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História Jamais Vu VHOPE - Capítulo 5


Escrita por: decamartinz

Notas do Autor


Olá, trouxe uma nova atualização.

Capítulo 5 - Capítulo 5


Jung Hoseok

 

— Tudo bem, Jaebeom-ssi. A próxima reunião nós faremos aqui no escritório. Eu vou apresentar a proposta de contrato,e você avalia. Qualquer alteração necessária, eu faço na hora. Estando ambos de acordo, nós assinamos.

— Ok Hoseok-ssi. Vou reservar a data e hora da reunião em minha agenda. Até logo. — Encerro a chamada.

Lim Jaebeom, meu novo cliente em potencial, desliga após meia hora de chamada, definindo os detalhes de seu contrato.

Eu estou exausto. 

Os últimos dias vêm me esgotando ao ter que controlar agenda, contratos e processos em fase de finalização. Além da gestão interna, que por sinal, era o que menos me dava trabalho.

Eu precisava de mais cafeína. Por isso, levanto com minha caneca vazia para ir à copa, mas assim que abro a porta, lá está ele. 

E ele estava resmungando.

— Ai, omma, porque eu não faço nada! Fico aqui todo santo dia, com minha cara de paisagem esperando receber alguma ordem, alguma orientação, mas não recebo nada. A não ser uma careta emburrada. Sério, omma. Me sinto a droga de um vaso da loja de tecidos do appa.

Ele estava debruçado sobre sua mesa, concentrado no papel no qual rabiscava de maneira aleatória e fazia um bico enorme enquanto resmungava.

— Eu não sei, omma. Acho que meu chefe não vai com a minha cara. Aliás, acho que ele não vai com a cara de ninguém, mas com a minha em especial, acho que tem algum tipo de ranço. 

Como é que é garoto?

 — Meu diploma não tá servindo pra nada aqui, omma.

Eu sempre fui um cara paciente, poucas coisas me tiravam do sério, mas esse garoto tem a capacidade de me deixar desgostoso com o simples fato de achar que não vou com a cara das pessoas. 

Como é isso? Só porque eu não sorrio o tempo inteiro?

Ele resmunga mais alguma coisa e se despede. Quando finalmente ele ergue o olhar, estou o encarando.

Seus olhos se arregalaram e ele sabe que eu o ouvi. 

Eu não preciso dizer nada, já que minha expressão fala por mim. Antes que ele tente dar alguma desculpa, sigo meu caminho, desviando para ir à sala da presidência.

— Boa tarde. Jin está sozinho? — Pergunto aos secretários que estão ali.

— Não, senhor. Ele está com Namjoon-ssi, mas disse que se houvesse algo poderíamos interromper. — Wheein é quem me responde.

— Ok. 

Sigo até a porta do escritório e dou algumas batidas na porta.

— Entre. — Ouço sua voz abafada.

Ao entrar, percebo que ele e Namjoon estão com alguns papéis em mãos.

— Estou atrapalhando? — Me aproximo.

— Não, não. São apenas documentos que pediam minha assinatura e de Namjoon. Estamos revisando para ver se não faltou nada.

— O que houve, Seok? — Namjoon se manifesta.

Me sento diante deles.

— Eu não preciso de um secretário. — Digo sério.

Namjoon me encara e em seguida a Jin.

— Como é? — Deixa os papéis que antes analisava sob a mesa.

— Eu não preciso de um secretário, eu não quero um secretário, e ele também não quer trabalhar comigo. — Pontuo tranquilamente.

— Aconteceu alguma coisa, Hobi? — Namjoon me olha preocupado.

— Na verdade, nada demais. Ele só estava reclamando ao telefone com alguém. Então, para poupar novos constrangimentos, acho que vocês podem colocá-lo em outro lugar. Talvez com a Hwa na gerência administrativa. — Falo tranquilo.

Namjoon encara Seokjin e este, me olha sem demonstrar nenhuma reação. Ele se curva até alcançar o telefone, disca alguma coisa e espera.

— Oi Tae. Sou eu, Jin. — Ele continua me encarando.

