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História Jamais Vu VHOPE - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Capítulo 6


Kim Taehyung

Eu poderia dizer que estou ficando exausto? Poderia! Mas a verdade é que eu tô amando finalmente trabalhar.

Semanas passaram desde o incidente ao telefone com minha mãe e toda aquela coisa com o Hoseok, e eu me sinto aliviado. 

Apesar de ter tido certeza de que seria dispensado depois do que falei.

Lembro de como as minhas pernas tremiam quando fechei a porta da sala do Jin hyung. 

A equipe da presidência não sabia se ria, ou ficava com dó da minha cara vermelha de nervosismo. 

Mas, o melhor veio depois, quando finalmente, Jung Hoseok me deu a chance de fazer meu trabalho. 

Fiquei tão nervoso quando ele começou a me entregar as coisas e falar um monte com aquele jeito todo CEO fodão. 

Mas, mantive minha seriedade porque eu não poderia dar chance ao azar. 

Ele me intimida, mas eu jamais vou admitir isso em voz alta.

Passei a trabalhar intensamente. 

Era animador ter tantas coisas pra fazer. Mais do que tive, quando trabalhava com meu pai. 

Aproveitei a oportunidade para fazer alguns cursos online que a empresa disponibiliza, para compreender melhor o que eu poderia fazer dentro da minha função.

Agora, eu revisava os contratos de processo em andamento, participava das reuniões e tomava nota de observações importantes. 

Hoseok e eu alinhávamos as coisas ao longo dos dias e, por mais que ele mantivesse a seriedade e houvesse uma certa distância em nossas interações, ele me deixava a par de tudo e era extremamente profissional. 

A cara emburrada? Nunca mais vi. 

Mas a expressão séria e discreta, continuava presente cem por cento do tempo.

Eu não me importo mais. 

Cada pessoa trabalha de um jeito e, se esse é o dele, tudo bem. Nada que eu não me acostume.

Na última semana, ele havia iniciado a fase de um contrato importante de plágio com um escritor aparentemente famoso. 

Apesar de tê-lo visto na última reunião, não sabia quem era. 

Nunca li muitos romances também, essa parte da arte nunca foi muito a minha praia.

Apesar de tudo caminhar bem, eu tinha uma sensação esquisita em relação ao comportamento do meu chefe. 

Ele tinha sempre uma expressão fechada, claro. Mas, em algumas poucas ocasiões onde entrei em sua sala sem bater – achando que ele ainda não havia chegado – percebi que ele encarava o nada e tinha um olhar triste. 

Mas, assim que ele notava minha presença, seu olhar triste dava lugar a uma expressão neutra ou levemente fechada.

Eu não o questionava, obviamente, mas isso, somado ao fato de que eu não via aquele homem consumir nada que não fosse café, me dava uma sensação de que havia algo errado. 

Eu costumava sair para almoçar com Jimin. Às vezes Jackson e Moonbyul também nos acompanhavam. Assim como Eunwoo e Solar, que revezavam na recepção.

Mas era sempre a mesma coisa. 

Eu saía, e ele estava lá. Eu voltava e ele continuava ali. E não havia indícios de que ele tinha comido. 

Sei lá, um guardanapo, embalagens ou gota de molho no paletó. 

E sim, por algum motivo eu prestei atenção nisso.

Por exemplo, agora são quase quatro da tarde e ele não saiu da sala desde que sua conferência do dia terminou.

Estava fechando um orçamento, quando meu ramal tocou, vindo da recepção.

— Taehyung. — Atendi enquanto finalizava o arquivo e encaminhava para Hwasa.

— Olá, Tae. — Ouço a voz simpática de Eunwoo. — Tem uma visita para o Hoseok-ssi. Pode verificar se ele está disponível? — Ele diz.

— Claro. Qual o nome e a empresa, Eunwoo? Pela agenda dele, não há mais nenhum compromisso marcado. — Explico.

— Ah, sim. É particular, certo? — Ouço dizer. — Qual o seu nome, senhor? Ok. Tae, ele se chama Min Yoongi e é particular mesmo.

