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História Jardim de pedras - Capítulo 2


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Notas do Autor


Microfonia= quando o microfone capita o som produzido pelo próprio microfone.

Explicando de um jeito menos confuso: imagine que alguém disse algo em um microfone perto de caixas de som, e em seguida o microfone capita o som reproduzido pela caixa e logo ele produzirá um barulho agudo e um pouco ensurdecedor. Às vezes nós também temos umas dessas explosões ruidosas e que nos deixam surdos e desnorteado por alguns segundos, porém não é necessário um microfone ou uma caixa de som ^-^'

Me desculpem a demora, é sério. Bem, feliz aniversário para mim k.

As minhas aulas foram suspensas pelo coronga, se cuidem aí galera.

Capítulo 2 - Microfonia


 

Kariya queria poder dizer que a festa era diferente de tudo o que já tinha visto, de todas as quais havia participado, mesmo que uma festa à fantasia não fosse tão comum, tudo clama a uma certa previsibilidade. Eram todos bem vestidos apesar do previsível para uma festa daquele tipo, todos vestidos de maneira elegante quando ele parecia ter saído de um centro de atendimento vestido de policial. Esquivou-se de meio mundo vestido de vampiro à procura de petiscos, afinal, qual o motivo do seu deslocamento até um lugar daquele senão fosse para usurpar os salgados? Poderia ser um pouco egoísta frente à tantos tais filhinhos de papai ( mesmo que em tese ele também fosse um ). E, ao mesmo tempo que deixava seu pequeno fervor por todos ao seu redor, repudiava seu próprias pensamentos por serem tão ridículos.

Encontrou a trupe de Tenma — sem o Tenma — brincando com uma garrafa no meio da sala improvisada da pista de dança. Os sofás, encostados na parede, com pessoas se conectando superficialmente. Em prol de curtir uma única noite como se fosse a primeira. Na televisão, estranhamente ligada para os seus zero espectadores, transmitia alguns dos oito filmes de Velozes e Furiosos para sintonizar um roteiro de filme hollywoodiano. Tudo muito previsível e até preocupante.

Beliscou-se mentalmente, estava tendo péssimos pensamentos. Se enfiou dentro da pequena cozinha e agradeceu por não ter uma alma viva sóbria o rondando, ele se sentou em um canto dos balcões ali com os bolsos cheios de salgados, quando receberá uma ligação de seus pais.

Kariya estava para voltar para casa a pedido de Midorikawa quando uma aglomeração se estendeu na porta, várias pessoas com fantasias casuais começaram a gritar e ele sem querer se enfiou no meio da rodinha tumultuosa, ele não conseguiu desprender os pés do chão, se movimentar, sair do campo minado devido ao que via a frente, prestando a atenção naquilo que avistava ali ele identificou um garoto de cabelo rosa vestido de Mário, Kirino de frente para um garoto loiro com a face totalmente diferente das que costumava ver, e em como parecia explodir em sua própria euforia. Diferente de tudo o que o defensor já havia lhe mostrado com seu gênio gentil.

Forçou-se a sair. Mesmo olhando-o sob os ombros, curioso e preocupado para saber o que estava havendo, ele queria continuar ali e ouvir sobre o que estava acontecendo mas tinha que ir embora, e levava junto a leve claustrofobia que sentia, do lado de fora inspirou o ar quente que lhe tocou o rosto, procurando em seu celular o aplicativo de táxis.

Masaki precisava de um lugar só para si, necessitava absorver tudo aquilo, e talvez se entregar aos seus sentimentos menos incoerentes. Tem aquele negócio com músicas, aquela importância, elas o ajudam, o moldam, o transformam, colaboram para seus sonhos. Facilitam toda a sua imaginação fértil e ingênua. Mas ele sabia que músicas não o salvavam da merda que ele era ou o que fazia então desistiu de alcançar o fone de ouvido na roupa por baixo da fantasia um pouco justa, inspirou ruidosamente o ar e se aproximando da calçada. Fechou os olhos, sentindo, absorvendo. Sorriu, vendo um pouco de luz no fim do seu atual túnel de tormento. Talvez estivesse fazendo um pouco de drama, vendo muito mais do que deveria, mas, era música, era sua essência infantil se manifestando e dando a entender que ficaria tudo bem.