— Preciso conversar com você um momento, pode vir a minha sala?

Ai merda.

 — Não precisa ser tão formal, Tae. — Ele ri. — Estamos te esperando.

Ele desliga o telefone e continua me encarando.

— O que você está fazendo, Jin? — Pergunto me ajeitando na cadeira.

— Bom, eu ouvi o seu lado. Agora quero ouvir o de Taehyung. Não posso simplesmente trocá-lo de área ou até mesmo dispensá-lo sem entender o que está acontecendo aqui, Hoseok.

Porra. Por que não previ que ele faria algo assim?

Poucos minutos depois, batidas na porta anunciam sua entrada. 

— Com licença. Boa tarde. 

Mantenho meu rosto sério e o observo entrar com cautela e se sentar na cadeira ao lado da minha.

Ele usava um terno cor de chumbo, uma camisa branca com contornos pretos, fechada até a gola, sem gravata.

Por que esse garoto não vai procurar a porra de um emprego de modelo ou sei lá?

— Boa tarde, Tae. — Jin e Namjoon respondem.

— Como posso ajudar? Aconteceu alguma coisa? — Sua voz grave se faz presente.

— Nada muito sério, Tae. Eu apenas gostaria de saber como tem sido seus dias conosco. Os outros estão te tratando bem? Você foi bem recebido? — Jin pergunta com um sorriso simpático.

Ele se encosta na cadeira e parece surpreso com a pergunta.

— Ah sim, Jin-ssi. Eu fui muito bem recebido. Eles estão sempre muito dispostos a me ajudar. ainda que não seja preciso. — Ele responde retribuindo o sorriso de Jin.

— Fico feliz. Agora, e quanto ao seu trabalho?

Na mesma hora meu olhar cruza com o de Jin.

O garoto se remexe de maneira desconfortável.

— Não entendi, Jin-ssi. — Ele desvia o olhar.

— Como está o trabalho, Tae? Você está conseguindo absorver o que lhe é passado? Está precisando de ajuda com alguma coisa? Posso pedir ao Jungkook que fique com você na próxima semana. Ele foi secretário do Hoseok durante muito tempo, pode te passar as coisas com mais detalhes. — diz de maneira simpática, mas eu sei o que está fazendo. 

Ele é um tremendo filho da mãe.

— Isso é por conta do que me ouviu dizer ao telefone, Hoseok-ssi? — Ele toma minha atenção ao falar.

Encaro seu rosto de maneira impassível. Ele mantém os olhos atentos aos meus. 

— Não sei, me diz você, vaso de planta. — Respondo arqueando uma das sobrancelhas.

Ele arregala os olhos e percebo que respira fundo duas ou três vezes. 

Seus olhos se contraem um pouco e ele se vira para Jin.

— Olha, Jin hyung, eu não tenho do que reclamar do meu trabalho aqui... — O observo, curioso. — Para fazer tal coisa, eu teria que ter algum trabalho a fazer, certo?

Eu não tô acreditando.

O encaro, mas ele não se dá o trabalho de me olhar, continua olhando fixamente para Jin e Namjoon que o fitam com curiosidade.

— Não entendi, Taehyung. — Namjoon agora se manifesta.

— Bom, deixe-me pensar... — Toma fôlego. — Namjoon hyung recentemente me perguntou onde o Hoseok-ssi estava e eu não soube dizer. Não porque eu não queria, mas porque, como eu disse, eu apenas não sei. Não sei dizer a rotina do Hoseok-ssi, não sei quantas reuniões haverá ao longo dia, logo não posso reservar a sala e materiais. Eu não sei como funciona a agenda dele no mês em que estamos e muito menos no mês seguinte. Apenas sei quando ele está ou não no escritório quando o vejo passar pelo corredor.

— Garoto?! — Repreendo.

— Sou Kim Taehyung, Hoseok-ssi. — Me encara — Estou apenas falando do meu trabalho, como fui questionado. O senhor me desculpe, mas preciso perguntar uma coisa. — Ele me encara com seu olhar afiado.

— Quanto tempo passou em sua faculdade? 

Onde ele quer chegar?

