História Janeiro - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Carta, Drama, Original, Romance
Visualizações 8
Palavras 2.555
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi vocês! Uma explicação rápida: esse é o primeiro de vários capítulos onde a data não ocorre em Janeiro (falando nisso, prestem atenção nas datas, talvez elas venham ser importantes no final da história).
Outra explicação rápida: sobre o começo dos capítulos recentes ter "história de Margot - primeira parte", isso é porque nesses capítulos, é como se estivesse contando uma pequena parte da """"história"""" de ambos, que pode (ou não) ser relevante no final de tudo. Talvez tenha ficado confuso, mas vou tentar explicar melhor futuramente. Espero que gostem desse capítulo e desculpem se houver algum erro. Beijo 💕

Capítulo 6 - B a g u n ç a


Londres, Inglaterra
Domingo, 5 de Abril de 2015

A história de Margot - última parte.

A música estava alta demais, mas a porta fechada do quarto abafava o som. E Margot queria ficar em silêncio, devido a uma dor de cabeça repentina que havia surgido. Perguntava-se intimamente porque estava ali, já que não lembrava-se perfeitamente.

O álcool ainda estava presente em seu corpo, isso explicava sua visão relativamente turva e o fato de rir de tudo que seu acompanhante falava. Seu acompanhante... como exatamente se chamava? Matthew? Não, Matteo. Um italiano bonito. Muito bonito. Agora ela lembrava-se razoavelmente porque estava ali: seu sotaque forte a encantara. Sem contar as coisas que ele dizia ao seu ouvido: "sei così bella." Margot não fazia ideia do que significava, mas soava tão bem.

— Espera um minuto — disse Matteo ao afastar-se repentinamente de um beijo — preciso procurar uma camisinha.

Dito isso, levantou-se, abrindo uma porta em um canto do quarto, fazendo Margot deduzir que ali seria o banheiro. Seu corpo estava estirado sobre a cama enquanto ouvia objetos batendo uns nos outros, provando assim que Matteo estava mesmo a procura de uma camisinha.

Margot estava bêbada demais e, pegou-se divagando sobre o italiano extremamente bonito que procurava por um preservativo no banheiro. A pele morena dele fazia Margot sorrir. Ele realmente era bonito, porém Margot sabia que estava bêbada e, geralmente, o álcool sempre a enganava em situações como esta.

— Solo un altro minuto, cosa bella — gritou Matteo do banheiro, deixando Margot ainda mais confusa com suas palavras — havia uma camisinha aqui, apenas não consigo achá-la.

Margot pensou em gritar um "tudo bem", mas sua boca não obedeceu, permanecendo em silêncio. O sono ameaçava chegar. Com um pouco de dificuldade, achou o celular enterrado no bolso do short jeans surrado e viu as horas: 04h45. Não lembrava que estava naquela festa há tanto tempo.

M havia sido convidada para estar naquela festa em meio a um dia de Páscoa por Anne, sua colega de classe. Margot convidou Amy, mas desde a festa de Mendes, Mayhew recusava-se a ir a mais alguma. E, ainda segundo Amy, Margot ultimamente estava em muitas festas, o que estava tornando-se um hábito terrível. A explicação era de que Margot tinha de inventar mentiras para os pais. O que era verdade, mas para M, eram mentiras necessárias. Afinal, ela era uma adolescente, certo? Precisava sair, ir em festas, conhecer pessoas legais e se divertir. O divertimento estava acima de tudo, mesmo que isso significasse mentir aos pais e estar sem seus melhores amigos. Era um sacrifício, que no momento, parecia valer a pena de ser arriscado.

Ainda ouvindo a possível bagunça que Matteo deixava no banheiro pela procura incessante, Margot discou o número de Amy no celular e esperou pacientemente que a ligação fosse atendida.

— Alô? Quem é? — disse Amy do outro lado da linha, a voz grossa e sonolenta.

— Ei, baby. — respondeu Margot, rindo em seguida por usar a palavra baby — sou eeeeeu.

— M? O que está fazendo? Está bêbada?

— Talvez. — riu novamente.

— Logo será de manhã. Onde você está?

— Naquela festinha superanimada. Estou com Matteo, um italiano extremamente quente. — fechou os olhos, levando os dedos às têmporas, confusa — Espera, quente é uma palavra horrível para se usar nesse caso. Eu não sei... acho que, gostoso. Isso! Gostoso. Um italiano extremamente gostoso.