Queria que o mundo se calasse apenas para sua concórdia. Contudo, não tem domínio de todo o universo muito menos do que o poder que possui em suas próprias palavras. Olhe para o lado Masaki, e Kirino apareceu logo depois, o jogando na calçada com um baque surdo, ele se virou irritado e se deparou com Ranmaru o encarando com os olhos assustados, e havia sangue em seu rosto, em seu pulso. Ou ele achava que era pois aquela característica não estava em sua fantasia alguns segundos atrás, Kariya precisou piscar várias e várias vezes para acreditar que sua mente não estivesse pregando-lhe uma peça, aquilo já estava ali certo? Se culpava pelo que estava a se materializar à sua frente na dor de alguém incompreensível.

— Desculpa — Kirino deu um passo em sua direção, vacilante, tremendo e provavelmente sentindo dor. — Me ajuda.

Masaki realmente só poderia estar em uma forma física do que seria um pesadelo sugando sua consciência para uma espécie de trauma de infância. O que diabos estava acontecendo? Ele o olhava assustado, estando de pé assim como Masaki e indo em sua direção, o canto do lábio tremendo e os olhos cintilavam junto da luz do poste, era sangue, e Kirino ainda sangrava enquanto pressionava o ferimento, gotas e mais gotas pingando na calçada.

Ele ainda caminhava em sua direção, um passo de cada vez, as órbitas azuis e proeminentes como as de um gato na madrugada, zangadas, xingando apenas pelo o olhar, e ainda sim, amedrontadas, desejando carinho, um alento.

Ele soltou uma lufada de ar, até tentou chamar por seu nome, porém, o mundo chacoalhou. Um tremor arrebatou o chão, calou o mais suave dos ventos do nocturno, cegou qualquer consciência e deixou a vida em um repleto vazio. Um vácuo infinito.

Microfonia.

Masaki odiava microfonias. Quem em vida nutria da habilidade de se manter instável depois de uma explosão ruidosa daquelas. Quase como um pequeno big bang feito de barulho excessivamente agudo, desconfortável. Odiava quando o próprio microfone se juntava a ele mesmo para gritar, extirpar qualquer audição. Um surto esquisito de egocentrismo. E até poderia ter se sentido desconfortável se não fosse a realidade te jogando um balde de água fria, se o mundo não tivesse revelado que alguém encontrava-se em pior estado de angústia.

E Kirino por meros segundos esquecera-se onde estava, que ele sangrava, que estava bem alí, extremamente próximo, uma singela mão de distância... Ele colocou as mãos com forças na cabeça, sujando seus dedos de sangue tingindo os seus cabelos, e então ele caiu, no exato momento em que Kariya havia levantado. O segurou em seus braços, quase não dando tempo de segurá-lo e foram ambos para a calçada outra vez, e ele ainda estava o apertando com força, abraçando, sentindo uma quentura fora do comum, quase como se aquele garoto fosse um vulcão se queimando sozinho, deixando que sua lava o consumisse a ponto de perder a própria existência. Mas, sua força não era lá uma grande coisa, desconfortável e quase o deixou escorregar para o lado.

— Senpai? Kirino-senpai! — tentou, de maneira inútil.

Ele não respondia, apenas tremia, apenas sentia a dor. Kariya ergueu as mangas da roupa de policial e o chapéu em conjunto com a fantasia quase caiu, e ele usou uma mão para sustentar Ranmaru, o mantendo parado enquanto estava arrumando o acessório outra vez no lugar. As mãos de Kirino penderem para frente e ele viu, pela luz do poste acima deles, a sua própria fantasia estava suja com o sangue que não o pertencia, e a jardineira de Kirino mais ainda, pois era onde seu braço ferido repousava.

Começou a lutar, o que machucou Masaki. Os dedos, que antes eram pressionados com força nos dois ouvidos, arranharam os braços de quem estava à sua frente. Ele queria se soltar, balbuciando uma palavra incompreensível enquanto golpeava com fraqueza o peito de Kariya. E mesmo assim ele não o soltou, não podia. Passou longos segundos lutando com os golpes desferidos em si e o cheiro salgado de sangue, ele apertou com força o ombro de Masaki, enquanto começava a tremer outra vez. O líquido viscoso manchou-lhe o peito e ele não conseguia prestar a atenção em nada senão Kirino.