— Foram 5 anos de graduação mais alguns anos de pós. Por quê? — O encaro

— Eu imaginei que havia sido bastante tempo, o que é louvável. Agora Hoseok-ssi, pense comigo. Relembre quando entrou aqui. Pense em como seria desagradável se, com sua entrada no escritório, o senhor não recebesse nenhum processo para cuidar. Imagina como seria se, Jin e Namjoon hyung te dissessem constantemente que não precisam dos seus serviços e não lhe confiassem nenhum processo. Entende o que quero dizer? — Ele diz tranquilo e continua. — Imagine o quão frustrante seria viver anos se dedicando em estudos, abrindo mão de passeios, de diversão, de descanso aos fins de semana para priorizar seus estudos, para ser um profissional qualificado, e quando finalmente encontrasse um local para mostrar seu trabalho, não lhe dessem a mínima oportunidade de fazê-lo? 

Ele se vira para Jin e Namjoon novamente.

— Hyungs, eu não posso reclamar do meu trabalho porque ainda não tive a oportunidade de executá-lo, mas garanto que, quando tiver, isso se ainda tiver um emprego aqui, farei o meu melhor para que meus anos de dedicação e estudos não sejam desperdiçados.

Ele se vira novamente para mim.

— Hoseok-ssi, eu sinto muito que tenha ouvido o que eu disse ao telefone. Certamente não se repetirá. Assim como não entrarei mais em sua sala sem autorização, ainda que eu não soubesse que o senhor dormia no escritório.

Encaro-o embasbacado. 

Filho da…

Ele apenas aperta os olhos em minha direção.

— De novo, Hoseok? — Namjoon se manifesta.

— Eu...eu... foi por acaso. — Tento me explicar.

— Entendo. — Agora é Jin que se manifesta.

— Eu devo me preocupar quanto ao meu emprego, Jin-ssi? Se possível, posso ter apenas uma carta de recomendação? — Ouço-o dizer agora de maneira ansiosa.

— Não se preocupe, Tae. Está tudo esclarecido. Não se preocupe e não esqueça que mais tarde temos nosso jantar. — Jin sorriu para ele e eu o encaro ainda embasbacado.

— Tudo bem, Jin e Namjoon hyung. — Me encara. — Hoseok-ssi, mais uma vez: desculpe pela inconveniência. — Se curva e, em seguida, sai.

Observo-o caminhar até a saída.

Quando me viro, Namjoon tem um sorriso escroto na cara e Jin apenas balança a cabeça em repreensão.

— Eu vou deixar de lado o fato de que estou falando com um de meus melhores amigos. Um homem adulto, e vou falar como seu líder aqui na empresa Hoseok. — Jin começa.

— Isso acaba aqui. Sem horas extras, sem dormir no escritório e a partir de agora,  vou diretamente ao Taehyung se eu quiser saber de sua agenda. — Diz simplista.

— Seok, eu tenho que concordar com o Jin, e vou complementar: não é saudável o que você vem fazendo. Se afundando no trabalho, dormindo no escritório, não almoçando, porque você recusa nossos convites. E eu sei que você nunca gostou de comer sozinho. — Namjoon suspira.

— Hoseok, nós somos amigos mas aqui, somos além. Somos colegas de trabalho e eu não vou mais deixar que você se sobrecarregue. Não permito como seu líder, e principalmente como seu amigo. — Jin pontua serenamente, mas sei que é um ultimato.

— Tudo bem. Vocês estão certos. Mas esse garoto...Argh! — Bufo irritado me levantando para sair.

— Você tá ferrado com ele, hyung. — Namjoon diz e começa a rir.

— Eu acho que vai ser ótimo. Tudo bem que eu não esperava que ele fosse falar na sua cara, mas estou orgulhoso. Você merecia uma bronca mesmo. — Jin ri e começa a juntar os papéis.

— Chega desse assunto, preciso voltar. — Caminho até a porta.

— Você vai ao jantar conosco, ouviu, Jung Hoseok? — Jin grita enquanto saio.

Ainda ouço a risada dele e de Namjoon ao fundo. 