—Tudo bem, Eunwoo, vou confirmar e já aviso a você. –— Desligo e disco o ramal do meu chefe.

—Sim, Taehyung?  — Ele atende e o cansaço em sua voz é nítido.

— Hoseok-ssi, há uma visita na recepção. Devo liberar a entrada?

— Visita? Minha agenda do dia já terminou. Ou não? 

— Já terminou sim, mas Eunwoo disse que era particular. — Aviso.

— Quem é, Taehyung? — Suspira alto ao telefone.

— Bom, Eunwoo disse que se chama Min Yoongi, senhor.

O silêncio que se seguiu era tão pesado que achei que havia algum problema na linha telefônica.

Esperei mais algum tempo até me manifestar.

— Hoseok-ssi? O senhor está aí? — Tento.

Finalmente ouço um suspiro do outro lado da linha.

— Mande-o entrar Taehyung. — E assim finaliza a ligação.

Retorno para Eunwoo, e pouco tempo depois, um homem de cabelos escuros se aproxima. 

Ele não é muito alto, na verdade ele é bem mais baixo que eu, usando uma calça social e uma blusa azul-marinho com listras brancas. Além disso, suas orelhas têm uns dois brincos em cada. 

É um homem bem bonito.

Sorrio simpático. 

— Olá, boa tarde. Sou Min Yoongi, vim falar com Jung Hoseok. — Ele anuncia de maneira tranquila.

— Olá. Sou Kim Taehyung, secretário do Sr. Jung. Pode aguardar um momento? Vou anunciar sua entrada. — Me levanto e indico o sofá em frente à minha mesa.

Sigo até a sala do meu chefe e após duas batidas, abro uma pequena brecha.

Ele tem as mãos massageando as têmporas e uma postura visivelmente cansada.

— Hoseok-ssi? 

Ele ergue o olhar e vejo que sua feição não está nada boa. 

Os olhos cansados, a face pálida.

— Sim,Taehyung? Ele já chegou? — Pergunta baixo.

— Sim, posso deixá-lo entrar? 

Ele respira fundo, alinha os cabelos e o terno e me encara novamente.

— Sim, por favor.

Me viro até o rapaz que percebi que me observava.

— Por favor, pode entrar. — Abro mais a porta.

Ele se levanta e caminha até passar por mim.

— Os senhores querem água ou café? — Pergunto enquanto ele caminha até meu chefe.

— Não, obrigado. — Min Yoongi me responde.

— Está tudo bem, Taehyung. — Meu chefe responde, mas seu olhar já está fixo no rapaz de cabelo castanho.

Fecho a porta e volto para minha mesa, acompanhado de uma sensação esquisita.

Decido voltar a focar no que tenho a fazer, e com isso, o tempo passa.

[...]

A porta do escritório se abre e o visitante passa, sendo seguido por meu chefe.

Ambos seguem até o corredor do elevador e o rapaz vai embora.

Meu chefe caminha exausto, e com uma expressão esquisita no rosto.

— Taehyung? — Ele diz se aproximando de minha mesa.

— Sim, Hoseok-ssi? — Encaro-o.

—Você pode, por favor, entrar em contato com nossa farmácia conveniada e pedir um remédio para enxaqueca? Eu faria isso, mas minha cabeça está latejando tanto que eu mal consigo racioc… — Ele cambaleia em direção à minha mesa.

— Hoseok-ssi! — Me levanto rapidamente, tentando ampará-lo.

— Está tudo bem. Foi uma tontura, deve ser essa maldita dor de cabeça.

Ele tenta recuperar a postura, mas seu corpo o trai novamente e dessa vez eu vejo Jung Hoseok desmaiar bem diante dos meus olhos, amparado pelos meus braços.

Puta merda!

— Sr. Jung! — Sacudo-o levemente. — Meu deus do céu! Hoseok! — O chamo novamente, mas ele está apagado.

— Gente, me ajuda aqui! — Grito.

Ouço passos apressados.

— Meu Deus, o que aconteceu? — Jackson é o primeiro a aparecer e me ajuda a colocá-lo no sofá.