Estava mais que assustado, queria fazer alguma coisa; porém precisava que ele se acalmasse, apertou seus braços ainda mais no corpo frágil, aos poucos, vendo que Ranmaru cedia ao contato e o deixava segurá-lo mesmo que de maneira um tanto superficial.

— Por favor, fique calmo… eu tô’ aqui.

As mãos dele pararam em sua cintura em um abraço desajeitado, e quase até soltou a própria respiração, que ao menos percebeu estar segurando, senão fosse pela voz de um total idiota querendo atenção.

Era um dos seus amigos espalhafatosos, Kariya nem ao menos sabia qual era o seu nome, mas, praguejou diversas vezes por ser o responsável de fazer tudo aquilo piorar quando um sinal de esperança surgia em um foco difuso daquele estacionamento confuso. Qual a idiotice que esse povo bebe no café da manhã para ter atitudes tão desnecessárias?

Kirino voltou a tremer descontroladamente. Masaki precisava levá-lo ao hospital antes que algo pior acontecesse, só não sabia como. Poderia ligar para uma ambulância, mas, algo dizia que era uma péssima ideia, mesmo que a mais racional para aquele momento. Sua vida, atualmente, parecia uma montanha-russa caindo para baixo, sem controle e sem freios.

— Vou tirar você daqui, só me ajude… por favor — Kirino não o ouvia, Kariya sabia disso apenas pelo seu olhar, ele encarava seus lábios em um desespero ensurdecedor. Não estava conseguindo entender, assimilar absolutamente nada. E aquilo só piorava.

Segurou suas bochechas com força e o encarou, tentando fazê-lo ficar quieto, a boca paralisada, sendo o mais expressivo que conseguiu, tentou se comunicar daquela maneira, olho no olho, batimento por batimento. "Confia em mim " não soltou sua voz, apenas balbuciou, movendo seus lábios bem devagar. Não foi suficiente, mas, Ranmaru entendeu, engoliu em seco e o abraçou ainda mais, completamente perdido.

Ele se levantou, puxando o corpo maior que si para cima com dificuldade. Andaram um passo de cada vez, mas sabia que não era ele quem guiava. Com certeza Kirino era leve, mas Masaki era um fodido raquítico e suas pernas aparentavam desmoronar, contudo, fez-se resistente e entendeu o caminho assim que o carro preto — que não fazia ideia de que marca teria e quantos zeros no cheque havia custado — surgiu à sua frente. E Kirino, por algum motivo maluco, queria dirigir naquele estado e isso definitivamente não iria acontecer. Masaki riu, mas por puro desespero em saber que ele queria dirigir aquela coisa sem nem mesmo ter idade, eles eram nada mais que dois adolescentes idiotas numa festa sem sentido, que queriam ir para o hospital mas nem dirigir sabiam, e Ranmaru era algum tipo de maluco que queria dirigir.

Agora que sabia para onde ia, tentou o carregar, mesmo com a maior dificuldade do universo, segurando seus braços e acelerando a caminhada. O encostou no carro tendo medo de soltá-lo e ele escorregar de suas mãos, parecia tão assustado, uma criança sem proteção dentro desse mundo obscuro. Tateou os bolsos à procura de algo que pareça uma chave de carro.

Encontrou, no bolso traseiro direito, um controle, quase como um de portões eletrônicos, uma daquelas novas chaves codificadas. Kariya nem ao menos sabia como usar aquela diaba. Apertou diversos botões juntos tentando esperar algum tipo de resposta, o carro apitou, gritou, iluminou e abriu as portas, tudo isso em menos de três segundos. Masaki puxou a porta do passageiro e tentou a todo custo fazê-lo se sentar, tendo um total de zero resultados. Por algum motivo, Ranmaru estava sangrando, com dor, porém, se recusava a entrar dentro do seu próprio carro como passageiro e rumar ao hospital mais próximo. Um completo idiota querendo dirigir naquela situação!

— Kirino, entra logo aí! — empurrou com as pernas, ajudou com os joelhos, e nada, nada da criança assustada sentar na porcaria do banco. Tinha esquecido até o sufixo. — Que caralho!