Um risinho estava prestes a vir quando Amy desatou a falar, nervosa, ao mesmo tempo em que estava furiosa pela amiga. A voz, dessa vez, soando clara. Clara demais para os ouvidos de Margot:

— Puta merda, Margot, você precisa de limites. Sua mãe ligou para mim algumas horas atrás preocupada com você. Tive que dizer que você estava aqui e, que infelizmente, já estava dormindo. Será que não percebe que estou cansada de alimentar suas mentiras para a tia Tess? — respirou fundo antes de prosseguir — Desculpe se você não sente a consciência pesar quando diz mentiras desse porte para a sua mãe, mas fique sabendo que eu sinto. E, estou cansada de sentir isso no seu lugar. Então, por favor, não me inclua nas suas confusões. Eu realmente estou farta de levar suas histórias adiante.

Em seguida, o silêncio pairou a linha. A dor de cabeça incessante de Margot havia aumentado, juntamente com a culpa em seu peito. Amy tinha razão, da mesma forma como sempre tinha. Margot não estava sendo ela mesma, ou se estava, então algo deveria mudar.

— Ok — disse Margot, pondo-se de pé no mesmo instante — me desculpe. Eu preciso desligar agora.

Antes que Amy tivesse a chance de pestanejar, Margot desligou o celular, colocando-o no bolso novamente em seguida. Logo, logo seria de manhã e certamente não poderia voltar para casa. Estava bêbada demais... grogue demais.

Saiu do quarto sem despedir-se de Matteo, o italiano bonito. Seus passos vacilavam a medida que avançava o corredor estreito. Desceu os degraus da escada longa com certa dificuldade, mas logo estava no andar de baixo, sentindo-se vitoriosa pelo simples fato de não ter caído nenhuma vez durante seu percurso até ali.

Na sala ampla e barulhenta, varreu com os olhos o local à procura de alguém conhecido. Precisava sair daquele lugar o mais depressa possível e, Margot sabia que não deveria contar com uma carona de Matteo, perante as verdadeiras intenções dele. Margot precisava de um amigo, mas seus amigos não estavam ali.

Como se Deus tivesse ouvido suas preces, Margot deparou-se com alguém conhecido no canto da sala. Bem ali, com um copo em uma das mãos enquanto sorria para uma loira extremamente bonita, estava James Mitchell. M caminhou em sua direção aos tropeços, tentando ao máximo manter-se de pé. Afinal, cair de cara em um carpete sujo — que provavelmente estava úmido de cerveja ou, quem sabe, vômito — não estava na lista de seus planos para a noite fracassada a qual estava tendo.

— James! — gritou Margot com a voz esganiçada, estava há 1 metro de distância no momento de Mitchell.

— Ruivinha? — indagou James sem esconder sua surpresa ao ver o estado deplorável que encontrava-se Margot — Está tudo bem? O que está fazendo aqui?

— O mesmo que você. — respondeu, deixando um sorriso bêbado emergir ao encarar a loira que, em segundos, já não estava mais ali.

— Há quanto tempo está aqui?

— Eu não sei. E você?

— Cheguei apenas alguns minutos. — respirou fundo, olhando em volta procurando por Chris ou até mesmo por Amy — Você está sozinha?

— Não mais, agora estou com você! — esbravejou Margot, rindo em seguida.

A preocupação no rosto de James aprofundou-se.

— Óbvio que não está bem. — murmurou James, colocando o copo no chão e pegando Margot nos braços em seguida — Quer que a leve para casa?

— Não! — gritou Margot, deixando que a cabeça repousasse no peito de James — Apenas me tire daqui, por favor.

A cabeça de Margot pesava, assim como seu corpo. Ela precisava fechar os olhos e deixar-se levar pela sonolência que, aos poucos ameaçava tomar conta de seus sentidos. No momento, nada mais parecia ser certo, apenas o fato de que precisava dormir.

Margot sentiu o corpo abaixar-se no ar, como se a quem estivesse carregando-a precisou de um momento para abaixar-se. Então M imaginou estar flutuando e permaneceu com este pensamento na cabeça até, finalmente, adormecer.