— Eu não sei! Ele tá pálido pra cacete! Puta merda. — Digo trêmulo tentando ligar para a emergência do condomínio.

— Nossa, ele tá gelado. Hoseok! — Jackson tenta novamente, dando-lhe leves tapinhas no rosto.

Minutos depois, as coisas acontecem rápido. 

Os bombeiros surgem, ele é posto em uma maca e eu me vejo dentro de uma ambulância a caminho do hospital, e eu odeio hospitais.

[...]

O atendimento é rápido e logo há um médico e um enfermeiro cuidando dele. O levando para um quarto.

Na recepção, faço seu registro. 

Pelo menos meu cérebro funcionou o suficiente para que eu me lembrasse de pegar seu celular e sua carteira. 

Faço todo o trâmite de sua entrada no hospital, e agora só me resta aguardar.

Aproveito o tempo para enviar uma mensagem para o grupo da empresa, e uma diretamente a Namjoon e Jin, que, por ironia do destino, estavam fora da cidade nos últimos dois dias por causa de um contrato.

Sentado em meio a paredes brancas e pessoas de jaleco para todos os lados, sinto a tensão passear pelo meu corpo. 

Meus ombros doem, minhas mãos continuam tremendo e a imagem dele desmaiando passa sem parar pela minha cabeça.

Estou distraído quando um dos celulares toca e me dou conta de que é o do meu chefe. 

“Omma” pisca de maneira frenética na tela e eu travo.

O que eu faço? O que eu digo? Como é que eu explico isso a ela, se eu nem sei o que houve?

Num rompante, me levanto e vou até o balcão de informações.

— Eu preciso de ajuda, moça! — Digo para a recepcionista.

— Está se sentindo mal, senhor? — Ela entra em alerta.

— Olha, eu tô surtando, mas isso não vem ao caso. Meu chefe deu entrada e ainda não sei o que houve. Mas o telefone dele tá tocando e é a omma dele. Eu não sei o que dizer, moça. — Falo desesperado.

— Qual o nome do paciente? 

— Jung Hoseok. Tem pouco mais de uma hora que ele chegou, eu acho.

Ela digita algo rapidamente na tela e eu suspiro de alívio ao ver que o telefone parou de tocar.

— Ele já passou pelo atendimento, está sendo medicado. Nós temos o contato da família em seu cadastro. Eu vou retornar e avisar o ocorrido. — Ela diz tranquila e eu quero gritar de nervoso.

— Moça, medicado com o que? O que ele teve? — Peço desesperado.

— Nós só passamos os detalhes à família, senhor. 

Ai, puta que pariu! 

Respiro fundo.

— Moça, eu vim com ele. Eu aturo esse homem 5 dias da semana, quase 10 horas do meu dia, se você contar que eu começo a trabalhar antes mesmo de sair de casa. Esse emburrado desmaiou nos meus braços e fui eu quem o trouxe pra cá. Tenho o celular e os documentos dele e tenho pavor de hospital, então, antes que meu último fio de sanidade vá pelo ralo, me dê alguma informação! — Falo acelerado.

Talvez eu tenha surtado.

— Senhor, eu… —  Ela começa e meus olhos se reviram em agonia.

— Acompanhante do Sr. Jung Hoseok? — Uma mulher de cabelos castanhos, vestindo um jaleco com “Dra. Son Ye-Jin - clínica geral” bordado, se aproxima de nós.

— Sou eu, moça! Sou Kim Taehyung e o Sr. Jung é meu chefe. Por favor, me diga se ele está bem. — Me aproximo dela.

— Claro. O Sr. Jung está bem. O que ele teve foi o que costumamos chamar de estafa mental. Ele provavelmente já vinha sentindo alguns dos sintomas, mas algo desencadeou a síncope. Ele teve uma queda brusca de pressão. — Ela pacientemente me explica. 

— Ele já foi medicado. Fizemos uma dose de soro para hidratá-lo e agora, está em observação em um de nossos leitos. Como ele é o único paciente por lá, posso levá-lo para vê-lo.