Ele xingou e, para a felicidade dos dois, não desistiu. Depois de muito esforço, e talvez uns toques estratégicos na cintura dele, em seu joelho esquerdo e até mesmo um toque a mais de cosquinha na barriga, o mais velho sentou à força no banco e ainda parecia resmungar, mesmo estando sangrando e com dor, ignorando completamente o sentido de como é estar em um estado completo de torpor.

— Certo… — Kariya estava mentindo para si mesmo, e, encarando o painel, percebeu que aquela coisa não se parecia em nada com o carro vermelho de sua mãe que dirigiu uma vez sem querer no lugar onde ela trabalhava, quando ainda era um adolescente feliz e revolucionário. Estava ferrado, para não dizer outra coisa. Poderia facilmente se matar, terminar de arruinar com seu senpai e ainda enfiar esse carro mais caro que ele mesmo em uma viela de concreto.

— Segura isso… essa coisa, nesse negócio — queria dizer para ele segurar o que estendeu para Ranmaru sob o ferimento, um pano que encontrou no banco traseiro, era uma blusa mas claro que não sabia de quem era.

Voltou a atenção ao carro, não sabia onde colocar a chave, o que eram todos aqueles botões e por qual motivo o câmbio não parecia em nada com o que deveria ser um câmbio. Grande merda. Mordiscou o lábio, respirou bem profundamente e colocou o controle que ligou o bendito carro em uma espécie de vão entre os gráficos de gasolina e o de quilometragem. O painel vibrou junto ao motor, tinha feito algo correto, pelo menos. Encarou seus pés, e xingou, bem alto, ali tinha um pedal a mais e o que diabos ele faria com aquela coisa?

O carro encontrava-se em uma vaga entre outros dois, ele teria que manobrar, jogar a direção do volante para algum lado que não fosse passar por cima de tudo e arrumar um belo de um estrago. Como faria isso? Nem precisava reafirmar que não tinha a mínima ideia!

— Que droga, você não poderia ter um carro simples não? — praguejou, mesmo sabendo que talvez Kirino não o ouvisse, colocou as duas mãos no volante e segurou com força, olhando para frente não sabendo como ligavam os faróis e onde deveria mexer para o carro se mover.

Seguiu seu instinto, pisou no pedal do canto esquerdo, movimentou o câmbio como se estivesse dançando com os dedos, esperou o carro fazer alguma coisa, entregou todo o livre arbítrio para um troço automobilístico, que por algum motivo do destino, resolveu entrar em marcha ré. Só poderia ser brincadeira! Soltou o volante, completamente assustado e com medo de ter que vender seu próprio rim para pagar o estrago, encarou, entre as brechas dos dois bancos e vidro traseiro, o que deveria ser o pobre do carro soterrado pelo para-choque traseiro, e temia ter que recorrer a empréstimos para ter sua mente limpa, sem pedaços de vidro corroendo sua consciência.

Arregalou os olhos, encontrava-se sem saída. Como levaria alguém a um hospital em segurança dirigindo um carro sem carteira de motorista… e, principalmente, sem saber como dirigir? Os fim do poços que ele se metia a sua pequena existência lhe causavam muita dor de cabeça, quem diria que enxergar no escuro poderia ser tão confuso. E percebe, os olhos de Kirino em si, claros, com um brilho diferente do de a pouco, será que aquela peste prepotente conseguia manter o seu gênio sarcástico mesmo sangrando daquele jeito?( sim, Kirino sabia provocar) Duas piscadas rápidas e Kariya logo conseguiu seu caloroso "sim" e, contudo, ainda parecia o ser mais adorável do mundo.

Por algum motivo misterioso, ele adorava a maneira fofa e prepotente como Ranmaru piscava. Simplesmente. Só o jeitinho de piscar. Só. Só.

Ouviu um riso vindo do garoto ao seu lado, ele bateu com certa urgência na perna de Masaki depois de se inclinar para ver onde os pés alheios repousavam, e no momento seguinte Masaki pisou no pedal, sem pensar duas vezes e então o carro parou subitamente, em um pequeno sobressalto ele viu Ranmaru segurar em sua mão esquerda e levá-la outra vez no volante, ele segurou outra vez ali com ambas as mãos. Ranmaru mexeu no câmbio, Kariya o seguiu com o olhar, em seguida, com as mãos um pouco trêmulas, virou o volante diversas vezes para o seu lado e soltou do freio, Kirino segurava no volante também, batendo de leve com o dedo indicador na sua mão esquerda, para que Masaki reassumisse o controle no mesmo local em que sua mão estava, ainda que superficialmente. O chapéu quase caiu mais uma vez ele levou a mão direita ao rosto para arrumar-se. Kirino indicou na perna esquerda, e o seu pé agiu antes que seu pensamento dissesse o que estava de fato acontecendo. O carro começava a sair da vaga, guiado pelas mãos trêmulas de Kirino. Os dois em sincronia.