Suspiro resignado, e a contragosto, vou até Jungkook.

— Jungkook, você ainda está com o celular corporativo e o Ipad com a minha agenda? 

— Não, Hoseok hyung. Eu deixei tudo no armário ao lado da sua estante de livros em seu escritório para que pudesse passar ao secretário novo. Não encontrou? — Ele arregalou os olhos naturalmente grandes.

— Calma, ‘saeng. Eu não cheguei a olhar lá. Fique tranquilo. Obrigado.

Saúdo os demais e sigo para minha sala.

Ao caminhar até o outro corredor, reflito sobre tudo que acaba de acontecer.

Tudo bem, eu sei que estava sendo um completo idiota, mas sequer me dei conta de que seria incômodo para ele também. 

As pessoas não gostam de ficar à toa?

Antes de voltar a minha sala, decido passar o café fresco que acabei deixando de lado antes.

Ao voltar, o vejo sentado em sua mesa, como sempre, distraidamente olhando para o vaso de plantas perto do pequeno sofá.

Ele percebe minha aproximação e mantém sua postura neutra.

— Taehyung, venha à minha sala, por favor. — Digo seguindo meu caminho.

Deixo a porta aberta para que ele entre, e após deixar a caneca em minha mesa, vou até o local dito por Jungkook. 

Como ele disse, aqui estão o Ipad, o celular corporativo e seus carregadores.

Ao virar, vejo que Taehyung entrou na sala mas está parado de pé, aguardando.

— Pode se sentar. — Aviso enquanto volto à minha mesa.

Noto em sua mão um pequeno bloco e uma caneta.

— Bom, não vou comentar sobre o que aconteceu. Aqui está o celular e Ipad corporativo. — Entrego-lhe as duas caixas. — Precisa estar com o celular constantemente, pois as ligações serão direcionadas a você antes de virem para mim. No Ipad, assim como no celular, você tem acesso a minha agenda inteira. Eventos passados e os que marquei adiante também. Se você alterar algo em minha agenda, eu recebo uma notificação e vice-versa, para que assim mantenhamos tudo alinhado. Dúvidas até aqui? — Indago.

— Não, Hoseok-ssi. — Responde com tranquilidade.

— Bom, minha agenda não foge muito dos padrões. Vez ou outra tenho viagens de negócios, mas não é muito comum. Algumas reuniões são fora daqui e o Jungkook me acompanhava, logo, você também passará a fazê-lo. Estou proibido de fazer horas extras, então, não se preocupe com seus horários. Se porventura, surgir algo, tentarei sinalizar o mais breve possível para que não atrapalhe sua rotina pessoal. Se fizer hora extra, deve ser registrado, se me acompanhar em alguma viagem, valores adicionais, assim como os gastos, serão creditados a você 48 horas antes de nosso compromisso, ou antes dependendo do tempo da viagem.

Me encara atento.

— Sei que você fala outros idiomas, portanto, de agora em diante, você será copiado em meus e-mails de contratos exteriores para que possamos revisar. 

— Tudo bem, Hoseok-ssi. — Ele continua a me encarar e esboça um sorriso.

— Bom, por enquanto, é isso. — O dispenso. — Ah, quase me esqueci. 

Ele se vira em minha direção novamente.

— Essa é a chave reserva aqui do escritório. Apenas eu e você temos as cópias, então, tenha cuidado.

Entrego-lhe a outra cópia que retiro do chaveiro.

— Dentro de alguns instantes você receberá um código da nossa empresa de TI. Reinicie o computador e digite-o, e tudo estará configurado. Você terá todos os acessos de agora em diante.

— Ok, Hoseok-ssi.

— Se quiser, chame o Jungkook e peça para que ele repita o que lhe disse. Eu provavelmente esqueci algum detalhe. Isso é tudo. 

Ele sorri novamente, se curva e sai.

Solto um longo suspiro. 

Preciso trabalhar.

Me perco em trabalho durante o resto da tarde.

 Pedi à Hwasa que solicitasse a liberação dos acessos para Taehyung e continuei preparando o contrato que devo fechar na próxima semana.