— Sério, doutora? Meu Deus, a senhora é um anjo. — Agradeço enquanto caminhamos até onde ele está.

— Não há de quê. Ele provavelmente está dormindo no momento. O soro já deve estar pela metade. Ele precisa ficar essa noite para avaliação, mas amanhã, nas primeiras horas do dia, já está liberado. — Ela diz e me indica a ala 7. 

— Pode entrar. A enfermeira passará aqui em breve para avaliá-lo e depois eu volto para falar com o Sr. Jung.

Me curvo em agradecimento e respiro fundo antes de entrar no quarto. 

Há duas macas vazias, e mais uma ao fundo, onde o corpo do meu chefe repousa serenamente. 

Suspiro aliviado e me aproximo.

Ele está com uma agulha espetada em seu antebraço, ligada ao soro que pinga lentamente. 

Seu indicador tem um marcador cardíaco e é isso. Se não fossem essas duas coisas, poderia dizer que ele está apenas dormindo.

Observo seu rosto que agora está menos pálido, seu peito sobe e desce indicando sua respiração ritmada. Ele está com uma daquelas roupas de hospital e coberto até a cintura por uma colcha.

— Eu não ganho o suficiente pra isso meu deus… — Suspiro puxando uma cadeira para me sentar ao seu lado.

Observo seu rosto mais uma vez e me pergunto o que pode tê-lo deixado tão mal ao ponto de ter uma síncope. 

Ele não é tão mais velho que eu — acho.

Me distraio com esse pensamento, até que um movimento me chama a atenção. Ele está despertando, então me ponho de pé. 

Hoseok abre os olhos lentamente, se mexe um pouco e parece perceber o soro em seu braço. 

Logo depois, nossos olhos se encontram. 

Ele me encara por algum tempo antes de falar.

— O que aconteceu? — Sua voz grossa e rouca se faz presente.

— O senhor desmaiou, eu pedi ajuda e viemos ao hospital. — Explico.

— Entendo.

— O senhor está bem? Precisa que eu chame a enfermeira? — Me aproximo novamente de sua maca.

— Está tudo bem, só sinto minha boca meio seca. — Ele tenta se levantar, mas me adianto.

— Por favor, tenha cuidado. Eu vou ajudá-lo. A enfermeira já vem olhar seu soro e a médica disse que vem logo em seguida.

Ajudo-o a curvar um pouco a maca para que se sente.

— E no escritório? 

— Está tudo bem. Apesar do susto, já avisei a todos que o senhor foi atendido e não é nada tão grave. Seokjin e Namjoon devem estar chegando em breve. Eles estavam voltando pro escritório quando contei. — Me sento novamente na cadeira.

— Certo. Jin vai me obrigar a tirar férias. — Ele diz baixinho, talvez apenas para si.

— Eu não sei, Hoseok-ssi, mas não tiraria sua razão. A médica me disse que o que o senhor teve foi uma espécie de síncope por uma estafa mental. — Me ajeito o encarando.

— Eu sei, eu vinha sentindo essas dores de cabeça há um tempo, mas achei que era por conta do sono atribulado que venho tendo. — Suspira.

Antes que possamos falar algo mais, a Dra. Ye-Jin reaparece e junto com ela, a enfermeira.

— Olá, Sr. Jung. Sou a Dra. Ye-Jin. — Ela se curva.

— Olá, Dra. — Responde com um tom cansado.

— Bom, a enfermeira vai fazer a troca de seu soro. Após seus exames ficarem prontos, constatamos uma leve anemia. O que o senhor teve, foi apenas um sinal de alerta que seu corpo encontrou para mostrar que as coisas não andam bem. 

Ela se aproxima com sua prancheta em mãos.

— Como anda sua alimentação? Quantas refeições vem fazendo? E a ingestão de álcool? O senhor mantém uma rotina de exercícios? 

À medida que meu chefe vai respondendo, meu sangue esquenta. Descobri que ele sequer faz uma refeição decente — o que eu já desconfiava.  Se enche de soju, principalmente aos fins de semana e se auto medicou apenas por conta da dor de cabeça.