***

Uma claridade parcialmente forte atravessava suas pálpebras, fazendo-a despertar por sua contra vontade. Era preciso, afinal, não lembrava-se de como realmente havia parado ali, em uma superfície fofa e macia.

Abriu os olhos, sentindo o celular vibrar a todo momento ao seu lado na cama. Com relutância, pegou o aparelho e sentou-se na cama em um sobressalto ao ver na pequena tela o nome do contato de sua mãe.

— Alô? — disse Margot, tentando ao máximo mandar a sonolência para longe, para que não acabasse transparecendo em suas palavras.

— Margot? Acordei você? Sei que ainda é cedo. — disse a sra. Clark de forma animada do outro lado da linha.

— Não, não acordou. Eu já estava acordada. — olhou em volta, tentando reconhecer onde estava exatamente — Sabe como é, a tia Sally é adepta da manhã.

— Claro! — exclamou a sra. Clark — A srta. Mayhew está ocupada? Gostaria de conversar um pouco com ela.

— Ah — desesperou-se Margot, levantando-se no mesmo instante — não vai ser possível, ela acabou de sair com Lucy — soltou uma risada nervosa — está apenas Amy aqui. Mas, se for algum recado, posso falar para ela quando voltar.

— Não, não é nada — explicou-se — Seu pai e eu estamos indo à igreja para a comemoração da Páscoa. Pensei que, talvez, ela também estivesse disposta a ir.

— Ah, a senhora sabe que a tia Sally não é muito religiosa.

— Tem razão — suspirou — foi besteira, afinal. Enfim, que horas você volta?

— Estou saindo daqui a alguns minutos, vou apenas tomar um banho antes.

— Tudo bem. Está com a sua chave?

Margot tateou os quadris em busca dos bolsos de seu short jeans — apenas para verificar a presença das chaves de sua casa —, mas desistiu ao perceber que não estava vestida nele, mas sim em uma camisa enorme que ultrapassava os joelhos. E mais uma vez o desespero manifestou-se.

— Claro que estou. — respondeu enfim Margot — Nos falamos quando voltar da igreja, mãe. Beijo.

— Ok. Amo você, Margot.

— Eu também.

Margot desligou o celular enquanto voltava a olhar em volta mais uma vez. O quarto era um tanto escuro, devido a persiana fechada da enorme janela. Nas paredes, encontravam-se inúmeros pôsteres de bandas e filmes antigos. No canto, uma TV ocupava um espaço quase imperceptível, ao lado podia-se ver controles de video-game. Era claro: estava em um quarto de garoto.

Com as memórias turvas e embaralhadas da noite anterior, tentou ao máximo entender onde estava e porque estava ali. Com certa dificuldade lembrou-se da festa, das bebidas, de Matteo. Em seguida, lembrou-se da ligação rápida que teve com Amy e, eventualmente, as palavras proferidas de Amy vieram à tona, tornando-se vívidas demais. As palavras dela cravaram-se no cérebro de Margot, martelando uma e outra vez, juntamente com a dor de cabeça que estava ameaçando surgir.

Após esta breve luta interna consigo mesma de martirizar-se mais e mais, Margot lembrou-se de James na festa. Após isso, o clarão sumia, dando espaço a peças perdidas do quebra-cabeça que era sua memória. Então, passou a sentir-se perdida e com medo.

Olhou em volta novamente. Se estava em um quarto de menino, provavelmente poderia ser o quarto de James, afinal, Mitchell fora o último garoto que falara na noite anterior. Era uma teoria plausível e a única que encaixava-se nos espaços vagos de sua mente.

Assustou-se ao ouvir batidas leves na porta, puxando-a de seus devaneios e trazendo-a para a realidade.

— Margot? — soou uma voz familiar do outro lado da porta — Já está acordada? — Margot não respondeu, estando mais uma vez confusa — Vou entrar!

A porta abriu-se, revelando um Christopher de cabelos molhados e bagunçados. As sobrancelhas estavam franzidas e, pela sua expressão, não estava nada feliz.

— Chris? — indagou Margot, mostrando sua total confusão perante a situação em que se encontrava. Como ela havia parado na casa de Christopher? — Por que estou aqui?

— Não me admira que não se lembra. — disse Chris impassível, enquanto abria a porta um pouco mais para que pudesse entrar — Estava tão bêbada noite passada. — respirou fundo, levando as mãos aos quadris enquanto seu rosto assumia uma carranca — respondendo a sua pergunta: você está aqui por que estava bêbada demais para voltar para casa. James achou melhor trazê-la para cá.