Não soube como conseguiu deixar o carro andando em linha reta — pelo menos em 10% do percurso — entrou em duas contramão, atravessou uma linha de mão dupla em diagonal, quase estacionou em uma calçada quando deveria respeitar o sinaleiro, Masaki realmente só poderia estar em uma forma física do que seria um pesadelo sugando sua consciência para uma espécie de trauma de infância. Estacionando de maneira descompassada em uma vaga especial na frente de um hospital que ele pensava saber da existência, mas não importava muito no momento pois ele precisava levar Ranmaru para dentro imediatamente e parar de pensar em besteiras!

Demorou dois minutos para entender como abrir as portas; três segundos para desviar de uma moto em alta velocidade, já que estacionaram em uma rodovia movimentada, e outros trinta só em atravessar o carro e ajudar Kirino a se levantar, mesmo que o garoto já parecia conseguir sustentar as próprias pernas, o que não deixava de ser preocupante e um tanto anormal.

Eles entraram na recepção, e a blusa que Ranmaru usava para estancar o sangue do braço já estava vermelha, ele apareceu em frente ao balcão com Kirino logo atrás de si, a recepcionista ia dizer algo, quando viu o garoto do cabelo rosa surgindo ao seu lado e logo algumas pessoas surgiram, levaram ele para uma das macas na recepção, ele estava tentando explicar o que aconteceu mas Kariya não conseguia prestar a atenção em nada senão seu rosto, a equipe da recepção ao redor deles haviam se dissipado tão rápido quanto apareceram e então Kirino o olhou: a bochecha manchada com o sangue seco, os cabelos azuis soltos caindo pela testa e a expressão assustada, ele conseguia distinguir o que era a sua silhueta dentro do horizonte de eventos que eram os olhos castanhos/dourados de Masaki, um suspiro escapou pelos seus lábios, aquela ia ser uma noite longa.

— Tá tudo bem? — Masaki finalmente perguntou, se aproximando sutilmente de Kirino sentado na maca.

— Eu pareço bem? — Kariya fechou a expressão, notando que estava a olhar incansavelmente para o braço de Kirino quando ele levantou o rosto para encará-lo. — Desculpe, estou nervoso.

— Tudo bem, estamos em um hospital e eles vão cuidar de você, agora me explica pelo amor de deus o que aconteceu.

— Eu… meio que acabei entrando em uma briga com um colega lá, na festa sabe? E nessa briga ele me acertou uma garrafa porque eu joguei deus e o mundo que tinha naquela cozinha pra cima dele.

— Você brigando deve ser cômico, eu queria ter visto mas não estava com saco para aquela festa não. — e de fato ele havia visto Kirino várias vezes na festa e foi a última pessoa que viu antes de sair e em questão ele estava brigando, mas não ficou para ver o que aconteceria.

Um pequeno silêncio se instalou no quarto, Kirino não o olhava mas sabia que era alvo de muitas perguntas naquele momento, ele soltou um riso baixo ao lembrar-se de como chegaram até ali.

— Então quer dizer que você não sabe dirigir?

— O meu negócio sempre foi com a bola, que eu me lembre — Kirino riu, percebendo que Masaki tentava a todo custo não ser arrogante ou dizer coisas que o magoasse, mas ele o trouxe ali e aquilo era suficiente para saber que ele se importava.

— Você deveria tentar aprender — murmurou pressionando com mais força a blusa que pertencia a Taiyou em seu braço.

— Depois de hoje eu vou, não se preocupe — ele respondeu, Ranmaru sorriu, sorriso este que durou pouco devido a dor que sentia. — Está doendo?

— Bastante — ele respondeu, passando a mão na fantasia, retirando os resquícios do sangue e levou a palma aos olhos, levando embora as lágrimas que surgiram em sua íris. — Eu quero te agradecer agora antes que eu me esqueça.