A médica ouve e anota tudo, fazendo novas perguntas, e quando ela pergunta se ele teve algum estresse profundo recente, meu chefe se retrai. 

— Eu tive um encontro indesejado, vamos assim dizer. Não foi uma briga, mas toda a situação foi muito desconfortável. — É o que ele diz, e sinto que não saberemos nada além.

Certeza de que tem a ver com aquele listrado de hoje cedo.

— Bom, minhas recomendações são simples: repouse nos próximos cinco dias, faça pelo menos três refeições por dia, inclua vegetais e frutas em sua rotina, reduza a cafeína, e tente fazer alguma atividade física. Escolha algo que goste e ficará mais fácil de se manter praticando. — Explicou.

— Aqui está uma lista de suplementação vitamínica para os próximos trinta dias. Coloquei datas e horários. — Me entrega a folha. — Aqui também há a recomendação para uma consulta clínica. Faça um check-up assim que possível. E por favor, reduza sua carga de trabalho. — Ela recomenda, mas me encara, como em um aviso.

Ao final, fico com todos os papéis. A enfermeira trocou seu soro e lhe entregou um copo de água e ele permanece quieto.

— Não precisa ficar, eu já estou bem. — Ele quebra o silêncio.

— Eu sei, mas prefiro esperar alguém que possa ficar com o senhor. — Explico verificando meu celular. — Jin hyung está chegando.

— Tudo bem. — Suspira. — Obrigado, Taehyung. Sei que não é parte do seu trabalho. 

Ele não me encara, apenas continua olhando o teto.

— Não se preocupe, Hoseok-ssi, está tudo bem. 

A porta se abre e de repente, uma senhora de meia idade, cabelos negros, vestindo um terninho com uma maquiagem impecável se aproxima.

— Hobi. — Ela anuncia ao se aproximar.

Me afasto para lhe dar espaço.

— Omma? O que faz aqui? — Ele questiona enquanto ela o abraça.

— Meu filho, eu estava indo ao seu escritório quando o hospital me ligou. Você anda sumido, quis te ver pessoalmente. Pelo visto, fiz bem.

— Omma, não é nada.

— Como não, Jung Hoseok? Eu te pus no mundo. Você não anda bem desde que aquele descolorido foi embora. — Ela resmunga.

— Omma, por favor. — Ele diz e me olha de soslaio.

— Oh, me desculpe. Eu sou Jung Yoo-ra, mãe do Hobi. — Ela sorri para mim.

— Sou Kim Taehyung, secretário do Sr. Jung. — Me curvo em reverência.

— Achei que seu secretário era aquele jovenzinho de olhos enormes. — Ela se vira para Hoseok.

— Jungkook foi promovido, omma. Agora ele trabalha com Seokjin e Namjoon. — Explica.

— Ah sim. Bom, de qualquer forma, é um prazer conhecê-lo, Taehyung-ssi. Ainda que nessas circunstâncias. Foi você que acompanhou meu filho? — Ela se encaminha para a cadeira que eu sentei antes e entrelaça seus dedos ao dele.

— O prazer é meu, Sra. Jung. E sim, fui eu quem o trouxe. 

— Bom, você tem minha gratidão, Taehyung-ssi. Eu só fiz um desse modelo e não quero perdê-lo. — Diz e afaga a mão do meu chefe que fecha os olhos relaxando.

— Por favor, me chame apenas de Tae, ou Taehyung se preferir. Não precisa agradecer.

Mais uma vez, a porta se abre, e a figura de Seokjin e Namjoon se faz presente.

— Jung Hoseok, quando eu puser minhas mãos em você. — Jin é o primeiro.

— Jinnie, por favor. — Namjoon vem logo atrás.

— Oh, desculpe, Yoo-ra-ssi. — Ele se curva para a mãe do meu chefe.

— Tudo bem, Jin, eu entendo você. — Ela diz e sorri. — Olá Namjoon, você continua crescendo? Cada vez que te vejo parece que está mais alto.

Namjoon sorri grande e suas covinhas aparecem.

