

— Você é péssimo, Jackie. — Jimin volta da copa com uma garrafinha de suco.

— Só não é melhor que Jikook. — Ele diz e vejo meu amigo cuspir um pouco de seu suco.

— Porra, Jackson, minha gravata nova! — Ele se apressa a voltar a copa para limpar.

Jackson ri e eu o encaro sem entender.

— O que é Jikook? — Pergunto.

— É besteira do Jackson! Ele devia parar de inventar esse tipo de besteira antes que apareça com um nariz quebrado por aí. — Jimin faz um bico enorme e eu sinto vontade de rir.

— Ah, mas ‘cê ‘tá nervoso? — Ele implica e eu começo a rir da cara de Jimin.

Eles ainda estavam implicando um com o outro, quando Jungkook se aproximou de nós. Eu juro que vi Jimin arregalar os olhos.

— Com licença, pessoal. Vim devolver os documentos que faltavam a assinatura do Namjoon hyung.

Ele dá um sorriso discreto e eu o encaro. 

Jimin sempre fica nervoso perto dele. Mais precisamente agora que ele se aproxima da estante no fundo da sala.

Ele está usando um terno escuro. O blazer é preto com uns efeitos de listras opacas no mesmo tom. Os cabelos escuros com mechas azul-marinho estão divididos na lateral e ele usa pulseiras e anéis nos dedos.

“Tá. Eu entendi.”

Encaro Jimin e o vejo acompanhar os passos de Jungkook como se estivesse hipnotizado. Ele observa enquanto o secretário da presidência organiza as pastas, e alonga um pouco para alcançar a parte mais alta - ainda que ele me pareça bem alto - e meu amigo, Park Jimin, seca sua bunda com toda a sua cara de pau.

“Eu não posso rir.”

Ele termina de organizar as coisas e se vira novamente, dando de cara com meu amigo, o encarando.

Park Jimin ficou vermelho. Muito vermelho.

Jungkook não ficou atrás. Suas bochechas coraram, mesmo que ele tenha sorrido de maneira gentil para o meu amigo.

Ele nos saudou e seguiu seu caminho de volta ao outro lado do corredor, onde fica a presidência.

Jimin soltou um longo e alto suspiro.

-Viu? Jikook. — Jackson se pronuncia e eu não seguro uma gargalhada, finalmente entendendo.

O resto do dia foi muito tranquilo. 

Ajudei Jackson e depois aproveitei para adiantar o reembolso de Jimin também.

Ao fim do dia, eu me sentia um pouco melhor.

Jimin e eu fomos para casa e eu insisti em saber mais sobre aquele momento entre ele e o Jungkook, porém, meu amigo foi se esquivando o caminho inteiro.

— Esquece isso, pelo amor de Deus, Taehyung. — Diz enquanto entramos em casa.

Ele foge de mim apertando o passo até se trancar no banheiro. Rio de sua reação e decido ir para a cozinha preparar algo para jantarmos.

Com tudo quase pronto, ele reaparece com os cabelos molhados e usando um moletom.

— Pode ir tomar banho, eu olho as panelas. — Diz enquanto pega uma maçã na geladeira.

— Tudo bem, mas se queimar você pede e paga o delivery. — Brinco tampando a panela de bulgogi.

— Sai logo daqui. — Me empurra para fora da cozinha.

Separo um dos meus pijamas novos e tomo um banho bem quente. 

Enquanto ensaboo meu corpo, me pego pensando em  quanto tempo vai levar até que eu consiga fazer realmente o meu trabalho.

Lembro do episódio no início da manhã.

Eu entrei na sala dele apenas para deixar uma pasta, como me foi pedido. Não imaginei que fosse dar de cara com ele deitado todo torto naquele sofá, cheio de papéis caídos no chão e principalmente, a garrafa de rum aberta e à vista de quem fosse.

Não pensei muito, apenas agi.

Organizei os papéis que haviam caído e os coloquei sobre a mesinha de centro, tampei a garrafa de rum — era do tipo bem caro por sinal — e a pus de volta no pequeno espaço acima do frigobar.

Quando tudo me pareceu em ordem, decidi por acordá-lo. 

Era quase 9 da manhã. Tive medo de que alguém entrasse e o encontrasse ali dormindo.

Cutuquei seu braço de maneira sutil e o chamei. Ele apenas respirou fundo e continuou apagado.

Tentei mais algumas vezes, agora de maneira mais incisiva e talvez esse tenha sido meu erro.

Por alguns segundos ele era apenas um par de olhos castanhos e cabelo emaranhado, mas assim que ele se deu conta da realidade, sua expressão irritada veio sobre mim com força.

— Como você entrou aqui? O que está fazendo? — Ele praticamente pulou no sofá, tentando ajeitar os cabelos e o rosto.

Hoseok estava completamente amarrotado. A camisa branca que usava estava com alguns botões abertos e sua gravata frouxa.

Ele ainda parecia bonito. 

— Desculpe, o expediente já começou e me pediram para deixar essa pasta em sua mesa. Eu bati e como ninguém respondeu, achei que o senhor não havia chegado. — Tentei explicar, mas ele sequer me olhava.

— Era só deixar o documento em minha mesa. — Caminhou até o frigobar e percebi que franziu o cenho ao ver que a garrafa estava no lugar. 