Meu ramal toca e atendo sem tirar os olhos do computador.

— Sim? 

— Hoseok-ssi, o Jin hyung está na linha. Posso passar? — Ouço Taehyung do outro lado.

— Sim. Diga Seokjin. — Respondo voltando minha atenção ao contrato.

— Seokjin uma ova, Hoseok. Já falei que esse teu jeito de webdom de araque não me afeta. Pra você, é Jin hyung e não me teste. — Ele diz do outro lado da linha.

Suspiro.

— Ok, Jin hyung. E o que diabos é um “webdom”? 

— Ah, deixa pra lá. Vamos embora, o pessoal já saiu. — Ele avisa.

— Embora pra onde? — Encaro o relógio e deixo um longo suspiro sair. — Eu sempre esqueço que o expediente acaba mais cedo hoje. — Vejo que falta pouco para às 18h.

— Sim, meu querido. Você é um dos poucos seres humanos desse planeta, que não se empolga com a ideia de ter um expediente que termina mais cedo. — Ele bufa.

— Onde vamos comer? — Pergunto enquanto salvo o contrato e guardo minhas coisas.

— Vamos à uma hamburgueria! — Diz animado. 

— Sério, Jin? — Resmungo.

— Seríssimo, meu caro. Nosso novato disse que gosta muito de hambúrguer e quem escolhe o local é ele, logo, hoje eu vou me entupir de batata frita e me afogar em ketchup. Minhas dobrinhas que lutem depois. 

Rio.

— Que dobras, Jin? — Junto meu notebook e pastas na bolsa.

— Ah, sei lá, sempre tem. Eu sou todo gostosinho, mas é aquilo né, sempre tem um negocinho pra reclamar.

— Meu Deus, hyung! 

— O que é? Hoje é sexta-feira meu caro, terei dois dias de paz e tranquilidade. Isso se o Namjoon não destruir minha casa. Falando nele. Oi, meu bem. Está pronto? — Ouço sua voz ao longe.

— Hyung, estou indo, ok? Você e o Namjoon ficam muito melosos.

— Me deixe, Seok. Vou te mandar mensagem com o endereço da hamburgueria. Tchau.

E assim ele desliga. 

Eu queria tanto ir direto pra casa. 

Quero um banho quente e soju acompanhado de lámen. 

O problema é que depois do ocorrido, se eu der uma desculpa, Jin vai grudar ainda mais no meu pé.

Por isso, pego o resto das minhas coisas e saio. A mesa de Taehyung está vazia, assim como as demais ao longo do corredor.

Suspiro esperando o elevador. 

Acho que vou enrolar uns 15 minutos por lá e depois posso dar uma desculpa e ir embora. 

Penso comigo enquanto desço em direção ao estacionamento.

Ao entrar no carro, olho o celular para ver se Jin mandou o endereço, e vejo que Hwasa já havia feito isso. Por isso, dou partida e sigo em direção a tal hamburgueria.

O local não era muito longe do escritório, pouco mais de 10 minutos de carro. Assim que estacionei, o carro de Jin chegou, estacionando ao lado do meu.

Decidi esperá-los para entrarmos juntos.

Do lado de fora, já era possível ver o aglomerado com alguns dos nossos, numa mesa que dava vista para a rua.

— Será que ainda tem lugar? — Namjoon pergunta se aproximando.

— Hwasa disse que reservou pra nós no começo da semana. Ela disse que o gerente ficou mais que satisfeito de atender quase vinte pessoas de uma vez, ainda que seja em um dia de maior movimento. — Jin explica, dando a mão ao namorado.

— Bom, pelo visto, ele deve se arrepender, olha o caos. — Aponto para a janela, onde é possível ver Jackson e Eunwoo gesticulando empolgados, enquanto Wheein fala e ponta pra eles.

A decoração do lugar era interessante. Parecia tirado de algum seriado medieval. 

Os risos de falas exaltadas eram ouvidos assim que abrimos a porta.

— Boa noite, viemos para a mesa em nome da Home. — Aviso a recepcionista que está vestida com roupas temáticas.