— Acho que já parei de crescer Yoo-ra-ssi, mas agradeço. — Ele se curva.

— Como vocês estão? Tudo bem na empresa?

— Tirando o fato de que o seu filho anda me fazendo ter queda de cabelo, tudo caminha bem. — Jin responde e vejo Hoseok fechar a cara.

— Meu Deus. — Ele bufa indignado.

— Hoseok, você não está em posição de questionar. Se não quer ser tratado como um adolescente, não aja como um. — A voz sempre tão tranquila de Namjoon, agora soa séria.

Entendo isso como uma deixa para me mandar. 

— Bom, eu vou indo. O senhor já está acompanhado e eu preciso reorganizar as coisas no escritório. — Anuncio.

— Taehyung, obrigado por cuidar de tudo. — Jin hyung sorri. — Por favor, adie os compromissos de Hoseok para o mês seguinte. 

— Seokjin! — Meu chefe se irrita.

— Não tem desculpa, Jung Hoseok. Você está de férias forçadas! Hwasa já está cuidando de tudo. Vou te deixar quinze dias fora daquele lugar. Se você se comportar, talvez eu deixe os outros quinze para daqui há um tempo.

— Eu vou para casa com você, tenho um compromisso em Jeju depois de amanhã, mas nos próximos dois dias, vou cuidar de você. — Sua mãe diz.

— Não precisa, omma. 

— Sei que não, mas me sinto melhor assim, Hobi.

— Odeio esse apelido. — Ele resmunga.

— Você costumava gostar. — Retruca.

— Bom, vou indo. Sra. Jung, foi um prazer conhecê-la. — Me curvo.

— O prazer é meu, querido. Mais uma vez, obrigada.

— Hoseok-ssi, eu vou até a farmácia aqui em frente para comprar os remédios e levo amanhã, se não for atrapalhar. — Explico.

— Não precisa Taehyung, eu mesmo compro. Não se dê ao trabalho. Você já fez mais do que precisava hoje. — Diz sereno.

— Não é incômodo, faço questão. Até porque, com o senhor de férias, boa parte do meu trabalho fica reduzido. — Sorrio.

— Eu ficaria grata de não ter de me preocupar com isso, Taehyung-ssi, se realmente não for um problema para você. Já sei que não posso confiar muito no meu filho quanto aos seus próprios cuidados.

— Não há problema. Até amanhã, então. Melhoras, Hoseok-ssi.

— Eu te acompanho até lá fora, Tae. — Namjoon hyung sinaliza e começamos a caminhar juntos.

Seguimos em silêncio pelos largos corredores do hospital até que Namjoon se manifesta.

— Ele nem sempre foi assim, sabe? — começa. — Ele era o cara mais sorridente que eu conhecia. Todo mundo na faculdade gostava dele, era engraçado. Ele conseguia sentar com todos os grupos que havia naquele lugar.

— Sério? Isso é bom. 

Caminhamos para a farmácia para compra dos remédios e Namjoon faz questão de pagar por eles.

— Ele é um cara incrível, Taehyung, o melhor amigo que se pode ter, não importa a ocasião, mas esse ano tem sido difícil para ele. — Explica.

— Seok é o tipo de pessoa que não gosta de dar trabalho. Ele é sempre proativo, animado, sorridente, e muito bom no que faz, mas ele também sente as coisas numa proporção enorme.

— Como assim, hyung? — Pergunto enquanto caminhamos até o ponto de táxi.

— Significa que ele é uma pessoa intensa, ele não sente as coisas pela metade, sabe? Quando ele sorri, é sincero. Mesmo que ele faça isso o dia inteiro, o tempo inteiro. Porque é quem ele é. Mas, quando algo o machuca, ele também sente isso de maneira intensa. Ele sofre, se questiona, se cobra. Hoseok está passando por uma situação complicada, onde, ao meu ver, está se culpando de algo que só é uma questão de circunstância. Às vezes as pessoas querem uma coisa, até o momento que não querem mais. Talvez isso não faça sentido pro Seok, mas é como eu vejo. 