— Que nada, eu faria por qualquer um — Masaki respondeu, as bochechas coradas e o rosto voltado para um lugar aleatório do quarto. Era verdade, ele o faria se fosse ou não Ranmaru. — A propósito a sua fantasia é ridícula. Quis fazer par com o Tenma e deu nisso.

— Olha quem fala senhor polícial. — Ranmaru respondeu rindo, sem de fato ter se ofendido com aquilo, porque sabia que era um tentativa falha de Masaki quebrar a gentileza anterior dele.

— Eu sei que minha fantasia é uma bosta.

— E é mesmo. E o que você fez no cabelo? Passou chapinha? — ele estava se divertindo com aquilo, e por um momento se esquecia da dor.

— Peguei a tua emprestada. —Masaki devolveu, rindo das expressões de Kirino enquanto retirava o casaco ensangüentado e o dobrada sob as pernas.

— Mas eu nem uso!

— Por isso mesmo?… — ele respondeu rindo, Kirino o observou, aquela era a primeira vez que o via sem o uniforme escolar ou do time e ele parecia estar saindo de um velório, todo de preto quando na verdade seu traje da lei indicava mais um assassinato. E o pior de tudo era que Kirino era o cúmplice.

Eles riram juntos, como se estivessem alcançando uma epifania similar entre ambos. Algo que durou pouco quando um Tenma preocupado invadiu o quarto improvisado de Kirino ali mesmo na recepção junto do grupinho. Ele estava vestido de Luigi, cara o qual Kariya nunca teve interesse de guardar o nome e por conta disso o chamava de Mário verde mesmo jogando Mário Kart a quase três anos.

E então a panelinha surgiu ali entre as quatro cortinas divisórias, Tenma em cima de Kirino em um meio abraço, Tsurugi parado ao seu lado e Taiyou surgindo logo atrás de Tenma com Yuuichi em seu encalço tentando retirá-lo dali para dar o espaço que não tinha a todos. Era um falatório infernal, Kariya levou uma das mãos ao ouvido esquerdo, tentando se livrar do abafado em seus ouvidos. Ele se levantou subitamente e cumprimentou Kyousuke com um aceno de cabeça, que foi prontamente retribuído. Saindo dali sem fazer nenhum barulho, era hora de ir embora. Masaki parou de súbito em frente a maca, rindo em um tom agradável que tirou a concentração das pessoas atrás de si.

— Por que ele tá rindo? — Taiyou murmurou.

— Ei Kariya-san! Por que você está rindo?!

— Aquilo é o Shindou-senpai?

— Ele veio também? — Taiyou respondeu sua a pergunta com outra, observando a cena na recepção.

— Ele tá bêbado?

— O Shindou tá aqui?

— Não levanta! Você tá sangrando?! — E em questão de segundos o falatório retornou, Masaki perguntou se Takuto estava embriagado, Amemiya nem sabia que ele tinha vindo, Ranmaru queria levantar para ir ver o amigo e Matsukaze tentava fazê-lo ficar na cama.

— Sim Tenma, eu estou sangrando — Kirino respondeu o óbvio, se inclinando para perto de Tsurugi.

Takuto estava brigando com a recepcionista que os atendeu, e havia um garoto de cabelos brancos o segurando pela cintura para que ele não subisse no balcão, era muito óbvio que ele não estava bem, para se deixar ser tocado tão intimamente por alguém que Kirino conhece por Ibuki e por estar perdendo tanto a compostura, o respeito? Cadê? No momento ele não pensava em nada, apenas em Kirino e aquilo era cômico.

— Quem diria que o Shindou-senpai sabe xingar!

— Estou com fome — Amemiya disse logo depois de Tenma. — Alguém tem um celular para me emprestar? Eu quero gravar o Takuto dando piti com a tia do hospital pra mostrar pra ele depois!