— Nem precisa nos acompanhar, já vi que é só acompanhar a gritaria. — Jin brinca e ela sorri.

Damos nossos nomes e ela nos entrega as comandas.

Avistamos a grande mesa com o restante da equipe. 

Era uma verdadeira bagunça de vozes, muitas porções de petiscos e algumas garrafas.

— Dá pra ouvir a gritaria de vocês da entrada, seus selvagens. — Jin brinca.

— Chefeee! — Jungkook se manifesta empolgado, puxando o “e’’ no final da palavra e  vermelho feito um tomate.

— Mas, você já tá bêbado, garoto? — A voz de Namjoon se faz presente.

Eles se sentam lado a lado nos lugares restantes em uma parte, e me resta um lugar na outra ponta, ao lado de Hwasa que se ajeita para que eu me sente.

— Não, hyung, só estou relaxado. — Jungkook responde sorrindo.

— Ele bebeu meia garrafa de soju sozinho. — Eunwoo responde.

— Bom, levando em conta que o Jungkook raramente bebe, isso já é alguma coisa. — Namjoon responde enquanto pega o cardápio.

— Boa noite pra você também, Hoseok. — Hwasa fala alto e assim todos me encaram.

— Meu deus, Hwa, eu acabei de sentar. E vocês não pararam de falar. — Bufo constrangido.

— Não quero saber. Quem chega deve cumprimentar. — Me responde sorrindo.

Olho em volta e todos continuam me encarando. 

Inclusive ele. 

Suspiro.

— Boa noite, pessoal. — Digo de uma vez, querendo espantar essa atenção toda.

— Boa noite, Hoseok-ssi. — Todos, sem exceção, me respondem.

Que ótimo. 

Sou rapidamente esquecido quando o garçom aparece para pegar nossos pedidos.

Não pensei muito, então apenas pedi um sanduíche com fritas e uma Sprite. 

Já que eu estou aqui, vou me permitir comer alguma coisa melhor que lámen.

Algumas bebidas são repostas e logo, estão todos rindo e conversando animadamente, enquanto acabo me distraindo com Namjoon, falando do provável cliente.

— Sem assunto de trabalho nessa mesa! — Hwasa ao meu lado se manifesta.

Ela tá me vigiando?

— Joonie, eu te amo, mas se você der corda pro Hoseok para falar de trabalho, vou comer sua porção de fritas. — Jin brinca e todos começam a rir.

— Mas, eu não falei nada, só estava ouvindo. — Namjoon responde.

— Isso é o bastante pra ele começar a tagarelar. — Hwasa se intromete.

— Vamos falar do que interessa. — Jin bate palma. — Tae, nos fale de você. Onde você mora? Quais são seus planos, seus sonhos? Se possível, suas derrotas, porque assim, a gente estreita os laços. 

Ele gesticula e todos ficam encarando Taehyung, que sorri.

— Eu não tenho nada muito interessante, na verdade. Nasci em Daegu, pouco tempo depois meus pais se mudaram pra Seul para abrir uma loja de tecidos. Eu estudava e cuidava da loja junto com meu pai até pouco tempo atrás, mas fui demitido e aqui estou. — Diz simplista. — Ah, e agora, Jimin e eu dividimos um apartamento. — Encara o amigo que lhe devolve um sorriso.

Tento não prestar atenção no fato de que Taehyung também é de Daegu. Assim como ele... 

— Como você conseguiu ser demitido da empresa do seu pai? Isso não é meio que impossível na cartela da educação parental? — Solar pergunta rindo.

— Solar?! — Eunwoo a repreende. — Desculpa, Tae, ela é fofoqueira.

— Fofoqueira não, interessada. — Justifica. – E ele não é obrigado a responder! Que coisa Eunwoo. — Ela se vira de novo para Taehyung. — Mas se quiser...

Ele sorri novamente, mas logo uma sombra paira sobre sua feição.

— Bom, sendo bem honesto, meu pai não me deu muitas explicações. Eu trabalhava com ele desde os 16 anos, mas de repente, ele achou que o “ideal” — gesticula. — seria ter uma mulher na posição em que eu ocupava. 