— Acho que entendo, hyung, é uma pena. Pelo que me conta, ele parece ser alguém muito bom de se ter por perto. — Observo.

— Ele é. Espero que você consiga ver essa fase. Na verdade, espero que essa fase volte. Enfim, vamos fazer nosso melhor para ajudá-lo. 

— Se eu puder fazer algo, pode contar comigo, hyung. Nós não tivemos um bom começo, mas espero que as coisas possam melhorar. Eu gosto do meu trabalho. — Digo com sinceridade.

— Nós gostamos de tê-lo conosco, Tae. Vá com cuidado e nos vemos amanhã cedo na empresa.

— Sim, até amanhã. — Me despeço e entro no carro.

Aproveito o caminho de volta para respirar um pouco e espairecer. 

Ao chegar, Jimin está na sala vendo TV.

— Hey, como estão as coisas? — Se aproxima me dando um rápido abraço.

— Sim, tudo bem. Foi o que disse por mensagem. O susto passou. Ele está em observação e amanhã terá alta. 

— Que bom, pelo menos não foi nada grave.

Jimin praticamente me empurra em direção ao banheiro. 

Não reluto, afinal, agora que tudo passou, meu corpo inteiro dói. 

Tomo banho quente e demorado, visto um pijama confortável, me sentindo um pouco melhor. 

Quando voltei, ele preparou um sanduíche e um suco para mim.

Comemos na sala mesmo, conversando um pouco mais e até que sinto os primeiros sinais da exaustão.

— Vai para a cama, Tae. Foi um dia longo e ainda estamos no meio da semana. 

Apenas aceno e me dirijo ao quarto. Coloco o celular para carregar e essa é minha última lembrança antes de apagar.

 

[...]

O dia seguinte veio mais rápido do que meu corpo desejava, mas não me dei muito tempo para ter preguiça, afinal, eu tinha um monte de coisas para fazer.

Tomei um banho rápido e decidi não esperar a carona de Jimin. 

Deixei apenas um bilhete avisando que já tinha saído e pedi um carro no aplicativo. 

Parei em uma padaria próximo ao prédio da Home para comer alguma coisa e depois segui para a empresa.

No escritório só havia Eunwoo na recepção e Jackson no salão. 

Conversamos rapidamente sobre o ocorrido e eu fui tentar adiantar meu trabalho.

Passei boa parte da manhã fazendo contatos e remarcando os compromissos daquele mês, e o que estava sinalizado como urgência, deixei anotado para alinhar com Jin e Namjoon hyung.

Era quase hora do almoço quando meu celular vibrou, e o nome do meu chefe apareceu na tela. 

A preocupação foi instantânea.

— Hoseok-ssi? Aconteceu alguma coisa? 

— Bom dia, Taehyung. Não aconteceu nada. Estou em casa desde às seis da manhã. — Ele bufa do outro lado.

— Desculpe, bom dia. Mas em que posso ajudá-lo? Eu vou levar os remédios na parte da tarde, estou apenas remarcando seus compromissos. — O aviso.

— Não foi por isso que liguei. Acontece que… — ele respira fundo. — Preciso que me traga trabalho, Taehyung.

— Como é? — Minha voz se eleva. — Desculpe, como assim, Sr. Jung? O senhor não está de férias?

— Ainda não. Estou apenas de repouso pelos próximos dias. Olha, Taehyung, não espero que você entenda, mas a questão é que eu não vou conseguir ficar todo esse tempo dentro dessa casa, sem ter algo para ocupar minha mente. — Suspira.

— Hoseok-ssi, mas o pedido da médica foi justamente o oposto.

— Eu sei, por isso não vou pedir que você me traga tudo. Quero apenas um ou dois processos, assim analiso com calma e faço algumas anotações. Por mais que eu não faça nada efetivamente, já é alguma coisa.

— Hoseok-ssi, isso é...

— Por favor. — Sua voz é apenas um sussurro.

Eu não tô acreditando.

— Olha, eu tenho uma reunião com o Jin e o Namjoon daqui há dez minutos. Verei o que posso fazer, mas por favor, não conte com isso. O Jin hyung foi bem enfático ontem. — Explico.