Traidor, pensou Margot em relação à James, preferiria ter acordado na casa dele e não na de Chris.

Seu pensamento continha uma pequena explicação: Christopher, assim como Amy, achava e dizia as mesmas coisas em relação as festas a qual Margot frequentava regularmente. O ponto era que M não estava pronta mentalmente para começar os sermões. Ela sabia que seus amigos estavam apenas preocupados, de qualquer forma, não precisavam estar preocupados o tempo todo.

Margot ia mudar, apenas precisava de tempo para que a mudança viesse.

— Por favor, Chris, não comece. — pediu Margot enquanto estalava a língua em desaprovação.

— Não começar? — indagou Chris, deixando um sorriso sarcástico e debochado ocupar seus lábios — Você chegou aqui, bêbada e desacordada, e agora, simplesmente, não quer que eu comece?

— Eu não pedi para que me abrigasse na sua casa. — retrucou Margot, cruzando os braços.

— É, tem razão. Não pediu. — Chris trouxe o lábio inferior entre os dentes antes de prosseguir, uma mania usada apenas quando sua irritação estava no limite — Mas noite passada, além de mim, você não tinha ninguém.

As palavras duras de Chris chicotearam na consciência de Margot. Ela sabia de quem exatamente Chris estava falando: Anne, sua colega de classe que sempre a convidava para as festas. Margot sabia que era verdade, já que, segundo seus resquícios de memórias, Anne não estava lá para ela quando M sentiu uma vontade súbita de sair daquele lugar.

Chris e Amy estavam certos, mas para Margot, era difícil assumir o erro.

— Eu sei que ultimamente não estou sendo eu mesma...

— Não é questão de ser você mesma, Margot. — interrompeu Chris — É questão de ter responsabilidade, de ter consciência de suas atitudes. Eu e Amy somos seus amigos e, sinceramente, estamos cansados de limpar a sua bagunça. Tentar ao menos desintoxicá-la.

O mesmo discurso, pensou Margot.

— Mas você não vê seus erros. — prosseguiu Christopher, a raiva crescendo gradativamente — Não estou falando todas essas coisas para machucá-la. Eu quero protegê-la.

— Claro, claro. — murmurou Margot, meneando a cabeça, como se para encerrar o assunto — Eu vou mudar, Chris.

— Eu espero que sim. — suspirou, tentando mandar a raiva para longe o máximo que podia.

— Bem... então, pode me explicar por que não estou com as minhas roupas?

***

Margot voltou para casa por volta de 12h00, uma hora antes de sua mãe voltar da igreja. Era um domingo de feriado, que claramente iria estender-se em um dia longo e tedioso, por isso, manter-se dentro do quarto assistindo alguma série aleatória era o que Margot Clark mais desejava no momento.

Durante todo seu trajeto de volta para casa, dentro de um ônibus vazio, Margot pensou nas palavras antes ditas por Christopher. Ele estava certo, e Margot pegou-se imaginando como seria se ela voltasse a ser o que era, uma garota quieta e voltada aos amigos e família. Obviamente as distrações e a falsa felicidade iriam desmoronar, sobrando apenas a essência verdadeira da Margot Clark.

Estava decidido então: tudo voltaria ao normal. E ela era tão jovem, não tinha motivos para estar bêbada quase todo fim de semana. Ela deveria fazer ações memoráveis ao lado dos amigos e não o contrário.

Por isso, Margot buscou dentro de si mesma a garota que ela era há um ano atrás. A garota cuja qual valeria a pena lutar para que retornasse à superfície e permanecesse. Era exatamente essa Margot que merecia ficar a vista de todos. Era a Margot verdadeira.

E mais uma vez, Margot Clark soube que a busca de sua própria essência deu-se por conta de Christopher Lewis. Porque, por mais que fosse exagerado confessar, Chris sempre conseguia ver a luz nela, mesmo quando ela não merecia. Porque quando ela estava mergulhando em meio aos próprios demônios — os quais ela mesma colocava em seu próprio caminho — ele a puxava para cima, onde a amizade prevalecia.

E era por esse e por vários outros motivos que o nome de Christopher estava cravado no peito de Margot, de um jeito que apenas ela compreendia.



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