Ele bebia sua água me encarando com certa impaciência.

“Eu não acerto uma com esse cara.”

— Desculpe, Hoseok-ssi. Eu achei que se alguém entrasse aqui poderia ser desconfortável. — Eu odeio esse tipo de repreensão.

Fui até sua mesa, deixei os documentos que haviam sido solicitados a lhe entregar e saí. 

—  Desculpe. Com licença. 

Enxaguando meu cabelo, quanto mais eu pensava no ocorrido e em sua postura comigo, mais eu me sentia irritado. Estava tentando fazer o meu trabalho. Mesmo que eu não tivesse ideia do que era este, pois não tinha oportunidade para aprendê-lo.

Depois do banho, jantei com Jimin, ainda sem sucesso de arrancar mais alguma coisa sobre sua reação quanto ao Jungkook, mas eu sabia que meu amigo precisava de tempo. Talvez ele mesmo ainda não entendesse suas reações.

Os dias seguiram e finalmente era Sexta-feira. Minha animação era unicamente por saber que jantaríamos fora no fim do expediente. Uma comemoração da minha primeira semana de trabalho, que Seokjin disse gostar de fazer com seus novos funcionários.

Eu não tinha muito a comemorar. Eu ainda passava horas parado, feito um vaso decorativo em minha mesa. 

Hoseok passava e fazia questão de ignorar a minha presença. 

Não sabia se deveria dá-lo bom dia ou boa tarde, já que ele sempre me encarava por meio segundo antes de parecer alheio a qualquer outra coisa.

Aquilo estava testando todos os limites da minha paciência. O pior era não entender por que eu tinha que trabalhar para alguém que claramente não me queria como funcionário.

Havia voltado do meu almoço quando meu celular vibrou em meu bolso.

O nome de minha mãe piscava na tela e eu sorri.

— Omma! Eu tô com tanta saudade. — Falei assim que a atendi e me sentei na cadeira, diante da minha mesa.

— Meu Taetae! A omma também está morrendo de saudade de você. — Sua voz doce faz meu peito apertar.

— A senhora está bem? As coisas estão bem com ele? — Pergunto mesmo sentindo a chateação incomodar.

— Tudo bem, meu filho. Você sabe como é aquela cabeça dura. Mas eu sei que ele também sente sua falta. Me conta, como está sua vida? E o emprego novo? Está fazendo seu melhor, meu amor? —  Pergunta animada.

Solto um longo suspiro.

— Ai, omma…De verdade? Eu ‘tô muito frustrado, sabe? 

— Por que, meu amor?

— Porque eu não faço nada! Eu fico aqui todo santo dia, com minha cara de paisagem esperando receber alguma ordem, alguma orientação, mas não recebo nada, a não ser uma careta emburrada. Sério, omma. Me sinto a droga de um vaso da loja de tecidos do appa. – Bufo estressado por relembrar que essa semana inteira, a coisa mais animadora que fiz, foram as planilhas de reembolso do Jackson e do Jimin.

— Mas Taetae, por que isso? Não tem trabalho aí? Quando você me contou do emprego parecia algo mais atarefado. 

— Eu não sei, omma. Acho que meu chefe não vai com a minha cara. Aliás, eu acho que ele não vai com a cara de ninguém, mas com a minha em especial, acho que ele tem algum tipo de ranço. — Bufo novamente. — Meu diploma não tá servindo pra nada aqui.

— Meu Taetae, não fique assim. Converse com seu chefe, talvez ele precise de ajuda mas não sabe como demonstrar. Não vou tomar seu tempo, vá fazer suas coisas. Te ligo em breve. — Ela diz com seu jeito carinhoso.

— Tudo bem, omma. Até mais.

Desligo o telefone e finalmente ergo meu olhar para a porta do meu chefe.

Eu mal tive tempo de formular algum pensamento, pois ele estava parado diante de sua porta, com os braços cruzados e a cara mais fechada que eu já vi desde que entrei aqui.

“Puta merda, me fodi.”

Hoseok continuou me encarando de um jeito tão sério que eu tive certeza de que ele ouviu minha conversa. 

A dúvida era: o quanto daquilo ele tinha ouvido?

Quando pensei em falar algo, ele fechou a porta atrás de si e caminhou pelo corredor. 

Eu juro que senti todo meu corpo se arrepiar.

— Merda, merda, merda.

Estava surtando em minha mesa, completamente perdido ao ponto de estar trêmulo, quando meu ramal tocou.

— Gerência Geral, Taehyung, boa tarde. — Tentei não parecer nervoso.

— Oi, Tae. Sou eu, Jin. — Sua voz calma do outro lado da linha me deixou tenso.

— Pois não, Jin-ssi?

— Preciso conversar com você um momento, pode vir a minha sala? — ele diz serenamente, sem perceber que estou à beira de uma síncope.

— Tu-Tudo bem, Seokjin-ssi. Estou indo. — Porra, agora eu gaguejei.

— Não precisa ser tão formal, Tae. — Ele ri. — Estamos te esperando.

Desligo o telefone e solto o ar que nem sabia que estava prendendo.

— Puta que pariu, vou ser demitido.

 


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui.
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