— Que besteira! — Solar responde e eu continuo observando.

— Bom, coincidência ou não, foi quando decidi assumir um relacionamento sério. Mas, ele nunca me disse nada além.

Todos se entreolham e eu continuo prestando a atenção nele, que agora remexe seu copo com um restinho de soju.

— Ai, você não é solteiro? — Moonbyul pergunta. — Minhas chances se partiram nesse momento. — Ela faz um gesto dramático e se joga em cima de Jackson, que começa a rir.

— Você é muito emocionada, mulher! — Ele diz, enquanto a ampara.

Taehyung ri, mas fica vermelho.

— É brincadeira, lindinho. — Ela diz.

— Tudo bem, mas eu acabei ficando solteiro no processo. — Explica.

— Poxa, perdeu o emprego e a namorada… — Solar lamenta.

— Na verdade, era namorado. — Diz apreensivo.

Silêncio.

— Ai, meu deus, ele é do vale! — Jackson grita e assim todos riem. — Eu sabia! Essa empresa não tem lugar pra hétero. 

— Peraí, eu sou hétero, hyung! — Eunwoo reclama num bico.

— Ai, Eunwoo, seu caso ainda está sob avaliação. — Jackson responde e se vira novamente para Tae. — Não esquenta gatinho, aqui todo mundo é meio gay, meio bi, meio lésbica, e de acordo com o Eunwoo, meio hétero também. Você está em casa.

— Mas eu sou casada Jack, com um homem. — Wheein agora se manifesta.

— Minha querida Wheein, minhas referências LGBTQIA+ são apenas para o “baixo escalão” da empresa. Não inclui a presidência e seus secretários porque vocês estão fora do meu alcance. 

— O que não muda nada, né, Jackson? — Jin pergunta dando a mão a Namjoon.

— Chefinho, não teço comentários sobre os NamJin na presença deles.

— Namjin? — Namjoon se manifesta. — Às vezes, acho que não trabalho no mesmo lugar que vocês. Eu tô sempre perdido. — Reflete, acariciando a mão de Jin.

A mesa inteira inicia uma nova discussão e finalmente, os pedidos chegam. 

Me distraio comendo o que pedi. É realmente bom. 

Uma gargalhada alta e profunda chama minha atenção e, ao olhar, vejo Taehyung, que está entre Jungkook e Jimin, rindo de algo que lhe foi dito. 

Os três estão usando chapéus temáticos do restaurante e tirando fotos.

Finalizo minha refeição e decido que já fiz minha parte.

— Bom, preciso ir. — Aviso Namjoon.

— Já? — Indaga. 

— Preciso descansar. Andei sentindo muita dor de cabeça nos últimos dias. Vou tentar por meu sono em ordem. — Aviso enquanto junto minhas coisas.

— Tudo bem, se cuide. Se quiser, apareça no fim de semana. — Ele se levanta e me abraça.

— Tudo bem. Boa noite, pessoal. Até segunda. — Anuncio e, após me responderem, vou ao caixa pagar minha conta.

[..]

Ao chegar em casa me dedico a um bom banho quente e visto um pijama confortável. 

Tento me distrair com algo na TV, mas, por algum motivo, relembro do que ouvi de Taehyung mais cedo.

Se entendi bem, seu pai o demitiu sem justa causa, e como eu não acredito em coincidências, provavelmente foi por ele ser gay. 

Aliás, ele é gay? Ele pode ser bi...

Acabo lembrando da época em que contei aos meus pais. 

Eu não tinha nenhum namorado, só não quis esconder. 

Mesmo que meu pai tenha surtado por 24 horas, ele foi compreensivo. Minha omma sequer fez perguntas. Para ela nunca fez muita diferença.

Eles ficaram tão felizes quando disse que Yoongi e eu íamos nos casar.

Droga...

Desvio minha atenção para a TV e fico assim até pegar no sono, pensando na história de Taehyung e tentando esquecer Min Yoongi.

 


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui.
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Caso queiram mencionar a fic no twitter, a tag dela é #Tudoculpadobiquinho.
Volto em breve.


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