— Eu sei, eu sei. Vai todo mundo encher o meu saco. Eu vou te mandar meu endereço por mensagem.

— Tudo bem, Hoseok-ssi. Até mais tarde.

— Até mais, Taehyung. — Desliga.

Respiro fundo e sigo para a sala de Seokjin.

[...]

— Esses você pode deixar que eu finalizo. — Jin anota os números dos contratos urgentes.

— Esses de patente, eu resolvo. Os demais, já estão em andamento, então peço para a equipe acompanhar. Vou distribuir entre os três. Acho que não teremos grandes contratempos. Ele já deixou praticamente tudo encaminhado. — Namjoon hyung anota algumas coisas.

Eu salvo as observações no Ipad e respiro fundo. 

É agora ou nunca.

— Hoseok-ssi me ligou há pouco. — Digo e ambos me encaram. — Ele me pediu trabalho.

— Como? — Jin hyung parece não acreditar.

— Explique melhor, Tae. — Namjoon me analisa.

— Olha hyungs, eu sei que a situação dele é delicada, acho que ele também está tomando conhecimento da dimensão disso, já que me pediu que fossem apenas contratos que pudesse analisar e fazer anotações. Nada muito complexo. — Explico. — Eu sei que temos as recomendações médicas, mas precisamos entender que ela pediu que ele reduzisse sua carga de trabalho, não a zerasse. Então, proponho que a gente entregue algo a ele.

— Hoseok já te corrompeu, garoto? — Jin alisa o rosto em frustração.

— Não, Jin hyung. Eu só tenho a impressão de que, se o deixarmos sem nada, ele pode se estressar ainda mais. — Encaro ambos.

— O Sr. Jung já vinha equilibrando as coisas. Nós estávamos fazendo muita coisa em conjunto, então, eu posso separar um contrato por semana e levar até ele. — continuo.

— Mas não é seu trabalho, Taehyung. — Jin comenta.

— Meu trabalho inclui ajudá-lo em ocasiões fora da empresa também, seja acompanhando em reuniões ou eventos. Sei que não é o mesmo, mas eu gostaria de ajudar. Eu já alterei todos os compromissos dele, nós já alinhamos as urgências. As coisas que sobraram, posso levar a ele semanalmente, assim ele não se sente desocupado cem por cento do tempo. — Explico.

— Eu não sei, Taehyung. Eu ainda tô muito preocupado com o Seok. — Ele suspira.

— Eu entendo, Jin hyung, mas precisamos entender o lado dele também. Se ele estava afogado em trabalho por uma questão de escolha, deve existir um motivo, e talvez tirar dele a única coisa que o estava motivando, seja pior.

Ele e Namjoon se encaram e eu me sinto ainda mais nervoso. 

Namjoon apenas acena e Jin se resigna.

— Ok, Taehyung. Você venceu. — Suspira.

— Obrigado hyungs.

— Tae, vamos fazer assim. Um processo a cada dois dias, assim ele vê coisas diferentes. Vamos pegar os que seriam divididos entre os advogados, já que eram apenas para acompanhamento. — Namjoon explica. — Você pode cumprir meio expediente aqui, fazendo contato e controlando a agenda dele, e a outra metade fica para que você leve os processos até ele, os traga de volta. Eu vou avisar a Hwasa de como ficarão seus horários. Se você passar da hora por algum motivo, quero um relatório justificado para que sejam contadas as horas extras e me mantenha em cópia desses processos.

— Claro, Namjoon hyung. Vou cuidar de tudo. — Sorrio. 

— Quero seus relatórios de gastos com comida e transporte, Tae. Não os esqueça. Você continua sob nossa responsabilidade, ainda que esteja cumprindo seu horário fora daqui. — Jin finaliza.

— Tudo bem, vou providenciar tudo. — Me despeço e sigo para minha mesa para organizar as coisas antes de levar o que preciso até meu chefe.

Nem acredito que consegui. 

Suspiro aliviado.

 


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui.
Volto na próxima semana, com mais dois capítulos para atualizar.


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