Kariya acompanhava a conversa parado ali, ao lado de Tsurugi fazendo um maravilhoso cosplay de planta. Kirino riu, um riso doce como o que ele dera momentos antes da lata de sardinha que eram seu grupo de amigos se montar em volta dele. Ele sacou o celular do bolso, desbloqueando e entregou para Taiyou. Seus olhos se encontraram mais uma vez enquanto Tenma estava distraído com Yuuichi que brigava com o falso namorado. Masaki sorriu, se despedindo com um leve aceno das mãos e partindo para fora dando espaço ao médico que apareceu ali, ele ouviu alguém dizer algo para si, talvez Kirino ou talvez Tenma, não prestou a atenção, pois sua mente estava focada no esporro que ia levar de seus pais quando chegasse.

Eles sabiam da festa, de prontidão Tatsuya foi contra e deixou isso bem claro, pelo fato da festa ser para maiores de idade e acontecer a noite. Ryuuji conseguiu a permissão por ele, já que raramente Masaki saía de casa, e Kariya desconfiava que Midorikawa queria era se livrar dele por uma noite mesmo. O problema era que não havia dado o endereço do salão onde a festa iria ocorrer, e sabia o porquê daquelas inúmeras chamadas perdidas de ambos em seu telefone, porque ele havia perdido a confiança de Ryuuji para sair a noite e ganhado um Hiroto puto da vida com ele.

Tinha a consciência de que a bronca ia ser grande, mas o incidente com Ranmaru havia pagado pela diversão que não obteve na festa. A dívida estava paga. Na frente do hospital as várias luzes estavam piscando, os carros passando depressa logo a frente e aquela luz toda lhe dava dor de cabeça. Ele viu o carro de Kirino levar uma multa pela vaga especial que ocupava e riu-se, ele era um péssimo motorista, mas desconfiava que Kirino podia pagar por aquilo.

Iria voltar a pé, obviamente, mas sentiu os respingos da chuva que estava prevista para o dia seguinte lhe acertarem o rosto levemente, ele deveria esperar e pedir para voltar com Ranmaru mas sentia que não era uma boa idéia. Também não era uma boa idéia transformar uma gripe em uma pneumonia mas ele não queria entrar em um carro com tanta gente a qual não tinha afinidade nenhuma. A casa não era próxima dali, mas levava alguns quarteirões, mais do que leva para chegar à escola. Ele estava indo, sentindo os respingos levarem a cor vermelha impregnada em si e o cheiro de sangue ir embora, iria atravessar a esquina quando Taiyou apareceu correndo logo atrás.

— Espera, espera — ele pediu, ofegante aos seus pés.

— O que foi?

— Não quer ir com a gente? Estamos todos de carro — ele respirou fundo, e se pôs de pé a sua frente parando com os arquejos na respiração.  — O Kirino trouxe você no carro, ou você trouxe ele, eu não entendi direto. Mas viemos com o Kyousuke e o irmão dele de carro também e vamos voltar divididos, você não quer vir?

Kariya fez uma cara confusa e se virou totalmente para Taiyou, era estranho que alguém como o ruivo falso se importasse do dia para a noite com ele, e talvez aquilo fosse pedido de Kirino.

— Não obrigado, eu moro aqui perto por isso eu saí.

— Mas está chovendo! Podemos te levar até lá.

— Não, obrigado mas eu não quero. E eu já estou encharcado mesmo, não tem problema — Amemiya o olhou hesitante ao analisar minuciosamente suas expressões, a compostura dele, olhando-o como algo que fugia do comum dentro de um comum aceitável.

— Tudo bem então, mas estaremos lá ainda se quiser voltar.

— Certo, obrigado outra vez mas eu acho que você deveria voltar senão vai acabar como eu — ele apontou para trás, indicando o caminho percorrido por ambos, Taiyou o olhou uma última vez, como se tentasse convencê-lo a ir.

Ele havia se deixado convencer por Masaki, virou as costas e saiu andando até a metade do caminho, para depois voltar a correr, Taiyou era engraçado, gentil, espalhafatoso e um amor de menino, mas aquela amizade não era para ele. Era algo que se apreciava. E lá estava ele outra vez, com a chuva, sozinho.


Notas Finais


Ae, perdão os erros, finalmente tá aí.

Minha beta está com o vírus famosinho e em quarentena, mas o lugar onde ela reside não há internet então não tive tempo de revisar isso antes de postar, por favor, eu espero que não haja tantos erro, porém, se avistaram algum peço que me avisem, sim?

Espero que gostem desse capítulo, a capa está passando por modificações ao longo do tempo enquanto eu não acho a original;)


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